A técnica e o riso

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Já advertira Roberto Campos que a técnica utilizada erroneamente é
inócua e, ao mesmo tempo, perversa para a sua credibilidade.

 

Passados 52 anos do alerta do economista Roberto Campos, é
surpreendente que a TV brasileira de maior audiência e qualificação tenha
sucumbido a telespectadores mal-intencionados ao desvirtuar a votação
do craque do jogo na rodada do fim de semana.

 

Menos mal que a vítima, o goleiro Sidão, pela equilibrada e civilizada
reação diante da entrega do troféu de “melhor jogador em campo”, pode
desvirtuar o que os votantes intencionaram desvirtuar.

 

Sidão, goleiro vascaíno derrotado pelo placar de 3×1 diante do Santos,
marcado pela falha que ocasionou o primeiro gol da partida, conseguiu
pelo cavalheirismo apresentado transformar a chacota intencionada
pelos votantes em uma corrente de admiração de toda a comunidade do
futebol.

 

Provavelmente ficará marcado de tal forma que a empatia gerada trará
benefícios duradouros a sua imagem de jogador profissional.

 

O estrago imaginado foi neutralizado e potencializado de modo favorável.
Entretanto, ficou muito mal para quem elaborou a pesquisa.

 

Estava claro que o objetivo da pesquisa estava prejudicado, e ainda assim
o resultado foi levado adiante.

 

Fala-se muito na exigência contemporânea de competência gerencial
flexível, como também em mentes preparadas para ações e decisões
rápidas e fora da caixa de ferramentas tradicionais.

 

Onde estavam os executivos que tinham diante de si um resultado
desconectado com o propósito da premiação?

 

As histórias das pesquisas demonstram a sua absoluta necessidade e
utilidade. Para governos, para empresas, para esportes. Entretanto, em
todas as modalidades é imprescindível que a técnica seja aplicada
corretamente. Quer seja pesquisa qualitativa, quantitativa, de intenção,
de avaliação, etc.

 

A pesquisa que se refere ao “craque da partida” é das mais simples. Apenas uma votação de avaliação, mas ainda assim, a
técnica não pode ser aplicada sem toda a técnica envolvida.

 

Para não ficar no riso, ou no esculacho.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do
Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos
Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

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