A responsabilidade de ter na mesa um troféu com o nome da Ir. Dorothy Stang

 

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“Quando enterramos o corpo da Irmã Dorothy,
em fevereiro de 2005, repetimos
muitas vezes que ‘não estamos
enterrando Irmã Dorothy,
mas sim, estamos plantando’.
Ela é uma semente que vai dar muitos frutos.
Queremos celebrar estes frutos
e as novas sementes que
estes frutos estão lançando”
Dom Erwim Krautles, Bispo Emérito do Xingu (PA)

 

Sexta-feira passada, em Goiânia, fui um dos homenageados no Prêmio de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com a Menção Honrosa Ir. Dorothy Stang. De acordo com o informe da comissão de comunicação da CNBB, a escolha levou em consideração o trabalho que realizo no rádio:

 

“Sua competência profissional aliada a uma sensibilidade cidadã tem um impacto positivo na audiência e colaborado com a formação de valores humanos, critério definido pelos bispos para a escolha de comunicadores”.

 

Dedico-me ao jornalismo há 35 anos e ter o nome selecionado para esse prêmio me deixa, é claro, lisonjeado, mesmo que nunca consiga enxergar de forma evidente os resultados desse trabalho na transformação da sociedade —- e talvez seja melhor assim, caso contrário corre-se o risco de a soberba se sobrepor a causa.

 

Os outros profissionais que receberam a menção honrosa foram Wagner Moura, ator e diretor de Cinema; Sandra Annenberg, jornalista da TV Globo; Vinicius Sassini, jornalista de O Globo; os digital influencers Iara e Eduardo, “caçadores de bons exemplos” e, em homenagem póstuma, o jornalista Ricardo Boechat.

 

Havia sido informado do prêmio dias antes quando, então, a pedido dos organizadores gravei vídeo para agradecer a escolha do meu nome ao lado de outros colegas da mídia e do cinema —- que foi reproduzido durante a cerimônia.

 

Fiz questão de gravar a saudação no Pateo do Collegio, onde surgiu a cidade de São Paulo, no século 16. Foi lá que os jesuítas iniciaram o povoado que se transformaria nesta megalópole. Sempre considerei simbólico que, ao contrário da maior parte das cidades, São Paulo surgiu no entorno de uma escola e não de uma fortaleza.

 

Escolher como cenário o local da primeira escola de São Paulo foi a forma de expressar minha gratidão por ter em mãos um troféu com o nome da Irmã Dorothy que encontrou na defesa dos homens e das mulheres mais simples deste país a maneira de revelar sua missão cristã. Deu a vida por essa causa.

 

Na sua caminhada, Irmã Dorothy foi uma das fundadoras da primeira escola de formação de professores na Transamazônica, a Brasil Grande —- nome que por si só demonstrava o quanto ela e seus companheiros acreditavam que através da educação poderíamos nos desenvolver como nação.

 

Assim, fui ao Pateo do Collegio para lembrar que todos que trabalhamos com comunicação social não podemos jamais perder a noção de que temos também uma missão educadora quando buscamos a verdade, apuramos os fatos, ouvimos o contraditório e questionamos a autoridade estabelecida.

 

Além de agradecer pela gentileza da CNBB, fiz questão de, em vídeo, registrar minha crença que pela educação e com trabalho podemos ajudar a construir um Brasil mais justo, mais ético e mais generoso. Um Brasil grande, como sonhou Irmã Dorothy Stang.

2 comentários sobre “A responsabilidade de ter na mesa um troféu com o nome da Ir. Dorothy Stang

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