Conte Sua História de São Paulo: refaço meus caminhos na cidade

Por Emília Gonçalves
Ouvinte da CBN

 

“Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e Av. São João […]

 

Foi com o poema do Caetano na cabeça que eu comecei a conhecer a minha São Paulo querida. Eu morava em Guarulhos e fazia estágio no Hospital das Clínicas, na década de 1980. E foi amor à primeira vista. Não só por seus arranha-céus, as grandes avenidas, o ir e vir das pessoas apressadas para o trabalho ou estudo. São Paulo sempre teve algo especial que contradiz a crença de que as pessoas são frias e só se importam com o trabalho.

 

Existe o trabalho que move a cidade, existe a correria, e existe a gentileza de quem desacelera o passo para lhe dar uma informação com um sorriso no rosto. Existe um músico na esquina, uma avó com sua neta, um beijo roubado e uma estudante, como eu, a espreitar a vida pulsante dessa linda cidade. São Paulo é o encontro do antigo, do moderno, do contemporâneo e, quiçá, do pós-contemporâneo. São Paulo é uma cidadã do mundo, uma cosmopolita que abraça todos, que acolhe…

 

Como toda grande cidade em que se espera tudo dela, São Paulo também tem suas mazelas que nos chocam e nos confundem, e também a solidariedade de quem oferece um pão, um abrigo, uma palavra.

 

Eu hoje vivo na Bahia, mas nunca perdi esse amor.

 

Agora vou a São Paulo todo ano e refaço meus caminhos. Faço novos trajetos, descubro a nova cidade. Vivo o presente que a cidade é, ponho o pé no passado e a cabeça no futuro.

 

” […] Aprende depressa a chamar-te de realidade/ Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso […]”.

 

A Profª Maria Emília dos S. Gonçalves é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br

Um comentário sobre “Conte Sua História de São Paulo: refaço meus caminhos na cidade

  1. Sobre a História de São Paulo vivida pela ouvinte Maria Emília.

    Ao contrário de você, Maria Emília, nasci em São Paulo e, como você, vejo a cidade como uma mãe. Acolhedora, às vezes rígida, mas sempre generosa e abastada em aconchego, como se fosse o colo do mundo. Não vejo frieza por aqui, pelo contrário! Vejo, apesar da pressa, no mínimo a disposição para oferecer minutos preciosos e solidários a quem quer que precise se localizar em suas ruas, em seus caminhos . Por vezes não foi o que encontrei nesse mundo sem fronteiras. A individualidade fala mais alto ou mesmo o grande barato é exatamente desorientar maldosamente forasteiros menos avisados.Talvez eu tenha um viés com relação a isso por que encontrei dificuldades várias em minhas andanças pelo mundo.

    Parabéns, é sempre bom saber que nossa “mãe” é reconhecida e admirada por outros, inclusive por Caetano Veloso.

    Alguma coisa acontece no meu coração…

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