Como a Inteligência Artificial na Moda reduzirá liquidações, preços e poluição

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

lojas-renner

Foto: Pixabay

 

 

Um dos mais inovadores autores organizacionais da era moderna, Eliyahum Goldratt, após desvendar as restrições dos processos industriais quando focou nos gargalos, levou adiante o raciocínio para a distribuição dos produtos fabricados. E enquanto na área industrial o gargalo era o inimigo a ser encontrado, no varejo o desafio era a previsão de vendas.

 

O israelense Goldratt, já físico renomado, passou a dirigir sua atenção para os desafios corporativos ao adentrar inicialmente nos problemas dos processos industriais.

 

Sua metodologia inspirada na física e denominada de Teoria das Restrições (TOC-Theory of Contraints) foi aplicada com sucesso. O conceito das restrições em otimização matemática é limitativo — por exemplo,  X não pode ser maior do que 5 –, mas nas organizações a restrição é dispersa, como algo que está impedindo o melhor rendimento, mesmo quando nada está errado. Pode ser problema com equipamentos, pessoas, sistemas e no caso de vendas poderá estar partindo de uma previsão imprecisa.

 

A contribuição de Goldratt para a distribuição e alocação do sortimento adequado foi expressiva, mas é com a IA — Inteligência Artificial que haverá uma aproximação da velha obsessão pela mercadoria certa no momento certo e de forma certa.

 

O mundo da Moda, pela evidência em valor, US$2,4 trilhões anuais; pela empregabilidade, a segunda maior absorvedora de mão de obra; e, também, pela incomoda posição de ter a cadeia produtiva das mais poluidora e o consumo com alto desperdício; é um setor promissor para reter os benefícios da Inteligência Artificial.

 

Além disso tem inúmeros SKU (Stock Keeping Unity – Unidade de Manutenção de Estoque) o que lhe dá uma complexidade acima do padrão geral de produtos. Por exemplo, se for uma mercadoria de moda podemos ter o estilo, a estação, o produto, o modelo, a cor e o tamanho.

 

De acordo com reportagem da Época Negócios (acesso restrito a assinantes), a Renner está implantando a Inteligência Artificial para o abastecimento das lojas. Inicialmente o sistema teve que ser ampliado para absorver as variáveis e suas combinações na composição do sortimento adequado, pois apenas com 5 tamanhos e 3 cores, surgirá 15 opções para considerar.

 

No caso de Moda e de distribuição para as várias regiões brasileiras, com diferenças climáticas, antropométricas, culturais, o sortimento terá que atender a essas variáveis, procedendo a um sistema de “n” combinações.
Os resultados na Renner, de acordo com a Época, foram positivos e gerou aumento de 12% nas vendas e a redução de 18% no estoque. O nível de atendimento evoluiu, a cada 10 clientes 9 são atendidos e apenas um não encontra o produto que procura.

 

Com a meta de 17% do abastecimento ficar a cargo da IA, e com isso obter aumento de 5% nas vendas e redução de estoque de 10%, considerando 97% de nível de atendimento previstos para este ano, a Renner deverá reduzir a liquidação, reduzir os preços e reduzir a poluição. Afinal, menor sobra, indicará melhor monitoramento dos recursos escassos e das restrições.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

 

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