Avalanche Tricolor: o Inevitável da Silva

América MG 3×1 Grêmio

Brasileiro – Estádio Independência, BH/MG

Lucas Silva em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A cena que abre o documentário Batalha dos Aflitos tem o diálogo de dois jogadores gremistas no vestiário. Um deles havia sido personagem de um gol irregular contra o Grêmio, que sacramentou o rebaixamento do tricolor, em 2004. Um gol de mão que – sem VAR nem vergonha – foi validado pelo árbitro da partida e causou revolta, que pouco serviu para mudar o nosso destino. Há coisas na vida inevitáveis. Por mais que nos esforcemos, astros, búzios, deuses, seja lá qual for a força extraordinária que nos cerca, agem para que o destino traçado se realize. 

Poderia ser o Sobrenatural de Almeida, que  Nelson Rodrigues criou para explicar os casos inexplicáveis que ocorriam contra o seu tricolor – o Fluminense. Seria criativo demais para um crônica de minha autoria e para o futebol do meu tricolor. Vejo em campo a atuação eficiente do Inevitável da Silva que grita alto e grita forte – usurpando o lugar-comum dos locutores de TV – nestes momentos de sofrência.

O craque mata a bola na canela. O meia-boca é protagonista de si mesmo. O jovem revelação surge mas o lance é fugaz. O goleiro com pinta de gigante, é pequeno diante da avalanche de chutes a gol. O músculo se esfacela, e o fôlego se extingue em uma frequência que impede recuperação e tira do embate todo e qualquer reforço. O técnico escala sem convicção e usa da mesma coerência na substituição. É inevitável.

Se dos seus não se pode esperar nada, imagine dos outros. O adversário acerta o passe com uma precisão que sequer ele acredita. O impedimento não se realiza por milímetros. O goleiro fecha o gol, mesmo que precise derrubar o atacante na área, porque sabe que o destino está a seu favor – ao menos, é inimigo do seu inimigo. É inevitável.

Como esperar que o árbitro identifique alguma infração contra você se o próprio é incapaz de sinalizar irregularidades que fazem parte do be-a-bá do futebol – como o lance desta noite em que o goleiro adversário dá dois toques na bola em cobrança de tiro de meta, de forma escandalosa, e sequer o auxiliar auxilia. Esperar que sinalize pênalti a favor – mesmo que o lance seja visto e revisto por todos os ângulos possíveis – é de uma ingenuidade atroz. Ah, o árbitro .. o juiz, o crucificado vitalício, nas palavras benditas de Nelson Rodrigues.

As reações em campo são as mesmas de sempre. As mãos vão para a cabeça em gestual que simboliza o inacreditável. Os palavrões surgem em gritos ensurdecedores. O tipão com jeito de vingador, parte para a violência. Chuta, peita, faz pose de herói. Leva amarelo, vermelho ou é flagrantemente ignorado. Nada do que faz muda a história. Só faz o nada. Um olha para o outro com indignação, com a certeza de que toda aquela encenação nos levará ao mesmo lugar que o futebol que jogamos: ao nada. É inevitável.

Ao Grêmio restam sete jogos. Hoje, ao fim da partida, ouvi alguém dizer na televisão que seriam necessários cinco vitórias para reescrever o nosso destino. Era isso ou o inevitável.

A mim, resta torcer! É inevitável!

2 comentários sobre “Avalanche Tricolor: o Inevitável da Silva

  1. Não se brinca com a histórica do Grêmio. Só acredito no rebaixamento quando a matemática assim o fizer. Depois da batalha dos aflitos acredito em tudo!
    O erro do Grêmio foi desprezar os pontos no início do brasileirão.
    Correr atrás foi sempre marca deste time. Isso funcionou várias vezes, mas, há um momento que tudo na vida tem sua margem de perda.
    Ainda acho que com o Grêmio não se brinca. Faltam sete jogos e os adversários diretor também podem perder. Tudo pode acontecer!

  2. Pingback: Avalanche Tricolor: pelo direito à ilusão | Mílton Jung

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