Mundo Corporativo: Carine Ross, da Newa, pede o engajamento dos líderes em favor da diversidade

Foto de fauxels no Pexels

“Eu entendo que quando a gente está falando de diversidade de inclusão isso precisa estar na estratégia do negócio” 

Carine Ross, Newa

Se sentir respeitada e ouvida no trabalho foi um desafio enorme para Carine Ross, mesmo após ter se formado em comunicação e sociologia, e estar ocupando um cargo de gerência de projetos dentro da Unesco. Diante dessa realidade, passou a entender melhor o drama que muitas mulheres são levadas a encarar no ambiente de trabalho. Sensibilizada pela situação e consciente de sua capacidade, Carine criou, ao lado de amigos, uma organização sem fins lucrativos com a proposta de fomentar o desenvolvimento de mulheres no setor de tecnologia e inovação – ao qual pertencia. Hoje, Carine comanda a Newa, uma consultoria de diversidade, inclusão e inovação:

“Eu percebi que um insight que eu dava podia mudar, muitas vezes radicalmente, a história de vida daquelas mulheres que estavam desistindo das carreiras por esses ambientes serem muito opressores”.

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Carine Ross disse que a experiência mostrou que se a intenção era ter um cenário propício à diversidade, precisaria ampliar seu olhar. Não bastaria apenas dar consultoria de carreira às mulheres. Teria de levar seu conhecimento ao alto comando das empresas, traçando estratégias que estivessem alinhadas ao negócio e às pessoas, provocando uma transformação cultural. 

“Quando a gente está entrando em uma organização, precisa entender quais são as dores, principalmente dos grupos que estão lá e os grupos que não estão sendo representados. A partir daí, a gente faz um trabalho com as lideranças”.

Antes mesmo de pensar em tornar as contratações mais plurais em termos de etnia, gênero e orientação sexual, Carine defende que se olhe para as pessoas que fazem parte da empresa e se identifique como os colaboradores se sentem, quais os processos de ascensão profissional e os planos de carreira. É preciso estruturar as políticas internas sob o risco de se desperdiçar os talentos internos e aqueles que serão recrutados. 

“Tudo é feito em paralelo. Temos de revisar, por exemplo, o ‘job description’ para saber como a apresentação da vaga está sendo feita. Se está sendo feita de maneira inclusiva”.

Nesse contexto de transformação para a diversidade, é importante que os profissionais também entendam as suas responsabilidades.  As pessoas precisam ser responsáveis sobre o seu desenvolvimento, e consciência de suas necessidades. Carine lembra que muitas vezes estamos em uma relação abusiva de trabalho e não somos capazes de impor limites, a medida que há uma relação direta de empregador e empregado, e esse está em uma posição vulnerável:

“A chave está pela busca do autoconhecimento …não permita que os outros digam o que você é capaz ou não de fazer. Você tem que saber o que é capaz ou não de fazer. E faça se estiver aí ao seu alcance”.

Na metodologia aplicada pela Newa para fortalecer o tema da diversidade nas empresas e oferecer conteúdo e argumento às pessoas em defesa de seus interesses foi criado um instrumento que pode ser acessado gratuitamente: o Baralho da Diversidade, que reúne perguntas e respostas que ajudam a esclarecer uma série de dúvidas e ampliam o conhecimento sobre o tema.

Assista à entrevista completa do Mundo Corporativo:

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

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