Fluminense 2×1 Grêmio
Brasileiro – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
O mais longo Campeonato Brasileiro da história já começou. Janeiro ainda nem fechou as malas e os times que sequer definiram seus destinos nos estaduais já são chamados a disputar pontos no torneio nacional. O calendário esticado do futebol brasileiro cobra seu preço desde a largada. E os três pontos de hoje valem exatamente o mesmo que aqueles que estarão em jogo na última rodada de dezembro.
Essa constatação torna a derrota do Grêmio na estreia algo ainda mais incômodo, mesmo fora de casa. O revés maltrata um torcedor que ainda digeria a frustração do clássico do fim de semana, no Gaúcho. Não pela dimensão do resultado, mas pela sensação de reincidência.
Sem transformar o episódio em crise, cabe a Luís Castro e à sua comissão técnica entender — e enfrentar — as falhas defensivas que têm acompanhado o Grêmio nas últimas temporadas. Fui buscar os números desde o retorno à Série A: 56 gols sofridos em 2023, 50 em 2024 e outros 50 no ano passado. São 156 gols em 114 partidas. É muito. Exige um poder ofensivo quase sobre-humano para compensar tamanha fragilidade atrás.
Às vezes penso que esse seja o preço pago aos deuses do futebol por termos assistido, durante oito temporadas, à maior dupla de zaga que já vestiu a camisa gremista: Geromel e Kannemann. Misticismo à parte, a realidade é objetiva e urgente. A defesa precisa ser corrigida, seja com reposicionamento de peças, seja com mudança no sistema de marcação. O problema não é novo e tampouco invisível.
Apesar disso, seria um erro iniciar uma caça às bruxas desenfreada em tão poucos dias de jornada. Luís Castro precisa de tempo — e o torcedor, de paciência — para ajustar o modelo de jogo que pretende implantar. Há caminhos claros a explorar: a qualidade de Arthur na saída de bola, a força dos atacantes pelos lados e a presença física e finalizadora de Carlos Vinícius dentro da área. O centroavante voltou a marcar num jogo em que recebeu poucas bolas em condição real de conclusão. Um sintoma, não um detalhe.
Faz falta, também, um camisa 10 que organize o meio-campo e dê fluidez às transições. William, que tem entrado no segundo tempo, além de não ser especialista na função, ainda é um esboço do que pode oferecer ao time. A engrenagem funciona, mas gira com dificuldade.
Um mérito de Luís Castro na partida foi apostar em Pavón, apesar das ressalvas e críticas da torcida. Provavelmente respaldado pelo que observa nos treinos, lançou o atacante argentino no segundo tempo. A entrada mudou a forma de o Grêmio atacar. O gol marcado por Carlos Vinícius nasceu de uma jogada construída por Pavón. O empate, que Gustavo Martins desperdiçou dentro da área, também passou por ele. Mais atitude do que brilho, talvez. Mas atitude faz diferença.
No fim de semana, o Grêmio volta a campo já com a cabeça dividida entre o Campeonato Gaúcho e o Brasileiro. A tendência é de uma equipe bastante modificada, até porque, na próxima semana, o calendário volta a apertar. Os três pontos desperdiçados agora precisarão ser recuperados em casa, independentemente do adversário.
O campeonato é longo. O tempo para errar, não.
