Flamengo 3×1 Grêmio
Brasileiro — Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Escrevo antes de saber o resultado do clássico paulista entre São Paulo e Corinthians, disputado no encharcado campo da Vila Belmiro, em Santos, que pode impactar ainda mais a tabela do Campeonato Brasileiro. A despeito do que aconteça por lá, o fato é que, depois de uma semana perfeita, o Grêmio se depara com uma sequência de más notícias. Todos os seus adversários diretos venceram nesta rodada, tornando ainda mais difícil o desafio de escapar daquela zona que você sabe qual é e que me nego a chamar pelo nome próprio.
De verdade, não há muito a lamentar. Tudo o que aconteceu estava previsto. Só imaginou o contrário quem é louco da cabeça ou doente do pé — que me perdoe Dorival Caymmi por aproveitar esse belo refrão de “O Samba da Minha Terra” para uma causa tão pouco nobre quanto o futebol mal jogado.
Desde a rodada anterior, o Grêmio dava sinais de que iria ao Rio de Janeiro sem nenhuma pretensão. Amarelou seus dois principais protagonistas, Weverton e Carlos Vinícius, priorizando a Copa do Brasil e as próximas rodadas do Brasileiro. Hoje, deixou no banco alguns de seus principais destaques na temporada, como Wallace, nosso melhor zagueiro na atualidade. E escalou um time sem nenhuma pretensão contra a melhor equipe da competição.
Foi assustador o que assistimos na etapa inicial. Sem muito esforço, o Flamengo chegou com facilidade ao nosso gol. Menos mal que conseguiu marcar apenas três vezes. No primeiro tempo.
Na volta para a etapa final, com algumas mudanças para dar um mínimo de consistência à equipe, contamos com a complacência do adversário, que diminuiu o ritmo e permitiu que o Grêmio ficasse mais tempo com a bola nos pés. Isso nos proporcionou um único instante de satisfação: o gol de falta de Amuzu. Cobrança perfeita. No ângulo. Quem sabe não tenhamos descoberto mais um talento nas bolas paradas?
Fizemos uma escolha. O Grêmio fez uma escolha. Aceitou a ideia de que perderia naturalmente a partida desta noite. Desistiu de tentar a sorte — triste para quem se acostumou com um time que nunca desiste. Apostou que seria possível buscar uma vaga na final da Copa do Brasil, mesmo com os riscos que corre no Campeonato Brasileiro.
O Grêmio beira a irresponsabilidade quando troca a disputa de hoje pela promessa de uma imortalidade passada. A história pode inspirar, mas não entra em campo nem corrige escolhas. No sábado, contra o Atlético Mineiro, o time terá a chance de mostrar que a aposta valeu. Depois, no Brasileiro, não haverá espaço para novo erro. A imortalidade, desta vez, terá de provar que ainda sabe jogar no presente.









