O Conte Sua História de São Paulo, em homenagem aos 100 do rádio, segue neste mês de outubro, porque os ouvintes foram muito carinhosos em compartilhar com a gente a experiência que viveram ao nosso lado, ao longo do tempo. E aproveito o texto deste sábado, também, para agradecer a todos os ouvintes que estão com a CBN nesses nossos 31 anos de vida.
Minha história com o rádio está sempre conectada à história de minha mãe, Maria Amélia. Ela quem introduziu o hábito de escutar rádio desde muito cedo em casa. Nascida nos anos 1940, é uma ouvinte da Era do Rádio, que, tal qual as lembranças que Woody Allen traz no filme homônimo, de 1987, tinha o rádio como maior meio de comunicação e informação, além, claro, do jornal.
E esse hábito foi também uma herança de família: meu avô adorava escutar as modas de viola, apreciava muito música – lembro até hoje como ele ficou encantado ao ouvir Bruce Springsteen comigo, já nos anos 80, tocando sua guitarra com a voz rasgante. Meu bisavô, por sua vez, tinha daqueles rádios embutidos, em suntuoso armário de madeira, uma joia que infelizmente não foi mantida na família.
Já na infância, o som do rádio vinha pra mim como uma referência de que estávamos atrasadas para a escola… com aquele ‘repita’ reverberando no carro cedinho de manhã.
Todas as notícias mais urgentes, sempre chegavam ao nosso conhecimento via rádio; e uma lembrança de infância que tenho muito viva até hoje, ainda mais depois da cinebiografia recente vista nas telonas, é da minha mãe chorando, na cozinha, abraçada ao rádio de cor púrpura com uma alça preta, ao saber da notícia da morte de Elvis Presley. Eu tinha 4 anos e, de tanto ouvir a notícia sobre sua morte, durante muito tempo uma simples ida de minha mãe ao banheiro (onde Elvis foi encontrado morto) me causavas arrepios, caso ela demorasse…
Ainda falando sobre a magia que o rádio exerce na vida das pessoas, há a relação com a infância de minha mãe, que teve a sorte de crescer junto com a história do rádio, e como todas as ouvintes, somente depois, com a chegada da televisão, pôde imprimir imagens às vozes e sons que habituara ouvir. Ela narra uma passagem curiosa, quando minha avó a levou à rádio e ela conheceu seu então ídolo, Osny Silva, que digamos, estava um tanto distante da imagem que ela tinha feito dele quando o ouvia no rádio,..
Aliás, Osny, em 1951 tinha lançado a marcha Campeão dos Campeões, de Lauro D’Ávila, que posteriormente se tornou o Hino do Corinthians. Ele cantou com vibração especial, em virtude de torcer pelo Corinthians. Foi contemplado com o Troféu Roquette Pinto de Melhor Cantor de Música Internacional e, no ano seguinte, passou a integrar o elenco da Rádio Nacional paulista.
Está aí uma outra paixão que cresceu comigo, minha mãe Maria Amélia, meu avô Álvaro, e passei para os meus filhos, a de sofrer com as narrações de futebol nas rádios, sempre tão mais emocionantes do que visto pela televisão. E depois do futebol, sempre vinham os programas para comentar a partida, e também os humorísticos sobre as desventuras em quadra.
Pensando no rádio e sua influência, nestes 100 anos de existência, e, trazendo para a atualidade, sempre houve aqueles que também viam o rádio como os games são vistos hoje – um vilão. Em uma das cenas do já citado filme A Era do Rádio, o personagem principal, o pequeno Joe, ouve do rabino um sermão sobre como o rádio induz a maus valores, sonhos falsos e hábitos preguiçosos,
Numa divertida passagem em que ele e seus colegas roubam as moedas conseguidas em doação para o Fundo Nacional Judeu, com o intuito de comprar o anel do vingador mascarado, um herói do rádio. É, sempre o que é visionário acaba sofrendo uma perseguição…
Na adolescência, minha relação com a rádio acabou por se basear nas rádios de música, e a vontade de gravar as músicas prediletas, para fazer a própria “setlist” e ouvir depois no walkman. Tinha um rádio vermelho, que minha mãe me deu, uma inovação, que vinha com fita cassete e gravava. Lá ficava eu, com os dois dedos nas teclas Rec e Play, aguardando a música preferida. E não é que muitas vezes, o radialista, depois da música iniciada, mandava o slogan da rádio e acabava com a faixa..?
Já trabalhando, nunca me desliguei do rádio, para me manter atualizada. No meu caminho diário de ida e vinda ao trabalho, venho escutando a CBN, com Mílton Jung, depois Carlos Andreazza e Marcela Lourenzetto, e volto ouvindo Rodrigo Bocardi e suas ‘horas dobradas’ no Ponto Final da CBN.
E para quem achava que o rádio iria desaparecer com o advento das novas tecnologias, muito se enganou… A rádio ainda é o meio mais rápido da chegada da informação, o mais inclusivo e que preza a diversidade, e que estará por aqui por muito e muito tempo.
Às radialistas e aos radialistas da CBN, meu muito obrigada, por dar som à voz da cidade.
No dia 2 de outubro, data do primeiro turno da eleição de 2022, serão formalizadas algumas coisas que já são conhecidas por todos que acompanham de perto o cenário político brasileiro, a saber: candidaturas sem possibilidade de vitória serão enfim tratadas como tal. Antes do dia 2, por questões legais, protocolares, ou de outra natureza, o período oficial de campanha eleitoral e a cobertura jornalística proporcionaram amplo espaço a todos candidatos e candidatas, com exceção a debates televisivos em que aplicou-se uma regra de barreira para nomes que não atingiam um determinado percentual em pesquisas de intenção de voto.
Nos debates, foi oferecida participação a alguns candidatos cujas chances de vitória sempre estiveram taxativamente descartadas pelas mesmas pesquisas. Sabemos que sempre há margem de erro em pesquisas. No entanto, no caso específico da corrida presidencial, para que houvesse uma alteração extraordinária nos percentuais projetados, algum tipo de singularidade precisaria acontecer, algo como o afastamento de um dos favoritos por motivo de saúde.
De resto, todo o período oficial de campanha e mesmo o desempenho nos debates não teriam força suficiente para uma inversão da expectativa quanto ao pleito presidencial. E por quê isso? É porque na prática a campanha eleitoral começou lá atrás, desde a eleição de 2018, disseminada entre as redes sociais, esse fenômeno que cada vez mais mantém ocupada a população no dia-a-dia. Não apenas isso, pois o que as redes sociais refletem é o parâmetro decisivo em eleições: o apelo pessoal, que transforma-se em culto à personalidade, combustível de populismo, independentemente de orientação ideológica.
Para a eleição de 2022 somente as duas candidaturas favoritas se credenciaram com esse handicap favorável, mesmo que enfrentando respectivos e expressivos índices de rejeição. Há um ano ainda existia a possibilidade de uma terceira via oferecer competitividade, pois aproximadamente um terço do eleitorado rejeitava tanto Bolsonaro como Lula. Não aconteceu, e é possível encontrar algumas explicações.
Não houve, por exemplo, união em torno de algum candidato único que liderasse uma frente. Mesmo que houvesse, demandaria um esforço muito grande para impor em curto prazo uma personalidade que consolidasse apelo popular diante do “loteamento” já existente. Além do mais, havia e há o esvaziamento programático, a tarefa difícil de se popularizar com propostas já abarcadas por Lula ou Bolsonaro.
Ciro Gomes foi o primeiro a detectar que não haveria frente de terceira via, e cedo contratou marqueteiro de campanha, enquanto outros foram perdendo tempo. Na época, Ciro ainda era visto como uma alternativa de centro-esquerda não-petista, acolhido coerentemente pelo PDT, o partido trabalhista fundado por Leonel Brizola quando Ivete Vargas tomou para si a legenda do antigo PTB.
Simone Tebet brilhou durante a CPI da Covid, revelou-se como alguém que se expressa muito bem e com naturalidade, e ali sua candidatura poderia ter sido lançada como “algo novo” na política, mas perdeu tempo e enfrentou resistências no próprio MDB.
Então, no domingo de 2 de outubro, Ciro e Tebet despedem-se da disputa presidencial, juntamente com outras candidaturas ainda menores. Isso não significa que se afastarão da cena, pois passado o 1° turno, vira-se uma chave e a política adquire uma dinâmica diferente. Durante todo o período de campanha, os candidatos usufruíram de grande exposição midiática e os não-favoritos se apresentaram como franco-atiradores buscando afirmar-se em contrariedade a Bolsonaro e Lula, obviamente plantando para seus respectivos futuros.
Em caso de vitória de Lula em 1° turno, especula-se que Ciro poderia até postular uma liderança de oposição de centro-direita, já que devido à sua postura em debates uma parcela de pedetistas não mais o reconhece como leal ao trabalhismo, que teria sido usado como disfarce oportunista. Possivelmente, o marqueteiro de Ciro avalie que ele possa ocupar o espaço de uma possível ausência futura de Bolsonaro, caso o filho Flávio não se apresse naquele objetivo. Ciro já foi ministro de Lula mas, hoje, embora o ex-presidente reforce estar aberto ao diálogo, dificilmente encontrará acolhimento num novo governo petista. Caso haja 2° turno, será interessante observar para qual lado penderá o cearense, ou se irá lavar as mãos. Sempre imaginei que penderia para Lula, mas com sua postura recente aquela expectativa talvez não se sustente mais. E sobre as outras candidaturas menores? Provavelmente se alinharão por um lado ou outro, subindo ou não em palanque, buscando negociar algo em troca.
Simone Tebet alcançou boa visibilidade durante a campanha graças à sua boa capacidade de expressão. Enquanto Ciro mostrou-se mais contundente contra Lula do que contra Bolsonaro, Tebet foi na direção inversa, portanto cogita-se que tenderá a apoiar Lula num eventual 2° turno, afinal textos de sua campanha chegaram a mencionar “não se omitir”. Especula-se até que possa ser convidada para algum ministério de Lula, o que seria uma forma de o petista cooptar uma liderança emergente. Iria aceitar? Tebet certamente gostaria de investir em seu perfil “independente” rumo a 2026, mas iria precisar de um suporte partidário e popular bem mais efetivo. Além disso, precisaria resolver algumas contradições como seu histórico de apoio a decisões bolsonaristas, e sua origem familiar de proprietária rural em questões que afetaram interesses de povos indígenas em demarcação de terras. Seu afastamento de apoiadores de Bolsonaro a partir da CPI já lhe rendeu prejuízo eleitoral em seu estado. Conseguirá resolver essas questões num partido como o MDB, de sabida simpatia mais por coalizões do que por candidaturas protagonistas?
É inegável o aspecto plebiscitário da eleição presidencial, uma escolha entre consolidar o caminho de extrema-direita iniciado por Bolsonaro ou aceitar Lula como única possibilidade de preservação do atual regime democrático de direito. Entre os indecisos e os “nem-nem” foi cristalizando-se alguma tendência a antecipar o que seria voto de 2° turno, como tentativa de minimizar o risco de uma “derrota maior”.
Isso explica o “voto útil”. É certo que Bolsonaro conseguiu algum avanço entre indecisos e o apoio declarado de algumas personalidades públicas, além da “simpatia” sem voto declarado de famosos como o jogador Neymar e a teledramaturga Glória Perez, mas as pesquisas indicam ter chegado a seu limite eleitoral. Já do lado de Lula, chama atenção o crescimento percentual maior nas pesquisas e a grande quantidade de personalidades públicas que abriram voto em seu favor, e o que é emblemático: gente que no passado atacou implacavelmente os governos petistas. É de se destacar, entre outros: o jurista Miguel Reale Jr, que instruiu o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, os juízes Celso de Mello, Ayres Britto, Carlos Velloso, Nelson Jobim e Joaquim Barbosa, este último presidente do Supremo Tribunal Federal na época do escândalo “Mensalão”, ex-presidenciáveis como Marina Silva e Henrique Meirelles, o influenciador Felipe Neto, com 44 milhões de seguidores, as populares apresentadoras Xuxa e Angélica, esposa de Luciano Huck, apresentador simpatizante do PSDB, e o até pouco tempo “cirista” Caetano Veloso, que acabou liderando campanha para tirar voto de Ciro.
Salvo fato de força maior, tudo indica derrota de Bolsonaro, talvez até em primeiro turno. Mas isso é o que as pesquisas indicam e pesquisas oferecem probabilidades, não certezas. Outros fatores podem acontecer numa eleição afetando as probabilidades. Impugnações, fraude, dificuldades de transporte de eleitores, violência, são possibilidades que não podem ser descartadas, apesar de todo esmero da justiça eleitoral.
Também não dá para se descartar, por tudo que temos testemunhado, que o próprio sistema seja testado na sua capacidade de resistir a ameaças não-democráticas. O economista francês Thomas Piketti, autor do best-seller “O Capital no Século XXI”, foi perguntado por um entrevistador assumidamente de 3ª via se considerava “irresponsável” aquela opção. Piketti respondeu que era um termo muito pesado, e que o mais adequado seria “arriscada”. Referia-se à possibilidade de, num segundo turno, Bolsonaro fortalecer-se na sua estratégia de contestar e desafiar o resultado eleitoral se não lhe for favorável, a ponto de tentar o que Donald Trump não conseguiu nos EUA.
A teoria de conspiração sobre um suposto golpe permanece como uma sombra pairando sobre a eleição presidencial. Bolsonaro foi acusado de usar suas recentes viagens a Londres e a Nova York como palanque político. Não me pareceu que foram tentativas de obter mais votos e sim oportunidades usadas para conclamar seguidores. A sua declaração antecipando suspeita caso não viesse a vencer já em primeiro turno ocorreu no mesmo dia em que grupos de redes sociais espalharam uma pesquisa falsa dando ao presidente 60% das intenções de voto. Coincidência, ou algum tipo de senha ? Dias depois, pessoas que tinham acessado serviços digitais do governo do Paraná começaram a receber a seguinte mensagem por SMS: “Vai dar Bolsonaro no primeiro turno! Sen˜o, vamos a rua para protestar! Vamos invadir o congresso e o STF! Presidente Bolsonaro conta com todos nos!!”. Segundo o próprio governo paranaense, a mensagem ilegal foi disparada aproximadamente 324 mil vezes.
Na medida em que foi se aproximando a data do 1° turno, aumentaram relatos de violência política, geralmente motivada por bolsonaristas. Tem sido perceptível o medo de simpatizantes de Lula em ir à rua com roupas ou adereços identificando sua preferência, fazendo lembrar daquela frase pronunciada em eleição passada pela atriz Regina Duarte: “Eu tenho medo”.
Agora, refletindo por outro lado, caso recrudesça alguma tentativa de “virada de mesa”, isso talvez convença finalmente alguns setores da sociedade brasileira sobre o risco real de uma crise institucional no país. Incluem-se aí Ministério Público, forças armadas, setores empresariais e setores da própria “grande imprensa” que terão que ser mais claros a respeito da defesa do estado democrático de direito, se isso lhes é ou não prioridade maior. Existe um manancial de imputações ao presidente Bolsonaro, desde seu comportamento intimidador contra o Poder Judiciário, até sua postura ao longo da pandemia, passando por suspeitas de corrupção em sua família nos episódios das “rachadinhas” e na compra de 51 imóveis com dinheiro vivo de origem não-declarada, conforme detalhado em recente livro da jornalista Juliana Dal Piva.
Você, leitor ou leitora, considera que essas imputações são justas e estão tendo repercussão devidamente proporcional? Acha que a repercussão seria a mesma se o presidente fosse outro?
Sou contra a obrigatoriedade do voto, pois ofusca o direito que é. Pessoas que nada entendem de política ou por ela nada se interessam não deveriam ser obrigadas a votar. E, sim, nesse caso não teriam moral para reclamar da política e dos políticos como genericamente acontece. O que dizer para estas pessoas, que não redundasse em alguma forma de manipulação ou propaganda? Já aos que votam por convicção, recomendo pesar muito bem as implicações de suas escolhas presidenciais, pois não será apenas a escolha de um candidato, poderá ser também a escolha do regime político a vigorar daqui para a frente, com possíveis consequências para liberdades democráticas em nosso país.
“É o início do pesadelo. Quando o marido está assim, não importa a realidade,
ele detesta tudo e qualquer coisa. É como se fosse outro homem.
Janete se encolhe toda, olha para o colo, mal se mexe.
O tempo a ensinou como reagir. Melhor não dizer nada e esperar. Só esperar.”
(Trecho do livro: Bom dia, Verônica
de Raphael Montes e Ilana Casoy)
A violência contra a mulher é um fenômeno em todo o mundo, independentemente de fatores sociais, econômicos ou culturais, vitimizando e dilacerando milhões de vida.
No Brasil, os dados apresentados pelas Secretarias Estaduais de Segurança Pública são assustadores. Em 2021, a cada sete minutos uma mulher perdeu a vida em consequência do feminicídio e a cada 10 minutos uma menina ou mulher foi vítima de estupro.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), ao longo da vida, uma em cada três mulheres é submetida à violência física ou sexual por parte de seu parceiro ou sofre violência sexual cometida por alguém que não seja seu marido ou parceiro.
A violência física é compreendida como qualquer comportamento que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher, na qual o agressor fere a vítima utilizando-se da força física, tais como chutes, tapas ou queimaduras corporais, podendo provocar lesões internas e externas.
A violência sexual ocorre quando a mulher é obrigada a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada, através de intimidação, ameaça ou uso da força; bem como atitudes que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force, contra a sua vontade, ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição.
Além desses dois tipos de violência, que de certo modo são mais visíveis, outra forma de agressão à mulher pode ser mais velada, encoberta, mas os danos causados são devastadores: a violência psicológica.
A violência psicológica é caracterizada como qualquer conduta que cause danos emocionais e psíquicos à mulher, prejudicando o seu desenvolvimento, ocorrendo através de ameaças, humilhações, insultos, manipulação, isolamento, ridicularização, limitação do direito de ir e vir. Frequentemente, o agressor proíbe a mulher de trabalhar, de se relacionar com amigos e parentes e até mesmo de sair de casa, justificando que tais atitudes visam sua proteção contra os perigos do mundo ou de pessoas que possam influenciá-la, com imposições de um saber superior ao da mulher.
Esse tipo de violência, ainda que tipificado na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006 sancionada para combater a violência contra a mulher), dificilmente é punido, entretanto, causa danos psicológicos significativos na vítima, tais como baixa autoestima, perda de confiança, apatia, tristeza, culpa, vergonha, medo, depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e síndrome do pânico.
A lista de consequências à saúde mental é longa, como reflexo da dor ou desesperança que muitas mulheres experimentam quando são vítimas da violência.
Quando a violência ocorre num relacionamento afetivo ou num contexto conjugal, em geral, ocorre num ciclo que é constantemente repetido, caracterizando uma relação abusiva. A psicóloga americana Lenore Walker caracterizou três ações que compreendem esse ciclo. Inicialmente, há um aumento da tensão, no qual o agressor tende a agir de maneira mais explosiva, como gritar, se alterar ou quebrar objetos. Em seguida, comete os atos de violência contra a vítima. A terceira fase do ciclo é caracterizada por arrependimento do agressor, alimentando, na vítima, a ideia de que possivelmente ele mudará o seu comportamento.
Isso gera um ciclo vicioso e perverso, no qual muitas mulheres se sentem impotentes, permanecendo ao lado dos agressores por medo, vergonha ou falta de recursos financeiros, na esperança que a violência termine.
Feliz será o dia em que minhas filhas poderão sair com a roupa curta sem que isso me gere preocupação com a vida delas. Feliz será o dia em que as mulheres possam usar os cabelos como desejarem, frequentar os lugares que quiserem e fazerem o que bem entenderem para si, sem medo de serem agredidas ou mortas.
Não é sobre o véu que deixou o cabelo à mostra. Não é sobre a roupa curta ou decotada. É sobre todas nós, mulheres, vítimas de violência pelo fato de sermos mulheres. Por todas elas, por todas nós!
Só é possível mudar essa realidade com ações efetivas de governos e pessoas, capazes de combater e denunciar essas situações nocivas, promovendo oportunidades de acesso à informação, à proteção e a serviços.
Não se muda a violência contra a mulher esperando que um dia ela acabe. Isso é justamente o que a mantém.
Então, querida Janete, na violência contra a mulher o tempo não é um aliado. Não é possível não dizer nada. Não é possível só esperar. A espera custa a vida.
Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.
“As marcas não têm o direito de se aproveitar de um sentimento nacional que é muito maior e mais importante do que a importância que elas têm”
Jaime Troiano
O calendário de fim de ano está concorrido, a começar pela eleição que se realiza no próximo fim de semana e se estenderá até o fim do mês seguinte. Mesmo que a escolha do presidente seja decidida em primeiro turno —- uma possibilidade conforme as pesquisas de opinião —, ainda teremos muitos candidatos a governos estaduais se engalfinhando nas semanas seguintes. E assim que a eleição se encerrar, a Copa do Mundo do Catar provavelmente vai tomar para si as atenções do público, mesmo daqueles que dizem não se importar com essas coisas do futebol —- desdenham da força desse espetáculo, mas o simples fato de terem de ressaltar que não estão nem aí para a coisa, sinaliza que a coisa existe.
Futebol e politica se misturam desde que esse esporte passou a ser visto como expressão nacional. Por mais de uma oportunidade foi explorado por políticos e governos. Não é diferente agora, quando até a camisa da seleção brasileira — que por sinal é de uma instituição privada, a CBF — foi sequestrada por bolsonaristas. Na Copa de 1970, a Ditadura Militar não se fez de rogada. Roubou a felicidade dos brasileiros diante da conquista do Tri Mundial para benefício próprio. Causou constrangimento e deixou um sabor amargo nas comemorações de um povo que só queria ser feliz diante da conquista de sua seleção.
No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, meus colegas de todos os sábados, Jaime Troiano e Cecília Russo, lembraram aquele momento para fazer um alerta às empresas, às marcas e aos seus gestores que pretendem usar a Copa como inspiração para suas campanhas assim que a eleição terminar.
Primeiro — neste caso, sou eu quem estou chamando atenção aqui neste texto — é preciso saber que a Fifa é muito rígida e competente no controle de como a sua marca e a do Mundial são exploradas. Somente os patrocinadores oficiais têm o direito de usá-las em seus anúncios. Nem mesmo o nome Copa do Mundo do Catar pode aparecer nas peças publicitárias — se você não for um patrocinador oficial. Portanto, antes de tudo, cuidado para não ter de responder judicialmente.
O segundo aspecto a ser considerado — e aí a bola está com o Jaime e a Cecília —- é o da antiga lição de que jamais devemos transformar oportunidade em oportunismo. O público sabe bem quando isso acontece:
“Mantenha o seu posicionamento, a sua identidade sempre, mesmo quando você tiver que aproveitar alguma ocasião especial. Pode ser uma data comemorativa, uma celebração, um evento especial, etc. Mesmo quando você embarca numa dessas datas, nunca troque sua alma, sua essência por uma oportunidade de ocasião”
Cecília Russo
Marcas que mudam de cara conforme a “festa” deixam de ser autênticas e perdem identificação com seu público. A coerência na comunicação constrói imagem e, portanto, nenhuma comemoração —- por melhor que seja participar dela — deve ser motivo para você se arriscar em aventuras distantes da sua essência.
Jaime constata que, com a aproximação da Copa, algumas marcas querem tirar proveito desse clima de seleção e mostrar, por exemplo, que o evento nos aproxima, como se não soubéssemos da distância que o clima político tem gerado na sociedade brasileira:
“Assumir o papel de quem abençoa a união nacional vai um pouco além da conta, como função de uma marca”.
Jaime Troiano
É possível usar os grandes eventos para engajar o público, mas deve-se considerar se sua marca tem alguma identificação com o assunto. Aqueles que já exploram o universo esportivo podem fazer essa conexão de maneira mais apropriada, portanto cuidado para “não pisar na bola” —- com a devida licença para o uso do trocadilho.
Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior:
“A comunicação profissional é treinada: comece escutando genuinamente o outro; confirme o que você escutou; lembre-se que em toda a comunicação, eu preciso ter um objetivo e um eixo condutor. Valorize quem ouve e faça uma associação entre a sua mensagem verbal e não verbal”
Mara Behlau, fonoaudióloga
A maior parte do tempo que nos comunicamos o fazemos de forma automática. E isso tende a causar uma série de desconfortos. Não por acaso, das reclamações mais ouvidas está a de que o outro não me entende — como se não fossemos os responsáveis pela mensagem transmitida. Comunicação inconsciente gera comunicação inconsistente. Porque não se faz de maneira plena. A começar pelo fato de praticamente eliminarmos dessa jornada o elemento mais importante que é a escuta, como alertou Martha Behlau, fonoaudióloga, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN:
“Existe uma arquitetura estrutural na comunicação e o terreno dessa construção, dessa arquitetura é a escuta; então, a escuta é a base de uma boa comunicação. Lembrando que o ouvido ouve e quem escuta é o cérebro. A escuta é interpretativa”.
Doutora em distúrbio da comunicação humana e professora de comunicação para negócios e relações interpessoais do Insper, Mara escreveu em co-autoria com Marisa Bárbara, especialista em comunicação corporativa, o livro “Comunicação consciente, o que comunico quando me comunico”. Nesse trabalho, fica evidente a ênfase que devemos dar a prática da escuta, a ponto de terem sido identificados cinco tipos de escuta:
Passiva — quando escuto alguém que eu gosto, que me conta uma história bonita ou que me conta uma piada, eu não faço nada a não ser apreciar; e o outro gosta de se sentir apreciado.
Empática — quando alguém desabafa, quando alguém conta um problema, o que a pessoa quer é acolhimento; não, necessariamente, a pessoa quer que você resolva o problema dela.
Organizativa — quando alguém conta uma história difícil, de um acidente, uma tragédia ou de uma crise pessoa, as mensagens vêm confusas e cheias de emoção. Quem ouve tem de parar o falante e organizar o roteiro de sua fala; e a pergunta principal é: de tudo o que você está me dizendo o que é o mais importante, o que eu preciso saber agora?
Perspicaz — é a escuta do aprendizado; que ocorre, por exemplo, quando estamos conversando com a concorrência e avaliamos se aquela informação tem serventia, se é possível aplicá-la em alguma situação e se já ouviu algo semelhante.
Avaliadora — é a escuta de julgamento; quando fazemos uma série de perguntas com objetivos bastante específico de julgar uma pessoa ou um colaborador que, por exemplo, não atingiu a sua meta. É quando escutamos para entender se nosso interlocutor deve ser desculpado, corrigido ou punido.
São fatores de sucesso, também, na comunicação a autenticidade, o respeito às regras, expressão de auto-estima, a atitude de resolução de problema e o foco duplo —- que vem a ser o cuidado que tenho tanto com a mensagem que transmito quanto com quem está recebendo essa mensagem. Mara aproveita para recomendar a você que está preocupado com a mensagem que vai transmitir e com quem vai receber essa mensagem: entre duas palavras, escolha a mais simples; entre duas palavras simples, escolha a mais curta; jamais infira o que o outro entendeu, certifique-se; e, acima de tudo, lembre-se:
“O impacto da comunicação é imediato e é enorme. Eu posso mudar com duas palavras no WhatsApp pressão sanguínea, batimento cardíaco, respiração e o humor de uma pessoa que está em Katmandu, em Nova Iorque ou em outro lugar”.
Ao não entender essa influência que pode ter sobre os outros é que muitos líderes acabam criando ambientes tóxicos de trabalho. Mara diz que esse tipo de liderança muitas vezes não percebe o mal que faz, até porque, por algum tempo, os resultados aparecem na empresa. Porém, costumam ter dificuldade de desenvolver pessoas e geram desafetos ao longo de sua jornada profissional.
Assista ao Mundo Corporativo com a fonoaudióloga Mara Behlau:
Colaboraram com o Mundo Corporativo Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.
Chegamos na cidade em 1957, vindos de Inúbia Paulista. Meus pais, eu ainda bebê, meu irmão mais velho e meus avós paternos. Por muitos anos moramos em um local que não tinha ruas asfaltadas, saneamento básico, sequer energia elétrica: no bairro de São Domingos, no Butantã. Em meados de 1961, finalmente chegou a energia elétrica instalada pela Light. Daquele momento em diante tudo mudou. Até então não tínhamos sequer um radinho de pilha.
Com a instalação da energia elétrica, meu pai compra um extraordinário rádio, da marca Semp, em móvel de madeira envernizada, com 4 faixas de ondas, via carnê na Mesbla da Rua Butantã, em Pinheiros. Assim começamos a ouvir rádio pela manhã, ao longo do dia, até a hora de dormir. Vale frisar que os aparelhos transmissores à época tinham válvulas, ao acionar o botão “on” demorava alguns segundos para esquentar e ligar o aparelho de fato.
Meu avô não perdia nenhuma edição do “Primeira Hora” e de “O trabuco” com o Vicente Leporace, ambos na Rádio Bandeirantes. Já o meu pai gostava de ouvir, na Rádio Piratininga, o jornalístico “Rotativa no Ar” e o “Grande Jornal Falado Tupi”, na rádio Tupi, com os comentários de Corifeu de Azevedo Marques.
Desde então, o rádio faz parte do meu universo. Aquele aparelho sonoro, tal qual uma caixinha mágica, exerceu um encantamento sem igual, extrapolando a imaginação do menino de apenas seis anos.
Ao som de locutores extraordinários, grandes jornadas esportivas, eu acompanhei a alegria contagiante na conquista do bicampeonato na Copa do Mundo de 1962, no Chile, e as lágrimas pelo fracasso na derrota do Brasil contra Portugal, em 1966, na Copa da Inglaterra.
Ao som do rádio, o garoto cresceu. Virou hábito acompanhar as jornadas esportivas, alternando no dial, entre uma emissora e outra para comparar a precisão do narradores, sempre vibrando ou sofrendo com o tricolor. Acostumara, de madrugada, sintonizar emissoras de outras localidades, navegando nas quatro ondas, que o aparelho oferecia, como fazemos hoje navegando na internet. Mamãe também tinha seus momentos, novelas e mais novelas na Rádio São Paulo.
Chegara a adolescência, e com ela o prazer de ouvir músicas que atendiam o público jovem e, bem antes da disseminação das emissoras em FM, tenho boas lembranças da Excelsior — A maquina do som, com Antonio Celso, e da Difusora com o “Disco de ouro”, na voz de Darcio Arruda.
Aos quinze anos consegui emprego em uma empresa do setor agropecuário, com sede em Santo André, com escritórios em Pinheiros. No período em que lá permaneci, conheci um grande apresentador de rádio daqueles tempos, Rubens de Moraes Sarmento, cujo programa na Rádio Tupi tinha o patrocínio da empresa. Eu cuidava do envio dos spots em disco vinil, no formato de um compacto, em 78 rotações, para a veiculação no seu programa, fazia a checagem das inserções comerciais e, pessoalmente, do pagamento do seu cachê. Isso, e mais a minha infância toda ouvindo rádio, exerceram forte influência na minha escolha profissional.
Hoje, publicitário aposentado, continuo sem dispensar a companhia do Rádio, quer seja no carro, na cozinha, no quarto, no celular, no computador, na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapé.
Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio.
Lucas Leiva comemora gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Punho cerrado, braço estendido em direção ao céu e corpo elevado por um dos colegas. Assim Lucas Leiva comemorou o primeiro gol dele desde que voltou ao Grêmio e o segundo na vitória importantíssima desta noite — não apenas porque nos deixa mais próximo da classificação à série A , mas também porque corremos o risco desta ser a última partida na Arena, nesta temporada. Havia também um sorriso estampado no rosto desse gremista que, após vitoriosa carreira no exterior, decidiu encerrar sua jornada no time do coração.
Um sorriso que não escondia o alívio de quem sabia da dívida que tinha com o clube, pois desde que retornou não havia conseguido impor o futebol que lhe alçou ao sucesso. O próprio Lucas confessou, ao fim da partida, a frustração de não ser capaz de repetir com a camisa do Grêmio o talento que lhe projetou internacionalmente — ops, não é de bom tom usar essa palavra em uma Avalanche Tricolor, vamos então mudá-la para mundialmente.
Nesta terça-feira, jogando mais à frente , pela total ausência de armadores e criadores no meio de campo, Lucas demorou para entender sua função. Participou de alguns lances, mas sem o diferencial que esperamos de alguém com a capacidade dele.
Foi no segundo tempo, quando se imaginava lhe faltaria fôlego para manter a intensidade na marcação na saída de bola, que Lucas apareceu. Iniciou a jogada do primeiro gol no meio de campo e participou da sua finalização já dentro da área adversária, com a conclusão de Biel — em tempo: é incrível a dedicação desse menino de apenas 21 anos. O segundo gol, como já disse, foi de autoria dele e resultado de lançamento de Diogo Barbosa e da presença de Rodrigo, recém-entrado, dentro da área. Lucas disputou com o zagueiro e bateu forte, estufando as redes.
O sorriso na comemoração voltou a se repetir na entrevista final, ao comentar o placar elástico sobre um adversário que vinha se assanhando na competição e já era visto como uma “touca” do Grêmio, diante das estatísticas favoráveis nas últimas temporadas. Lucas Leiva estava feliz com o gol e a vitória — o terceiro gol foi marcado por Bitello. Uma felicidade que me representava em campo. Uma felicidade apropriada para o momento, sem a ilusão de que está tudo resolvido e menos ainda de que estamos esbanjando qualidade técnica.
Foi o próprio Lucas Leiva quem disse ao repórter que o abordou ao lado do campo que no Grêmio nada é fácil, tudo vem com sofrimento, mas, no fim, na maioria das vezes, as coisas dão certo.
Que Lucas siga nos dando o direito de sorrir!
Em tempo: o que você vai ler a seguir, é claro, é opinião de um torcedor gremista; mesmo assim, espero que você tenha parcimônia em compreender o que penso sobre o assunto. Torcedores do Santos invadiram o gramado e um deles tentou dar uma voadora no goleiro Cássio do Corinthians. O time paulista foi punido com perda de mando de campo nos dois próximos jogos da Copa do Brasil, no ano que vem. Alguns torcedores se engalfinharam nas arquibancadas, na partida contra o Cruzeiro, e o Grêmio foi punido com a perda de três mandos de campo, que se for mantida representará o fim da presença gremista em seu estádio nesta temporada. É justo?
“Já dei nomes para marcas. Já dei nome para filhos. Muito mais difícil dar nomes para marcas”
Cecília Russo
Escolher o nome da marca exige cuidados muito especiais. Como disse Cecília Russo no epígrafe deste texto, é mais difícil do que escolher o nome do seu filho – em tempo, além de especialista em branding, ela é mãe. O que justifica esse pensamento? Na minha opinião, que sou pai, é que nome de filho escolhemos para nos agradar e nome de empresa ou marca, para agradar o cliente. Sem contar outros cuidados burocráticos que essa decisão exige.
Para facilitar sua tarefa, a Cecília e o Jaime Troiano identificaram sete regras, ou sete ‘tens’, para você escolher o nome da marca:
Tem de ser diferente — nomes precisam ter algo, de fato, diferente dos seus concorrentes. Caso contrário, vão ser engolidos por eles.
Tem de emocionar — os melhores nomes são aqueles que ajudam a provocar algum tipo de emoção, de sentimento e não apenas uma palavra fria.
Tem de registrar — consulte o INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial para saber se você pode registrar sua marca ou ela já tem dono
Tem de ser curto — vale a pena um grande esforço para se ter um nome tão curto quanto possível. O que não significa obrigatoriamente criar uma sigla. Mas uma palavra enxuta. Exemplos: Gol; ZAP; Visa, Skol.
Tem de saber pronunciar — é meio lógico, mas é um alerta. Apesar de que nomes que alguns difíceis de pronunciar terem sido capazes de criar uma certa graça como é o caso do Haagen-Dazs.
Tem de desenhar — se o nome permitir uma fácil representação visual, melhor. A construção da marca agradece. Querem um bom e atual exemplo: Twitter, a sua representação por meio de um pássaro é uma grande sacada por causa do nome tweet que se refere ao barulho de um passarinho. Tem mais: os peixinhos da Hering.
“Desde pequeno, em nossas vidas, a gente tem muito mais dificuldade de guardar na memória palavras e muito mais facilidade de guardar imagens” Jaime Troiano
Tem de valer lá fora — marcas que poderão ser vendidas em outros países têm de cuidar com as palavras impronunciáveis ou que significam palavrões em outros lugares.
Foi hoje pela manhã que terminei de escrever o texto que você encontra abaixo deste. Com os dias corridos como têm sido esses últimos, não havia conseguido publicá-lo na sexta-feira que antecede a apresentação do programa Mundo Corporativo, como gosto e costumo fazer, com o objetivo de oferecer ao ouvinte e leitor acesso às informações completas que vão ao ar no programa de rádio.
Atrasei a entrega, considerando o prazo que minha disciplina me impõe, porque a semana foi intensa tanto quanto cansativa. Foi feliz, também, já que os resultados alcançados foram bastante positivos —- os meus resultados, lógico!
Encontrei plateia entusiasmada diante da mensagem que apresentei em palestra e ouvintes carinhosos e acolhedores pela visita que fiz a Manaus, no meio da semana. Em São Paulo, de um frio arrepiante, também tive dias gratificantes, tanto pelo que aconteceu na profissão como na vida pessoal. Dias que se encerram aqui no interior de São Paulo onde aproveito a companhia da família em meio a uma reserva florestal.
Compartilho tudo isso, em um espaço que seria dedicado apenas ao futebol, porque foi o atraso no texto escrito que me fez ter acesso a recomendações de uma especialista em gestão e desenvolvimento humano, na manhã deste sábado, antes de começar a escrever esta Avalanche. Ela recomenda que não se haja impulsivamente frente a situações difíceis ou que exijam sensibilidade. Pede para que se ouça atentamente o outro, observe-se a situação com cautela e se dê um tempo para responder, permitindo que nossas ideias, às vezes animalescas, migrem do cérebro reptiliano para o cérebro racional.
Oportuna lição, porque você não tem ideia do que o meu cérebro mais primitivo estava doido para escrever nesta Avalanche depois do que assistimos na noite de ontem, em Novo Horizonte. Ou, se você viu o jogo, talvez tenha ideia, sim!
“Hoje, se cobra muito do indivíduo. Mas na minha opinião é uma incoerência muito grande porque ele não pode pensar, ele não tem autonomia para decidir e, detalhe, ele ainda tem que entregar resultado e sorrir”
Andrea Deis, professora e consultora
O ser humano tem de estar no centro da estratégia. E nada pode ser mais importante do que isso, porque sem ele não existe competência, tanto quanto não se tem resultado nem inovação. Mesmo que se insista em falar em transformação digital e metaverso, as pessoas são a prioridade e a pandemia nos ensinou isso — ao menos deveria ter ensinado. Para Andrea Deis, professora de gestão de desenvolvimento humano e empresarial, uma das lições que ficaram foi a de que se o indivíduo não estiver bem, não existe competência:
“Em gente adoecida não existe competência, com morte não existe competência e desenvolvimento do pensar, se as pessoas não estão com a sua saúde mental em equilíbrio”.
Especialista em neuroliderança, Andrea foi entrevistada no Mundo Corporativo da CBN e lamentou que muitas empresas ao retomar as atividades tenham regredido dois anos em sua forma de atuar, pois decidiram manter os mesmos padrões, apesar das lições que a pandemia ensinou. Um dos exemplos é em relação ao trabalho híbrido, quando se provou que era possível manter-se a produtividade e as atividades mesmo à distância, com uma série de benefícios como a de se eliminar o tempo perdido no deslocamento da casa para o trabalho e do trabalho para a casa. No entanto, certificando a tese de que “se age no caos, mas esse caos não nos ensina”, as organizações tentam impor aos seus colaboradores a mesma dinâmica do passado:
“Um valor para ser mudado precisa no mínimo de uma década ou seja mais de duas gerações fazendo com que realmente se reafirme aquele novo modelo mental. O que que aconteceu com a pandemia? Aconteceu todo o caos. Existiu uma adaptação para que as empresas pudessem persistir àquele cenário, porém a grande maioria não voltou com essa habilidade construída”.
Para acelerar esse aprendizado, Andrea recomenda que as empresas abram mão do sistema de controle, gerem pontes com seus colaboradores, exercitem a humildade e se habilitem a ouvir as pessoas. Não ouvir é desperdiçar 30% da sua receita — dizem pesquisas na área de gestão, segunda a consultora.
Para ela, o problema é que um pequeno grupo dentro das empresas toma as decisões e as transformam em estratégia empresarial, entregando-as para as bases sem que estas se sintam proprietárias dessas ações. Ou seja, são apensa cumpridoras de tarefas e não protagonistas. Isso explica, em parte, porque pesquisas mostram que cerca de 75% das pessoas estão insatisfeitas com seu trabalho. De acordo com Andrea, o primeiro motivo é porque os colaboradores não têm senso de pertencimento; o segundo é porque os relacionamentos não são saudáveis; e apenas em terceiro lugar, decido aos salários.
“Tem muita gente escutando e falando, pouca gente se comunicando e ouvindo. Ouvir é você parar para sentir o que o outro estava sentindo; você entender a necessidade do outro e não, simplesmente, entrar no processo de luta e de defensividade, porque isso só distancia. Então, a escuta empática aproxima através do atendimento dessas interesses em comum”
Andrea lembra que interesse é palavra que nos remete a “inter seres” ou “entre os seres”. A neurociência ensina que não existe desenvolvimento da humanidade com total inconsciência, portanto para que o interesse se realize é preciso ter consciência do outro. Uma das formas é evitar a fala instintiva, sem reflexão, o que leva Andrea a propor o uso de uma ferramenta batizada STOP, sigla em inglês para quatro passos necessários para que a comunicação se realize de forma efetiva: parar, pensar, observar e falar. Instrumento que deveria pautar o comportamento dos líderes:
“Antes a gente falava que o líder é aquele que influencia. Hoje, o líder é o grande observador. Mais do que liderar, ele precisará observar talentos e através dessa observação interpretar e facilitar caminhos. Eu falei observar, eu não falei nem guiar nem influenciar. O papel do líder é aquele que para, observa, entende e interpreta para facilitar resultados. Esse é o papel do líder pós-pandemia. Ele vai observar o que você tem de melhor, entender e interpretar para facilitar o seu processo. E, principalmente, como líder ter a tomada de decisão de alocar você na melhor posição”.
Você pode assistir aqui à entrevista completa com Andrea Deis, no Mundo Corporativo, da CBN:
O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.