A arte na sujeira


O prédio do Copan, em São Paulo, e o do MAC, no Rio, desenhados no pó da cidade

Dá sujeira que respiramos, o artista Caetano de Almeida encontrou inspiração para seu trabalho. Com atelier na esquina da Amaral Gurgel com a General Jardim, centro de São Paulo, ele expõe suas telas brancas que ficam “repousando a espera das partículas inaláveis que pousam sobre o tecido e criam várias tonalidades de cinza.

As imagens foram enviadas ao CBN SP pelo próprio artista, após acompanhar série de entrevistas sobre poluição que você encontra neste blog.

Quintanares: Noturno II

O que se esconde no vazio de uma casa quando a noite chega está descrito no texto do poeta Mário Quintana, interpretado por Mílton Ferretti Jung:

Quintanares é publicado terça e sábado neste blog a partir de textos interpretados por Mílton Ferretti Jung, em programa que, originalmente, foi ao ar na Rádio Guaíba de Porto Alegre.

Conte Sua História: Heródoto tem febre

Foi um programa especial este que vocês vão ouvir em seguida aqui no blog. Diferentemente de todos os demais, o personagem principal da história contada com detalhes e precisão pelo ouvinte-internauta Paulo Machado Júnior saiu da ficção, tornou-se real e ganhou voz (bem desafinada) no CBN São Paulo. É a história de um menino ainda com seis meses de vida mas que já merecia um capítulo do “Conte Sua História de São Paulo”.

Antes de começar a ouvir, deixe-se levar pelo texto e após a vinheta de encerramento continue atento a surpresa desta edição especial:

Todo sábado no CBN SP, todos os dias neste blog e a qualquer momento na livraria de sua preferência, tem “Conte Sua História de São Paulo”. Participe escrevendo para contesuahistoria@cbn.com.br

Canto da Cátia: Nem com galocha

A semana começou chuvosa na capital paulista e proporcionando desafios ao paulistano. Escapar das poças d’água que surgem em todas as esquinas é um desses no qual nem sempre o cidadão sai vencedor.

O flagrante na esquina da Brigadeiro Tobias com a Washington Luis é da Cátia Toffoletto que nesta semana se dedica a reportagem sobre escassez de água. Neste caso, a água abunda e ao cidadão nem galocha resolve.

Água 2: Nordestino tem mais do que paulistano

A fama é dos nordestinos, mas a escassez de água é dos paulistanos. A quantidade de água disponível em São Paulo por pessoa é menor do que a existente para os moradores de estados do nordeste, onde a seca é um dos cenários mais conhecidos.

Quem faz o alerta é a consultora ambiental Maria Aurélia Jordão, especialista em gestão de recursos hídricos. Acompanha a entrevista:

Ambiente Urbano: Por um político suicida

De Osvaldo Stella

A crise anunciada do caos no trânsito na cidade de são Paulo se desdobra de maneira alarmante. Frente ao cenário desolador da última semana a reação da prefeitura de são paulo é preocupante. O pacote de abril anunciado pelo secretário dos transportes Alexandre de Moraes se baseia em:

-proibir o estacionamento de veículos durante o horário de pico em vias de trânsito complicado;

-retirada de caminhões destas vias durante o horário de pico;

-anúncio de rotas alternativas para aliviar o tráfego nas vias principais.

Todas estas medidas já deveriam ter sido implementadas há muito tempo. São medidas que não necessitam de grandes investimentos e de rápida implementação, a famosa canetada. Nos moldes do Cidade Limpa, grande efeito, baixo custo, ótima em termos políticos. No entanto, estas medidas são modestas e insuficientes para atenuar o problema.

A solução do problema passa pelo reordenamento do espaço urbano, o desenvolvimento do transporte público e a restrição ao uso do transporte individual. Estas são medidas de longo prazo que precisam de vários mandatos para serem implementadas. Como São Paulo tem sido apenas trampolim para os políticos ou parada estratégica para fazer caixa para vôos maiores, a solução definitiva se inviabiliza. Restam as soluções de gabinete, de repente com um flash
de genialidade é só alterar as regras do rodízio, dias pares só circulam carros com placas pares e dias ímpares placas ímpares. Será esta a medida que vai iniciar a revolução?

Metade da população sem poder usar o carro e sem transporte público, caos ao quadrado. Depois de introduzir o rodízio municipal, Fábio Feldman nunca mais se elegeu para um cargo público. Por outro lado o que seria de São Paulo hoje com 20% a mais de automóveis nas ruas sem o rodízio?

Nenhum político tomaria esta decisão pois o único motivo é a reeleição. Seguimos a deriva esperando o suicídio político de alguém.

Kassab atrasa o trabalho das panfleteiras

Meninas aguardam diante do banco e confessam o pecado …


Enquanto isso, Kassab reza na praça recém-inaugurada

Na porta da agência do banco, cinco meninas estavam sentadas com cara de sono, uma delas com a cabeça deitada sobre um calhamaço de papel-jornal ensaiva um cochilo no momento em que cheguei. Eram 9 da manhã, ainda, e para abrir caminho e ser gentil, perguntei: “Não vão trabalhar, hoje ?”. A resposta condenava o ato: “Só depois da uma da tarde, a prefeitura esta aí”, indicando para o outro lado da rua com a cabeça.

Lá do outro lado da rua estava a praça Homem de Montes, onde uma barraca branca era levantada por funcionários de empresa contratada, servidores da área de limpeza varriam e recolhiam o lixo, fiscais da CET organizavam o trânsito, um pessoal não-identificado esticava faixa e uma equipe de gravação da prefeitura fazia algumas tomadas. A comitiva da prefeitura estava para chegar para a inauguração da praça na esquina da Guilherme Dumont Villares, na zona oeste.

A presença desta turma toda e do prefeito Gilberto Kassab (DEM) impedia que as moças que todo fim de semana entregam panfletos de lançamento imobiliário trabalhassem. As empresas que as contratam sabem que a panfletagem fere a Lei Cidade Limpa e pode dar multa de R$ 10 mil, mas insistem na irregularidade porque é uma das maneiras mais eficientes de chamar atenção dos compradores.

A festa na praça, com direito a benção cristã, se encerrou, o prefeito seguiu para outro compromisso, e as panfleteiras sacudiram a poeira e tomaram as esquinas do bairro. Começava a venda de apartamentos.

Bastidores da notícia: Andréia, a perseguida


Jornalistas fazem de tudo para chegar até Andréia, e não conseguem

A cafetina Andréia Schwartz, que saiu, entregou e derrubou o ex-governador de Nova Iorque Eliot Spitzer, foi perseguida pela imprensa brasileira e americana, nesse sábado. O nome dela estava na lista do vôo da American Airlines, que chegaria pela manhã, segundo fontes do governo americano que a deportou, após fechar acordo com a justiça.

Jornalistas que trabalham em Nova Iorque embarcaram no mesmo vôo, enquanto a turma da redação brasileira era pautada a comparecer no aeroporto internacional, em Guarulhos. Quem pode escolher assento, correu em selecionar lugar próximo da moça. Assim que a tripulação anunciou a autorização para decolagem a pergunta que mais se ouvia era “cadê ela ?”.

Um colega mais atrevido convenceu uma das aeromoças de que havia perdido a namorada dentro do avião. Ela acreditou e foi ao telefone chamar: “Por favor, senhora Andréia Dias Schwartz, pedimos a gentileza que se identifique levantando a mão”. “Ohhhhh” foi o que se ouviu, sem que ninguém se apresentasse.

No Brasil, uma dezena de fotógrafos, cinegrafistas, repórteres de rádio, TV, jornal e internet a espera da moça praticavam exercício comum nestes momentos: a fofoca. “A mãe dela está no aeroporto acompanhada de dois policiais”, diziam alguns. Sem saber quem era ela, um fotógrafo americano navegou em alguns sites e em pouco tempo todos os jornalistas já tinham cópia da imagem da mãe. Após vasculharem rosto a rosto na área de desembarque internacional e não encontrarem ninguém parecido, um dos repórteres teve a grande sacada: ligou para o serviço de informação e pediu para chamar Elza Dias, a mãe. A espera no balcão da American Arlines, ponto de encontro, foi inútil. Elza, a mãe, estava bem distante dali, na casa dela em Vila Velha, no Espírito Santo.

“A Record comprou a entrevista exclusiva”. Começou a correr a notícia entre um café e um pão de queijo, estragando o paladar de jornalistas com medo de tomarem o furo. A notícia surgiu dos concorrentes. Nem a redação da Record sabia. A negativa dos jornalistas da emissora não era convincentes.

As 7 e 10 da manhã, os primeiros jornalistas que haviam embarcado em Nova Iorque começaram a surgir na porta de desembarque em Guarulhos. No rosto, a marca do cansaço proporcionado por nove horas de vôo e da frustração pela ausência da personagem principal, a cafetina. A perseguida.