Conte Sua História de São Paulo: parecia uma crise, mas era só o fim de uma ilusão

Reprodução de foto publicada no livro “Os desafios de uma pandemia”

O Conte Sua História de São Paulo, neste mês de Julho, em que o frio chega à cidade, e aqueles que vivem em situação de rua sofrem com as baixas temperaturas, abre espaço para acolher o texto de pessoas que estão ou passaram pelo Arsenal da Esperança, onde antigamente funcionava a Hospedaria dos Imigrantes. A partir de um concurso literário, promovido durante a pandemia, quando o local manteve alojados e protegidos quase 1.200 pessoas, 66 textos foram selecionados para compor o livro “Os desafios de uma pandemia”. Destes escolhemos cinco que serão publicados aqui no blog. Nem todos os autores são identificados por nome e sobrenome, mas em todos os textos nós vamos identificar a resiliência do povo de rua.

Para dar início a essa série, o Conte Sua História de São Paulo traz o texto de Luís Carlos:

Tons de esperança

Parecia uma crise, mas era só o fim de uma ilusão… Já fazia algum tempo que eu notava no tom de voz dos que me amavam a nítida intenção de não me proteger da verdade que, mesmo machucando, dói menos do que a ilusão. E a trajetória ao encontro do destino iria revelar que lutar para permanecer no mesmo lugar por fim me tornaria um peregrino.

O céu colorido ao amanhecer, numa aquarela de tons marcantes, emocionava tanto que até um cego veria que algo belo acontecia. Na despedida, o passo do meu caminhar se fazia determinado quando, de soslaio, percebi que minha mãe ainda permanecia à porta do recanto que me confortava e protegia o universo ao meu redor, e que, agora longe, se transmutava em cenários inacreditáveis, notícias estarrecedoras e perspectivas desafiadoras, desenhando em minha mente uma realidade global desoladora e pandêmica.

Conforme rumava à metrópole, surgia a impressão de que silenciosas e vazias ruas haviam sido evacuadas e a população, abandonado o planeta, fugindo de um surpreendente inimigo invisível.

Frente ao olho do furacão percebi que todo este movimento oferece uma mensagem; repensar a vida é o que nos resta e isolar pode se traduzir em reaproximar-se da essência de uma existência mais plena, ou seja, reconectar-se, religar. Ressignificar faz toda a diferença diante das situações que nos põem à prova. Dar um tom de compaixão e fraternidade na abordagem do que nos é exigido pavimenta nosso caminho para a superação. Mais vale um susto no final do que um susto sem fim.

E como a sensação de que algo maior transcende um panorama, nos pintado como avassalador, que nos conduz ao crescimento, surge no horizonte raios de confiança e obstinação, perfazendo verdadeiros tons de esperança, a compor a paisagem de calmaria que nosso mais íntimo sentimento anseia e contempla, sem desamparo.

E que nos imunizemos sobretudo contra a ignorância e falta de humanidade, e surja diante de nós a imagem soberana da paz, num quadro onde todos alcançam saúde e prosperidade.

Luíz Carlos, do Arsenal da Esperança, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também o seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Greve de ônibus expõe, mais uma vez, falhas das empresas que exploram transporte por aplicativo

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A greve de motoristas e cobradores, em São Paulo, nesta quarta-feira, revelou mais do que os desafios constantes de um sistema de transporte caro e problemático. Expôs a fragilidade da relação entre usuários do transporte por aplicativo e as empresas que exploram esse serviço, especialmente Uber e 99. Enquanto a dificuldade de as partes entrarem em acordo, remunerando e oferecendo benefícios aos trabalhadores e conseguindo conter o custo do transporte de massa na cidade, deixou mais de um milhão e meio de passageiros a pé, o modelo de negócio dos ‘aplicativos’ voltou a prestar um desserviço à população.

Sem muitas alternativas, os passageiros de ônibus recorreram ao celular em busca dos “aplicativos” e foram surpreendidos, seja pela ausência de motoristas seja pelo alto custo. Foi enorme a quantidade de ouvintes da CBN reclamando do fato de terem tido uma série de corridas negadas pelos motoristas, mesmo depois de a viagem ter sido aceita — claramente, ato tomado pelos motoristas que perceberam que a remuneração seria bem menor do que o custo daquela viagem. Os passageiros que tiveram sucesso na chamada, se sentiram explorados pelo valor pago — resultado da tarifa dinâmica. 

Por coincidência ou não, ao mesmo tempo que ouvia as reclamações, ao vivo ou por mensagens dos ouvintes, recebi texto do meu colega de programa Jaime Troiano, um dos apresentadores do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Dos maiores conhecedores na área da gestão de marcas do Brasil, Jaime, baseado na frustrante experiência que teve com o Uber, ditou: 

“Como cidadãos, fomos espoliados. Como profissional de mercado, que pensa em Branding, pensei em outra coisa: que oportunidade maravilhosa o Uber perdeu!”.

Jaime Troiano

Em um cenário ideal, Uber, 99 e as demais empresas que exploram o serviço de transporte por aplicativo — e aqui o verbo pode simbolizar sua pior versão — teriam se colocado ao lado dos cidadãos, oferecendo vantagens aos passageiros e remunerando de forma decente seus motoristas. Não foi o que aconteceu. E assim a receita adicional obtida nesta paralisação dos ônibus jamais cobrirá o “mal-estar provocado nos seus potenciais clientes e os respingos na imagem institucional”, como escreveu Jaime. 

Chantagear o cliente em momentos de dificuldade tende a cobrar um alto preço nas organizações. E torna um desperdício o dinheiro investido nas campanhas que assistimos estampadas em painéis eletrônicos pela cidade nas quais os “aplicativos” forjam uma sintonia com seus clientes, ao transmitirem mensagens de apoio às mais diversas causas. 

Forçam a mão no storytelling e desdenham do storydoing que no fim das contas é o que interessa às pessoas.

Por curiosidade: o texto que recebi de Jaime Troiano era uma referência a greve de ônibus anterior, ocorrida no dia 14 de junho, em São Paulo, e se encerrava com a esperança de que a lição seria aprendida:

“Torço para que ela (Uber) não perca outras oportunidades como a do dia 14 para demonstrar suas autênticas convicções e valores. Os mesmos que ela professa publicamente”.

Lamento dizer, Jaime, perdeu! Perderam!

Avalanche Tricolor: dia para se ter orgulho

Grêmio 1×0 Londrina

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre

Geromel com a faixa nas cores do arco-íris, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A bola roubada ainda no ataque, o  movimento rápido dos jogadores de frente, o passe com velocidade e precisão e a conclusão estufando a rede estiveram presentes no único e necessário gol do Grêmio, nesta noite de terça-feira. Não tínhamos ainda nem mesmo 15 minutos de futebol na Arena quando a equipe comandada por Roger tomou à frente do placar e dava sinais de que dominaria a partida.  Não foi bem assim que as coisas se desenrolaram, especialmente no primeiro tempo, quando o time deixou de ter a intensidade sempre pedida pelo técnico.

No segundo tempo, por curioso que pareça, a performance foi muita mais próxima daquilo que se imagina para o Grêmio nesta temporada, apesar de não termos conseguido marcar nenhum gol e sofrido com as estocadas do adversário. Chegamos com maior frequência ao ataque, vimos mais movimentação pelas pontas, aceleramos o passe e houve a exigida entrega de cada jogador em campo. Quem não conseguiu oferecer técnica, doou suor e no estágio atual é o que precisamos para a única conquista que nos move neste momento: voltar à Série A.

Ao fim e ao cabo, chegamos a nove jogos invictos e três vitórias seguidas em casa, marcamos 13 gols e tomamos apenas cinco, em 15 partidas — campanha suficiente para nos manter mais uma rodada entre os quatro primeiros colocados. 

Começa a chegar a hora de o torcedor entender que o comportamento precisa mudar nas arquibancadas, também. A ressaca do rebaixamento não pode servir de desculpas para o desânimo. A dificuldade que o time ainda tem de encantar, vem sendo superada com o esforço do grupo. 

Do lado de fora, a direção apresentou, na noite de hoje, aquele que pode ser o estopim para a retomada da avalanche que foi marca de nossa torcida — se não literalmente, porque está proibida, ao menos de forma simbólica: Lucas Leiva está de volta com a camisa 15, a mesma que vestiu na Batalha dos Aflitos, na sua estreia de temporada pelo Grêmio, em 2005. Fez parte do grupo que dois anos depois chegou à final da Libertadores, para após se consagrar no futebol da Europa.

Vamos aproveitar a manutenção no G4, a sequência de resultados positivos e o retorno de ídolo para “entrar em campo” e jogarmos juntos com o time. Ter orgulho do que conquistamos em nossa história, nos inspirarmos nessas glórias e ajudar o Grêmio a voltar à sua jornada campeã. 

Eu sei que o desempenho tende a não motivar muita gente, mas poderíamos recuperar a alegria de ver o futebol, ocupando todos os espaços da Arena, levando o time a jogar embalado pelas cantorias e gritos de incentivo. Tem sido assim com alguns dos nossos principais adversários que mesmo tendo nível técnico muito semelhante ao nosso, jogam com uma motivação extra, graças ao apoio de seus torcedores.

Adoraria ver de volta a alegria daqueles rapazes que no fim dos anos de 1970 não tiveram medo do preconceito, das ameaças de uma gente selvagem e da própria repressão política e policial, que imperava na época, ao fundarem a Coligay, a primeira torcida assumidamente gay do país. Um grupo de jovens, gremistas e fanáticos que superaram todas as dificuldades — inclusive a escassez de títulos — para ocuparem seu espaço na arquibanca e na sociedade, sem precisarem esconder suas identidades. 

A Coligay foi pioneira e surgiu em 1977, na mesma época em que o Grêmio retomaria o título gaúcho, e se manteve até 1983, quando fomos campeões do Mundo. Apesar da demora para ser reconhecida como patrimônio de nossa história, foi um marco na luta em favor da diversidade.  

Se muitos clubes neste 28 de junho se identificaram com a causa LGBTQIA+, estampando as cores do arco-íris em seus uniformes e bandeiras, somente um time de futebol pode dizer com orgulho no coração ter acolhido a primeira torcida gay do País. 

Que o entusiasmo da Coligay baixe sobre cada um dos nossos torcedores e possamos colocar em prática o lema da campanha de marketing que o Grêmio escolheu este ano: “quando time e torcida jogam juntos ninguém mata quem é imortal”. 

Para conhecer melhor a história da Coligay, conheça o livro ‘Coligay: tricolor e de todas as cores”, escrito pelo jornalista Léo Gerchmann

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as 5 avenidas do branding que levam ao triunfo

“Quem constrói marcas apenas com base nas respostas politicamente corretas que ouve dos consumidores, não chega ao ‘arco do triunfo’”. 

Jaime Troiano

Observar ambientes e comportamentos ajuda na construção de marcas e inspira novas ideias. Já se falou disso, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Talvez você não lembre, mas o Jaime Troiano confessou, em algum programa do passado, que não resiste a uma armário de banheiro na casa das visitas. Os produtos que encontra dizem muito das pessoas e, especialmente, do que representam as marcas. Desta vez, ele e Cecília Russo mudaram o foco: ainda bem! Buscaram no mapa da cidade de Paris inspiração para pensar nos caminhos que levam as marcas ao sucesso.

O olhar deles concentrou-se nas estradas que convergem a Praça Charles De Gaulle-Étoile, onde está o Arco do Triunfo. Em vez das 12 avenidas originais, selecionaram cinco; e em lugar do marco histórico, convidaram os ouvintes a passearem até o que chamaram de Triunfo das Marcas. 

Acompanhe a seguir, quais são as cinco avenidas que os gestores das marcas precisam percorrer:

Avenida da Simplicidade:  na vida de uma marca, qualquer forma de
falar a respeito dela, qualquer comunicação que não seja simples atrapalha muito. Não é fácil ser simples.Eis aí bons exemplos: “se é Bayer, é bom”; “quem pede um, pede bis”.

Avenida da profundidade: é a avenida para afastar a ingenuidade. Qual? De esquecer que consumidor diz o que pensa mas faz o que sente. Mais do que nunca, estudos científicos que usam neurociência, por exemplo, são essenciais para penetrar nesse espaço pequeno, de um centímetro cúbico, escuro e úmido, onde se escondem os verdadeiros sentimentos e motivações dos consumidores.

Avenida da vitalidade: é aquela avenida em que  precisamos saber, com um olhar externo e independente, se a marca é forte não apenas na visão interna da empresa e não apenas na visão dos seus vendedores. Essa avenida exige uma consulta a quem, de fato, determina o sucesso da marca: seus consumidores e clientes. Deixem de lado a vaidade corporativa, ouçam o que dizem as vozes que vêm da rua ou você não chegará na Charles De Gaulle-Étoile.  

Avenida da autoridade: é nessa avenida que sua marca precisa ter convicção de que tem mais do que força apenas, tem autoridade para trabalhar com outras áreas de produto. Quando Dove percorreu as outras avenidas e chegou a esta quarta, sabia que podia deixar de ser apenas um sabonete.

Avenida da verdade: é a avenida que revela a suprema razão de ser da marca, o seu propósito.  A avenida que mostra que ela não é apenas mais uma, mas que  mostra o quanto atende de forma autêntica, as necessidades da sociedade.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

O quadro vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, às 7h50 da manhã.

Mundo Corporativo: Marcella Ungaretti, da XP, diz que a agenda ESG reflete no valor da empresa

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“…talvez a primeira coisa que nos vêm em mente seja um pouco dos desafios que as companhias eventualmente possam ter nessa agenda, mas a grande verdade é que também tem muita oportunidade a ser capturada por essas companhias que estão bem posicionadas”. 

Marcella Ungaretti, XP Investimento

Impactada com a tragédia causada pelo rompimento de uma barragem da empresa Samarco, em Mariana MG, em 2015, a então estudante Marcella Ungaretti foi a campo para entender o preço que empresas envolvidas em crises ambientais pagam —- especialmente, ter resposta para a pergunta que veio à sua mente: quanto tempo essas empresas levam para se recuperar? 

“Noventa dias para mais”, foi o que descobriu ao pesquisar uma série de casos ocorridos nas mais diversas partes do mundo. Há situações ainda mais drásticas em que essa recuperação tende a não acontecer, como nos contou no Mundo Corporativo ESG. Formada em Administração de Empresas pela FEA-USP e vencedora do prêmio Ruy Leme de Excelência Acadêmica da USP, Marcella atualmente é sócia da XP Investimentos e ocupa o cargo de ‘head de research ESG” — ou seja, é responsável por analisar o compromisso das empresas com a pauta da sustentabilidade:

“Esse estudo conclui que a agenda ambiental, social e de governança não anda em separado da agenda financeira da companhia. Muitas pessoas tendem a ver a temática ESG como uma coisa, a temática de investimento como outra. Não! Na nossa percepção, aqui, na XP é que a companhia é uma só e, consequentemente, as ações que tiver no que tange o meio ambiente, a sociedade e a governança vão refletir diretamente nos resultados e no valor de mercado dela, no quanto que ela vale”.

Em entrevista à CBN, Marcella destacou que as empresas estão conscientes da relevância do tema ESG, mesmo que muitas ainda não tenham encontrado o melhor caminho da sustentabilidade. Para ela, essa é uma agenda que já passou do ponto de “não retorno”. As empresas que não olharem para essa questão provavelmente ficarão para trás, perderão mercado e serão desvalorizadas. 

“O mercado de capitais no Brasil tem evoluído de forma significativa, de forma que a gente tem mais players atuando no mesmo mercado, e isso significa para o consumidor uma opção de escolha, e nessa nessa decisão de escolha, a geração mais recente traz cada vez mais os critérios socioambientais como parte desse processo”

Marcella identificou três razões que tornam a agenda ESG fundamental para as empresas: há um interesse maior de investidores e de cidadãos de uma maneira geral; há uma regulação que vai exigir cada vez mais que essas regras sejam cumpridas; e, finalmente, o retorno que se tem no mercado tem sido alto. A partir disso, se impõe um desafio às empresas:

“Parece simples pelo fato de serem três letras, mas a grande verdade é que é tanto no E, na questão ambiental, isso se desdobra em uma série de fatores; no S a gente sempre diz que tem uma agenda interna, mas também uma agenda externa; e há a  frente de governança que é de extrema importância … A abrangência dessa temática se coloca como um desafio”.

Um segundo desafio às empresas, identificado pela executiva da XP Investimento, é a divulgação das companhias das ações adotadas e resultados obtidos nos relatórios enviados aos investidores. Apenas 24% das bolas de valores no mundo impõem a divulgação de relatórios de sustentabilidade — na B3, em São Paulo, por exemplo, a publicação desses dados não é obrigatória.

“… consequentemente parte das empresas brasileiras ainda não tem esse documento público; ao mesmo tempo que, por parte do investidor, a demanda por esse documento é bastante clara. A gente fica menos tangível para o investidor poder ter qualquer compreensão de como essa companhia está evoluindo nessa agenda”. 

Assista ao vídeo completo da entrevista do Mundo Corporativo ESG com Marcella Ungaretti, da XP Investimentos:

O Mundo Corporativo tem a colaboração do Renato Barcellos, do Bruno Teixeira, da Débora Gonçalves e do Rafael Furugen. O programa é gravado às quartas-feiras, às 11 horas, e pode ser assistido pelo canal da CBN no Youtube.

Conte Sua História de São Paulo: meus dias na ‘Boca do Lixo’

Noel Taufic

Ouvinte da CBN

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Sou um paulista lemense mas me considero também um paulista paulistano, AMO SÃO PAULO! Não há tempo pra falar de tudo que já passei nessa cidade, nas minhas mais de seis dezenas de vida, por isso vou me ater a contar como esse amor começou.

Meu pai sempre teve salas de cinema, em Leme, interior de São Paulo, e desde meus sete anos, nas férias escolares, eu ia com ele marcar filmes nas distribuidoras, que se concentravam na rua do Triunfo e imediações, bem no centro e perto da antiga rodoviária.

Quando fiz 15 anos. passei a ser o programador dos cinemas e, uma madrugada por mês, de ônibus, ia fazer o trabalho de programação dos filmes. Aos 18, fui estudar em São Paulo e daí a vida seguiu até hoje nesse delicioso ofício.

Mas o que me marcou sempre foi conhecer o centro de São Paulo, os cinemas mais famosos pertinho de mim, como o Ipiranga, o Metro, o Marabá, o Olido, o República, o Art Palácio, o Comodoro e, eu, sempre passando meus dias de paulistano na famosa “Boca do Lixo”.

Sim, “Boca do Lixo” era o nome da região da Santa Efigênia, avenida Rio Branco, começo da Ipiranga, todo esse pedaço que se somava à avenida São João, ao largo Paissandu, à Duque de Caxias.

Nesse trabalho, a gente convivia com as amáveis prostitutas. E também com os músicos, já que muitas gravadoras também lá se localizavam, na famosíssima Santa Efigênia.

O ponto principal sempre foi o queridíssimo Bar do Léo, que na verdade ganhou mais fama ainda com o seu Hermes, diretor do Corinthians, como proprietário, mas sempre tendo ao seu lado o mais famoso garçom paulistano, o Luiz que recebia a todos pelo nome, podendo ser pessoa comum, empresário ou político de qualquer cidade que vinha àquele estabelecimento.

Nesse período conheci vários artistas, diretores de cinema, produtores.  Artistas foram muitos: Vera Fischer, Aldine Müller, Renato Aragão mas, pra mim, o que eu mais gostava de encontrar, era o Mazzaropi, que sempre recebia os exibidores em seu escritório, no segundo andar do Cine Ouro, no Largo Paissandu.

O ilustrador de cartazes do cinema brasileiro, meu amigo também, era Miécio Caffé. Ele e a esposa moravam na rua Vitória e seu estúdio de criação ficava dentro da Paris Filmes, um pouco abaixo de sua casa. Seu Miécio foi o maior colecionar de discos 78RPM do Brasil. Seu apartamento tinha muito mais que seus móveis, tinha inúmeras estantes com discos e fitas, impagáveis.

Que delícia tudo isso! Que São Paulo maravilhosa! Hoje, mato saudades dela, correndo a São Silvestre todo ano e passando pela minha eterna “Boca do Lixo”.

Noel Taufic é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: antes de os astros se alinharem

Avalanche Tricolor:

CSA 1×1 Grêmio

Brasileiro B – estádio Rei Pelé, Maceio/AL

Janderson comemora o gol de empate, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Os astros se alinharam nesta madrugada de sexta-feira, em um desses fenômenos que ocorrem com baixa frequência. A última vez foi há 18 anos e a próxima só em 2040. Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno e a Lua, todos a olhos vistos, atuando de forma sintonizada no céu, em uma parceria de dar inveja a quem tenta encontrar o mesmo nos gramados brasileiros —- e aqui não falo exclusivamente do meu Grêmio: o futebol jogado, com as exceções astronômicas de sempre, tem sido de qualidade bem discutível.

Antes do espetáculo no céu, assisti ao jogo do Grêmio, em Alagoas, onde a falta de sintonia dos ‘astros’ esteve evidente no primeiro tempo e melhorou um pouco no segundo, o que logo se percebeu com o gol relâmpago, no primeiro ataque coordenado, com os pontas chegando em velocidade pelos lados e Janderson concluindo para as redes. Dali pra frente, a despeito de alguns sustos — e que sustos —, o time dava sinais de que tinha potencial para virar o placar. Chances apareceram e foram desperdiçadas. Por outro lado, riscos ocorreram e, ainda bem, não se realizaram. 

Ao fim e ao cabo, levar um ponto para Porto Alegre se não era o ideal, era o que tínhamos para a noite de quinta-feira, especialmente depois de sair atrás do placar. Estamos há oito jogos sem saber o que é derrota e espero que essa jornada invicta se estenda por muito mais rodadas, ao menos até estarmos consolidados entre os quatro primeiros colocados da competição. 

Enquanto esse momento não chega, nos cabe levar adiante a máxima italiana que o Zio Ferretti, lá de Caxias do Sul, costumava repetir nas mais diversas situações: piano, piano, se va lontano. E desejar que, da próxima vez, os astros se alinhem em nosso favor — os celestes e os tricolores.

E eles só querem viver vivos

Padre Simone está à frente do trabalho do Arsenal da Esperança

Dona Janete escancarou a fome para os brasileiros em uma entrevista na televisão. Uma fala dolorida que deu transparência ao que os números, mesmo que gigantes, às vezes escondem. Não que 33 milhões de famintos vivendo no país que é o quarto maior produtor de alimentos deixem de ser um escândalo, mas quando um desses milhões de rostos surge diante de nós, é chocante. 

“Domingo a gente não tinha nada para comer. Eu estou desempregada, está muito difícil. Eu estou catando latinha, mas não dá”

Foi o desabafo da Dona Janete, ao responder a pergunta feita pela repórter do RJTV, na TV Globo, enquanto esperava por uma refeição na fila do programa da prefeitura do Rio que distribui alimentos. Todos choramos com ela. Exagero. Nem todos são suficientemente sensíveis para perceber o que significa ter fome.

Hoje cedo, em mais uma entrevista com candidatos à presidente da República, André Janones, do Avante, respondeu de bate-pronto à pergunta que escolhemos para abrir essa série no Jornal da CBN. “A desigualdade social” é o que ele elegeu como prioridade a ser enfrentada a partir de primeiro de janeiro de 2023. Faz sentido. 

Na pesquisa realizada para me preparar para essa série iniciada na terça-feira encontrei dois dados que mostram a dimensão da desigualdade de renda e de patrimônio, no Brasil: os 10% mais ricos no Brasil ganham quase 59% da renda nacional total; o 1% mais rico possui quase a metade da fortuna patrimonial brasileira.

Números e percentuais que se transformaram em corpo e alma na tarde desta quinta-feira quanto tive oportunidade de visitar a antiga Hospedaria dos Imigrantes, no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo. O local que no passado recebia famílias europeias refugiadas de sua terra natal, atualmente abriga cerca de 1.200 pessoas que vivem em situação de rua — brasileiros e estrangeiros. Obra do Arsenal da Esperança, liderada pelo padre italiano Simone Bernardi, que assumiu a missão de levar em frente o projeto do Semig — Servizio Missionario Giovani, iniciado em 1996, por ação de Ernesto Olivero e Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida.

Meu carro de rodas altas e câmbio automático, minha calça com caimento elegante e os sapatos de grife italiana eram extravagantes diante da simplicidade das pessoas que encontrei em uma enorme fila na calçada da rua Doutor Almeida Lima, 900, portão de entrada da Hospedaria. Todos homens e a espera para retornar ao espaço onde estão cadastrados e recebem alimentação, roupa lavada, uma cama para dormir, acesso a cursos, atendimento médico e respeito —- sim, essa é a maior demanda de cada um daqueles que estavam ali: o respeito que qualquer ser humano tem direito a receber em vida.

O local é espaçoso, tem árvores e canteiros bem cuidados. Tem infraestrutura antiga e bem preservada. Mantém a mesma arquitetura que recebia os europeus, desde o fim do século 19 — uma história lembrada por fotos em preto e branco que estão em todas as dependências. Os locais para dormir se apresentam com fileiras de beliches, o restaurante tem longas mesas, capazes de servir 600 refeições por vez. A cozinha industrial é ampla assim como a lavandeira, onde um sistema organizado e sistemático é capaz de receber, lavar e devolver em mãos as roupas das milhares de pessoas que circulam no local. Tem salas de aula e para cursos. Tem bar e bazar. Tem biblioteca, também.

Especialmente, o que se vê nos rostos sofridos e passos pesados dessa gente que circula com seu fardo nas dependências da Hospedaria é a tentativa de revelar a esperança de uma vida melhor. Fui recepcionado por sorrisos e cumprimentos respeitosos. Havia olhares desconfiados, é claro. Afinal, eu era a figura estranha naquele cenário, com minha vida privilegiada e desigual, muito desigual. Distante da vida que eles vivem. 

O passeio por pouco mais de uma hora foi na companhia do Padre Simone, que chegou ao Brasil, em 1996, e diz ter aprendido português ouvindo a rádio CBN. Fico feliz em saber que uma das nossas missões foi cumprida — a de educar pela comunicação —, ao mesmo tempo que fico constrangido ao perceber quão pequeno ainda é nosso trabalho diante da messe que pessoas como o padre e sua equipe de missionários e voluntários  assumem.

Mais do que os políticos e agentes públicos, mais do que os doutores e os senhores, mais do que qualquer um dos que vivem em nosso entorno, mais do que nós mesmos, são eles os verdadeiros construtores das pontes que podem diminuir a desigualdade que impera no Brasil. Que nos fazem acreditar que é possível tornar realidade um dos lemas que os inspira no Arsenal: voglio vivere vivo (quero viver vivo).

Conheça aqui um pouco mais sobre o trabalho do Arsenal da Esperança

Dez recomendações para uma entrevista de excelência

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Foi-se mais um dia de entrevista. Planejada, programada, pensada, pesquisada — sim, quando nos propomos  a estar diante de uma fonte que tem relevância, é preciso que se cumpra uma série de etapas. Quem nos ouve diante do microfone perguntando, replicando e contextualizando talvez não tenha ideia do trabalho prévio que uma boa entrevista exige. Especialmente, se do outro lado estiver alguém que se sente capacitada a assumir o cargo mais alto que se pode desejar no país: o de presidente.

Esse é o desejo de Ciro Gomes, com quem conversamos na terça. Esse é o desejo de Simone Tebet, com que deparamos nesta quarta-feira, no Jornal da CBN. É também o de André Janones, a ser entrevistado na quinta. Todos eles sabem que ocupar esses espaços se faz essencial para expor pensamentos e convencer o cidadão a apoiá-los, a despeito das dificuldades que as pesquisas eleitorais revelam.

Certamente e com grandes possibilidades de se transformar em realidade, tornar-se presidente — mais uma vez —- é o que almejam Lula e Bolsonaro, apesar de que esses querem repetir a experiência sem ter de se expor ao escrutínio do jornalismo profissional. Preferem ocupar os microfones amigos, as falas sob controle, que não questionam, que não apontam contrariedades e falta de lógica. Privilegiam o cercadinho no Palácio ou os palcos montados por correligionários. Lamentavelmente, se escondem atrás da popularidade que o cargo que ocupam ou ocuparam lhes oferece.

De volta às entrevistas — tema central desta nossa conversa. 

Dia desses, na preparação de um curso de rádio e podcast, que em breve estará à disposição do caro e raro leitor deste blog, falei que este é o momento mais incrível da nossa profissão — também tratei em parte do assunto no texto anterior a este. Assim sendo, é preciso estarmos muito bem preparados e, se você me permite, listarei a seguir, algumas recomendações para caso você decida um dia estar nesta privilegiada posição de entrevistador:

  1. Escolha bem o entrevistado. Tem pessoas que realmente são muito inteligentes, geniais, mas que falam muito mal, também. Não sabem se expressar, são prolixas, não completam as frases, falam de maneira entrecortada, que, podem acabar com a entrevista. 
  2. Após escolher o entrevistado, faça uma boa pesquisa. Conheça o perfil dele, saiba como se comporta, o que pensa, o que já falou sobre o tema que você pretende abordar. Quanto mais elementos você tiver em mãos, melhor será sua abordagem e mais difícil será de o entrevistado enrolar você e o seu público.
  3. Com base na pesquisa prévia, prepare um roteiro — alguns colocam os tópicos mais relevantes; outros preferem escrever as perguntas. O importante é que você tenha ideia de onde pretende chegar
  4. Jamais seja refém do seu roteiro e de suas perguntas. Esse material é apenas o ponto de partida. Esteja atento ao que o entrevistado vai dizer, porque a qualquer momento o rumo da conversa pode enveredar por um caminho que você não imaginava.
  5. Uma boa entrevista tem perguntas na medida certa: nem curta demais, a ponto de o entrevistado e o ouvinte não entenderem sobre o que você está falando; nem tão longa que você acabe tomando o espaço dele. Muitas vezes, cometemos o pecado de querer mostrar nosso amplo conhecimento pelo tema e esquecemos que o personagem principal na entrevista é o entrevistado
  6. Uma boa maneira de se posicionar diante do entrevistado é pensar com a cabeça do ouvinte; o que ele estaria interessado em saber daquela pessoa que está sendo entrevistada;
  7. O ideal é não interromper o pensamento do entrevistado, mas sabemos que algumas pessoas falam sem parar e sem ponto de corte; pior, algumas pessoas começam a divagar; se desviam do tema da pergunta — às vezes sem querer, outras de propósito. Cabe a você que está entrevistando, pontuar essas situações.
  8. Trate o entrevistado com o devido respeito — isso não significa que você será subserviente a ele; ou deixará dizer o que bem entender, sem questionamento; 
  9. Sempre que necessário questione o que está sendo dito: lembre-se de uma máxima do jornalismo: notícia é aquilo que alguém não quer que publique.
  10. Esteja preparado para caso o entrevistado tenha uma postura arrogante ou agressiva. Não cabe a você se equiparar a ele. Siga de forma respeitosa, sem deixar de pontuar os erros que ele comete.

Repasso essas e outras sugestões todas as vezes que estou diante de entrevistas com a importância das que estamos realizando nesta semana, na CBN. Aprendo a cada entrevista uma nova lição. Para não parecer exagerado, em algumas sou apenas relembrado de lições que aprendi anteriormente. Ao fim da entrevista, refaço toda a trajetória da conversa na mente, penso como poderia ter abordado o assunto de uma maneira diversa e se deixei de contrapor à altura alguma resposta mal feita pelo entrevistado. 

Amanhã tem mais!

De volta à tensão, à angústia e à alegria que o jornalismo sempre me proporcionou

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O jornalismo é profissão que nos proporciona as mais diversas experiências. Situações que nos põem diante de fatos que farão parte da história, mesmo que no momento em que relatamos o ocorrido não tenhamos ainda ideia do seu verdadeiro significado. Escrevo isso sem conseguir tirar da mente as cenas que descrevi, ao vivo, na CBN, de um avião cravado e em chamas entre os andares 93 e 99 do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. Um suposto acidente de avião que se expressaria, em seguida, no atentado terrorista que marcaria para sempre o Século 21, recém-chegado.

Que outra profissão nos colocaria à frente das maiores autoridades do país ou nos ofereceria a chance de conversar com as personalidades nacionais e internacionais das mais diversas áreas, se não o jornalismo? Foi dela que me aproveitei para estar diante dos meus ídolos do futebol — sim, no início de carreira isso me satisfazia;  graças a ela, tive o prazer de ouvir, ao vivo, as palavras de Amir Klink, fascinado com sua trajetória nas travessias oceânicas — eu era um aprendiz de jornalista quanto pude entrevistá-lo por uma hora, em um programa de rádio, em Porto Alegre.

Na missão de melhor informar, deparei com pessoas influentes e poderosas, questionei os maiores mandantes do país, cometi o atrevimento de duvidar de suas palavras, assim como dei oportunidade para que gente comum se expressasse. Se nas Diretas Já era um estudante de jornalismo, no impeachment de Collor fui privilegiado em cobrir os fatos, ao vivo e a cores, em Brasília. De lá para cá, a vivência no rádio, em especial, me colocou diante dos postulantes a presidente da República. 

Na primeira eleição, após a redemocratização, em 1989, fui repórter; em 94, assisti à eleição de Fernando Henrique Cardoso, e repeti o feito em 98, durante sua reeleição. Foi em 2002, que estreie no comando de entrevistas com os candidatos ao cargo de  presidente. De lá até hoje, pelas mais diversas circunstâncias, participei de séries de entrevistas com candidatos a presidente, a governador e a prefeito. Sempre uma nova experiência. Sempre a mesma tensão. Sempre a mesma impressão de que nem tudo que deveria ter sido dito foi dito. 

Hoje, na CBN, abri mais uma série de entrevistas com os candidatos a presidência da República. A estreia foi com Ciro Gomes, a quem já havia entrevistado em situação semelhante, em 2002, quando concorria pela segunda vez ao cargo, e na eleição passada, em 2018. Os cabelos estão mais grisalhos e a voz mais envelhecida, mas não menos efusiva — me refiro a ele. As ideias seguem sendo apresentadas como definitivas. E o incomodo em ser questionado permanece, com a vantagem de se fazer mais controlado nos ataques aos entrevistadores — coisa da qual não escapei em 2018, quando me obriguei a pedir a ele respeito aos jornalistas que faziam parte da mesa de entrevistas.

Encerrei a conversa de uma hora com a mesma sensação das vezes anteriores. Muitos assuntos foram deixados de lado. Coisas importantes para o cidadão não foram debatidas com a devida profundidade. Registre-se: não é culpa do candidato. Nem dos entrevistadores. Tem muito mais a ver com a complexidade do país em que vivemos e a diversidade de problemas que precisamos enfrentar. Para Ciro, o principal é a miséria, e ele garante ter resposta — confira a entrevista que está no link abaixo deste texto. Imagino que não será diferente com os demais convidados. Essa é a grande preocupação do brasileiro.

O Brasil tem 11,9 milhões de desempregados, 4,6 milhões de desalentados e 38 milhões na informalidade. Uma precariedade vivida por 51 de cada 100 cidadãos brasileiros, mais de 33 milhões passam fome e boa parte tem cada vez mais dificuldade de pagar por um prato de comida. Dar resposta a essa angústia em apenas um hora de conversa é quase impossível, porque exige-se um plano amplo de desenvolvimento do país, com diversas frentes de atuação e, principalmente, muita coesão — algo difícil, considerando que boa parte dos agentes públicos coloca seu projeto de poder à frente do projeto do país.

Nesta quarta-feira, entrevistarei, ao lado da minha colega Cássia Godoy, a candidata do MDB, Simone Tebet; na quinta, André Janones, do Avante; e na sexta, Luciano Bivar, do União Brasil. A despeito da capacidade e interesse, assim como dos desejos e delírios de cada um, abrirei as entrevistas com a mesma sensação da primeira vez em que o rádio me colocou diante desses homens e mulheres que se propõem a comandar o país: tenso pela responsabilidade, angustiado pela falta de tempo para encontrar soluções e muito, muito feliz mesmo, pela profissão que escolhi exercer.

Ouça a entrevista completa com Ciro Gomes, candidato do PDT, no Jornal da CBN