O mistério da kombi, no Uruguai

O ouvinte-internauta que identificou-se apenas com o primeiro nome, Francisco, esteve no início do ano em Montevideo, no Uruguai, e se deparou com o veículo acima. Logo lembrou-se do professor Heródoto Barbeiro e soube através de um flanelinha (“lá também tem”, escreve ele) que o dono era um senhor de idade, com voz de Carlos Gardel, e cabelo encarnado.

Foto-ouvinte: Cidade Suja

“A menos de um quilômetro do cartão-postal de São Paulo, a Avenida Paulista, seguem imponentes dois outdoors em minha rua. Um monumento ao desleixo da fiscalização do Cidade Limpa”. O texto, assim como a imagem, é do ouvinte-internauta Diego Gazola que mora na rua Cardeal Leme, onde sobrevivem os cartazes de rua.

De chuva e sol

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Hoje é domingo, e chove. É quase o mesmo que usar camisa xadrez, casaco listrado e calça de bolinhas. Simplesmente não combina. Se fosse sábado ainda vá lá, que é dia regido pelo planeta Saturno, taciturno por natureza. Mas domingo é regido pelo Sol, e chuva definitivamente não combina. Especialmente essa que, feito visita inoportuna, não sabe a hora de ir embora. Quando a gente lê que a personagem do romance vestiu as roupas de domingo, nunca a imagina vestida com capa e galocha, lutando contra o vento que insiste em virar-lhe o guarda-chuva do avesso.

Quando o sol não dá o ar da graça, fico imaginando que foi se encontrar com a lua, e perdeu a hora. Sei que não é verdade, mas faz bem acreditar, assim como faz bem, às crianças, acreditar em Papai Noel. Quem é que não gostaria que a vida fosse certinha, como episódios de antigos enlatados norte-americanos, onde a família perfeita e feliz morava numa linda casa com jardim florido, mamãe vestida de mamãe e papai vestido de papai. Quem é que não gostaria que sempre fizesse sol aos domingos, que chovesse à noite, entre três e seis da manhã, enquanto a gente sonhasse sonhos que se tornariam realidade ao abrir dos olhos.

Fico pensando, como é que a gente escolhe o que vai entesourar na caixa de memórias e de sonhos. Quais as impressões que nos marcam de forma positiva e quais as que doem só de tentarem escapulir dali. O que é que nos faz românticos, mesmo tendo sido criados por uma família onde não havia espaço para o romantismo, nem de noite e nem de dia? Mistério. Românticos ou não, ignoramos o hoje e vivemos de nostalgia e de esperança, gêmeas siamesas ligadas pela coluna vertebral. Uma suspirando pelo que já foi e a outra pelo que virá.

E então, me espreguiço, depois de olhar a chuva cair e deixar a mente livre e solta. Retomo a leitura do jornal e encontro fotos das duas ex-reféns das FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia -, que ficaram seis anos em poder do grupo facínora, narco-terrorista e fora-da-lei. Clara e Consuelo. Quem mais me comove é Clara, que teve um filho no cativeiro, em plena selva, levado pelos bandidos aos oito meses de idade, doente e com um bracinho quebrado no parto, e que nunca mais foi devolvido a ela. O menino já foi localizado, tem três anos e oito meses, e quero crer que se reunirão, e que a vida e o tempo vão se incumbir de colocar as peças de seu quebra-cabeça, nos seus devidos lugares. Entre outras atrocidades, Clara conta que muitos dos seqüestrados ficam desumanamente acorrentados uns aos outros, pelo pescoço, como punição por desobediência, ou por tentativa de fuga. Fico fascinada olhando as fotos. Clara e Consuelo sorriem porque parte do pesadelo terminou para elas. Foram libertadas numa manobra bem planejada, para beneficiar e fortalecer a imagem de um delinqüente, cúmplice dos bandidos, e muito amigo do presidente do nosso país. Calcula-se que hoje ainda haja mais de setecentas pessoas seqüestradas e mantidas em poder desses indivíduos. Marginais, seqüestradores e torturadores. E eu aqui choramingando a falta do sol!

Pense nisso, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano

A avalanche está de volta

Grêmio 3 x 0 XV de Campo Bom
Campeonato Gaúcho, 1a rodada

A partir deste sábado, a coluna “Avalanche Tricolor” ganha espaço neste blog com o objetivo de ser o post esportivo menos imparcial possível. Falarei da saga do Grêmio no ano de 2008. Para o Grêmio, jogos de futebol, campeonatos e copas, sempre se transformam em uma saga. Sejam bons ou maus os resultados, a intenção é mostrar que o planeta Terra seguirá girando e o Grêmio continuará grande.

Por mais parcial que seja, o espaço está aberto para a turma do blog deixar o seu comentário sobre as coisas que acontecem no esporte – se você for colorado corre o risco de ter seu comentário apagado, mas vale a tentativa.

Quintanares: Rua dos Cataventos III

Vamos aproveitar o sábado para mais um passeio na Rua dos Cataventos, de Mário Quintana, acompanhado pela interpretação de Milton Ferretti Jung:

Esta gravação integra arquivo pessoal no qual estão algumas das edições do programa Quintanares, apresentado por 10 anos, na Rádio Guaíba de Porto Alegre. Na nota “Mário Quintana: O Poeta da Família” você tem outras informações.

Olho de Repórter: Dia de Cão

Pouco depois das 7 da manhã, o repórter Fernando Andrade da CBN estava na estação de Metrô ao lado dos passageiros que sofriam na fila por uma falha técnica em uma das composições. Foi a quarta em 18 dias. E a diretoria atual da Companhia do Metrô segue culpando o governo passado (colegas de partido, lembre-se disso) por não ter investido na compra de novos trens.

Eram 11 horas da manhã e o repórter Fernando Andrade da CBN estava diante da prefeitura de São Paulo acompanhando os motoboys que fizeram manifestação durante toda a manhã e início da tarde para impedir a restrição de circular na pista expressa das marginais e acabar com as regras que os obrigam a usar alguns equipamentos de segurança.

Eram duas da tarde quando o repórter Fernando Andrade da CBN estava de volta a redação e enviou as duas imagens acima para dividir com você um Dia de Cão. Da cidade, é lógico.

Conexão Rio-SP: Jovens de classe média no crime

Um dos casos mais retumbantes das últimas semanas, em São Paulo, foi o roubou dos quadros do Masp. E a suspeita do envolvimento de um jovem de classe média é forte como tem mostrado a polícia. Na tela do cinema, aqui em São Paulo, aí no Rio, no Brasil todo, temos “Meu Nome Não É Johny”, filme dirigido por Mauro Lima. O personagem de Selton Melo, João Estrela, era de classe média, de usuário passou a vender droga, isso lá por 1980. A presença de jovens em diferentes tipos de crime é freqüente e muitas vezes difícil de explicar quando se verifica a formação escolar, a existência de uma família constituída, a ausência dos fatores que o senso comum compreende como sendo aqueles que levam a uma vida violenta. E isso leva a uma distorção na própria cobertura jornalística sobre os casos.

Um estudo recentemente apresentado pela professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco Maria de Fátima Sousa Santos mostra que nas reportagens avaliadas por ela em que aparecia jovem de classe baixa envolvido em crime, a abordagem era objetiva, muitas vezes sequer o nome dele era citado. Pior, é que mesmo quando este rapaz aparecesse como vítima também havia um peso de culpa por este estar envolvido em um caso de violência. Por outro lado, quando o violento é de classe média, mostrou este trabalho da professora, o tratamento era mais humanizado. Não apenas o crime aparecia no noticiário, mas também a reação de transtorno e revolta da família e a intervenção de uma autoridade local no caso.

Ou seja, ainda temos muito a aprender para que estas situações não se repitam com esta freqüência constrangedora.

Carro na garagem, missão quase impossível

Deixar o carro em casa é mesmo tarefa das mais complicadas, mesmo que aumente o investimento e o planejamento na área de transporte público. Haja vista, a resposta de alguns dos ouvintes-internautas que aceitaram responder seis das muitas perguntas elaboradas pelo Ibope e reproduzidas neste blog para pesquisa encomendada pelo Movimento Nossa São Paulo.

Para um dos participantes, que não deixou seu nome registrado, “o paulistano gosta de ficar segregado dentro de suas máquinas poluidoras nas ruas da cidade”. Houve quem, sem pestanejar, tascou um não – não troco meu carro pelo ônibus, pelo metrô, seja lá pelo que for. A falta de credibilidade no sistema parece ser um dos problemas.

Ivone Rocha, orgulhosa de ser paulistana “apesar de tudo”, conta que já trocou. Desde que o metrô passa próximo da casa dela, abandonou o carro na garagem. O Washington, também. Não pelo ônibus, pela moto, alternativa para encarar o trânsito na capital paulista. Este trânsito, aliás, é que impede o Fábio de sentir orgulho por morar em São Paulo.

Aos ouvintes-internautas que leram a nota, um esclarecimento: estas são apenas algumas das questões feitas pelo Ibope de um total de 200 itens que foram analisados. Por isso, Kilder e Roberto, não precisam se preocupar que tanto os ciclistas como os pedestres estão em análise, também, neste trabalho que será apresentado daqui uma semana.