Conte Sua História: O Criador de Outdoor

Um negócio extinto pela lei Cidade Limpa é o tema deste “Conte Sua História de São Paulo” de autoria do ouvinte-internauta Rodolfo De Miccolis. Ele fala do avô italiano que nos anos 1950 investiu na criação de painéis publicitários:

Você acessa diariamente neste blog textos que foram ao ar no programa “Conte Sua História de São Paulo”, nas edições de sábado do CBN SP. Participe enviando seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

IPVA não incentiva carro flex, em São Paulo

O proprietário de carro flex paga a mesma alíquota de IPVA (4º/o) que os donos dos veículos a gasolina, em São Paulo. Até mesmo aqueles que tem motor movido a gasolina, álcool e GNV vão “marchar” com 4% do valor do carro. A lei estadual beneficia apenas quem tem carro exclusivamente a álcool. Segundo o diretor-adjunto da administração tributária da Secretaria da Fazenda de São Paulo, Edson Peceguine, a lei estadual é dos anos 1980 e tinha como objetivo incentivar o uso do álcool.

A mudança da lei beneficiando os motoristas que poluem menos o meio ambiente dependeria apenas de decisão do governador José Serra que poderia enviar projeto para a Assembléia Legislativa e usar de sua persuasão para convencer os deputados da base aliada – que são muitos – a aprovarem a mudança de alíquota: carros flex pagariam apenas 3º/o sobre o valor da venda. Para isso teria de haver interesse político e abrir mão de parte da arrecadação do Estado.

O secretário do Meio Ambiente, Xico Graziano, poderia ser um aliado do contribuinte paulistano e defender a idéia no Palácio dos Bandeirantes.

Já o representante da secretaria da Fazenda Edson Peceguine teve dificuldade para explicar porque não ocorre esta mudança e, ao fim da conversa, preferiu o silêncio como você pode conferir neste trecho da entrevista que foi ao ar no CBN SP:

Irmã Ivete de Jesus: “Não sou freirinha de convento”

Em 1969, quando deixou a cidade de Santos para fazer a Faculdade de Pedagogia e Teologia, na capital, Ivete de Jesus imaginava trabalhar em convento. Encontrou em São Paulo um povo em ebulição, era o período da ditadura militar. Não se contentou em ser uma ” freirinha de convento” – expressão cunhada pela própria – e foi dormir ao lado dos moradores de rua para entendê-los e ajudá-los. Enfrentou a fase do “passe de trem” nos anos de 1980 quando os mendigos eram mandados embora da cidade e voltavam em seguida. Encarou políticas de “limpeza pública” que espantavam os moradores sem dar-lhes atendimento. Ajudou a organizar catadores de lixo que hoje atuam com material reciclável. “Aposentada”, a Irmão Ivete de Jesus inventou a “Cor da Rua” uma espécie de “Casa Cor” com móveis recuperados do lixo, que estão em exposição permanente na rua dos Estudantes, 483, bairro da Liberdade.

A entrevista completa da Irmã Ivete de Jesus no quadro “Quem Faz São Paulo” você acompanha na página especial da CBN sobre o aniversário da capital paulista. No dia 25 de janeiro, sexta-feira, o CBN SP será apresentado, ao vivo, a partir das 9h30, no Pátio do Colégio.

Quintanares, um registro histórico do poeta da minha família

Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Com estes versos Manuel Bandeira homenageou o poeta gaúcho Mário Quintana, em 1966, no salão da Academia Brasileira de Letras, que jamais iria aceitá-lo entre os imortais. Seu corpo franzino não combinaria mesmo com o fardão verde-escuro e o chapéu de veludo preto que vestem os membros da Academia. Acostumei-me a vê-lo de calça de tecido, camisa social de colarinho aberto e um paletó desajeitado, enquanto caminhava com ajuda de uma bengala nas proximidades da Praça da Alfândega, no centro de Porto Alegre. Era bem menino, ainda, mas lembro de o poeta ter dirigido a mim e a meu irmão algumas palavras, sempre seguidas de uma risada, quando o encontrávamos na redação do jornal Correio do Povo, nos plantões de fim de semana.

Naquela época vê-lo tão de perto era como enxergar a cara de um anjo que vinha do céu. Ao crescer descobri que era um anjo sapeca, divertido na forma, malicioso no conteúdo e melancólico, muitas vezes. Um anjo Malaquias, talvez.

Sempre me achei privilegiado por ter a oportunidade de ficar tão próximo do poeta. Sorte mesmo teve meu irmão, Christian, descrito por ele como personagem que havia escapado das histórias em quadrinhos. Estes dias soube que uma das minhas primas, a escritora Cláudia Tajes, que também fazia suas incursões carregada pelo pai, Tito Tajes, ao Correio do Povo, chegou a ganhar um poema de Quintana. Meu padrinho, o Tito, um jornalista de mão cheia, trabalhava no jornal próximo dele.

De todos nós, coube a meu pai, Milton Ferretti Jung, algumas regalias. Além de compartilhar tragadas de cigarro ao lado do poeta, sentado no balcão do Bar da Rádio (era como chamávamos o bar que servia os funcionários da Companhia Jornalística Caldas Júnior), foi convidado para interpretar as poesias de Mário Quintana em um programa na Rádio Guaíba de Porto Alegre batizado “Quintanares”. Durante dez anos, entre as décadas de 1980 e 1990, os ouvintes acompanharam, diariamente, os versos de um dos mais geniais poetas brasileiros na voz dele. A maneira como reproduziu a expressividade desses versos lhe rendeu elogio do próprio autor: “Você é a minha Berta Singerman” – referência a declamadora argentina que fez sucesso no Brasil interpretando textos de Carlos Drummond de Andrade e Mário de Andrade, entre outros modernistas.

Quase me atrevo a dizer que o poeta fazia parte da nossa família. Pensando bem, fazia mesmo. Aliás, faz. Está na memória. Na estante de livros. E, a partir de agora, no nosso blog, também.

Por sensibilidade do Christian, aquele das histórias em quadrinhos, algumas edições de “Quintanares” ficaram gravadas. O CD foi parar nas minhas mãos e, a partir de hoje, todas terças e sábados, algumas dessas poesias serão reproduzidas aqui, na voz de Milton Ferretti Jung, com o consentimento dele, é lógico.

Para a estréia deste quadro, você ouve “A Primeira Aventura”:

Ruy Ohtake: a cara da cidade

É ruim andar nas calçadas da cidade e, por isso, o arquiteto e urbanista Ruy Ohtake não consegue atender a um dos pedidos de seu médico particular: caminhar. A preguiça também está por trás desta falta de vontade de passear pelas ruas do Itaim, onde mora, atualmente, como confessou na entrevista ao CBN SP que abriu a série “Quem faz São Paulo” em homenagem ao aniversário da capital paulista. Nada disso o impediu de ir longe e percorrer bairros periféricos e favelas intermináveis como a Heliópolis, na zona sul, onde desenvolve um de seus muitos trabalhos sociais.

A entrevista completa do arquiteto e urbanista Ruy Ohtake você encontra na página especial da CBN sobre o aniversário de São Paulo.

Além do quadro “Quem faz São Paulo”, a CBN leva ao ar mais dois programas: “As mil faces de São Paulo” e “São Paulo, berço do futebol”. No dia 25 de janeiro, o CBN São Paulo estará, ao vivo, com atrações musicais, no Pátio do Colégio.

E o vencedor é …

Vencedor, não. Vencedora. Miriam Silva foi a primeira a acertar a resposta entre os quase 70 participantes da brincadeira de fim de ano promovida pelo nosso blog com a fotografia dos tempos de criança dos âncoras da CBN. Boa de olho e de percepção, às 9h44, do dia 28 de dezembro, data na qual postei as imagens, ela já estava com a relação correta dos nomes e vai receber um exemplar do livro “Conte Sua História de São Paulo”. Doze pessoas depois dela também conseguiram encontrar semelhanças entre os meninos e meninas das fotos e os atuais apresentadores da CBN. Ou encontraram semelhanças ou apenas chutaram.

Muita gente entrou no clima da brincadeira e não se conteve em apenas relacionar os nomes, deixou comentários sobre os fotografados. Falou-se do topete inconfundível do Heródoto, e da foto atrevida, também. Houve quem notasse o brinco da Roxane, a pose do Sardenberg ou o olhar do Juca. Do Nonato e do Piotto outras características se sobressaíram ajudando alguns dos participantes a acertarem os nomes.

Curioso foi notar que muita gente me enxergou por trás da roupa de caipira (afinal, sou gaúcho) ou vestido a rigor e com as mãos no bolso (devem acreditar na imagem construída pelos comentários do Heródoto Barbeiro). Quem está na festa de São João é o Piotto e quem faz pose de bacana é o Sardenberg.

Obrigado a todos que aceitaram entrar nesta brincadeira e aos meus colegas que permitiram a publicação das imagens que fazem parte de suas recordações pessoais. Parabéns a Miriam que vai receber um e-mail para que a gente combine como será entregue o livro “Conte Sua História de São Paulo”, lançado pela Editora Globo.

Abaixo você confere um por um e compara com a sua resposta.

Adalberto Piotto em versão caipira

Roxane Ré sempre charmosa

Roberto Nonato no 3 por 4

Heródoto Barbeiro no primeiro ensaio sensual

Juca Kfouri no chá de cadeira

Carlos Alberto Sardenberg no Dia da Foto, em Botucatu-SP

Este sou eu (sem comentários)

“Conte Sua História de São Paulo” estréia na internet

Feito para ficar no ar durante os dez dias que antecediam a festa dos 452 anos da cidade, o quadro Conte Sua História de São Paulo é apresentado até hoje dentro do programa CBN São Paulo – sábado, logo após às 10 da manhã. Há pouco mais de um ano transformou-se em livro, lançado pela Editora Globo. E para as comemorações deste aniversário da capital paulista, ganha espaço diário aqui no blog.

Os relatos dos ouvintes-internautas são de momentos vividos em São Paulo, alguns muito particulares e outros dramáticos. Há aqueles que homenageiam alguém da família ou um personagem marcante do bairro. Situações que na maioria das vezes emocionou quem, pelo rádio, ouviu cada um desses capítulos.

A trilha e os efeitos sonoros que deram ritmo ao texto são de responsabilidade do Cláudio Antônio e do Paschoal Junior, uma turma de primeira que trabalha com a gente na rádio.

Para abrir esta série, vamos reproduzir o texto “A Torre da Igreja” baseado na história da ouvinte-internauta Izabel Viana:

Envie o seu texto para o endereço eletrônico contesuahistoria@cbn.com.br

De contribuição e retribuição

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Designers e artistas de todas as áreas, alonguem as asas da criatividade! Aliás, é hora do povo espreguiçar corpo e mente, e sair da inércia tropical e do papo valente e inconseqüente de fundo de quintal. Queremos colchões com compartimentos para guardar dinheiro e jóias. Pobres banqueiros ricos! Passaremos por calçadas opostas às suas, depois de fecharmos nossas minguadas contas. Jóias, para quê? Pela correntinha dourada, seu moço, corre-se o risco de perder o pescoço. E, atenção, se o seu relógio for roubado, mantenha-se calado, para não melindrar o meliante. Gastar seus reais para viajar? Nem pensar. O Grande Irmão, demagogo e populista, ameaça te enquadrar. Acordem, mentes brilhantes; é preciso ousar, atiçar, converter, subverter a fim de se proteger.

De estudar pode esquecer, que cultura aqui virou defeito. Vamos cruzar os braços, jogar baralho, descansar o esqueleto em redes esticadas nas árvores que sobrarem, do desmatamento que ninguém vê, encher a cara de cachaça, morar em agrupamentos e viver do Bolsa Família que é mais seguro e não cansa. Dane-se o país e o rio São Francisco, que o Grande Irmão vai mudar tudo mesmo, como nunca antes se fez! De empreender, nem cogite, pra não ser rotulado de elite.

O menino mimado e recalcado pela infância pobre, e que agora tem vida de rei, perdeu uma partida e ameaça levar a bola para casa para jogar com a camarilha. Estilistas, avante com lápis e tesouras! O povo precisa de cuecas e calcinhas funcionais, não para guardar dólares surrupiados, mas uns parcos reais suados.

Brasileiro sonega sim, você sabe tão bem quanto eu; mas sonega por quê?
Brasileiro sonega, não porque não concorde com justa distribuição de renda; sonega porque rechaça o assistencialismo obsceno, praticado pelo pacau de plantão. Brasileiro não deixa de pagar imposto por gosto, por não querer que o país seja como a Suíça, onde tudo funciona. Brasileiro não sonega porque abomina privilégio de primeiro mundo. Brasileiro deixa de pingar alguns reais nos cofres públicos para impedir que o fruto de seus esforços, honestos na grande maioria, termine nas mãos de vagabundos, ou em cuecas escusas de políticos deslavadamente sujos.

Brasileiro sonega sim, para pagar do próprio bolso a substituição de pneus estourados, em crateras aviltantes, nas estradas do país. Brasileiro paga 2/3 de imposto porque recebe zero de assistência à saúde e zero de segurança pública, 1/8 na área da educação, iluminação meia boca e 1/10 do que a dignidade humana, esfacelada constantemente, merece. Brasileiro sonega porque cansou de ver farra e lambança e de ouvir histórias pra criança. Cansou de ver homens e mulheres do planalto encherem as burras de dermatologistas, cirurgiões plásticos e estilistas da hora, e de sorriso zombeteiro na cara, pateticamente esticada, de político de meia tigela.

Se você movimenta, no banco, a fortuna de R$ 833,00 por mês, meu amigo, cuide-se e seja ágil, porque o leão quer mais pra comprar eleitor no próximo sufrágio. Acorda Brasil, é 2008!

Pense nisso, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano

Está na hora da folga !

Amigos e amantes, amados e sacaneados, caro ouvinte de outrora, de última hora e de a qualquer hora, estão todos de folga deste jornalista até o dia 7 de janeiro quando retomo as atividades no CBN São Paulo. Deste sábado até lá ficarei fora do ar, com as pernas para cima, ou batendo pernas, dependendo dos convites que chegarem.

Ano que vem, assim que voltar para a apresentação do CBN São Paulo trarei para este blog novidades já que estaremos nos preparando para comemorar mais um aniversário da nossa cidade. Deixe agendado para o dia 25 de janeiro uma visita ao programa especial preparado pela rádio CBN.

Enquanto isso, aproveite-se do talento de Simone Queiroz que estará no comando do CBN São Paulo. E não deixe de participar da brincadeira de fim de ano e descobrir quem são os âncoras que aparecem um pouco mais abaixo nas fotos dos tempos de criança.

Um 2008 com ótimas notícias para todos nós.