Avalanche Tricolor: mantida a tradição!

Grêmio 0x1 Inter

Gaúcho — Arena Grêmio

Geromel em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Estou diante de uma página em branco há algum tempo, a espera de criatividade para conversar com você sobre o Gre-Nal Corujão que assistimos na noite de ontem, disputado em Porto Alegre. Pode ser falta de foco, provocada  pelas poucas horas de sono; pode ser falta de inspiração, por não ter encontrado em campo a mesma precisão no ataque que nos garantiu a passagem à final do Gaúcho, ainda no primeiro jogo da semifinal. Talvez, porque fiquei tentado a falar da violência que voltamos a assistir dentro do estádio, e, confesso, o assunto não me é atrativo, a despeito da sua relevância e necessidade de encontrarmos alguma saída civilizada — até porque essas cenas tem se transformado em marca do clássico, e isso é ruim. Uma tradição a ser abandonada o mais breve possível!

Sobre o tema, a fala de Geromel ao fim do jogo além de cirúrgica foi simbólica ao ser interrompida por outro inusitado caso de violência, em que um funcionário, contratado pela administração da Arena Grêmio, e colorado pelo que se pode entender, resolveu “zoar” os jogadores gremistas ao fim da partida e provocou a reação agressiva de agentes de segurança e atletas. 

“Infelizmente, teve confusão desnecessária, a gente cobra paz, mas tem que começar pela gente para dar exemplo. Conversar para não acontecer novamente. Como eu disse, temos que ser exemplo. A gente reclama, cobra paz e chega aqui e dá mau exemplo”.

Antes de ser interrompido, Geromel falava do embate dos jogadores quase ao fim da partida em que Ferreirinha foi derrubado com um encontrão por um adversário em resposta a comemoração efusiva por alguma conquista que a televisão não me mostrou muito bem. Nosso atacante acabou expulso sem sequer ter reagido a agressão. Punido e fora da primeira partida da final por vibrar em um jogo vibrante? Estranho! Depois, como dois moleques de colégio, os envolvidos e expulsos tentaram se engalfinhar no corredor do vestiário. Dessa vez, os agentes de segurança fizeram seu papel. Proteger!

Quem se protegeu bem foi o Grêmio, apesar do sofrimento que ofereceu aos torcedores — achei que teve proteção de mais para ataque de menos. 

Fiquemos com a parte boa da proteção: Breno está de volta, ganha segurança, fez uma defesa importante e no gol que tomou nada podia fazer. Geromel … esse é gigante! Impressionante o que joga nosso zagueiro, além de ser uma pessoa exemplar dentro e fora de campo. Colocou mais um atacante no bolso; e com o apoio de Bruno Alves que tem se mostrado cada vez mais equilibrado na posição. Quem também não deu chance enquanto esteve em campo, foi Rodrigues que, claramente, tem apoio total do torcedor. 

No meio de campo, Lucas Silva jogou por dois — se é que você me entende. E com a bola no pé, mesmo que mais lento na saída de jogo, soube acionar Campaz, nosso melhor jogador do ataque. O colombiano está cada vez mais à vontade jogando pelo lado direito e tem uma fome de gol que impressiona. Chutar é quase uma obsessão!

Se a vitória não veio, o resultado foi na medida certa. Manteve a decisão na Arena e a tradição: pelo sexto ano consecutivo estamos na final do Campeonato Gaúcho. Essa sim uma tradição que podemos manter por um bom tempo!

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: cuidado com a tentação de querer ser jovem e moderno

Farinha Dona Benta é um exemplo de marca que mantém as raízes Foto: Kaique Lopes on Pexels.com

“The fruits are in the roots” 

Joey Reiman, sócio-fundados da Bright House

A frase “os frutos estão nas raízes” surgiu originalmente em inglês, língua pátria do publicitário Joey Reiman, e inspirou seus sócios aqui no Brasil de tal forma que até hoje se ouve esta máxima nas conversas, formais e informais, de Jaime Troiano e Cecília Russo. Foi assim, no inglês mesmo, que eles trouxeram o assunto para o nosso bate-papo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. E se o fizeram era pela lição que não deve ser esquecida por marcas e por pessoas: o respeito às suas raízes.

Especialmente em momentos de enorme e rápida transformação, como este que vivemos, é enorme o risco de as empresas e seus gestores terem ideias “geniais, jovens e modernas”. Isso significa que as marcas estão condenadas a serem o que sempre foram? Não, necessariamente! No entanto, qualquer mudança que se pretenda fazer, precisa estar conectada com a sua história: 

“Aquilo que as marcas são nos momentos ou anos iniciais de suas vidas determina como ela se desenvolverá e será vista no decorrer de sua história. Essa é uma visão fundamentalista? Uma condenação que as engessa para sempre? Não. Ao contrário, é a verdadeira fonte de oportunidades que a marca pode aproveitar. É sua fonte de inspiração. É aquilo que faz dela ser ela mesma”

Jaime Troiano

A forma como as marcas são vistas pela sociedade não nasce de repente, fruto de de uma nova campanha de comunicação, de uma nova ação digital ou de uma decisão gerencial de alta direção. O fruto está nas raízes … ops, perdão pela redundância: 

“Como psicóloga, eu aprendi na vida do meu consultório, na vida da minha psicoterapia, nos cursos que fiz, nos livros que li que as raízes nos perseguem, nos orientam, nos inspiram a vida toda. Lembrei de uma coisa: a sombra do Peter Pan fugia dele e precisou ser costurada. Nossa raízes e das marcas não precisam ser costuradas, elas não se descolam de nós”. 

Cecília Russo

Uma das marcas que ilustram bem essa verdade é a ‘Dona Benta’, criada em 1979, pela A.J Macedo, uma empresa que atua no mercado de moagem de trigo. fundada em 1939. Sempre obedeceu suas raízes ao trabalhar com produtos relacionados a comidas saborosas e com “receitas de carinho”, que é o seu lema. A farinha de trigo, os cookies, a mistura pronta para bolo .. todos são frutas das suas raízes, ou seja, do trigo. 

“As marcas que ignoram suas raízes, porque querem dar um salto maior que a perna ou porque um novo dirigente da empresa quer impor uma nova identidade à marca, sempre quebram a cara. O tempo senhor da razão!”

Cecília Russo

Uma área em que a busca pela modernização põe em perigo a manutenção de uma marca é a do setor de bancos, a media que se tem uma ebulição digital, das fintechs, do open banking, do banco digital. Uma transformação que faz com que alguns bancos esqueçam de que solidez, maturidade confiabilidade são as raízes mais importantes de uma instituição financeira: 

“O Itaú é um belo exemplo do quanto o respeito por suas raízes, tem sempre inspirado o crescimento e prestígio do banco. Aliás, seria coincidência que a raiz da palavra Itaú em tupi-guarani significa pedra preta? E se há uma sólida é uma pedra, né?”  Cecília Russo

Diante de todas essas referências, a marca do Sua Marca não poderia ser outra, diz Jaime Troiano: 

“Para as marcas também, assim como para muitas outras coisas na vida, ‘the fruits are in the roots’.”

Jaime Troiano

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo. O programa vai ao ar, no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h55 da manã.

Avalanche Tricolor: o Gre-Nal de Roger!

Inter 0x3 Grêmio

Gaúcho – Beira-Rio, Porto Alegre/RS

Roger em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Roger completou, neste sábado, um mês no comando do Grêmio, nesta sua segunda passagem como técnico. A estreia dele na ‘casamata’ foi em 19 de fevereiro, com uma goleada pelo Campeonato Gaúcho. Quatro semanas e seis jogos depois, voltou a golear, agora no clássico e na casa do adversário —- um resultado que deixa o time muito próximo da final da competição.

Se Elias, Bitello e Diego Souza foram os jogadores que fizeram os três gols gremistas, a goleada foi por obra e graça de Roger, que soube, no pouco tempo que teve para trabalhar, entender o elenco que tem em mãos e construir uma estratégia apropriada para essa primeira “semi-decisão”.

A mão do técnico começou a funcionar nas escolhas que passou a fazer algumas partidas atrás, quando ainda estava tateando o grupo e tentando enxergar as soluções disponíveis. No gol, deu segurança a Breno, definindo-o como titular. 

Não se acanhou em deslocar o zagueiro Rodrigues para a lateral direita, ao perceber que ele tem força na marcação, habilidade para levar a bola e velocidade para sair de trás. Com isso, ainda pode contar com o cacoete do zagueiro que fecha na área, ao lado de Geromel e Bruno Alves. Eles, a dedicação de Nicolas na esquerda, e o sistema defensivo de Roger foram imbatíveis, nesta tarde de sábado.

Roger também mexeu no meio de campo, recuando Lucas Silva e deixando Villasanti e Bitello um pouco mais à frente — os dois com boa saída de bola e chegando rápido ao ataque. Todos com a missão de não dar espaço ao adversário —- o que havia sido fatal no último clássico. 

No ataque, mesclou o talento de Campaz, a velocidade de Elias e o incômodo que Diego Souza provoca nos marcadores — só de estar em campo já causa frisson entre os zagueiros que conhecem o histórico de gols dele em clássicos. Como nosso treinador sabia da necessidade de um sistema compacto para evitar o toque de bola adversário, fez com que os dois atacantes que jogavam aberto, se revezassem na volta para a defesa; sempre ficando um mais à frente para escapar em direção ao gol. 

Foi em uma dessas escapadas, ainda aos dez minutos de partida, que se iniciou a goleada, construída por Roger no vestiário. Depois de a defesa interceptar duas tentativas de ataque, Nicolas encontrou Elias correndo por trás dos marcadores. Aos 22, foi a vez de Bitello fazer o seu com mais um chute atrevido de fora da área, em uma bola que o Grêmio interceptou quando forçava a marcação perto do gol adversário. O terceiro, já no segundo tempo, também foi fruto de uma roubada de bola, que culminou no pênalti em Elias, muito bem cobrado por Diego Souza.

Roger ainda tem muito a fazer neste time. E sabe disso. Está ainda tentando implantar o futebol de aproximação, triangulação e movimentação rápida do qual é admirador. Precisará de um pouco mais de tempo, apesar de nos poucos lances em que estivemos com a bola, se perceber que alguns jogadores já conseguem rascunhar a ideia do treinador. 

Com um mês ao lado do campo, Roger corrigiu defeitos, ajustou peças, e tirou o que pode de cada um dos jogadores à disposição. 

O Gre-Nal 436 foi o Gre-Nal de Roger!

Mundo Corporativo: Sandra Nalli, da Escola do Mecânico, ensina que lugar de mulher é onde ela quiser

Foto divulgação da Escola do Mecânico

“Quanto mais você estuda,  mais capacitado você se torna”

Sandra Nalli, Escola do Mecânico

Loira, baixinha e mulher! Diante desse perfil, homens — especialmente homens — se espantavam quando chegavam no centro automotivo em que Sandra Nalli trabalhava, em Mogi Mirim, interior de São Paulo. Ela não era a recepcionista. Era a mecânica! Era quem dava as ordens no local. Com a sabedoria de alguém que começou cedo na profissão e sempre apostou no conhecimento como diferencial, Sandra se agigantava assim que passava a ensinar os motoristas sobre o que impedia que seu carro estivesse funcionando bem.

Tinha apenas 14 anos quando começou a receber aulas de  mecânica na oficina em que trabalhou. Foi jovem aprendiz. Depois, decidiu levar a prática para jovens internos da Fundação Casa. Nesse momento, percebeu o quanto poderiam ser transformadores na vida daqueles meninos e meninas os ensinamentos que havia acumulado até então: 

“A empresa que eu gerenciava, que era uma rede de serviços automotivos, precisava contratar profissionais qualificados e eu não encontrava no mercado. Aí, comecei a fazer esse trabalho dentro da fundação. E a observar que tinham meninos que de alguma forma poderiam ser recuperados, voltar à sociedade e, até mesmo, serem incluso no mercado de trabalho”.

Ao programa Mundo Corporativo, Sandra Nalli disse que o trabalho voluntário na Fundação Casa, começou a ganhar forma de negócio quando alugou um pequeno escritório no centro de Campinas e mandou grafitar na parede: “Escola do Mecânico”.

“Eu acabei quebrando algumas barreiras e hoje eu tenho bastante orgulho em dizer que eu sou a fundadora da Escola do Mecânico e que nós temos um grupo de mulheres que estudam com a gente também e que a gente pretende incluí-las no mercado de trabalho”

A sala transformou-se em escola, e a escola em uma rede que, atualmente, tem 35 unidades, em nove estados brasileiros. Naturalmente, a escola passou a ter “cadeiras” ocupadas por meninas, inspiradas na história de Sandra. O sucesso e protagonismo dela também abriram o olhar de parceiros de negócios que entenderam que não existe reserva de mercado para homens:

“A gente tem depoimentos aqui de alguns colegas, donos de oficinas, que em um primeiro momento tinham restrições em contratar mulheres mecânicas. Hoje, a gente tá com o segundo pedido de colocação de mão de obra (feminina) para mesma mesma oficina. Significa dizer que que foi bem sucedido, né?”.

Em 2018, Sandra deu mais um passo na sua jornada para criar oportunidades no mercado de trabalho, criou o “Emprega Mecânico”, um aplicativo que conecta empresas e oficinas com profissionais em busca de emprego:

“O mecânico não está no Linkedin, e a nossa ferramenta é adaptada para esse tipo de ofício”.

Além de mecânico, a intenção da Escola é preparar os alunos para serem gestores dos seus negócios. Assim como Sandra foi aprender no Sebrae sobre a necessidade de criação de um plano de negócios, identificação de barreiras e oportunidades, localização do empreendimento e fluxo de caixa, agora transfere esse conhecimento aos estudantes. De acordo com a executiva, 20% dos alunos querem empreender, abrir um negócio próprio — uma oficina de motocicleta, de reparos automotivos, de caminhões, ônibus e maquinário agrícola. 

Além do conhecimento técnico e das estratégias de gestão, Sandra Nalli ensina na Escola do Mecânico, que é preciso ser resiliente diante das dificuldades que se tem para empreender no Brasil, especialmente se forem mulheres; disciplina, muito estudo e muita coragem:

“Eu me lembro quando eu fui empreender. As pessoas diziam assim: você tá louca, vai sair de um emprego, você tem um emprego extremamente interessante, você levou 20 anos para chegar nessa posição e agora vai pedir demissão. Se eu acredito no  que eu vou fazer, então, tem de quebrar o paradigma do medo, também!”

Em tempo: “loira, baixinha e mulher”, foi assim que Sandra Nalli se descreveu durante a entrevista, tá!

Assista ao programa Mundo Corporativo da CBN com Sandra Nalli, fundadora da Escola do Mecânico

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no canal da CBN no YouTube, no Facebook e no site da CBN. Colaboram com o programa: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: que sorte!

Por Janessa de Fátima Morgado de Oliveira 

Ouvinte da CBN

Photo by FELIPE GARCIA on Pexels.com

 

Quando era criança, pensava que tinha sorte por ter nascido em São Paulo. Não me lembro o que me levou a pensar assim. Acho que foi quando comecei a ter aulas de Geografia, quando aprendi sobre as migrações e o que motivava tanta gente de outras regiões do país a migrarem para lá, onde eu morava.

Já na adolescência, comecei a ter mais motivos para reforçar esse pensamento.

Nunca fui de sair muito. Minha diversão era estudar e aprender. Comecei nessa fase da vida a perceber o quanto a cidade tinha para me oferecer. Tinha como ter um ensino de qualidade, porque dispunha de ótimas escolas, públicas e particulares. Tinha acesso a uma biblioteca, que ficava perto de minha casa, além de ter o Museu do Ipiranga como um quintal. 

Cresci e a cidade cresceu para mim. Quando saí do ginásio e fui para o colegial, mudei de escola e diariamente embarcava no ônibus Pinheiros para o Paraíso. Levava de 20 minutos a meia hora para chegar à escola. 

Conheci o Centro Cultural São Paulo! As rampas de acesso que se cruzavam em planos diferentes me mostravam outras pessoas como eu, com interesses semelhantes. Foi nesta época que também conheci a Liberdade e a feirinha montada aos fins de semana. Até novos sabores me foram apresentados! Foi quando tomei, pela primeira vez, um Mumy de maçã, que hoje é o Mupy.

O fluxo de crescimento me levou a sonhar com a USP. Queria fazer uma boa faculdade, mesmo sem saber, ainda, qual seria a profissão que abraçaria. Todo meu foco estava em estudar para alcançar meu objetivo. Foi assim que meu mundo cresceu mais um pouco, me levando a conhecer o Campus da Cidade Universitária, no Butantã. Entrei pela primeira vez lá no dia em que fui me matricular no curso de Farmácia-Bioquímica. Precisei de uma “guia” para chegar até a faculdade. 

Trabalhei na Freguesia do Ó. Passava pela Av. Rio Branco, Av. Rudge, pelo Largo do Arouche ou pelo alto de Pinheiros.

Meu filho nasceu também paulistano. A cidade dele foi diferente, andando de metrô lotado desde cedo, na linha verde, para ir à creche da Faculdade de Saúde Pública — foi onde fiz meu mestrado e doutorado. Tentei oferecer a ele a melhor versão de São Paulo.

Essa a cidade em que vivi por 44 anos e que fez de mim muito do que sou. Que me emociona por ser tão generosa.

Cidade que continua a receber gente. Os refugiados da Síria, o povo vindo da Bolívia para trabalhar no Bom Retiro. São Paulo também exporta gente. É o meu caso. Nos últimos anos que vivi na capital, a vida foi difícil. Desemprego! Nunca tinha pensado que sairia da cidade onde tive a sorte de nascer. As circunstâncias me fizeram olhar para fora e consegui uma oportunidade de trabalho em Portugal.

Porque ela me deu tanto, a cidade, faço o mesmo por ela. Sou, aqui, uma paulistana. Generosa, como São Paulo, ensino e provo ao mundo que ela tem muito mais do que quantidade. Ela tem qualidade!

Janessa de Fátima Morgado de Oliveira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Quer ouvir outras histórias, viste o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: em busca da simplicidade de Da Vinci e do ladrão de patos

Photo by Gustavo Gimenez on Pexels.com

“A simplicidade é a suprema sofisticação” 

Leonardo Da Vinci

Que a frase de Da Vinci se transforme um dia em mantra do branding! Essa é a esperança de Jaime Troiano, incomodado com a maneira de algumas marcas se comunicarem, com a sobreposição de conceitos, com arquiteturas de marcas que mais se parecem com um puxadinho e com soluções de design extremamente rebuscadas. E olha que o Jaime não é um cara de se incomodar com pouca coisa. Quem o conhece nos bastidores, sabe que humor — o bom —- é uma das suas marcas.

A necessária e sofisticada busca da simplicidade foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Jaime e Cecília Russo identificaram três razões para algumas empresas, produtos e serviços insistirem na complexidade da comunicação:

A primeira é a dificuldade que profissionais têm de fazer escolhas, abrir mão e depurar aquilo que verdadeiramente importa. Preferem falar muito achando que dessa forma não estarão deixando nada de fora. Ledo engano!

“O resultado disso é vermos uma enorme confusão e, de tudo, fica nada”

Jaime Troiano

A segunda é porque existe ainda uma mentalidade, em alguns segmentos profissionais, que associa complexidade com valor. É aquela visão que acredita que, se eu colocar várias coisas sobre uma marca, ela irá demonstrar superioridade. Se falar pouco, ficará apequenada. 

A terceira razão é que ser simples é muito mais difícil do que ser complexo. Para se chegar a uma ideia simples é preciso analisar, selecionar, depurar, organizar e priorizar. É preciso pensar muito para partir do complexo e se chegar no cerne, no verdadeiro insight. Enfileirar uma lista de características da minha marca é muito mais fácil. 

“Desde lá de trás, quando Nike assinava “Just do it” ou quando Bayer fala “se é Bayer é bom”, em ambos os casos, estamos falando de ideias simples, que trazem uma mensagem fácil de ser assimilada. Não estou julgando o valor dessas ideias, apenas as trazendo para falar desse ângulo, da simplicidade”

Cecília Russo

Ouça aqui o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo

Em tempo: pra provar que o Jaime, mesmo quando incomodado com algo é bem humorado, na marca do dia, lembrou de história que teria sido protagonizada por Ruy Barbosa e ilustra quão simples devemos ser ao transmitirmos nossas ideias e mensagens. Reproduzo, a seguir, vídeo em que Sílvio Matos, humorista e ator, conta o caso do doutor e do ladrão de patos:

Avalanche Tricolor: Limonada vive!

Grêmio 2×0 Ypiranga

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Campaz comemora gol olímpico. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Sou do tempo do Banha, massagista que fez história no Grêmio. Resolveu a situação de muito jogador com a musculatura desajustada. O fisico avantajado e a gordura que lhe renderam o apelido eram superados por uma habilidade e velocidade impressionante sempre que era chamado a intervir no gramado. Naquela época, massagista fazia parte da estratégia de jogo: conforme o placar e os interesses do técnico e do time, entrava com maior ou menor rapidez no gramado, assim como estendia ou buscava um atalho no tratamento de emergência,. Na foto clássica do título mundial, de 1983, lá estava perfilado, ao lado do time, o saudoso Banha.

Outros nomes entraram para a história do clube, sem que necessariamente tivessem tido a oportunidade de vestir a camisa do time. De presidentes inesquecíveis, como Hélio Dourado, a treinadores geniais, como Oswaldo Rolla, o Foguinho. Dos massagistas, além do Banha, a quem conheci pessoalmente, e fui cliente, havia o Limonada, que cheguei a usar os serviços quando ele estava iniciando carreira e eu era um eterno lesionado nas quadras de basquete.

Neste fim de semana, Limonada teve seu nome lembrado na Arena do Grêmio. Nome e sobrenome: Darli João da Silva. Foi após a assessoria de imprensa do clube anunciar que seria realizado um minuto de silêncio em homenagem ao funcionário tão querido que teria nos deixado, aos 83 anos. Nas emissoras de rádio, colegas jornalistas reproduziram a informação em tom de lamento; tristeza que durou pouco — ainda bem.

O Grêmio até já havia aberto o placar, com um gol olímpico de Campaz, e o intervalo não havia chegado quando o telefone tocou em um das redações de rádio do Rio Grande do Sul: “Limonada está vivo!”, teria dito o interlocutor que denunciou a “barrigada” gremista. Alertado por uma sobrinha, Dona Liberaci da Silva disse que “o Limão está vivinho aqui em casa. Ele está vivo e bem. Limpa a casa, faz de tudo”. 

Consta que o futebol do Grêmio, também. Graças a Deus!

Mundo Corporativo: Lídia Abdalla, do Grupo Sabin, destaca a riqueza da diversidade nas empresas

Photo by Edward Jenner on Pexels.com

“Quanto mais a gente tiver um time diverso mais a gente vai ter uma empresa com diferentes visões, diferentes experiências. E isso tem um diferencial competitivo para os negócios”

Lídia Abdalla, Grupo Sabin

Diversidade gera mais diversidade. É a conclusão que se chega ao se observar a história do Grupo Sabin, que atua no segmento de medicina diagnóstica desde 1984, quando foi fundado por duas empresárias. Para ter ideia, a instituição hoje tem uma mulher na cadeira de presidente e 74% dos postos de liderança ocupados por mulheres. Do total de 6,3 mil colaboradores, 77% são mulheres. A presidente Lídia Abdalla, que está no cargo desde 2014, ensina que o investimento em equipes heterogêneas do ponto de vista de gênero, etnia e geracional, o respeito às diferenças e o reconhecimento da capacidade de cada um são a principal estratégia para o engajamento dos colaboradores.

“Ficam buscando resposta para “como eu engajo meu time, como o deixo motivado”. Eu digo, deixa as pessoas serem da forma que são e respeite-as de verdade. Isso produz o engajamento das pessoas, um senso de dono do negócio que é impressionante”.

Lídia Abdalla, entrevistada do programa Mundo Corporativo, diz que, além do maior engajamento dos funcionários, por perceberem o respeito que a empresa tem com eles,  o investimento em diversidade também gera uma riqueza maior no debate no momento em que se está em busca do desenvolvimento de novos serviços e produtos.

A executiva traz exemplos da carreira dela para ilustrar como pessoas que se sentem respeitadas têm a tendência de crescer profissionalmente, investindo no seu conhecimento. Entrou na empresa assim que se formou como farmacêutica bioquímica, em 1999. De trainee a presidente, desenvolveu-se em áreas técnicas e gerenciais, fez MBA em gestão de empresas e cursos de finanças corporativas, por exemplo. Com a segurança oferecida pelo grupo, investiu na carreira sem abrir de seus desejos pessoais:

“As minhas escolhas podem ser feitas sem eu ter que abrir mão da minha carreira; sem eu ter que abrir mão, também, de estar buscando conhecimento, especialização e desempenho .O desempenho na nossa atividade como profissional pode, sim, ser conciliado com as nossas escolhas pessoais, também”.

O Grupo Sabin está em 12 estados brasileiros, mais o Distrito Federal, onde foi fundado. Atende a 68 cidades em 318 unidades e tem mais de 6,5 milhões de clientes. Além de contar com a criatividade das equipes internas, que Lídia entende ser resultado da diversidade de gênero, etnia e geracional, mantém um programa de investimento em startups, que permite ter acesso às novidades no seu setor de atuação. 

“A gente é um grande investidor de startups sempre pensando em desenvolver novas soluções para os nossos negócios e também estimulando esse ecossistema de inovação, no Brasil. Há um grande desafio que também é um grande investimento nosso que é a qualificação no desenvolvimento dos nossos profissionais para estarem atentos e acompanhando toda essa evolução tecnológica”.

Assista à entrevista completa de Líder Abdalla ao Mundo Corporativo:

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Renato Barcellos e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: o Butantan do Marcello

Maria Cristina Pereira de Queiroz

Ouvinte da CBN

Foto de Giuliano Maiolini no Flickr

Sou paulistana, nascida há quase 70 anos nesta cidade. Tenho dois filhos e quatro lindos netos. A minha história com São Paulo é muito especial. Na verdade, ela passa pelos olhos e pelo querer dos meus netos.

Desde que o Marcello, o neto mais velho, era pequeno, nosso passeio preferido sempre foi a visita ao Instituto Butantan. Morávamos lá perto e éramos frequentadores assíduos.

O  Museu Biológico, em prédio de 1920; o de MIcrobiologia, idealizado pelo professor Isaías Raw; assim como o Macacário, o Serpentário e os parques encantavam o Marcello.

Esse encanto virou legado. Passou para a irmã mais nova. E para as primas pequenas.

Hoje em dia basta perguntar:

– Gente, o que vocês querem fazer no fim-de-semana?

A resposta é em uníssono:

– Ir ao Butantan, vó!

O mais interessante é que o Marcello tornou-se o monitor das menores. Ele explica para elas tudo que viu e aprendeu durante esse anos. 

Uma das lembranças mais bonitas que tenho é a foto dos meus netos que tirei, há dois anos: os quatro sentados na escadaria de entrada do Instituto. Hoje, ela em um enorme significado: o encanto dos netos, o nosso agradecimento e o orgulho de termos um Butantan, em São Paulo.

Maria Cristina Pereira de Queiroz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Conte você também a sua história da cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: onde está você?!?

Inter 1×0 Grêmio

Gaúcho – Beira Rio, Porto Alegre/RS

Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Abri a porta do armário e na terceira gaveta de cima para baixo, encontrei minha coleção de camisas tricolores. Lá tem modelos de anos históricos e outros esquecíveis. Todas devidamente dobradas, com o escudos à mostra. 

Fui até a sala de televisão e encontrei a camisa de Geromel, estendida, e emoldurada na parede, com destaque para o autógrafo de nosso zagueiro. Ao lado dela, está a de Danrlei, com o branco em destaque e listras transversais em preto e azul nos braços e no peito. Foi de um dos muitos títulos conquistados pelo goleiro que fez história no Grêmio.

No outro canto, encontrei a icônica cadeira de metal que adornava o saudoso estádio Olímpico, devidamente recuperada e repintada no azul claro original, com meu nome. No encosto dela, tem a camisa com o número e nome de Pepê às costas.

Os LPs com o registro de áudio de glórias passada, como o do título brasileiro de 1981, uma série de livros contando nossa história e mais algumas quinquilharias em azul, preto, branco seguiam sobre a estante, que fica abaixo da televisão de tela ampla onde assisto aos jogos do Grêmio.

Depois de me certificar da presença gremista nos armários, paredes e estantes, deitei, fechei os olhos e vasculhei meu coração. E, claro, lá estava meu Grêmio.

Fui dormir com a certeza de que o Grêmio segue por aí, só não foi mesmo a campo, ontem à noite, na rodada do Campeonato Gaúcho! Que volte logo!