Mundo Corporativo: César Souza apresenta 5 lições que temos de aprender com o sucesso da Magalu

“O líder, hoje, tem que estar ligado com essas palavras, que são bonitas, mas tem que ser praticadas: compaixão e amor. Tem que entender a dificuldade dos outros e buscar soluções para a dificuldade dos outros”

César Souza

Se quiser copiar e colar a frase acima e publicar nas suas redes sociais, sem problema. Agradeço de coração! Agora, se for para copiar e colar fórmulas aplicadas por empresas de sucesso, muito cuidado. O alerta é de César Souza, empreendedor de nascença, consultor por profissão e um fã das boas práticas de gestão. Essa é uma das lições que aprendeu ao longo da carreira e compartilhou com os ouvintes, em entrevista ao Mundo Corporativo, quando falou do seu último livro “O jeito de ser Magalu”, o primeiro de uma série em que analisa a história, a estratégia e o desempenho de algumas das principais empresas brasileiras, que podem inspirar os empreendedores:

“Deve servir de inspiração para cada um olhar para sua realidade, e ver o que é que pode fazer dentro da sua própria realidade; e não, simplesmente, aquela ideia, já desbotada, do benchmark, que muita gente vai atrás para ver como é que funciona uma outra empresa para trazer, para copiar, na minha empresa. Eu acho que copiar não funciona”.

Magazine Luiza surge quando o casal Luiza Trajano e Pelegrino José Donato compra a Loja Cristaleira, em Franca, no interior de São Paulo, em 1957. Antes mesmo de inaugurar o novo negócio, Luiza revela uma característica que marcaria o grupo ao longo de sua trajetória: foi a uma rádio local e lançou concurso para que os ouvintes escolhessem o nome da loja. Essa prática está dentro do conceito que César Souza identifica como o da clientividade, que é “colocar o cliente no centro do seu modelo mental, no centro do seu coração, no centro das suas decisões” 

Da ação no fim dos anos 1950 à expansão da rede, da loja do interior paulistano que se transformou em marca nacional à transformação digital, a Magazine Luiza passou por três sucessões —- o que, por si só, já é um tremendo desafio poucas vezes vencido pelas organizações, no Brasil. A fundadora Luiza Trajano entregou o comando para a sobrinha, Luiza Helena. Por um período, a empresa esteve nas mãos de um profissional de mercado, fora da família, Marcelo Silva, que fez a transição para Frederico Trajano, filho de Luiza Helena, e responsável pelo avanço tecnológico que levou a empresa a um outro patamar.

A sucessão exemplar é a primeira de cinco lições elencadas por César Souza que se deve aprender ao analisar a história da Magazine Luiza.  Outra — e já falamos dela — é colocar o cliente no centro do negócio. A lista se completa com a paixão pelas pessoas e equipes, a tecnologia humanizada e o senso de propósito:  

“A Magalu não é uma empresa grande é uma grande empresa. É uma neo empresa … as verdadeiras empresas do século 21. Porque ainda vemos empresas grandes aqui no Brasil que estão no século 20. A Magalu está em 2030. E tem capacidade de servir de exemplo para muitos empreendedores que estão começando os seus negócios”.

Para aprender com as lições ensinadas pela Magalu — sem precisas apenas copiar e colar —-, ouça a entrevista completa com César Souza, no Mundo Corporativo:

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: meu amigo Edinho, o Macalé

Samuel de Leonardo

Ouvinte da CBN

O menino trajava calça curta azul-marinho, camisa branca e, nos pés, exibia um conga — esse talvez novinho. Avistei-o na empoeirada ladeira da antiga Estrada 4, numa manhã de fevereiro de 1964. O período letivo estava começando e nos encontrávamos na estrada que, anos depois, deixaria de ser número e passaria a se chamar Avenida José Joaquim Seabra, no Rio Pequeno, na região do Butantã, em São Paulo.

Aproximei-me e fiz ao menino a mais óbvia de todas as perguntas naquelas circunstâncias: — Você está indo para a escola? De imediato, ele respondeu sim, reforçando a fala com o movimento da cabeça. Depois dessa “densa e longa” conversa, fizemos em silêncio o restante do caminho. Aquele era meu segundo ano na escola e, como se repetiria em todo início de período, estava na expectativa de fazer novos amigos entre a turma da classe — era assim que a gente chamava a sala de aula. As instalações do grupo escolar resumiam-se a dois galpões de madeira, que um dia tinham recebido uma demão de tinta azulada, com vidraças quebradas, tetos sem forro e buracos nas telhas de amianto, por onde entrava a luz matinal. Por coincidência, o garoto que eu acabara de conhecer fazia parte da nova turma.

Nesse breve espaço de tempo teve início uma amizade que perdurou até os dias atuais. Foi também nessa mesma ocasião que descobrimos que apenas algumas quadras separavam nossas casas, e isso contribuiu para que nos tornássemos amigos quase inseparáveis. Edson — nome com o qual eu o conheci — era um menino esperto e se tornou companheiro de incontáveis jornadas. Um dos primeiros talentos que nele percebi e parecia lhe ser inato era a habilidade com a bola de futebol. Enquanto ele a tratava com intimidade, eu só tentava jogar. À dupla original, se juntaram outros garotos da vizinhança — nessa época, era comum que os pais conhecessem quase todos nossos amigos, mesmo que as famílias não se relacionassem ou sequer se vissem. Dos familiares do Edinho — diminutivo pelo qual todos o tratavam — carrego boas recordações do Sr. Antônio, o pai, das feijoadas da Dona Raimunda, a mãe, e das irmãs Cidinha, Lili e Edna, além dos primos Dudu e Carlinhos.

Dele, uma das lembranças frescas em minha memória é sua quase indestrutível farda de bombeiro — enquanto coube em seu corpo, foi usada como fantasia de diversos carnavais. Com o Edson, o Tute — assim eu era conhecido pelos amigos — cursou o primário e o ginasial. Nesse período, exploramos terrenos baldios onde jogávamos futebol e disputávamos partidas de taco e nos aventurarmos a ir mais longe, como nas partidas de futebol aos domingos à tarde no Morumbi, estádio então recentemente concluído.

Aos sábados de manhã, era com ele que eu e outros amigos nos dirigíamos a uma feira livre no Itaim-Bibi para fazer carretos. Ainda nem éramos exatamente adolescentes quando tivemos que abrir mão das brincadeiras de crianças e encarar o batente. Agora era trabalho de dia e estudo à noite. Mesmo assim, continuávamos próximos e juntos concluímos o antigo ginasial e ingressamos no ensino técnico em administração no Colégio Fernão Dias, em Osasco. Nesse período, nos víamos quase que apenas em sala de aula: cada um saía do trabalho direto para a escola.

Edinho estava trabalhando numa empresa do ramo alimentício. Já com mais de 18 anos, a empresa havia colocado um carro à sua disposição. Foi nesse fusca branco que, por vezes, eu e o Keko — outro amigo do bairro — pegávamos carona para voltar pra casa.  O fusca foi também testemunha de nosso primeiro “enquadro”. Numa dessas noites, quando voltávamos da escola, uma viatura da Rota — divisão da Polícia Militar do Estado de São Paulo que já na época era reconhecida pela truculência — nos abordou na Avenida Rio Pequeno, — esquina da Avenida Corifeu de Azevedo Marques. “Delicadamente”, com a arma — uma calibre 12 — engatilhada e apontada para a cabeça do Edinho, o policial gritou: — Parou, parou! Mãos na cabeça, negão! Eu disse as duas mãos.

Enquanto isso, outros dois soldados apontavam suas escopetas para os caronas. Saímos do carro com as mãos levantadas. Grosseiro como só os policiais sabem ser, o trio nos empurrou de cara para o muro e passou a nos revistar. Da minha bolsa, retiraram a marmita, abriram, constataram que estava vazia e, aos risos, abandonaram-na no chão da calçada.

—  Negão, de quem é esse carro e cadê os documentos? — indagou um dos soldados. Calmamente, Edinho entregou os documentos e, de imediato, foi questionado pela “autoridade”: —  Quem me garante que o fusca não é roubado? Sem exibir qualquer traço de nervosismo, Edinho mostrou sua carteira funcional.  Terminada a abordagem, os policiais entraram na viatura e arrancaram sem esboçar um mero pedido de desculpas.

A humilhação de ter a marmita exposta foi até insignificante diante das evidências de racismo praticado pelos militares ao abordar o motorista e tratá-lo sem nenhum respeito. Percebi certo constrangimento na expressão do Edinho. O ato preconceituoso tornou-se marcante em minha vida, pois, se, de um lado, revelou como a polícia tratava jovens da periferia, de outro mostrou a dignidade de meu amigo.

Algumas vezes eu e o Edson saímos juntos à procura de emprego. Em uma dessas jornadas, acabamos indo parar na zona norte de São Paulo. Ali a fome bateu e decidimos almoçar num boteco da Rua Voluntários da Pátria, que tinha no cardápio um prato chamado feijoada. Não tínhamos ideia da qualidade e do que pudesse ser, assim mesmo resolvemos experimentar. A novidade era tão ruim que, ao fim do almoço, meu amigo observou que o melhor daquela feijoada fora o pãozinho, para, em seguida, soltar uma tremenda gargalhada.

Concluído o colegial, seguimos caminhos diferentes e acabamos nos afastando. Nunca, porém, deixamos de nos encontrar. Faculdade, trabalho, casamento e filhos nos tornaram ainda mais responsáveis do que éramos nos distantes anos de nossa infância e juventude. Nos últimos anos, algumas vezes conseguimos almoçar e tomar café juntos. Dele, preservo diversas e boas lembranças — só o fato de me apresentar Billy Paul, mostra o quanto o cara era conhecedor de boa música. Infelizmente, vitimado pelo Covid, Edinho partiu, mas deixou muitas recordações. Ao menos três coisas com ele não consegui aprender: jogar futebol, sambar e tratá-lo por Macalé.

Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Para ler o texto completo desta lembrança dele com o amigo Macalé, visite agora o meu blog miltonjung.com.br. A sonorização é do Cláudio Antonio. Aproveite e envie o seu texto também: contesuahistoira@cbn.com.br

Avalanche Tricolor: sofrer é preciso e acreditar é nosso delírio

Atlético Goianense 2×0 Grêmio

Brasileiro – Castelo do Dragão, Goiania/GO

Kannemann em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

“A única certeza, pai, é que, esteja onde estiver, estarei torcendo pelo Grêmio”. 

Foi o que me disse, em tom de consolo, ao fim de mais uma derrota, o filho mais velho, que, nesta segunda (toc-toc-toc), completou 25 anos de vida. Gregório forjou-se gremista na insistência do pai, na Batalha dos Aflitos, nas Copas conquistadas, nas goleadas sofridas, nas imagens do passado e nas histórias contadas pelo avô.

Por mais gremista que seja, tenho sempre a impressão de que se senta ao meu lado para assistir aos jogos por solidariedade. A despeito do que esteja acontecendo, segue firme nesta missão de acompanhar o pai. Pode ser no cimento do Canindé, aqui em São Paulo, no calor de Humaitá, lá em Porto Alegre, ou nas cadeiras do Zayed Sports City, em Abu Dhabi. Esteve quase sempre comigo – quando não pode, pediu desculpas, como se isso fosse necessário.

Ao certificar-me de seu pensamento, imagino, é como se ele quisesse me dizer que, aconteça o que acontecer, eu não ficarei sozinho. Terei um companheiro para segurar na mão e a me oferecer o ombro, se for o caso de chorar – razões não faltam. Uma forma de amenizar a tristeza que assistir ao Grêmio em campo tem nos causado nesta temporada — exceção a um ou outro lampejo, e ao campeonato gaúcho, onde seremos hegemônico enquanto nossa hegemonia durar.

Há duas ou três rodadas, Gregório tem ensaiado esse discurso. E mesmo que faltem apenas 12 para encerrar o campeonato, não pense — caro e raro leitor desta Avalanche — que ele jogou a toalha. Isso nunca acontecerá porque sabe que sofrer é preciso, e acreditar é o nosso delírio. Está sintonizando com a ilusão que construi recentemente de que estamos fadados a disputar, neste fim de ano, uma espécie de batalha dos Aflitos estendida. 

Queria ter podido lhe dar essa vitória de presente. Mas, infelizmente, isso estava fora do meu controle e, pelo que assistimos, do nosso time, também. Consola-me saber que lhe dei um legado maior do que os três pontos que poderíamos ter conquistado nesta noite. O legado de ser um gremista de verdade — como revela a crença que expôs ao fim do jogo.

Sua Marca: não seja refém da inovação

Jodie Comer em ‘O Último Duelo’Imagem: 20th Century Studios

“Houve alguma época na  História que não ocorreram inovações?”

Jaime Troinao

A história é real. Se passou no século XIV. Foi descrita em romance do escritor americano Eric Jagger. E popularizada na tela do cinema por Ridley Scott. The Last Duel ou o Último Duelo, a despeito de valorizar o combate entre dois homens e torná-los protagonistas em um duelo mortal, nos interessa mesmo pela coragem de Marguerite de Carrouges, uma nobre francesa, que desafiou os costumes medievais e denunciou o homem que a estuprou. Marguerite foi corajosa tanto quanto inovadora.

É isso! E já respondendo a pergunta feita pelo Jaime Troiano na abertura deste texto… mesmo na Idade Média, considerado um período obscuro, os inovadores eram capazes de se expressar.  O Renascimento, que surge logo em seguida, por sua vez, foi uma orgia de inovações, nas artes, nas ciências, na cultura em geral. E estamos falando do século XV e XVI. Ou seja, apesar de hoje nos surpreendermos com o nível de inovação que existe nas mais diversas áreas, a história tem vários capítulos e momentos em que a genialidade humana se apresentou. 

“A febre de inovação atual de que tanto falamos é apenas fruto do enorme impulso  da engenharia digital em nossas vidas. Mas é apenas mais uma de milhares de  ondas inovadoras na história de nossa espécie”

Jaime Troiano

Jaime e Cecília Russo trouxeram essa reflexão para o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso para alertar gestores de marcas de que, apesar do entusiasmo e da própria pressão que existe sobre o tema, é preciso cuidado para não serem reféns dessa onda:

“Esta nova era tecnológica criou muitas armadilhas para marcas que começaram a inovar de forma precipitada e acabaram pondo em risco o que de essencial elas têm. Ou seja, aquilo que fica escondido sob a “poeira digital” 

Cecília Russo

Muitas vezes, a inovação precipitada rompe os laços com a história da marca, na percepção do consumidor. E quando essas mudanças atropelam o consumidor, “joga-se fora o bebê junto com a água de banho” — ditado que não tem nada de novo, e segue sendo essencial para se planejar as mudanças necessárias.

“O melhor conselho de branding para o empresário, o empreendedor, pequeno, médio, é o seguinte: preserve o essencial na busca do novo. É um caminho mais  difícil, mas obrigatório”. 

Jaime Troiano

Um exemplo de renovação que respeitou as regras do branding foi a realizada, recentemente, pelo jornal O Estado de São Paulo, que deixou seu tamanho original para ser impresso em modelo ‘berliner’, bem menor do que aquele que seus leitores estavam acostumados. Foram feitas mudanças internamente, também: no tamanho da letra, na divisão das editoriais …mas a essência, essa não mudou.  

“Em momento algum cederam à tentação de trocar suas características essenciais de linha editorial, por aventura moderninha que escondesse seu pensamento, que tem uma história de mais de 100 anos: 146 anos, para ser mais precisa”.

Cecília Russo

Outra boa referência foi a inovação feita pelo grupo de varejo Magazine Luiza. Para Jaime e Cecília, segue sendo uma empresa atenta às relações pessoais com o mercado, a começar pela própria líder Luiza Trajano. Nos últimos anos, a empresa ganhou uma dimensão digital, muito mais intensa, estendeu seus ‘tentáculos, para novas áreas, mas sua alma humana continua muito presente. 

“Sim, as marcas têm coisas que são definitivas, inegociáveis. O quê? Sua alma, seu propósito, sua razão de ser. Não troque sua alma por alguns gimmicks ou algumas brincadeiras digitais”

Jaime Troiano

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com sonorização de Paschoal Júnior;

Conte Sua História de São Paulo: sinto falta dos sabiás

Por Fernando Ceravolo

Ouvinte da CBN

Foto: Mílton Jung

Sinto falta dos Sabiás. Aqui, onde hoje moro, em uma praia ao norte da ilha de Santa Catarina, eles não existem. Uma pena!

Há os Bem-Te-Vis, os Tico-Ticos, os Joões-de-Barro que cantam também, mas não como os Sabiás. E os inúmeros Pardais, que fazem enorme barulheira quando em grupos – vieram de Portugal, introduzidos no inicio do século passado, pois antes não existiam no nosso País. Virou praga!

Também, há as Gaivotas e Fragatas que voam imponentes e maravilhosamente, mas não cantam. Como os Urubus no seu planar majestoso, totalmente mudos. Mas Sabiás não há. Não sei o motivo, talvez não gostem de praia como eu. Uma pena…

Essa é a época do ano do acasalamento dos Sabiás, cantando forte e longamente para atrair as fêmeas, no raiar do dia e ao cair da noite, alegrando as nossas almas. Mas aqui não os ouço, só sinto a sua falta.

Os Bem-te-vis cantam e é gostoso de ouvir também. Sei que eles adoram água, e talvez por isso estejam aqui e não os Sabiás. Talvez?

Os Joões-de-Barro cantam como se fosse um grito. Gosto de ver esses pássaros construtores bicando o barro e voarem aos seus ninhos em construção, instalados em lugares incríveis, tais como, por exemplo, nos semáforos das ruas da cidade, tapando uma das luzes. Mas não cantam como os Sabiás!

Sou da cidade de São Paulo, onde vivi por anos e escutava o cântico dos Sabiás, há muitos lá, ecoando pela cidade. Uma melodia apaixonada, harmônica e romântica, com notas longas e agudas, expressando a sua necessidade de amor. Acalmava-me ouvir e me despertava para os lindos dias da primavera, com a floração dos Ipês e das flores espalhadas pelos canteiros da cidade, com os seus cheiros e dias luminosos e quentes.

Os Sabiás são os arautos dessa maravilhosa estação do ano, do reinicio da vida.

Sinto falta dos Sabiás! 

(texto escrito originalmente para o Blog do Cera)

Fernando Ceravolo Junior é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio —- e dos sabiás, também. E você? Quando vai enviar a história. Escreva agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Se quiser ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Mundo Corporativo: entre gerar impacto e ganhar dinheiro, fique com os dois, recomenda Anne Wilians

Foto de Roberto Hund no Pexels

“O que ele busca é necessariamente um impacto na transformação das pessoas. Essa é uma das primeiras características do negócio social”

Anne Wilians, empreendedora social

A inteligência emocional pode ser aprendida e desenvolvida; e se assim o é, precisa ser exercida no cotidiano. A lógica que abre esse texto não é recente. Foi apresentada ainda nos anos 1990, pelo psicólogo e jornalista Daniel Goleman. Foi dele a provocação de que o QE fala mais alto do que o QI. Muito antes, ainda nos anos 1920, Edward L. Thorndike, já havia usado a expressão ‘inteligência social’ ou a capacidade de entender e motivar outras pessoas. Mas foi Goleman, quem popularizou o debate sobre o tema, em ‘Inteligência Emocional’, livro que vendeu aos borbotões mundo a fora. 

A partir dos pensamentos de Goleman, muitas pessoas se inspiraram a trabalhar a autoconsciência, a auto-motivação, a capacidade de nos relacionarmos, a empatia e a consciência social. A advogada e administradora Anne Wilians certamente está entre as seguidoras desse californiano, nascido em 1946, como se percebe no projeto que realiza no Instituto Nelson Wilians, apresentado como o ‘braço social’ de uma das principais bancas de advogados do Brasil, que tem à frente o marido dela:

“Eu tenho que ter uma consciência social, de entender onde que eu tô inserida. Quais são as dificuldades do meio que eu tô inserida. O que eu posso agregar nesse meio; o que eu não posso”.

Anne Wilians é autora do livro “Empreendedorismo Social Feminino”, publicado em versão digital, uma espécie de caixa de ferramenta para quem pretende montar seu negócio, considerando que o foco de um empreendimento de caráter social é o impacto no desenvolvimento das pessoas e da comunidade. Em entrevista ao Mundo Corporativo, Anne diz que o propósito desse negócio tem de ser a transformação que o empreendedor pretende provocar, e para que isso se torne permanente, o negócio social tem de ser sustentável e de longo prazo. O lucro não deve ser o impulsionador da ideia, o que não significa que deva ser desprezado — é o que pensa Anne, agora inspirada em outro projeto que há 15 anos incentiva a criação de negócios sociais, no Brasil:

“A Artemísia, que é uma das grandes mestres que trouxe o negócio social para Brasil, fala que entre gerar impacto e ganhar dinheiro, fique com os dois”. 

No Instituto, os programas oferecem conhecimento a homens e mulheres; enquanto no livro, Anne foca a necessidade de se abrir espaço para que elas  sejam as protagonistas do seu próprio negócio. Entende que, com a pandemia, o mercado está mais sensível para empreendimentos sociais, mas ainda existe uma discrepância de valores. Segundo Anne, 95% dos investimentos estão concentrados em projetos liderados por homens. 

“As mulheres são muito mais preparadas academicamente — a gente chega no nível de graduação, no nível de pós-graduação — mas ainda assim a insegurança não permite que a gente acesse alguns meios. Então, é preciso trabalhar com isso para que a gente consiga esse espaço”.

Trabalhar o conhecimento socioemocional de jovens até 29 anos — e aqui voltamos a Goleman — é um dos objetivos dos programas criados com parceiros de negócios, desde 2017, quando o instituto foi criado. Tempo suficiente para impactar cerca de 24 mil pessoas, nos cálculos de Anne. Ao longo desse tempo, a fundadora e diretora-presidente do INW, diz ter percebido que os jovens estão muito mais interessados na busca de soluções para os problemas que atingem suas comunidades e pensam de forma mais inclusiva:

“Eles estão muito mais sensibilizados. Você quando traz uma possibilidade de um negócio para um jovem, ele já, certamente, vai te oferecer uma solução social. Ele vai te trazer ideias e são ideias que têm transformação social incutidas nelas”

Assista à entrevista completa com a fundadora e CEO do Instituto Nelson Wilians, ao Mundo Corporativo.

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Avalanche Tricolor: “esse amor descontrolado, nunca vou deixar de lado”

Grêmio 3×2 Juventude

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Comemoração gremista em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Sentei à mesa com a família. Aquela pizza da casa, antecedida por um pãozinho quente com salsicha me esperava neste jantar de domingo. Tudo isso, regado a vinho — muito vinho. Não tenho pressa em beber, em comer e em dormir. Amanhã é segunda, mas estou de férias. Acordo quando der —- verdade que o corpo costuma pedir para sair da cama ainda de madrugada, impulsionado pelo hábito. Acordo se quiser. Tenho tempo para saborear as horas, o dia, e os prazeres que este me oferece.

Neste domingo, o prazer que senti foi o de uma vitória —- raro nos últimos tempos. Recheada de emoção, provocada por uma torcida que se fez presente em peso —- ou com o peso que lhe foi permitido, já que ainda estamos sobre restrições sanitárias. A cantoria das arquibancadas me encheu de esperança e, parece, contaminou o ânimo dos jogadores em campo, como se não bastasse estarem sob novo comando. 

Emocionei-me ao ouvir a cantoria que marcou nossa história. Que de tão intensa e genuína levou Guilherme Vilani, narrador da SportTV, a retransmiti-la como se fizesse coro com o nosso torcedor. 

“Esse amor descontrolado

Nunca vou deixar de lado

Sempre junto ao Tricolor

Eu te sigo aonde for

Com meu trapo e a bandeira

Venho pela camiseta

Hoje de qualquer maneira

Nós temos que ganhar”

Já não lembro se cantamos ‘Amor descontrolado’ tantas foram as letras entoadas pelo torcedor. Se não o fizemos, poderíamos ter feito, porque só ganhar nos interessava neste fim de tarde domingueiro. 

Uma vitória que passou pelos pés do sempre renegado Alisson, que já havia tentado um gol de calcanhar pouco antes de fazer a bola explodir no travessão e voltar para a cabeça de Douglas Costa. O mesmo Alisson que balançou na frente da área, deslocou os zagueiros e chutou forte, provocando o rebote do goleiro, aproveitado, com precisão, por Diego Souza.  

O baixinho e cabeçudo atacante gremista talvez seja a imagem do Grêmio atual. Nunca será reconhecido por seu talento, mas jamais poderá ser acusado de ter desistido. No último ponto que havíamos conquistado, foram deles os gols que nos levaram ao empate. Hoje, foram deles as assistências que nos deram a vitória. É, como dizem os entendidos do futebol, o principal ‘garçom’ do time gremista. Serve a seus colegas no ataque, serve ao time na defesa e serve a mim pela determinação que nunca nos negou —- mesmo diante de todas as críticas.

Sei que nada está resolvido, muito antes pelo contrário. A ‘Batalha dos Aflitos’ que enfrentamos nesta Série A teve apenas mais um capítulo. Insuficiente pra nos tirar do sufoco da zona-você-sabe-qual, mas necessária para quem acreditará até o fim, mesmo depois que decretarem a nossa morte — porque somos Imortal.

O jantar de domingo, o pão com salsicha, os pedaços de pizza e a garrafa de vinho — ao lado da família —-,  tiveram sabor especial nesta noite. O sabor da esperança “de que este amor descontrolado (que) nunca vou deixar de lado” haverá de me devolver a alegria de ser torcedor do Grêmio.

Sua Marca: riscos e oportunidades no uso de marcas concorrentes na publicidade

‘preferimos duas portas amplas e sólidas a quatro portinholas’

“Use com moderação e sabedoria”

Cecília Russo

A recomendação na abertura deste texto serve para tudo (ou quase) na vida. Serve para tudo no branding, que afinal é o tema central da conversa de todo sábado com Jaime Troiano e Cecília Russo. E aqui está em destaque como alerta para prática que começa a aparecer ainda de forma tímida no mercado publicitário brasileiro: as campanhas comparativas, assunto do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

Lá fora, em especial nos Estados Unidos, usa-se desta estratégia sem muita cerimônia. É comum as marcas apresentarem seus dotes comparando-os com os dos concorrentes: expõem dados, tabelas e palavras; e chamam o adversário pelo nome,  para revelar sua superioridade. O fato de empresas serem mais comedidas por aqui pode ter explicação na formação cultural brasileira:

“A comparação sempre fica meio velada, escondida, quase envergonhada.  E isso é algo da nossa cultura brasileira, cristã. Parece feio mostrar ser melhor. Acontece quase o efeito oposto: as pessoas tendem a se identificar com o mais fraco, quase como tendo dó e se revoltando contra o que ataca”

Cecília Russo

Há razões legais, também. A medida que o Conar, conselho autorregulador do mercado publicitário, impõe regras para quem pretende investir nessa prática. A propaganda comparativa é considerada legal desde que:

  • seja realizada de forma objetiva com o intuito de esclarecimento ao consumidor; 
  • a comparação alegada ou realizada entre os produtos/serviços seja passível de comprovação objetiva; 
  • não se estabeleça confusão entre produtos e marcas concorrentes; 
  • não deprecie a imagem do produto ou a marca da empresa concorrente.

Se é verdade que a maioria das marcas teme entrar nesse ‘campo minado’ aqui no Brasil, é visível um movimento de ‘guerrilha’ que começa a aparecer em alguns setores bastante competitivos: o bancário e o de automóveis, por exemplo. A Hyundai faz isso de forma explícita em publicações de jornal em que compara seus resultados com os concorrentes —- e cita o nome deles. Ano passado, virou notícia o embate entre Itau e XP. 

Registre-se: a propaganda comparativa não é coisa recente, mesmo aqui no Brasil. Nos anos de 1960, a Volkswagen apresentava o Fusca “batendo de frente” com a concorrente Gordini, fabricante francesa que surgiu em 1946. Na campanha, os alemães comparavam as duas portas do seu modelo clássico com as quatro ‘portinholas’ do carro francês, sucesso de vendas na época no Brasil. 

Falar mal do concorrente é raro. E falar bem? Também. Mas acontece. E pode trazer excelentes resultados.

Jaime aproveita da experiência que vivenciou, há dois meses, em viagem à Suíça, para ilustrar o tema. Em Kilchberg, Zurique, ele e Cecília estiveram na Lindt Home of Chocolate, construída pela fabricante de chocolate fundada  em 1899. No complexo de seis mil metros quadrados, inaugurado em setembro do ano passado, a Lindt conta a história da fabricação do produto no mundo e expõe marcas concorrentes. Fala da Suchard, fundada por Philippe Suchard, em 1826; do papel fundamental da Nestlé que criou o leite condensado na época em que ainda era a Anglo Swiss Condensed, dos irmãos Page, em 1867; mesmo ano em que Jean Tobler abriu a ‘Confeitaria Especial”, em bairro popular de Berna, e lançou o Toblerone. 

“É uma aula sobre chocolate e uma lição de humildade. A marca, ao render essa  homenagem, se fortalece ainda mais. Mostra que, acima de tudo, as marcas de chocolate da Suíça, juntas, compõem essa imagem fantástica do país ser o de mais prestígio neste mercado. Aqui, não é se comparar e sim mostrar a força da concorrência para a criação de algo maior e que beneficiará a todos”.

Jaime Troiano

Falamos em chocolate e logo surge um desejo incontrolável de atacarmos a primeira barra que encontrarmos no armário, não é mesmo? Antes de ceder a esse impulso, lembre-se da nossa marca de hoje, que serve para a vida, para o branding e para chocolate, também:

“Use com moderação e sabedoria”

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Mundo Corporativo: Gustavo dal Pizzol, da Top Shoes, inova dos pés à cabeça

Foto: Alexandre Loureiro / COB / Divulgação

“Historicamente, eu me moldei a crise. Ela gera um primeiro impacto que deixa a gente muito ansioso, mas acho que na crise existe muita oportunidade. Basta a gente olhar com outros olhos que as coisas podem ser mais promissoras do que se imagina”

Gustavo Dal Pizzol, Top Shoes

A pandemia é um desafio coletivo. Uma crise sem dimensão. Há outros desafios que são individuais. E para esses, cada um faz uma conta. Gustavo dal Pizzol pôs na ponta do lápis: R$ 500 mil —- meio milhão de reais foi o valor da dívida que herdou da fábrica de calçados que o pai havia colocado no nome dele, lá no Rio Grande do Sul.  Na época, com apenas 19 anos e esse legado, trocou Novo Hamburgo por Campo Bom, cidades próximas e de perfil industrial semelhantes. Levou R$ 7 mil na bolsa, vendeu uma moto, fez parceria com um estilista, e morou de favor por algum tempo. 

Daquela dívida de meio milhão de reais, parcelada a perder de vista, restaram o aprendizado e a certeza de sua capacidade em superar dificuldades. Para Gustavo Dal Pizzol, 37 anos, CEO da Top Shoes Brasil Group, entrevistado do Mundo Corporativo, aquela experiência o ajudou muito a encarar a crise atual, que se iniciou com a pandemia, em março de 2020. Sem saber por quanto tempo os negócios seriam paralisados, Gustavo foi em busca de uma alternativa para a linha de produto que já desenvolvia. Precisava criar algo que atendesse a demanda do momento.

E a solução estava na cara (com o perdão do trocadilho)!

Ao entender que o uso de máscaras seria necessário, ele e sua equipe decidiram pesquisar opções para os produtos que estava no mercado. Experimentou as máscaras disponíveis, testou e descobriu que costumam ser pouco confortáveis para a atividade física. 

“Fizemos um briefing de todos os atributos que me incomodavam muito nas máscaras. Por exemplo: a máscara tradicional machuca a orelha; principalmente para práticas de esportes. Quando comecei a ir para academia correr, eu não conseguia respirar direito. Então, pensei: preciso resolver esses e vários dramas que a máscara tem”

Problemas constatados, soluções discutidas e desenho realizado: foram 15 dias para dar início ao projeto com a equipe de marketing e produção. Máscaras com a marca da inovação que conquistaram os atletas olímpicos e parte dos times do futebol brasileiro. Foi o irmão, Tiago, diretor comercial, quem levou a ideia até o COB em contato feito pelo LinkedIn. O que têm de diferente: são atadas à parte de trás da cabeça, têm regulagem, permitindo melhor vedação, e exige que a passagem de ar seja feita pelo filtro. Foi desenvolvido, ainda, um suporte, impresso em 3D, para evitar que a respiração atrapalhe durante a atividade física. De acordo com Gustavo, já foram vendidas cerca de 3,5 milhões de máscaras:

“… e o momento que vocês lança uma nova ideia, já pensa no 360. Não investe somente numa área: desenvolvimento.  Tem  de investir em desenvolvimento, comercial e marketing. Ou seja, todos os pilares precisam andar de maneira conjunta, né? Porque senão ela fica desparelha E o negócio não prospera”.

Outro exemplo de como funciona a cabeça de empreendedor. Para não prejudicar suas linhas de produção, Gustavo voltou a aplicar o método de entender o problema e oferecer a solução. Com carência de mão de obra especializada, decidiu-se por investir em tecnologia e ter máquinas que permitissem a produção das mercadorias com maior velocidade e precisão. Hoje, mantém um parque industrial com 36 máquinas de impressão 3D, que produzem uma série de produtos “rodando 24 horas, sábado e domingo”. 

“Eu tenho uma equipe muito maior na parte comercial, de serviço ao cliente e de desenvolvimento de produtos. Esses são os grandes mercados do futuro, porque a máquina não substitui o criativo. Nunca! Antigamente, nós tínhamos um excesso de pessoas na linha de produção e poucas pessoas pensando o produto. Hoje, nós temos uma grande  quantidade de pessoas pensando o produto. Esse é o desenho futuro,  não só da nossa, mas de qualquer outra indústria do futuro”. 

Ouça a entrevista completa com Gustavo dal Pizzol, da Top Shoes, no programa Mundo Corporativo:

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen

Conte Sua História de São Paulo: o dia que o carro oficial parou na porta do meu barraco

Por Sueli de Souza

Ouvinte da CBN

Mudei para a Capital, em dezembro de 1974, quando me casei. Tinha 24 anos. Fui morar na Rua Nestor Pestana, no centro, e consegui um emprego como secretária na rua da Consolação, era só atravessar a rua.

No segundo semestre de 1975, nossa situação econômica se deteriorou bastante. Não conseguimos renovar o contrato de aluguel do apartamento e fomos viver na periferia, na zona oeste, divisa com Osasco, num barraco cedido por um amigo.

Eu havia prestado um concurso público para a Câmara Municipal de São Paulo e esperava que me chamassem logo, pois fora bem classificada. Havia, inclusive, me demitido do emprego. A convocação demorou e o dinheiro foi ficando escasso. Meu marido também mudará de emprego e começara a trabalhar como vendedor, profissão para a qual não tinha a mínima vocação. 

Quando recebi a convocação para fazer os exames médicos e tomar posse, em janeiro de 1976, não tinha um tostão para fazer as cópias dos documentos, o exame de sangue e pagar a passagem de ônibus até o centro. Assim, não pude atender imediatamente ao chamado.

Um dia, qual não foi a minha surpresa, vi estacionar na porta do barraco um carro oficial. O motorista trazia o recado do diretor do Departamento de Pessoal da Câmara Municipal, querendo saber o motivo de eu ainda não ter comparecido.

Consegui emprestado o dinheiro da passagem de ida e volta e fui explicar ao diretor o porquê de minha demora. Quando lhe disse que o motivo era falta de dinheiro, ele imediatamente emprestou-me a quantia necessária. E disse para eu devolver quando recebesse o primeiro salário.Aceitei porque senti honestidade em sua oferta.

Tomei posse e comecei a trabalhar em seguida. Quando o primeiro salário caiu na minha conta, fui pagar o empréstimo. 

Trabalhei na Câmara durante dois anos; depois, mais 36 anos na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, onde também ingressei por concurso público. Estou aposentada há quatro anos.

Tenho, até hoje, uma profunda gratidão por aquele senhor, que acreditou em minhas razões e me estendeu a mão num momento extremamente difícil de minha vida. Essa solidariedade que experimentei nos meus primeiros tempos em São Paulo e em muitas outras ocasiões,  foi o que mais me cativou e me fez concluir que São Paulo é a minha cidade.

Sueli de Souza é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você a sua experiência aqui na cidade e envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br Para  ouvir outros capítulos, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo