Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: é preciso criar conexões poderosas para mover pessoas em direção a seus sonhos, também no metaverso

Photo by Sound On on Pexels.com

“Metaverso é esse ambiente digital que duplica ou multiplica nossa existência; a existência das nossas relações pessoais e com o mercado” 

Cecília Russo

O ‘Datatroiano’ informa: a cada três textos que você lê hoje em dia, em dois encontrará a palavra ‘metaverso’. Pode até ter algum exagero nessa estatística, a gente sabe, mas você haverá de concordar que o ano que se foi impôs essa palavra. Até o onipresente Mark Zuckerberg mudou sua marca, virou Meta, para tirar proveito dessa que já é uma realidade, especialmente nos espaços e diálogos dedicados à inovação. 

Recentemente, Walter Longo, sócio-diretor na Unimark Comunicação e especialista em inovação e transformação digital, disse, em palestra que você pode assistir aqui (claro, depois de ler esse texto e ouvir o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso), que o metaverso é onde você vai viver e trabalhar em breve. Como quem pensa em marcas precisa pensar em movimentos e realidades que estão entre nós, Jaime Troiano e Cecília Russo estão alertas diante do que o metaverso pode trazer de transformação nas relações pessoais, comerciais e entre empresas.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília lembrou que há muitos anos se usa uma equação aparentemente simples, readaptada de conceitos da psicologia, que revela o papel que as marcas têm na vida das pessoas.

Eu atual + Espaço de idealização = Eu ideal

Ou seja: temos um “eu atual” e queremos alcançar o “eu ideal”. Entre um e outro, existe o ‘espaço de idealização’.

“As marcas que ocuparem melhor o espaço entre quem eu sou e quem eu quero ser serão aquelas que vão ter maior valor, permanecerão nas minhas escolhas e significarão alguma coisa na minha vida” 

Cecília Russo

Jaime explica que alcançar o ‘eu ideal’ é ser mais do que somos ou diferente do que somos; e apesar desse desejo estar armazenado em algum canto da nossa mente nem sempre é algo muito consciente. Para estar mais próximos do ‘eu ideal’ podemos ocupar esse ‘espaço de idealização’ com uma viagem, um curso, um projeto pelo qual somos apaixonados, um trabalho na empresa que admiramos, um relacionamento com pessoas ou com marcas pelas quais temos grande estima. Sim, as marcas também são veículos que podem nos transportar em direção ao nosso ideal. 

“Criar conexões poderosas, autênticas e mais duradouras com marcas para mover pessoas em direção a seus sonhos: esse é o supremo objetivo do Branding” 

Jaime Troiano

É evidente que — como Cecília já havia chamado atenção e Jaime reforçou em sua fala, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso — essa equação que explica como o ser humano se move é tema que surge muito antes do metaverso. Desde Platão, passando pelos estóicos, o cristianismo, Hegel e a psicologia — com Freud expressando isso em seu conhecimento —, o desejo é visto como um mover-se em direção a alguma coisa, o meio do caminho do que somos e do que queremos ser.

A proposta do metaverso surge neste espaço de idealização. Por meio de avatares, podemos criar personagens, ser aquilo para onde nosso ideal aponta. Jaime ressalta que não seremos outra pessoa, apenas estaremos exercitando aquilo que queremos ser. E testando se essa ‘duplicata digital’ de nós mesmos nos aproxima, de verdade dos nossos mais recônditos sonhos. 

O que as marcas tem a ver com isso? 

“Os consumidores vão conviver com o metaverso. E a marcas têm de estar onde os desejos estão …”

Cecília Russo

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso que vai ao ar, aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN:

Conte Sua História de SP 468: um passeio da várzea da Vila Medeiros ao verde do Horto Florestal

Odnides Pereira

Ouvinte da CBN

Foto: Governo de SP

Nasci dia 21 de abril de 1959, no Hospital e Maternidade de Vila Maria, na zona norte. Na época meus pais e meu irmão mais velho, moravam em um cortiço no bairro de Vista Alegre, também na zona norte. Logo eles compraram uma casa no Bairro de Vila Medeiros divisa com a Vila Sabrina.


Na minha infância, o lugar que mais freqüentava era o Vajão, um imenso espaço com mais de dez campos de futebol, um perto do outro, onde times de várzea disputavam seus torneios. Muitas vezes, assistimos a bolas chutadas de um campo cairem no outro, interferindo no andamento da partida. Com o tempo tudo isso acabou. Nos anos de 1980, lá se ergueu o que é hoje o Jardim Guançã.


Casei-me em 1978.  fui morar no Mandaqui.  Da minha casa ao Horto Florestal são cerca de quatro quilômetros. Aos fins de semana, quando possível, visitava o Horto, batizado Parque Estadual Albert Löefgren, e passava o dia por lá.

Tinham muitos macacos, aves, peixes nos lagos, e Mata Atlântica à disposição. Pessoas nadavam por ali, jogavam muita comida para os peixes e aves. Havia lixo, também. Por descaso e vandalismo, os lagos ficaram poluídos. E o Horto ficou insuportável. Resolvi não voltar mais. 


Com a concessão do Horto para a iniciativa privada, em 2021, apesar de cobrarem a entrada, o parque começou a ser recuperado. E a ficar mais parecido com o lugar que conheci no passado. E que mais gostava de frequentar em São Paulo.

Quem sabe, um dia eu volto?!?


Odnides Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de SP 468: os embalos de domingo na USP

Samuel de Leonardo

Ouvinte da CBN

Cidade Universitária da USP Foto Wikipedia

Naqueles anos de 1970, assim como os nossos embalos de sábado à noite, com reuniões entre amigos e “bailinhos na garagem”, foram marcantes, as tardes de domingo igualmente nos deixaram saudades. Morávamos próximos à Cidade Universitária — era assim que chamávamos o campi da USP. Sem muitos recursos para o lazer, procurávamos lugares que pouco ou quase nada nos custavam: era lá o nosso refúgio.


No decorrer da semana, no pátio da escola, combinávamos os encontros em frente aos colégios Daniel Paulo Verano Pontes ou Lourival Gomes Machado – ambos no bairro do Rio Pequeno, região do Butantã. Desses pontos partíamos em turmas de até 20 jovens, formadas por meninos e meninas. Trago na memória cada um daqueles amigos e amigas com os quais compartilhamos momentos especiais nas tardes de domingo.


Era quase rotina sairmos a pé em direção à Cidade Universitária.  Nada entendíamos de paisagismo ou de arquitetura, mas o “leiaute” da sua estrutura nos encantava, nos atraía, simplesmente uma magia.

Em suas alamedas desfilávamos absoluto. Nos gramados verdejantes um futebolzinho sem compromisso, linhas nas mão e pipas no ar. Nas sombras de seus arbustos, namoricos sem malicia, amizades sem cobrança — ainda nos sentíamos crianças. Ah, quantas lembranças! Cada cantinho daquele lugar; o nosso “playground”; o espaço predileto de todos. Tudo aquilo nos era familiar. 


Ao término dessa agitação, nos sentíamos recarregados para enfrentar a “segundona” e partíamos para nossas casas, sem uma despedida formal, com a certeza de que aquela não seria a última tarde de domingo.


Agora, maduro e longe de ser taxado de saudosista, posso atestar convicto que, de todos os encantos dessa pauliceia gigante, o campi da USP, no Butantã, é para mim o lugar especial nessa imensidão de cidade, quer seja pela sua pujança, quer seja pelas lembranças. 


Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que não pode faltar em 2022

“Em 2022, há coisas que as empresas certamente continuarão a fazer com suas marcas e procedimento. E há outras que precisam ser melhoradas” 

Jaime Troiano

Com o ano iniciado, e os aprendizados de 2021 ainda em mente, as marcas tem de estar prontas para o que vem por aí, independentemente das surpresas que a ômicron, a política e a economia – não necessariamente nesta ordem – nos proporcionarem. Jaime Troiano e Cecília Russo, no primeiro programa do ano, listaram cinco coisas que não podem faltar em 2022.

1. Prepare o seu Plano B

É preciso pensar já no seu plano B. Nos dois anos de COVID, descobriu-se que muitas empresas e marcas estavam despreparadas, seja para sobreviver na crise sanitária seja para aproveitar a retomada da economia. Foi evidente o estrangulamento nos serviços oferecidos quando os consumidores correram atrás de coisas que tinham deixado de fazer durante a pandemia. Faltaram produtos e os serviços ficaram lotados. O planejamento da sua marca já está pronto para o que der e vier?

2. Clareza nas mensagens e desafios

Empresários e gestores têm de sentar com suas equipes  e conversa de forma transparente e clara sobre os desafios de 2022. É preciso que todos estejam na mesma sintonia porque nada será muito fácil daqui para frente. E se a comunicação não estiver ajustada, tenha uma certeza: “vai dar ruim”.

3. Engajamento dos colaboradores

Ninguém vende bem o que não comprou. Se os colaboradores ou funcionários não estiverem convictos do valor e da relevância da marca, dificilmente a empresa estará engajada para ter força no mercado.

4. A busca do propósito

Não contrate pessoas que não acreditam no propósito e nos valores da empresa e da marca. Não contrate apenas quem espera pelo holerite. Não contrate quem vai remar contra. O pessoal do RH sabe bem como escolhe o perfil dos colaboradores que somam à marca.

5. Digital e pessoal

Este será o ano em que, tudo que aprendemos com o universo digital, vai se consolidar de uma vez por todas. Mas é também o ano em que as pessoas vão querer “tirar o atraso” de todos os laços pessoais que ficaram hibernando em 2020 e 2021

“Preparem-se para ativar, tanto quanto possível, seus canais pessoais de contato com o mercado”

Cecília Russo

Leia também ‘verdades reveladas’ e ‘verdades a serem consideradas’ em texto do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso publicado em 25 de dezembro.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

Conte Sua História de SP 468: minhas imagens da Paulista

Por Claudio Lobo

Ouvinte da CBN

Canto ou Encanto de São Paulo, são vários. A cidade, superlativa como ela é, não poderia ser diferente. Mas um canto é especial: a avenida Paulista. Não é clichê ou lugar comum. 

Aos domingos, preferencialmente, eu e minha esposa, Maria Luiza, vamos à Paulista fotografar. Até aqui parece falta de opção ou imaginação, se não fossem os personagem e situações que lá encontramos. 

Troca de simpatias, olhares e gentilezas estão disponíveis na Paulista. 

O encanto é que as pessoas que encontramos, na grande maioria anônimas, nunca mais reencontraremos. Evaporam no ar. Ficam a simpatia, a pose, o espontâneo, o olhar, o sentimento captado. Ficam a beleza, a feiúra, o inusitado, o incomum, o bizarro. Ficam o animal, o humano, a infância, o apressado, o tranquilo, o ajustado, o desajustado. Ficam o artista, o que um dia será um artista, o vendedor, o comprador, o leitor, o artesão. 

A paisagem e tudo mais que registramos fica eternizado em nossas fotografias.

 Isto é vida. Isto é São Paulo. Isto é a avenida Paulista.

Cláudio Lobo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Fome de quê?

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto de Gioele Fazzeri no Pexels

“A gente não quer só comida
A gente quer comida, diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída para qualquer parte”

Marcelo Fromer, Arnaldo Antunes e Sergio Britto

Outro dia, zapeando pelas redes sociais, uma postagem despertou a minha atenção e me fez curiosa. A influenciadora digital contava para os seus seguidores como um prato com uma hortaliça específica, em diferentes versões – crua, refogada, em folhas fatiadas fininhas ou enrolada como pétalas de flores – era tudo o que alguém precisaria em uma única refeição.

Sem a pretensão de fazer qualquer análise nutricional sobre isso, até porque me faltariam competências técnicas, aquilo me gerou uma enorme inquietude e preocupação, tendo em vista que alguns transtornos mentais ainda são pouco conhecidos ou negligenciados.

Numa sociedade que valoriza padrões de beleza e a “cultura da magreza”, alguns comportamentos disfuncionais, que geram sofrimento e prejuízos significativos, são até mesmo incentivados. 

Todos os anos, milhares de pessoas sofrem com transtornos alimentares. Segundo a Organização Mundial da Saúde, esses transtornos atingem cerca de 4,7% da população brasileira, podendo chegar a 10% entre os adolescentes, com alta taxa de mortalidade.

Esses transtornos são caracterizados por alterações nos hábitos alimentares e em comportamentos relacionados à alimentação, resultando em danos físicos, psíquicos e sociais. Em geral, há uma conexão doentia da pessoa com o alimento, num sentimento de amor e ódio com a comida, resultando em agressões ao próprio corpo. 

As pessoas que sofrem com os transtornos alimentares, na maioria das vezes, apresentam distorções sobre o próprio peso, sobre o formato do corpo, sobre o ato de comer e, especialmente, sobre o valor de si mesmas.

Dentre os transtornos de alimentação mais prevalentes estão a anorexia nervosa e a bulimia nervosa. 

O que é anorexia nervosa?

A anorexia nervosa é caracterizada por um medo intenso de ganhar peso, o que leva a pessoa a restringir o consumo de alimentos, através de dietas rígidas e/ou jejuns prolongados, podendo fazer uso de métodos que auxiliem na perda de peso, como laxantes, diuréticos, indução de vômitos ou prática excessiva de atividade física. 

Em geral, apesar da perda acentuada de peso, essas pessoas continuam insatisfeitas com o corpo ou com o peso, tendo uma preocupação exagerada por essa temática, o que favorece o isolamento social, gera prejuízos nas atividades acadêmicas ou de trabalho, bem como nas relações afetivas.

O que a bulimia nervosa?

Semelhante à anorexia, na bulimia nervosa há uma importante insatisfação com a imagem corporal e uma preocupação com o ganho de peso, entretanto, as restrições alimentares são seguidas por um descontrole na ingestão de alimentos, geralmente consumidos em grandes quantidades, caracterizando episódios de compulsão alimentar. 

Após os episódios de compulsão, há um sentimento de culpa pela perda de controle e pelos alimentos consumidos, levando a comportamentos compensatórios e disfuncionais para evitar o ganho de peso, como uso de laxantes, indução de vômitos e prática de atividade física intensa.

Quais as causas dos transtornos alimentares?

Não há uma causa específica para os transtornos alimentares, mas os estudos sugerem a participação de fatores biológicos, psicológicos, para os quais se destaca a baixa autoestima, e fatores sociais, especialmente a influência da mídia e das redes sociais.

Nos transtornos alimentares há uma crença de que o corpo pode ser completamente transformado e de que seguir dietas restritivas ou praticar exercícios são escolhas e dependem apenas do esforço pessoal. Além disso, há uma ideia de que alcançar o “corpo ideal” será o passaporte para o sucesso, valorização ou resolução de outros problemas da vida.

Desse modo, essas pessoas são mais vulneráveis às postagens que indicam jejuns prolongados, dietas restritivas ou exibição de corpos “perfeitos”, como situações fáceis de serem atingidas, exigindo apenas força de vontade. Isso gera um enorme sofrimento.

Suas comparações são injustas. Excluem aspectos individuais relacionados ao biotipo e aumentam a autocrítica, reforçando o sentimento de fracasso, de perda de controle e incompetência. Como num círculo vicioso (e perverso), essa frustração piora os sentimentos de tristeza e ansiedade, levando a uma intensificação dos comportamentos disfuncionais.

Outro dia, eu tive conhecimento de um aplicativo de jejum no qual a pessoa é “premiada” pela quantidade de horas que está sem se alimentar, e toda a comunidade que está “firme” como ela é quantitativamente descrita, como um incentivo para a sua não desistência.

Fiquei imaginando o que seria do mundo se houvesse um aplicativo capaz de indicar, numa situação de intenso sofrimento emocional, como uma comunidade estaria “firme”, quantitativamente descrita, como apoio às necessidades do outro, como incentivo para a sua não desistência da vida, de si mesmo. 

Promover a saúde mental é um dever coletivo, mas, infelizmente, nossa sociedade está adoecida, não apenas pelos transtornos mentais — especialmente pela falta de empatia, numa busca exagerada por uma vida “perfeita”, retratada num clique e capaz de obter uma curtida a mais.

Estamos famintos! Nos falta diversão, nos falta arte, nos faltam saídas para muitas partes… Porque na balança da vida, o que deveria contar é quem se é e não o peso corporal que se tem.

Assista ao “Dez Por cento Mais” sobre “Transtornos Alimentares”

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de São Paulo 468 anos: a travessia do pontilhão do Tietê

Por Wanderley Midei

Ouvinte da CBN

Acervo Coleção de Tony Belviso, livro Mercado Municipal de São Paulo, 70 anos de Cultura e Sabor. Abooks Editora. Foto Carlheinz Hahmnn

Nasci no Canindé, em 1943. Vivi até a minha juventude lá. Em 1961, me tornei jornalista e continuo escrevendo para o Facebook, mesmo acometido de cegueira por glaucoma.


Quando eu era criança me divertia correndo na avenida Cruzeiro do Sul ao lado do trem puxado pela Maria Fumaça, da ferrovia Cantareira. Achava engraçado as mulheres correrem para tirar as roupas que estavam quarando nas pedras da ferrovia, tentando evitar que queimassem com as fagulhas soltadas. 


Nessa época, o trem atravessava o rio Tietê por um pontilhão: a Ponte Pequena.  A ponte grande era mais próximo da Voluntários da Pátria. Às vezes, andávamos em um grupo de menino sobre os dormentes do trilho para chegar ao lixão da Vila Guilherme, onde hoje tem o Shopping Center Norte.

Muitos amigos tiveram de se jogar no rio, porque o trem estava chegando e não havia tempo para o retorno.


Quando fui suspenso no primeiro ano do ginásio, na Frei Paulo Luig, não contei nada em casa. Toda manhã pegava minha mala de couro, caderno, estojo e o livro escolar e saía como se fosse para a escola. Eu ia para a beira do rio Tiete. 


Naquela época, a Portuguesa não existia, era o São Paulo. Haviam lagoas nas proximidades, então eu ficava vendo os pescadores que tinham cruzado a noite pescando. Um dia, um dos pescadores, amigo do meu pai, contou minha traquinagem para ele. Foi a única surra que tomei na vida. E serviu a lição. Não que eu não tenha mais sido suspenso da escola outras vezes. mas sempre que fui contei tudo para ele. Foi melhor assim.

Wanderley Midei é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de SP 468 anos: o realejo da rua do Tesouro

Por Hylda de Albuquerque Pina

Ouvinte da CBN

Rua do Tesouro, 23. Parei em frente ao prédio apoiada no braço de minha filha, Mônica. Estou com 84 anos hoje. Depois de uma consulta médica que durou menos de cinco minutos, ela me convenceu a dar um passeio pela Praça da Sé para comprar fios de ovos. Comentei que, quando jovem, tinha trabalhado por ali.  Sim, depois de mais de 50 anos, estava de volta ao endereço do escritório das Lojas Interoceânicas. 

Consegui o primeiro emprego por indicação de uma amiga. Quando soube que era no centro, fiquei preocupada. Eu não sabia andar por lá. Aos 18 anos, conhecia o bairro onde havia nascido, o Ipiranga. Minha família tinha uma pensão na rua Clemente Pereira, onde serviam refeições para funcionários do comércio e para operários dos arredores, a turma das indústrias da família Jafet, da fábrica das Linhas Corrente, das Meias Marte .… 

Para ir para o Centro, precisaria pegar um bonde até a Praça Clóvis ou um ônibus até o Parque Dom Pedro. As duas opções me assustavam, mas tomei coragem e comecei no novo trabalho. Com uma hora e meia de almoço, podia comer em casa e retornava em tempo de dar uma volta na região. Muitas vezes me perdia e chegava em cima da hora para o expediente da tarde. 

Esses passeios solitários ampliaram meus horizontes de menina de bairro. Passeava em frente ao auditório da Rádio Record, na Quintino Bocaiúva, e me admirava com a fila de moças que esperavam para assistir ao programa Só Para Mulheres. 

Nas vitrines do Mappin, da Americanas, das lojas de tecidos, de roupas e calçados, o olhar se distraía. Nem sempre eu sabia o melhor caminho para voltar e lá estava eu, de novo, perdida no Centro.      

O coração sossegava quando enfim, avistava a bonita fachada da loja Sönksen, que vendia chocolates e balas, e ficava no prédio em frente ao do meu trabalho. Bem na porta da Sönksen, toda tarde, se instalava um velhinho com seu realejo.  A música chegava ao escritório, no sexto andar. De vez em quando, só de farra, os rapazes que trabalhavam comigo telefonavam para a bomboniere, reclamando do barulho do realejo. Depois, corriam para a janela, só pra ver a moça da loja mandar o velhinho embora…  

Agora, parada por um instante, aqui na Rua do Tesouro, acho que consigo ouvir de novo a música do realejo. Que depois de tanto tempo, me traga boa sorte…  

Hylda de Albuquerque Pina é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Ouvintes contam suas histórias em São Paulo, em homenagem aos 468 anos da cidade

Avenida Paulista em foto de Mariana Tarkany

O realejo na rua do Tesouro, a Maria Fumaça da Cantareira e a pipa sobrevoando a Cidade Universitária são algumas das lembranças que mexem com a memória dos ouvintes da CBN, na série especial em homenagem aos 468 de São Paulo. Com o tema “Em cantos da cidade”, o Conte Sua História de São Paulo inicia a décima-oitava temporada, nessa segunda-feira, dia 10 de janeiro, com duas edições diárias: às 7h15 no Jornal da CBN e às 15h45 no Estúdio CBN. 

O Conte Sua História foi ao ar pela primeira vez, em 2004, quando a cidade comemorava os 450 anos. Na estreia, os textos enviados pelos ouvintes eram interpretados ao vivo e sonorizados em tempo real pelo Paschoal Júnior. Fizemos “rádio raiz”, dos tempos em que o sonoplasta buscava no seu entorno os recursos para dar vida sonora às histórias. Ao longo do primeiro ano, as edições eram diárias, de segunda à sexta, no CBN SP, programa que estava sob meu comando. 

Ainda na primeira temporada passei a gravar os textos selecionados e a sonorização ficou a cargo de Cláudio Antonio, maestro e meu parceiro no quadro até os dias de hoje. No ano seguinte, o Conte Sua História manteve a frequência diária nas semanas que antecediam o aniversário da cidade, em 25 de Janeiro, e eram apresentados aos sábados, no restante do ano. Modelo que se mantém até hoje.

Em 2006, publicamos o livro Conte Sua História de São Paulo, pela editora Globo. Reunimos cerca de 100 das histórias mais interessantes contadas por nossos ouvintes. Ainda é possível encontrá-lo nas livrarias virtuais.

Nestes 18 anos de programa, vivenciamos momentos incríveis com os nossos ouvintes. Gente que se reencontrou, que se emocionou, que relembrou, que reviveu ao escrever ou ouvir as histórias na CBN.

Dia desses mesmo, uma ouvinte nos contou que ao dizer que sua história seria publicada, a filha, que havia sofrido um acidente cerebral que restringiu sua fala, reagiu como um “muito legal”. Chorei? Claro que sim. Claudinho disfarçou bem, mas tenho certeza que aquele olho aguado tinha muita emoção expressa. 

Cada retorno que recebemos é comemorado. É uma consagração. É a certeza de que a edição apurada no texto, o cuidado na interpretação e a pesquisa sonora que buscamos fazer no Conte tocam o coração do ouvinte. Nada pode ser mais importante.

Você é convidado a enviar sua história de São Paulo, escrevendo e enviando seu texto a contesuahistoria@cbn.com.br. Ainda a tempo para participar da série dos 468 anos. Os textos que não forem selecionados nestas duas semanas, até o 25 de janeiro, serão publicados nas edições de sábado durante o ano de 2022. Tanto texto como áudio ficam disponíveis aqui no blog. E no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Terapia de férias!

O sol amanhece no mar. Foto de Mílton Jung (sim, eu mesmo fiz pra relaxar)

Estou de férias. Sim, sou um privilegiado neste país em que é enorme a quantidade de pessoas que antes de pensar no direito às férias batalham pelo direito ao trabalho. Não, não sou um ‘folgado’ como querem fazer acreditar alguns amigos de redação – em especial aqueles três que batem papo comigo no ‘Hora de Expediente’. 

Deixo claro que ao escrever que estou de férias já na primeira frase desse texto, não tenho a intenção de atacar a imagem e reputação de ninguém. Nem dos que saem de férias nem dos que trabalham. Menos ainda daqueles que consideram uma acusação maldosa dizer que a pessoa está de férias, só porque ficou alguns dias afastado do trabalho, dançando funk na lancha, fazendo peripécias em jet ski, cavalo de pau em carro esportivo, engolindo camarão e passeando em meio ao aglomerado na praia. Nós sabemos o trabalho que isso dá!

Dito isso, volto ao tema que me propus escrever, na expectatica de não ser alvo de ataques dos caros e cada vez mais raros leitores deste blog.

Por mais que a ideia das férias seja descansar, desligar, desconectar e mais uma série de outros verbos iniciados pelo prefixo que significa tanto negação quanto reversão, tem hábitos que somos incapazes de abandonar. 

((Somos é muita gente, diria minha mãe. Que, aliás, tinha um conceito bem interessante para férias: qualquer coisa que não me faça trabalhar mais fora do que quando estou em casa)).

Pra colocar a frase na devida proporção: tem hábitos que EU não sou capaz de abandonar, mesmo nas férias. Se você também for assim, conta para mim, vista a camisa e entre no meu time. Levantar cedo da cama é um desses hábitos. Costumo acordar pouco depois das quatro da manhã para trabalhar. Nas férias, o relógio que move minha mente, mesmo que atrase um pouco mais, desperta por volta das cinco.  Nem sempre saio da cama neste horário. Insisto. Estico. Viro de um lado. Vou para o outro. Desisto. 

A partir das cinco, a mente começa a trabalhar independentemente do meu desejo. É como se eu não tivesse controle sobre ela. Me ajuda, Simone! 

Nos últimos dias, mesmo que aparentemente esteja dormindo, a mente teima em resolver problemas que não existem: o Juca vai entrar na hora certa? Qual o assunto do Cortella? E se não fechar a conexão com a GloboNews? É como se todas aquelas questões que se justificam no cotidiano da redação continuassem a perturbar quando eu deveria estar relaxado. Socorro, dr. Alexandre!

Leio especialistas que garantem que os efeitos das férias são evidentes do ponto de vista biológico. Dizem que, além do equilíbrio da mente (?), encontra-se o ponto ideal para os níveis de cortisol, hormônio que ajuda a controlar o estresse; reduz-se inflamações; e se melhora o sistema imunitário. Estou precisando mesmo, diante da quantidade de vírus e irresponsáveis que nos cercam.

Como ainda não falei com a minha amiga e colega de blog, a psicóloga Simone Domingues, nem escrevi para o Dr Alexandre de Azevedo, especialista em sono, que conheci em programa com Márcio Atalla e assisti no canal Dez Por Cento Mais, não tenho respostas baseadas na ciência para essa encrenca que me meti. 

Minha solução caseira tem sido bem simples: a mente começou a trabalhar, levanto da cama, a hora que for, e inicio um processo de descompressão. Observo o horizonte – um tanto privilegiado diante do local que escolhi para passar minha férias -, presto atenção no barulho do mar, na passarinhada que faz a festa no meu entorno, no sol que começa a ofuscar os olhos e, principalmente, me aprofundo no silêncio que só a natureza se atreve a quebrar.

Essa tentativa de alcançar o bem-estar mental às vezes é ameaçada pelo desejo de escrever (este texto, por exemplo), de saber o que está acontecendo no mundo ou de planejar a imprevisibilidade do ano. Em lugar da busca de uma ocupação, insisto na preocupação. É uma batalha diária. Leio que 70% das pessoas precisam de uma semana para vencê-la. Devo fazer parte da legião dos 30% que estendem a luta para duas semanas ou mais. Bem mais no meu caso. E ainda reclamam que tiro muitas férias. Minha mente precisa, gente!

Nesse embate diário, você já deve ter percebido que hoje fui derrotado. O texto que você lê é a prova do crime. Deveria estar com o pé na areia, deixando o vento e o mormaço tomarem meu corpo, mas estou aqui diante do computador, assuntando com você. Assim que der o ponto final — e ele estará logo a seguir —  espero ter descomprimido a mente, dando espaço para o prazer e o bem-estar. Se for esse o resultado, obrigado por você estar aqui comigo. Nossa conversa, se não foi rica em informação e bela em palavreado, que ao menos tenha sido terapêutica!