Avalanche Tricolor: jogo em duplex é uma marca do rádio esportivo do RS

Atlético PR 1×2 Grêmio

Brasileiro — Arena da Baixada, Curitiba PR

Ferreirinha garante grito de gol do narrador Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

O domingo passou e a segunda já está terminando, mesmo assim decidi escrever esta Avalanche fora de hora. Nem tanto pelo jogo, que sequer tive o direito de assistir. Nem mesmo pela vitória, que parece ter acontecido por inércia do adversário. Escrevo para falar do que ouvi. Da saudade que senti.

Sem que nenhuma emissora de TV tivesse o direito de transmitir o jogo, meu celular se transformou em radinho de pilha; “sintonizei” a rádio Gaúcha na internet e em poucos minutos fui sugado pela memória. Com as partidas da dupla Gre-nal ocorrendo no mesmo horário, a emissora narrou no sistema duplex, uma fórmula típica do rádio esportivo rio-grandense. 

Desde que me conheço por ouvinte de rádio —- e isso aconteceu muito cedo por motivos mais do que óbvios —-, as emissoras não se arriscam a transmitir apenas um dos jogos da dupla Gre-nal. Deixar um dos dois principais times do Estado fora da programação ou se resumir a atualizar o placar e os lances, seria crime de lesa-pátria, daqueles de derrubar a torre de transmissão, queimar a sede e pendurar seus profissionais pelos pés em praça pública. 

Em uma época na qual jogava-se bola quase sempre nos mesmos horários, domingo à tarde e quarta-feira à noite, era inevitável a coincidência na programação. A solução era o duplex, com equipes de narrador, comentarista e repórter dedicadas a cada uma das partidas e disputando espaço na mesma transmissão para levar ao ouvinte os momentos mais marcantes do jogo ao mesmo tempo —- assim como ocorreu nesse domingo.

A bola começa a rolar em um estádio e o narrador descreve o lance até ela parar; o locutor do outro jogo toma a palavra e sai em disparada relatando o que acontece em campo. A palavra dele é roubada se tiver perigo de gol lá no outro estádio e será devolvida em tom de frustração se nada tiver acontecido de importante. Em meio a esse bate-bola, ainda tem de entrar os anúncios comerciais lidos ao vivo pelos narradores. O ponto certo para entrar é a respiração do colega. Atropelar é inevitável, mas se o atropelo for com convicção, estará desculpado. Às vezes, exagera-se na qualidade da jogada para justificar a chamada. Outras, fica evidente a tristeza de quem está diante de uma partida sem graça nem emoção. 

Imagine essa situação quando as equipes resolvem marcar gols ao mesmo tempo. A solução é esperar o fim do grito e arriscar um grito ainda mais alto. Tem jogo de ego, ciúmes e reclamações nos bastidores. Tem ironia, indiretas e brincadeiras no ar. Neste duelo quem tiver mais gogó leva vantagem.  Pra que nunca ouviu, parece coisa de louco. Para quem ouviu, temos certeza de que é, mas loucura que costuma dar certo, seja pelo hábito seja pela qualidade dos profissionais. 

Aprendi a ouvir futebol na Guaíba, que teve a maior e mais qualificada equipe do rádio esportivo no Sul do País. Para que minha afirmação não seja intepretada como a de um filho coruja, pergunte para qualquer um dos colegas do rádio de São Paulo que vivenciaram aquela época. 

Pedro Carneiro Pereira, Armindo Antonio Ranzolin, Milton Ferretti Jung, Samuel Souza Santos e Élio Fagundes faziam parte do time de narradores. Lauro Quadros e Ruy Carlos Ostermann eram comentaristas, entre outros nomes que certamente esqueço agora não para demérito dos esquecidos, mas do próprio ‘esquecedor’. Na reportagem tinha  Lasier  Martins —- esse mesmo que é Senador —- e o irmão dele, Lupi Martins; João Carlos Belmonte, que  comandava o grito da torcida para recepcionar o time que subia as escadas de acesso ao gramado; Edgar Schmidt e mais uma penca de gente boa. No plantão de estúdio, o insubstituível Antonio ‘Tem Gol’ Augusto —- pai de Antonio Augusto Mayer dos Santos, colaborador deste blog.

Jogos em duplex com esse time era um espetáculo. Quando chegavam na camionete da rádio nos estádios, especialmente no interior do Estado, eram cercados pelos ouvintes que queriam ver seus ídolos do rádio esportivo. Curti alguns desses momentos na adolescência, viajando com o time da Guaíba para assistir aos jogos do Grêmio. Quando fui repórter de campo na segunda metade dos anos de 1980 ainda havia um rescaldo de admiração por parte dos Guaibeiros —- que era como os ouvintes se identificavam —-,  mas a concorrência feita pela rádio Gaúcha já era bastante expressiva, inclusive tendo levado a maior parte dos grandes nomes da Guaíba.

Tudo isso me veio à mente enquanto ouvia os narradores da Gaúcha disputando o direito à palavra tanto quanto os times buscavam o gol. Quem narrava a partida do Grêmio saiu no prejuízo pela diferença de qualidade dos jogos jogados ao mesmo tempo. Sorte dele — a minha e dos torcedores gremistas, também —- que no segundo tempo entraram Pepê e Ferreirinha. Com estes dois correndo e driblando alucinadamente no ataque, o locutor não pode bobear —- nem os marcadores —- porque o gol está sempre prestes a acontecer.

Vota Aí! ajuda eleitores de todo o Brasil a escolher o prefeito

Os sites, plataformas e criadores digitais ainda estão nos devendo um bom banco de dados para descobrir nomes de candidatos a vereador que estejam sintonizados com aquilo que pensamos. Uma das dificuldades é que por serem milhares —- quase 2 mil só na cidade de São Paulo —- reunir este material se torna muito complexo, mesmo porque a maioria deles não tem planos e ideias publicadas —- quando muito tem um nome e um número para concorrer. 

No caso dos candidatos à prefeitura, a formação deste banco é simplificada porque todos são obrigados a registrar na Justiça Eleitoral um plano de Governo. Agora, conhecemos mais uma plataforma para colaborar com a escolha para o executivo municipal: a Vota Aí. Nos foi apresentada em texto de Renato Krauz, sócio-diretor da Loures, agência de comunicação. 

Duas pesquisadores da UERJ, Nara Salles e Argelina Figueiredo, desenvolveram plataforma que reúne os programas de governos de mais de 30 mil candidatos a prefeito e permite uma série de interações com os documentos para pesquisa do eleitor.

Você tem os programas completos, mas pode procurar por temas específicos de seu interesse, cruzar dados e formar nuvens de palavras para entender quais as principais ênfases de cada candidatura, comparar ideias, entre outras funcionalidades. 

A propósito: as nuvens de palavras que ilustram esse post são do programa de governo de dois candidatos a prefeito de São Paulo. Adivinha quem são?

Tem um quiz em que uma proposta é apresentada e você tenta descobrir quem é o candidato.Além de seção de artigos e podcasts para entender o processo eleitoral. O projeto  Vota Aí  está instalado no Doxa  — Laboratório de Estudos Eleitorais, de Comunicação Política e Opinião Pública —, que tem o maior acervo sobre eleições no Brasil.

Leia mais: https://www.adoteumvereadorsp.com.br/news/vote-ai-ajuda-eleitores-de-todo-o-brasil-a-escolher-o-prefeito/

Sua Marca: cuidado porque o consumidor não é Peteleco, é Emília

“Se você quer que a sua marca seja um sucesso não economize tempo, não economize dinheiro para saber o que é que estão falando de você, se é o que você de fato fala da sua marca” —- Jaime Troiano.

Os “reviews” ou as avaliações de consumidores são a principal fonte de promoção e divulgação de empresas, produtos e serviços. Mesmo que a comunicação oficial, a publicidade e seus influenciadores tenham importância na estratégia da marca, a opinião pública fala mais alto, especialmente com a força que sua expressão ganhou nas plataformas digitais. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo alertam gestores para a necessidade de estarem de ouvidos bem abertos para o que andam dizendo da sua marca.

“O consumidor não é um ventrículo como o Peteleco, que falava o que o humorista Oscarino Faria queria; é muito mais Emília, de Monteiro Lobato, que diz tudo que vem da sua cabeça” —- Jaime Troiano.

A força de um elogio ou uma indicação por um usuário independente vale muito mais do que comunicação oficial da marca. Da mesma forma, uma crítica pode ser destrutiva para a reputação do negócio. Cecília Russo diz que em uma das metodologias que usam para auditar a marca existem cinco estágios na relação do consumidor: idealização, preferência, familiaridade,  rejeição e desconhecimento.

“Quando a marca chega ao estágio da rejeição é terrível, porque é difícil de fazer a conversão para voltar aos patamais mais altos e se tornar uma marca preferida e idealizada”

\O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

Adote um Vereador: quanto e como o seu vereador gasta em verba de gabinete, em SP

 

Texto escrito para o site Adote um Vereador

Saber como o vereador usa o dinheiro público é uma excelente maneira de avaliar a qualidade e a produtividade do trabalho para o qual foi eleito. A conta não é objetiva, tem de cruzar com outros dados, como projetos de lei relevantes apresentados e aprovados, fiscalização efetiva do Executivo e participação ativa na transformação da cidade. Sem contar que gastar mais ou gastar menos nem sempre é prova de excelência. Há vereador que nada faz, portanto gasta pouco. Há quem seja ativo e gasta mais. Dito isso, a minha sugestão: olhe onde e como o dinheiro é usado; isso sempre nos dá alguma pista de quem é quem na Câmara.

O Observatório Social Brasileiro monitorou os registros de gastos na Câmara, nos anos de 2017, 2018 e 2019. Mesmo com uma série de barreiras no caminho, por falta de transparência e acessibilidade nos dados fornecidos pelo legislativo paulistano, foi possível perceber que os gabinetes dos vereadores não têm um padrão em relação ao uso do dinheiro e têm alguns gastos difíceis de justificar. Mais do que isso: diante de dúvidas e negativas de informação sobre contrato mantido pela Câmara com os Correios, o OSB entrou com denúncia contra o legislativo no Tribunal de Contas do Município, em julho deste ano. Aguarda retorno do TCM — que seja breve.

Tem uma planilha completa à disposição do eleitor, preparada pela OSB, com a ajuda de voluntários e universitários, na qual é possível identificar o gasto médio anual de cada vereador. Em linhas gerais, a Câmara gastou cerca de R$ 12 milhões por ano com verbas de gabinete —- fora o salário dos funcionários.  Verba de gabinete que tem como nome oficial Auxílio-Encargos Gerais de Gabinete.

O  item em que boa parte do dinheiro se vai é na contratação de Pessoas Jurídicas —- em média R$ 2,7 milhões por ano —-, o que chama muito atenção pois os vereadores já tem um corpo de funcionários no gabinete, sem contar os próprios servidores do legislativo que prestam uma série de serviços e consultorias. Em muitos casos, os gastos se repetem mês a mês, em limites próximos da dispensa de licitação. Sabe como é que é, né? Melhor pagar um pouquinho menos e contratar quem eu quero do que ser obrigado a fazer uma concorrência e o serviço ficar na mão de sei lá quem.

Entendeu? Para que ninguém desconfie de que tem gente se aproveitando do dinheiro público, o OSB decidiu investigar mais a fundo esses valores e, em breve, deve apresentar o resultado deste trabalho.

Ainda se gasta muito com correio e gráfica, mesmo que boa parte da comunicação possa ser feita de forma eletrônica e mais barata. Com serviços de composição, diagramação e gráfica, se vão cerca de R$ 2,7 milhões; e com os Correios, em torno de R$ 1,3 milhão.

Quando se olha a planilha por vereador —- sem fazer nenhum juízo de valor, ok —-, alguns números que se destacam:

O vereador que mais usou verba de gabinete ao longo da legislatura foi Zé Turin, hoje no Republicanos: R$ 308.504,98 por ano, em média. Adivinha para onde foi a maior parte desta grana? Cerca de 40% para a contratação de PJ —- sempre naqueles valores que ficam no limite da necessidade de fazer licitação. Para você não perder tempo com contas de cabeça: R$ 125 mil e uns quebrados, em média, por ano.

O segundo nome que mais gastou dinheiro desta verba foi Noemi Nonato (PL): R$ 286.044,73, em média, por ano. Um terço deste valor (R$ 90,8 mil) para contratação de PJs. 

O Rei dos Correios — sem ofender —- foi Abu Anni (PSL). Ninguém registrou mais gastos neste item do que ele: R$ 121.093,00. O vereador foi eleito deputado federal em 2018 e, portanto, desde 2019 dá expediente em Brasília. 

Chama atenção na lista o fato de que os vereadores parecem não gostar muito de usar carros de aplicativos. Só dois vereadores usaram esse serviço até 2019: José Police Neto (PSD) que teve ressarcidos R$ 1,4 mil; e  Eduardo Suplicy (PT),  com R$ 626,30. 

Carro alugado, custos com lavagem e ressarcimento por combustível queimado gastam muito mais. E são a preferência da turma: cerca de R$ 1,9 milhão.

Antes que alguém fique com cara de bravo para gente, reforço o que escrevi antes: gastar mais ou gastar menos não é declaração de honestidade ou safadeza. No entanto, com os números reunidos sempre dá para refletir melhor sobre quais são as prioridades de cada um e como o vereador preza o respeito ao dinheiro público.

A saber: cada vereador dispõe, de uma verba de até R$ 310.612,56 (média mensal de R$ 25.884,38) destinada ao custeio de serviços gráficos, correios, assinaturas de jornais, deslocamentos por toda a cidade e materiais de escritório, entre outras despesas, no ano. O vereador paga a despesa, pega a notinha e pede o ressarcimento da Câmara. 

Muitos desses recibos estão registrados e com acesso ao cidadão. Porém, quase todos em PDF o que dificulta cruzamento de dados. Alguns você não encontra. Por isso o trabalha do OBS é tão importante. Vai que algum vereador tenha se perdido nas contas e pediu para se ressarcido por dinheiro que não foi gasto. 

Acesse aqui o site do OBS e verifique quanto o seu vereador gasta da verba de gabinete.

Leia mais: https://www.adoteumvereadorsp.com.br/news/quanto-e-como-o-seu-vereador-gasta-a-verba-de-gabinete/

Conte Sua História de São Paulo: pedalei meu kart no Largo do Arouche

Por Giuseppe Nardelli

Ouvinte da CBN

 

Nasci em São Paulo. Hoje, tenho 60 anos. Com oito meses mudei para a Itália e de lá retornei com a família após nove anos, quando meu pai foi convidado para trabalhar aqui no Brasil. Fomos morar em um pequeno apartamento no Largo do Arouche —- lugar bom naquela época. Sem saber falar o português, me virava do jeito que dava, não o suficiente para fazer amizades na escola

Meu pai me deu de presente um kart de pedalar. Eu descia o elevador e o zelador, Seu Frederico, me atravessava até a praça do Arouche, onde podia ficar brincando sozinho —- sem correr riscos. Minha mãe vigiava tudo  pela janela lá do alto do prédio

Houve um ano que a praça foi enfeitada para o Natal com bonecos gigantes de plástico e iluminados. Quando as festas passaram, vi os funcionários da prefeitura desmontando a decoração e fui até eles com meu pai para pedir um dos bonecos. O moço da prefeitura deixou que eu ficasse com um deles. Coloquei na cozinha do apartamento e dentro do boneco liguei um abajur para ficar iluminado como na praça. 

Do Arouche fomos para um apartamento maior na Henrique Schaumann. A rua ainda era estreita. O prédio tinha cinco andares e ficava bem na esquina. Quando decidiram tornar a Henrique Shaumann em uma avenida correu-se o risco dele ser destruído. Mas resistiu em pé. Durante as obras, eu andava de bicicleta na via que começava a ser aberta para a avenida passar.

Foi lá que completei meus 18 anos quando, então decidi sair de casa e morar sozinho. Apesar da Ditadura Militar, não encontrei problemas no meu caminho. Estudei e me diverti. Foram anos em que descobri as belezas da vida de um pós-adolescente, com seus prós e contras. Hoje, posso lhes dizer que tive uma juventude boa e cheia de alegrias, graças a Deus!

Giuseppe Nardelli é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outras lembrança, visite o meu blog miltonjung.com.br e se inscreva no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: sustentabilidade é estar conectado com as tendências do consumidor, diz Rafael Viñas, da Fundação Espaço ECO

“Investir em sustentabilidade é você garantir que os canais que você captura essas tendências estejam equilibrados, então que a forma com que você explora o capital natural, a sua matéria prima por exemplo, garanta esse atendimento de demanda de mercado” Rafael Viñas, Fundação Espaço ECO

O diálogo sobre sustentabilidade tem amadurecido ao longo das últimas duas décadas e se no início fazia parte apenas de acordos globais e debates internacionais hoje está bem mais próximo das empresas. A opinião é de Rafael Viñas, gerente da Fundação Espaço ECO, entrevistado pelo programa Mundo Corporativo, da CBN. Apesar de os riscos que a crise atual impõem, Viñas entende que os projetos empresarias com foco na sustentabilidade tendem a se fortalecer:

“…sem dúvida, é um risco. A gente traz muito a leitura da sustentabilidade como conexão de tendências. A gente hoje vive esse contexto econômico, social e de saúde; a gente tem de reconhecer que é uma tendência de consumo que vai mudar; a gente vai ter uma leitura nova como o consumidor e os negócios vão ter de se conectar nisso …  quais que são os temas mais relevantes? Se tem uma nova forma de consumo, como as empresas vão oferecer isso?”

A Fundação foi criada pela BASF e atua como uma consultoria para estratégias de sustentabilidade, com a intenção de traduzir a ciência para o contexto corporativo e desenvolvendo projetos para outras empresas e organizações. Um desses programas é o Mata Viva que se iniciou em área do Complexo Químico as margens do rio Paraíba do Sul, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo:

“… é um programa de conservação que trabalha com biodiversidade, e o principal recurso financeiro para mantê-lo a tem a ver com a compensação financeira da pegada de carbono que as empresas têm …”

Viñas acrescenta que para as empresas se sustentarem também haverá a necessidade de entenderem que os produtos para os consumidores são cada vez mais diversos e será preciso respeitar essa diversidade e oferecer informações que sejam sólidas a este consumidor:

“Traduzir sustentabilidade é você identificar além dos termos, as práticas: como você faz a gestão da cadeia sustentável para, por exemplo, oferecer um cosmético vegano, sendo que a 10 anos atrás a gente mal falava sobre o contexto vegano e muito menos sobre cosmético vegano. Essa tendência de consumo é uma das práticas que a gente tem na fundação: metodologias para capturar isso e desenhar estratégia para os negócios”.

O Mundo Corporativo é apresentado por Mílton Jung às quartas-feiras, 11 horas, ao vivo, pela internet e pode ser assistido no canal da CBN no Youtube e no Facebook, e no site da CBN. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, e também está disponível em podcast. Colaboraram com este Mundo Corporativo: Juliana Prado, Érica Paixão, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscilia Gubiotti.

Você decide: pode ser objeto ou sujeito da política urbana na sua cidade!

Por Carlos Magno Gibrail

Vista aérea do Morumbi Foto: Pétria Chaves/CBN

Quando você não está pagando o produto, então você é o produto. E se você é o produto, quem estiver pagando está usufruindo de alguma maneira do produto adquirido. Esse é um dos raciocínios apresentados no documentário da Netflix: “The Social Dilemma”. Jeff Orlowski, através de depoimentos de expoentes das redes sociais, demonstra os métodos utilizados para manipular e difundir o que lhes interessa propagar. Verdades e mentiras. Mais mentiras do que verdades.

Em 1950, uma mentira difundida apenas em comícios e rádios, que o candidato da UDN, o brigadeiro Eduardo Gomes, dispensava os votos dos “marmiteiros” levou Getúlio Vargas a vencer as eleições até em São Paulo, estado que anos antes tinha liderado a Revolução Constitucionalista contra o então ditador Vargas.

Em 2020, com a tecnologia das atuais plataformas, a manipulação e o estrago possíveis não poderão ser minimizados. 

Diante das eleições municipais daqui a poucos dias, estamos no momento adequado para as Fake News se acentuarem. Fato que já é corriqueiro, embora difícil de se neutralizar. Tendem a se expandir em temas que não são da alçada municipal. 

Enquanto isso, uma área importantíssima está sendo esquecida nessa eleição: a do Planejamento Urbano, principalmente para a cidade de São Paulo. Será na próxima legislatura que a capital paulista poderá mudar de cara. A Câmara Municipal receberá o Plano Diretor, a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo — Zoneamento e os Projetos de Intervenção Urbana.

O Plano Diretor definirá como a cidade deverá crescer nos próximos anos, obedecendo o Estatuto da Cidade, que obriga a função social da propriedade urbana e o ordenamento territorial —- vai determinar quais são as funções de cada região da cidade. O terreno pode ser de propriedade privada, mas a utilização deve obedecer às características descritas no Plano Diretor.

A Lei de Parcelamento Uso e Ocupação do Solo -– Zoneamento dirá quais são os parâmetros de ocupação determinados no Plano Diretor, e o adensamento demográfico previsto. Estabelecerá os gabaritos das edificações de forma que serão estabelecidos os andares permitidos dos prédios a serem construídos. Por exemplo, o bairro de Perdizes, desde 2016, devido a revisão do Zoneamento foi invadido por prédios, e os moradores remanescentes das casas lamentam profundamente a mudança.

O Morumbi teve a sua Av. Morumbi castigada como ZCOR3, e está sentindo agora a tragédia do desmatamento; e, daqui a pouco, com as construções em execução prontas, a total descaracterização das restrições originais. 

Quer alguns exemplos? 

Uma enorme Droga Raia feericamente iluminada e com seu estacionamento de concreto destoa na bela paisagem arborizada da região, no cruzamento com a Alberto Penteado.

Mais adiante na Adibo Ares uma extensa construção erigida em área preservada acelera os trabalhos enquanto corre um processo movido pelos moradores contra a obra.

Os Projetos de Intervenção Urbana procuram áreas potenciais para revigoramento, que podem receber investimentos de infraestrutura para atender demandas específicas. O Parque Anhembi e o Pacaembu já estão aprovados. O Jockey Clube, o Ginásio do Ibirapuera e o Minhocão estão em elaboração. 

Indubitavelmente, a bandeira das reformas urbanas é uma bela causa para a cidade, as eleições e candidatos bem-intencionados. Principalmente quando aderentes ao movimento de sustentabilidade defendido pela ONU e já seguido por grandes corporações. 

É o lado do verde e do bem-estar social onde estão milhares de entidades de moradores, responsáveis pela cara boa da cidade. Afinal são os moradores que sabem e lutam pelos ares onde habitam.

Do outro lado está o capital, com as empresas que empreendem as construções nem sempre com a cartilha da sustentabilidade, mas sempre dispostas ao alinhamento político.

Você quer ser objeto ou sujeito nesta história? Eleitor com direito a decidir o destino da cidade, ou apenas um produto nas mãos de políticos?

Então, cobre dos candidatos compromisso com o bem-estar da cidade e dos cidadãos e faça uma boa escolha.

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.     

Avalanche Tricolor: só pode ser coisa dos deuses do futebol

Grêmio 1×1 America de Cali

Libertadores — Arena Grêmio

A festa do gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foi sofrido, não foi? Não que nunca seja. Sempre é. 

Sofremos menos porque a bola não entrou ou por algum risco na classificação —- que não havia até porque uma das duas vagas já era nossa. 

Sofremos mais porque o futebol não encaixou como gostaríamos. Quer dizer …, até se ajeitou naqueles primeiros minutos do segundo tempo, depois da conversa de Renato no vestiário e as primeira mudanças do meio para a frente. Em pouco tempo vimos um time mais móvel, toque de bola mais veloz e chegada na área do adversário —- a ponto de termos provocado um pênalti a nosso favor,

Dali pra frente, foi aquilo que você viu. Erramos o quinto pênalti em oito até então cobrados na temporada. Tomamos o contra-ataque e, em uma bola na qual o atacante adversário sequer pulou, nosso zagueiro desviou para as redes. Santa infelicidade de Kannemann que já havia tomado um amarelo no primeiro tempo, fez um gol contra e levou o segundo  amarelo já nos acréscimos, sendo expulso de campo e suspenso da próxima partida das oitavas-de-final.

Nada mais funcionava e quanto mais velocidade se tentava dar ao jogo, mais rapidamente cometíamos erros. Até mesmo Pepê, sempre uma saída de escape quando a coisa está feia, era incapaz de reter a bola em seus pés. Chegou a tropeçar nela —- coisa rara desde que assumiu a titularidade do time. 

Renato esbravejava, bufava, sentava e levantava irritado com o que via. Olhava para o céu como se pedisse uma ajuda dos deuses do futebol. Olhava como se perguntasse: o que eu fiz para merecer isso? Mudou quem tinha para mudar e parecia que nada daria certo nesta noite de quinta-feira.

Nas redes sociais a corneta tocava alto. Para muitos dos corneteiros os réus tinham sido julgados e considerados culpados, sem direito de defesa. Sem refletirmos pelo passado que nos trouxe até aqui. 

Só faltava o co-irmão vencer o jogo lá fora, a gente ficar em segundo no grupo e no sorteio pegar um daqueles adversários encrenqueiros! Fecha tudo! Bota todos para fora! Começa tudo de novo! Derrube-se a estátua na esplanada da Arena. Quem contratou esses pernas de pau? Impeachment já!

A bola, o adversário e o árbitro conspiravam contra. O anti-jogo, coisa da Libertadores, como costumam dizer, reinava no gramado. O risco de perdemos mais jogadores para a próxima etapa só aumentava com os nervos a flor da pele. 

Foi então que uma luz se fez. Sei lá de onde. Só pode ser coisa do divino que veio para inocentar os pecadores. Não bastasse nos dar de mãos beijadas o primeiro lugar no grupo com a derrota do adversário direto pela liderança na outra partida, ainda nos ofereceu a benção de mais um pênalti com quase dez minutos de acréscimo. Tinha de ser um pênalti.

Diego Souza ajeitou a bola, correu, parou, dançou, balançou e nosso coração paralisou. Quando bateu em gol, o goleiro adversário já estava caído de joelhos. E de joelhos ficamos nós, agradecendo aos deuses pela justiça que se faz a história de Renato e deste time que não anda em boa fase, mas que mesmo assim termina em primeiro lugar em seu grupo.

Os deuses decidiram nos dar mais uma chance. Saibamos aproveitá-la! Renato saberá!

Adote um Vereador: e aí, candidato, vai encarar???

Texto publicado pelo site do Adote um Vereador SP

Desde cumprir o que já está na lei até mudar comportamentos na prefeitura e na Câmara Municipal. Uma lista de compromissos, elaborada por quatro grupos de cidadãos que monitoram o trabalho dos políticos na cidade de São Paulo, será colocada à disposição dos partidos para que seus candidatos assinem e se comprometam em levar as ideias adiante ao se elegerem para a prefeitura ou para a Câmara Municipal de São Paulo. 

O “Termo de Compromisso para Candidato” foi uma iniciativa do Observatório Social do Brasil, seção São Paulo, com o apoio do Adote um Vereador, do Voto Consciente e do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral. Os compromissos elencados são considerados relevantes para o alcance da transparência e para a preservação de irregularidades e do desperdício de recursos públicos. A intenção é colaborar com a eficiência do gasto público e dos serviços prestados à população.

Entre os 15 compromissos propostos, os candidatos a prefeito não devem nomear para cargos comissionados agentes públicos ou cidadãos que sejam réus em ações criminais ou de improbidade administrativa com condenação em segunda instância —— é a Ficha Limpa para comissionados.

Pede-se que os Conselhos Municipais tenham voz ativa nas decisões da prefeitura e a retomada do conselho participativo no Orçamento. Se eleito, o candidato também tem de tornar regra a divulgação de relatórios mensais sobre como o dinheiro público está sendo usado pelas subprefeituras em formato simples e com linguagem acessível ao cidadão —- o que reforça lei já aprovada na Câmara que exige que os textos oficiais do município sejam escritos de maneira simplificada.

Para os candidatos a vereador, o termo prevê 17 ítens, dentre os quais um que determina que o parlamentar se obriga a seguir os pareceres do Tribunal de Contas do Município em relação as contas da prefeitura. É comum os vereadores aprovarem, por interesse político, as contas do Executivo, quando técnicos do TCM identificaram irregularidade em pagamentos e repasses.

Dar prioridade às votações nominais e promover a redução da verba anual de Auxílios de Encargos Gerais de Gabinete durante o mandato também aparecem na lista de pedidos das entidades.

Um documento está sendo enviado aos partidos; mas todos os candidatos individualmente podem assinar o termo e torná-lo público em suas redes sociais. O Observatório Social do Brasil vai reunir este material para que o cidadão cobre do candidato quando eleito. 

Para ler a lista completa de compromissos propostos aos candidatos, acesse os links abaixo. 

Você pode nos ajudar a fazer com que os candidatos assumam esses compromissos.

Copie os termos de compromisso e envie para os candidatos que você conhece. Depois, envie para o e-mail contato@adoteumvereadorsp.com.br

Copie aqui o Termo de Compromisso para candidatos a vereador 

Copie aqui o Termo de Compromisso para candidatos a prefeito

Leia mais: https://www.adoteumvereadorsp.com.br/news/entidades-pedem-que-candidatos-assumam-compromissos-com-transparencia-e-eficiencia-do-servico-publico-antes-das-eleicoes/

O cérebro na pandemia: mulheres têm até 3 vezes mais chances de apresentar transtornos mentais

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Imagem: Pixabay

 

Diversos estudos têm mostrado o potencial do coronavírus (SARS- COV-2) de invadir o sistema nervoso central, promovendo alterações estruturais e funcionais no cérebro de pacientes com COVID-19. Apesar de não haver precisão no número de pessoas afetadas e no tempo de duração das alterações neurológicas e psicológicas causadas pela COVID-19, pesquisas realizadas em diferentes países sugerem que uma parcela significativa da população mundial experimentará as consequências dessa pandemia na saúde mental.

Um estudo realizado na Espanha sobre os prejuízos psicológicos causados pelo COVID-19 revelou aumento de 7% dos casos de depressão, com maior vulnerabilidade para pessoas de baixo nível socioeconômico, mulheres e pessoas com rede de apoio fragilizada. 

Na China, país no qual surgiram os primeiros casos, os resultados dos estudos mostraram aumento no índice de ansiedade, depressão e uso nocivo de álcool, quando comparados com os índices populacionais anteriores à pandemia.

Um estudo conduzido pelo Instituto de Psicologia da UFRGS avaliou os indicadores de sintomas de transtornos mentais e identificou que ter a renda familiar reduzida, causada pelos impactos econômicos da pandemia, fazer parte do grupo de risco e estar mais exposto a informações negativas, como o número de mortos e infectados, são fatores que podem provocar maior prejuízo para a saúde mental. 

No Brasil, semelhante aos dados do estudo espanhol, as mulheres têm quase 3 vezes mais chances de apresentar transtornos mentais durante a pandemia. A violência doméstica sofrida durante o isolamento social é um dos fatores que contribui para essa estatística.

Além dos impactos emocionais relacionados à pandemia, prejuízos nas funções cognitivas, como atenção, memória e processamento de informações também estão sendo reportados em diversos estudos, como consequência de alterações no cérebro, mesmo em pacientes que tiveram a forma leve da doença.

As medicações usadas no tratamento da COVID-19 podem também promover alterações neuropsiquiátricas como amnésia, delírio, alucinações, mudanças de humor, comprometimento cognitivo leve e psicoses.

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento: inscreva-se no canal 10porcentomais no Youtube.

Com base em dados obtidos em epidemias anteriores, como a síndrome respiratória aguda grave, ocorrida em 2003, e a síndrome respiratória do Oriente Médio, em 2012, 78% das pessoas apresentaram problemas cognitivos até um ano após a alta hospitalar.

Falhas de memória para situações cotidianas, como esquecer de tomar medicamentos ou compromissos, foram persistentes até cinco anos após a alta. Naquela época, foram identificados prejuízos cognitivos semelhantes aos que pesquisadores estão observando na pandemia atual, com falhas na atenção, memória, processamento de informações e funções executivas — habilidades cognitivas que envolvem planejamento e realização de tarefas.

Do mesmo modo que não é possível saber o número exato de pessoas que já foram contaminadas pelo coronavírus, possivelmente o número de pessoas impactadas por alterações neuropsiquiátricas também não está bem dimensionado. Assim, tão importante quanto as medidas de prevenção adotadas inicialmente, propostas terapêuticas e de reabilitação devem ser planejadas para atingir as necessidades específicas de cada pessoa, reduzindo as sequelas causadas pela doença, oferecendo ganhos no estado mental e na qualidade de vida do paciente e de seus familiares. 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung