Os robôs vêm aí. E daí?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Estudos da Universidade de Brasília relatam que em sete anos podemos ter mais da metade dos empregos formais executados por robôs ou sistemas inteligentes. A pesquisa realizada pelo Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organização da UnB concluiu que 57% dos brasileiros (25 milhões) exercem funções com probabilidade muito alta ou alta de serem substituídos pela tecnologia. Por exemplo, cobradores de transportes coletivos, recepcionistas de hotel e taquígrafos. Enquanto que as profissões como analistas de computação, engenheiro de sistemas operacionais e psicanalistas estão fora da automação.

 

Convenhamos que esse cenário é antes de tudo estimulante. Afinal, a priori, a tecnologia e o homem estarão sempre em evidencia.

 

Com o intuito de identificar o que ocorre em um dos mercados mais próximos de substituição do trabalho humano pela tecnologia — que é o atendimento on line — fomos verificar como o maior player de plataforma de atendimento ao Consumidor, a Hi Platform, está operando.

 

Em 2012, pioneiramente, através de Alexandre Bernardoni, seu fundador, a Hi Platform começou a comercializar chatbots*, procurando substituir o trabalho humano nos SAC. Essa atividade hoje é desenvolvida por conteudistas que precisam ter conhecimento de linguística, de comunicação e de ciências humanas. Segundo Fábio Miranda, o diretor que nos atendeu, a tarefa inicial é identificar os problemas em escala e as soluções em escala — separando-as e aglutinando-as de forma a poder deixar de utilizar nesses casos o atendimento humano.

 

Há trabalhos realizados em call center nos quais se identificou, inicialmente, que 50% das solicitações poderiam ser atendidas por máquina, resultando eliminação significativa de posições. Com o progresso do trabalho dos gestores de conteúdo, pode-se chegar a fortes reduções. Entretanto, Miranda ressaltou que, ao mesmo tempo, o conteudista percebe quando é extremamente importante passar ao atendimento humano.

 

Dentre os 900 clientes atendidos pela Hi Platform, a Netshoes resolve pelo Hi Bot 51 mil dos 100 mil atendimentos mensais que trafegam pelo robô; a SKY, com 300 mil atendimentos mensais que trafegam pelo bot, tem 29% do SAC resolvido exclusivamente pelo assistente virtual. A Passarela, terceiro maior e-commerce de moda, em um ano passou para o robô 40% dos atendimentos.

 

 

A Hi Platform com o foco em bots de atendimento — para liberar o telefone e o chat humano; em vendas, agindo em demanda latente; e com motor próprio de processamento de linguagem natural que opera em três línguas — é um fornecedor natural ao varejo omnichannel. E a grandes demandas específicas de vendas e atendimento, capacitada inclusive em evitar congestionamentos como Black Friday, etc.

 

As posições perdidas nos call centers estão sendo substituídas por funções mais qualificadas como as de gestão de conteúdo. Ao mesmo tempo, aos que fecharam, surgiram empresas como a Hi Platform, com 160 funcionários dos quais 14 conteudistas e 30 desenvolvedores. Os demais, em atividades de marketing e administração.

 

A previsão da chegada dos robôs deve ser considerada com a cautela histórica da inutilidade do estudo da melhoria da iluminação a gás quando surgiu a invenção de Thomas Edison com a energia elétrica. E com a certeza de que a tecnologia e as ciências humanas serão sempre necessárias.

 

Que sejam bem-vindos os robôs!

 

*Chatbot é um programa de computador que tenta simular um ser humano na conversação com as pessoas. O objetivo é responder as perguntas de tal forma que as pessoas tenham a impressão de estar conversando com outra pessoa e não com um programa de computador.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Advogado questiona número de cargos comissionados e indicações políticas na Assembleia Legislativa de São Paulo

 

 

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E como está a relação entre comissionados e efetivos na Câmara de São Paulo?

  

 

As indicações políticas para cargos comissionados no Legislativo —- e no Executivo não é diferente —- têm de ser motivo de preocupação do cidadão. É dinheiro público que pode estar sendo usado para interesses particulares. Vereadores, deputados e senadores usam do seu poder para distribuir as funções disponíveis entre apadrinhados políticos e para pagar favores a quem ajudou a ele ou ao partido na campanha eleitoral. Dá emprego ao filho de empresário, ao cunhado de filiado, à sobrinha de amigo e à mulher do colega de partido.
 

 

Quanto maior o número de cargos comissionados maior é a falta de transparência nos critérios usados para ocupar essas funções. Para ter ideia, são mais de 20 mil cargos comissionados —- ou seja de livre nomeação e livre exoneração, sem precisar passar por concurso —- no Brasil, de acordo com estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. 20 mil em um universo de 570 mil servidores. 20 mil aqui no Brasil contra 7 mil nos Estados Unidos, apenas para comparar com outro país com grande estrutura pública. Se olharmos para os números na Europa, a diferença é absurda: são 350 cargos comissionados na Inglaterra, 300 na Alemanha e 300 na França.
 

 

Em decisão do ano passado, o Supremo Tribunal Federal, ao negar a criação de mais 1.941 cargos comissionados na cidade de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, definiu, entre outros pontos, que:

— A criação de cargos em comissão somente se justifica para o exercício de funções de direção, chefia e assessoramento, não se prestando ao desempenho de atividades burocráticas, técnicas ou operacionais;
 

 

— O número de cargos comissionados criados deve guardar proporcionalidade com a necessidade que eles visam suprir e com o número de servidores ocupantes de cargos efetivos, no ente federativo que os cria.

 

 

Foi essa manifestação do STF que inspirou ação impetrada pelo advogado Antonio Donadelli contra a Assembleia Legislativa de São Paulo —- informou a jornalista Sonia Racy, no Estadão. O advogado questiona a proporção entre cargos comissionados e servidores efetivos na Alesp. Segundo Donadelli, a assembleia paulista, em dezembro, tinha 3.127 comissionados e 636 efetivos. O advogado quer que a Casa seja forçada a mudar a proporção no prazo de um ano.
 

 

A notícia me foi apresentada por integrantes do Adote um Vereador, de São Paulo. Não por acaso. A provocação jurídica atende não apenas a decisão de outubro de 2018, do STF, mas ao desejo de todo o cidadão interessado em controlar os gastos públicos e moralizar o uso da máquina pública. Por isso, a iniciativa de Donadelli, em relação a Alesp, deveria ser replicada em todos os Estados e cidades brasileiras.
 

 

No âmbito dos municípios, que interessa ao Adote, cabe analisarmos o número de funcionários contratado sem concurso público na Câmara Municipal de São Paulo, as funções que ocupam, e comparar com a quantidade de servidores concursados.
 

 

Quem se compromete com essa tarefa para começar o ano legislativo?

Avalanche Tricolor: sei lá onde vai dar isso, mas que tá bom, tá bom!

 

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Gaúcho — Centenário/Caxias do Sul-RS

 

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Pepê comemora segundo gol em mais uma goleada foto de LUCASUEBEL/FBPA

 

 

Até aqui o Campeonato Gaúcho tem sido um ótimo cartão de visita para a temporada. Nas últimas três partidas, o Grêmio marcou 10 gols, e com cinco rodadas é líder isolado, está invicto e colocou o pé na próxima fase da competição —- um rascunho bem diferente daquele que desenhou no início do ano passado, quando se arriscou ao entrar em campo com um time de muitos jovens e pouco preparo. Nem o técnico era Renato.

 

Tenho a impressão que o Grêmio aprende a cada ano que passa. Amadurece a ideia de alternar equipes e elenco, diante da necessidade de jogar em alto nível em uma sequência muito intensa de competições — seja no nosso rincão, seja Brasil a fora, seja lá no estrangeiro.

 

Hoje, consegue colocar em campo times bem mais equilibrados e, principalmente, capazes de repetir a forma de jogar dos titulares.

 

A cada temporada, mantendo a mesma comissão técnica e a mesma visão sobre o que pretende do futebol, revela mais consistência no trabalho. E os jovens jogadores que sobem para o time principal assim como aqueles que ainda não estão capacitados a ter um lugar entre os titulares, absorvem mais facilmente as ideias de Renato.

 

Pepê, que sofreu no time de transição no início da temporada passada e somente voltou a ter chances entre os titulares no segundo semestre, está muito mais confiante. Arrisca o drible, dispara em velocidade e chuta com precisão. Fez um, fez dois e o terceiro não fez porque a bola explodiu no travessão. Isso se chama maturidade.

 

Jean Pyerre, que também estava naquela equipe capenga que começou a jogar o Gaúcho, em 2018, chegou a ser afastado do elenco principal, passou por uma reciclagem, entendeu os conselhos de Renato, e agora traduz sua qualidade técnica e seu talento em produtividade.

 

Quem parece já chegou sabendo o que tinha de fazer foi Felipe Vizeu. Se na estreia foi garçom, ao dar assistência para Maicon marcar, hoje serviu-se da bola cruzada por Thaciano para fazer o seu primeiro gol com a camisa tricolor. Que seja o primeiro de muitos.

 

Na defesa, que tomou apenas um gol nas cinco partidas disputadas pelo Gaúcho, Júlio César foi bem mais testado nesta tarde, no estádio Centenário, do que em todas as demais em que ele e Paulo Victor revezaram a camisa de número 1. E passou bonito pelo teste. A defesa dele em uma cabeceada após a cobrança de escanteio, deu a oportunidade de o Grêmio botar a bola no chão, chegar ao ataque, abrir o placar e colocar ordem na partida — depois de o adversário ter iniciado o segundo tempo pressionando e entusiasmado.

 

Sem contar a segurança de Paulo Miranda que mesmo não sendo o titular, saiu jogando todas as partidas até aqui. Suas atuações tem sido irretocáveis. Ele sabe que a zaga gremista tem dono. Ou donos. Geromel e Kannemann são absolutos no time e no coração do torcedor. Aliás, o gringo voltou a campo com a bola toda, hoje à tarde. Aquele carrinho no lado do campo em que chegou antes do atacante, acertou a bola e ainda cavou a lateral, nos primeiros minutos, me bastava. Mas ele queria mais e simplesmente anulou o ataque adversário. O leão voltou.

 

Poderia trazer outros exemplos para ratificar o que penso sobre este amadurecimento do Grêmio e seu elenco: Juninho Capixaba, Matheus Henrique, Leonardo Gomes, Marinho … quase todos têm demonstrado avanço neste começo de temporada quando imaginávamos que ainda estariam sentido os efeitos das férias e da preparação física mais intensa.

 

Sei lá onde vai dar isso, mas que tá bom, tá bom!

 

PS: uma falha técnica na transmissão da partida do Grêmio pelo Canal Premiere nos tirou o prazer de assistir ao primeiro gol de Felipe Vizeu — soube que aconteceu tanto na Sky quando na NET. Problemas como esse acontecem. Sei bem dessa realidade. Enfrento dificuldades também quando apresento o meu Jornal da CBN. Diante do inevitável, uma recomendação a meus colegas de trabalho responsáveis pela transmissão da partida: além de pedirem desculpas no ar, obrigação nossa quando cometemos algum erro, por favor providenciem a reprodução do gol o mais rapidamente possível, seja durante a partida seja no fim do jogo. É uma questão de respeito ao assinante que, aliás, paga pra ver — e paga caro.

Conte Sua História de São Paulo: chama o Tonico! Ele faz

 


Por Hélio Borgoni
Ouvinte da CBN

 

 

— “Chama o Tonico”

 

Era assim. Sempre foi assim. Tonico era conhecido como o “faz tudo”. No jargão popular: Tonico é pau pra qualquer obra. Eu o conheci no ano de 1944. Foi numa festa regada com a bebida preferida dele “fogo Paulista”. Essa bebida era sempre servida nos aniversários, nascimento de filhos, batizados, crismas ou até mesmo quando ele participava de um telhado terminado. Os batismos de crianças eram frequentes. Todo mundo tinha um monte de filhos.  As famílias sempre numerosas. Tinham tantos irmãos e primos, e primos de primos, e amigos de primos, e amigos de amigos… todos eram, de alguma forma, compadres.

 

Os pais do Tonico eram imigrantes italianos. Foram trabalhar em fazendas de café, no sul de Minas, mais precisamente na cidade de São Sebastião do Paraíso. Tonico era o terceiro filho. Pela ordem dos mais velhos vinha Evaristo, Iolanda, ele, Laudelina, conhecida como Fiona, Alzira e Olímpio, o caçula. 

 

Como a historia é sobre o personagem Tonico vou me abster de falar dos outros, por enquanto. Tonico, tinha como tarefa trabalhar como “carreador de boi”, andava ao lado da carroça, descalço. Por que sei? Um dia, ele comentou que o frio era tanto que nem sentia os  espinhos nos pés; a mãe dele fazia um escalda pés e tirava os espinhos com agulha de costura. Ele contou que veio a usar sapato com 18 anos de idade,quando mudou-se para São Paulo e seu irmão Evaristo o presenteou com uma bota.

 

Analfabeto, mas muito esperto, começou trabalhando como ajudante de pedreiros e ia observando e perguntando como se lidava com prumos, ajudava tirar níveis dos alicerces, e, assim, foi aprendendo uma profissão. Mas nunca parou nisso. Aprendeu a pintar, fazer telhados, encanamentos de água esgoto, etc… até a parte elétrica ele acabou dominando. Chegando a ser capataz de obras e autorizado a recrutar trabalhadores, São Paulo vivia uma febre de obras. Todo o centro, periferias e até Mooca, Ipiranga, Perdizes … Era escolher o melhor salário. Então, ele começou a escrever cartas pros primos em Minas Gerais: “venham pra São Paulo, eu arrumo onde te encaixar”. Cada parceiro que chegava era festa. Em pouco tempo, cada qual mandava buscar a família: eram pais, irmãos, avôs, sogros, … e, assim, as Famílias Borgoni e Zambelli foram se estabelecendo na Capital, e também em São Caetano, São Bernardo e Santo André.

 

—- Chama o Tonico! Ele faz.

 

Tonico nunca deixou de ajudar os amigos. Mesmo que fosse só nos domingos, ele pegava as ferramentas, tomava o ônibus e ia. O  sonho dele era estudar para ser “guarda livros” — não sei o que seria hoje, mas já foi descrito como  “contador”. Autodidata, mal conseguia escrever um orçamento, às vezes errava e tomava prejuízo, mas sempre cumpriu os tratos. Dizia que a palavra dada tem que ser respeitada. Sonhava em criar galinhas poedeiras, comprou livros e os nomes Plymouth Rock Barrado e,Rhod Islan Red faziam parte das suas conversas.

 

Teve tantos tombos na vida que foi ficando sem energia. Mas até então nunca deixou de trabalhar um dia sequer. Nas décadas de 1940, 1950 e meados de 1960 , tinha muita energia e vontade de vencer na vida.

 

Agora, já não mais tomava “fogo paulista” nas festas. Parava em vários bares a caminho de casa, tomava vinho, rabo de galo, conhaque, cachaça; e, assim, foi se apagando o brilho no olhar. Festas para ele só nos domingos quando um dos irmãos passava para papear. Ele ficava contente. As visitas foram ficando escassas. Quem mais vinha, eram os irmãos Evaristo, Olímpio, Laudelina, Fiona, o marido dela, o Atíllio, e alguns netos.

 

Ele faleceu em outubro de 1989.

 

Tonico, era meu pai

 


Hélio Borgoni é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: o RH tem de se reportar ao CEO, diz Fernando de Mello

 

 

“Sempre deve ter um humano fazendo o julgamento do outro humano. A gente tenta logicamente transformar o desempenho de algumas áreas em métricas. Mas a gente nunca deixa só a métrica reinar” — Francisco Homem de Mello, CEO Qulture.Rocks

 

A área de recursos humanos está em plena transformação —- novos negócios, novos desafios e muita tecnologia. O uso de ferramentas digitais têm colaborado para um desempenho melhor do setor e conseguido resultados efetivos, mas Francisco Homem de Mello, da Qulture Rocks, alerta que o fundamental é que o RH seja visto como estratégico dentro da empresa, sob o risco de se desperdiçar todo o investimento tecnológico. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, Mello apresentou resultados de pesquisa que ouviu cerca de 1.800 líderes empresariais — vice-presidentes, diretores e gestores — e ajuda a entender o cenário atual deste setor.

 

Para 61% dos entrevistados o RH participa efetivamente das decisões estratégicas da empresa enquanto e para 64% deles, o RH se reporta diretamente ao CEO:

 

“É otima a posição do RH se reportando ao CEO. Acho que cultura, gestão de desempenho, gente é prioridade número 1 de CEO e, portanto, a área do RH tem de se reportar ao CEO”

 

Para ter acesso aos resultados completos da pesquisa “Panorama de RH no Brasil 2018”, acesse esse link.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da CBN, na página da emissora no Facebook e no perfil do instagram @CBNoficial. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 22h30, em horário alternativo. Participaram deste programa o Guilherme Dogo, Ricardo Correia e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: para comemorar o Dia do Mágico

 

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Gaúcho — Arena Grêmio/Porto Alegre-RS

 

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Maicon comemora mais um gol do Grêmio,em foto de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA

 

Hoje foi o Dia do Mágico. Confesso que somente fui apresentado à data pouco antes de iniciar meu programa matinal na rádio CBN. Soube que o dia foi destinado aos ilusionistas porque esta seria uma das muitas habilidades de São João Bosco, que morreu em 31 de janeiro de 1888.

 

Dom Bosco, como o conhecemos por aqui devido as muitas escolas salesianas que encontramos no país —- lá na minha Porto Alegre tem uma muito famosa — foi aclamado pelo Papa João Paulo II como o “Pai e Mestre da Juventude”. Na adolescência, ele fazia mágicas para ajudar a família. Além de representar os mágicos, é padroeiro de Brasília — mas este é outro assunto.

 

Lembrei dele e dos mágicos, agora à noite, enquanto assistia ao Grêmio, em Porto Alegre, na quarta partida disputada pelo Campeonato Gaúcho. Os gols foram de Everton — no rebote de uma ótima cobrança de falta de Jael —, de Marinho —- que baita gol, rapaz —, de Luan na cobrança de pênalti e do estreante Montoya — começou bem o gringo. Sem desmerecer nenhum deles — e seria injusto se agisse assim —- foi Maicon quem me inspirou a falar dos mágicos e de Dom Bosco.

 

A impressão que tenho sempre que assisto aos jogos do Grêmio é que o nosso capitão é o maestro desse time. A bola sempre passa por ele, antes de se iniciar uma boa jogada de ataque. A cabeça erguida e o olhar para a frente, já desenhando o que pode acontecer de melhor logo ali adiante, revelam a segurança com que ele comanda a equipe.

 

A facilidade com que ele troca a bola de um pé para outro, desviando-se do seu marcador e abrindo espaço para um companheiro que se aproxima ou outro que corre lá distante, é mágica pura.

 

Na partida do fim de semana, nosso volante já tinha sido protagonista de um lance genial, dentro da própria área do Grêmio. Era o último homem e estava acossado pelo atacante. Com a mesma tranquilidade com que dribla e toca a bola lá no meio de campo, livrou-se da marcação e saiu jogando — iludindo o adversário.

 

Hoje, não foi diferente. Como um mestre, sinaliza para seus companheiros o caminho certo, aponta para onde devem se deslocar, em que lugar vão receber a bola. Conversa com um e cochicha no ouvido do outro. Se necessário, fala com o árbitro para entender as sinalizações controversas. Às vezes, está na linha lateral trocando palavras com Renato. Assim como é técnico com a bola nos pés, é a extensão do técnico dentro de campo.

 

Maicon, aos 33 anos, é exemplo para os novos jogadores — os mais jovens e os recém-chegados. É referência para a equipe. É respeitado por todos. Além de esbanjar talento, vibra, briga, sofre. É a representação da nova raça tricolor, em que não basta lutar. Tem de saber jogar. E jogando muito bem em uma posição por onde passaram vários dos nossos ídolos, mudou o patamar de exigência do torcedor.

 

Maicon é mágico e nosso mestre! 

O Novo Varejo e as lições ditadas por especialistas (e outros nem tanto)

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

No início desta década era comum ouvir de frequentadores da NRF que não havia necessidade de acompanhar o evento todos os anos, pois as repetições eram evidentes e as mudanças no varejo não apareciam a cada edição anual.

 

 

Há aproximadamente cinco anos, este panorama mudou. As novidades surgiam.

 

Houve a morte do varejo físico; o nascimento definitivo do varejo virtual; o avanço de novas ferramentas de análise; o descobrimento do varejo físico pelos gigantes virtuais; a retomada do varejo físico; para este ano, surgir sobremaneira o Novo Varejo – é nome criado por Jack Ma, fundador do Alibaba.

 

Esse Novo Varejo não significa apenas a utilização da tecnologia, mas sobretudo sua aplicação dirigida a uma melhora operacional, focada na combinação dos recursos, com o objetivo da eficiência no atendimento ao consumidor. Sortimento de produtos, facilidade de pagamento, rapidez nos processos, são pontos prioritários em uma cadeia de valor única.

 

Inovações que surpreendem como a passagem do PDV para o PDX — onde o ponto de venda se transforma em ponto de tudo. Farmácias que aplicam medicamentos, emitem receitas. Ou óticas que atendem pacientes. Lojas que acentuam a IoT — a Internet das Coisas.

 

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Foto divulgação da Nike House of Innovation

 

A Nike House of Innovation, em New York, tem sido o exemplo preferido dos especialistas para identificar o Novo Varejo.

 

Como observador deste novo mundo do varejo, dois aspectos em momentos distintos sempre me chamaram a atenção.

 

No início do processo de e-commerce os pioneiros adentravam em operações solo. O que era incongruente, pois o Market Place seria fundamental. A prática obrigou a formação aglutinadora e hoje a pretensão de sucesso isolado é claramente refutada.

 

De outro lado, a logística de distribuição concentrada apenas em local único, não deveria ser uma verdade absoluta. Pois para operadores que possuíssem cadeias de lojas físicas a entrega poderia ser feita pelas lojas mais próximas do pedido a ser atendido. O sistema ganharia em rapidez e em custo de transporte e estocagem. Essa é uma questão que começa a ser desenvolvida e experimentada.

 

A  americana Target, por exemplo, de cada quatro entregas, três são realizadas por uma das 1800 lojas que foram preparadas também para atender o e-commerce.

 

Miopias do presente para gigantes da visão do futuro.

 

Leia também “Depois da NRF 2019, saiba quais são os temas que vão transformar o varejo”

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: é só o começo

 

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Gaúcho — Arena Grêmio/Porto Alegre-RS

 

 

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Luan de volta e brilhando, assim como o Grêmio, em foto de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA

 

 

Time titular em campo, gramado novo e estádio de primeira. Na segunda -feira calorenta de Porto Alegre —- 34 graus no termômetro, 38 graus de sensação térmica — nada poderia dar errado. Depois de duas partidas com equipe alternativa, nós torcedores gremistas matamos a saudade do Grêmio.

 

A formação principal, escalada por Renato, desde os primeiros momentos de jogo, esboçou o futebol que se transformou em marca registada — daquele Grêmio que nos deu quatro títulos nos últimos anos. Marcação intensa lá na frente, segurança lá atrás e muito toque de bola e movimentação dos jogadores por todo o campo. Um esboço, lógico, porque é preciso ritmo, musculatura mais solta e isso apenas o tempo vai trazer de volta.

 

O primeiro gol surgiu de uma bola roubada quando o adversário tentava sair jogando, aos 27 minutos do primeiro tempo. Ouvi comentaristas chamando atenção para o erro dos defensores. Nenhum dos que ouvi atentou-se para o fato de que o erro foi forçado. Luan pressionou e provocou o erro. Marinho aproveitou-se do erro, houve troca de passe e  Jael matou a jogada na rede.

 

No segundo tempo não foi diferente. Até o tempo do gol foi o mesmo: 27 minutos. O adversário tentou sair jogando. Maicon forçou na marcação. A bola sobrou para Everton e Jael, mais uma vez, completou para o fundo do poço — expressão cunhada pelo mestre e pai Milton Ferretti Jung, que me ensinou a gostar deste time.

 

O terceiro, quando a partida estava praticamente no fim, aos 44 minutos, saiu de outra das características que têm encantado os torcedores. Jean Pyerre — que substituiu Luan — deu um passe sutil e aéreo, cheio de talento, que encobriu os marcadores e fez a bola parar nos pés do atacante Felipe Vizeu — que estreou com nossa camisa ao entrar no lugar de Jael, aos 29 minutos. Vizeu encontrou Maicon livre na pequena área, que apenas empurrou a bola para dentro do gol. 

 

Com a vitória, o Grêmio é líder do Campeonato. Tem maior número de gols marcados: 8. E o melhor saldo: 7. Mais importante do que isso. Mostrou que já começa a ensaiar o talento e a destreza que nos colocaram no topo do futebol sul-americano e nos fez um dos times mais admirados do Brasil. Mas, calma, é só o começo de temporada. O ano promete.

Brumadinho: subestimamos nosso poder de destruição

 

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Foto: Rodney Costa/Eleven/Agência O Globo publicada no site CBN.com.br

 

Os que já enfrentaram o risco de afogamento no mar sabemos o desespero que bate quando percebemos que não há como puxar o ar para os pulmões. No início, prendemos a respiração como reação de sobrevivência e tentamos nos orientar em busca da superfície. As ondas passam por nossa cabeça e a impressão é de que o caminho para o alto está bem mais distante. Apesar de estarmos a apenas alguns segundos enfrentando aquele situação, parece a eternidade. Se você como eu já tomou um caldo na praia, daqueles que deixa seu “GPS” sem norte, sabe quão ruim é a sensação. Nunca — ainda bem —- fui além desses segundos. De uma maneira ou outra encontrei a superfície, talvez porque estivesse muito mais raso do que pudesse imaginar. Os que estudam nossas reações dizem que ir além desses instante pode ser fatal. Ao desespero junta-se a ansiedade. A água escapa pela boca, chega a laringe. Parte vai para o estômago, outra para o pulmão. A troca gasosa deixa de funcionar. O oxigênio não entra e o gás carbônico não sai. Os efeitos começam a ser sentidos no cérebro. No pulmão, os alvéolos não suportam a pressão. Os glóbulos vermelhos são destruídos. O potássio se espalha. O corpo se contrai. O coração para. Morte.

 

Tenho imaginado essa cena desde que na tarde de sexta-feira recebi a primeira informação sobre o rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho, Minas Gerais. A experiência que havíamos presenciado três anos antes em Mariana nos preparou para as imagens que assistiríamos em seguida. Uma onda de lama se formando e avançando sobre casas, lojas, hospedarias. Pessoas e famílias soterradas. Seres humanos que estavam vivenciando mais um dia de suas vidas, no trabalho, na prestação de serviços, nos afazeres domésticos, descansando, em um momento de lazer. O mar de rejeitos —- formado por restos de minério, sílica e derivados de amônia — provocou estrondos no caminho que percorria. Uns descreveram como um trem descarrilado; outros como se vários caminhões estivessem tombando — foi o que li na edição dominical de O Globo.

 

Na minha cabeça, a morte por afogamento se assemelhava a agonia enfrentada por aquelas mães e pais, filhos e filhas, avós e avôs, médicos e mineradores, caminhoneiros e cozinheiros — uma gente para quem só fomos apresentados agora através de reportagens que contam suas histórias de vida e logo serão números de uma estatística triste de descaso e irresponsabilidade. Nunca vai se saber ao certo o que cada um viu ou imaginou que estava ocorrendo. Se acreditaram que seriam capazes de sair do meio da lama, encontrar a superfície. É provável que a força e a velocidade da lama, em um movimento que se equivaleria ao tsunami, tenham causado impacto sobre as pessoas que estavam no seu caminho sem dar chance delas entenderem que a morte se aproximava. Sempre será uma incógnita como essas pessoas morreram — algumas  talvez jamais serão encontradas porque o corpo é sugado para debaixo da terra pela formação da lama.

 

O que sabemos é que morreram porque mais uma vez subestimamos nosso poder de destruição. O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, disse nesse domingo que todas as ações de segurança recomendadas por especialistas reconhecidos internacionalmente foram realizadas: “100% dentro de todas as normas e não houve solução”. Para em seguida afirmar que “vamos criar um colchão de segurança bastante superior ao que tem hoje para garantir que nunca mais aconteça um negócio desse”.

 

Garantir? 

 

Que garantia é essa? 

 

Talvez a mesma garantia que ouvimos quando a Vale e sua parceira BHP foram responsáveis pela maior tragédia ambiental já registrada no mundo, que matou 19 pessoas e contaminou o Rio Doce, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015. Ou a garantia que nos deram logo após registrarmos a morte de 242 pessoas no incêndio da Boate Kiss, em  Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que completou seis anos nesse sábado. Ou a garantia das autoridades de que a vistoria de prédios seria mais rigorosa no Rio de Janeiro, desde que 17 pessoas morreram na queda do edifício Liberdade — lembrada semana passada, em reportagem do Jornal da CBN, na data em que completou sete anos. 

 

Em Mariana e arredores, famílias ainda esperam suas casas serem reconstruídas, a indenização definitiva ainda não saiu e ninguém foi condenado pela tragédia. Em Santa Maria, familiares dos mortos e as vítimas que sobreviveram lamentam que não houve avanços por parte das autoridades responsáveis na luta por justiça e os réus ainda aguardam julgamento. No Rio, menos da metade dos 130 mil prédios que deveriam realizar a autovistoria predial a cada cinco anos estão em acordo com a lei. E as vítimas? Cada uma se vira como pode. Sem ajuda dos responsáveis pelo desabamento. Sem justiça.

 

Aliás, é a única garantia que realmente temos nesse país. De que independentemente da frequência com que as tragédias ocorram, de onde ocorram e por que ocorram, seremos vítimas de irresponsabilidade, de desrespeito e de injustiça.

Conte Sua História de São Paulo 465 anos: a turminha do córrego do Sapateiro

 


Por João Batista de Paula
Ouvinte da CBN

 

 

No Itaim Bibi nos tempos da zagaia.
 

 

O tempo de todos nós, meninos e meninas do bairro do Itaim Bibi, dos anos 1940 a 1950. Era a nossa infância e parte de nossa juventude — saudades desse tempo que ainda não tínhamos saudades. Não sei nada, mas sei que quando o encanto é para ser, será; e não há quem possa separar.
 

 

Nos tempo das ruas de terra batida — quando chovia o barro com o sol virava  torrão, o torrão virava pó, o pó virava lama, com as águas, o córrego do Sapateiro se agigantava, a ponte balançava, as árvores tremiam e se batiam com os ventos fortes; a molecada corria e brincava de guerra de barro. As casas eram conhecidas, os portões abertos sem chaves e sem grades, os cães ladravam e vigiavam tudo,
 

 

As brincadeiras mudavam quando chovia e fazia frio: agora era de pega-pega, a vareta foi Boca de Forno; com o frio as meninas quase não apareciam na rua; os meninos tinham seus cavalos de cabo de vassoura, trotavam aos gritos em alta velocidade brandindo suas espadas contra inimigos imaginários. Quando o tempo melhorava as meninas brincavam de passa anel ou de barra manteiga e pular corda. Outras se imaginavam donas de casa, montavam suas casinhas nas calçadas de terra e ali sonhavam e formavam suas famílias. Os mais pequenos eram os filhos, o marido era sempre os mais calmos ou imaginário, o diálogo e os afazeres elas aprendiam com as mães.

 

As ruas não eram iluminadas nas noites mais escuras e os meninos tinham lanternas a lenha: era uma lata de óleo com uma abertura na parte baixa em forma de pirâmide e uma alça de arame de meio metro, pouco mais ou pouco menos. Colocávamos lenha e fogo e girávamos com a alça, era bacana quando cinco ou seis lanternas estavam em ação na rua escura, nas noites escuras.
 

 

Nossa turminha vivia em torno do córrego do Sapateiro. Entre a Rua Mário de Castro, hoje Fernandes de Abreu, rua 17, atual Ramos Batista, Rua Piqueta, Rua Heloísa — a mesma onde os caminhões que carregavam areia das descobertas subiam e encalhavam nos buracos, e derrapavam no tijuco preto, para a alegria da molecada que tinham um refrão, que era repetido sempre. Era assim: “galinha preta, galinha preta”ou “catiça-catiça-catiça” — isso repetido continuadamente era a fúria dos choferes e barqueiros que vinham em socorro dos caminhões encalhados. Hoje, ali é a famosa e fabulosa Av. Juscelino Kubistchek de Oliveira. 
 

 

Nesse pequeno apanhado, contei mentalmente mais de 40 meninos e meninas. Não sei por onde andam todos, fomos crescendo mudando de bairro, casando e nos distanciando um dos outros. Da minha parte posso afirmar que todos vocês estão em minha mente, no mesmo lugar de sempre, na rua brincando de tudo. Se notarem algum erro fica por conta dos meus 85 anos.

 

João Batista de Paula é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.