Avalanche Tricolor: dois gols de um Grêmio que já conhecemos



Lanus 1×2 Grêmio

Sul-Americana — estádio La Fortaleza, em Lanús (ARG)

Festa de Ferreirinha no segundo gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Há quem já enxergue o redesenho do futebol do Grêmio, que está sob nova direção há pouco mais de uma semana. E veja nos dois gols marcados no freguês argentino, na noite dessa quinta-feira, as mudanças impostas pelo técnico Thiago Nunes. Longe de mim querer tirar o mérito do treinador ao escrever esta Avalanche, na manhã de sexta-feira, após ler parte da crônica esportiva e especializada do Rio Grande do Sul. A despeito de a chegada dele provocar o efeito ‘chefe novo’ que influencia o desempenho tanto de acomodados quanto de  desmotivados, tem potencial para tornar o time ainda mais forte, pelo que já mostrou na carreira que construiu até aqui. Porém, por mais que confie —- e eu sempre irei confiar —-, é preciso parcimônia na análise e um refresco na memória. 

Em 2017, o Grêmio enfrentou o mesmo Lanús em competição mais nobre e fase mais decisiva. Disputamos o título da Libertadores e vencemos a primeira partida no mesmo estádio de ontem —- La Fortaleza —- e com o mesmo placar de ontem. Coincidências, é lógico. Pois nem Grêmio nem Lanús conseguiram na temporada anterior alcançar a mesma performance da época em que se candidataram ao maior título sul-americano. Haja vista que hoje temos de nos contentar com a Sul-Americana.

Resgato o primeiro jogo daquela decisão porque basta um Google —- veja no vídeo a seguir —- para lembrar que os dois gols que nos abriram caminho para o título surgiram de jogadas semelhantes a que nos permitiram chegar aos gols de ontem: pelas pontas, com velocidade e talento.

Em 2017, o Grêmio saiu na frente no placar após a cobrança de escanteio do adversário. A defesa despachou a bola da área e foi parar nos pés de Fernandinho. Nosso atacante disparou contra os marcadores em altíssima velocidade até chegar na cara do gol e marcar. 

O segundo gol começou em outra arrancada de trás, com jogada  pelo lado esquerdo, em alta velocidade. A bola caiu nos pés do iluminado Luan e  nosso 7 usou de seu talento, driblou quem podia, deixou os zagueiros para trás e de cavadinha encobriu o goleiro para marcar aquele que foi o gol mais bonito da Libertadores.

A vitória de ontem começou a ser construída após a defesa tirar uma bola da área, o meio de campo brigar pela disputa dela e encontrar Ferreirinha inspirado na ponta esquerda. O guri, atrevido, fez um giro sobre o marcador e correu em direção ao gol para servir Leo Pereira, que também vinha em velocidade. 

Depois de levarmos o empate, reagimos novamente pelas pontas. Luis Fernando — aquele que fazia alguns arrancar os cabelos quando Renato mandava aquecer ao lado do gramado — arrancou pela direita, deixou o marcador para trás e serviu a quem estivesse chegando na área. Era Tiago Santos que estava a espera da bola quase na pequena área. Sim, aquele “volantão”, “perna de pau” e “velho”, que ao ser contratado foi motivo de críticas e pedidos de demissão de Renato, estava, aos 41 minutos do segundo tempo, lá no ataque para dar assistência à Ferreirinha que, mais uma vez, usou de talento para fazer a bola chegar nas redes.

A esta altura, você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve estar pensando: o Mílton parece viúva do Renato. Que pareça!

A minha admiração e respeito por ele sempre será enaltecida neste espaço, mesmo com todas as ressalvas que já fiz e registrei em Avalanches passadas. Mais do que isso, porém, é que faço questão de dar crédito a quem merece, sem desmerecer os demais. 

Assim que Renato chegou ao comando do Grêmio, em setembro de 2016, muitos passaram a elogiar a maneira como o time estava se apresentando em campo —- como se aquela performance tivesse sido inventada naquele momento. Esquecíamos de que a lógica do jogo havia sido montada por Roger,  que mudou a maneira do Grêmio se comportar em campo, valorizando a bola no pé, o toque rápido e o deslocamento em velocidade. Renato aprimorou a marcação e soube aproveitar muito bem a estrutura deixada por seu antecessor. Fez o nosso futebol evoluir e se tornar campeão.

Com Tiago Nunes nossa expectativa é a mesma. O treinador vai implantar o que pensa ser o futebol moderno, a partir de um modelo de jogo que já conhecemos há algum tempo e se transformou em uma de nossas marcas. Ele não vai reinventar o Grêmio. Vai evoluir com o Grêmio. E nos fazer campeão, mais uma vez! É a minha esperança.

O povo da Antártica que se cuide

Na confusa forma de falar e pensar, especialmente quando é exigido dele o improviso —- e como improvisa?!? —-, o presidente Jair Bolsonaro fez uma convocação em favor do turismo no Brasil  que incluiu entre os nossos dotes a Antártica:

“Conheça o Brasil por dentro e por fora. A verdade acima de tudo. Amazônia, Antártica …” —- disse enquanto divulgava um canal de viagens. 

Essa extensão territorial que só cabe nas afirmações do presidente motivou uma série de brincadeiras na internet, que costuma não perdoar. Porém, contaminado por este cenário conspiratório que inclui de tentativa de invasão das nossas florestas por forças estrangeiras a vírus produzido em laboratórios chineses, fiquei preocupado com o improviso de Bolsonaro. 

Teria sido um ato falho? Destes em que o nosso inconsciente fala mais alto e revela desejos íntimos?

Diante de outros atos (também falhos) do presidente, não me surpreenderia em saber que sua Casa Civil —- aquela que faz coisas escondidas do presidente —- estaria, em parceria com seu Ministério das Relações Exteriores e Ministério da Defesa, planejando ocupação da Antártica pelo Brasil. Não seria o primeiro. 

Em 1978, o General Jorge Rafael Videla, ditador, enviou para a Antártica algumas famílias, incluindo uma jovem grávida, de quem nasceu naquele continente um menino, batizado Emílio —- que teria sido a primeira pessoa a nascer na região. A intenção da ditadura argentina era povoar a Antártica e ficar com ao menos um naco do continente, quiçá dominar o todo.

A medida sem sucesso, tresloucada e típica dessa turma, contrariava de forma explícita o Tratado da Antártica, de 1959, assinado pela Argentina e mais 28 países que, no passado, reivindicavam um pedaço de terra (ou de gelo) e depois entraram em acordo, abriram mão de suas pretensões e aceitaram a ideia de que a região deveria ser área livre em nome da exploração científica e em favor da humanidade. 

A propósito: como mostra a história, o ditador argentino em seu sonho conquistador entrou numa fria.

Claro que pode ser apenas ignorância geográfica do presidente ou uma trapalhada provocada por um cérebro preocupado com fantasmas inexistentes (vide os comunistas de plantão) e riscos iminentes (eis aí  a CPI da Covid), mas —- diante de tantos absurdos que já assistimos nos debates internos deste governo —  é sempre bom ficar em alerta. Vai saber o que passa na cabeça de Bolsonaro.

Rituais para ser um líder comunicador

Foto de Thirdman no Pexels

Medo do desemprego, dúvida sobre a possibilidade de ascender na carreira e poucas perspectivas de melhoria financeira têm abalado o otimismo dos colaboradores das empresas no Brasil, segundo estudo realizado pelo LinkedIn. O Índice de Confiança do Trabalhador que mediu a disposição no último trimestre de 2020 ficou em 58 pontos contra os 64 registrados no penúltimo trimestre do ano passado. Para resgatar a confiança dessas equipes de trabalho, além da sinalização de recuperação do país —- que foge do nosso controle —-, é preciso investir em uma das competências mais exigidas dos líderes nos tempos atuais: a comunicação.

É preciso expressar de forma clara ao colaborador a importância dele para a empresa e qual é a visão desta empresa em relação ao projeto de trabalho que ele está envolvido. Em resumo: o profissional tem de ser reconhecido para se sentir pertencente ao grupo. Sem isso, não haverá engajamento. Para que se construa esse relacionamento, a comunicação é essencial, devendo ser realizada de forma transparente, com argumentos consistentes e demonstrando que está acessível — verdadeiramente acessível —- a ouvir e responder as demandas que surgirem.

Acolher o outro e saber transmitir as mensagens que tornarão esse colaborador comprometido com o propósito e as metas da empresa são tarefas do líder comunicador —- essa figura cada vez mais necessária na dinâmica da empresa. 

Na tarde dessa quarta-feira, dediquei-me a conversar com líderes de um grupo empresarial preocupado na criação de uma cultura comunicacional e, em determinado momento, fui provocado a pensar em alguns rituais para o líder estabelecer uma comunicação efetiva com sua equipe. Não titubeei em destacar que o primeiro passo para que um profissional se transforma em um líder comunicador é saber ouvir o outro. Como lembra o consultor Thomas Brieu, entrevistado no programa Mundo Corporativo, em agosto de 2020, precisamos praticar a escutatória — palavra cunhada por Rubens Fonseca em texto no qual nos alerta:

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar, ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil”.

No livro Comunicar para Liderar, que escrevi ao lado da fonoaudióloga Leny Kyrillos, trouxemos nove passos para que se percorra o caminho por um diálogo qualificado:

1. Reaprender a ouvir

2. Ouvir étão importante quanto falar

3. Exercitar a paciência

4. Saber perguntar

5. Não demonstrar pressa

6. Atenção na linguagem não verbal

7. Identificar as necessidades do outro

8. Buscar pontos em comum

9. Criar vínculos que fortaleçam as relações

Caso você se sinta à vontade, compartilhe com a gente bons e maus exemplos de comunicação que você já vivenciou em sua carreira. 

Neurossexismo, um infeliz legado de Darwin

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto de @gerdaltmannpixabay

William James (1842-1910) foi o pioneiro da psicologia científica desenvolvida nos Estados Unidos, tendo fundado o primeiro curso de psicologia naquele país, na Universidade de Harvard, em 1876. Foi um dos grandes estudiosos sobre a consciência humana, com ênfase nos aspectos não racionais, destacando que as emoções determinariam as crenças e que as necessidades e os desejos humanos influenciariam a formação da razão e dos conceitos.

O impacto dos estudos de James no avanço científico da psicologia americana foi muito além de suas pesquisas desenvolvidas, contribuindo na superação de barreiras discriminatórias e preconceituosas impostas a Mary Whiton Calkins (1863-1930), aceitando-a em seus seminários e pressionando a universidade a conceder-lhe a graduação, que, até então, lhe fora negada.

Calkins foi a primeira mulher a completar todos os cursos, exames e pesquisas requisitados para um doutorado, mas a Universidade de Harvard se recusou, na época, a conceder o título a uma mulher, não aceitando sua matrícula formal. A razão alegada para essa restrição era a crença generalizada na chamada superioridade intelectual masculina. A partir desse argumento, embora certas mulheres recebessem as mesmas oportunidades educacionais dadas aos homens, as deficiências intelectuais femininas, que seriam inatas, não permitiam que obtivessem benefícios do processo acadêmico.

Parte desse mito sobre a superioridade intelectual do homem surgiu da hipótese de variabilidade, baseada nas ideias de Darwin a respeito da variabilidade masculina. Estudando diversas espécies, Darwin descobriu que o macho tinha uma variedade mais ampla de desenvolvimento das características físicas e das habilidades do que as fêmeas. Esse dado foi extrapolado para a humanidade, e passou-se a atribuir às mulheres a qualidade de inferioridade aos homens, tanto nas questões mentais como nas físicas, embasando o discurso que, posteriormente, seria usado por Harvard.

Essa ideia de desigualdade funcional entre os sexos foi considerada tão óbvia na época que dispensava comprovações científicas. Naquele momento, uma teoria popular a respeito dessa desigualdade afirmava que, se as mulheres fossem expostas à educação superior, sofreriam de danos físicos e emocionais que colocariam em risco as condições biológicas necessárias para a maternidade.

No início do século XX, duas psicólogas desafiaram a ideia de desigualdade funcional entre os sexos e desenvolveram estudos consistentes que demonstraram que Darwin e outros cientistas da época estavam equivocados a respeito das capacidades cognitivas da mulher. 

Embora estudos de relevância científica não apontem diferenças funcionais para o cérebro de homens e mulheres, ainda hoje observamos o neurossexismo, uma tendência pautada em pseudociência e práticas metodológicas falhas, que visa a reforçar diferenças intrínsecas entre os sexos. 

No livro The Gendered Brain, a neurocientista Gina Rippon chama a atenção para o neurossexismo, que tem sua origem no século XVII, e ainda se perpetua. A autora destaca diversos estudos mal-conduzidos que geraram resultados precários ou conclusões precipitadas, mas que foram amplamente veiculados na mídia como “finalmente a verdade” sobre os cérebros masculinos e femininos.

No entanto, diversos estudos, que seguem o rigor científico e que se baseiam em exames de imagem, neurociências sociais e em dados obtidos com recém-nascidos, apontam cada vez mais que o desenvolvimento do cérebro está muito mais entrelaçado com as experiências de vida do que meramente ligadas a fatores biológicos, demonstrando a sua plasticidade e a sua vinculação com os fatores ambientais. 

Se Harvard não permitia que lá estudassem as mulheres, se Darwin propôs que elas seriam inferiores aos homens… o que será que ainda estamos tentando demonstrar através dessas explicações pseudocientíficas?

Não precisamos de estudos que apontem as diferenças. Precisamos de oportunidades que permitam às mulheres viverem a igualdade. 

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: estranha vitória para chegar a um resultado costumeiro

Ypiranga 2×3 Grêmio

Gaúcho – Colosso da Lagoa, Erechim RS

Tiago Nunes em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Tudo muito estranho para mim, confesso. Até no uniforme. A camisa é a recém-lançada, que deveríamos ter usado pela primeira vez naquela competição que você-sabe-qual. Pelo que percebo, a atual é baseada em um modelo dos anos 20 —- a retrô está no memorial aqui de casa, ao lado da camisa autografada por Danrlei e Geromel. A combinação com o calção branco ficou estranha. Sem marca. Sem alma. O que não tem a menor importância, eu sei. Uniforme não ganha jogo. Nem perde.

Senti estranheza, também, na figura ao lado do campo. Vou precisar me acostumar. Foram quatro anos e meio acompanhando Renato, suas caras e roupas. Tiago Nunes tem outro estilo — até no jeito de se vestir. Ainda é estrangeiro no ambiente tricolor, mesmo que tenha se esforçado para revelar intimidade nas primeiras palavras como técnico do Grêmio. Nada que o tempo e os resultados não superem.

O que mais me preocupou foi a estranha marcação dentro da área a cada cobrança de escanteio. Todo mundo parecia deslocado, sem saber qual função exercer, enquanto os adversários desperdiçavam gols atrás de gols.

Ouvi os entendidos na televisão dizerem que Renato gostava da marcação individual e Tiago quer marcar por zona. Que zona foi aquilo?!?

Ver a estatística no intervalo da partida e descobrir que o adversário teve 60% de posse de bola também foi esquisito —- especialmente porque nos últimos anos assistimos ao Grêmio jogar com a bola de pé em pé, às vezes além do necessário. Espero que tenha sido apenas circunstância do momento e quando o time entender o que o técnico quer, volte a dominar o campo de jogo. Ou será que eu também vou ter de me acostumar com isso?

Nada mais estranho, porém, do que a partida em si, na qual fizemos um jogo mediano e conquistamos a vitória em cinco minutos, após um pênalti bem cobrado (mesmo que mal assinalado), uma patacoada do goleiro adversário (e a gente não tem nada a ver com isso) e um belo chute de Vanderson que colocou o Grêmio com uma ótima vantagem no primeiro tempo: 3 a 0. Tão boa vantagem que mesmo a sequência de erros no segundo tempo não nos tirou a liderança do Campeonato Gaúcho ao fim de mais uma etapa classificatória.

Aliás, se tem coisas que não me causaram estranheza na noite deste sábado, foi ver o Grêmio, tricampeão, chegar como líder ao mata-mata do Campeonato Gaúcho, e saber que, ao fim de 66 partidas disputadas, os finalistas da competição são as duplas Gre-Nal e Ca-Ju. Estranho é saber que insistimos nessas fórmulas desgastantes para alcançarmos praticamente os mesmos resultados.

Conte Sua História de São Paulo: passei a vida confinada em uma agência bancária

Por Marlene Bicudo

Ouvinte da CBN

Foto de Anete Lusina from Pexels

Em 1977, fiz concurso público e iniciei minha carreira bancária. Na época, tinha de anotar manualmente, nas fichas individuais de cada cliente, os débitos dos valores dos cheques descontados no caixa. Tudo atualizado diariamente na parte da manhã.

Após poucos anos, chegaram os computadores, os disquetes, os sistemas, as planilhas —— motivos para muitos não tão jovens bancários se aposentarem. Havia medo da máquina, da nossa capacidade de domá-la, sem quebrar nada ou apagar coisas importantes. Naquele tempo, ouvi pela primeira vez de um técnico de informática que um dia trabalharíamos todos de casa. Foi desacreditado por nós.

Em 2020, com a pandemia instalada, trabalhei diretamente de casa atendendo meus clientes em todas as suas necessidades. Vimos que o homem se supera quando é desafiado.

Embora estejamos tendo dias difíceis, de medo pela perda da nossa saúde e dos entes queridos, sinto-me satisfeita por todas as oportunidades que tive dentro de casa, curtindo meus filhos já adultos, aproveitando minha sacada e sua paisagem de flores e pássaros. Ouvindo novos sons do meu bairro. Sons que sempre estiveram ali, mas nunca os havia registrado.

Sinto-me mais solidária com as pessoas. E percebi com a revisão da vida, que passei a maior parte da minha dentro de uma agência bancária. 

A despeito do que este ano tenha feito com a gente, sempre sou grata por aquilo que me acontece.

Marlene Ayres Bicudo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Mundo Corporativo: Rachel Maia assume a missão de levar a diversidade ao topo das empresas

foto: divulgação

“Existe uma dívida da sociedade e para transformar isso em oportunidade equitativas, só através de letramento. É dessa forma que nós vamos fazer: educar para mudar.”

Rachel Maia

O encontro era em um restaurante de luxo de São Paulo. Rachel Maia entrou e foi abordada por um dos funcionários, que a alertou que havia um outra porta de acesso para quem prestava serviços. Para ele, uma mulher de “pele preta, retinta” não seria frequentadora do local. Talvez se soubesse que Rachel era uma das maiores líderes empresariais do Brasil e até pouco tempo esteve à frente de algumas das principais marcas de luxo do mundo, o funcionário agisse diferente —- o que não significaria que fosse menos preconceituoso. O olhar de estranhamento, certamente, permaneceria no rosto daquele homem.

A cena descrita no parágrafo acima ocorreu há poucas semanas e foi compartilhada com os ouvintes do programa Mundo Corporativo pela própria Rachel que, atualmente, é CEO e fundadora da RM Consulting. Não foi a primeira vez que ela enfrentou essa situação na vida nem será a última. E uma das maneiras de vencer esse preconceito é não permitir que as pessoas digam quem ela é e o que ela pode fazer:

“Não é a ação do interlocutor que me define. Tenho de ter muita segurança sobre tudo que me formou. A minha base, a minha história, o meu conteúdo, tudo que me fez chegar até ali. Então eu não deixo essas ações muitas vezes me colocarem em um outro papel que ele está definindo”

Após aproximadamente 16 anos como CFO e cerca de 15 como presidente de empresas globais —- Pandora e Lacoste são dois exemplos —-, Rachel assumiu o desafio de transformar as empresas e a sociedade mostrando que o diverso deveria fazer parte não apenas da base, mas do topo da pirâmide. Para isso, criou a consultoria que traz suas iniciais, sua história e sua indignação:

“Desde o início, tento implantar essa ideia de uma forma educativa e nunca imposta; trabalho com a estratégia do letramento que é mostrar a realidade, contar a história de como foi feita a escravidão no Brasil e como foi a abolição, que largou na rua este povo que foi trazido para as terras brasileiras.”

Para que se entenda o tamanho da desigualdade de tratamento e oportunidade: apesar de mais da metade da população brasileira se identificar como preta e parda, no máximo 9% ocupa cargo de liderança. Rachel lembra que quando o olhar se volta para a presidência, os índices são ainda mais chocantes: em 2015, era de apenas 0,4% —- “ou seja, só uma pessoa negra ocupava esse cargo, a minha pessoa”. 

No livro recém-lançado “Meu caminho até a cadeira número 1” (Editora Globo), Rachel Maia descreve a jornada de educação que se iniciou em escola publica da periferia de São Paulo, passou pelo ensino técnico, formou-se na FMU e, quando percebeu que sem o domínio do inglês não seria capaz de ascender na profissão, foi morar sozinha no Canadá:

“Conhecimento adquirido ninguém te tira, conhecimento adquirido é poder”

Além da consultoria, Rachel participa do conselho de administração de algumas empresas onde também tem a missão de mostrar a necessidade de se investir na diversidade. Se não for por razões sociais, que sejam pelas financeiras. Hoje, o tema faz parte de relatórios de ESG — Environmental, Social and Corporate Governance, que se referem às práticas ambientais, sociais e de governança de um negócio. 

A discussão não deve se restringir ao setor de recursos humanos, precisa ser uma responsabilidade da alta gestão, estando todos abertos a se educar e a absorver o conhecimento que vai inspirar à pluralidade na captação de talentos, ensina  Rachel.

Para quem está em busca de espaço no mercado de trabalho, a empresária recomenda:

“Convido você a sonhar. Sonhe de forma plena e absoluta. Você tem o direito a tal. Mas não fique só no sonho. Planeje. E ao planejar, você vai realizar. E muitas vezes você vai cair. E mais uma vez você vai ter de levantar, sacudir a poeira e procurar outras oportunidade. Preste muito atenção nas oportunidades que a vida traz”

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site, na página do Facebook e no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Mundo Corporativo, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o programa: Izabela Ares, Bruno teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Avalanche Tricolor:  se é o que temos, ganhemos!

Grêmio 2×1 La Equidad

Sul-Americana — Arena Grêmio

Gol de Diego Souza em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Foi o locutor oficial da transmissão de TV da Conmebol* quem disse que o Grêmio combina com Libertadores — e não tenho dúvida que os torcedores  pensamos da mesma maneira. No entanto, os resultados deste início de temporada não nos deram a oportunidade de manter a escrita dos últimos anos —- ahh, que falta fez aquele gol mal-anulado e sem VAR da fase preliminar. Com tudo isso, tivemos de encarar nesta quinta-feira à noite a estreia na Sul-Americana.

O Twitter oficial da Conmebol também tinha um tom de “que-falta-você-faz”.  E foi quem me alertou para o fato de que há nove anos não disputávamos essa competição. Neste 2021, porém, é a Copa que temos para jogar. E uma Copa que começa diferente porque trocou a disputa de mata-mata por uma fase de grupo bastante rígida, jque apenas o primeiro colocado segue em frente. Ou seja, já que é para jogar que seja a mais difícil de todas as edições.

E jogamos razoavelmente bem para um time que ainda precisa se acostumar com essa realidade e passa por uma transformação dentro e fora de campo. Thiago Gomes, com H, tem feito às vezes de treinador do time principal enquanto aguarda que Tiago Nunes, sem H, assuma o lugar que é de Renato Portaluppi —- não pense que usei o verbo ser no presente por acaso. 

Thiago, com H, comandou o time em três partidas, duas delas pelo Campeonato Gaúcho e fez, hoje, sua estreia em uma competição sul-americana. Soube manter a equipe com o que tinha de melhor à disposição, usando os dois principais reforços deste início de temporada —- ambos escolhidos por Renato. E mantendo o estilo de jogo que nos colocou entre os melhores do Brasil e da América nos últimos anos.

Diego Souza marcando um gol atrás do outro, além de dar assistência —- como no segundo, feito por Paulo Miranda —- foi o melhor da partida, na escolha da equipe técnica da Conmebol que, confesso, não tenho a menor ideia de quem seja nem como faz sua escolha. O atacante que Renato buscou para o time no ano passado, apesar das críticas, cumpre seu papel, é o goleador do time e ainda nos acrescentou qualidade na bola aérea. Com os cruzamento de um cada vez mais destemido Ferreirinha por um lado e de Rafinha pelo outro, Diego Souza tem tudo para consagrar-se como o artilheiro que é, em mais uma temporada. 

Aliás, Rafinha, outro nome da safra recente de Renato, que muitos entendiam que era desnecessário, já mostrou seu talento nas poucas partidas que disputou.

Com a braçadeira de capitão, apesar de recém-chegado, o que revela a personalidade do lateral direito, Rafinha deu qualidade na bola que vem de trás. E tem um cruzamento para área que chama atenção. Nossas cobranças de escanteio voltaram a nos dar esperança de gol —- há muito tempo deixamos a desejar e desperdiçamos essas oportunidades com bolas curtas ou lançadas sem rumo para a defesa cortar.

Outro nome a quem devo elogios é ao de Thiago Santos, com H. Volante de profissão, marca com precisão, combate o adversário e rouba a bola em quase todas as investidas. Ao contrário do que os detratores tentaram impor —- sim, fizeram campanha na internet e acusaram mais uma vez Renato de fazer más escolhas —-, sabe sua função dentro do time, é bastante útil para uma equipe que precisava retomar sua característica guerreira no meio de campo e servir de contraponto ao futebol leve que nos faz chegar com toque de bola no ataque. 

Foi ao estilo Renato, travestido de Thiago Gomes, que conquistamos os três primeiros pontos na Copa, mesmo tendo que sofrer parte do jogo com um a menos em campo, a medida que Rodriguez foi, justamente, expulso. Agora, com o time líder no Campeonato Gaúcho e vitorioso na estreia da Sul-Americana, o bastão passa às mãos de Tiago Nunes.

Quanto a você, caro e raríssimo leitor desta Avalanche, se gremista for como eu, caberá se acostumar com um novo estilo de técnico. Assim como com essa competição que não era a que sonhávamos, mas é a que estamos disputamos. E se é o que temos, ganhemos!!!

O que o passado nos ensina sobre as escolhas do presente

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Imagem de PixxlTeufel por Pixabay 

“O que poderia ter sido e o que foi

Apontam para um único fim, sempre presente.

Passos ecoam na memória 

Pelo caminho não escolhido

Rumo à porta que nunca abrimos.”

T.S.Eliot, “Burnt Norton”

Um dia você acorda e pensa: “e se eu tivesse aceitado aquela proposta de emprego e tivesse mudado de país?”. Ou então: “e se eu tivesse me casado com aquela pessoa por quem me apaixonei na adolescência, como teria sido a minha vida?”.

Temos a incrível capacidade de olhar para o nosso passado e, de certo modo, supor os rumos que nossa vida teria tomado caso tivéssemos agido de maneira diferente. Apesar desses pensamentos serem mera hipótese de uma vida não vivida e, por vezes, idealizada, o presente nos confronta com caminhos que exigem de nós uma escolha.

A tomada de decisão pode ser compreendida como a capacidade de escolher uma dentre as diversas opções possíveis, em situações que envolvam algum nível de risco ou incerteza. Entretanto, esse processo não é tão simples quanto parece e envolve a experiência de vida, a análise de custos e benefícios, bem como as consequências a curto e longo prazo para si e para outras pessoas. 

As neurociências têm desenvolvido modelos que permitem melhor entendimento de como o sistema nervoso realiza esse processo de tomada de decisão, levando em conta a participação de algumas funções cognitivas, como a atenção, a memória e o papel das emoções, especialmente a interface entre as reações emocionais – processadas no sistema límbico – e o controle dos impulsos e racionalidade na decisão, realizados, principalmente, pelo córtex pré-frontal. 

Os modelos sobre tomada de decisão se concentram, na grande maioria, nos benefícios passíveis de serem obtidos a partir das alternativas disponíveis. Nesses modelos, a pessoa teria todas as informações necessárias e, racionalmente, faria sua escolha; porém, pesquisas recentes apontam que muitas vezes essa decisão pode conduzir a resultados negativos. A escolha daquilo que nos satisfaça imediatamente, o medo do arrependimento e a avaliação com ênfase excessiva nas emoções atuais são alguns dos fatores que podem nos conduzir a decisões irracionais. 

Por um lado, podemos nos deixar influenciar excessivamente por nossas emoções; por exemplo, se sentimos um aperto no peito, acreditamos que seja um sinal de que não devemos escolher a alternativa em questão. Por outro, superestimamos as consequências de uma situação, acreditando ser possível sentir absoluta alegria com, por exemplo, aquela promoção, como uma linearidade de sentimentos, de duração indefinida.

Algumas reflexões podem nos auxiliar no processo de tomada de decisão: analisar nossas emoções atuais e levar em conta se, caso o estado emocional estivesse diferente, faríamos a mesma coisa; considerar o que avalia como importante para a vida – não adianta conseguir a promoção dos sonhos e não conseguir viajar com a família aos fins de semana, se isso for muito significativo; focar na gratificação a longo prazo. 

Não temos uma vida editada num roteiro. Se soubéssemos sobre o certo e errado em nossas decisões, bastaria seguir o script, o que convenhamos, roubaria de nós grandes surpresas que encontramos nesse caminho.

Olhamos em demasia para trás tentando enxergar como seria nossa vida e nos esquecemos que nossas escolhas – o melhor que poderíamos fazer naquele momento – construíram nossa história, nos permitiram ser exatamente quem somos. 

No fundo, maximizar ganhos, minimizar riscos e analisar os custos e benefícios se resumem em um desejo: ser feliz. Na impossibilidade de sabermos exatamente onde a felicidade está, abandonar as justificativas excessivas sobre o nosso passado pode nos encorajar a buscar caminhos que nos levem a benefícios almejados, não pela precisão do resultado, mas pelo simples fato de termos coragem para seguir em frente.

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: até logo, Renato! 

Foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Foram-se cinco dias, dois jogos, um empate ‘oxo’ e uma vitória categórica desde a última vez que estive com você, caro e raro leitor desta Avalanche. Pelo ritmo acelerado com que se disputam partidas de futebol em um país paralisado pela pandemia, para quem esteve acostumado a dizer o que pensa e sente assim que a bola para de rolar, a distância entre o texto da quarta-feira passada e este é uma eternidade.

Deixei o tempo fluir para ver se absorvia melhor a saída de Renato Portaluppi, técnico mais longevo do futebol brasileiro e prestes a completar cinco anos no comando da equipe. Na versão oficial, foi comum acordo. Alguns dizem que ele foi demitido. Há os que compraram a ideia de que ele se demitiu. 

Como permito que a ilusão domine meus pensamentos quando o assunto é Grêmio, insisto em acreditar que Renato, do alto da sua majestade, sacrificou-se em nome do time do coração. Vendo que havia divergências internas na direção e externas na torcida, preferiu se afastar da Arena para que as diferenças não causassem uma cisão sem retorno no clube. Porque ele haverá de retornar.

Mesmo com a noção de que muitas das coisas que escrevo ou penso nesta Avalanche estão mais sintonizadas com os meus desejos do que com a realidade —- repito: aqui me dou o direito à ilusão —-, ninguém minimamente saudável da mente e da boa-fé há de negar o que Renato representa para o Grêmio. 

E digo isso, ciente do que pensava dele no início de sua carreira como jogador, época em que sua posição não era incontestável e a pressão pela sua escalação como titular, em 1982, foi um dos motivos do afastamento de Ênio Andrade do comando do time. Seu Ênio foi campeão brasileiro, em 1981, e vice, em 1982, pelo Grêmio —- este título, aliás, foi o que levou o time para a Libertadores de 83, que nos rendeu a primeira conquista sul-americana e o Mundial. Era amigo íntimo do pai, a quem confidenciava coisas dos bastidores da vida e do Olímpico e dividia garrafas de whisky, no bar que ficava atrás do campo suplementar. Adotei-o como padrinho pela intervenção famíliar que fez em momento dos mais difíceis na minha vida escolar. A saída do Seu Ênio me entristeceu e fez maldizer os responsáveis pelo ato —- Renato estava na lista.

Alguns poucos anos depois, —- já incontestável e campeão do Mundo — Renato foi um dos responsáveis pelo rumo que tomei na carreira. Um dia conto de forma mais detalha esse caso se é que você está interessado. Pra resumir: foi diante de uma negativa dele em ser entrevistado e uma fuga dos microfones, flagrada e estampada no jornal Zero Hora, que me levou a rever o interesse pela cobertura esportiva. Dia seguinte, pedi para ser transferido do esporte para o departamento de jornalismo —- e isso mudou minha vida, não sem antes reforçar minha bronca com o ídolo.

O tempo nos ajuda a enxergar melhor o que aconteceu. A mente é seletiva e distorce nossas lembranças. Passamos a armazenar imagens que nunca se realizaram e histórias que não foram contadas. As transformamos em nossa verdade. Acreditamos no que que queremos acreditar. E, em particular, prefiro guardar no coração o que me causou amor e esquecer meu rancor — tomara que com você também seja assim, Renato.

Renato construiu sua história. Fez o Grêmio maior do que era. Não o fez sozinho, mas fez. E com o Grêmio se fez grande, também. Fim dos tempos de jogador — em que os pés, o corpo e o coração se expressavam com talento nos gramados ——, assumiu o papel de treinador — que exige inteligência e criatividade, méritos da mente. Na casamata, sempre que passou pelo time, deixou sua marca vitoriosa, revelando-se então completo. 

Na primeira, em 2010, nos elevou de uma constrangedora posição na zona de rebaixamento para a disputa de vaga na Liberadores. Na segunda, em 2013, foi vice-campeão brasileiro. E na terceira …. bem, esta acho que você ainda não esqueceu. Conquistou todos os mais importantes títulos desta década, do Tri-Gaúcho a Libertadores. Foi campeão da Copa do Brasil, da Recopa Sul-americana e da Recopa Gaúcha. Além de troféus, criou uma nova maneira de o Grêmio jogar futebol —- indo muito além da paixão e do coração, que sempre o moveram —, que encantou os críticos pelo Brasil. 

Um cara que nos deu a chance de ser transformado em lenda ainda em vida —- coisa rara nas relações efêmeras que costumamos ver na sociedade contemporânea. A estátua na esplanada da Arena do Grêmio, no Humaitá, foi apenas a materialização de algo que já estava construído no coração de cada gremista. Lá permanecerá como permanece na nossa memória a revolução que Renato causou sempre que esteve em campo ou ao seu lado, em nome do Grêmio. 

Por tudo isso e por tantas outras coisas que não tenho habilidade para escrever ou memória para lembrar, para mim é difícil entender a saída de Renato neste momento, quando caberia a ele —- e poucos terão essa capacidade —- administrar o novo ciclo que estamos iniciando, após assistirmos à passagem da geração vitoriosa que conquistou a América. 

A mudança que se faz necessária somente é possível com alguém forte o suficiente para resistir a pressão pelos tropeços inevitáveis no processo de reconstrução de um time. Quem assumir terá a mesma responsabilidade —- tenho dúvidas se terá  a força de Renato diante da adversidade. Torço para que seja blindado pela diretoria, co-responsável pelo que vier acontecer. E que tenha a tolerância do torcedor, algo raro nesses tempos em que os intolerantes contaminam as relações com suas palavras de ódio.

A me consolar, a alegria que tenho até hoje na mente — e essa não esquecerei jamais —- de Renato ter comandado o time que me fez sorrir e vibrar abraçado aos meus dois filhos (guris, o que foi aquela noite em Al Ain, nos Emirados Árabes?!?); e me permitiu compartilhar com o pai nossas últimas comemorações em vida pelo Grêmio, clube que ele me ensinou a amar.

Renato sai da casamata e abre espaço no vestiário para que alguém assuma a responsabilidade de manter no elenco e nos torcedores aquilo que ele resgatou logo que chegou em 2016: o prazer pelo futebol bem jogado e pelo título conquistado. Vai embora sem dizer adeus, porque de Renato jamais iremos nos despedir. No máximo, arriscamos um “até logo!”; quem sabe, “até breve”. Porque Renato não sai do Grêmio nem o Grêmio jamais sairá de Renato. Somos eternos. Imortais!