Igreja em shopping

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Igreja Batista da Lagoinha, no shopping (foto: divulgação)

 

Em Betim – MG, o Shopping Monte Carmo, em atitude inovadora, abriga a Igreja Batista da Lagoinha, desde agosto de 2017.

 

O Estadão de domingo, em artigo que destaca mudança de foco do Shopping, traz o relato da inédita abertura de área para cultos religiosos.

 

Segundo Maria Chiara, autora da reportagem, a intenção do Monte Carmo visa a ocupação de espaços vazios — tema familiar ao Shopping, pois na abertura tinha apenas 12 lojas em área de 34 mil m2. Quando foi vendido pela Saphyr para a Sodepar a vacância era de 52%, em 2016. Hoje é de 15%.

 

A igreja passou a fazer parte do grupo de serviços que são oferecidos, como os Correios, a Receita Federal e a Faculdade Pitágoras. A esse respeito o testemunho do gerente Cesar Miranda ressalta:

 

“A igreja é um ‘case’ de sucesso, que se converteu em aumento de receita para inúmeras operações do shopping”

 

Acreditamos que mais do que um caso, esta pode ser uma questão de várias vertentes, diferentemente de mudança de foco ou de esquizofrenia dos shoppings, como citado por Márcia Sola do IBOPE.

 

Se há um consenso que mesmo as modernas empresas afeitas às novas tecnologias e propensas ao omni-channel e ao unified commerce também sofrem as consequências das mudanças e desejos do novo consumidor, não há unanimidade quanto ao caminho a seguir.

 

Uma das dificuldades ao prever o futuro é a impossibilidade de visualizar as quebras de paradigmas que virão, pois como sabemos a incerteza é a única certeza.

 

Ainda assim, neste caso de Betim, se creditarmos o depoimento de Miranda ao afirmar que houve benefícios a outras unidades, podemos inferir que esta cadeia positiva pode ser um condutor ao estilo de vida. E a experiência de compra dentro de um centro comercial homogêneo leva a um Lifestyle, que pode ser o caminho futuro.

 

Eliana Tranchesi foi quem melhor traduziu esta possibilidade com a Daslu. A volta ao futuro de Eliana pode ser a via de diferenciação.

 

O rígido lifestyle reflete bem a segmentação comportamental de hoje, com tribos hermeticamente alinhadas.

 

Que venham os shoppings por LIfestyle!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Falando com as máquinas

 

Amazon-Alexa

 

Dia desses testei pela primeira vez o uso do sistema de voz para pedir orientação ao aplicativo de trânsito — parece incrível que o recurso esteja disponível há tanto tempo e eu continue a dedilhar os endereços onde pretendo chegar. É cultural. Mesmo a TV conectada que recebe comando de voz segue sendo acionada em casa pelo controle remoto. Sempre fiz assim. Nunca me senti confortável falando com uma máquina — ainda que tenha dedicado a vida a falar com um microfone.

 

Ao telefone, quando procuro o call center de algumas empresas, a máquina que me atende tenta disfarçar sua falta de humanidade. Se esforça para revelar intimidade que não existe entre nós. Faz perguntas com reticências, mas não me engana. É máquina como qualquer outra e minhas respostas saem em tom de constrangimento. Acho estranho.

 

Por outro lado, minha sobrinha americana mais nova já faz lição de casa com auxílio de uma assistente digital, para a qual faz perguntas ao deparar com uma dúvida ou pede música para acompanhá-la enquanto realiza os trabalhos escolares. Lá no país em que mora quase um quinto das casas têm assistentes de voz — logo ocuparão o cômodo das nossas casas aqui no Brasil, em grande escala, também, porém antes a maioria delas terá de falar em português.

 

As novas gerações estão aderindo muito rapidamente a esses equipamentos, talvez até em maior velocidade do que aderiram aos smartphones. Nós, migrantes digitais, também vamos nos acostumar com essa realidade. E o que para mim ainda é constrangimento ganhará ares de naturalidade.

 

Relatório da National Public Media, contou o Globo dia desses, mostra que a maior parte dos americanos usa os assistentes para ouvir música (60%), responder a uma pergunta (30%), contar uma piada (18%) —- convenhamos, que coisa mais sem graça —, falar sobre o clima (28%), ligar o rádio (13%) — esta eu gostei —, dar notícias (13%) e programar o alarme (13%).

 

Como em todos os avanços tecnológicos que impactam nossos hábitos é preciso cuidado — corremos o risco de criarmos filhos que falam mais com as máquinas do que com os pais. Ou com os amigos.

 

Aliás, já estamos fazendo isso — e o inimigo nas são as máquinas — como se percebe em reportagem da edição dominical de O Globo, na qual traduz texto da pesquisadora Rachel Simmons, publicado originalmente no Washington Post.

 

Segundo ela, estudo de uma empresa de saúde identificou que a turma mais velha do que minha sobrinha, jovens de 18 a 22 anos, forma a geração mais solitária de americanos.

 

Jovens solitários, que triste!

 

Apesar do uso constante de equipamentos eletrônicos — como celulares e assistentes digitais — , estes estão longe de serem os responsáveis pela solidão. O grande mal constatado é o excesso de tarefas na fase entre o fim do ensino médio e o período na universidade.

 

Com agenda repleta, eles e elas têm pouco tempo para o convívio — mesmo que estejam realizando trabalhos em grupo. Não conversam sobre a vida, têm de falar de compromissos.

 

Pesquisa de Calouros da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) de 2015, que inclui respostas de 150 mil estudantes em tempo integral de mais de 200 faculdades e universidades, mostrou que o número de alunos de primeiro ano que passavam 16 ou mais horas por semana com os amigos caiu pela metade em dez anos —- são apenas 18%.

 

Mesmo se a oportunidade de relaxar surge, ficam constrangidos, pois temem serem vistos como pessoas desocupadas, sem objetivo na vida. Sofrem pressão em casa, na escola, dos gestores e dos grupos sociais em que sobrevivem.

 

Se realmente decidirmos entregarmos nossos filhos mais novos à companhia de assistentes digitais, acreditando que preencheremos a lacuna de nossa ausência, é provável que os próximos estudos revelem crianças solitárias — menininhos e menininhas que deixarão de conversar amenidades, sequer saberão como olhar no olho do outro e incapazes de exercitar a generosidade.

 

Simmons escreve que “a capacidade de fazer amigos atrofia se não for usada”.

 

Precisamos de amigos para confidenciar nossas angústias e nossos filhos precisam de pais mais próximos e dispostos a conversar com eles sempre que forem “acessados” — com a mesma agilidade que as máquinas o fazem, mas com o amor que só os seres humanos são capazes de oferecer.

Avalanche Tricolor: vitória para quem ama o esporte, como Marcelo Barreto

 

Grêmio 5×1 Santos
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Alegria, alegria em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Dos cronistas que os jornais brasileiros reservam para as edições dominicais, gosto muito de ler Marcelo Barreto — que a maioria dos caros e raros leitores deste blog conhece da SporTV. Logo cedo quando abri o caderno de esportes de O Globo, li a coluna na qual ele se penitenciava por ter desperdiçado oportunidades de escrever sobre as coisas lindas do esporte, como a cesta de três pontos de LeBron James no segundo final da partida que garantiu uma das vitórias do Cleveland Cavaliers sobre o Indiana Pacers, na NBA.

 

Barreto escreveu que lamentava ter perdido a capacidade de se encantar com as coisas belas do esporte — provavelmente porque sua visão anda embaçada por cenas de torcedores brigando na arquibancada, jogadores se engalfinhando em campo e cartolas roubando nos bastidores. Mesmo para jornalistas com a qualidade dele, é difícil impedir que a visão seja contaminada por esses fatos, tantas são as mazelas esportivas que temos de noticiar —- sem contar o cotidiano nas redações, onde há muita competição e tarefas frequentes a serem cumpridas.

 

Ao mesmo tempo que faz uma espécie de mea-culpa, Barreto deixa registrado que ama o esporte e só precisa ser lembrado disso de vez em quando.

 

Lembrei muito dele na noite deste domingo enquanto assistia ao Grêmio jogar na Arena, em Porto Alegre. E torci para que Barreto tenha tido oportunidade de ver o futebol jogado pelo time de Renato. Seu coração deve ter batido mais forte e o sorriso tomado conta de seu rosto ao longo dos 90 e pouco minutos em que a bola rolou de pé em pé com uma qualidade bem superior à média.

 

Desde os primeiros minutos, o Grêmio sufocou o adversário que não encontrava espaço para sair jogando ou trocar um passe que fosse. Assim que a bola era recuperada, passeava pelo gramado de um lado para o outro, às vezes era esticada por trás dos marcadores para chegar ao pé de um companheiro mais próximo da linha de fundo ou enfiada na área.

 

Quando a marcação se fechava, Maicon e Arthur conduziam a bola colada no pé, de cabeça erguida e com o olhar vislumbrando o colega mais bem colocado. Se chegasse a Luan, a jogada fluía com dois ou três dribles curtos. E o mesmo se repetia com Everton — especialmente depois que nosso goleador marcou o primeiro gol.

 

Os laterais Cortez e Léo Moura apareciam livres a todo o instante e se transformavam em ponto de apoio para a jogada seguir em frente — às vezes em trocas rápidas e precisas de passes, às vezes em escapadas para o cruzamento.

 

André e Ramiro se deslocavam mais adiante e se apresentavam para dar sequência no lance e quando possível chegar ao gol — e o Grêmio colocou a bola cinco vezes dentro do gol e a fez chegar próximo dele em incontáveis oportunidades.

 

O Grêmio fez gol de toque, fez gol de falta, fez gol a longa e média distância e fez gol na cara do gol. Usou todo seu repertório. O Grêmio foi um show na noite deste domingo — para a alegria de quem ama o esporte.

 

E se você, Marcelo Barreto — que ama o esporte — gostou do jogo de hoje, imagine o sentimento de quem ama o Grêmio como eu!?

 

Em tempo: pelo que o Grêmio faz no futebol e LeBron faz no basquete, será um prazer ler as próximas crônicas dominicais.

Conte Sua História de São Paulo: a volta do Pitu depois de nadar no rio Tietê

 

Por Osnir Geraldo Santa Rosa
Ouvinte da rádio CBN

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte da CBN Osnir Geraldo Santa Rosa:

 

 

 

Da Vila Romana minha família foi para o Tremembé. Isto mais ou menos no ano em que nasci: 1943 — entrada de 44. Na chácara, ficamos até 1953 — este foi o ano em que meus pais, a duras penas e com auxílio de Nossa Senhora Aparecida, segundo minha mãe, compraram um imóvel em Vila Jaguara. Era o fim da linha. Nem os motoristas de táxi do centro de São Paulo conheciam.

 

Eu tive um cachorro, o Pitu — era uma mistura de vira-lata com bassê, mais conhecido por salsicha. Vira-lata que era ficou pouco mais alto do que os salsichas e mais curto, também. Tinha a mesma com dois tons marrons mais fortes no entorno dos olhos. Era doido para pegar ratos, preás e outros animais comuns de se encontrar nas capoeiras.

 

Naquele tempo, não havia a Eng. Caetano Álvares nem a marginal do tio Tietê. Cortava-se pela Cachoeirinha, Largo do Japonês e Moinho Velho para chegar em Vila Jaguara. A primeira aventura do Pitu foi quando a caminho de lá ele caiu ou pulou do caminhão de mudança e eu, que o adorava, pulei atrás. Sem saber disso meu pai, muito lépido, já tinha pulado e retornado ao caminhão. Fiquei eu perdido — até que minha mãe ,sempre atenta percebeu, e o motorista retornou para me apanhar.

 

Era comum na época a molecada pescar e nadar nas perigosas lagoas de onde hoje está o CEAGESP. Atravessávamos o rio Tietê por uma ponte feita com tambores. Era muito mais limpo que hoje, mas, judiado sobretudo com resíduos orgânicos lançados pelo enorme frigorífico Armour. Assim, seguia o nosso Anhembi para o sertão.

 

Pitu sempre ia com a gente. Enquanto nós pescávamos e nadávamos, ele corria atrás de preás, fanaticamente!

 

Uma vez, começou escurecer e nós decidimos voltar para casa. E Pitu não apareceu. Chamamos à exaustão e nada. Chorosos, tivemos que deixa-lo por lá. Os dias seguintes foram tristes. Meus pais e minha avó, Lúcia Freddi Santa Rosa, não nos perdoavam. Pitu era por demais querido de toda a família e dos vizinhos, também.

 

Pois bem, inacreditavelmente, três dias depois do desaparecimento, Pitu retornou. Estava todo ensebado e mal cheiroso — horrível! O fato é que ele atravessou o rio a nado — o cheiro e a gordura impregnados nele eram prova cabal disso — e nos reencontrou-o em casa.
 

 

Osnir Geraldo Santa Rosa e seu cachorrinho Pitu são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história: envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: como estar preparado para transformar sua carreira

 

 

“Transformações estão sempre muito ligadas a sonhos, desejos e vontades; ligadas a algo que está sempre lá no futuro, mas que eu começo a fazer agora”. Com essa afirmação, a consultora Cláudia Klein chama atenção para a necessidade de se investir no desenvolvimento da autopercepção — que considera ser o melhor caminho para nos preparamos às mudanças que podem ocorrer na nossa carreira. Klein é especialista em transformação profissional e foi entrevistada pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas da manhã, no site ou na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o Mundo Corporativo: Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Clubes são responsáveis por 88% do dinheiro que move o futebol no Brasil

 

 

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Arena Grêmio em imagem de  Richard Dücker

 

 

Na ponta do lápis, o tamanho do mercado de futebol no Brasil é de R$ 6,25 bilhões, incluindo as receitas dos clubes – responsáveis por 88% desse valor -, das 27 federações estaduais e da CBF. O número está na pesquisa recém-divulgada pela Sports Value com base nos dados de 2017, seguindo um histórico que se iniciou em 2003.

 

 

O foco do trabalho coordenado por Amir Somoggi, especialista em gestão esportiva, são os 20 clubes de maior faturamento no Brasil que juntos geraram R$ 5,05 bilhões no ano passado, receita 4% maior do que em 2016. A marca é importante porque pela primeira vez superou os 5 bi.

 

 

O Flamengo está no topo desta lista, como já era de se esperar, teve receita de R$ 648 milhões — tem considerável vantagem sobre o segundo colocado, o Palmeiras (R$ 503 milhões). Na sequência, mais dois times da capital paulista: São Paulo (R$ 408 milhões) e Corinthians (R$391 milhões).

 

 

Para furar o eixo dos clubes mais ricos de RJ-SP temos o Cruzeiro (R$ 344,3 milhões) e o meu Grêmio (R$ 341,3 milhões).

 

 

Clubes

Receita total dos clubes — tabela e fonte Sports Value

 

A televisão ainda é quem mais ajuda a engordar os cofres dos clubes, com receita de R$ 2,02 bilhões, em 2017 —- o número é 18% menor do que no ano anterior, queda que estaria relacionada ao pagamento de luvas pela TV Globo e Esporte Interativo, em 2016, o que não não se repetiu ano passado.

 

 

Neste aspecto, Somoggi chama atenção para a divisão desta renda: a diferença entre o clube que mais recebe e o que menos recebe — falamos aqui de Flamengo e Chapecoense, respectivamente — é de 5,3 vezes, uma das maiores do esporte mundial. Incrível,o país das desigualdades sociais não poupa sequer o futebol.

 

 

A transferência de jogadores foi a fonte de receita que mais cresceu de um ano para outro: 40% — é a segunda mais importante para os clubes.

 

 

Uma curiosidade: o São Paulo — oitavo clube que mais recebeu dinheiro da TV — é o único que teve a negociação de atletas como principal fonte de arrecadação (39%), em 2017.

 

 

O patrocínio e a publicidade — que percebemos especialmente quando expostos na camisa dos clubes e, confesso, me incomodam pela interferência visual — por incrível que pareça ainda são pouco explorados diante do potencial dos clubes, suas marcas e o impacto no torcedor. Mesmo assim houve crescimento de 27% em relação a 2016 com o Palmeiras despontando no ranking — o clube paulista faturou R$ 131 milhões contra R$ 53 milhões obtidos pelo Grêmio, quinto colocado neste item, que teve forte exposição ano passado, sendo campeão da Libertadores e vice-campeão do Mundo.

 

 

As receitas com sócios cresceram 17% e a bilheteria 9%.

 

 

Receitas

arte e fonte Sports Value

 

 

A Sport Value mediu a força financeira do futebol brasileiro com as demais ligas pelo mundo e para ter dados mais reais desconsiderou os valores gerados com transferências de atletas: os clubes brasileiros se mantém na sexta posição do ranking mundial atrás das ligas da Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e França.

 

 

Os clubes conseguiram melhorar a relação dívida/receita média nos últimos anos — indicador importante para avaliação de como está sendo feita a gestão dos clubes brasileiras. Especialmente pelo aumento de receitas, a relação vem registrando queda ano após ano —- se em 2014 essa relação era de 2,07, ano passado foi de 1,3.

 

 

Um dado que deve preocupar não apenas aos clubes mas aos cidadãos brasileiros: em uma década, as dívidas com o Governo Federal dobraram de tamanho — de R$ 1,2 bilhão, em 2008, passaram para R$ 2,5 bilhões, em 2017. É dinheiro que a União deixa de arrecadar e fará falta para investimento e custeio.

 

 

O grande drama desta questão é que os clubes brasileiros contam com forte lobby no Congresso Nacional — já ouviu falar da bancada da bola — e conseguem perdão para as dívidas com o Governo quando chegam a valores astronômicos.

 

 

Pra fechar nossa conversa, uma dúvida que fiquei desde o primeiro parágrafo deste texto: se o poder econômico dos clubes é tão grande — e que bom que é assim —, a ponto de representar 88% do total do valor gerado pelo futebol brasileiro, por que é a CBF e seus cartolas que ainda mandam e desmandam na organização de eventos e calendário?

 

 

Em tempo: para você que está acostumado  a ver meu Grêmio em destaque neste blog, recomendo a análise de Eduardo Gabardo, publicada no GaúchaZH, que revela a superioridade gremista sobre seu arquirrival também no campo da economia. 

Clientes do varejo veem menos vitrine e mais internet

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O e-commerce além de competir com o mundo físico do varejo está tornando as compras realizadas em suas lojas mais racionais. Os consumidores dos mercados mais desenvolvidos estão indo menos aos shoppings para “ver vitrines”, devido a facilidade de informações disponíveis nos meios eletrônicos. Ou seja, para uma determinada quantia de vendas o tráfego relativo tem diminuído, pois os clientes veem menos vitrines e mais internet.

 

Esta instigante observação foi publicada no Mercado & Consumo, segunda-feira, em artigo do consultor Marcos Gouvêa de Souza. Ele partiu do grande número de lojas fechadas recentemente nos Estados Unidos.

 

A RadioShak está fechando 1.000, a Toy R Us fechou todas, a Ann Taylor e Loft fecharam 250. Na Europa até a Zara está fechando unidades, assim como a C&A e a HM.

 

O motivo evidente é o reflexo do comércio eletrônico. Embora os números atuais mostrem ainda uma incipiente participação do eletrônico no varejo total. Na China 24%, na Coreia do Sul 18%, na Inglaterra 15% e nos Estados Unidos 10,5%. Entretanto o impressionante crescimento comparativo entre o virtual e o físico justifica a forte influencia no varejo total. No mínimo, o virtual apresenta o dobro de aumento em relação ao físico.

 

Agregando a este cenário os recentes números de queda de tráfego nos centros de compra chega-se a causa da redução de pontos de venda físicos. Cuja causa vai além do comércio eletrônico como vendedor, mas também como fornecedor de informações. Até mesmo para a compra presencial.

 

Neste contexto, o Brasil se diferencia. Pela crise econômica, que se estima fechou 200 mil lojas. Pelo pequeno 4% de participação nas vendas totais do varejo. E pelo atrativo que os Shopping Centers exercem sobre os consumidores brasileiros. Portanto, esta nova tendência deverá chegar mais tarde. Tempo ideal para um melhor preparativo para o futuro.

 

Para tanto será conveniente considerar que do lado da tecnologia dos dados deverá chegar recursos que incluirão os atributos sensoriais tornando a experiência digital mais real.

 

Do lado físico, os atributos humanos de atendimento acoplados a novas tecnologias deverão permear a relação entre comprador e vendedor.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: na goleada, uma homenagem ao goleiro que conta a história do Grêmio

 

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Libertadores – Arena Grêmio

 

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Era meio-dia quando deixei Porto Alegre, onde estive durante o feriado prolongado. Havia bons motivos para estar na capital gaúcha, não bastasse sempre ser a oportunidade de conviver com a família. No avião que me levaria de volta a São Paulo, pouco antes de eu embarcar, desceram passageiros com a camisa do Grêmio — era uma turma que tinha destino certo: a Arena gremista, a poucos minutos do aeroporto Salgado Filho.

 

Quase lamentei a necessidade de retornar mais cedo devido aos compromissos profissionais do dia seguinte. Mas já me acostumei com esses desencontros de agenda: a tabela de jogos do Grêmio e minhas obrigações como jornalista poucas vezes se acertam. Portanto, assistir ao meu time na televisão tem sido a opção mais razoável diante das responsabilidades impostas pela profissão.

 

E lamentar qualquer que seja o fato relacionado ao Grêmio nestes últimos anos sequer é justo de minha parte. São tantas coisas boas acontecendo por nós que prefiro não reclamar desses detalhes.

 

A cada partida que assistimos, é um espetáculo à parte. Independentemente do adversário, seja qual for a competição — se o time titular está em campo, é satisfação garantida.

 

Mesmo quando o placar não é o que buscávamos — e isso aconteceu recentemente no Brasileiro, quando empatamos na Arena —, o resultado do futebol jogado é gratificante.

 

Vê-se uma defesa tão firme quanto eficiente, com Geromel e Kannemann dominando pelo alto e desmontando o adversário — hoje eles não deram chance de reação aos atacantes.

 

Nossos dois laterais, Léo Moura e Cortez, se aproveitam de um sistema defensivo bem estruturado e reforçado pelo retorno da turma da frente: vão à linha de fundo, dando opção de jogadas abertas sempre que a entrada da área está congestionada.

 

Maicon e Arthur são os dois volantes mais talentosos em atividade no Brasil. A chuteira que calçam desliza sobre a bola e a trata com um carinho pouco comum aos jogadores que atuam na posição deles. Enquanto carregam a bola, o olhar almeja um companheiro mais bem colocado. E é no pé desses companheiros que ela é entregue com uma precisão muito acima da média.

 

Compõem esse setor do campo Luan e Ramiro.

 

Um é o craque reverenciado pela América — dribla com facilidade e se desloca com elegância à frente dos marcadores. Tecer elogios a ele é redundância.

 

O outro, é o meio de campo adorado pelo torcedor — com a mesma humildade com que aparece para desarmar na defesa, agradece as oportunidades que surgem para marcar seus gols. Com seu 1,68 metro de altura, transforma-se em gigante quando veste a camisa do Grêmio, como no segundo gol, feito de cabeça.

 

No ataque, temos Jael e Everton — é a fome com a vontade de comer, como costumava dizer minha mãe.

 

Um briga com os zagueiros para garantir a bola em seu pé e não se importa de ser o homem da assistência, mesmo que sua principal função devesse ser o gol. Luta de forma tão obstinada e se entrega para o time de tal maneira — como no lance que permitiu a abertura do placar, ainda no primeiro tempo —, que o destino acaba lhe oferecendo também essa alegria — como vimos no terceiro gol, no qual se atirou para escorar a bola, já no início do segundo tempo.

 

O outro está endiabrado. Sai em disparada pela direita, dribla pelo meio, corre pela esquerda e dribla novamente se for preciso. Parte sempre em direção ao gol para desespero de seus marcadores. Se antes os desperdiçava, hoje consegue concluir cada vez com mais precisão: fez dois da goleada desta noite. Fará muito mais ainda, mesmo com o olho gordo dos clubes do exterior.

 

Poderia descrever outros jogadores que fazem parte deste elenco, como Alisson e Cícero — esse último ainda se deu o direito de completar a goleada de 5 a 0, também de cabeça.

 

Mas quero encerrar essa Avalanche enaltecendo a figura séria e simbólica de Marcelo Grohe, o nosso goleiro — o que pode ser uma contradição, sendo esta Avalanche sobre um jogo em que goleamos.  

 

Consta na estatística que ao fim da partida de hoje, Grohe completou 840 minutos sem ser vazado — nunca antes havia ficado tanto tempo sem saber o que é tomar um gol. Tenho sempre receio desses recordes, pois acaba-se ficando refém deles.

 

Portanto, mais importante do que o número, é a consistência com que tem se apresentado a cada jogo, especialmente nos momentos cruciais — como nos primeiros minutos em que uma bola traiçoeira foi alçada para nossa área.

 

Grohe além de firme e competente no que faz, ainda está aí para nos lembrar que se hoje somos capazes de sorrir a cada passe realizado, drible registrado e gol marcado; se podemos nos divertir cantando “olé” já aos 12 minutos do segundo tempo, em plena Libertadores; se a alegria de levantar uma taça tem se repetido com exagerada frequência; tudo isso só foi possível graças a um clube que lutou muito para construir sua história.

 

Nosso goleiro começou nas categorias de base, em 2000, transformou-se em profissional em 2005, teve de suportar a reserva por muitos anos e mesmo depois de ter assumido como titular, em 2012, sofreu novo revés com a chegada de goleiros de renome.

 

Suportou nariz torto de torcedor e desconfiança de parte da crônica — além de críticas maldosas e sem lógica de gente influente. A falta de títulos importantes na carreira pesava sobre suas costas, mesmo diante de algumas defesas incríveis. Passou por momentos de dificuldade, em que a cobrança era intensa e os resultados muito distantes do que desejávamos.

 

Perseverou! E venceu!

 

Grohe, além do talento embaixo do gol — e também por este talento —, com sua carreira marcada pela coragem em enfrentar as dificuldades que surgiam no seu caminho e em saber superar todo e qualquer obstáculo sem jamais desistir é a figura em campo, atualmente, que personifica a história do Grêmio. 

 

Obrigado, Grohe!

 

Avalanche Tricolor: que baita saudade!

 

Botafogo 2×1 Grêmio
Brasileiro – Nilton Santos/RJ

 

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De folga nestes dias, vim a Porto Alegre me encontrar com a família. Quando estou por aqui, fico na casa da Saldanha Marinho, que já foi muitas vezes protagonista desta Avalanche. É a vizinha do velho estádio Olímpico, no limite entre o bairro Menino Deus e o da Azenha. Daqui até ali é um pulo só — um salto que deixou marcas no meu coração pelas vitórias e sofrimentos, muitos dos quais confidenciados a você caro e raro leitor deste blog.

 

Nesse sábado, peguei carona com meu irmão e demos uma volta no entorno do Olímpico —- ou o que resta dele. O lado que costumo enxergar aqui de casa não causou tanto desconforto, talvez por já ter absorvido a imagem do estádio sem o anel superior.

 

Incomodou-me, porém, o restante do tour, a começar pela passagem do Largo dos Campeões – portão de grade fechado, pedaços de cimento espalhados pelo piso, e os Arcos que recepcionavam a torcida esquecidos, servindo de estacionamento para dois carros — quem teria o privilégio de acessar aquele espaço?

 

Já do lado da Azenha, a coisa é ainda pior. Os despojos do ginásio onde treinei basquete por 13 anos e da churrascaria, que recebia visitantes estrangeiros e ilustres; os tapumes diante dos portões por onde parte dos torcedores chegavam e o mato cobrindo o que antes era a sede social, onde ficavam as piscinas do clube — tudo isso compõe uma imagem melancólica.

 

Tenho saudade do Olímpico por tudo que representou na minha vida —- e saudade é uma lembrança que vem pela alegria ao contrário da nostalgia. Se é triste presenciar sua desconstrução sem o devido respeito à sua história; é com satisfação que rememoro os momentos que presenciei nas arquibancadas e nos bastidores do nosso antigo estádio.

 

Voltei para casa para assistir ao Grêmio pela TV, na terceira rodada do Campeonato Brasileiro. Fomos de time alternativo ao Rio. Dos titulares somente Luan. Tudo bem, se quiser pode colocar André nesta conta, pois tem saído jogando desde que o Brasileiro iniciou-se.

 

Tive saudade no desenrolar da partida daquele passe perfeito, daquele deslocamento veloz e daquela defesa impenetrável, coisas que o time completo costuma oferecer ao torcedor — mas não é justo exigir espetáculo igual se nossa escolha foi por deixar os titulares descansando.

 

A saudade do Olímpico ficará no coração para sempre; a do futebol talentoso que tem sido premiado com títulos e elogios, matarei na terça-feira, quando o Grêmio estará disputando a liderança do grupo A da Libertadores, em nossa casa mais moderna e confortável, a Arena.

Mundo Corporativo: 7 princípios para encarar a nova economia

 

 


 
 

 

As empresas e carreiras estão vivendo um momento de transformação entre a velha e a nova economia, influenciadas fortemente pelo avanço das tecnologias. Quem não entender esse momento perderá valor na perspectiva do consumidor. O primeiro princípio para quem pretende estar pronto para esta evolução é colocar o cliente no centro da estratégia, segundo Renato Mendes, sócio da Orgânica, uma aceleradora de negócios, que auxilia empresas a se adaptarem a esse novo cenário:
 

 

“A gente costuma dizer que na nova economia a empresa vencedora não é a que tem a melhor ideia, é a empresa que melhor conhece o seu consumidor e vai criando soluções para esse cliente; muitas vezes ele não sabe o que ele quer, mas ele sabe a dor que ele sente”

 

 

Na entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, d rádio CBN, Mendes listou o que considera ser os sete princípios que devem ser seguidos por empresas e profissionais:
 

 

  1. Cultura do cliente

  2. Sim, é possível

  3. O novo sempre vem

  4. Vamos errar

  5. Postura de dono

  6. Viva bem no desconforto

  7. Foco e obsessão

 

 

Mendes é co-autor do livro “Mude ou Morra – tudo que você precisa saber para fazer crescer seu negócio e sua carreira na nova economia” (Planeta Estratégia), no qual teve a parceria de seu sócio Roni Cunha Bueno.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, no site ou na página da CBN no Facebook, às quartas-feiras, 11 horas; e é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN e domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.