Conte Sua História de São Paulo 466: o restaurante do futuro que me leva ao passado

 

Por Breno Lerner
Ouvinte da CBN

 

 

Fui uma única vez ao Giratório. Tinha uns 11 anos e meu avô Maurício que conhecia tudo da cidade lá me levou. Analisando hoje era um cenário que poderia tranquilamente estar no filme Tempos Modernos, de Chaplin.

 

Entrava-se por uma porta tipo saloon, fazia-se e pagava-se o pedido por número:

 

1 — arroz/feijão/bife/salada

 

2 — arroz/feijão/carne assada/fritas

 

Acho que eram 20 números no total. Tinha uma deliciosa lasanha, carne assada à brasileira e as duas salvações dos office-boys: a macarronada e o arroz com dois ovos, por preço baixo. O pedido era por interfone à cozinha —- o primeiro de São Paulo, trazido da Itália pelo dono da casa. Lavávamos as mãos e para tirar a água usávamos o primeiro secador a ar da cidade.

 

Sentava-se em uma cadeira, frente a um balcão que por sua vez ficava diante de uma envidraça cozinha oval. O balcão e a cadeira giravam ao redor da cozinha. Na primeira janela, você recebia sua comida e bebida. Tínhamos uns 20 ou 30 minutos para comer. Chegava-se então à janela das sobremesas e, em seguida, em outra janela na qual devolvia-se pratos, copos e talheres. Giro completo, alimentação feita, voltava-se a porta de saloon para ir embora.

 

Uma queixa recorrente era que quem pedia a carne assada à brasileira não comia em tempo de completar o giro e precisava de um extra, para prejuízo da fila.

 

A iniciativa foi da família Barioni, uma família de artistas e inventores. Mário bolou o restaurante; Ézio não só dirigia a casa como construiu máquinas de lavar prato, descascadores de batata e aquela secadora de mãos. O terceiro irmão, Baby Barioni, também ajudava. Ele foi o criador dos Jogos Abertos do Interior.

 

O restaurante Giratório funcionou na rua Amador Bueno, hoje rua do Boticário, de 1958 a 1968 quando fechou sufocado pelos custos da renovação do aluguel e operacionais.

 

Não vou jamais conseguir descrever a vocês meu fascínio quanto entrei e vi aquilo tudo funcionando. Era como ser transportado ao futuro.

 

Hoje, vivo no futuro e tenho uma saudade danada do passado.

 

Breno Lerner é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antônio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias de São Paulo visite o meu blog miltonjung.com.br

Conte Sua História de São Paulo 466: um beijo em plena avenida Paulista

 

Por Antonio Jose
Ouvinte da CBN

 

 

Sou Antonio José da Silva Filho, mais conhecido como Tony. Em minhas memórias, me lembro como se fosse hoje. Todas as vezes que passo pela Avenida Paulista, que seja a trabalho, passeando ou pedalando, vem à lembrança:

 

Nos anos 1970 e até meados dos anos 1980, eu morava na Vila Mariana, na rua Itaoca, onde foram travados grandes embates futebolísticos entre os times da Rua Jaci e da Ouvidor Peleja, da Guiratinga e da Santo Irineu, e uma série de outras equipes representando as ruas do bairro.

 

Estudei no Colégio Brasília Machado. E foi lá que conheci uma grande amiga que morava no bairro de Americanópolis, também na zona Sul. Até hoje não sei o por quê, mas meu coração foi com o tempo se derretendo por ela. Um dia, a levei a primeira loja do Macdonald’s aberta na cidade, na Avenida Paulista. A loja ficava na esquina com a Brigadeiro Luís Antônio. Foi no início dos anos de 1980.

 

O encontro foi maravilhoso. Ela, menina meiga, bonita, charmosa, cativante —- uma lista de elogios sem fim. Nunca havia entrado em uma loja assim de fast food. E foi ali mesmo que tudo aconteceu. Nosso primeiro beijo sob olhares espantados da freguesia. Hoje a cena seria bem normal, mas naquele tempo ….

 

Daquele beijo em diante seguiu-se um namoro que se transformou em casamento. Foi em 1987. E até hoje como prometemos a Deus, perante algumas testemunhas, estamos casados e felizes. Como aprendi, o amor é o que o amor faz. Temos dois filhos, Vinícius, de 26 anos, que mora na Malásia e de quem morremos de saudades. E Ana Carolina, nossa princesa, que está com 23.

 

Foi na Avenida Paulista. Ali começou tudo e com certeza será a maior recordação de nossas vidas.

 


Antonio José, o Tony, foi personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie o seu texto também para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua Historia de São Paulo 466: meu pai Chicó, tios e primos moraram aí

 

Por Paulo Furtado
Ouvinte da CBN

 

 

Minha história de São Paulo começa com o fato de que não sou daí e nunca estive aí. Continua com uma coincidência: nasci em Cuité, na Paraíba, que faz aniversário de emancipação política em 25 de Janeiro, data da fundação de São Paulo. Em Cuité nasceram também meu pai Francisco, Seu Chicó, e meus tios: Benedito, Pedro e Nilo, que assim como alguns primos e milhares de nordestinos migraram para a Terra da Garoa em busca de melhores ventos profissionais.

 

Tio Benedito teve um bar na Rua Vilela, no Tatuapé. Infelizmente não o conheci. Ele casou-se com uma sergipana e teve filhos. Tio Nilo casou com uma boliviana — pessoa da melhor qualidade —-, teve filhos que hoje são empreendedores em Sampa. Tio Pedro casou mas não teve filhos. Voltou a Cuité onde viveu seus últimos dias.

 

Meu pai Chicó também casou. Minha mãe era natural do Rio Grande do Norte, costureira. Ele trabalhou no Ponto Chic — acho que funciona até hoje (vocês que moram por aí podem confirmar). Meu irmão mais velho nasceu em São Paulo. Meus pais voltaram a Cuité, onde abriram uma mercearia e com muito trabalho criaram a nós todos — os seis filhos.

 

Toda essa história tem início nos anos de 1950 e ainda não terminou. Segue hoje graças aos laços de amizade entre os primos, frutos dessas relações que vivem na megacidade que é São Paulo — onde nunca estive e não sei se visitarei algum dia, o que nunca me impedirá de ter com ela uma relação tão íntima.

 


Paulo de Chicó é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Claudio Antonio. Venha contar mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Alessandra Andrade, da FAAP, diz como transformar a sua ideia em um bom negócio

 

 

“Quando a gente é louco o suficiente para achar que a gente pode mudar o mundo, a gente realmente pode mudar então se algo não dá para fazer agora, talvez daqui um ano dê porque as tecnologias vão mudando, as fórmulas vão mudando acredite no seu sonho e vai em frente” — Alessandra Andrade, FAAP

É crescente o desejo de jovens em lançar o seu próprio negócio em vez de buscar um emprego no mercado de trabalho —- fenômeno que também se vê em outras faixas etárias. Isso gera necessidades que vão além do conhecimento técnico que se costuma desenvolver dentro das universidades. Para atender a essa demanda, instituições de ensino superior têm criado espaços para a inovação e o empreendedorismo, como é o caso da Fundação Armando Alvares Penteado, uma das mais tradicionais faculdades de São Paulo. O jornalista Mílton Jung entrevistou no programa Mundo Corporativo, Alessandra Andrade, gerente do FAAP Business Hub, um espaço que ela define como sendo “a startup da FAAP”, onde novas ideias são testadas e em que errar faz parte da busca do conhecimento:

“Hoje, mesmo antes de você ter o seu CNPJ, de você abrir a empresa ou não, você vai falar com o cliente, o foco é no cliente. E esse é o mindset, hoje, do mundo corporativo, do mundos dos negócios, do mundo das startups, onde você testa. Hoje, você não precisa mais de escritório, você não precisa mais do cartão de visitas; você precisa é ter uma boa solução”

Na entrevista, Alessandra Andrade identificou três setores que têm criado ótimas oportunidades para startups: o agronegócio, pela capacidade agrícola do Brasil; o financeiro, através do fenômeno das Fintecs que têm ocupado espaço que era de bancos tradicionais; e o varejo, no qual, depois da explosão do comércio eletrônico, as lojas físicas têm ganhado nova relevância como ambiente de relacionamento com os clientes e pontos de coleta de informação e dados.
 

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN no Facebook ou no Twitter (@CBNoficial). O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN, ou aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Kirklewski e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: meu casamento com o ousado do Sérgio

 

Por Giselle Scalabrin
Ouvinte da CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo as lembranças de Josefina Canali Scalabrin escritas pela filha Giselle:

 

Era final de 1963, acho que em setembro, trabalhava na Barão de Itapetininga, numa imobiliária. Era secretária, elegante, cabelo a la Audrey Hepburn, sempre séria e de bico, hoje só sobrou o bico e os cabelos brancos para guardar todas as lembranças dessa época maravilhosa dos meus 20 e poucos anos.

 

Já nos conhecíamos de vista apenas, porque minha irmã tinha uma floricultura no Pari, e o marido dela, moravam em frente a casa dele no mesmo bairro, na época um reduto de descendentes italianos e portugueses.

 

Mas não tinha prestado muita atenção no bonitão que tinha o biotipo de sucesso para época, cabelo e charme do Elvis, porem um pouco ogro para a beleza exuberante.

 

Sem perceber começamos nos encontrar no terminal de ônibus embaixo do Viaduto Santa Efigenia, próximo a escada caracol, onde tudo começou. Ficava me olhando todos os dias e um belo dia veio falar comigo: — Boa noite, tudo bem, nós já nos conhecemos do Pari, não?! Sempre vejo você indo na floricultura”.

 

E ai começamos a sair, só de mãos dadas; depois de três meses, o primeiro beijo; mas ele era ousado porque queria que eu pegasse no seu braço para atravessar a rua, quando só noivos podiam ter esse contato mais próximo.

 

Um dia estava eu em casa, o ousado chegou na janela de terno novo e perfumado e me chamou para ir no cinema, fomos ver o filme “Angélica”, com Brigitte Bardot. Linda! Mulheres lindas, femininas, o feminino tinha outro significado que o de hoje. Mas na volta levei aquela bronca de papai, porque não pedi permissão para sair.

 

Da outra vez precisei levar a vela da minha irmã mais velha. Marcamos no cinema Hollywood, em Santana. Era um dia frio de inverno e chuva, ele para se proteger ficou atrás da porta e eu não consegui encontrá-lo. Pensou que eu não tinha ido.

 

Na 2ª. Feira, logo após o desencontro, nos vimos no centro da cidade no terminal de ônibus como era de costume e ele cheio de tristeza e raiva, nem deixou eu me explicar. Eu, muito orgulhosa, passei a evitá-lo o máximo possível. Essa briguinha durou uns dois anos.

 

Um belo dia estava eu com minha amiga Maria, na Praça do Correio, na rua Capitão Salomão. Ela disse que um moço estava vindo em minha direção: “vai falar com você!”. Pedi para descrevê-lo. E não tive dúvidas que era o ousado mal-resolvido de dois anos atrás. O problema é que já havia marcado outro encontro com o Alberto, no mesmo local e horário. Mas o ousado chegou antes e assim que Alberto nos viu, foi embora.

 

Após esse reencontro, começamos a namorar, com muitos passeios e broncas de papai porque exigia que eu pedisse a permissão dele para sair todas as vezes. Muitos presentes, muitos passeios no centro de São Paulo, que era nosso shopping, nossa Paulista, nosso centro comercial, nosso centro cultural. Era onde São Paulo fervia, tudo acontecia: revoluções, protestos, estreias, desfiles de moda, restaurantes maravilhosos e muitas histórias de amor.

 

Depois de dois anos, Sérgio, o ousado, e eu, nos casamos. Tivemos quatro meninas e quatro netos Em abril de 2018 fizemos bodas de ouro comemoradas com a música de Elvis Presley.

 


Josefina Canali Scalabrin é personagem do Conte Sua História de São Paulo. O texto foi escrito pela filha, Giselle. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn,com.br

Cinco tendências da NRF 2020

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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foto: Pixabay

 

O NRF Retail’s Big Show é o maior evento de varejo do mundo. Esta semana um número significativo de players brasileiros estará se dirigindo para Nova York a fim de se inteirar do que ocorre de mais importante no setor. Ao mesmo tempo deverão identificar os temas que deverão se concretizar no futuro próximo.

 

Há tempos que as delegações brasileiras são destaque pelo número de empreendedores e executivos da área que comparecem ao evento. Em presença, só temos ficado atrás dos americanos.

 

Então, quem é do ramo e não irá, e não quiser ficar para trás, é melhor se informar de tudo que se passou no evento.

 

O Boletim MERCADO & CONSUMO do Grupo Gouvea de Souza já deu a partida com o artigo do seu titular, Marcos Gouvea: “Cinco tendências que a NRF vai apresentar” – onde aposta nos tópicos Connected Commerce, Customer Centricity, Novos Modelos de Negócio, Pessoas e Propósito.

CONNECTED COMMERCE: O conceito de OMNICHANNEL abriga também os meios de pagamento, e a personalização do relacionamento com os clientes, que ficarão online de forma permanente.

 

CUSTOMER CENTRICITY: A centralidade no cliente deverá se ampliar, tanto para lojas como para shoppings, onde o redesenho do produto atenderá as demandas especificas deste cliente.

 

NOVOS MODELOS DE NEGÓCIO: Alguns novos modelos que já surgiram deverão se acentuar, como o Showfields, espaço coletivo abrigando marcas diferentes. O Recommerce, venda de produtos usados, e a locação de roupas.

 

PESSOAS: No momento em que a tecnologia aumenta seu uso as PESSOAS tendem a protagonizar cada vez mais as operações físicas. O empoderamento das equipes de loja será um novo desafio.

 

PROPÓSITO: O papel tradicional do varejo em intermediar a venda de produtos e serviços começa a ter novas demandas. Tais como posicionamentos bem definidos, propósitos altruístas, autenticidade, transparência e responsabilidade socioambientais.

Entre as cinco mudanças destacadas por Gouvea, gostaria de acentuar o PROPÓSITO, principalmente no que se refere a questão socioambiental. O Brasil pela extensão territorial e pelos recursos naturais de flora e fauna onde se encontram biomas extraordinários, oferece excelente oportunidade no que tange a sua preservação e aproveitamento. Por exemplo, a indústria da moda além de desperdiçar roupas sem reciclar, poderia contribuir tanto na redução das perdas quanto no aproveitamento de novas fontes de abastecimento de matérias primas — como a escama do pirarucu já explorada por fashionistas como a Osklen na fabricação de bolsas.

 

Marcos Gouvea diz que muitas empresas já estão engajadas, embora sem o espírito holístico recomendável. Do nosso ponto de vista as lojas e os shoppings têm rara oportunidade de entrar agora neste processo assumindo o Pacto Global da ONU, que é composto de 10 Princípios Universais, que devem ser observados nas estratégias e operações nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção.

 

Para se integrar no Pacto Global um dos caminhos é pelo CRA SP, endereçando carta assinada pelo CEO aos cuidados do Prof. Dal Colleto, e a adesão implicará em um acompanhamento através da Rede Brasil do Pacto Global.

 

A Consultoria especializada, como a MANANCIAL Sustentabilidade Ambiental, da bióloga Angela Garcia, é uma alternativa direta para a obtenção do direito de usar etiquetas e demais indicadores de integração ao Pacto Global, e atender perante o novo mercado o PROPÓSITO ora demandado.

 

Se você não vai a Nova York que tal contatar já o CRA SP e contratar uma consultoria?

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Sua Marca: o que faz uma marca ser a preferida do consumidor

 

“A qualidade de uma marca é aquilo que sempre puxa a avaliação” —- Cecília Russo

A pesquisa Marcas dos Cariocas chegou a sua décima edição, tempo suficiente para que se tenha uma visão muito clara sobre os aspectos mais relevantes para que empresas, produtos e serviços se destaquem no trabalho encomendado pelo jornal O Globo e realizado pela TroianoBranding. No quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN, Jaime Troiano e Cecília Russo explicaram que a pesquisa é realizada em duas etapas, ouve cerca de 3 mil pessoas e identifica as marcas preferidas em 40 categorias. O desempenho das marcas é avaliado em cinco itens: evolução, identidade com o consumidor, custo-benefício, respeito ao consumidor e qualidade.

“Não existe marca forte que resista a produtos ou serviço ruins. Elas precisam ter qualidade, consistência e continuidade” — Jaime Troiano

Se qualidade ainda aparece em primeiro lugar no momento do consumidor decidir-se por uma marca, o item preço (custo-benefício) é o ponto de desempate na escolha do produto ou serviço. As últimas edições da pesquisa mostrou que tem aumentado de maneira significativa o peso do tema identidade com o consumidor (combina comigo?).

 

Acesse aqui para conhecer o resultado completo da pesquisa Marcas dos Cariocas.

Conte Sua História de São Paulo: o que era um cinema?

 

Por Americo Hatto
Ouvinte da CBN

 

 

Fui apresentado ao mundo do cinema em 1996, aos oito anos. Hoje, posso dizer que foi uma apresentação de gala. Era o início de uma tarde de domingo, Logo depois do almoço, o meu pai disse-me que íamos sair, só nós dois, rumo ao centro de São Paulo. Morávamos em Santo Amaro e chegar ao centro era uma viagem. E um sofrimento para mim: o sacolejar do ônibus, misturado com o cheiro do diesel, invariavelmente, terminava com o meu estômago botando o almoço para fora. Aquele dia não foi exceção…

 

Bom, depois de mais de uma hora, o ônibus chegava ao ponto final, no Vale do Anhangabaú, em frente a Galeria Prestes Maia, onde havia um banheiro público, para o alívio da bexiga de um moleque.

 

Na mesma Galeria, subimos pelas escadas rolantes, naquela época ainda uma coisa rara em São Paulo, para sairmos na Praça do Patriarca e dai atravessarmos o Viaduto do Chá, passando pelo Mappin e pelo Teatro Municipal, para, em fim chegarmos a Avenida São João.

 

Até aquele momento o meu pai não havia me falado o que estávamos fazendo no centro…

 

Depois de uma caminhada pela São João, enxerguei várias pessoas numa fila que dobrava o quarteirão. O meu pai parou no fim da fila e só quando andamos um pouco mais vi o letreiro: “Comodoro Cinerama”. E o cartaz anunciava: “Nas Trilhas da Aventura”. Naquele momento soube que iriamos assistir a um filme no cinema.

 

Mas o que era um cinema?

 

Numa época em que não havia internet, celular ou qualquer outra facilidade, um moleque de oito anos, da periferia, jamais poderia imaginar o que era um cinema. A descoberta estava a caminho.

 

Compramos os ingressos na bilheteria e na antessala meu pai ainda me deu um drops Dulcora. Depois, sim, entramos na sala de cinema propriamente dita. Era enorme, vários assentos e uma imensa cortina vermelha diante de nós .
Alguns minutos depois, as luzes se apagaram e a cortina se abriu, revelando uma gigantesca tela em curva —- aquela era a maior tela de cinema de São Paulo.

 

As primeiras imagens apareceram, mas como os assentos estavam no mesmo nível, quase não dava para ver nada, só as cabeças das pessoas que estavam nos assentos à frente. Para piorar, o filme era legendado e aí não deu para entender quase nada da história.

 

Para um garoto de oito anos, porém, nada disso foi motivo de tristeza. Fiquei maravilhado, hipnotizado com as imagens que passavam na tela. Fui transportado para o velho oeste americano.

 

Lembro-me que o filme era longo e até teve um intervalo de uns 20 minutos no meio da sua projeção. Aí, foi uma correria ao banheiro e ao quiosque de guloseimas. Quando o filme terminou, a semente de cinéfilo havia sido transplantada em mim…

 

Assisti a vários filmes no Comodoro Cinerama junto com o meu pai e, mais tarde, por minha conta e risco. Descobri outras grandes salas no centro de São Paulo: República, Paissandu, Olido, Marabá, Art-Palácio e Metro. Tive o privilégio de ter vivenciado o final dos anos dourados dos cinemas de rua de São Paulo.

 


Americo Hatto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo: fui ao cinema com meu pai

 

Por Americo Hatto
Ouvinte da CBN

 

 

Fui apresentado ao mundo do cinema em 1996, aos oito anos. Hoje, posso dizer que foi uma apresentação de gala. Era o início de uma tarde de domingo, Logo depois do almoço, o meu pai disse-me que íamos sair, só nós dois, rumo ao centro de São Paulo. Morávamos em Santo Amaro e chegar ao centro era uma viagem. E um sofrimento para mim: o sacolejar do ônibus, misturado com o cheiro do diesel, invariavelmente, terminava com o meu estômago botando o almoço para fora. Aquele dia não foi exceção…

 

Bom, depois de mais de uma hora, o ônibus chegava ao ponto final, no Vale do Anhangabaú, em frente a Galeria Prestes Maia, onde havia um banheiro público, para o alívio da bexiga de um moleque.

 

Na mesma Galeria, subimos pelas escadas rolantes, naquela época ainda uma coisa rara em São Paulo, para sairmos na Praça do Patriarca e dai atravessarmos o Viaduto do Chá, passando pelo Mappin e pelo Teatro Municipal, para, em fim chegarmos a Avenida São João.

 

Até aquele momento o meu pai não havia me falado o que estávamos fazendo no centro…

 

Depois de uma caminhada pela São João, enxerguei várias pessoas numa fila que dobrava o quarteirão. O meu pai parou no fim da fila e só quando andamos um pouco mais vi o letreiro: “Comodoro Cinerama”. E o cartaz anunciava: “Nas Trilhas da Aventura”. Naquele momento soube que iriamos assistir a um filme no cinema.

 

Mas o que era um cinema?

 

Numa época em que não havia internet, celular ou qualquer outra facilidade, um moleque de oito anos, da periferia, jamais poderia imaginar o que era um cinema. A descoberta estava a caminho.

 

Compramos os ingressos na bilheteria e na antessala meu pai ainda me deu um drops Dulcora. Depois, sim, entramos na sala de cinema propriamente dita. Era enorme, vários assentos e uma imensa cortina vermelha diante de nós .
Alguns minutos depois, as luzes se apagaram e a cortina se abriu, revelando uma gigantesca tela em curva —- aquela era a maior tela de cinema de São Paulo.

 

As primeiras imagens apareceram, mas como os assentos estavam no mesmo nível, quase não dava para ver nada, só as cabeças das pessoas que estavam nos assentos à frente. Para piorar, o filme era legendado e aí não deu para entender quase nada da história.

 

Para um garoto de oito anos, porém, nada disso foi motivo de tristeza. Fiquei maravilhado, hipnotizado com as imagens que passavam na tela. Fui transportado para o velho oeste americano.

 

Lembro-me que o filme era longo e até teve um intervalo de uns 20 minutos no meio da sua projeção. Aí, foi uma correria ao banheiro e ao quiosque de guloseimas. Quando o filme terminou, a semente de cinéfilo havia sido transplantada em mim…

 

Assisti a vários filmes no Comodoro Cinerama junto com o meu pai e, mais tarde, por minha conta e risco. Descobri outras grandes salas no centro de São Paulo: República, Paissandu, Olido, Marabá, Art-Palácio e Metro. Tive o privilégio de ter vivenciado o final dos anos dourados dos cinemas de rua de São Paulo.

 

Americo Hatto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie o texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Na disputa de dirigentes do varejo, o foco tem de estar nos números

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A ALSHOP, fundada há 25 anos, tradicionalmente tem divulgado o desempenho das vendas natalinas logo após o Natal. Nesse 2019 não foi diferente. Entretanto, a mídia em geral deu um espaço inédito para reportagens com os dados da ALSHOP, que apresentaram crescimento nominal de 9,5% nas vendas em relação a 2018.

 

O fato gerou reação negativa imediata da Ablos, entidade criada em abril com o propósito de representar os lojistas satélites de shoppings. Tito Bessa, fundador e presidente da Ablos – Associação Brasileira dos Lojistas Satélites, atacou a ALSHOP e seu presidente, de acordo com matérias nos principais jornais:

“A notícia da Alshop é falsa, é Fake News, o Nabil não consegue provar os dados, não tem base técnica, não fez pesquisa”.

De acordo com reportagem na Folha, de Joana Pruna e Paula Soprana, Bessa também afirmou que entrará na justiça.

 

Ao fundar a Ablos, Bessa ressaltou que havia necessidade de uma entidade que representasse o segmento das lojas satélites, e, portanto, o seu foco seria as lojas de até 180 m2. Considerava que a Alshop, ao incluir as megalojas e as lojas âncoras com as lojas satélites, não legitimava a representatividade das pequenas lojas. Pois, elas não teriam a força das maiores.

 

Dentro desse contexto ao tomar conhecimento dos dados publicados com os números da Alshop, a Ablos, deveria apresentar os dados do segmento que pretende representar, que de acordo com Bessa já tinha números iniciais pesquisados internamente, que mostrariam que 70% das lojas empataram ou pioraram o resultado comparativo com 2018; e 30% obtiveram pequeno crescimento. Não foi o que ocorreu. A Ablos preferiu desmentir os dados da Alshop, que correspondem a todos os segmentos, ou seja, âncoras, megalojas e satélites, em vez de terminar a sua pesquisa e apresentar o resultado do setor que se propõe representar — a entidade diz ter, atualmente, 90 associados.

 

Parece que o método que vivenciamos no caso do incêndio da Amazônia está fazendo escola, quando o Governo em vez de apresentar números se limitou a desmentir os técnicos e acusar ONGs e até ator de Holywood.

 

Cremos que para o bem do varejo o melhor método é aquele de manter o foco nos números, e que sejam apresentados os resultados comparativos do Natal das lojas satélites, que parece, é o que interessa aos associados da Ablos, e a todos os demais lojistas — assim como ao mercado consumidor.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.