Jovens dedicarão mais tempo ao rádio do que a televisão, até 2025

 

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“O rádio é a mídia do futuro”.

O caro e raro leitor deve ter lido a frase acima uma dezena de vezes neste blog. Se um dia me deu o privilégio de ler “Jornalismo de Rádio”, lançado pela editora Contexto, em 2004, talvez lembre-se dela na página de abertura. Foi-me dita por Alberto Dines, em um bate-papo na redação do Portal Terra. Reafirmada por ele quando pedi licença para dar o devido destaque na publicação. E defendida em cada parágrafo do livro por mim.

 

Volto a citá-la porque fui apresentado ao relatório “Previsões de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações 2019”, da Deloitte Global, emprese de auditoria e consultoria.

 

A análise é bem mais ampla: fala da tecnologia 5G, inteligência artificial, smart speaker, computadores quânticos, entre tantas outras inovações. Por óbvio me ative ao capítulo “Rádio: receita, alcance e resiliência” —- que reafirma minha crença tornada pública há 14 anos.

 

Saber que o rádio foi considerado em estudo que avalia tecnologias tão avançadas já foi um ótimo sinal. Aprofundar nos números, então, mexeu com o entusiasmo deste jornalista que dedicou — e dedica —- boa parte da carreira ao rádio.

 

Em resumo, o que os números e as análises revelam:

Mais jovens ouvintes — o que sinaliza um futuro promissor.
Mais ouvintes ouvindo por mais tempo — o que aumenta o engajamento.
Mais ouvintes que trabalham, que têm boa educação e maior renda — o que pode atrair melhores anunciantes.
Mais de um terço dos ouvintes em busca de notícia —- e essa me deixou ainda mais feliz, é lógico.

O estudo da Deloitte Global diz ainda que a tendência é que os jovens de 18 a 34 anos passarão mais tempo ouvindo rádio do que assistindo à TV até 2025. E para bancar essa previsão, compara o cenário atual no qual identificou-se que a audiência de TV está caindo três vezes em relação a taxa de audição de rádio.

 

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reprodução de relatório Deloitte

 

A previsão é que o alcance semanal permanecerá quase onipresente, com mais de 85% da população adulta ouvindo rádio, pelo menos semanalmente, no mundo desenvolvido. Quase 3 bilhões de pessoas no mundo todo ouvirão rádio, em 2019. E a receita global chegará a US$ 40 bilhões.

 

Se você ainda enxerga tudo isso com incredulidade, não se incomode. Está apenas sendo refém de um viés inconsciente, construído ao longo do tempo por visionários do caos radiofônico. Eu continuarei acreditando no potencial deste veículo e contando com a sua audiência.

“Radio is the voice whispering in our ear, in the background of dinner, in an office, or while driving the car. It is not pushy or prominent … but it is there”

 

“Rádio é a voz sussurrando em nossos ouvidos, no fundo do jantar, no escritório ou dirigindo o carro. Não é insistente ou proeminente … mas está lá”

Leia o estudo completo com previsões para tecnologia, mídia e telecomunicações 2019

O consumidor e o bônus das inovações tecnológicas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O varejo mundial há muito tem pesquisado, estudado e inovado sobre o atendimento ao consumidor. Com esse objetivo, criaram-se novos canais, novas formas e novos conceitos, colocando o foco essencialmente na satisfação do consumidor.

 

Do mercado de massa passamos pela segmentação, pelos nichos e chegamos à customização. E  deveremos atingir a massificação da customização, com o propósito de conquistar e fidelizar o consumidor.

 

Mas e o consumidor?
Está feliz? Está confortável?
Ou, está ameaçado na sua privacidade?

 

Para responder essas questões, buscamos a professora, consultora e escritora Regiane Relva. Foi ela quem nos instigou ao tema, após termos assistido a sua palestra sobre o Novo Varejo, em evento da ALSHOP, há uma semana.

 

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Palestra de Regiane Relva em Dubai sobre inovação no varejo

 

 

Regiane, doutora em Administração da Tecnologia da Informação pela FGV, adverte que a maioria dos consumidores não está visualizando a invasão de privacidade que as novas ferramentas tecnológicas acarretam.

 

Para comprovar essa expectativa, cita recentes visitas aos Estados Unidos e a China.

 

Em Nova York, em janeiro, a NRF testemunhou um enorme crescimento de oferta de tecnologia, a ponto de abrigar 792 expositores.

 

Se nos Estados Unidos existe o potencial de perda de privacidade, na China o controle das pessoas já é um fato.

 

O WeChat, plataforma que substitui a mídia social e demais, enviando e recebendo mensagens e pagamentos, é do governo. Além disso, há cidades com áreas totalmente cobertas por câmeras comportamentais.

 

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Ao mesmo tempo, o que se viu em Nova York, na NRF, é que as inovações chamam a atenção com aplicações em VISÃO COMPUTACIONAL e INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

 

Na Visão Computacional, o destaque fica com as câmeras de captação de comportamento, ressaltando as reações faciais e corporais.

 

Na Inteligência Artificial, aglutinam-se ícones como o Big Data; a Biometria utilizando íris, visão e voz; o RFID, que é a identificação por radiofrequência; a AIDC, que é a captura automática de dados para identificação; o Celular;e a IOT, que é a inteligência das coisas fazendo com que todos os equipamentos se comuniquem entre si.

 

Com o comportamento do consumidor previsto por este conjunto de ferramentas, as empresas que as utilizam tem conseguido fornecer uma experiência de compra diferenciada.

 

Entretanto, a professora Regiane manda um recado:

adiante deste bônus há ônus, sobretudo na privacidade das pessoas.

 

E faz um convite:

Aula inaugural, em 9 de março, do MBA em Gestão e Inovação em Cidades Inteligentes, como Coordenadora do Smart Campus Facens, em Sorocaba — trabalho no qual recebeu, em 2017, o Prêmio Smart City UK London.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

A imagem da educação que realmente interessa ao Brasil

 

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Cantei o hino em datas comemorativas, na escola que estudei em Porto Alegre. Perfilei-me diante da bandeira, em abertura de eventos esportivos. Repito o gesto até hoje nas atividades oficiais. Migrei da Ditadura para a Democracia sempre respeitando nosso hino, nossa bandeira e nosso brasão. E se o fiz não é porque fui obrigado ou filmado.

 

Também não agi com patriotismo devido às aulas de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil, as quais, essas sim, fui obrigado a frequentar porque estavam no currículo escolar. Imagino que os professores até se esforçaram para me ensinar alguma coisa, mas sequer o nome deles sou capaz de lembrar.

 

Perdão, professor de EMC e OSPB!

 

O sentimento patriótico que construí tem muito a ver com valores e pensamentos que aprendi em casa. Quem conhece meu trabalho, sabe da importância que dou à educação, uma responsabilidade dos pais ou dos adultos de referência das crianças, já que nem todas têm o privilégio de nascer em uma família estruturada.

 

A escola também foi importante, sem patriotadas. Oferecendo-me informação e liberdade para refletir. Permitindo o questionamento. Abrindo espaço para o contraditório. Ensinando-me a respeitar os que pensam de forma diversa.

 

Ao longo do tempo, desenvolvi uma ideia do que representa este sentimento que identificamos como patriotismo —- e o descrevi da seguinte maneira no livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”:

 

“Patriotismo não é coisa pouca. É o orgulho que temos pelas coisas da nossa terra, pelos símbolos que nos unem. E os nossos símbolos, com todo o respeito, são muito mais do que a bandeira, o brasão e o hino. São os nossos atos e características, a nossa cultura, a nossa história. A educação e a escolaridade que oferecemos. A ética que nos move é símbolo dessa união, também. De amor. De patriotismo”

 

Foi esse sentimento de patriotismo que aflorou logo cedo, nesta terça-feira, quando fui provocado a falar sobre a “carta” — da qual você já deve ter ouvido falar — enviada pelo Ministério da Educação aos alunos da rede pública e privada, escrita com um texto ufanista e conceitos subjetivos, com pedido impróprio e assinado de forma ilegal. Para o desastre ser completo, só faltaram erros gramaticais — o que não me surpreenderia depois de ouvir o ministro Ricardo Vélez chamar a todos nós de “cidadões”, em sua primeira fala pública ao assumir o cargo.

 

Para lembrar: o documento pedia a leitura da carta a todos os alunos, seguida do canto do hino nacional diante da bandeira brasileira, e a gravação em vídeo, por celular, a ser enviada ao MEC.

 

Sei da existência de legislação de 1971, acrescida de um parágrafo, em 2009, que obriga a execução do hino nacional brasileiro ao menos uma vez por semana, nas escolas públicas e privadas, de ensino fundamental e médio. Ou seja, o texto era desnecessário nesse caso. Mas, tudo bem, vamos levar em consideração que vivemos em um país de leis que pegam e outras que não pegam.

 

Agora, gravar crianças cantando o hino, sem autorização, fere o Estatuto da Criança e do Adolescente. Que fique claro, a proibição não se deve ao fato delas estarem cantando o hino. Poderiam estar na sala de aula estudando ou correndo na praça atrás da bola tanto quanto poderiam estar usando drogas ou batendo em outras crianças. O ECA garante o direito à preservação da imagem da criança. Ponto.

 

Usar lema de campanha eleitoral —- a “carta” vinha acompanhada da mensagem “Brasil acima de todos, Deus acima de tudo”, que marcou a campanha do presidente Jair Bolsonaro — também é proibido. É ilegal.

 

Ao longo da tarde, o Governo recuou. Incluiu o pedido de autorização para gravação e retirou o lema de campanha —- dando razão aos que reclamaram da “carta” e deixando aqueles que criticaram às críticas com a brocha (ou o twitte) na mão.

 

É provável que alguns diretores de escolas resolvam sacar seus celulares, gravem as imagens da meninada perfilada, com mão no peito e cantando o hino, e depois saiam atrás dos pais para receber a autorização necessária.

 

O arsenal de imagens consideradas patrióticas que o Governo terá em mãos será usado da maneira que interessar ao ministro —- ou ficará armazenado no seu computador. Faça o quem entender. Desde que tenha a autorização para tal.

 

Mas já que é adepto de produções cinematográficas, recomendo que o ministro se dedique também a revelar o filme da educação brasileira que, anualmente, é registrado nos exames de larga escala e avaliações externas, tais como o SAEB — Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica e o ENEM — Exame Nacional de Ensino Médio.

 

Essas, sim, são as imagens da educação que interessam ao Brasil.

Avalanche Tricolor: se o Juca disse, quem sou eu para desdizer!

 

 

Grêmio 2 x 0 Veranópolis
Gaúcho – Arena do Grêmio/Porto Alegre-RS

 

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Marinho comemora mais um gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Era noite de estreia. Não na Arena. No cinema. O documentário “Vida em movimento” do meu amigo — e colega de CBN — Márcio Atalla estava sendo apresentado ao público pela primeira vez, com sessão prevista para o mesmo horário da partida do Grêmio.

 

Em situação normal de pressão e temperatura — haja vista ser uma segunda-feira –, ficaria em casa assistindo ao meu time, na última partida antes da estreia na Libertadores.

 

Mas não podia perder a oportunidade de estar ao lado de alguém que tanto admiro, em momento desta importância. Assisti ao documentário no cinema Iguatemi, aqui em São Paulo, enquanto o Grêmio cumpria mais um compromisso pelo Gaúcho.

 

Vida em Movimento relata uma série de ações e pesquisas pelo mundo que mostra o risco do sedentarismo na sociedade moderna e nos faz pensar: o que estamos fazendo com a nossa vida?

 

Soube do resultado da partida pelo aplicativo que me acompanha no celular. Primeiro gol, Marinho. Segundo gol, ele de novo. Marinho deve ter arrasado com o jogo, pensei comigo.

 

Sem chance de conferir os gols e melhores momentos, qual não foi minha surpresa, hoje cedo, ao ouvir as palavras de outro craque que tenho o prazer de ser colega de trabalho — e amigo: Juca Kfouri.

 

Comentarista do Jornal da CBN, que, na segunda-feira, resmungava a baixa qualidade do futebol jogado pela maioria dos times brasileiros, neste início de temporada, Juca teceu elogios ao meu Grêmio.

 

Disse no comentário da CBN e repetiu em seu blog no UOL:

Com dois gols de Marinho, um em cada tempo, o Grêmio chegou a 23 gols em oito jogos e mais uma vez mostrou atuação agradável de ver, sob chuva.

 

Ah, mas contra o lanterna, o Veranópolis, dirá alguém.

 

OK, e contra quem têm jogado os principais time do país? Como o Santos e o Fluminense, o Grêmio não esquece que tem gente que gosta de futebol bem jogado, não apenas de vencer.

 

Pois tem vencido e jogado bem.

 

Ah, mas o Gauchinho é mole. É, e o Paulistinha, o Carioquinha?

 

Pegue o Avenida, por exemplo, que vendeu cara a derrota para o Corinthians na Copa do Brasil e só por 1 a 0 para o Inter ontem.

 

O Grêmio enfiou-lhe meia dúzia…

 

A vantagem do Grêmio sobre o Santos e o Flu é óbvia: tem Kanneman, Geromel, Maicon, Luan, Everton, enfim, tem jogadores de mais qualidade para impor aquilo que Renato Portaluppi determina.

 

Hoje, sem concorrência, foi possível vê-lo jogar e redimiu o péssimo futebol jogado pelo Brasil afora no fim de semana.

 

O Grêmio lidera o Gauchinho, com 20 pontos ganhos….

Se o Juca disse isso, quem sou eu para desdizer.

 

PS1: Reproduzi o comentário do Juca sem pedir licença a ele; fico na expectativa de que ele me perdoe por tal atrevimento.

 

PS2:O documentário de Márcio Atalla estará no circuito de cinema, a partir do dia 28 de março. Antes, o tema será foco de reportagens no Fantástico.

De política, de costumes e de tragédias: marchinhas finalistas falam do Brasil

 

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Tanto faz como tanto fez. Seja lá quem estiver no poder, será alvo das marchinhas e músicas do Carnaval brasileiro. Foi assim na Ditadura de Getúlio e foi na Ditadura Militar. Foi com Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma. Não seria diferente com Bolsonoro. E, claro, seu governo e seus ministros, assim como suas frases e expressões, mexeram com a criatividade de compositores como se percebeu na série de sugestões enviadas pelos ouvintes para o 6º Concurso Nacional de Marchinhas de Carnaval do Jornal da CBN. Outros temas nacionais também mobilizaram a produção musical, como a tragédia provocada pela Vale.

 

Com uma centena de músicas inscritas, muita letra debochada e ritmos misturados, chegamos às cinco indicadas para o voto popular. Curta a letra, aumente o som e vote no site www.cbn.com.br até quinta-feira às 11h59 da noite. A campeoníssima será conhecida na sexta-feira, durante o Jornal da CBN:

 

________________________

 

OS PASSA-PANO
Dudu Pinheiro

 

 

Eu tô passado, indignado, horrorizado, assustado, tô bolado não é
possível tá demais!

 

Com tanta treta não escuto uma panela ser batida na janela do
vizinho aqui de trás

 

É que tem gente que anda tão acomodada
Fingindo que não tem nada acontecendo de anormal

 

É um tal de passar pano na cabeça, no laranja, na ministra da goiaba nesse bando sem noção

 

Essa galera do passado vive passando vergonha já passaram do
limite dando só passo pra trás

 

Mas não vai passar batido, não!
Eu não passo pano!

 

Se liga no recado:
Não passarão!

 

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AI, MOURÃO!
Os Marcheiros

 

 

Ai Mourão aí Mourão
Não faz assim
Que eu te dou meu coração

 

Aí aí aí aí aí
É uma tortura essa paixão
Mas tem gente com ciúme
Esse amor
ainda vai dar confusão

 

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TALQUEY, TALQUEY (A CULPA É DO PT)
Marília Passos e Isis Passos

 

 

A culpa é do Petêêêê
E dessa corja vagabunda de artistas
Essa mamata ai acabar
O Bozo é o mito
Fora fora comunistas

 

A culpa é do Petêêêê
E dessa corja vagabunda de esquerdistas
“Vamo acabá com isso daííí”
O Bozo é o mito
Fora fora comunistas

 

Nossa bandeira jamais será vermelha
Quem garantiu foi Jesus na goiabeira
Chegou a hora da nossa oração
Partiu igreja com a arma na mão

 

Bandido bom é bandido morto
Sou cidadão de bem porque eu sou cristão
Melhor JAIR procurando o que fazer
Vou acabar com a Lei Rouanet

 

Traz a Damares
Traz o Mourão
Que traz seu filho pra mamar no tetão
Prepara o suco de laranja pro Queiróz

 

Que traz um dinheirinho para todos nós

 

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ASSIM NÃO VALE
Rodrigo Soares

 

Assim não vale
Assim não vale
Transformar a vida em lama
e ainda fazer com que ela espalhe

 

Assim não vale
Assim não vale
Transformar a vida em lama
e ainda fazer com que ela espalhe

 

Fiz minha casa no alto de uma montanha
Imaginado ar puro, sombra e água fresca
Mas um dia me chegou um testa de ferro
E minha vida virou de ponta cabeça

 

É ferro, é ferro, é ferro
É ferro, é ferro que interessa
Dinheiro, riqueza
Emprego e desenvolvimento à beça

 

E todo dia da minha janela eu via
Muito buraco e a poeira que subia
Muito barulho e a montanha que encolhia
Água sujando e minha casa que tremia

 

Mas temos celular
Temos um carro e internet para acessar
E ainda vamos ter dinheiro para gastar
E avião para podermos viajar

 

Então aconteceu naquele dia
Rompeu aquilo que não se rompia
E a cidade viveu muita agonia
Muita tristeza, muita dor

 

É lama, é lama, é lama
É lama em todo o lado,
Embaixo e em cima
E o emprego e o conforto,
E o dinheiro era um negócio da China

 

E o emprego, e o conforto,
E o dinheiro era um negócio da China

 

Assim não vale
Assim não vale
Transformar a vida em lama
E ainda fazer com que ela espalhe

 

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TODA COR, TODO AMOR
Tereza Miguel

 

 

Eu visto toda cor, toda cor que eu quiser
E não faz diferença se eu sou homem ou mulher
Eu sou uma pessoa total e poderosa
Por isso eu visto azul, por isso eu visto rosa

 

O amor não tem só duas cores
Mas todas as cores do olhar
O medo de amar cega os olhos
De quem não quer enxergar

 

Vote agora no site www.cbn.com.br

Paciente com ELA transforma código morse em comunicação inclusiva

 

 

 

“Não existe qualidade de vida sem uma boa comunicação”. Assim que deparei com essa frase, logo percebi que a partir dela encontraria mais uma daquelas experiências geniais proporcionadas pelo ser humano.

 

Expectativa devidamente atendida.

 

A frase foi ponto de partida da iniciativa adotada por Paulo Santarém, de 60 anos, dentista por profissão e diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica — aquela doença do físico Stephen Hawking que causa a “morte”dos neurônios que mandam informações aos músculos

 

Foi há 11 anos que Santarém descobriu que perderia todos os movimentos do corpo, exceto na região dos olhos. Em lugar de apenas esperar o avanço da doença, desafiou a família — a mulher, Maysa, e as duas filhas — a aprender o código morse, conhecimento que ele havia obtido na época em que foi telegrafista — dizem que era dos bons. Adaptou a comunicação que surgiu no ano de 1835 e transformou a sequência de pontos e traços em piscadas de olhos.

 

Piscada fraca significa ponto; piscada forte, traço (veja no vídeo).

 

Fácil não foi. Mas Santarém não parece ser um daqueles caras que se entrega com facilidade. Haja vista a forma como encarou a doença. Mulher e filhas aprenderam a lição e hoje ajudam enfermeiras e cuidadores a também se comunicarem com Paulo. Elas divulgam a solução para outras pessoas que enfrentam essa dificuldade e na maior parte das vezes não têm como adquirir aparelhos caros que captam o movimento ocular e sintetizam a voz.

 

Quem me apresentou essa história foi a Daniela Santarém, uma das filhas do Paulo, que é bióloga e se dedica a explicar a importância deste modelo de comunicação inclusiva para os pacientes que são diagnosticados com ELA. Daniela e Paulo gravaram um vídeo, publicado no You Tube, que nos ajuda a entender como funciona esse método. Foi ela quem me contou, também, que o pai se atualiza sobre as notícias pelo rádio que está no quarto da casa dele, em Tietê (SP): “a CBN é sua rádio favorita”, escreveu.

 

Aproveitando a lição da Daniela e do Paulo, se para ter qualidade de vida é preciso uma boa comunicação, para se comunicar melhor é preciso boa informação, também.

 

Que a gente continue atendendo a expectativa da família Santarém —- e das demais famílias de ouvintes da CBN.

 

Comunicar para liderar foi destaque em Felicidade iLTDA

 

 

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A experiência de ser entrevistado nem sempre me deixa à vontade. Fui treinado para entrevistar pessoas. Quando se está do outro lado, sempre fica a apreensão de que seu desempenho poderia ser melhor. A resposta não foi tão clara quanto gostaria. Talvez tenha desperdiçado a oportunidade de contar algo mais produtivo para as pessoas. Dia desses tive de encarar esse desafio a convite de João Paulo Pacífico, empreendedor, inspirador e apresentador do programa Felicidade iLTDa, na Rádio Globo.

 

Verdade que a tarefa de ser entrevistado foi facilitada pela forma simpática e tranquila com que o Pacífico fez a mediação. Além de o fato de estar sentado à mesa com uma colega super competente e minha grande amiga: a Leny Kyrillos, com quem escrevi o livro “Comunicar para liderar” (Contexto). Ao lado dela, a conversa sempre se torna agradável e produtiva.

 

Falamos de comunicação e liderança, contamos curiosidades de nossas carreiras —- como o motivo que me levou a deixar o esporte pelo jornalismo — e apresentamos dicas para ajudar os profissionais a se relacionarem melhor com seus colegas, parceiros de negócios e clientes.

 

O programa —- como o próprio nome nos induz a pensar — é sobre felicidade no trabalho e se propõe a tratar de assuntos que mostrem como as empresas podem contribuir para um futuro melhor. Foi o que me fez lembrar do poder da palavra na comunicação e o cuidado que devemos ter ao nos dirigirmos às outras pessoas, especialmente quando estamos diante da necessidade de avaliar o seu comportamento ou o seu desempenho profissional:

 

“… uma palavra bem dita, muda e transforma a vida do outro; assim como a palavra mal dita, fere”.

 

Esse poder é ainda maior quando se aprende — como disse Leny Kyrillos — que a comunicação contagia e constrói imagens. A propósito, ao ser provocada a identificar os  pecados na comunicação dos líderes, Leny ressaltou que o mais grave deles é a falta de autenticidade:

 

“(a pessoa) se sente cobrada e pressionada por uma série de coisas e começa a acreditar que ela precisa desempenhar um papel que não é o dela, e muitas vezes perde sua essência”.

 

Espero ter sido autêntico na conversa com a Leny e com o João Paulo Pacífico — mesmo quando fui levado a contar uma piada em um dos quadros propostos pela produção do programa.

 

Ouça  muitas outras dicas e curiosidades no podcast de Felicitade iLTDA.

 

Avalanche Tricolor: é sempre bom voltar para casa

 

Brasil-Pel 0 x 0 Grêmio

Gaúcho — estádio Bento Freitas/Pelotas-RS

 

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Pepê em destaque na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA 

 

Foram apenas alguns dias, mas foram dias intensos esses que fiquei em Porto Alegre. Fui para lá na sexta-feira e voltei no domingo. Se insistir de ficar mais um ou dois dias —- e esta é a vontade que não me falta —- logo estarão espalhando por aí que estou de férias. Por isso, ontem à noite já estava em casa, aqui em São Paulo.

 

É curiosa essa sensação do “estar em casa”.

 

Deixei Porto Alegre em 1991 quando vim embora para a capital paulista. Se minhas contas estiverem certas e meus planos se realizarem, desde metade do ano passado já vivi mais tempo em São Paulo do que no Rio Grande do Sul.

 

Aqui me fixei profissional e pessoalmente. E me realizei. Minha carreira de jornalista se expandiu. A mim foi oferecido espaço no rádio, na TV, na internet e em revista. Muito mais importante, porém, foi que aqui encontrei a mulher amada e com ela tive filhos amados — e com eles convivo até hoje. É na casa de São Paulo que recebo amigos e para a qual convido a família para aproveitar seus dias. É o meu lar.

 

Apesar disso, ainda teimo em dizer, sempre que tenho viagem marcada para Porto Alegre, que vou para casa. Refiro-me a casa onde morei na Saldanha Marinho, em Porto Alegre, na qual hoje vive meu irmão com a família dele — minha cunhada, meu sobrinho e minha afilhada —-, que me recebe sempre com muita generosidade

 

Foi lá que passei a maior parte dos meus dias de infância e adolescência. Onde minha mãe trocou minhas fraldas, vestiu minha primeira calça de brim coringa e nela bateu com chinelo, sempre que fiz por merecer. Corri atrás de galinha no quintal da casa da Saldanha. Brinquei de esconde-esconde na calçada, em frente. Deixei meus pais de cabelo em pé, atravessando de bicicleta a rua de paralelepípedo.

 

Quando acreditava ter idade para tal, deixava minha casa para me divertir nas discotecas da época, no encontro com os amigos na mesa de bar e na paquera na Cidade Baixa — programas que contribuíram, e muito, para o número de cigarros consumido pelo pai, que só dormia depois que eu voltava para casa.

 

Lá da casa da Saldanha, saía ao lado do pai para ver os jogos do Grêmio, no vizinho estádio Olímpico — onde também treinei futebol, joguei basquete e criei raízes. E essa sequência de experiências —- e tantas outras que deixei de registrar aqui —- impregnaram na alma a ideia de que quando chego na Saldanha, estou em casa. Estou mesmo. Uma sensação que em nada desmerece a ideia de que meu lar está em São Paulo, daqui de onde escrevo essa Avalanche.

 

Ops, perdão, somente agora lembrei que este texto ocupa o espaço dos posts que fazem referência ao Grêmio e seu desempenho em campo — e fora dele. Infelizmente, porém, a viagem de volta a São Paulo deu-se no momento em que o Grêmio começava mais um compromisso pelo Campeonato Gaúcho. Mal consegui assistir aos minutos iniciais na tela do celular. A comissária de bordo logo anunciou o fechamento das portas do avião. Assim que aterrissamos ainda consegui ver o apito final da partida em que empatamos jogando fora de casa — resultado que nos mantém isolado e distante na liderança da competição.

 

Semana que vem, segunda-feira, o Grêmio volta aos gramados e, dessa vez, jogando em casa. E estar em casa é sempre muito bom. Não é mesmo!?

Conte Sua História de São Paulo: o menino carioca que adorava as férias na Vila Nova Uberabinha

 

Dr Luis Fernando Correia
Do Saúde Em Foco e ouvinte da CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte Luis Fernando Correia — sim, ele mesmo, o nosso Dr Luis Fernando Correira, do Saúde em Foco:

 

Nos anos 1970 eu era um carioca atípico. Passava férias em São Paulo. Deixe-me explicar, antes que me achem louco. Tenho família em São Paulo e naquela época, com 15 anos, tendo vivido sempre em apartamentos no Rio de Janeiro, quando vim visitar a família, dei de cara com uma turma de mais 20 da mesma idade, brincando na rua.

 

Minha tia morava em Vila Nova Uberabinha, a região fica ao lado da Avenida Santo Amaro — é aquela área que foi englobada ao bairro de Moema, onde as ruas tem nome de pássaros.

 

No Rio, morava em lugar plano, bicicleta à vontade. Ali havia ladeiras para se andar de skate.

 

Algumas vezes jogávamos tênis no Clube Pinheiros. Para chegar lá tinha de atravessar a Santo Amaro e logo depois havia um córrego, que hoje está canalizado. Cruzávamos uma pinguela —- um pequena ponte improvisada de madeira — que nos levava à região da rua Clodomiro Amazonas. Dali se chegava ao Pinheiros.

 

Uma curiosidade da época de adolescente em São Paulo: a chegada de uma rede de lojas de sanduíches servidos em caixinhas — o Jack in the Box. A inauguração foi no shopping Ibirapuera, que também tinha muito perto a sorveteria Brunella.

 

Era uma época em que se podia ficar na rua até muito tarde, sempre que as mães deixavam — ou não. Eram os anos de 1970, em São Paulo, vistos pelos olhos de um carioca adolescente.

 

Luis Fernando Correia é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte também você mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: o emprego que você quer pode estar no exterior

 

 

“Não adianta você chegar, sair da sua cidade, ir para um país diferente, não conhecer nem a cultura nem o idioma. Você vai ter um subemprego lá. Então, nesse mundo corporativo, lá fora, você tem de estar preparado para esta carreira sem fronteira” —- Rafael Olivieri, Competency

 

O trabalho que você deseja pode estar em qualquer lugar próximo da sua casa ou do outro lado do mundo. Portanto, estar preparado para trabalhar fora de sua cidade ou em outro país é diferencial competitivo em uma seleção de emprego. Para ajudar os profissionais a estarem prontos para quando essa oportunidade surgir, o programa Mundo Corporativo, da CBN, entrevistou Rafael Olivieri, presidente da Competency, empresa especializada em cursos e congressos focados na internacionalização de carreiras.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, Olivieri falou que é necessário conhecer a língua, os costumes e a cultura de cada país, mas, além disso, o profissional deve identificar o seu próprio comportamento diante de desafios como o de ser um expatriado: “a comunicação é importante; a atitude mais ainda para galgar uma carreira que para ele é um sonho”.

 

Apesar de a ideia de buscar vaga no exterior geralmente estar associada aos mais jovens, Olivieri chama atenção dos profissionais com mais experiência e que pela idade muitas vezes não encontram mais emprego no Brasil: “se você é competente não vai faltar espaço para você”.

 

Um dos benefícios de participar de eventos e cursos de internacionalização de carreira é a formação de uma rede de relacionamento com essas de diversas áreas, defende Rafael Olivieri que organiza essas atividades no Brasil e no exterior:

 

“O relacionamento é tudo, porque os melhores empregos hoje não estão mais em jornais e revistas. Se o cara não tem relacionamento, o cara está fora do mercado”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site, no Facebook e no Instagram, da CBN. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às 10 da noite ou a qualquer momento em podcast. Colaboraram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.