Conte Sua História de São Paulo: a editora de livro que se transformou em apresentadora de live

May Parreira

Ouvinte da CBN

foto arquivo pessoal

Se alguém me dissesse, em abril de 2020, que eu faria monólogos ou entrevistas ao vivo na internet, eu responderia com uma gargalhada, que não dou faz tempo. Sempre quis estar a par do mundo digital, pelo menos o suficiente para acompanhar os netos, mas vencer a inibição das câmeras, ah, isso era impossível.  Só que não. 

Temos uma editora — a Ofício das Palavras —, e no fim de 2019 percebemos a necessidade de um incentivo, algo que nos fizesse sair da mesmice, da acomodação. Precisávamos inventar alguma coisa que chamasse novos talentos para nossos livros e oficinas. Nos inscrevemos  numa mentoria de Marketing Digital. Aprendemos como postar, quando, quantas vezes. E o ano começou com bastante trabalho, nosso trabalho. E começou a dar resultados. Mais pessoas engajadas, mais visitas ao site. 

Resolvi que daria as caras na rede todos os dias sob o risco de não ter ninguém do outro lado. Estranha sensação essa. Você olhar para uma espelho e falar sozinha, ser sua própria interlocutora, um misto de narciso e vergonha alheia.

As pessoas que vivem de selfies já foram bastante estudadas pela psicologia. Nada me resta dizer. Mas se tem de ser, que seja. Vamos com a cara e coragem.

Um dia, chamei uma amiga para entrar ao vivo. Ela estava na praia. Tinha acabado de sair do mar. No susto, topou! Conversamos como se estivéssemos no terraço de sua casa. Dia seguinte, outra amiga, e outra, e outra. 

Foi a força necessária para saber que sim, eu, May Parreira e Ferreira, paulista, 68 anos, quatro netos, três gatas e um pastor alemão, posso fazer ao vivo e em cores. E as presenças são sempre pra lá de especiais. Continuo não gostando de me assistir. Mas está tão gostoso receber os convidados. Tem sido tão animador, tenho me sentido tão bem acompanhada, que só posso agradecer. 

Um projeto, é tudo que precisamos na vida.

O que nos falta de contato físico está sendo compensado pela alegria, companheirismo e empatia entre todos os que vêm conversar ou participar. A espécie humana só chegou até aqui, só sobrevivemos, porque nos unimos. Foi por sermos gregários que conseguimos nos desenvolver. Foi o grupo em volta da fogueira que nos levou à roda e à eletricidade. A contação de histórias, boca a boca, virou ebook. Com amor e empatia. 

May Parreira e Ferreira é personagem do Conte Sua História de São Paulos. A sonorização é do Claudio Antonio. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: José Salibi Neto decifra o algoritmo da vitória

Foto de Pixabay no Pexels

“Eu acredito muito no potencial do ser humano. Eu já fui transformado alguma vezes. Mas você precisa ter alguém junto para te ajudar em alguma situação. E nesse caso é o grande treinador, o grande coach”, José Salibi Neto

O algoritmo é uma sequência de instruções bem definidas. Mas nas relações humanas, regras e procedimentos não são perfeitamente definidos. Então, para fazer esse algoritmo rodar com resultados satisfatórios é essencial a figura do coach ou do treinador que tem de adaptar esse sistema a quem ele treina, ter engenhosidade para conectar essas duas pontas  — algoritmo e esportista — e converter problemas maiores em partes menores e mais simples de resolver.

Essa é a ideia central do trabalho desenvolvido por José Salibi Neto, ex-tenista, cofundador da HSM e dos maiores especialistas em gestão no país, e Adriana Salles Gomes, admiradora de esportes, especialmente dos cavalos de corrida, jornalista e craque em economia e negócios. Juntos, escreveram o livro ‘O algoritmo da vitória” (Planeta Estratégia), após cinco anos de muita pesquisa, leitura e entrevistas com alguns dos melhores técnicos esportivos do mundo. 

José Salibi Neto falou do resultado deste projeto e de como aplicá-lo na gestão de negócios, no programa Mundo Corporativo, da CBN. E falou  com o mesmo entusiasmo da época em que, jovem e estudante na Universidade da Carolina do Sul, entrava em quadra com o sonho de ascender ao topo do ranking mundial. Na época nem tudo saiu como ele planejava, por isso teve se transformar algumas vezes —- como destacado na frase que abre este texto. O esporte, no entanto, virou lição e metáfora para a sua carreira:

“O CEO na verdade é o técnico do time dele, ele é o grande coach. Tem que colocar os jogadores certos nas posições certas. Desenvolver a cultura do time. Fazer o treinamento. Analisar cada um dos seus comandados para ver quais são os seus pontos fortes e os seus pontos fracos. Então, esses grandes treinadores, eles são muito cuidadosos nisso porque eles não podem errar”

Um líder de excelência é capaz potencializar os talentos que têm em seu time. Foi o que fez Larri Passos com Gustavo Kuerten, um jovem de grande talento mas que tinha sua vida marcada por uma série de intempéries que poderiam tirá-lo completamente do foco da carreira vitoriosa que construiu. 

“O caso mais dramático foi o caso do Guga, porque ele tinha tudo para dar errado, perdeu o pai em uma quadra de tênis, aos nove anos, a mãe era assistente social, o irmão necessidade de ajuda constantes devido a problemas de saúde e ele vivia em uma cidade sem tradição no esporte”. 

Para se entender o algoritmo da vitória explorado por técnicos de grande sucesso nos mais diversos esportes, José Salibi e Adriana o dividiram em oito etapas:

  1. Encantar — aqui contam os critérios para recrutar talentos, desenvolver atletas, criar neles autônoma e amor pelo que fazem
  2. Kaizen mental — é preciso balancear foco e relaxamento, e trabalhar tanto mente como corpo: “no mundo empresarial ninguém se importa com isso”
  3. Time escalador — é necessário montar um time com pessoas complementares, em talento, em personalidade, em experiência e em energia; e saber construir confiança e controlar o ego
  4. Código de Comunicação —- palavras, imagens e gestos são códigos que precisam ser criados com seus atletas; entender qual o momento adequado para transmitir a mensagem: “às vezes você mata o talento na maneira de se comunicar”
  5. Estrategizar — o técnico precisa pensar estrategicamente, planejaras diversas etapas, priorizar resultados e competições ao longo da temporada, identificar alternativas
  6. Ambiente de crescimento —- tem de alternar estabilidade e mudança para que os atletas aprendam e cresçam; pensar em processos, relacionamentos, estruturas etc
  7. Aprendizado — o algoritmo dos técnicos precisam ser constantemente atualizados
  8. Algoritmo —- é preciso criar o próprio algoritmo, etapa por etapa, e saber rodá-lo no ‘hardware’ que é onde entrar o dono da equipe e os dirigentes que precisam estar alinhados, acima de tudo, culturalmente.

O algoritmo da vitória virou uma metodologia que pode ser aplicar a qualquer empresa e a qualquer técnica, de acordo com José Salibi Neto:

“No mundo empresarial tem de desenvolver essa mentalidade de coach. O Jorge Paulo Lemann faz isso muito bem. Veja quantos líderes ele conseguiu desenvolver. Ele se considera muito mais um diretor de recursos humanos do que CEO. Se você não desenvolver as pessoas, você não tem resultado”

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, às 11 da manhã, no site da CBN, no canal do YouTube e no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal. da CBN; aos domingos, às dez da noite; e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti. 

Que Marcelo Queiroga abandone o protocolo oficial e assuma logo o sanitário

reprodução GloboNews

No jogo de imagem nem sempre o que se diz é o que se faz, nem sempre o que se faz é o que se é, nem sempre o que se diz e se faz é o que entendem de nós.

Dito isso, vamos tentar entender o papel que cada um dos protagonistas na transição do Ministério da Saúde cumpriu desde a notícia do fim de semana de que o General Pazuello seria demitido do cargo.

O presidente Jair Bolsonaro, animal político, de olho nas pesquisas de opinião —- ele diz que não confia nelas, mas as considera sempre —- e no que a volta do ex-presidente Lula ao palanque eleitoral representa, percebeu que era preciso sinalizar a disposição de mudança. Mudou sem mudar. Jogou às feras a cabeça do fiel general, mas disse que a gestão foi um sucesso —- e aí meu colega de profissão e amigo tricolor Silvio Bressan pergunta em texto: “então por que trocou?” 

Bolsonaro tentou agradar os novos amigos do Centrão ao conversar com a Dra Ludmila Hajjar. Como ele não muda, entre quatro paredes diz o que pensa  e o que pensa não está sintonizado com as boas práticas para combater a Covid-19, a doutora não aceitou o convite. Recorreu, então, a quem o apoia desde as primeiras horas: o cardiologista Marcelo Queiroga. Haja coração (e estômago)!

O General Pazuello, já sentindo o bafo das feras na nuca, na segunda-feira, convocou a imprensa e despejou sobre os brasileiros, com a mesma arrogância com que comandou a pasta, uma quantidade gigantesca de informações sem respaldo na realidade. Apresentou um calendário de vacinação em que na soma tem até imunizante que não completou seu ciclo de testes. Falou que um dos seus legados é a transparência nos números da Covid-19. Motivo de orgulho para os brasileiros, segundo ele. Gente orgulhosa e de memória curta essa, não? Ainda na interinidade do cargo, Pazuello tirou os dados do ar e só retornou depois de assistir à uma reação inédita: veículos de comunicação se reuniram e criaram um consórcio para tabular as informações de mortes e contaminados.

Na primeira aparição pública como futuro ministro, o doutor Marcelo Queiroga chegou dizendo que não vai mudar nada: vai continuar a obra de Pazuello.  Ontem morreram 2.789 pessoas, o maior número já registrado em 24 horas, desde o início da pandemia. Fato, aliás, que não parece assustar o líder do governo, deputado Ricardo Barros que afirmou, agora pela manhã, que vivemos em uma situação confortável. Temo em saber o conceito de conforto que pauta o líder bolsonarista. 


De volta a Queiroga, o futuro ministro que pretende dar continuidade ao trabalho do futuro ex-ministro. Era de se imaginar que ele cumprisse seu papel protocolar ao substituir o general. Bateu continência ao presidente, disse que é Bolsonaro quem manda, que sua tarefa é levar em frente as políticas de Governo no combate à Covid-19 e agradeceu ao antecessor. 

Ouça reportagem da CBN com as afirmações do futuro ministro da Saúde

Posto isso, a expectativa é que haja um oceano entre o que o doutor Queiroga disse até agora como futuro ministro e o que fará assim que tomar posse no Ministério da Saúde. Sim, eu insisto em acreditar na redenção do ser humano. Queiroga terá de reorganizar o ministério; rever os desmandos militares e sem noção de Pazuello e sua tropa; encontrar caminhos para que as doses de vacina cheguem com maior rapidez no Brasil e com a mesma agilidade sejam distribuídas; estancar a sangria de dinheiro com medidas ineficazes; fazer o presidente calar a boca; e, principalmente, liderar uma campanha nacional e unificada de combate à Covid-19, adotando todas as ações que, desde o primeiro dia, têm sido recomendas pelos maiores especialistas de saúde:

Defender uso radical de máscara — inclusive obrigando o presidente a fazê-la; a lavagem  exagerada de mãos com álcool gel; e o bloqueio de atividades e circulação em todas as cidades e Estados em que a taxa de transmissão seja alta, incentivando o distanciamento social. 

Se desconsiderar as palavras de ordem do presidente Bolsonaro, deixar o protocolo oficial de lado pelo protocolo sanitário, Queiroga terá cumprido sua missão salvando vidas.

Se seguir à risca os pensamentos do presidente, deixará o cargo com o jaleco manchado de sangue da mesma forma que o General Pazuello manchou a farda do exército brasileiro.

Avalanche Tricolor: em meio a tantas voltas, uma vitória no Olímpico

Ayacucho 1×2 Grêmio

Libertadores — Olímpico Atahualpa, Quito/Equador

Ferreirinha em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Quantas voltas temos de dar para chegar ao que sonhamos. Assim é na vida, na profissão e no amor. Assim também é no futebol. As voltas do Grêmio nesta temporada 2021, começaram mais cedo do que nas anteriores. Até colocarmos o pé no que entendemos por Libertadores propriamente dito, tínhamos que passar por duas etapas de prévias. A primeira despachamos na noite de hoje —- a bem da verdade, despachamos na partida da semana passada quando goleamos de forma consciente o adversário peruano, em casa. 

Para confirmarmos a classificação, tivemos de dar uma volta na pária que o Brasil se transformou no mundo —- na América do Sul, inclusive. Como brasileiro não somos aceitos no Perú, dada a alta carga de contaminação que levamos em nossa reputação bolsonariana. Tivemos de viajar até Quito no Equador, a 2.850 metros de altitude, onde ainda somos aceitos. E em todas essa voltas não é que fomos cair em um estádio com o nome de nosso saudoso Olímpico?

Como prêmio pela classificação quase-antecipada, o Grêmio deu férias a seu elenco principal e sequer enviou Renato para ficar no banco de reservas — a estratégia foi usada para dar outra volta, desta vez no calendário de um futebol insano que não para nem mesmo diante da desgraça alheia. Só aqui no Brasil, somos quase 280 mil que perdemos a vida para a Covid-19, desgraçadamente. 

Em campo, guris escalados, demos a volta no adversário e no placar. Um minuto após tomar o primeiro gol, reagimos. Ferreirinha, após um passe genial do zagueiro Rodriguez, fez a bola dar voltas colada ao seu pé, cortou um, cortou dois e chutou fora do alcance do goleiro. No segundo tempo, já aos 41 minutos, a bola rolou com velocidade pela direita. Léo Chú e Pedro Lucas trocaram passes. O cruzamento chegou rasteiro na pequena área para Ricardinho bater de primeira e decretar a vitória de número 108 do Grêmio, em Libertadores —- é um dos dois times brasileiros com maior número de vitórias na competição. E só eu e você — caro e raro leitor desta Avalanche —- sabemos quantas voltas no continente tivemos que dar para alcançar essa marca, não é mesmo?

Nossa superioridade fez esta primeira volta da Libertadores 2021 ser bastante tranquila. Mas sabemos que foi apenas o princípio de uma jornada que esperamos nos faça colocar as mãos de volta a Taça Libertadores,.

Avalanche Tricolor: a boa safra de Bento

Esportivo 0x2 Grêmio

Gaúcho – Montanha dos Vinhedos

Bento Gonçalves, RS

Lucas Araújo comemora em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Era noite de conhecer gente nova. Bem nova. Coisa que só esse calendário louco do futebol brasileiro é capaz de nos fornecer. Em situação normal de pressão e temperatura, sem pandemia, estaríamos no quarto jogo do Campeonato Gaúcho e com os titulares em campo na campanha do Tetra. Jogamos pela quarta rodada mas era apenas o nosso segundo jogo e disputado entre uma decisão e outra da pré-Libertadores. Tudo isso menos de uma semana depois de nossa última partida válida pela temporada 2020. 

Se assim tem de ser —- e à espera da suspensão dos jogos a medida que o número de casos de Covid-19 só crescem —, era momento de aproveitar para entender quem são os novos guris que podem ficar à disposição de Renato em mais esta atribulada temporada de futebol.

Comecemos no gol. Brenno (21) foi testado duas vezes. A primeira, mostrou agilidade e impediu o gol de empate, no ângulo. Na segunda, segurança e boa colocação. Isso significa que temos um titular? Não, ainda não. Mas que, em breve, bem provado e amadurecido, pode surgir da base o goleiro que procuramos desde a saída de Marcelo Grohe. 

Na frente de Brenno, “velhos” conhecidos: Rodriguez (24) e Ruan (21) — aquele mais do que esse; e os dois precisando ainda contar com a experiência dos mais antigos ao lado. Ser zagueiro exige uma responsabilidade que a juventude nem sempre tem à disposição. Pelos lados do campo, o jovem e talentoso Vanderson (19) e o velho Cortez (34) de sempre

Do meio pra frente, Renato escalou Darlan (22), que já conhecemos o potencial. Depois, Thaciano (25) e Pinares (29) —- este uma esperança de camisa 10 e o outro que faz torcedores exalar ódio contra o técnico, e confesso que não sei por qual motivo. Aliás, foi ele, Thaciano, o Odiado, quem fez o primeiro gol, um golaço de cabeça, ao receber, bem colocado, o cruzamento de Vanderson. Que continue assim. Respondendo com gol e esforço sobrenatural às críticas e aos chatos.

O ataque gremista teve Gui Azevedo (19), Léo Chu (20) e Isaque (23) — uma formação diferente da que estamos acostumados. Guilherme dá sinais de que pode se revelar em 2021; Léo, pelo lado esquerdo, criou esperanças de uma ótima opção; e Isaque já conhecemos bem e estamos sempre na expectativa de que poderá fazer ainda mais do que fez até aqui.

Vieram do banco dois nomes que prometem excelente futebol: Lucas Araújo (21) e Léo Pereira (20). Foram deles o protagonismo do segundo gol quando o time cedia campo ao adversário. No passe de Lucas, Léo teve lance de gol interrompido pelo goleiro, em pênalti que o primeiro cobrou muito bem. 

Resumo da opereta de sábado à noite: surge um goleiro, o bom toque de bola prevalecerá, temos gente de talento e, também, quem saiba bater pênalti. Inspirado com o que assisti na Montanha dos Vinhedos — nome bonito de mais para um estádio vazio e sem graça —- restou-me fechar a noite com uma boa garrafa de vinho ao lado. Era de Bento e de boa safra —- como os guris que se apresentaram em campo.

Conte Sua História de São Paulo: em dois meses de vida, a quarentena

Juliana Marchettis

Ouvinte da CBN

Par de pés de bebê sobre a colcha vermelha
Foto de Designecologist no Pexels

Minha história começa em 21 de janeiro de 2020. Na maternidade da Vila Mariana, bairro charmoso, situado na zona sul de São Paulo. Arborizado, com muitas opções de lazer para a toda família. Não entendi bem o que acontecia. Depois de nove meses envolvo em líquidos e fluidos, em temperatura agradável, o espaço já não era suficiente. Era hora de partir. E fui convidado a deixar aquele local agradabilíssimo para iniciar nova fase na vida.

Algum esforço depois, lá estava nos braços da mamãe, acalentado no seio dela e rodeado de pessoas uniformizadas —- soube que eram médicos e enfermeiros. Os primeiros dias foram repletos de novas experiências, visitas, exames … até iniciar nova partida: para a casa, na zona leste da cidade.

Vergueiro, Juntas Provisórias, avenida do Estado. Trânsito intenso até São Matheus. Na voz da mamãe, a narração por onde passávamos: “aqui é o parque”, “ali é o shopping”, “tem espaço cultural, ali na frente”. Não demorou muitos dias para iniciar outra viagem: agora de São Mateus para Água Branca. Era lá que mamãe me levava na barriga para as consultas com o pediatra, por isso ouvir o som do Parque da Água Branca parecia familiar.

Duraram pouco essas viagens: em dois meses, tudo mudou drasticamente. Ninguém mais visitava ninguém, ninguém mais era visitado por mim. Meu espaço limitou-se aos quatro cômodos da casa onde viviam papai e mamãe. 

Era a quarentena em vigor.

Foi então que descobri outro mundo: tios, tias, primas e avós que antes me abraçavam e apertavam dentro de casa, surgiram na tela eletrônica. E a tecnologia se tornou minha aliada. Foi através dela, que meus avós assistiram ao meu desenvolvimento, dia após dia. 

Demoraram alguns meses até as portas se abrirem novamente. Eram passeios curtos, no carrinho, em volta do quarteirão. Suficientes para entender que havia muito a ser explorado. Apresentaram-me à natureza, mesmo que nas raras árvores floridas do Jardim Santa Adélia. Assustei-me e me diverti com cães, de diversos tamanhos e cores. Assisti à passagem de ônibus, carros, motos e caminhões. 

Dia desses, papai e mamãe me permitiram uma aventura distante: passear no Parque Vila Lobos e no Jardim Botânico, enquanto faziam planos para quando a pandemia passar. Eles sabem que vai passar.

Meu nome é Luigi Hiroki e eu tenho 1 ano de idade.

Luigi é personagem do Conte Sua História de São Paulo. O texto foi escrito pela mamãe Juliana. A sonorização é de Cláudio Antonio. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Carta ao Presidente: “conversar sobre o suicídio é medida de conscientização, expor publicamente o relato de alguém é colocar em risco a vida de pessoas”

Foto: Pixabay

Carta ao Exmo Sr Presidente Jair Bolsonaro,

Senhor presidente, sobre a carta lida na última quinta-feira, em live publicamente realizada, gostaria de propor algumas considerações que são fundamentais quando falamos sobre o suicídio. Espero, como profissional da saúde mental, que o senhor nunca tenha experimentado em sua vida pessoal, sobre si  ou referente as pessoas a quem o senhor ama, a dor que essa situação  provoca.

Nós, profissionais da saúde, trabalhamos para amenizar a dor de milhares de pessoas que sofrem no mundo inteiro, sem distinção de gênero, raça ou credo e auxiliá-las a conseguirem comportamentos mais saudáveis, mais ajustados, que impeçam a concretização do suicídio.

Vidas são vidas. Salvá-las é nosso dever.

Todos os anos, senhor presidente, aproximadamente 800 mil pessoas morrem por suicídio e, para cada um concretizado, há um número ainda maior de tentativas. Esses dados são especialmente alarmantes, quando sabemos que o suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens na faixa etária de 15 a 29 anos em nosso país.

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, em média a  cada 46 minutos uma pessoa tira a própria vida. 

Infelizmente, há muitos casos de suicídio no momento atual, mas esse fenômeno não é observado exclusivamente por conta da pandemia ou de medidas restritivas.

Dentre os fatores que podem levar ao suicídio, estudos apontam que aproximadamente 90% dos casos estão relacionados a transtornos mentais, na maioria das vezes a depressão, que embora acometa pessoas de todos os níveis socioeconômicos, é mais prevalente em países de baixa renda, por estar associada à pobreza e à violência. 

Os dados apontam um aumento da prevalência dos transtornos mentais em decorrência da pandemia, especialmente depressão e transtorno de estresse pós-traumático. Em geral, os sintomas podem estar associados às perdas econômicas, mas incluem ainda o medo do adoecimento, as  medidas invasivas adotadas  e risco à vida, como a necessidade de intubação e a morte de familiares. 

Há ainda um fator para o qual precisamos nos atentar, que se refere ao desgaste excessivo a que são submetidos os profissionais da linha de frente, motivo pelo qual tem havido um aumento dos transtornos mentais nesse grupo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), medidas  preventivas em saúde mental podem reduzir em até 90% os casos de suicídio.

Permita-me dizer, senhor presidente, medidas preventivas não englobam colocar três máscaras e sair no meio do povo, como sugerido em sua live. Isso não é uma medida preventiva ou apoio à população. Isso é politicagem. 

Usar o exemplo da perda da vida de alguém por suicídio, na tentativa de evidenciar qual político está certo em suas decisões, é, no mínimo, uma banalização da vida, uma tentativa de superficializar questões que são mais densas e profundas e que desconsideram o sofrimento emocional e a saúde mental da população. 

Medidas preventivas englobam ações de saúde pública, como campanhas de conscientização sobre os riscos do suicídio e, principalmente, o acesso ao diagnóstico e intervenções eficazes, ou seja, o acesso a serviços de saúde mental, como aqueles oferecidos nos CAPSs.

Conversar sobre o suicídio é uma medida de conscientização importante. Entretanto, expor publicamente o relato de alguém que escreveu uma carta antes de cometê-lo, numa ação não planejada e espetaculosa, pode ser um fator precipitante para pessoas mais vulneráveis e que não veem saída para sua dor insuportável e desesperança, além de tirar a própria vida. 

A dor causada pelo suicídio não é exclusiva de quem o comete. Há uma dor imensa de pais e mães que não poderão mais abraçar os seus filhos e que todos os dias, ao colocarem suas cabeças no travesseiro, vão pensar o que poderiam ter feito para evitá-lo. 

Há filhos que sofrerão a ausência de seu pai ou sua mãe, muitas vezes em idades tão precoces, que precisarão amadurecer e cuidar de si, experimentando uma enorme sensação de desamparo. Não terão nunca mais esse ente querido para dividir suas alegrias ou receber um afago nos momentos de angústia.

Reitero senhor presidente que espero,  verdadeiramente, que o senhor e sua família nunca experimentem a devastação e a dor que o suicídio provoca.

Finalizo, como psicóloga e mãe,  me solidarizando com essas famílias que passam por essa terrível situação, e posso dizer ao senhor que por vezes os dias são muito difíceis, especialmente quando precisamos nos manter inteiros, apesar de estarmos em cacos, fragmentados pelo que nos assola e pela nossa própria impotência em auxiliar os que estão a nossa volta.  

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Paula Morais, da Intera, sempre pronta para ‘hackear’ os sistemas

Foto: Divulgaçao/Intera

“Existe sim uma barreira que a gente precisa quebrar. E a gente está nesse processo de quebrar, com o advento de ter cada vez mais mulheres nesse mundo de inovação e tecnologia, e de empreendedorismo”

Paula Morais, intera

Mulher, jovem e empreendedora. No passado, essas três palavras não cabiam em uma mesma frase — aliás, se para você seguem não cabendo, você está ultrapassado. Não significa que as barreiras de gênero tenham caído. Aparecem a todo momento no local de trabalho, nas reuniões de negócios ou  nas discussões corporativas. Muitas vezes de forma inconsciente, como descreve Paula Morais —- mulher, jovem e empreendedora, entrevistada pelo programa Mundo Corporativo da CBN:

“Quando fui falar com um fundo de investimento, em 2019, fui com o meu sócio que é homem. Todos esses fundos, a maior parte é composta por homens. Muitas vezes, eu fazia o discurso, mas a pergunta ao final era para ele e não para mim. É quase que uma descrença no processo”.

Para Paula, fundadora da Intera, que atua no setor de recursos humanos e recrutamento digital de profissionais, esse comportamento é pautado no histórico de uma sociedade machista e patriarcal que influencia na confiança em negócios que são liderados por mulheres. E na confiança da própria mulher em querer ser empreendedora. Acostumada a superar essas dificuldades ou a ‘hackear’ esse sistema — para usar um termo mais apropriado para os negócios em que Paula Morais atua — a recomendação dela é que o foco seja na busca de soluções  para necessidades que existem no mercado — e isso deve servir para quem sofre por questões de gênero, de raça e de idade, também:

“Empreender é resolver problema, então isso é independente de qualquer um desse vieses. Não tem muito a ver com idade. Tem muito mais a ver com a fome que você tem em de fato resolver um problema e trazer uma solução que melhora o mercado do que que com qualquer outro marcador. 

Foi por pensar assim que Paula Morais encontrou o caminho para criar uma série de negócios, a começar pelo primeiro marketplace de aluguel de itens do Brasil. Em 2018, ela fundou a Intera ao lado de Augusto Frazão e Juliano Tebinka: eles desenvolveram tecnologia para desconstruir o modelo tradicional de recrutamento de talentos, tornando o processo mais assertivo e ágil — ou para ‘hackear’ o sistema de recrutamento. A ideia recebeu recentemente um aporte de R$ 2,5 milhões de investidores anjos que permitirá a criação de soluções tecnológicas que poderão ser usadas diretamente pelas empresas, transformando o que hoje é serviço em um produto.

“O Brasil é um grande terreno fértil para empreendedores. Uma vez que nós temos um monte de problemas. Todo mundo me pergunta: “ah, porque você não vai para fora, porque você não mora fora?”. Não tem lugar melhor no mundo, hoje, para você empreender por causa  da quantidade de problemas que a gente tem aqui. Empreender é isso: é você resolver uma dor. Você trazer uma solução que resolve uma dor de alguém. E você cria um negócio a partir disso”.

Na entrevista ao Mundo Corporativo, Paula conta que muito mais do que há cinco anos, o cenário de venture capital —- ou de capital de risco —- que aposta em negócios inovadores cresceu no Brasil. Para aproveitar esse momento é preciso que se considere o que ela chama de ‘market fit’,  ou seja, se a solução que você tem resolve a dor de alguém e se este público está disposto a pagar por isso:

“Muita gente quer colocar uma solução em pé da sua própria cabeça, quando quem tem de dizer é o seu cliente. Meu conselho é ouvir o cliente, testar e  jogar de novo até você fazer o ‘fit’. A gente foi treinado aqui no Brasil pra não errar. A gente tem essa cultura do não-erro. E o empreender é errar. Você erra muito mais do que você acerta, principalmente no começo”

Três características para ser empreendedor, segundo Paula Morais

  • Resiliência — “estar disposto a passar perrengue, a viver um período que não vai ser fácil e ser capaz de sair dele de cabeça em pé”
  • Foco — “para evoluir, se você disser sim para tudo, tentar fazer tudo, não faz nada; tem de saber qual é a sua meta principal”.
  • Verdade — “saber assumir quando você consegue e quando não consegue, porque isso, mesmo que você não ganhe no curto prazo, gera confiança no longo prazo”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo e em vídeo, no Youtube, no Facebook e no site da rádio CBN, às quartas-feiras, 11 horas da manhã. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite; e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno Teixeira, Matheus Meirelles e Priscila Gubiotti.

Avalanche Tricolor: quero ver o WhatsApp do Teco bombando neste ano

Grêmio 6×1 Ayacucho

Libertadores – Arena Grêmio, POA/RS

Diego Souza em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

“Vai dormir” foi a resposta de meu amigo Luiz Gustavo Medina, o Teco, à terceira imagem de Diego Souza que enviei para ele pelo WhatsApp, nesta noite de quarta-feira. Claro que não fui. A começar pelo fato de que sequer nos piores momentos da nossa equipe dormi antes do apito final. É questão de honra acompanhar meu time até o fim

Jamais fui torcedor modinha — aquele que só aparece na hora do bem bom. Sofro, choro e me despedaço, seja qual for o resultado. Sou torcedor de todas as horas. Imagine se não o serei diante de uma goleada como a que marcou nossa estreia na Libertadores 2021. Fiquei acordado até o minuto final —- no caso, até os cinco minutos extras finais, assim determinados pelo árbitro da partida.

Você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve estar se perguntando: o que o Teco tem a ver com isso? Eu explico. Desde que soube que o filho dele, o Gu, o mais jovem e o que mais números de gols marcou na família, era fã de Diego Souza, adotei o hábito de enviar pelo WhatsApp uma imagem de nosso atacante sempre que ele marcasse um gol com a camisa do Grêmio. Na temporada 2020, que se encerrou domingo passado, em pleno março de 2021, foram 28 ou 29, se não me falha a memória (confirma aí PVC).

Hoje, mandei a primeira imagem na cobrança de pênalti. A segunda, em uma bola que Diego Souza finalizou após atropelar os marcadores. E a terceira, já no segundo tempo, resultado da força e talento para concluir nas redes.  Foi após esse último gol que Teco me mandou para cama. Claro que não fui. Jamais desperdiçaria essa oportunidade de assistir ao Grêmio golear seu adversário. Nesta noite, repetimos o mesmo placar da maior goleada que havíamos alcançado, em Libertadores — contra o Universidad Los Andes, da Venezuela, em 1984.

Confesso que fiquei cabreiro com a forma como ele comemorou cada um dos gols. Acostumado a vê-lo dançando dentro das redes, me pareceu comedido. Quase como se estivesse ali fazendo apenas a sua obrigação. Como se o resultado nada representasse aos gremistas, afinal estamos acostumados mesmo a começar na fase de grupos da Libertadores e não nesta tal pré-Libertadores. Fiquei mais tranquilo quando o vi, no fim do jogo, pedindo a bola da partida para levar para a casa. Foi sinal claro da importância que Diego Souza deu ao seu desempenho — e a de seu time — afinal marcar três gols em jogos de Libertadores é pouco. Fazer 6 a 1, é ainda mais raro.

Além de Diego, marcaram David Braz — da velha guarda —, Ferreirinha e Gui Azevedo — dos novos talentos. Tivemos, também, excelente presença em campo de Pinares, o chileno que começa a ganhar espaço na equipe principal com passes precisos e uma entrega de causar orgulho na gente gremista.

Independentemente da qualidade do adversário, é animador começar com uma goleada a temporada 2021. E, a persistirem o sintoma, o WhatsApp do Teco vai bombar neste ano.

‘Passaporte contra Covid’ vai demorar a desembarcar no Brasil; a prioridade é outra

Foto de Anna Shvets no Pexels

Sair do Brasil para aquilo que chamavam de ir ao estrangeiro, mesmo que a passeio, nunca foi um projeto de vida enquanto morei no Rio Grande do Sul. Talvez pela formação classe média, econômica e comedida, que tive de meus pais, atravessar a fronteira para o Uruguai e a Argentina me bastava. E dadas as características dos pampas convenhamos não havia nada de estranho naquelas viagens. Isso explica em parte o fato de meu primeiro passaporte somente ter sido emitido depois de chegar a São Paulo, em 1991. Na companhia de minha mulher, e por inspiração dela, passei a viajar para o exterior com mais frequência. Hoje, os passaportes de capa verde se acumulam em uma das gavetas de casa, todos devidamente carimbados pelos guardas de fronteiras.

Há quem passe a vida sem nunca ter expedido um passaporte. Há quem sonhe em ter os diplomáticos que facilitam acessos e fugas quando a coisa aperta por aqui. De várias partes do Brasil, cidadãos se aventuraram nos Estados Unidos, muitos de forma ilegal, na esperança de obter o GreenCard, uma espécie de passaporte para se sonhar o sonho americano.  Enquanto não chega —- e provavelmente nunca chegará —-, vejo alguma conhecidos se satisfazerem em não terem o seu passaporte brasileiro bloqueado na fronteira.

Veio a União Europeia e seu passaporte azul transformou-se em sonho de consumo. Muitos brasileiros passaram a escavar seu passado e a escarafunchar no tronco da árvore genealógica para encontrar algum parentesco perdido por aquelas bandas. Alguns se excedem na busca e encontram na ilegalidade o caminho para atravessar as fronteiras pela fila VIP da alfândega. Pagam um saco de dinheiro estrangeiro para conseguirem certidões de parentes que nunca existiram e para se hospedarem por alguns dias em burgos italianos ou vilarejos lusitanos e serem encontrados pela polícia local, que certifica a sua suposta vivência no país.

Nem verde nem azul, o passaporte que se transformará em objeto de desejo de brasileiros e companhia ilimitada será o imunológico. A instituição que que representa o transporte aéreo internacional, a IATA, está testando um sistema de compartilhamento de informações que oferecerá uma espécie de passe livre para viajantes que enfrentam hoje uma série de barreiras para seguirem em suas atividades devido as proibições impostas por governos que tentam evitar a disseminação da Covid-19.

O Travel Pass Initiative —- que também atenderá pelo singelo nome de FREECOVID — reunirá informações sobre os passageiros: se realizou teste de Covid-19, qual a procedência deste teste, se tem certificado de vacinação contra a doença e se tudo isso está nos conformes —- ou seja, se atende as regras impostas pelo países de destino. Com os dados cruzados e identificados, bastará apresentar o APP no celular para seguir viagem.

Antes de fazer as malas, lamento informar que, se os sintomas persistirem, ainda vai demorar para o “passaporte contra Covid” beneficiar os brasileiros. A política negacionista do Governo Bolsonaro nos deixou mal na foto lá fora. Não bastasse isso, em lugar de combater a doença e garantir vacina para todos, a prioridade agora no País é pela busca de um outro passaporte, o que livra corruptos da prisão. E para consegui-lo é só passar no guichê do STF, da Câmara ou do Palácio do Planalto — órgãos, cada um ao seu modo, que estão emitindo esses passaportes.