Conte Sua Historia de São Paulo: o cardápio japonês tipicamente paulistano do bar dos meus pais

Por Yukiko Yamaguchi Tame

Ouvinte da CBN

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte da CBN Yukiko Yamaguchi Tame:

Sou a quarta filha de seis filhos de Shigeru e Mitsuru Yamaguchi. Meus pais chegaram ao Brasil em junho de 1959, trazendo quatro filhos pequenos, poucos pertences na bagagem e, no coração, muitos sonhos.

Ao desembarcarem no porto de Santos, fomos enviados para uma fazenda nos arredores de Campinas. Morávamos em uma casa de barro com telhado de sapê.

Após um ano de trabalho árduo, meus pais conseguiram quitar as dívidas da viagem com o fazendeiro e se mudaram para Parelheiros e, depois, para Piraporinha, onde passaram a trabalhar também como feirantes, além da lavoura. Nessas localidades nasceram mais dois filhos.

Cinco anos depois de chegarem ao Brasil, um golpe de sorte – e uma colheita excepcional de tomates – permitiram que meus pais realizassem um grande sonho: mudar-se para São Paulo. Com o dinheiro conquistado, adquiriram um bar e restaurante no bairro do Ipiranga, mais precisamente na Rua Lima e Silva, 725. Foi ali que começaram, de fato, a se sentir em casa, com esperança de criar os filhos e garantir a eles uma educação digna.

Frequentamos a querida Escola Estadual Visconde de Itaúna, que na época era uma das melhores de São Paulo, com professores excelentes e dedicados.

As festas juninas eram um evento aguardado. A rua era fechada, e as mesas ficavam repletas de quitutes em frente às casas, com fogueiras e brincadeiras. Apesar da dificuldade com a língua, a comunicação nunca foi um problema – meus pais eram brincalhões, respeitados e queridos por todos. Quando chovia e os pedestres corriam para dentro do bar para se abrigar, meu pai logo brincava:

“Chuva lá fora, mas pinga aqui dentro!”

O cardápio do dia também chamava a atenção dos clientes, que se divertiam com a maneira peculiar como meu pai anunciava os pratos:

“MACARONADA E FURANGO FURITO, FEJON ADA, BIRADO PAURISUTA!”

O bar estava sempre cheio, e o que dava um sabor especial aos pratos era o tempero extra: aji no moto, sakê, shoyu e pitadas de gengibre.

Minha mãe, Dona Mitsuru, tornou-se uma figura querida no bairro. Como os fregueses não conseguiam guardar seu nome, passaram a chamá-la simplesmente de Mamãe. Assim, ela ganhou filhos de todas as idades, cores, estados e profissões.

Meu pai, apesar de ser uma excelente pessoa, gostava muito de beber. O problema é que geralmente era uma dose para o freguês e duas para ele. Não foram poucas as vezes em que isso causou confusão, e a polícia precisou ser chamada. Mas ele já era tão conhecido que os policiais brincavam:

“Seu Shigeru, vamos passar essa noite no hotel da delegacia.”

No dia seguinte, ele voltava sóbrio e tudo recomeçava.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Yukiko Yamaguchi Tame é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora meu blog miltonjung.com.br ou vá até o Spotify e adicione entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: João Sanches, da Trinity, explica como a governança fortalece o mercado de energia

Reprodução de vídeo do Mundo Corporativo com João Sanches



“A rapidez na tomada de decisão e mudança de rumo da companhia é um ponto bem importante para que você possa acompanhar e ter bons investimentos dentro desse mercado.”

João Sanches, Trinity Energias Renováveis

Construir credibilidade no mercado de energia renovável exige mais do que tecnologia avançada e capacidade de investimento. Para João Sanches, CEO e fundador da Trinity Energias Renováveis, a transparência e uma governança corporativa sólida foram fatores decisivos para que sua empresa conquistasse espaço e estabelecesse parcerias de longo prazo com grandes geradores e consumidores do setor. Esse foi o tema da entrevista concedida ao programa Mundo Corporativo.

Governança como diferencial competitivo

Desde a sua fundação, a Trinity buscou estruturar processos internos para garantir transparência e confiabilidade nos números apresentados ao mercado. “No início, nós tínhamos uma grande dificuldade de fazer negócios com grandes empresas, mas depois da governança implantada e da transparência que trouxemos para o mercado, conquistamos a confiança de grandes geradores e consumidores”, afirmou Sanches.

A credibilidade conquistada permitiu que a empresa firmasse contratos de longo prazo, fundamentais no setor de energia, que envolvem compromissos de até 30 anos. O reconhecimento do trabalho veio com a classificação da Trinity como a melhor empresa de energia no quesito governança corporativa no anuário 360º da Época Negócios.

O impacto das mudanças regulatórias e as novas oportunidades

O setor de energia está em constante transformação, e acompanhar as mudanças regulatórias é essencial para manter a competitividade. “Existem muitas mudanças acontecendo e que estão por acontecer. A modernização do setor trará muitas oportunidades, e estar preparado para essas transformações é crucial para a gestão das empresas de energia”, destacou o CEO da Trinity.

A empresa também investiu na geração distribuída de energia solar no Nordeste, uma região que oferece vantagens como maior incidência solar e menores custos de terra. Além disso, incentivos financeiros do Banco do Nordeste favoreceram a tomada de decisão. “A análise de viabilidade financeira mostrou que essa era a melhor região para os nossos investimentos”, explicou Sanches.

Outro ponto relevante é a expectativa de expansão do mercado livre de energia para consumidores residenciais entre 2026 e 2028. Essa abertura poderá trazer novas oportunidades de negócio, desde que haja infraestrutura para escoamento da energia gerada em regiões como o Nordeste para os grandes centros de consumo.

O futuro do setor e o armazenamento de energia

Com a transição energética em curso, o armazenamento de energia desponta como uma das grandes tendências. “A tecnologia está permitindo a construção de baterias de grande porte a custos cada vez menores, assim como ocorreu com os painéis solares”, observou Sanches. Ele ressaltou que a Trinity já começou a oferecer soluções de armazenamento para clientes que precisam de segurança energética, como hospitais. O armazenamento de energia também pode mitigar os riscos de oscilações no fornecimento, garantindo maior estabilidade para consumidores e empresas que dependem de um suprimento constante, como indústrias e serviços essenciais. “Hoje, muitos hospitais utilizam geradores a diesel como plano B, mas a bateria oferece uma solução mais confiável e eficiente”, acrescentou Sanches.

A importância da comunicação

Para enfrentar os desafios do setor, o CEO da Trinity destaca a importância da comunicação. Internamente, ela é essencial para manter a equipe alinhada e preparada para mudanças. “A comunicação interna clara garante que todos saibam para onde a empresa está caminhando e quais são as prioridades”, afirmou Sanches. Ele também enfatizou a importância da troca de experiências dentro da organização, permitindo que a equipe se antecipe a mudanças no mercado e ajuste estratégias conforme necessário.

Externamente, a comunicação desempenha um papel fundamental na construção de relações com parceiros e concorrentes. “A comunicação nos permite entender as tendências, trocar experiências e aprender com o mercado”, explicou o CEO. Segundo ele, manter um canal de diálogo com outros players do setor ajuda a identificar oportunidades e aprimorar as práticas de negócio.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Até que tá durando!

Por Christian Müller Jung

Conviver com pessoas com deficiência ou alguma síndrome vai muito além das dificuldades de espaço social, acessibilidade e inclusão no mercado de trabalho. É preciso também lidar com a ignorância. Já contei em outros artigos que sou pai da Vitória, que tem paralisia cerebral, e meu genro tem síndrome de Down. Aprendi muito nesses 30 anos de vida — idade da Vitória. Não é nada fácil. E aqui me restrinjo a falar sobre eles, porque, em diferentes casos, teremos diferentes comportamentos, alguns relacionados às limitações cognitivas, outros às limitações físicas.

Dia desses, encontrei um pai com uma menina de 9 anos com síndrome de Down. Feliz, ela corria pelo posto de gasolina, desfilando com seu uniforme do colégio. Me aproximei e comentei sobre as possibilidades que ela teria pela frente, já que, na minha bagagem, carrego algumas batalhas vencidas.

Quando somos pais novos, corremos atrás de informações o tempo todo. Precisamos romper barreiras de preconceito que reduzem nossos filhos a pessoas doentes, limitadas, sem perspectiva. Há decisões difíceis: escolher entre escola particular ou pública, enfrentar experiências frustrantes com instituições que carecem de estrutura pedagógica adequada, lidar com professores que, muitas vezes, não estão preparados ou encontram dificuldades no ensino. Tudo isso, no fim, é uma loteria. Há colégios públicos com excelentes profissionais, particulares com limitações — e vice-versa. Cada fase nos obriga a repensar.

De volta ao pai e sua filha no posto de gasolina. Contei sobre a importância do convívio social e das possibilidades de viver em harmonia: participar de festas, ter amigos, namorar, noivar, casar, se for o caso. Conviver com pessoas que também enfrentam suas dificuldades e limitações. Alguns se alfabetizam, outros não… e tudo bem. Não adianta colocar as frustrações acima das expectativas. Com certeza, não é como nos comerciais de margarina — nada é como nos comerciais, aliás. E lembrei que, por vezes, achamos que não vamos conseguir.

Na troca de ideias, ele me perguntou:

— E vocês? Amadureceram muito?

— Envelhecemos — respondi.

Me arrependi na hora. Mas foi o peso da responsabilidade que veio aos ombros. Conforme envelhecemos, e nossos filhos também, é inevitável pensar no futuro deles: haverá alguém para ampará-los? E esse alguém precisa assumir essa responsabilidade? São perguntas que nos atormentam diariamente, porque não temos como prever o destino de cada um.

Mesmo com todas as nossas preocupações como pais, sabemos que hoje há avanços médicos e sociais que garantem uma qualidade de vida muito melhor para nossos filhos, especialmente se compararmos com um passado em que o conhecimento sobre tratamentos era mais limitado.

No caso de pessoas com síndrome de Down e paralisia cerebral, sabemos que a estimulação precoce, os avanços na medicina — com exames e cirurgias —, o acolhimento e o apoio são transformadores. Para os pais também. Não é fácil. Temos momentos de alegria e tristezas arrebatadoras. Momentos de instabilidade emocional e de suprema surpresa.

No caso da Vitória e do meu genro, a relação vem sendo construída há anos, envolvendo tanto a família dele quanto a nossa. Não existe uma independência definitiva. Mas existe a possibilidade de amarem alguém, como todo mundo. De viverem as alegrias de conquistar e perder um amor, de se tocarem, conhecerem seus corpos e aproveitarem a vida com o que lhes foi dado. É uma construção diária, até o fim.

Mas a ignorância sempre nos dá um tapa na cara.

Em uma dessas conversas de clube social, à beira da piscina, um casal se aproximou dos pais de uma jovem com síndrome de Down. Ela é querida, bonita, esperta, divertida e extremamente gentil. A família é descolada, experiente, já enfrentou várias batalhas. Mas sempre pode ser surpreendida.

— Que idade ela tem?
— 34!
— Nossa, como ela tá durando!

Quando pensamos que já ouvimos de tudo, nos vemos encurralados, tendo que justificar a ignorância alheia.

— Por que ela disse isso, mãe? Eu tenho que morrer?

Engulo minha lágrima enquanto reproduzo esse diálogo e concluo: infelizmente, a ignorância ainda “tá durando”!

Christian Müller Jung é pai da Vitória e do Fernando, publicitário de formação e mestre de cerimônia por profissão. Colabora com o blog do Mílton Jung — o irmão dele, com muito orgulho.

Avós: novos tempos, novas regras

Martin Henkel

CEO da SeniorLab e Professor de Marketing 60+ na FGV

A imagem da avó dedicada integralmente aos netos, um arquétipo arraigado no imaginário popular, está sendo drasticamente reformulada. Um estudo da SeniorLab Mercado e Consumo 60+, com base em dados de 18.604 homens e mulheres 60+ de todo o Brasil cadastrados na Maturi, revela que “cuidar dos netos” ocupa apenas a 18ª posição na lista de hobbies preferidos das mulheres dessa faixa etária. Essa descoberta não apenas desafia estereótipos, mas também sinaliza uma mudança crucial no comportamento do consumidor sênior, com implicações significativas para o mercado. O mito da avó totalmente dedicada à família obscureceu por muito tempo a individualidade e os desejos das mulheres 60+. A pesquisa evidencia uma mudança de paradigma: essa persona está se transformando em um consumidor com novas demandas, aspirações, foco no seu cuidado e limites.

A longevidade crescente e a melhoria da qualidade de vida criaram um novo segmento de consumo: mulheres 60+ que buscam autonomia e realização pessoal. A aposentadoria, antes vista como um declínio, agora é percebida como uma oportunidade para investir em experiências e atividades que proporcionem bem-estar e prazer. A atividade física lidera o ranking de hobbies, seguida por viagens, culinária e atividades sociais. Esse perfil de consumo busca produtos e serviços que promovam saúde, bem-estar e experiências enriquecedoras onde a tecnologia desempenha um papel fundamental na vida das mulheres 60+, conectando-as ao mundo e abrindo novas oportunidades de consumo. A internet e as redes sociais são canais essenciais para alcançar esse público, oferecendo informações, produtos e serviços personalizados.

A mudança de prioridades das avós exige uma revisão das estratégias de marketing quando o ponto de interesse é a família. O foco não deve ser apenas nos produtos e serviços para netos, mas também nas necessidades e desejos das avós como consumidoras independentes. O mercado de produtos e serviços para o envelhecimento ativo e saudável está em franca expansão. As mulheres 60+ são um público-alvo promissor para empresas que oferecem soluções para saúde, bem-estar, lazer e educação. O novo Luxo da Consumidora 60+ é oautocuidado e o bem-estar. As empresas que oferecem produtos e serviços que promovam a autoestima, a saúde mental e a beleza têm um grande potencial de crescimento nesse mercado.

As marcas que desejam se conectar com o público 60+ precisam quebrar estereótipos e adotar uma nova narrativa, que valorize a autonomia, a individualidade e a diversidade das mulheres nessa faixa etária. A maturidade feminina é diversa e multifacetada. As empresas precisam adotar estratégias de marketing personalizadas, que primeiramente entendam e depois atendam às necessidades e desejos específicos de cada segmento. A mídia e o marketing têm um papel fundamental na reafirmação e consolidação de novas narrativas sobre a maturidade feminina. É preciso dar voz às mulheres 60+, mostrando suas histórias, seus desafios e suas conquistas.

As empresas que desejam se destacar no mercado 60+ precisam adotar uma postura de responsabilidade social e inclusão, oferecendo produtos e serviços acessíveis e adaptados às necessidades desse público. O futuro do mercado 60+ é gigante e trilionário, com um grande potencial de inovação e oportunidades. As empresas que forem bem orientadas e aprenderem a compreender as necessidades e desejos desse público estarão à frente da concorrência. Ao adotar práticas inclusivas e valorizar a diversidade, as empresas contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

O conceito de “Aging in Market” emerge como um pilar fundamental neste momento de redefinição estratégica para o mercado 60+. À medida que a sociedade evolui e os estereótipos tradicionais se desfazem, torna-se imperativo ajustar bússolas, narrativas e mensagens para refletir a realidade multifacetada desse público. Não se trata apenas de reconhecer o envelhecimento populacional como um fato, mas de compreender as nuances desse processo e como ele molda o comportamento do consumidor sênior e o quanto a indústria criativa ainda se baseia em preconceitos disfarçados de percepções. Ao adotar uma abordagem centrada no Marketing 60+ as empresas podem aperfeiçoar criar produtos, serviços e campanhas de marketing que ressoem autenticamente com o público 60+, construindo relacionamentos duradouros e impulsionando o crescimento.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que o fenômeno Ozempic ensina sobre marcas

Um medicamento criado inicialmente para controlar o diabetes tipo 2 virou assunto obrigatório em conversas sobre saúde e comportamento, invadindo redes sociais e ganhando destaque em reportagens. Esse fenômeno, representado pela marca Ozempic, foi tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, que analisaram por que o remédio conquistou tamanha relevância no mercado e o que outras marcas podem aprender com isso.

Jaime e Cecília apontam que parte fundamental do sucesso está no próprio nome Ozempic, porque permite diferentes interpretações, facilitando conexões pessoais com o público. Cecília Russo explica: “Nomes bons são aqueles que permitem que a gente construa histórias a partir dele”. É exatamente o que ocorre com Ozempic, cujo nome remete tanto a uma aplicação simples (“pic”) quanto à ideia olímpica de saúde (“ozem”).

Outro fator relevante destacado por Cecília é a forma como o medicamento expandiu sua utilidade, indo além do diabetes tipo 2 ao ser aprovado também para o tratamento da obesidade, aumentando significativamente seu alcance no mercado. A inovação na apresentação em forma de caneta também ajudou a diminuir o desconforto e aumentar a adesão ao tratamento pelos pacientes, um desafio conhecido na indústria farmacêutica.

Jaime Troiano chama a atenção ainda para outro ponto-chave: o valor percebido pelo consumidor. Apesar do preço elevado, “a percepção de valor é tão alta que o preço até que se justifica”, diz ele. Ozempic conseguiu atingir um patamar raro no mercado: o de ser visto pelos consumidores não como custo, mas como investimento.

Além disso, Jaime observa que Ozempic não apenas vendeu mais medicamentos, mas criou e lidera uma nova categoria. Ele reforça essa vantagem lembrando uma máxima do especialista em branding Washington Olivetto: “Aquele que ocupar primeiro o topo da montanha tem uma posição muito mais privilegiada”. 

As lições que fizeram do Ozempic uma marca forte

  1. Um nome que conta histórias 
  2. Expansão estratégica do público-alvo 
  3. Inovação prática e acessível 
  4. Valor que supera o preço 
  5. Pioneirismo estratégico

A marca do Sua Marca


A marca principal deste comentário é justamente mostrar que o sucesso de um produto depende diretamente da combinação entre valor percebido, inovação, posicionamento estratégico e identificação emocional com o público.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso


O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Avalanche Tricolor: o revés do Octa que me batizou gremista

Inter 1×1 Grêmio 

Campeonato Gaúcho – Beira-Rio, Porto Alegre, RS

Gre-Nal em 1969 em foto de arquivo

Era uma quarta-feira à noite quando o Grêmio desperdiçou a possibilidade de conquistar, pela primeira vez, o octacampeonato gaúcho: 17 de dezembro de 1969. Empatou o Gre-Nal, sem gols, no recém-inaugurado estádio José Pinheiro Borba, apelidado Beira-Rio.

Eu era apenas um guri de calções curtos, que havia completado seis anos em agosto de 1969. Lembro pouco daquele período, mas imagino que minha infância fosse muito mais simples do que a dos guris de hoje, expostos a todo tipo de estímulos digitais e uma infinidade de informações.

A história pessoal mais marcante daquele 1969 não ficou gravada na minha memória — porém, descobri, muitos anos depois, que estava registrada no meu coração. Ela era sempre contada pelos mais velhos nas reuniões em família, acompanhada de risadas, o que me levou a acreditar que fosse apenas um desses mitos familiares transmitidos entre gerações.

Por incrível que pareça, foi somente na vida adulta, já morando em São Paulo, que os fatos relatados pelos parentes foram confirmados por um dos protagonistas: meu pai, que dispensa apresentação aos caros e raros leitores desta Avalanche.

Vamos aos fatos: a perda do octacampeonato gaúcho fez com que o lado colorado do Rio Grande do Sul entrasse em êxtase. A flauta corria solta pela cidade, e os gremistas, desacostumados com aquela situação, andavam de cabeça baixa, provocados constantemente.

Lá em casa, na Saldanha Marinho, nas vizinhanças do Olímpico, falar de futebol passou a ser um tema proibido pelo meu pai – ao menos por aqueles dias. Eis que um primo de segundo grau resolveu fazer uma brincadeira (sem graça) e, aproveitando-se da minha ingenuidade, vestiu-me com uma camisa vermelha e me fez entrar em casa, com uma bandeirola colorada nas mãos, cantarolando “Papai é o maior”, espécie de hino não oficial do coirmão. Meu pai, irritado, pegou a bandeira e me deu umas palmadas para que eu aprendesse a lição.

Foi durante uma troca de posts em um blog de gremistas, ao contar como inspirei meus dois filhos a torcerem pelo Imortal Tricolor, que meu pai me surpreendeu com um pedido público de desculpas. Ele escreveu que eu havia sido muito mais inteligente do que ele na maneira de criar dois gremistas em casa e demonstrou arrependimento pelo ocorrido.

Além de dar boas gargalhadas ao descobrir que a história familiar era verdadeira, disse ao meu pai que ele não deveria se desculpar, pois a forma desajeitada com que agiu, talvez típica da educação da época, foi justamente o que me moldou gremista. A reação dele foi meu verdadeiro batismo. Foi a lição que precisei para entender qual era o lado certo da força, e eu agradecia por ele ter me conduzido na vida de torcedor.

Aprendi com meu pai, desde aquele dezembro de 1969, que os gremistas foram feitos para o sofrimento, para a luta eterna contra o improvável, para superar adversidades; somos imortais não porque não morremos, mas porque jamais desistimos, sabendo que a derrota de hoje nos fortalecerá para as conquistas futuras.

Sim, porque foi aquele Grêmio derrotado em 1969, que amargou oito anos seguidos de frustrações regionais na sequência, que se tornou forte o bastante para ganhar o título estadual de 77 e conquistar o Brasil, a Libertadores e o Mundial nos anos 1980.

O revés do octa de 1969 foi meu batismo tricolor. Que em 2025 muitos outros gremistas nasçam desta mesma essência épica e sofrida—mas por métodos mais saudáveis. Apesar de que das palmadas que levei, felizmente só restou mesmo o amor pelo Grêmio.

Conte Sua História de São Paulo: em Sampa tem altos picos

Por Renilson Durães

No Conte Sua História de São Paulo, a poesia do ouvinte da CBN Renilson Durães:

Sampa

Atrás do morro tem rampa,

Quando o mundo gira

Só para em Sampa;

Na incerteza do tempo

Na instabilidade do clima;

Zona norte, zona sul

A grana corre para baixo e para cima;

Em Sampa tem muito mais

Além de saúde e saudade;

Um sarau na paulista

Um axé na liberdade;

Em Sampa tem altos picos

Tem farol do Santander;

Vales profundos no Anhangabaú

Aventuras e folia logo ali na praça da sé.

Em Sampa há muitas surpresas

Encontros não marcados;

Cachaça, pastel e linguiça

Na miscelânea do mercado;

Sampa é de todo mundo

Acolhe, aceita, abraça

No choro ou na alegria;

Tem samba e poesia

Rock rola na galeria;

Em Sampa se aprende o riscado

Não se arrisca na contramão;

É só seguir o Eduardo, o Beto e o Zelão.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Renilson Durães é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade você visita agora o meu blog miltonjung.com.br ou vai lá no Spotify e coloca entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Mundo Corporativo: para ter eficiência energética é preciso entender onde estão os gastos, diz Marcelo Xavier, da GreenYellow

Reproduçao do vídeo do Mundo Corporativo

“Nada resiste ao trabalho. As oportunidades vão passar na sua frente diversas vezes, então você tem que estar preparado para elas.”

Marcelo Xavier, GreenYellow

Reduzir o consumo antes de investir em novas fontes de energia. Esse é o princípio básico que deveria guiar empresas em busca de eficiência energética, mas nem sempre é o caminho seguido. “Muitas vezes, as empresas pensam em colocar um telhado fotovoltaico sem olhar para as máquinas. Você acaba superdimensionando sua necessidade de energia, sendo que poderia reduzir o consumo antes”, afirma Marcelo Xavier, diretor-presidente da GreenYellow no Brasil. A gestão eficiente da energia e a transição para fontes renováveis foram tema da entrevista ao Mundo Corporativo.

Eficiência energética: por onde começar

O conceito de eficiência energética, segundo Xavier, se divide em duas frentes principais: redução de consumo e geração de energia renovável. “O primeiro passo é fazer um diagnóstico, entender onde estão os grandes gastos e otimizar os sistemas”, explica. A empresa atua identificando pontos de desperdício em processos como iluminação, refrigeração e climatização, realizando substituições e modernizações para minimizar custos e aumentar a eficiência.

Além disso, a transição para fontes renováveis deve ser feita de forma estratégica. “Reduzimos o consumo, depois dimensionamos a necessidade de geração com fontes renováveis, como energia solar”, destaca. Modelos de geração distribuída, em que usinas solares atendem unidades consumidoras remotamente, cresceram no Brasil nos últimos anos, mas agora enfrentam desafios com a redução de incentivos. A tendência, segundo o executivo, é investir em geração próxima ao consumo e em soluções híbridas, com armazenamento de energia.

O papel da comunicação na transição energética

Além dos desafios técnicos, Xavier ressalta a importância da comunicação no processo de eficiência energética. “A maneira como o comercial transmite a informação para um cliente pode definir se uma venda será feita ou não. Clareza e objetividade são fundamentais”, afirma. Dentro da empresa, ele vê a comunicação como uma peça-chave para alinhar as equipes e garantir que as estratégias sejam implementadas de forma eficaz.

A mudança para um modelo de energia mais descentralizado e digitalizado também exige uma evolução na mentalidade do empresariado e do setor público. “O Brasil tem todo o potencial para ser líder global em transição energética, mas ainda engatinha. Falta educação corporativa sobre o tema e mais incentivos governamentais”, aponta Xavier. Ele cita o exemplo de países europeus, onde os galpões logísticos já são projetados para receber painéis solares, enquanto no Brasil ainda há resistência e barreiras estruturais.

Para os profissionais que ingressam no mercado, Xavier deixa um conselho direto: “A gente estuda algo e imagina que vai trabalhar com isso para sempre. Mas isso não vai acontecer. Oportunidades surgem o tempo todo, e você precisa estar preparado para elas”.

Ouça o Mundo Corporativo

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Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Avalanche Tricolor: de sofrência em sofrência, lá se vão as férias

Athletic-MG 3 (7) x (8) 3 Grêmio
Copa do Brasil – São João del-Rei (MG)

Gandro defende a última cobrança. FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Torcer para o Grêmio é não viver um dia de sossego. Nem nas férias. A semana de descanso, aqui pelo litoral de Alagoas, tem sido uma sofrência só — considerando que nossa conversa nesta Avalanche é sobre futebol, claro. Depois do sábado em que vimos o caminho para o octacampeonato ficar mais distante, fomos a São João del-Rei, a 1.600 quilômetros de Porto Alegre, e por pouco não nos despedimos precocemente de nossas viagens na Copa do Brasil.

O jogo desta noite, que assisti na tela do computador, aproveitando a luz de uma lua cheia que brilhava no céu alagoano, foi completamente maluco. Tomamos um gol muito cedo, em um lance que tem se tornado rotineiro na vida do gremista. O empate veio no cabeceio de Braithwaite, que já havia sinalizado problemas físicos e aguardava a substituição. A virada surgiu de um improvável lance de gol, no qual a falha do goleiro adversário foi de dar dó. Quando imaginávamos coisa melhor, tivemos mais um jogador expulso ainda no primeiro tempo. Desta vez, o autor da atabalhoada foi Luan Cândido.

A volta do intervalo nos reservaria mais uma dose de sofrimento. Sob forte pressão, cedemos o empate muito cedo, quase sofremos a virada e passamos o restante da partida tentando manter a bola o mais distante possível do nosso gol. Foi numa dessas tentativas que Arezo soube aproveitar a escapada entre os zagueiros, encobriu o goleiro e concluiu para as redes, nos dando uma improvável (e parcial) vitória. Quando os locutores (e nós, torcedores) já se empolgavam com narrativas e hipérboles sobre a imortalidade tricolor, fomos surpreendidos com um gol contra de João Lucas, que levou a decisão da vaga para os pênaltis.

É verdade que, nesta temporada, já havíamos conquistado duas classificações — no Gauchão e na Copa do Brasil — vencendo nos pênaltis. O drama é que Thiago Volpi, o goleiro que nos proporcionou essas vitórias, defendendo cobranças adversárias e marcando seus gols, estava assistindo a tudo do banco. Caberia a Gabriel Gandro repetir o feito. Foram necessárias oito cobranças de cada lado até que, finalmente, ele se destacasse com a defesa final que nos levou à terceira fase da Copa do Brasil.

A melhor notícia da noite — além da classificação, lógico — foi que o Grêmio finalmente voltou a ter bons cobradores de pênaltis. Quem sabe não nos serão úteis no sábado, quando precisaremos, mais uma vez, que o mito da Imortalidade se expresse. Sim, porque antes de minhas férias se encerrarem vem mais sofrência por aí.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a lição da Osesp e o maestro das marcas

Uma orquestra sem maestro pode se tornar um caos sonoro. No mundo das marcas, o risco é o mesmo quando a comunicação não tem direção. Esse foi o tema do comentário desta semana no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo no Jornal da CBN.

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) serviu de metáfora para a construção e gestão de marcas. Segundo Jaime Troiano, assim como os músicos precisam seguir a regência para alcançar a harmonia, as empresas precisam de um maestro para integrar os diversos canais de comunicação. “Cada instrumento tem um papel, uma partitura que precisa obedecer à regência do maestro”, afirmou. Sem essa coordenação, o resultado pode ser o mesmo dos momentos iniciais de uma apresentação, quando os instrumentos ainda estão sendo afinados.

Cecília Russo destacou o equilíbrio necessário entre virtuosidade e humildade, tanto na música quanto na gestão de marcas. “A contribuição de cada instrumento está a serviço do protagonismo de uma coisa maior, da obra que está sendo executada como um todo”, explicou. No universo das marcas, isso significa que cada ponto de contato com o público – da fachada de uma loja ao post no Instagram – precisa estar alinhado a uma comunicação integrada e coesa.

A marca do Sua Marca

A lição desta edição foi clara: no branding, não basta se encantar com um único instrumento de comunicação, mas sim com a sinergia do conjunto. Marcas bem-sucedidas funcionam como uma orquestra: cada peça tem seu momento, mas é a harmonia que constrói a identidade forte e duradoura.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após as 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.