Jornada do consumidor: uma odisseia na loja de eletrodomésticos

Da experiência do consumidor sei muito mais por empirismo do que por ciência. O que os especialistas chamam de CX (Customer Experience) deixo para os colegas da WCES. Eles são craques no assunto. Meu conhecimento vem do simples fato de ser consumidor – e de consumir desde os tempos em que não havia internet, frete grátis e entrega em casa. Era preciso ir à loja, confiar no conhecimento do vendedor e torcer para que o produto desejado estivesse em estoque. Caso contrário, ouvia-se a clássica sentença: “Volte amanhã!”

Neste fim de semana, resolvi me aventurar novamente em uma loja de eletrodomésticos. Dessas grandonas, âncoras de shopping center. Insisto nessa experiência, mesmo sabendo que, do conforto do sofá, tenho tudo à disposição no computador. O produto que eu queria não tinha preço exposto. Pedi ajuda à atendente, que imediatamente recorreu ao celular. “O sistema está lento”, justificou. Confesso que fiquei tentado a pesquisar por conta própria, mas, paciente que sou, esperei.

Gostei do preço e, quase triunfante, soltei: “Vou levar!”.  A vendedora fez nova consulta ao celular. Desta vez, para verificar o estoque. Não tinha, mas ela garantiu que, em dois dias, o produto estaria na minha casa. Ótimo, vamos fechar a compra.

Então veio a pergunta: “Qual o CEP?” Informei. O sistema, no entanto, só reconhecia o nome do condomínio, mas não aceitava a entrega sem um número do prédio. “O número do prédio?”, perguntou-me. Expliquei que meu prédio tem nome de árvore e que nunca teve número. “Basta colocar o nome e o número do apartamento”, tentei. Mas o sistema queria um número que não existia.

Diante do impasse, ela pediu licença e foi até um computador no fundo da loja. Sentou-se diante dele iniciando uma experiência de profunda interação e pouquíssima aceitação. Ela clicava, esperava. Esperava, re-clicava. Digitava meus dados e os anotava em um pedaço de papel. Talvez desconfortável com a falta de empatia da máquina, começou a se atrapalhar com os números. Para ajudá-la, passei a ditá-los no ritmo de locutor de rádio – modéstia à parte, tenho jeito para isso.

Enquanto acompanhava a batalha entre ela e o computador (que, desconfio, ainda rodava DOS), percebi um problema persistente: a senha dela não conversava com o login. O mais curioso foi vê-la testando diferentes logins, como se estivesse jogando um jogo de adivinhação.

Quando o processo finalmente parecia perto do fim, saquei o celular para pagar com o cartão digital, em quatro vezes sem juros (mentira, né, Teco Medina?). O sistema seguiu lento. O pagamento não se completava. A solução? Atravessar a loja para tentar outro computador. É isso que chamam de jornada do consumidor, Thiago Quintino?

Depois de minutos suficientes para eu ter feito mais de uma compra pelo celular e seguido a vida, o processo foi finalizado. Recebi o comprovante do cartão de crédito e a promessa de que a nota fiscal e os demais documentos chegariam com o produto em dois dias.

Enquanto tudo isso acontecia, contei pelo menos seis ou sete vendedores e representantes de marca conversando entre si, sem muitos fregueses para atender. O tempo que desperdicei sem sequer sair da loja com o produto me fez questionar: o que ainda motiva consumidores como eu a insistirem nessa experiência?

Porque, convenhamos, um modelo como esse não pode ser sustentável.

Avalanche Tricolor: Grêmio se reinventa e sonha com o Octa

Grêmio 2×1 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Cristian Oliveira foi um dos destaques do time. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Temos um time para a temporada. Essa é a melhor notícia do fim da noite de sábado. Espero que Gustavo Quinteros tenha a oportunidade de construí-lo e dar consistência à equipe, a tempo de conquistar o octacampeonato. O tamanho dessa missão pode ser medido pela quantidade de jogadores recém-chegados que disputaram essa partida de semifinal: sete deles estiveram em campo, dos quais cinco como titulares. Alguns mal devem ter desfeito as malas. Alguns se comunicam apenas pela linguagem da bola.

Mesmo sem o devido entrosamento, a equipe já demonstra uma ideia clara de jogo, movimentação coordenada, jogadas ensaiadas e um futebol empolgante para o torcedor. Ainda há falhas na execução de algumas jogadas e ajustes a serem feitos na saída de bola da defesa. Quinteros tem alternativas no elenco, o que propicia mudanças conforme a necessidade da partida e substituições à medida que a intensidade do futebol proposto cause cansaço.

Com os reforços e o novo treinador, jogadores que antes já se destacavam ganharam ainda mais protagonismo: João Pedro, Villasanti, Monsalve e Braithwaite são exemplos disso. Na partida deste sábado, foram fundamentais para a vitória.

Dos reforços, Cristian Oliveira se destaca pelos gols decisivos que marcou nas duas partidas em que esteve em campo. Amuzu, mesmo com pouco tempo, consegue mostrar seu potencial — e o gol da vitória teve participação importante dele. Terá de mostrar se tem físico e dimensão para manter sintonia com a forma como o time marca e retoma a bola assim que o adversário planeja o ataque.

Cuéllar e Camilo, volantes com cara de volantes, tendem a dar a consistência que o setor defensivo busca há duas temporadas. Thiago Volpi tem feito defesas difíceis em momentos cruciais, sem contar o feito do meio da semana, na Copa do Brasil.

O placar da primeira semifinal poderia ter sido mais elástico, especialmente porque defenderemos a classificação na casa do adversário. Fizemos por merecer mais. Tivemos a oportunidade de abrir dois gols de vantagem, o que abateria o adversário logo cedo, mas, infelizmente, a incompetência de quem deveria sinalizar o pênalti, que aconteceu ainda no primeiro tempo, nos prejudicou. Sofremos o empate. No segundo tempo, dominamos a maior parte do jogo, passamos à frente do placar e por muito pouco não ampliamos.

Teremos uma tarefa difícil em Caxias do Sul. O caminho para o octacampeonato ainda vai nos impor muitos desafios. Quinteros, ao menos, terá uma semana livre para ajustar a equipe. E o fará com a certeza de que temos um time para a temporada. E essa é a certeza que anima os gremistas para o que vem pela frente.

Mundo Corporativo: Carolina Ignarra, da Talento Incluir, diz que contratar pessoas com deficiência não é caridade

No bastidor da entrevista online com Carolina Ignarra, foto: Priscila Gubiotti/CBN

“E eu garanto que fazer inclusão bem feita expande o cumprimento de uma lei. Com certeza traz benefícios para o negócio e para a sociedade toda.”

Carolina Ignarra, Talento Incluir

Apenas 1% das pessoas com deficiência no Brasil ocupa cargos de liderança. Pior (ou seria tão ruim quanto?), 63% delas nunca recebeu uma promoção, mesmo estando há anos na mesma empresa. Esses dados, revelados pela pesquisa Radar da Inclusão, mostram que, apesar dos avanços, barreiras estruturais ainda impedem uma verdadeira equidade no mercado de trabalho. A forma como as organizações enxergam esses profissionais é um dos principais entraves. Esse foi o tema abordado no programa Mundo Corporativo, em entrevista com Carolina Ignarra, CEO do Grupo Talento Incluir.

Carolina era educadora física quando sofreu um acidente que a tornou cadeirante. Ao contrário da maioria das pessoas com deficiência, rapidamente retornou ao mercado de trabalho sem que o fato de ser paraplégica tenha sido impedimento ou privilégio: “eu fui reintegrada no trabalho com a minha singularidade, com a minha diferença fazendo parte, mas sem que a deficiência fosse o motivo da minha incapacidade ou o motivo da minha capacidade”.

Logo ela percebeu que a deficiência é só uma característica que não define nem diz quem é a pessoa. Da mesma forma, aprendeu que essa experiência não era compartilhada por outras pessoas com deficiência, o que fez Carolina decidir-se por atuar na inclusão dentro das empresas.

A realidade ainda é de uma contratação baseada em cotas, não em convicção. “As empresas acham que já estão fazendo um favor ao contratar uma pessoa com deficiência e não enxergam esse profissional com toda a sua integralidade e potencial”. Esse pensamento limita o desenvolvimento desses profissionais, que enfrentam um histórico de exclusão e falta de oportunidades.

O papel da liderança na inclusão

Para Carolina, a mudança só ocorre quando as empresas fazem da inclusão uma escolha consciente. “Fazer por obrigação é o mínimo. Fazer por conveniência é importante, mas só avançamos quando fazemos por convicção”. Isso significa entender que contratar e desenvolver pessoas com deficiência não é caridade, mas uma estratégia que beneficia a empresa e a sociedade.

A pesquisa Radar da Inclusão também aponta que “nove a cada dez profissionais com deficiência afirmam ter passado por capacitismo no trabalho”. Carolina explica que o capacitismo está enraizado na sociedade e impacta tanto as empresas quanto os próprios profissionais com deficiência, que podem internalizar essa visão limitadora. “Nós somos autocapacitistas. Quando crescemos ouvindo que não podemos ou não conseguimos, é natural que internalizemos essa crença”.

A experiência da Eurofarma

Um exemplo de iniciativa voltada para a inclusão é o projeto de mentoria da Eurofarma. A empresa estruturou um programa para desenvolver talentos com deficiência, promovendo treinamentos e acompanhamento personalizado. “O projeto envolveu 40 pessoas com deficiência, que foram mentoradas por líderes da organização. Essa troca fortalece a confiança dos profissionais e impulsiona suas carreiras”, explica Carolina. Além disso, o programa resultou em promoções e avanços profissionais, demonstrando que inclusão bem-feita vai além do cumprimento de cotas. “As empresas que investem em inclusão com planejamento e propósito colhem benefícios concretos, tanto no ambiente corporativo quanto na sociedade”.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: sete dias intensos na cidade que deixou marcas

Por José Emilio Guedes Lages

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN José Emílio Guedes Lages fala de uma viagem especial feita à capital paulista:

Minha primeira visita a São Paulo rendeu uma história interpretada brilhantemente aqui no Conte Sua História de São Paulo. Naquela ocasião, foi uma passagem rápida, sem tempo para conhecer a cidade. Mas ficou o desejo de voltar.

Anos depois, surgiu a chance de planejar uma viagem especial. Cheguei numa segunda-feira para assistir à gravação do programa Som Brasil, de Rolando Boldrin, onde um amigo meu se apresentaria. Foi um sucesso! Ele se tornaria um artista de renome nacional. Após a gravação, exploramos a noite paulistana, com sua garoa e energia vibrante.

No dia seguinte, fui ao Parque do Ibirapuera, onde passei o resto da semana caminhando, fazendo amizades e vivendo momentos memoráveis. À noite, fui ao Sesc Pompeia assistir a Tom Zé. Saímos inebriados por tamanho talento e competência. Depois, seguimos para a Bela Vista, onde provamos pizzas deliciosas e ouvimos histórias sobre Adoniran Barbosa, contadas por garçons que se tornaram amigos do compositor.

São Paulo, para mim, virou uma festa; assim como Paris foi para Hemingway.

Também visitei o MASP, na Avenida Paulista, durante uma exposição da pintora Djanira — uma coisa e outro mundo.

Antes de encerrar a viagem, realizei outro sonho de infância, de quando ouvia pelo radinho de pilha os lances apaixonantes e o barulho das torcidas: conhecer o estádio do Pacaembu. A imponente fachada me impressionou, mas, ao entrar, senti falta da icônica concha acústica, substituída pelo “tobogã”, que sempre aparecia nas páginas da Revista do Esporte, nossa bíblia futebolística.

Por fim, voltei para casa, ao contrário da vez anterior em vez de busão voltamos de asa dura. Lá de cima, admirei a grandiosidade da Pauliceia Desvairada, relembrando os sete dias intensos que vivi na cidade, onde até um sentimento nasceu e deixou marcas duradouras.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

José Emílio Guedes Lages é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo, que também está lá no Spotify. 

(os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história)

Dez Por Cento Mais: descobrindo a calma da mente em um mundo acelerado

Ansiedade e estresse dominam a rotina de milhões de pessoas. Diante dessa realidade,  encontrar equilíbrio emocional tornou-se um desafio essencial. Para Léo Simão, essa busca não apenas mudou sua vida, mas também se transformou em um método prático de autodesenvolvimento. Sua experiência pessoal de superação o levou a estudar filosofia, neurociência e espiritualidade para compreender como a mente humana pode ser treinada para viver com mais serenidade. Criador da metodologia “Calma da mente”, Léo compartilhou essa jornada em entrevista ao canal Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa.

Léo Simão destaca que um dos aprendizados mais transformadores de sua vida foi a percepção de que não somos nossos pensamentos. “Os pensamentos são como nuvens, eles vêm e vão, mas nós somos o céu, a presença que permanece”, explicou. Esse conceito, presente em diversas tradições filosóficas e espirituais, ajudou-o a desenvolver uma nova perspectiva sobre a mente e o controle das emoções. 

Os dois atos de uma vida e a crise existencial

A jornada de Léo Simão pode ser dividida em dois momentos distintos. No primeiro ato, ele alcançou grande sucesso empresarial, fundando uma empresa que faturava centenas de milhões de reais e recebendo prêmios de empreendedorismo. Apesar de toda a conquista material, sentia-se vazio e ansioso. “O dinheiro e o sucesso não resolveram minha busca interior”, confessou.

O segundo ato começou com uma grande reviravolta: a perda de sua empresa, separação conjugal e um quadro de depressão profunda. Em 2021, ele enfrentou outro desafio ao contrair Covid-19 de forma grave, ficando internado na UTI. Essa experiência o fez confrontar sua própria mortalidade e ressignificar seu propósito de vida.

Em busca de respostas, Léo mergulhou na leitura de textos religiosos, filosóficos e científicos. Explorou desde a Bíblia e os livros de Allan Kardec até obras como Meditações, do imperador romano Marco Aurélio. “Foi como se todas as peças do quebra-cabeça finalmente se encaixassem”, relatou sobre a influência do estoicismo em sua vida.

Ele descobriu que a chave para uma vida mais equilibrada está na prática de valores e virtudes. “A vida não é sobre nós, mas sobre as pessoas que tocamos”, refletiu, destacando a importância do autoconhecimento e da contribuição para o bem-estar coletivo.

A criação do método “Calma da Mente”

A partir de sua experiência, Léo estruturou o programa “Calma da Mente”, um treinamento voltado ao desenvolvimento da inteligência emocional. O método baseia-se em três pilares:

  • Atividade física: Estudos mostram que exercícios aumentam os níveis de dopamina e reduzem o estresse.
  • Fé e gratidão: A crença em algo maior reduz a ansiedade e melhora a resiliência emocional.
  • Reprogramação mental: Técnicas de respiração, escrita e visualização ajudam a mudar estados emocionais negativos.

O sucesso do método levou Léo a ministrar palestras para empresas e até para forças policiais, impactando milhares de pessoas. “O que ensino é sobre sair do caos mental e encontrar um estado de equilíbrio e produtividade”, explicou.

Seu livro, 365 Dias com a Calma da Mente, segue a estrutura de um guia diário, com reflexões baseadas no estoicismo. Cada página apresenta um ensinamento acompanhado de um QR Code que direciona o leitor para um episódio do podcast “Meditação Estoica”, onde ele aprofunda o tema do dia.

A história de Léo Simão é um exemplo de como é possível transformar crises em oportunidades de crescimento. Ao adotar estratégias para treinar a mente e desenvolver a inteligência emocional, ele encontrou um novo propósito e hoje compartilha esse conhecimento para ajudar outras pessoas a alcançarem o equilíbrio e a paz interior.

Assista ao Dez Por Cento Mais

O canal de YouTube Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa, traz programas inéditos e ao vivo, quinzenalmente, às quartas-feiras, ao meio-dia. 

Avalanche Tricolor: no limite do desespero

São Raimundo 1 (1) x (4) 1 Grêmio
Copa do Brasil – Canarinho, Boa Vista, RR

Volpi, o protagonista. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A partida era contra o vice-campeão estadual de Roraima. O estádio acanhado, de gramado irregular, tinha espaço para cerca de 5 mil torcedores — lembrava mais um campo de várzea do que um palco para um gigante do futebol brasileiro. Em campo, o desequilíbrio era evidente no papel: qualquer jogador gremista que pisou no gramado ganha, ao fim de um ano, mais do que toda a folha salarial do adversário. Mas isso não bastou para dar ao Grêmio superioridade enquanto a bola rolava.

O time produziu pouco no ataque, sofreu com a falta de entrosamento e saiu atrás no placar, castigado por um contra-ataque no segundo tempo. Por muito pouco, não voltou para Porto Alegre com um vexame na bagagem, após cruzar quase 10 mil quilômetros de distância. Uma eliminação precoce na primeira rodada da Copa do Brasil seria um golpe duro para a autoestima do torcedor e para as expectativas na temporada de 2025.

Foi só nos acréscimos, aos 47 do segundo tempo, já com um jogador a menos depois da expulsão de Edmilson, que o Grêmio conseguiu acertar o gol. E a bola entrou. Cristian Oliveira, o uruguaio recém-chegado, matou no peito após a sobra de um escanteio, bateu firme e colocou no ângulo, sem chances para o goleiro. Mesmo considerando as diferenças técnicas, financeiras e estruturais entre os dois times, arrisco dizer que a mística da imortalidade se insinuava ali.

Mas a classificação ainda exigiria mais um teste para os nervos. O novo regulamento da Copa do Brasil determina que, nas fases iniciais, um empate leva a decisão para os pênaltis. Foi quando, enfim, a superioridade gremista apareceu.

Braithwaite, Jemerson e Arezo converteram com segurança. O São Raimundo desperdiçou a primeira cobrança chutando para fora. Depois, Thiago Volpi brilhou: defendeu a terceira batida e assumiu a responsabilidade na última cobrança. Bateu com categoria, definiu a classificação e evitou um fiasco.

Diante do que se desenhava ao longo da partida, a se comemorar o fato de o Grêmio não ter desistido em nenhum momento. Teve jogadores com frieza para converter os pênaltis e um goleiro que não apenas defendeu, mas decidiu. Foi mais sofrido do que deveria, mas o alívio final lembrou que, no futebol, por vezes, a glória nasce no limite do desespero. “É a Copa do Brasil”, disse Volpi com um sorriso no rosto.

Inteligência artificial não é fonte primária no jornalismo

Foto de Rahul Pandit

Se ainda havia dúvidas sobre os riscos de confiar cegamente na inteligência artificial para produzir notícias, um estudo da BBC tratou de dissipá-las. Ao testar quatro dos principais assistentes de IA – ChatGPT (OpenAI), Copilot (Microsoft), Gemini (Google) e Perplexity – a rede britânica identificou problemas em 51% das respostas geradas. Mais alarmante ainda, 13% das respostas mencionavam a própria BBC de forma errada ou simplesmente inventavam informações.

O alerta, trazido pelos meus colegas Leonardo Stamillo e Leandro Motta na newsletter Cartograma, não significa que a IA deve ser descartada pelos jornalistas. Pelo contrário, a questão central é saber como usá-la sem comprometer a credibilidade do nosso trabalho.

O Pulitzer Center propõe um critério simples:

  • Se a tarefa exige alta precisão e será consumida pelo público, o uso de IA deve ser cauteloso.
  • Se o conteúdo gerado será usado internamente, como análise de grandes volumes de dados, a tecnologia pode ser uma grande aliada.

A inteligência artificial não é inimiga do jornalismo, mas também não pode ser sua fonte primária de informação. Seu maior potencial está na automatização de tarefas mecânicas, na organização de grandes bases de dados e até na sugestão de pautas. Pode ajudar a redigir esboços de textos, revisar gramática e otimizar títulos para SEO. Mas a apuração, a contextualização e o olhar crítico seguem sendo prerrogativas exclusivamente humanas.

Se há uma lição nesse debate, é que não podemos tratar a IA com ingenuidade, mas também não devemos temê-la. O problema não é a ferramenta, mas como a utilizamos. A história do jornalismo está repleta de inovações tecnológicas que, inicialmente, causaram desconfiança. O rádio, a televisão e a internet foram recebidos com ceticismo e, hoje, são indissociáveis da prática jornalística. A IA, ao que tudo indica, seguirá o mesmo caminho.

A tecnologia avança, e o compromisso com a informação de qualidade permanece. E, para isso, o jornalista deve manter a postura que aprendeu desde seus primórdios: desconfiar, questionar, desenvolver olhar crítico e apurar a verdade. Assim como fazemos com as melhores fontes de informação, devemos agir, também, diante da IA.

Avalanche Tricolor: vamos ao que importa

Ypiranga 0x1 Grêmio
Gaúcho – Colosso da Lagoa, Erechim/RS

Monsalve comemora o gol da vitória. Foto: LucasUebel/GremioFBPA

Com um time modificado e injustiçado, o Grêmio encerrou a fase de classificação do Campeonato Gaúcho com vitória e garantiu a terceira melhor campanha da competição. A maioria dos titulares ficou em Porto Alegre, enquanto o técnico Gustavo Quinteros já planejava a estreia na Copa do Brasil e, principalmente, ajustava a equipe para o restante da temporada. Os reservas que estiveram em Erechim precisaram superar, além da falta natural de entrosamento, um erro crasso da arbitragem – cometido em conluio com o VAR – que resultou na injusta expulsão de João Lucas ainda no primeiro tempo.

Apesar dos erros e tropeços no gramado ruim do Colosso da Lagoa, o time fazia um primeiro tempo de pressão, desarmes precisos e ataques constantes. Mesmo com um jogador a menos, desde os 25 minutos do primeiro tempo, surpreendeu o adversário ao manter a marcação firme e aproveitar melhor os contra-ataques. A maturidade da defesa, mesmo composta por jovens jogadores, foi uma das boas surpresas da noite. O volante Camilo chamou atenção pelo equilíbrio entre marcação forte e presença ofensiva.

O destaque – e sem nenhuma surpresa – foi Monsalve. Responsável por distribuir o jogo, ele protagonizou o belo e único gol da partida. Recebeu a bola de Aravena em um contra-ataque e, quando a jogada parecia perdida, driblou os marcadores e o goleiro antes de finalizar para as redes.

A vitória não alterou o caminho do Grêmio na fase de mata-mata. O time terá de decidir a vaga na final fora de casa, contra o Juventude, e só poderá conquistar o octacampeonato na Arena se o Caxias avançar na outra chave. Confesso que essa questão pouco me interessa.

O que realmente importa é que o Grêmio chega à fase decisiva mais estruturado e reforçado do que no início do ano. As contratações feitas na reta final da janela de transferências são um alento para o torcedor. Especialmente os reforços para a zaga e a lateral-esquerda trazem a esperança de que o problema defensivo, tão evidente nas últimas duas temporadas, enfim será resolvido. Do meio para frente, o time também se fortalece, com volantes de marcação e atacantes velozes.

A diretoria atendeu aos pedidos de Quinteros, que terá pouco tempo para entrosar a equipe com os novos jogadores, mas, ao menos, enfrentará os jogos decisivos com mais opções no elenco. A expectativa pelo octacampeonato está mais bem alicerçada e deixa de ser apenas um sonho de verão. E que verão é esse que o Rio Grande do Sul enfrenta, caros – e cada vez mais raros – leitores desta Avalanche?

Conte Sua História de São Paulo: o curso de inglês e o churros do ambulante, em Santana

Por Miriam Marcolino dos Santos

Ouvinte da CBN

Foto de RDNE Stock project

No Conte Sua História de São Paulo, a ouvinte da CBN Miriam Marcolino dos Santos fala de uma decisão tomada pela mãe que transformou a sua vida:

Minha história na cidade de São Paulo se desenrola em muitas camadas, mas escolhi compartilhar uma experiência que marcou profundamente minha vida, graças a uma decisão tomada por minha mãe. Na época, eu tinha 11 anos e estudava na Escola Estadual Raquel Assis Barreiros, no bairro da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte.

Certo dia, apareceram na minha sala algumas pessoas anunciando um curso gratuito de inglês. Os pais precisariam apenas arcar com o transporte para que seus filhos tivessem a oportunidade de se formar nos níveis básico e intermediário. Fiquei entusiasmada! Um dos meus três grandes sonhos estava diretamente ligado àquela oportunidade.

Minha mãe, ao perceber minha empolgação, não hesitou: com seu incentivo e esforço, lá fui eu!

O curso era oferecido pela escola de idiomas “Fox Idiomas”, localizada na Rua Alfredo Pujol, no bairro de Santana. Foi lá que, além de aprender inglês, descobri um dos prazeres gastronômicos que me acompanham até hoje: o churros, vendido por um ambulante próximo à igreja e ao metrô — na época, a única linha subterrânea da cidade.

Lembro-me nitidamente da paisagem, dos aromas e do movimento incessante de pessoas naquele lugar. Cada detalhe permanece vívido em minha memória.

A experiência não foi apenas uma aventura em outro bairro, longe de casa; foi também um marco na minha vida. Aqueles dias me ensinaram muito mais do que uma nova língua. Deram-me coragem, ampliaram meus horizontes e me prepararam para outros desafios que viriam.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Miriam Marcolino dos Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo, que você encontra lá no Spotify.

(os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história)

Mundo Corporativo: Lucia Rodrigues, da Microsoft, explica como a IA pode impulsionar sua carreira

Reprodução do vídeo da entrevista do Mundo Corporativo

“Um profissional curioso é um profissional que se mantém mais relevante no mundo de hoje, onde as coisas mudam muito rápido.” 

Lucia Rodrigues, Microsoft

A inteligência artificial (IA) não é apenas uma ferramenta avançada, mas um divisor de águas no mercado de trabalho. Enquanto algumas funções desaparecem, novas surgem em ritmo acelerado. A questão não é mais se a IA afetará a carreira dos profissionais, mas como eles podem usá-la a seu favor. Esse foi o tema discutido no programa Mundo Corporativo, que recebeu Lucia Rodrigues, diretora de capacitação e inteligência artificial da Microsoft Brasil.

O temor de que a IA substitua profissionais é compreensível, mas a história mostra que grandes inovações tecnológicas costumam reconfigurar o mercado de trabalho, e não apenas eliminar vagas. Segundo Lucia Rodrigues, o relatório O Futuro do Trabalho, do Fórum Econômico Mundial, estima que 92 milhões de empregos serão eliminados até 2030. “Mas ele também traz um dado de que 170 milhões de novos empregos serão criados por conta da IA”, destacou. O saldo, portanto, é positivo, mas o caminho não será igual para todos.

A diferença entre um profissional que se adapta às novas exigências e aquele que fica obsoleto está na capacidade de aprendizado e adaptação. “O que vai diferenciar o profissional que vai ficar obsoleto do profissional que vai aproveitar a oportunidade que a IA vai trazer é aquele que se abre para aprender como ela pode agregar valor à sua profissão e, inclusive, mudar de carreira”, afirmou.

Habilidades mais valorizadas no mercado digital

Muitos imaginam que dominar ferramentas de IA seja a competência mais valorizada pelos empregadores, mas o que se destaca são habilidades exclusivamente humanas. “O pensamento crítico, analítico e as habilidades socioemocionais são as mais procuradas”, apontou Lucia. Isso significa que saber lidar com emoções, colaborar com colegas e manter um olhar crítico sobre as informações geradas pela IA são diferenças competitivas.

“A IA pode até te ajudar a aprender e a desenvolver essas habilidades, mas ela nunca vai fazer isso por você”, alertou.

Como se preparar para o futuro do trabalho?

Diante da velocidade das transformações, a educação continuada torna-se um requisito fundamental para qualquer profissional. A Microsoft, segundo Lucia Rodrigues, tem investido fortemente na capacitação. “Criamos um programa chamado Conecta IA, uma plataforma de aprendizagem com 42 parceiros, entre eles o Ministério do Trabalho, Sebrae e UNICEF.”

Para quem deseja dar os primeiros passos no aprendizado sobre IA, ela sugere cursos introdutórios que explicam desde os conceitos básicos até o uso prático das ferramentas. “Fizemos um curso chamado Fluência, que conta a história da IA, como ela funciona e como aplicá-la no dia a dia”, por exemplo.

Acesse aqui a plataforma de cursos da Microsoft

Como as empresas estão lidando com a revolução da IA?

As empresas estão em diferentes estágios de adoção da IA, mas a tendência é clara: quem não investir na tecnologia pode perder competitividade. “Vimos que 60% dos líderes não contratariam alguém que não tenha conhecimento de IA, e 89% acreditam que sua implementação é essencial para a competitividade da empresa”, apontou Lucia.

Por outro lado, muitos profissionais estão levando suas próprias ferramentas de IA para o trabalho, o que indica que as organizações ainda precisam investir em infraestrutura e capacitação. “Instrumentalizar as pessoas é fundamental. Não basta dizer que a IA é importante, é preciso criar um ambiente que permita seu uso eficiente e seguro”, ressaltou.

O futuro pertence aos curiosos

Ao final da entrevista, Lucia Rodrigues deixou um recado para aqueles que ainda não sabem como se encaixar nesse novo contexto: “Olhe para a IA como um aliado. Ela pode te ajudar em muitas coisas na sua vida profissional e pessoal. E divirta-se! Teste variadas ferramentas, veja onde elas são mais úteis para você.”

A curiosidade, segundo ela, é uma das chaves para se manter relevante. “Hoje é a IA, amanhã pode ser outra coisa. O que realmente nos torna profissionais preparados para o futuro é a vontade de aprender e se adaptar.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.