Avalanche Tricolor: saúde, Grêmio!

 

 

Flamengo 0x1 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Urubu-RJ/RJ

 

 

capa

Foi no Grêmio.net que li sobre o jogo

 

 

Estratégias precisam ser bem desenhadas e o esboço se inicia com análise dos recursos que se tem em mãos, as condições que serão encontradas no seu caminho e, claro, levando em consideração o adversário. Renato fez isso com maestria, nesta noite de quinta-feira, pelo que pude entender não apenas no resultado final da partida, mas nos lances disponíveis na internet e nos textos escritos pós-jogo – especialmente o publicado no Grêmio.net.

 

 

Sim, pelo que você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve ter percebido, não assisti ao jogo disputado no Rio de Janeiro, infelizmente. Durante todas estas férias que passo fora do Brasil, encontrei formas de aproveitar ao máximo os dias de descanso com a família, sem me desconectar do Grêmio. Assisti a jogos pelo celular, pelo computador, em aplicativos oficiais e canais nem tão oficiais assim. Agenda estrategicamente desenhada para estar com o Grêmio onde o Grêmio estivesse.

 

 

Desta vez, porém, meu plano de jogo falhou. Na véspera da primeira etapa da minha viagem de volta ao Brasil, marquei um jantar com pessoas muito queridas e acolhedoras. O único problema é que o horário do encontro coincidia com a partida do Grêmio, no Rio – fui traído pelo fuso horário. Seria deselegante desmarcar, sem contar o constrangimento que causaria. Já que minha agenda estratégica havia falhado, restava-me depositar toda a confiança na de Renato e na força do nosso time – e convenhamos, estávamos em ótimas mãos e pés.

 

 

Como bem mostrou o Grêmio, a gente precisa se adaptar as condições da partida. Não dá pra atacar? Vamos defender bem. Não dá pra dar show? Chutemos a bola pra longe. Foi o que fiz.  E da mesma maneira que  Luan foi  capaz de escapar com a bola entre as pernas de um de seus marcadores, sair da pressão de dois adversários e, mesmo espremido na área, encontrar o raro caminho do gol, também dei meus dribles nos convivas e encontrei espaço durante o jantar para conferir a tela do celular a espera dos alertas do jogo. 

 

 

começa o jogo

 

 

O primeiro deles apenas anunciou o início da partida, sem mais nada a acrescentar; o segundo, demorou para aparecer e meu consolo era que se nada surgia ao menos estávamos empatando. Foi, então, que, aos 25 minutos do primeiro tempo, quase gritei gol diante do garçom que me servia mais uma taça de vinho:

 

 

Goool

 

 

Dali pra frente, tudo que queria, além de seguir o bom papo que levava com os companheiros de mesa é que nada mais surgisse na minha tela, pois sinalizaria que teríamos garantido os três pontos. Da taça de vinho ao prato principal, passando pela entrada e salada, nada acontecia no meu celular.

 

Quando a sobremesa estava sendo servida, chegou o aviso final e a certeza que o Grêmio seguia firme e forte no Campeonato Brasileiro, apesar dos tropeços nas três últimas rodadas.

 

 

Final

 

 

Aliás, eis aqui algo a se pensar: mesmo sem pontuar três partidas seguidas, privilegiando a Libertadores e a Copa do Brasil, jogando fora de casa e contra um dos mais fortes times do campeonato ainda assim estamos vivos na competição, e somos o vice-líder do Brasileiro.

 

 

Haja estratégia, Renato!

 

 

Pedi para servirem mais uma rodada de vinho e convidei a todos para o brinde final: agradeci a recepção que tive, a forma carinhosa como minha família foi tratada e, no silêncio do meu pensamento, a vitória do Grêmio, também.

 

 

Cheers!

Na CASA COR, uma lição de varejo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

APENAS UM OLHO

 

Há uma semana na CASA COR, Carlos Ferreirinha, expert em Luxo, e José Marton, autoridade em arte, design e arquitetura, se propuseram a falar sobre Arquitetura de Varejo. E foram além. Como ir além exige o Varejo contemporâneo.

 

É um comércio de US$ 23 trilhões em que apenas 9% estão sendo abocanhados pelo e-commerce, mas com efeito multiplicador. Pela velocidade, pela potencialidade e, principalmente, por se identificar sobremaneira com um novo estilo de comportamento de vida.

 

Para o Varejo, a sobrevivência diante das mudanças atuais deverá passar pela adaptação através de um processo de absorção das transformações das comunidades. São comunidades étnicas, pró-saúde, de estilo de vida e de valores.

 

Caberá à Arquitetura o papel de comunicar diretamente aos consumidores os novos valores estabelecidos. Nesse contexto, a velocidade é importante, pois já temos marcas operando dentro desses novos parâmetros.

 

As fotos exibidas por Ferreirinha são o melhor exemplo para esse entendimento:

 

bike

 

Destaques para a loja da Burberry que oferece a plenitude de todos os recursos para uma experiência de compra real e virtual:

 

BURBERRY

 

A Starbucks, em Tóquio, ressalta a disponibilidade do escritório para os clientes:

 

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A Bento Store, de Carlos Ferreirinha apresenta uma inovação de produto, serviço e arquitetura surpreendente. Vende marmitas e afins:

 

BENTO

 

A Loja Casa Cor, por J.Marton, oferece produtos para casa e uso pessoal com assinatura. Designers afamados ou principiantes expõem e vendem:

 

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Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de São Paulo: o número da sorte

 

Por Olga Pereira

 

Meu pai era vendedor de bilhetes de loteria federal. Toda manhã ele pulava da cama cedo, Fazia café para os filhos. Engraxava os sapatos. Escovava o terno e o chapéu. Jamais esquecia da gravata. E saía para vender os bilhetes. Antes, ainda passava em uma igreja e assistia à missa. Sua freguesia era nos jardins América, Europa e Paulistano.

 

Meu pai era português – veio muito menino -, e minha mãe brasileira. casaram, tiveram quinze filhos e criaram treze; viveram 57 anos juntos em São Paulo e em algumas cidades do interior. Nos educaram muito bem. Nos deixaram como herança a honestidade, a responsabilidade e o trabalho. Foi assim que ele conseguiu ter uma vida digna na cidade.

 

Ouça o texto de Olga Pereira que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo, sonorizado pelo Claudio Antonio

 

Em janeiro de 1969 – não lembro bem o dia, sei que era um sábado – ele saiu como de costume para vender seus bilhetes. Já tinha bastante idade e seu ponto era na Augusta. Ali tinha vários clientes, um deles o radialista Miguel Vaccaro Neto.

 

No fim do sábado, a pedido do próprio Miguel, meu pai sempre passava na Galeria Ouro Fino e vendia a ele os bilhetes que haviam sobrado. Foi que naquele dia meu pai não encontrou o Miguel. Tentou deixar o bilhete com o barbeiro da galeria, mas ele não aceitou para não ter de assumir a responsabilidade de pagá-los, afinal o Miguel não havia dito nada ao barbeiro.

 

Meu pai voltou para casa e com ele ficaram um bilhete inteiro e mais alguns redações que não conseguido vender.

 

Às seis da tarde, ao conferir pelo rádio os números sorteados, ele descobriu que um dos números que estavam encalhados em sua mão havia saído no primeiro prêmio: 25 mil cruzeiros. Um bom dinheiro naquela época, que lhe garantiu uma velhice mais tranquila ao lado de minha mãe.

 

Este texto foi publicado no livro Conte Sua História de São Paulo (Editora Globo)

Conte Sua História de São Paulo: descendo o Sumaré no rolimã

 

Nascido em 1957 em São Paulo capital, criado na zona oeste, Gilberto Franco lembra que o lugar onde hoje é a Avenida Sumaré era um grande brejo onde ele, os irmãos e os primos andavam de carrinho de rolimã.

 

Ouça o depoimento de Gilberto Franco, sonorizado pelo Cláudio Antonio, para o Conte Sua História de São Paulo

 

O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. A sonorização é de Cláudio Antonio e a edição é de Juliana Paiva. Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: traquinagem no colégio Clodian

 

Nascido em Santos em 1967, Celso Ferrari Masson, ainda criança, veio com a família para São Paulo. Ele lembra do tempo em que estudou no colégio Clodian no Bairro do Planalto Paulista e das traquinagens que aprontava por lá:
 

 

Ouça o depoimento de Celso Masson, sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Celso Ferrari Masson é o personagem do Conte Sua História de São Paulo. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto para milton@cbn.com.br

Avalanche Tricolor: assim é pra acabar de vez com minhas chances no Cartola

 

 

Grêmio 0x2 Avaí
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

reina12

Vai dizer que você não apostaria neles, também?

 

 

 

 

Havia seis jogadores e o técnico do Grêmio no meu Cartola para a rodada deste fim de semana. A dominância tricolor é um padrão no Reina del Sur*, time que criei para disputar a Liga Hora de Expediente CBN – brincadeira que engajou mais de 4 mil ouvintes de um dos quadros do programa que apresento na rádio CBN.

 

 

No momento de escalar um lateral, analiso as possibilidade da longa lista disponível e teimo em pensar, ou melhor, em torcer para que as opções gremistas tenham melhor desempenho na rodada seguinte. O mesmo critério (o do torcedor) uso na avaliação de quem será o volante, o meio de campo, o atacante, o goleiro e …. bem, o zagueiro é sempre o Geromel e não tem discussão.

 

 

A dificuldade de me desapegar do tricolor, porém, tem me cobrado um preço caro no fantasy game.

 

 

Bons jogos e vitórias não são suficientes para que o craque escalado pontue bem. Às vezes, seu desempenho chama atenção em campo, mas dois ou três passes errados – que podem representar um percentual mínimo diante da quantidade de passes certos -, faltas cometidas e o cartão amarelo, injustamente aplicado pelo árbitro, são suficientes para reduzir a pontuação dele. Ou o seu atacante escalado em lugar de fazer o gol prefere deixar seus companheiros mais bem colocados. E logo aqueles companheiros que você deixou de escalar.

 

 

Sim, porque tem uma curiosidade nas minhas escolhas: quando percebo que tem muito jogador do Grêmio na formação do Reina del Sur, disfarço, faço de conta que vou equilibrar as forças e usar a lógica acima da emoção; substituo um da defesa, escalo outro no meio de campo, e mudo o companheiro do nosso atacante. Geralmente essas substituições são um desastre, pois retiro aquele gremista que acaba tendo melhor pontuação na rodada. Menos o Geromel, é lógico. Esse não sai nunca do time.

 

 

Impus a mim mesmo algumas regras no momento de escalar minha equipe no Cartola.

 

 

Regra número 1: nunca, jamais e em momento algum ponho no meu time alguém que vá jogar contra o Grêmio. Aí, não! Pelo amor de Deus! É desapego demais pra minha cabeça.

 

 

Regra número 2: sempre escalo o Geromel.

 

 

Regra número 3: na dúvida, escalo o jogador do Grêmio na posição.

 

 

Regra número 4: se sobrou dinheiro, convoco o Renato para técnico.

 

 

Não recomendo a você que siga minhas regras, especialmente se tem a pretensão de aparecer com destaque no Cartola. Minha pontuação até aqui, mesmo levando em consideração o bom desempenho que o Grêmio vinha obtendo no Campeonato Brasileiro, é lastimável. Se os líderes da nossa Liga Hora de Expediente CBN já estão na casa dos 800 pontos, eu “malemal” passei dos 550 e ocupava até a última rodada o 1.925º lugar entre 4.188 participantes – com tendência de baixa, haja vista os resultados parciais desta décima-segunda rodada do Brasileiro.

 

 

Por falar nesta rodada do Brasileiro: mesmo que escalar vários gremistas no Reina del Sur seja um padrão deste técnico fajuto de fantasy game, você há de convir que dado o desempenho, até então, dos dois times que se encaravam nessa tarde, na Arena, havia uma certa lógica na presença de seis jogadores e do treinador do Grêmio na minha formação. Imagino até que muita gente deve ter me acompanhado nesta aposta. E, assim como eu, se frustrado com o resultado alcançado em campo (menos com o Geromel, claro!).

 

 

*Antes que algum gaiato queira saber: Reina del Sur é homenagem a Kate del Castillo, musa de novela produzida em parceria de americanos e espanhóis, sobre uma mulher que comanda o narcotráfico, na Colômbia. Dá pra assistir no Netflix, mas cuidado: vicia!

Conte Sua História de SP: meus passeios no centro, nas décadas de 40 e 50

 

Por Elvira Soubihe Tocci

 

 

O centro da cidade de São Paulo era, literalmente, o centro do nosso mundo. Na nossa infância, adolescência e juventude tudo de importante que fazíamos ou vivíamos, passava pelo centro da cidade. Percorríamos o centro para irmos à escola, para fazer as compras, para nos divertir, para encontrar os amigos e, depois, mais tarde namorar… Para ir ao centro colocávamos as melhores roupas, o centro para mim tinha um cheiro especial: era colorido, claro, brilhante e repleto de surpresas…

 

Quem não se lembra dos tecidos comprados na “Casa Fortes: a que é forte nos preços baixos!” e os lindos tecidos dos nossos vestidos de baile e de noiva da Tecelagem Francesa?

 

Qual jovem poderia se esquecer das bijouterias da Casa Slopper?

 

A voz do ascensorista, enumerando as mercadorias de cada andar e do famoso “Chá da tarde do Mappin Stores”…

 

Quem não se lembra dos eternos sapatos escolares da Casa Clarck e da Casa Eduardo e os lindos calçados iguais aos das estrelas de cinema da Casa Sutoris.
Qual a criança daquela época, nunca cobiçou os inacessíveis brinquedos maravilhosos da Casa Fuchs e São Nicolau.

 

Quem nunca provou a geléia de mocotó e o Milk Shake da Leiteria Pereira.

 

Naquela época tudo era consertado, até as meias nylon de minha avó e de minha mãe! Acompanhávamos admiradas a moça colocar a meia desfiada em uma perna de madeira, e com uma espécie de agulha elétrica puxar o fio e consertá-la, rapidamente. Tudo isso, adivinhem onde: lá no centro da cidade na encantadora e movimentada Casa Henrique.

 

Qual jovem noiva não teve ao menos uma peça de seu enxoval da Casa Valentim, assim como o pai teve um pijama da Casa Kosmos e um chapéu ―que todos os homens usavam ― da Casa Prada ou da Ramenzoni?

 

Quem não comprou óculos na Casa Fretin e viu lá, pela primeira vez, uma lupa ou um binóculo…

 

Ou nunca comprou linhas, lãs, sinhaninhas, elástico para calcinhas na Casa Genin.

 

Quem nunca tomou os remédios homeopáticos da Veado d’Ouro ou das Farmácias do Dr Alberto Seabra.

 

Qual menina-moça não teve seu primeiro soutien “Mourisco”, comprado nas Lojas Ethan ou nas Lojas Cisne?

 

Quem não se lembra da Casa dos Dois Mil Réis, que depois virou Lojas Americanas e nós nos sentíamos verdadeiras “americanas” saboreando um hot-dog, praticamente, na calçada!

 

Lá no Centro da cidade de São Paulo, aprendíamos a viver e fomos envolvidos, sem perceber, por algumas das melhores sensações de nossa juventude…

 

Elvira Soubihe Tocci é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe com suas lembranças: envie o texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: boa governança evita problemas éticos na empresa, ensina Sandra Guerra

 

 

Cada vez mais empresas médias e familiares têm adotado conselhos de administração como uma boa prática para diminuir conflitos de interesse e reduzir riscos que surgem diante de atitudes equivocadas. Para entender como essas experiências podem ajudar inclusive quem tem um pequeno negócio, mas uma grande preocupação com sua reputação, o jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, entrevistou Sandra Guerra, fundadora do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Autora do livro “A caixa preta da governança – para todos aqueles que precisam entender como o comportamento impacta a sala dos conselhos” (Best Business), Guerra diz que “uma empresa bem governada tem mecanismos claros e precisos de evitar que qualquer atividade da empresa seja feita a revelia, ao arrepio de uma conduta ética”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da rádio CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de SP: quando economista vira comunista

 

Ademar dos Santos Seródio nasceu em 1944 em São Paulo. Entrar para a faculdade foi uma conquista valorizada pela família com direito a festa e tudo. Mas uma vizinha não entendeu muito bem o que ele iria fazer nos bancos da academia.

 

Ouça o depoimento de Valdemar Seródio sonorizado por Claudio Antonio

Eu morei numa vila, uma dessas casas de vila de antigamente. Tive uma vida, não posso chamar de pobre, mas uma vida comum, de como hoje todo mundo vive na periferia. Apesar de ser Brás, naquela época, um bairro boêmio, a maioria das pessoas trabalhavam em tecelagem, minha avó era tecelã, trabalhava no Matarazzo. Minha tia era tecelã, trabalhava no Matarazzo. Meu tio era motorista de praça, tinha um ponto na Praça da Sé. E minha mãe era prespontadeira de calçados. Então tive uma infância muito legal, mas muito simples, muito comum. O que me fez também aprender a ter humildade, a respeitar os outros, a coisa que eu aprendi mais na minha vida. É isso, nada de excepcional aconteceu. Eu morava numa vila e tinha uma vizinha, isso é gozado, eu vou contar, o apelido dela era “grã-fininha” porque ela andava com o nariz em pé. O marido dela era escrevente de um cartório. E ela nem me deixava falar com os filhos dela porque ela achava que a gente era segunda classe. Eu entrei na faculdade e minha mãe fez uma festa, aí ela cismou que eu tinha casar com a filha dela. Porque naquele tempo, inclusive tinha uma vizinha que falou para a minha mãe: “Pô, mas você fez a festa por que?” “Porque ele entrou na faculdade.” “Mas o que ele vai ser?” “Economista.” “Comunista? Você é louca?” E era assim. A simplicidade do lugar de vez quando tinha um que destoava. E era uma amiga da minha mulher, eu conheci a minha mulher lá naquela casa. Era amiga da menina, da Maria José, que era filha dessa “grã-fininha”. E o pai da Maria José me adorava, ele me achava o máximo. E a Ivani, minha mulher, era do Ipiranga, ia na casa dela fim de semana, acabei conhecendo. Eu conheci a minha mulher ela tinha onze anos, mas eu não namorava ela, claro. Quando ela fez catorze eu comecei a namorar.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, sábados, às 10h30 da manhã, no CBN São Paulo.

Conte Sua História de SP: aqui não se consegue fugir da Marginal

 

Por Sérgio Lopes
Do Recife-PE

 

AQUI SÃO PAULO
(18/03/07)

 

Aqui ninguém é estranho
Todo mundo se convence de que tem algo a dizer
E diz
Com sua moda
Com seus modos
Ou seus medos
Com seus cabides
Suas cabalas
Seus cabelos

 

Aqui todo mundo é igual
Ao seu igual
Em sua turma
Sua tribo
Seu quintal

 

Aqui o olhar nunca é fixo
Nem sagrado é o crucifixo
Aqui não se consegue fugir da Marginal
Nem se subestima o marginal

 

Aqui se fala bastante
Se fala bastante “nossa”
Se fala bastante nossa língua portuguesa
E outras tantas mais

 

Aqui a chuva encanta
E engarrafa
Inspira
E marca
Vem de cima
E de baixo
E, às vezes,
Invade por todos os lados

 

Aqui se sorri
Se escreve
Se come pizza
Se vai ao teatro
Deixando a sensação
De que não se está fora do mundo
Permitindo entender
Porque Rita Lee é uma completa tradução
E porque Arnaldo Antunes tem tanta inspiração