Avalanche Tricolor: forjado no drama de uma enchente, o Grêmio saiu gigante da tempestade de Talcahuano

Huachipato 0x2 Grêmio

Libertadores – Talcahuano, Chile

O reconhecimento do time a performance de Marchesín. Foto:Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Há cerca de um mês, Diego Costa resgatava pessoas atingidas pelas enchentes do Rio Grande do Sul, e Caíque comandava um barco a remo em meio ao temporal, em busca de famílias ilhadas em suas casas. Assim como eles, outros jogadores gremistas se envolviam diretamente na ajuda de amigos, vizinhos, parentes e de toda gente que pudessem alcançar. Muitos deles se mobilizaram para arrecadar dinheiro e doações, atendendo às primeiras necessidades da população sofrida.

Na noite desta terça-feira, lá estavam todos embaixo de um temporal que não deu trégua ao longo de boa parte de um jogo que, por sua importância para nosso destino na Libertadores, já havia sido batizado de Batalha de Talcahuano, cidade da província de Concepción, no Chile. Não imaginávamos que seria no cenário que encontramos, só atenuado graças ao gigantismo do Grêmio.

Foi a dimensão de nossa história que mais uma vez nos levou à vitória e à classificação para as oitavas de final da Libertadores. Considerando os maus resultados nas duas primeiras partidas desta fase, os desafios fora de casa e, especialmente, a tragédia no Rio Grande do Sul, muitos de nós nos contentaríamos com o retorno às atividades. O Grêmio, não! O Grêmio sempre quer provar que é possível ir além.

Fomos além! Vencemos o Estudiantes fora de casa (às vésperas da parada pelas enchentes), goleamos o The Strongest no estádio emprestado do Couto Pereira e, ontem, superamos o Huachipato, em um gramado impraticável para o futebol.

Foi gigante Diego Costa ao superar o zagueiro dentro da área, após a cobrança de escanteio, ainda nos primeiros minutos da partida, para marcar seu gol de cabeça quando ainda era possível jogar futebol.

Foi gigante Marchesín, que fez uma sequência de defesas no segundo tempo, impedindo o empate e contendo a pressão do adversário quando só jogar futebol não bastava. Era necessário enfrentar poças d’água, lamaçal e bola desorientada pelo peso da chuva.

Foi gigante Kannemann, com a bravura eterna que marca sua trajetória com a camisa gremista. Não perdeu uma só bola jogada para dentro de nossa área. Desta vez, teve Rodrigo Ely à sua altura, zagueiro que tem revelado valentia e precisão no desarme, conquistando a confiança de um torcedor que se sente órfão diante da ausência de Geromel.

Foram enormes todos os demais que entraram em campo e garantiram a presença do Grêmio na Libertadores com uma rodada de antecedência, a despeito de tudo que estamos passando nestas últimas semanas.

Mesmo aqueles que, da casamata, inspiraram os colegas no gramado merecem nosso louvor. E aqui destaco o goleiro reserva Caíque — sim, aquele mesmo do barco a remo —, que vibrava, apoiava, dividia opinião com o técnico, e se fez presente em um jogo no qual estaria reservado a ele apenas um lugar entre os suplentes. Mas Caíque, assim como o Grêmio, não aceita ser coadjuvante, vai além!

Forjado no drama de uma enchente, o Grêmio saiu gigante e venceu a tempestade de Talcahuano.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: autores e fundamentos do branding

Photo by Element5 Digital on Pexels.com

“O bom Branding não pode ficar limitado às suas próprias teorias”

Cecília Russo

Revisitar os conceitos que embasam o nosso conhecimento sobre as áreas para as quais nos dedicamos deve ser uma obrigação dos profissionais. Considerando que o programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso completa 10 anos no ar, no Jornal da CBN, Jaime Troiano e Cecília Russo aproveitaram a data para destacar autores e ideias que os inspiraram e serviram de sustentação para os pensamentos que levamos ao ar, todos os sábados. 

Jaime iniciou com a definição de marca de Philip Kotler, adotada pela American Marketing Association, que descreve marca como “um nome, termo, sinal, símbolo ou design, ou uma combinação de tudo isso, destinado a identificar os bens ou serviços de um fornecedor ou de um grupo de fornecedores para diferenciá-los de outros concorrentes”. 

Outro autor sempre mencionado, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, é David Aaker, considerado por Kotler como “o criador do branding moderno”, que definiu uma marca como “muito mais do que um nome e um logo, ela é a promessa de uma empresa ao cliente de concretizar aquilo que ela simboliza em termos de benefícios funcionais, emocionais, de autoexpressão e sociais”.  

Al Ries e Jack Trout também são fontes de inspiração, pois introduziram o conceito fundamental que norteia as atividades de branding: o posicionamento. Esse conceito, desenvolvido em 1981, permanece relevante até hoje, com algumas adaptações, mas mantendo sua essência. destacou Jaime Troiano. Segundo eles, posicionamento é “um sistema organizado que busca espaços na mente dos consumidores para apresentar seu produto de forma diferente dos concorrentes”.

Cecília focou seu olhar para os autores nacionais que não são necessariamente especialistas em gestão de marcas, mas ajudam a compor o pensamento dos profissionais ao analisarem o comportamento humano. É o caso de Eduardo Giannetti que no livro “Felicidade: diálogos sobre o bem estar na civilização” traz um conceito muito relevante para quem trabalha com marca, o bem posicional. Ele menciona no livro que estamos dispostos a pagar altos preços por produtos que conferem status social. Ou seja, para serem almejados, os objetos devem continuar um privilégio de poucos. Nessa lógica, o diamante só brilha se refletir nos olhos dos outros. Migrando para as marcas, conclui Cecília, elas têm valor à medida que nos posicionam diante do mundo, nos mostrando de uma certa forma.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso destacou-se também a importância das ideias da antropóloga Lilia Schwarcz, enfatizando a necessidade de entender a identidade cultural para a construção de marcas eficazes. Segundo Cecília, “as ideias de Lilia são cruciais para sairmos de uma visão autocentrada de mundo, para entendermos nossas raízes, nossa cultura de forma profunda”.

A Marca do Sua Marca

O principal ponto do comentário foi a importância de entender e aplicar conceitos teóricos de branding para criar marcas que não apenas identificam produtos, mas que entregam promessas e criam valor emocional e social para os consumidores.  

Fazer essa leitura a partir do conhecimento de grandes autores é lembrar uma das frases usadas por Jaime Troiano dita por Isaac Newton:

“Se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes”

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior

Perdi o controle. Alguém encontrou?

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Imagem gerada por Dall-E

Previsibilidade. Saber o que vai acontecer. Preparar-se para o futuro.

Ter o controle sobre os acontecimentos da vida é um sonho desejado por todos nós. Sentir a segurança de que “as coisas darão certo”, “estarei preparado pra tudo”, “não corro riscos” – realmente, seria nosso mundo ideal. Nele, não precisaríamos sentir medo ou ansiedade ou insegurança… teríamos controle.

Na busca de se aproximar desse cenário, é comum que as pessoas façam planejamentos cautelosos, tentem antecipar qualquer risco e “resolvê-lo”, vigiem o comportamento dos outros e dêem comandos de como eles devem agir, não aceitem mudar os planos, ocupem a cabeça com muitas e muitas preocupações – tudo para “evitar o pior”.

E nesse cenário, essas pessoas ficam presas, hipervigilantes, tensas, com um sentimento frequente de que algo ruim acontecerá a qualquer momento – não pode relaxar!

A ansiedade vira um estado constante e o corpo sofre com cansaço e dores; a mente sofre com irritação e desatenção; a alma sofre com angústia sem fim.

Não perdemos o controle… porque, no fundo, nunca o tivemos. Mudanças são umas das poucas certezas da vida – tudo muda e sem previsões exatas.

Saída melhor é treinar a flexibilidade e a adaptação; saída melhor é admitir essa verdade e se fortalecer emocional e mentalmente, para lidar com os reveses da vida.

Ninguém tem o controle – mas todos têm habilidades para sobreviver e bem viver. Coragem.

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: orgulho e cantoria, aos trapos e farrapos

Grêmio 0x2 Bragantino

Brasileiro – Couto Pereira, Curitiba/PR

Torcedor gremista no Couto Pereira, foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Eram mais de 60 minutos de jogo jogado e a narradora da Globo Isabelly Morais tascou um “a torcida do Coritiba (?) canta forte”. Ato falho de quem assim como a maioria de nós vivenciamos esta partida de futebol cercada pela estranheza. 

O time da casa não estava em campo; o time que tinha o mando do campo não estava em casa; e a maior parte da torcida que ocupou as arquibancadas veio de fora para apoiar seu time que não tem casa para jogar.

Quando ouviu a cantoria forte ressoando pelas arquibancadas do estádio Couto Pereira, em Curitiba, a narradora foi traída pela memória. Com sua voz sempre bem colocada, trocou Grêmio por Coritiba, sem perceber nem corrigir. Falha justificada: convenhamos, por que seriam os gremistas a cantar forte naquela “altura do campeonato” em que seu time perdia por dois a zero e pouco havia a fazer para desfazer o placar? Só se fossem loucos! Em tempo: somos.

As circunstâncias que levam o Grêmio a disputar sua segunda partida em três dias, após ter juntado seus trapos e farrapos nas enchentes do Rio Grande do Sul, seguiram a surpreender a promissora narradora de futebol da Globo. 

Quando o jogo se encerrava e o resultado estava sacramentado, o editor de TV cortou a cena para a arquibancada onde se concentravam a maior parte dos quase sete mil torcedores que foram ao estádio. Isabelly fez o que lhe cabia: na descrição da cena, disse que o torcedor gremista festejava. Mais não disse porque talvez não tenha entendido bem o que comemorávamos.

Que fique claro, caro e cada vez mais raro leitor, esta Avalanche não se escreve para criticar a narradora da boa safra de vozes femininas que surge no jornalismo esportivo brasileiro. Apenas usa-a como personagem para justificar como tem sido e ainda será estranha a nossa vida nos próximos três meses, ao menos —- foi a previsão mais otimista que ouvimos do presidente Alberto Guerra, em entrevista que se antecipou a partida desta tarde, em Curitiba. 

O Grêmio está condenado a levar seu mando de campo para um estádio distante do Rio Grande do Sul. Fez isso na decisiva partida pela Libertadores, na quarta-feira à noite, e conseguiu golear seu adversário e transformar o Couto Pereira em uma espécie de Olímpico Monumental redivivo. Deve repetir a façanha semana que vem contra o Estudiantes: se Deus quiser ainda com chances de classificação à próxima fase da competição. Dependerá de vencermos a batalha de Talcahuano, no Chile, na terça-feira.

Mobilizar seu torcedor e levar mais de 20 mil ou até 30 mil pessoas tão distante de Porto Alegre, muitos com dificuldades de transporte e infraestrutura para deixar o Rio Grande do Sul, é tarefa superlativa. Por isso, já se esperava menos pessoas na arquibancada do Couto Pereira, na partida deste sábado. Sabíamos que enfrentaríamos nosso adversário em condições de desigualdade. Em campo, teríamos de contar com reservas, recém reunidos para treinar e, portanto, pouco entrosados. 

Apesar deste cenário de esfarrapados e desabrigados, do qual somos protagonistas, a cantoria que confundiu a narradora e a festa que se fazia nas arquibancadas, registrada pelas imagens da TV, não era nem do time da casa, o Coritiba, nem do time que vencia a partida, o Bragantino. Era do Grêmio. Dos torcedores gremistas que reconhecem o esforço que fazemos para cumprir nossas obrigações no futebol.

Os torcedores gremistas cantávamos a vitória de estarmos de volta aos gramados e o orgulho de sabermos que, independentemente, das condições que nos submetam jamais fugiremos da luta. Mesmo que estejamos aos farrapos.

Mundo Corporativo: faça da vulnerabilidade a sua força, recomenda Roberta Rosenburg, da F.Lead

Roberta Rosenburg é entrevistada no Mundo Corporativo, foto: Priscila Gubiotti

“As pessoas estão mais carentes de serem escutadas, de serem entendidas, de serem validadas. Então, aquela empresa que conseguir tocar o colaborador como ser humano, essas empresas vão voar.”

Roberta Rosenburg

A habilidade de se conectar genuinamente com os colaboradores é cada vez mais crucial para o sucesso das organizações. Esse foi o principal tema abordado por Roberta Rosenburg, CEO e Co-Fundadora da F.Lead, durante sua entrevista ao programa Mundo Corporativo. A consultora destacou a importância de reconhecer e trabalhar a vulnerabilidade nas organizações como uma estratégia para desenvolver líderes mais eficazes e humanos.

Desenvolvendo a vulnerabilidade como força

Roberta Rosenburg iniciou a conversa falando sobre a necessidade de criar um ambiente onde a vulnerabilidade seja vista como uma força, não uma fraqueza. “Como é que eu crio essa vulnerabilidade? Você vai se mostrar ser humano. Eu sempre falo: escolhe as histórias que você quer contar, pensa antes de falar, se cuida, porque a gente precisa se cuidar. Então, é uma vulnerabilidade sendo cuidada. Eu me cuido. Mas eu posso ser vulnerável também”, explicou.

Ela ressaltou que as empresas que conseguem tocar seus colaboradores como seres humanos, escutando e validando suas necessidades, serão aquelas que prosperarão no futuro. Segundo Roberta, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal tornou-se uma demanda ainda mais evidente após a pandemia. “As pessoas estão mais carentes de serem escutadas, de serem entendidas, de serem validadas e elas mesmas se questionam isso. Então, aquela empresa, daqui para o futuro, que conseguir tocar aquele colaborador como ser humano, essas empresas vão voar.”

O papel da comunicação na liderança

A comunicação eficaz foi destacada como uma competência crucial para os líderes modernos. Roberta argumentou que a vulnerabilidade também passa por reconhecer os próprios limites e se comunicar abertamente sobre eles. “O líder precisa fomentar esse ambiente, como? Conversando. Muitas vezes a gente não fala as coisas óbvias”, disse ela.

Ela acrescentou que a habilidade de um líder em tratar com situações difíceis, como a mudança de um projeto estratégico, depende de sua capacidade de se conectar com sua equipe de forma transparente e empática. “O líder precisa realmente estar vulnerável ali, reconhecer que talvez aquele projeto não seja o melhor para a empresa e comunicar isso de forma que a equipe se sinta valorizada pelo esforço feito.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Avalanche Tricolor: a catarse de um retorno e a certeza de que somos o Rio Grande do Sul!

Grêmio 4×0 The Strongest

Libertadores – Couto Pereira, Curitina/PR

Foto: Lucas Uebel/RS

Catarse, liberação de emoções ou tensões reprimidas. É o que está no dicionário. É como a psicologia explica. É o que justifica cada uma das muitas lágrimas que verti no rosto nesta noite em que o Grêmio retornou ao futebol, um mês após o início de uma tragédia jamais vista por todos nós, no Rio Grande do Sul. 

Espero que minha turma aqui de casa não leia essa Avalanche. Porque não sei como entenderia as sensações que vivenciei. Não era apenas a um jogo de futebol que assistia. Ou assistíamos, dado que milhares de outras pessoas como ‘nosotros’ presenciaram essa mesma experiência. E devem ter chorado a cada minuto de bola rolando.

Solucei no gol de Soteldo, ainda no primeiro tempo, que mostrou aos gaúchos que os que peleiam, recusam a falência da esperança. Choraminguei em seguida a bola de João Pedro encontrar as redes, em um chute de destino improvável. Lacrimejei na certificação da vitória que se fez graças a insistência de Galdino. Debulhei-me quando Gustavo Nunes roubou a bola no meio do campo, driblou todos que se atreveram a surgir no seu caminho e bateu para definir a goleada mais significativa da história do Grêmio. .

O guri que comemorou o feito com um sorriso no rosto e o abraço de seus colegas, há menos de um mês era um dos sobreviventes da maior enchente que atingiu o Rio Grande do Sul. Deixou as dependências do Grêmio, ao lado de seus colegas, com água barrenta cobrindo a cintura. Seu companheiro de ataque, Diego Costa, despendeu energia e coragem para salvar pessoas ilhadas nas enchentes e abrigar em sua casa gente que acabara de ver a vida submergir. 

Assim como Gustavo e Diego, cada um daqueles jogadores que estiverem em campo ou fizeram parte do elenco, na noite desta quarta-feira, em Curitiba, tinha uma sofrência na memória: o amigo desabrigado, o conhecido desalojado, o vizinho que morreu, o colega de trabalho que quase tudo perdeu. 

Nas arquibancada, não menos sofrido, o torcedor gremista fez do Couto Pereira um Olímpico Monumental redivivo. Os trapos que adornaram o estádio, assim como as bandeiras do Grêmio, do Rio Grande e do Coritiba, que nos abrigou, acolheram não apenas o nosso time, mas cada gaúcho que sofre a dor da perda e do desespero nestes dias tão difíceis.

Envolto nesse sofrimento que acumulamos nos últimos 30 dias, ver o Grêmio jogar como jogou e ganhar como ganhou, me fez chorar. Não pelo Grêmio em si — o que, convenhamos, não seria pouca coisa. Foi um misto de felicidade e tristeza. 

Chorei por descobrir como podemos ser persistentes e resilientes, mesmo diante de todo o sofrimento que nos assola.

Chorei pelas famílias que sofrem sem entender que futuro terão; pelas pessoas que perderam pais e mães, filhos e filhas, tios e avós; pelos 169 mortos até agora confirmados e por tantos outros que se confirmarão.  

Chorei pelos registros de vida que subitamente se perderam na correnteza; pela angústia do irmão e da irmã, do sobrinho e da sobrinha, da cunhada e de todos demais da família. Chorei pela casa de minha infância que foi ameaçada. Pelo bairro em que morei. Pelas ruas que andei.

Chorei! E chorei porque, nesta noite, fui lembrado que o meu Rio sempre será Grande!

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: infidelidade é a marca do consumidor

Photo by Nirmal Rajendharkumar on Pexels.com

“Existe uma disputa de bastidores entre consumidores e empresas, uma disputa entre lealdade e independência. Quem ganha esse cabo de guerra?” Jaime Troiano

Jaime Troiano

O desejo legítimo de liberdade de escolha do consumidor e a busca constante das marcas na conquista da fidelidade dele geram tensões que precisam ser mediadas pelos gestores. E para tanto é preciso entender o comportamento desse consumidor. Para refletur sobre esse tema, Jaime Troiano e Cecília Russo, começaram o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, perguntando o que os ouvintes mais valorizavam: a lealdade às marcas ou a independência. 

Diante da experiência e do conhecimento ao longo de muitas jornadas dedicadas ao branding, Jaime Troiano aposta na segunda opção: “creio que a vontade de ser independente ganha de lavada. Uns 10 a um, pelo menos”.

Jaime explica que, embora algumas marcas ofereçam conforto e segurança, a maioria dos consumidores prefere a liberdade de escolha. Ele menciona Martin Lindstrom, autor do livro “Brandwashed”, que tentou um “brand detox”, ficando quatro meses sem usar marcas recorrentes, mas não conseguiu. Para Jaime, essa experiência destaca a tensão entre fidelidade e independência: “A realidade é que as empresas apostam e investem em fidelidade e nós, consumidores, queremos independência, liberdade de escolha”.

Cecília Russo complementa com dados da Auditoria de Marca, usada pela TroianoBranding, um estudo realizado por 28 anos, envolvendo 4.800 marcas. Ela descreve a metodologia que divide os consumidores e identifica qual o percentual de cada um desses grupos, considerando os dados coletados até agora: 

  1. Desconhecimento: 31% dos consumidores não conhecem a marca.
  2. Rejeição: 9% conhecem a marca, mas a rejeitam.
  3. Familiaridade: 53% estão na zona de “nem fede nem cheira”, ou seja, conhecem a marca, mas não têm uma opinião forte.
  4. Preferência: 4% preferem algumas marcas específicas dentro de uma categoria.
  5. Idealização: 3% são apaixonados pela marca, recomendam e são leais incondicionalmente.

Ou seja, apenas 3% dos consumidores não abrem mão de alguma marca de forma absoluta. “São indicadores muito fortes para mostrar que consumidores são cada vez mais voláteis em nosso mundo. Eles vão e voltam para uma determinada marca. Mas um casamento definitivo é raro. Sempre dão uma escapadinha”. 

A voz do consumidor, lembra e cantarola Jaime Troiano, está nos dizendo sempre algo que lembra muito a canção do saudoso Aldir Blanc: “Não põe corda no meu bloco, não vem com teu carro-chefe, não dá ordem ao pessoal. Não traz lema nem divisa, que a gente não precisa que organizem nosso carnaval…” 

A marca do Sua Marca

A principal marca do comentário é a evidência de que, no cenário atual, consumidores estão cada vez mais voláteis e independentes. A lealdade incondicional a uma marca é rara, sendo que a maioria prefere experimentar novas opções antes de decidir. As empresas precisam reconhecer essa realidade e adaptar suas estratégias de branding para manter a relevância e atratividade.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

O rádio de madeira no balcão de casa

Por Christian Jung

 Este texto foi escrito originalmente para o site Coletiva.Net

O rádio SEMP em que ouvia o pai. Foto: Arquivo Pessoal

Na casa onde nasci e ainda moro, no período que tinha família com mãe, pai e irmãos morando juntos, havia um rádio de madeira da marca SEMP. Ficava em lugar privilegiado sobre o balcão da sala de jantar. Era nesse aparelho que ouvíamos as notícias, ao longo dos dias. Além da programação musical e os jogos de futebol.

Não por acaso, o rádio sempre esteve muito presente em minha vida e dos meus irmãos: era dentro daquela caixinha de madeira que nós escutávamos a voz do pai. Ele era o locutor do principal noticiário do rádio gaúcho, o Correspondente Renner, e narrador esportivo. O forte apelo emocional que o futebol tinha sobre o público e o fato de o rádio ser o único veículo a levar ao ar as emoções da bola, naquela época, faziam dos narradores esportivos, personalidades.

O pai era famoso pela precisão e velocidade na locução; e o jargão mais conhecido dos torcedores era o grito de gol: “Gol, gol, gol!”. E assim, por muitas vezes, quando andava com ele pelas ruas de Porto Alegre, escutava as pessoas gritando do outro lado da calçada:  “Milton Jung, o Homem do Gol, Gol, Gol!”

Mas voltemos ao SEMP. 

A imagem do velho rádio, que revi dia desses, me remeteu à ingenuidade da minha infância. Escutava o pai mais de uma vez por dia lendo as notícias “chatas de adultos”, que nada resolviam os meus problemas de criança. E diante dos meus momentos de malcriação, a mãe me repreendia e lembrava que o pai, dentro daquela caixinha, estava me escutando. 

Mesmo não achando muito provável, ao menos em frente ao rádio, procurava manter o silêncio. Era uma época em que a figura paterna impunha muito respeito. E os pais costumavam cobrar de forma austera. A bem da verdade, o pai não era desses de dar grandes broncas.

Apesar de desconfiar que estava sendo ludibriado, um fato me deixava em dúvida: ao voltar para almoçar em casa, o pai já sabia de tudo que eu havia aprontado. E ainda me chamava com o seu vozeirão: “Christian, o que aconteceu hoje?”. A ideia de que o rádio teria me delatado persistia. Sem perceber que era a mãe quem me entregava assim que ele chegava em casa. Por um bom tempo respeitei a caixinha de madeira da sala de jantar.

Hoje, é meu irmão que ocupa o espaço – dentro da caixinha de madeira – aliás, dentro do rádio e em rede nacional, mas meus sobrinhos não sofrem do mesmo terror – bem mais espertos e comportados do que o tio, logicamente. 

Sem contar que o modelo “rádio de madeira” virou item de colecionador. Atualmente, são várias as plataformas que permitem a transmissão das notícias e levam a informação a locais muito mais distantes. Não se corre mais o botão do dial para sintonizar a emissora preferida. Basta apertar a tecla ou usar o comando de voz para se ouvir a rádio e o locutor desejados.

Se acessar as notícias ficou mais fácil, o mesmo não se pode dizer da tarefa de unir a família no almoço. Ainda mais quando, na maioria das vezes, as cabeças sequer olham as panelas sobre a mesa porque estão afundadas na tela do celular.

Para que não seja indevidamente difamado: lá em casa, não aprontei muito, e aprendi de mais sobre o poder da comunicação.

Este texto foi escrito, originalmente, para o site Coletiva.Net

Christian Jung é publicitário, locutor e mestre de cerimônias (macfuca@gmail.com)

Mundo Corporativo: Marcus Teles revela estratégias da Livraria Leitura para prosperar em tempos de crise

Nos bastidores do Mundo Corporativo, foto de Pricisla Gubiotti

“A austeridade e a independência financeira são nossas maiores fortalezas.”

Marcus Teles, Livraria Leitura

Com a concorrência acirrada de gigantes do e-commerce e as crises econômicas que desafiaram o mercado nos últimos anos, manter uma rede de livrarias no Brasil parece uma tarefa gigantesca. E é mesmo. No entanto, a Livraria Leitura além de sobreviver, também prosperou nesse cenário desafiador. Este é o tema central da entrevista de Marcus Teles, CEO da Livraria Leitura, no programa Mundo Corporativo.

Marcus Teles compartilhou as estratégias que levaram a Livraria Leitura a se tornar a maior rede de livrarias do país. “Nós crescemos mais nas crises,” afirmou Teles, explicando que a empresa sempre optou por operar com capital próprio e sem dívidas. Essa abordagem permitiu que a Livraria Leitura enfrentasse turbulências econômicas com mais resiliência do que muitos concorrentes.

Concorrência e Adaptação

Uma das grandes lições de Teles é sobre como enfrentar a concorrência de grandes multinacionais. “Aquelas que quiseram brigar no preço e vender mais barato do que uma multinacional foram por um caminho de confronto difícil de vencer,” ressaltou. Ele destacou que a Livraria Leitura sempre priorizou a experiência do cliente e a formação de uma equipe bem treinada, capaz de oferecer recomendações personalizadas e atendimento de alta qualidade.

Para Teles, a chave do sucesso está na capacidade de adaptação e na austeridade. “Se a loja deu prejuízo no segundo ano, muitas vezes chegamos ao dono do imóvel ou ao shopping e negociamos uma redução de aluguel. Se isso não acontece, a loja é fechada,” contou ele, mostrando a firmeza nas decisões que ajudam a manter a saúde financeira da empresa.

O Crescimento da Leitura no Brasil

Teles trouxe uma perspectiva otimista sobre o hábito de leitura no Brasil, especialmente entre os jovens. “Nós esperávamos que, com a digitalização, os jovens fossem menos adeptos ao livro impresso. Na verdade, foi o contrário: eles leem muito hoje,” disse ele. A popularidade de séries e a influência de plataformas como o TikTok têm contribuído para esse crescimento.

Outro ponto destacado foi a importância das livrarias físicas. “A livraria é um contato de convivência,” explicou Teles. Ele acredita que, apesar do crescimento das vendas online, as livrarias oferecem uma experiência única que atrai leitores interessados em novidades e em um ambiente propício à descoberta de novos títulos.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: Vila Mariana me sapecou um desgosto

Rubens Cano de Medeiros

Ouvinte da CBN

Photo by Burak The Weekender on Pexels.com

Primeiro, um descuido. Subsequente, teimosia. E, arrematando a
costura, dúplice insensibilidade e grosseria. Pronto! Eram os
ingredientes da minha “tragédia”.

Daquele bonde camarão, nem senti raiva. Já do motorneiro… E do
motorista – lembro bem – do Fordinho Prefect verde, ah…

Meu quinhão de sangue ibérico levou-me a rogar, aos dois, várias
pragas! Que, como sói acontecer com imprecações, são inúteis, inócuas:
até aumentaram minha raiva…

Descuido que, meia horinha mais, revelar-se-ia fatal. Tínhamo-nos
esquecido – eu e meus pais, à saída, de travar o portão com a tramela.
Sem que notássemos, a danadinha pôs-se a nos seguir. Na nossa
caminhada, subidona da José Antônio Coelho a fora.

Meu sobrenome Cano – foneticamente mal aportuguesado, do castelhano –
motivava que perguntassem: “Você é filho de ISPANHÓR?”. Não era. Mas
neto, sim.

E completavam. “Espanhol é tudo teimoso!”. Minha mãe, fila de
imigrantes da Andaluzia, a Isabel Cano, ela teimava e contrariava! Eu
até que muito insisti, no percurso.

“Manhê! Vâmo voltar, prender ela no quintal…”. Mas qual! Minha mãe
retrucava: “NÃÃÃO! Ela volta, sozinha!”. Voltou? Seguiu-nos até os
trilhos da Domingos de Morais. Até a placa branquinha, PARADA DE
BONDE, no alto, perto de fio trólei.

Lembro nítido! Era 25 de janeiro – íamos passear no Centro. Eu,
moleque, naquele feriado, algum ano da década de 50, não longe de ter
passado o IV Centenário.

Revejo, de memória. Então, o bonde camarão chegou. Um, da linha 101 –
Santo Amaro. De letreiro Praça João Mendes.

A porta da frente se nos abriu – subimos. Incontinenti, ela nos quis
seguir – até botou as patinhas no degrau de ferro, dobrável, da
própria porta. Mas…

O maldoso motorneiro, vendo, fechou abruptamente! Lançou o animalzinho
à frente do carro, cujo maldoso motorista sequer diminui a velocidade:
PLAFT! Doloso, matou! Minha mãe bradou: “Não olha!”. Eu? Horrorizado,
vi tudinho.

De fato, permitiam-se carros no contrafluxo de bondes; porém bastava
frear… Num átimo, aí fechei os olhos. As lágrimas que chorei ainda
gotejavam na triste volta… A cachorrinha jazia nos
paralelepípedos…

Naquele festivo 25 de janeiro, Vila Mariana me sapecou um desgosto.

À época, moleque, eu adorava folhear – ler, mesmo – a bela A Gazeta.
Cujas edições comemorativas nos 25 de janeiro traziam lindas
ilustrações e nitidíssimas grandes fotos em preto e branco – me
encantavam!

Sem exagero, eu lia inclusive… a página policial! Página que – hoje
suponho – bem poderia, no dia seguinte à tragédia, ter estampado uma
certa manchete…

“FERIADO MANCHADO DE SANGUE – BONDE E CARRO ASSASSINOS – POIS NEM
SEMPRE O HOMEM É O MELHOR AMIGO DO CÃO”.

No 25 de janeiro seguinte… Que bom! Outro cãozinho já tinha me vindo
– cicatrizar o coração… 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Rubens Cano de Medeiros é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.