Pais, onde estamos na vida de filhos com deficiência?

Christian Müller Jung

Foto de Dobromir Dobrev

Esses dias assistindo a um desses programas dominicais na televisão deparei com mais uma reportagem a respeito da criação de filhos com deficiência.

Sem surpresa na abordagem. Lá estavam, novamente, duas coisas que me incomodam quando o tema é tratado. Primeiro, a figura paterna não existe. Segundo, o amor pelos filhos com deficiência é colocado em uma escala acima daquele que se tem pelos filhos sem deficiência.

Vamos partir do princípio que todo filho é uma dadiva. O amor incondicional não passa a existir com a presença ou não de uma deficiência. Existe porque existe. Porque se ama. Se é que você me entende!

Evidentemente, o envolvimento com o filho deficiente tem maior intensidade em razão dos cuidados, físicos e psicológicos, que ele exige. Ter um filho deficiente mesmo que seja uma escolha, como no caso de adoção, não é tarefa fácil! Deixe-me, porém, voltar ao assunto dos pais.

Como sou pai de uma menina deficiente, eu sei e já vi muitas dessas histórias de pais que pulam fora quando o problema surge. Não suportam o tanto de dedicação e paciência que é preciso, porque a partir daquele momento, em muitos casos, não se terá um filho que será independente quando chegar na fase adulta. Teremos alguém que vai precisar da gente para o resto de nossas vidas. Tem-se ainda a real preocupação do que será deles e quem os cuidará, já que pela expectativa de vida nós iremos embora antes deles. Não é coisa pra gente fraca!

Porém, conheço muitos pais que são exemplo de dedicação. Pais que casam com mulheres que já tem um filho deficiente e foram deixadas de lado no primeiro casamento por este motivo.

Pais que assumem com o maior carinho esse filho como sendo seu de sangue. Superam qualquer problema futuro em nome de um amor e dedicação. Pais que dividem a tarefa pesada da criação de um filho deficiente com a mãe dando equilíbrio a um casamento que algumas vezes se abala com esse inesperado acontecimento e que ninguém saberá lhe dar apoio a não ser o próprio tempo.

Eu sei o que fiz pela minha filha e o que venho fazendo. Quando ficamos sabendo que teríamos uma menina, pintei todo o quarto, montamos tudo para recebê-la da melhor forma. Por quase dois meses, com ela em coma, tinha que passar pela porta e ver o berço vazio sem saber se algum dia ela iria deitar ali. Lembro de quantas noites, depois dela ter chegado em casa, dormi no chão ao lado da cama com medo que ela tivesse uma convulsão como tantas que já tivera no hospital. Medo que parasse de respirar ou qualquer coisa do tipo. 

Você se dedica, se envolve, compartilha funções com a mãe, o casal enfrenta todas as barras pesadas que surgem no seu caminho e quando chega ao médico – e fomos há muitos neste tempo todo – você é considerado apenas uma figuração. O pai participativo não existe para aquele especialista. É como se falássemos com as paredes.  Eles olham e prestam atenção na mãe. O pai não existe, mais ou menos assim como nas reportagens da TV.

Claro que nem todos os médicos agem desta maneira, mas é preciso que se saiba que nem todos os pais agem da mesma maneira, também. É necessário entender a realidade de cada família.

Agora, pense comigo, se até profissionais acostumados com o cotidiano das crianças com deficiência nos tratam assim, imagine na reportagem da televisão.

Como escrevi logo no início, o outro aspecto que me incomoda é maneira como os filhos com deficiência são descritos. Por favor, não me veja como alguém cruel. Mas essa áurea de algo especial é muito mais bonita nas reportagens do que no dia a dia de quem se dedica a buscar uma melhor qualidade de vida aos seus filhos. E de forma geral as abordagens referentes aos filhos com algum tipo de problema é que eles são muito especiais. Sim, é lógico que são! Como todos os filhos são especiais para nós! Todos exigem cuidado, atenção e dedicação. 

Sem dúvida, quem tem maiores limites exigirá mais do que os que caminham e pensam por conta própria. Aliás, um alerta: é preciso cuidar muito desses que caminham e pensam por conta própria, porque eles também correm o risco de serem esquecidos em detrimento dos filhos com deficiência. E sabemos como é importante e necessário a atenção dos pais nas diversas fases da vida, sabemos das carências que eles tem, das dúvidas, das contradições que a infância e a adolescência nos impõe.

Não quero com este texto que você pense que sou um pai revoltado ou desgostoso com o que a vida me preparou, mas quero sim que saiba que a vida que levamos com os filhos deficientes é muito diferente de uma propaganda de margarina. Muito diferente da maioria das reportagens que assistimos. É uma vida dura, sim. Por vezes, é triste. É de eterna adaptação, é de estado de alerta. Muitas vezes temos de nos levar a superação para tolerar até mesmo comportamentos intempestivos. Fazemos de cada limão uma limonada. Tentamos tornar os dias o mais próximo do que idealizamos para eles. E, claro, também, sorrimos, nos emocionamos e comemoramos. 

Porque somos pais presentes, existentes! 

Christian Müller Jung é publicitário de formação, mestre de cerimônia por profissão e pai da Vitória e do Fernando. Colabora com o blogo do Mílton Jung — o irmão dele, com muito orgulho.

A difícil arte de não ser perfeita

Abigail Costa

@abigailcosta

Foto de Ramakant Sharda

Esse assunto vira e mexe está nos meus pensamentos, nas sessões de terapia, nas conversas com os amigos mais pacientes. Ninguém nunca de disse de forma direta: “você tem que ser ótima para ser aceita!”. Mas eu, sim, já disse para mim mesma várias vezes. Não com todas essas palavras “VOCÊ TEM QUE SER ÓTIMA” — talvez com quase todas.

Percebi  essa autopressão quando resolvi voltar à faculdade para um MBA,  anos atrás. Era pra ser um curso leve, gostoso, diferente: Gestão do Luxo, com duração de dois anos. Em três meses, os primeiros sintomas apareceram de forma tão dura e doída que fui parar no pronto-socorro. As dores no estômago eram persistentes tanto quanto a vontade em ser a melhor aluna do curso. 

Depois de muitas conversas com o Gastro e alguns dias de internação no hospital, me lembro do Dr Arthur Ricca ter sentado ao meu lado na cama e dito” “você não tem nada além de uma gastrite xexelenta; para de querer ser perfeita e vai cuidar da sua cabeça!”. 1×0 para o médico. Não entendi nada, mas fiquei feliz em não ter algo grave. Terminei o MBA com nota máxima e muitas cartelas de ansiolíticos.

Passados anos desse episódio, volto outra vez às cadeiras da faculdade para uma segunda graduação. Mal sabia que retornaria ao inferno já no primeiro mês de estudo.

São cinco anos para o curso de Psicologia, e logo percebi que novos sintomas estavam se instalando — insônia, aperto no peito e um medo terrível de ser desmascarada. Do quê? De não ser boa o suficiente!

Por causa dos meus cabelos grisalhos, já no primeiro dia de aula, de passagem no corredor, alguém me perguntou, você é professora? Bastou para ascender todas as luzes do “preciso ser perfeita”. Todas as disciplinas eram minuciosamente transcritas para o caderno (sim, eu gravava as aulas), além das anotações em sala de aula — inclusive, os suspiros dos professores… vai que eles sinalizavam alguma palavra não dita.

Me recordo de ter terminado um dia com as costas travadas. Fui parar na maca de uma massagista brilhante que não precisou de muita conversa para que ela me perguntasse: “por que você quer competir com você mesma? Qual a necessidade disso?”.

De novo tinha consciência do abismo em que eu despencava em queda livre mas não tinha a mínima ideia de como acessar o manual do paraquedas e voltar ao curso normal do voo.

Veio o isolamento social e o que estava ruim, degringolou. Pensava e dizia: “Não preciso provar nada pra ninguém!”. Ok! Mas ninguém me cobrava nada. O problema é que não conseguia ser eu mesma, tinha que ser a melhor, tinha de usar um personagem e personagem representa, é cansativo. Nesse meio tempo, conversava com amigos mais próximos ou não, com irmãs e terapeutas e descobri que essa necessidade de perfeição não vinha só com os  estudos, era no trabalho, em casa, na vida!

Pra começar, precisei de ajuda para reconhecer essa tarefa impossível de querer estar sempre em primeiro, da necessidade em sempre ser a primeira. Verdade que a parte mais fácil é reconhecer, aceitar — na prática tem sido um dia de cada vez. E confesso que embora seja difícil chega a ser engraçado. 

Agora, por exemplo, faço uma pós-graduação em Gerontologia (a ciência que estuda o envelhecimento). Não vou esconder que ainda transcrevo minhas aulas para o caderno. Estou melhorando, já não gravo mais! Pois bem, em um daqueles testes odiosos de “assinale a opção incorreta”, não prestei atenção e errei uma questão.  Fiquei sem a nota 10. Quando percebi ali o gatilho para desencadear um sofrimento e acabar com a minha tarde de férias, falei em voz alta (eu tenho essa mania): “Big, por favor, deixa disso, é só uma avaliação! Isso é perfeccionismo!”. 

Ao falar comigo mesmo, voltei para o meu “só por hoje”.  Sou boa! Só por hoje, eu não preciso ser perfeita!

E você? É perfeita? 

Abigail Costa é jornalista, tem MBA em Gestão de Luxo, é estudante de Psicologia na FMU, faz pós-graduação em Gerontologia, no Hospital Albert Einstein, e escreve como colaboradora a convite do Blog do Mílton Jung.

Quando vale mais a pena usar o ChatGPT e o Bard, segundo o ChatGPT e o Bard

Por Mia Codegeist  

O Google lançou seu chatbot com inteligência artificial acirrando ainda mais a concorrência neste segmento que explodiu com a popularização do ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI. Nessa batalha, o usuário é quem levará a melhor pois além de ganhar novas opções também assistirá aos concorrentes buscando um desenvolvimento mais veloz e o surgimento de funcionalidades cada vez acessíveis. É importante saber que conforme a necessidade, o melhor é usar uma ou outra ferramenta. Talvez, as duas, como fizemos para escrever este artigo.

Entrevistamos os chatbots

Em “entrevista” com os dois principais competidores no mercado, fomos saber porque devemos usar um ou outro serviço: o ChatGPT ou o Bard?. E, em seguida, aplicamos os argumentos de um contra o outro para testar suas respostas. Com base nessa sequência de informações, pedimos para que cada uma das ferramentas oferecesse ao leitor um resumo dos argumentos e contra-argumentos apresentados. 

O que dizem Bard e ChatGPT

“No geral, Bard é um modelo de linguagem mais avançado e poderoso do que ChatGPT. Se você está procurando um LLM que possa fornecer respostas abrangentes, informativas e atualizadas a um amplo espectro de prompts e perguntas, Bard é a melhor escolha”.

Bard

“Embora o Bard possa oferecer vantagens específicas em termos de tamanho do conjunto de dados e acesso à Pesquisa Google, o ChatGPT também é capaz de fornecer respostas relevantes e informativas, realizar tarefas e ser versátil. A escolha entre os dois modelos dependerá das necessidades e preferências individuais.”

ChatGPT

O que concluímos dessa conversa com a IA

  • Bard e ChatGPT são modelos de linguagem grandes (LLMs) treinados em conjuntos de dados extensos de texto e código.
  • Bard é treinado em um conjunto de dados 10 vezes maior do que o utilizado para treinar o ChatGPT, o que resulta em um vocabulário maior e capacidade de entender e responder a uma gama mais ampla de prompts e perguntas.
  • Bard pode acessar e processar informações do mundo real por meio da Pesquisa Google, permitindo respostas mais abrangentes e atualizadas.
  • Bard está em desenvolvimento e já aprendeu a realizar várias tarefas, como seguir instruções, responder perguntas abertas e desafiadoras, gerar diferentes formatos de texto criativo, entre outros.
  • O ChatGPT também pode realizar muitas dessas tarefas, mas o Bard é considerado mais capaz e versátil.
  • O ChatGPT é maior em tamanho, com 175 bilhões de parâmetros, em comparação aos 1,2 bilhões de parâmetros do Bard.
  • O ChatGPT exibe mais diversidade nas respostas, enquanto o Bard prioriza respostas mais coerentes e informativas.
  • O ChatGPT é mais adequado para conversas longas e complexas, mantendo a coerência ao longo da interação. 

Erros e viéses dos chatbots:

Na primeria resposta oferecida pelo ChatGPT, um erro crasso que identificamos foi que o chatbot da OpenAI conclui ter “uma compreensão mais atualizada de eventos e informações” logo depois de informar que seu “corte de conhecimento” é setembro de 2021 e o do Bard, março de 2023. Ou seja, usa uma informação correta e conduz a uma lógica errada.

Ao ser provocado a comparar seus serviços e solicitado a resumir mensagens publicadas com conteúdo desenvolvido pelo concorrente, o Bard apresenta informações com viés de confirmação, fenômeno que  ocorre devido à tendência em incluir apenas dados que concordam com as suas crenças pré-existentes ou apoiam as suas hipóteses.

Duas dicas para você:

  1. A escolha entre os dois modelos depende das necessidades e preferências individuais, como aliás lembrou o próprio ChatGPT. 
  2. Desconfie sempre das informações e verdades oferecidas por esses serviços de Inteligência Artificial. IA mente conforme sua conveniência — assim como IH (inteligência humana).

Mia Codegeist é autor que abusa da inteligência artificial para compartilhar conhecimento sobre temas relevantes à sociedade (e alguns nem tão relevantes assim).

Sinta raiva!

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Photo by Liza Summer on Pexels.com

“Sentir raiva é pecado”, “Raiva é um veneno”, “Raiva mata”.

Então… já pequei, já fui envenenada, já morri. 

E, vez ou outra, faço tudo de novo.

Você já sentiu raiva?

Se sim, me conta: você teve escolha?

Te pergunto porque do lado de cá, na minha mente e no meu corpo, a resposta é… não.

A raiva nunca me perguntou se poderia chegar, entrar, ficar. Ela sempre me atropelou tipo um trator desgovernado. É assim até hoje.

Revolta, incômodo, angústia… explosão. 

Raiva é emoção pura, visceral, animal. Não existe escolha.

Fome, sono, respiração… Natureza mostrando quem manda. A raiva está nesse grupo aí – é espontânea e independente da nossa vontade.

A raiva é seu corpo e seu cérebro te dizendo:

“Presta atenção, estão te invadindo, estamos sob ameaça, olha o ataque!” 

No fim, ela quer te proteger. Pra você sobreviver, ela te enche de noradrenalina e de cortisol e te faz uma máquina potente, pra lutar ou pra fugir, mas morrer – jamais.

Então… Sinta a raiva! 

Quando ela aparecer: perceba que ela chegou; dê nome pra ela; ouça de qual ameaça ela está te alertando.

Depois: dê um tempo, enquanto convoca seu córtex frontal, a “Sra. Razão”; construa um diálogo entre os dois.

Uma hora a Raiva fala, em seguida a Razão argumenta… a Raiva se revolta, a Razão pondera…

Pronto. A partir daí, a decisão está tomada – enumere as atitudes, uma a uma, que vão te levar ao resultado que você precisa: se distanciar, conversar num outro momento, tentar outro caminho (porque soltar é mais eficaz que insistir)…

Seja o que for, a Raiva chegou, fez o papel dela – te alertou do perigo – e se foi.

Não precisa temer. A Raiva não é inimiga, nem pecado, nem veneno e, muito menos, morte.

A Raiva é a Vida querendo sobreviver.

Sinta a Raiva. Depois, chame a Razão. E, depois, crie seu plano e caminhe pelo mundo, orgulhoso do seu autoconhecimento e do seu autodomínio.

Os fortes, os sábios, os bons… sentem Raiva, mas fazem dela um motor de Vida.

E então, me diz… Você faz o quê com sua Raiva? Foge… ou sente e vive?

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve este artigo a convite do jornalista Mílton Jung

O ritual do desfazer das malas é o fim de uma etapa e o reinício de outra

Foto de Vlada Karpovich

O primeiro dos três lançamentos do livro “Escute, expresse e fale!”, em Portugal, foi na livraria “Ler Devagar”, em Lisboa. Na sala do segundo andar, ao lado da mesa em que os autores fariam a apresentação havia uma tribuna. A peça foi providenciada pela Escolar Editora, uma exigência de António Sacavém, um dos colegas de escrita. Quis saber da necessidade daquele espaço e meu companheiro lusitano respondeu: “o ritual é importante”. Seria na tribuna, lugar que costumo chamar de púlpito — para desespero dos especialistas em cerimonial —, que o convidado principal falaria com o público: o empresário João Manuel Nabeiro, herdeiro de uma dos maiores grupos empresariais de Portugal, o Delta. Ele estaria sentado ao nosso lado durante todo o evento, mas sua abertura foi solene. No púlpito. Ou na tribuna!

Rituais têm importância nas sociedades porque dão significado e sentido às experiências humanas; proporcionam um senso de conexão e pertencimento, permitindo que as pessoas se unam em torno de valores, crenças e práticas comuns; e são uma forma importante de transmitir e preservar a cultura de geração em geração. Naquele caso, em Portugal, justificava-se a partir de outro conceito bastante comum diante do tema: os rituais são frequentemente usados para celebrar conquistas, marcos importantes e eventos significativos na vida das pessoas. Eles fornecem uma oportunidade para reconhecer e honrar indivíduos ou grupos, promovendo um senso de valorização e inclusão. Os rituais de celebração também desempenham um papel na construção de memórias coletivas e na criação de momentos felizes e memoráveis. 

Foram felizes e memoráveis os momentos que marcaram o início desse meu período de férias ao ter a oportunidade de participar deste que é um ritual na publicação de livros: a sua apresentação ao público seguida de sessão de autógrafos, em especial por ser a primeira vez que experimento essas sensações no exterior. Estive em três cidades portuguesas ao lado de meus colegas autores — o Sacavém que já citei, a Leny Kyrillos e o Thomas Brieu — e para cada um dos públicos falamos dos propósitos que nos uniram e dos ensinamentos que reunimos.

Depois da passagem por Portugal foi a vez de voltar à Itália, terra de onde saiu o bisavô Vitaliano Ferretti que se estabeleceu em Minas Gerais antes de chegar ao Rio Grande do Sul. Havia alguns anos que não visitava o país ao qual frequentei com insistência, desde 1993, graças a uma série de privilégios que tive na vida — desde pessoas para me acolher até facilidades logísticas para se deslocar até lá. Com a pandemia e alguns compromissos anteriores, tive de segurar a saudade até matá-la de vez neste calorento mês de Julho. Oportunidade em que revi locais e amigos para minha felicidade. Aliás, eis um ritual que mantenho em viagens: revisitar lugares em que estive para poder recontar as histórias que vivenciei. É como se ao rever endereços em que já me hospedei ou estive me fizesse reencontrar com o que já fui.

Nesse sábado, às vésperas da retomada ao trabalho, deparei com outro ritual: o desfazer das malas. Pode ser comezinho para muitos. Para mim é ritual que se caracteriza pelo respeito a estrutura e a ordem à vida cotidiana. Faz parte dos rituais que nos ajudam a lidar com a incerteza e a complexidade do mundo moderno, oferecendo previsibilidade e estabilidade. É a forma de marcar o fim de um ciclo, o recomeço de outro. 

Sou incapaz de deixar a mala em um canto da casa a espera de ser desfeita. Tem de ser de imediato. Abro e início de forma disciplinada a separação dos pertences. A roupa para lavar e a que dá para dobrar e guardar; a lembrança de amigos e parentes e as lembranças de viagem; o presente que me dei e os que recebi;  os acessórios que tornaram a viagem acessível e os trocados em moeda estrangeira que restaram — sempre sobram e a gente esquece de levar na próxima. 

A mala desfeita é o ritual que me permite pensar no que virá no dia seguinte. Nos planos que deixei para agora. Nos compromissos que assumi com os amigos durante as férias que se equivalem as resoluções de fim de ano. Os rituais oferecem uma forma de interpretar eventos importantes e ajudam as pessoas a encontrar propósito e significado em suas vidas. Podem abordar questões existenciais, fornecer conforto em tempos de dificuldade e celebrar conquistas e marcos pessoais. 

No ritual do desfazer das malas, comemorei mais uma etapa vencida. Que venham novas! Agora, no trabalho para onde volte nesta segunda-feira!

Mundo Corporativo: Saville Alves, da Solos, mostra como estratégias de ESG e economia circular podem avançar com base na tecnologia

“O que a gente não pode perder de vista é que catador, cooperativa, não fica rico com catação. A gente precisa mudar essas relações de trabalho para que a gente possa ter empreendimentos escaláveis, e que coloquem o Brasil numa ponta de índices de reciclagem”

Saville Alves, Solos

Um dos maiores desafios quando o tema é economia circular é a conscientização do cidadão sobre o descarte correto de resíduos recicláveis. No Brasil, a taxa de reciclagem é muito baixa, cerca de 3%; e 90% do material reciclado é coletado pelos catadores, muitas vezes em condições precárias. Saville Alves, CEO da Solos, identificou esse problema e contou ao Mundo Corporativo como a criação da startup gerou oportunidade para o desenvolvimento de soluções nessa área. Ela é a primeira entrevistada de mais uma série especial sobre ESG — que trata da governança ambiental, social e corporativa.

A Solos é uma startup que trabalha com o descarte correto de resíduos recicláveis e economia circular. Além de conscientizar os cidadãos sobre a importância do descarte correto, a Solos percebeu a necessidade de criar um sistema de inclusão socioeconômica para os catadores e estabelecer parcerias com grandes indústrias recicladoras. Essa abordagem visa costurar todas as pontas da cadeia de reciclagem, desde o cidadão que faz o descarte até o reciclador que transforma o material em novos produtos, utilizando matéria-prima reciclável em vez de matéria-prima virgem.

“O nosso negócio é um negócio B2B, ou seja, ele é uma empresa que vende uma solução para outras empresas, mas a gente parte sempre da premissa da geração do impacto. Seja ela através do aumento de volume de resíduos reciclados, da geração de renda para as populações historicamente excluídas dentro desse processo, e, também, pelo número de pessoas que a gente vai alcançando e vai convertendo para participar das nossas ações”. 

A Solos atua em três frentes principais:

  • a primeira é por meio de experiências e conteúdos sustentáveis, que buscam sensibilizar e engajar o público de forma leve e lúdica.
  • A segunda frente é a gestão de resíduos em grandes eventos, oferecendo consultoria e operação logística para aumentar a quantidade de resíduos destinados à reciclagem.
  • A terceira frente é a implementação de operações de logística reversa e micrologística, garantindo o acesso ordenado e estruturado à coleta seletiva em diferentes regiões do país.

Saville Alves Alves  é uma empreendedora que teve sua trajetória marcada por vivências significativas. Ela estudou comunicação na Universidade Federal da Bahia, onde teve contato com um ambiente de pensamento crítico e começou a questionar os paradigmas sociais. Sua participação em movimentos como o Movimento Empresa Júnior e organizações internacionais, como o TETO, despertaram o desejo de fundar um negócio de impacto. A Solos foi então concebida como resultado desse processo de amadurecimento pessoal e profissional.

O Papel da Tecnologia na Reciclagem

No contexto da reciclagem, a tecnologia desempenha um papel fundamental. O Brasil tem a oportunidade de usar algoritmos e sistemas de rastreamento para trazer mais transparência e informações para a população. O lastreamento da cadeia de reciclagem, identificando a origem e o destino dos materiais, pode ser realizado por meio da tecnologia. Além disso, a automação das estações de triagem e beneficiamento contribui para aumentar a eficiência e diminuir as taxas de erro no processo.

De acordo com Saville, a Solos está explorando formas de digitalizar o processo de conscientização da população, especialmente das crianças e adolescentes, para criar um hábito sustentável desde cedo. A empresa acredita que, ao mudar os hábitos das novas gerações, teremos adultos conscientes e engajados na reciclagem. A tecnologia também desempenhará um papel importante nesse processo, permitindo a conexão de informações e a automação de diversas etapas do ciclo de reciclagem.

Dicas para Empresas interessadas na Economia Circular

Para empresas que desejam adotar práticas de economia circular, é importante começar de maneira verdadeira e identificar o que é mais sensível para o negócio. Cada empresa tem suas peculiaridades, e é essencial escolher causas alinhadas aos seus valores e setor de atuação. Inicialmente, focar em questões como resíduos, inclusão socioeconômica ou qualquer outra área relevante pode ser um bom começo. É fundamental buscar parcerias e redes confiáveis, participar de programas de aceleração e capacitação, e aproveitar as oportunidades oferecidas pela digitalização para expandir o impacto positivo.

Saiba outras formas de colaborar e investir em economia ciruclar, assistindo à entrevista completa com Saville Alves, CEO da Solos, no Mundo Corporativo, especial ESG:

O Mundo Corporativo tem as participações de Priscilla Gubiotti, Rafael Furugen, Renato Barcellos e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: delírio com o Canindé e um sonho com o Tietê

José Emilio Guedes Lages

Ouvinte da CBN

Foto aérea do estádio do Canindé; autor: Will Lusa

A primeira vez que fui a São Paulo, vindo de Belo Horizonte, desci no terminal rodoviário Tietê cheio de curiosidades. Logo de cara, esperando o táxi, vislumbrei o campo da Portuguesa, time da minha maior admiração na capital Paulista  — Félix, Ivair, o Príncipe, Leivinha, Lorico. Só com isso aí já fiquei satisfeito. Lembrei também do livro Quarto de Despejo, em que autora Carolina Maria de Jesus falava da favela do Canindé, onde passa parte de sua obra , aí então o astral melhorou mais ainda.

No táxi, pedi para que fosse para o Alto de Pinheiros e o taxista me perguntou se era para passar pela Cerro Corá. Como eu não conhecia nada da cidade e achei o nome muito lindo, disse que sim.

Quando passávamos por uma rua, próximo ainda a rodoviária, vi uma frase no muro que me encantou sobremaneira: “Kdê o Salvador daqui?”.

Cheguei ao endereço que me esperava e apaguei! Acordei no dia seguinte, para conhecer a Ipiranga com a São João, uma bela história que me ronda até hoje. No passeio, puxei da memória o que havia visto no dia anterior, após deixar a rodoviária: lembrava de ter ficado deslumbrado ao passar pelas marginais Tietê e Pinheiros, encontrado s ruas arborizadas e floridas; e a criançada pulando de um trampolim imaginário e — “tibum” — nadando de braçada naquelas águas límpidas dos rios que cortavam a grande metrópole.

Somente no dia seguinte, quando voltei a cruzar as marginais é que percebi que aquelas cenas eram apenas imaginação, resultado do sonho que sonhei enquanto descansava. O que era real, porque voltei a encontrá-la, no dia que retornei a Belo Horizonte, era a frase no muro: “Kdê o Salvador daqui?

José Emilio Guedes Lages é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é da Débora Gonçalves. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua Historia de São Paulo.

Procrastinação: na volta a gente fala sobre isso

Com o fim das férias se aproximando em alta velocidade, paro alguns minutos (apenas alguns porque não quero perder tempo de descanso) para pensar sobre o que havia planejado para esses dias, tarefas que fiquei de fazer enquanto estivesse longe do trabalho e projetos que havia programado para a volta. Talvez tenha feito mais do que devesse — considerando as recomendações dos especialistas em saude mental e relaxamento — e bem menos do que imaginei há três semanas. Com certeza li muito e de tudo um pouco. Hoje mesmo, assim que acordei, deparei com a newsletter de Leo Calcio, um italiano especialista em gestão de marcas, que trazia artigo com o título: “Vamos conversar sobre isso em setembro?”.

A frase-título do artigo, escrita na forma de pergunta, costuma ser dita em tom de afirmação, especialmente em ambientes profissionais, na Itália, de acordo com Calcio. É o jeito italiano de procrastinar decisões neste período do ano, quando se iniciam as férias de verão.  É algo como nós, no Brasil, deixando os temas mais relevantes para depois do Carnaval. A intenção por trás do “deixa para setembro” ou do “depois do Carnaval” é não lidar com o problema imediatamente e postergá-lo para um momento futuro e indeterminado. A atitude cria uma falsa sensação de alívio, mas acaba afastando todos de uma solução imediata e até mesmo de uma transação financeira vantajosa — já que estamos falando aqui de projetos profissionais.

Os motivos por trás da escolha de setembro

Embora a escolha de setembro como o mês para retomar as discussões possa parecer arbitrária, existe um contexto cultural e psicológico por trás disso, explica Calcio. Muitos veem setembro como o mês do “recomeço”, um período em que se sentem mais motivados e dispostos a enfrentar novos desafios — no caso europeu, devido as férias de verão no meio do ano, uma segunda chance de recomeçar, já que a sensação de janeiro é a mesma. Além disso, a volta ao trabalho tende a despertar um senso de urgência em retomar os compromissos. Então, deixemos para quando as férias terminarem.

Comportamento humano diante de compromissos

Seja com a justificava de quando setembro chegar ou quando o Carnaval passar, a procrastinação é um traço comum do comportamento humano quando se trata de compromissos e responsabilidades. Ela pode ser causada por diversos fatores, como medo do fracasso, falta de motivação ou desejo de preservar a zona de conforto. Compreender esses motivos nos ajuda a lidar de forma mais eficaz com a procrastinação e melhorar nossa produtividade.

“Certo? Errado? Provavelmente a última opção. Exceto pelo fato de estarmos no verão, a vida é mais do que trabalho e, por uma vez, talvez pudéssemos parar de nos perguntar “por que” das coisas e “deixar ir”, sem forçar algo que claramente não é forçado porque faz parte da cultura de nosso país desorganizado, mas também virtuoso”.

Leo Calcio

Dados sobre a procrastinação e suas consequências

Somos muito parecidos, brasileiros e italianos, em relação a procrastinação. Mas não somos apenas nós. É do ser humano  a despeito dos males que essa prática exagerada possa causar. Estudos têm mostrado que a procrastinação pode ter efeitos negativos tanto no ambiente de trabalho quanto na vida pessoal. Ela leva a atrasos, aumento do estresse e redução da qualidade do trabalho. É importante reconhecer essas consequências para buscar soluções e estratégias que nos ajudem a superar a procrastinação.

Estratégias para lidar com a procrastinação

Calcio brinca ao fim de seu artigo, perguntando aos leitores se devemos falar desse assunto, a procrastinação, agora ou devemos deixar para setembro. Por brasileiros que somos e diante do fato de que estarei retornando ao trabalho em três dias e, portanto, não terei mais como fugir de alguns compromissos que posterguei, vamos a algumas estratégias para lidar com a procrastinação — esse hábito que nunca tira férias:

  • a) Conscientização: Reconheça os padrões de procrastinação em sua vida e esteja ciente dos momentos em que está adiando compromissos importantes.
  • b) Defina metas claras: Estabeleça metas específicas e mensuráveis, e divida-as em etapas menores para torná-las mais alcançáveis.
  • c) Gerencie seu tempo: Utilize técnicas de gestão do tempo, como a técnica Pomodoro*, para ajudar a manter o foco e a produtividade.
  • d) Encontre motivação: Descubra o que o inspira e motive-se com recompensas ou prazos estabelecidos.
  • e) Busque apoio: Compartilhe seus objetivos com outras pessoas, que possam lhe fornecer suporte e prestação de contas.

*Técnica Pomodoro é um método de gerenciamento de tempo desenvolvido por Francesco Cirillo no final dos anos 1980. A técnica consiste na utilização de um cronômetro para dividir o trabalho em períodos de 25 minutos, separados por breves intervalos.[1] A técnica deriva seu nome da palavra italiana pomodoro (tomate), como referência ao popular cronômetro gastronômico na forma dessa fruta. O método é baseado na ideia de que pausas frequentes podem aumentar a agilidade mental (Wikipedia)

Avalanche Tricolor: o Grêmio de Grando é Grande!

Grêmio 1×1 Bahia

Copa do Brasil – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

jogadores vibram com Grando após classificação em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Grêmio de Lara, o Craque Imortal

É o Grêmio de Mazarópi, o Campeão Mundial;

É o Grêmio de Danrlei, Sempre Eterno Danrlei;

É o Grêmio de Corbo, Goleiro do Meu Gauchão;

É o Grêmio de Leão, Campeão Brasileiro;

É o Grêmio de Manga e suas defesas incríveis;

É, sim, o Grêmio de Picasso, com quem tanto sofri e virei fã;

É o Grêmio de Galato, da Batalha dos Aflitos;

É o Grêmio de Marcelo Grohe, nossa Paixão;

E agora, é, também, o Grêmio de Gabriel Grando, o Grande!!!

Tudo pode ser página

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto de Miguel Á. Padriñán

“O senso comum diz que lemos apenas palavras. 

Mas a ideia de leitura aplica-se a um vasto universo. 

Nós lemos emoções nos rostos, lemos sinais 

climáticos nas nuvens, lemos o chão, 

lemos o mundo, lemos a vida”

Mia Couto

Se eu não fosse psicóloga, acho que seria contadora. Não dessas que cuidam das finanças e patrimônios de pessoas e empresas, mas uma contadora de histórias.

Em vez de contos sobre fadas e princesas, as minhas histórias preferidas remetem a personagens reais: gosto de contar sobre pessoas, sobre o mundo e a vida.

Então, vamos lá!

Quando eu era criança, nossas provas escolares eram feitas pelos professores em mimeógrafo. Se você não viveu na década de 80 nem deve saber o que era isso.  O mimeógrafo era uma espécie de copiadora. Os professores escreviam as atividades numa folha estêncil que continha carbono, colocavam essa folha com os escritos voltados para cima e, ao girar a manivela, o texto era passado para outras folhas de papel sulfite, graças ao feltro umedecido com álcool que ficava nessa máquina.

Na escola que eu estudava, as folhas chegavam com aquele cheirinho fresco de álcool e a parte mais bacana, pelo menos para mim, era colorir a capa da prova que já vinha com um desenho “impresso”, geralmente com ilustrações temáticas, como páscoa, festa junina ou comemorações pela chegada da primavera.

Naquela época, as condições financeiras lá em casa não eram as melhores e comprar o material escolar era quase um luxo. Com muito esforço, meus pais conseguiam garantir o básico para que eu pudesse realizar as atividades escolares.E quando digo básico, era o básico mesmo.

Minha caixinha de lápis de cor, por muitos anos, era composta por lápis pequenos, com cerca de uns 8 a 10 centímetros — o que exigia que não se apontasse muito ou eles acabariam rapidamente — e com apenas 6 unidades, sendo que duas dessas cores eram o branco e o preto. Vamos combinar que o branco não poderia ser considerado um lápis de cor! Isso me garantia 5 cores para toda a minha arte.

Felizmente, minhas colegas de turma mais afortunadas tinham estojos com lápis coloridos maravilhosos, daqueles que eu me perdia em suas nuances de cores, mas sabia exatamente suas quantidades: 24, 36 e até mesmo 48 unidades.

Digo felizmente, porque nossa turma tinha por volta dos 8 anos de idade e isso garantia que minhas amigas me emprestassem algumas cores. 

Verde água! Essa era a minha cor favorita.

E foi assim, que num dia de prova, ao me deparar com uma capa repleta de elementos para serem coloridos, pedi o lápis de cor verde água emprestado para a colega que estava sentada atrás de mim. Feliz da vida, quase pegando o lápis, fui surpreendida pela voz alta e tom severo da minha professora que disse: “se você não tem lápis de cor, isso não é problema de outra pessoa. Não incomode sua colega”. 

O jeito foi pintar com aquelas 5 cores mesmo, com cuidado para que não fugisse aos contornos do desenho.

O tempo passou, e mesmo com muitas dificuldades, que não se limitaram ao ensino fundamental, pude concluir meus estudos com êxito. Pode parecer clichê, mas não tenho dúvida de que a educação formal mudou a minha vida. Me permitiu possibilidades que eu nunca imaginaria alcançar. 

Mas me permita voltar ao lápis de cor.

Não faz muito tempo, fui comprar um livro para dar de presente e me vi, em plena livraria, encantada com as diversas caixas de lápis de cor que estavam dispostas numa prateleira. Pensei que poderia comprar para mim, e agora eu poderia mesmo, uma caixa com o maior número possível de cores. Com todos os tons de verde água ou, se preferir mais atual, azul Tiffany

Não comprei, mas me lembrei dessa história de 40 anos atrás.

E quanta história cabe numa folha de papel… E quanta história cabe numa página de pôr do sol, numa página de xícara de café quentinho, de sorriso, de abraço, do barulho da onda que bate nas pedras, do rosto de quem amamos…

A vida não vem delineada com as margens que devemos seguir. O colorido? Isso será por nossa conta.

Penso na vida como um livro de histórias que vamos construindo: algumas com enredos felizes; outras marcadas por desafios, tropeços e dificuldades.

E não seria isso o significado de viver?

Se a gente busca uma vida que seja sempre feliz, a chance de experimentarmos a frustração é gigantesca. Vida sempre feliz, glamourosa, plena é apenas um recorte da realidade estampada nos posts que vemos por aí.

Aproveite os bons momentos. Eles passam

Busque soluções para os problemas. Eles passam.

Compreenda que coisas acontecem e estão fora do nosso controle. Elas também passam.

E o que fica?

Isso vira história. Isso se torna a sua história.

Como diz Mia Couto: “Tudo pode ser página. Depende apenas da intenção de descoberta do nosso olhar”.

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.