Envelhecer com dignidade e amor: as reflexões inspiradas pela jornada do Sr. Duílio

Por Diego Felix Miguel

Seu Duilío Rossi em foto de arquivo pessoal

Homens e mulheres envelhecem de maneiras distintas, não  apenas por razões biológicas, mas devido à intersecção entre diversos fatores determinantes pela sociedade e cultura.

É conhecido que a velhice é feminina e cisgênera[1]: as mulheres idosas vivem mais que os homens; muitas são solteiras ou viúvas e estão mais propensas a participar de atividades em grupos, como  centros de convivência, onde a presença masculina é disputada, principalmente em oficinas como Dança de Salão.

Sob uma ótica sociocultural, as mulheres são condicionadas ao cuidado. Se cuidam mais para prover a assistência aos seus familiares e pessoas mais próximas. Isso não quer dizer que envelheçam em melhores condições, visto que acumulam funções ao longo de sua vida, entre trabalho formal, atividades domésticas e atenção à família, e pouco conseguem se dedicar à sua saúde. 

Um outro dado importante é sobre o preconceito do homem em integrar centros de convivência para pessoas idosas. Sem dúvida, envelhecer numa cultura machista, que posiciona o homem como principal responsável por prover o sustento da família e o incentiva a não se cuidar ou ser cuidado, o submete à velhice numa condição de maior vulnerabilidade, mais exposto a doenças incapacitantes e ao isolamento social.

Experiências pessoais e aprendizados no Convita

Nos últimos anos tenho me dedicado à gestão de um centro de convivência e de referência para pessoas idosas imigrantes italianas, o Convita – Patronato Assistencial Imigrantes Italianos. Esse serviço foca duas frentes: o suporte assistencial para pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social e a promoção de saúde, com uma programação de atividades que favorecem o bem-estar físico, mental e social.

Com o retorno das atividades presenciais, após a pandemia de Covid-19, o centro de convivência se desenvolveu. Com o crescimento do número de participantes e atividades, tive a oportunidade de conhecer novas histórias que tem contribuído bastante para meu processo de aprofundamento e aprendizagem na área do envelhecimento.

No primeiro semestre deste ano, numa manhã ensolarada de uma segunda-feira, escutei uma conversa entre a equipe sobre um senhor que há poucos dias havia realizado o cadastro e as inscrições para participar dos cursos que oferecemos. O que me chamou atenção foi o entusiasmo dos comentários, dizendo que, em tão poucos dias de participação, ele estava se destacando pela educação e gentileza com que tratava todas as outras pessoas, além de provocar uma atenção especial das mulheres idosas que também frequentam o serviço, a maioria solteira ou viúva.

Decidi conhecer esse senhor e, antes mesmo de sermos apresentados, já o reconheci. Poucos minutos após minha curiosidade ser despertada, ouvimos uma batida na porta de nossa sala e ele pediu permissão para entrar. Era um homem alto, de pele e cabelos brancos, e suas roupas denunciavam a sua vaidade e autocuidado. 

Conheci o Sr. Duílio Rossi, que imediatamente chamou a atenção por sua linguagem culta e gentileza: pedindo licença e desculpas por interromper nossa conversa, tratando-nos por “senhor” e “senhora” e desejando-nos “um bom dia de trabalho”. Naquele momento, notei outro aspecto marcante de sua presença: o brilho em seu olhar e um sorriso que transbordava afeto.    

Desde então passei a reparar com mais refinamento sua postura, principalmente durante as atividades, onde vivia rodeado de idosas. Não associo isso apenas a um aspecto romântico ou sexual, mas à atenção e ao cuidado ao conversar e escutar. Nas interações, ele fazia questão de enfatizar as qualidades da outra pessoa e demonstrava interesse no assunto que estava sendo compartilhado.

A reintegração social do Sr. Duílio

O Sr. Duílio tem 82 anos, é descendente de italiano e conheceu o Convita a partir da indicação de sua filha, a Miriam, uma idosa de sessenta e poucos anos que é sexóloga. Pelo que percebi, ela foi a principal motivadora para que seu pai superasse o luto de 13 anos após a viuvez.

Durante anos ele se dedicou a ficar em casa, onde mora sozinho, mantendo a relação com a família e vizinhos, sem muitas oportunidades de pensar sua vida com novas perspectivas e projetos.

Em algumas semanas de intensa participação no centro de convivência, ele começou um novo relacionamento romântico, dedicando-se a cuidar e permitindo-se ser cuidado. Isso gerou uma significativa mudança nas relações entre as pessoas idosas que também participam das atividades. 

O assunto rapidamente tomou conta das conversas das pessoas idosas e não demorou muito para que outros casais começassem a flertar e a vivenciarem uma nova história.

Esse movimento gerou uma transformação em nosso serviço, uma ressignificação cultural, favorecendo que outras pessoas idosas pudessem compartilhar com muito mais naturalidade e segurança seus sentimentos, receios e desejos, ao viver uma nova fase da vida. Assim, percebemos novas demandas que ainda são desafios a serem superados.

Família, autonomia e a vivência da sexualidade na velhice 

É inconcebível que idosos, com autonomia preservada, peçam autorização da família para viver uma nova paixão, amor ou apenas buscar seu prazer sexual. Esse assunto foi um dos mais comentados quando o novo casal que se formou, que teve apoio da família, tornou pública sua relação. 

Muitas pessoas idosas se tornam reféns de uma convenção social, impedidas de exercerem sua sexualidade de forma livre, por conta do idadismo (estereótipo, preconceito e discriminação por conta da idade), de ideias e posturas conservadoras, baseadas em preceitos moralistas e religiosos. Esses contextos expõem essas pessoas a vulnerabilidades, como violência, doenças e isolamento, além de comprometer a sua autonomia, um dos aspectos relevantes do envelhecimento ativo.

Por isso, é importante falarmos e investirmos em ações que favoreçam a reflexão acerca dos desejos e relações que vivenciamos ao longo da vida, seja em nosso meio familiar, social ou profissional. Não se trata apenas de palestras ou de limitar o assunto à saúde biológica, mas sim, de aproximarmos e valorizarmos oportunidades de novas vivências românticas e sexuais livres de todo e qualquer preconceito, num processo que favoreça o acesso à informação e um diálogo respeitoso e acolhedor. 

Não sabemos ao certo qual o desfecho dessa relação romântica vivenciada pelo Sr. Duílio, pois reconhecemos que é uma questão privada do casal. No entanto, independentemente de quanto tempo dure, essa relação já transbordou e influenciou positivamente muitas pessoas, idosas ou não, promovendo novas percepções e reflexões sobre um tema que ainda é negligenciado. Mostra que é possível vivenciar a sexualidade, seja por meio de uma relação romântica ou sexual, permitindo-se sentir prazer e tudo associado a ele, promovendo saúde. 

[1] Pessoas que se identificam com o gênero atribuído no nascimento.

Diego Felix Migue é especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e membro da Diretoria da SBGG-SP, gerente do Convita – Patronato Assistencial Imigrantes Italianos, mestre em Filosofia e doutorando em Saúde Pública pela USP.

Avalanche Tricolor: quero falar sobre Geromel

Fortaleza 1×1 Grêmio

Brasileiro — Arena Castelão, Fortaleza, CE

Geromel em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Na última partida antes do Gre-nal, assuntos não faltam para os que gostam de falar do Grêmio —- gostem bem ou gostem mal. Pode-se falar da qualidade da assistência de Reinaldo, que serviu Suárez com um passe em curva nas costas dos marcadores e permitiu que o uruguaio marcasse o gol de empate. 

Claro, pode-se falar de Suárez, também, que sempre é um bom motivo para puxar conversa, mesmo com torcedores contrários. O gringo mais uma vez se entregou em campo como quase nenhum outro. E nos premiou com aquela corrida por trás dos zagueiros e a precisão do chute, apesar da pressão do goleiro que saiu em sua direção e parecia ter fechado todos os espaços. Até a reclamação de que ele não marcava gols fora de casa cai por terra: ele fez dois nas duas últimas partidas em que jogamos como visitantes

Há os que andam por aí reclamando da dificuldade que temos de impor nosso futebol na casa dos adversários — e têm motivos para tal; ou do desperdício de pontos que nos afasta cada vez mais do título, apesar de estarmos na luta pelas primeiras colocações há muitas rodadas; ou das perdas sucessivas de cobranças de pênaltis — esquecendo-se de que foi nos pênaltis que avançamos até a semifinal da Copa do Brasil.. 

Apesar de tudo, ter o melhor ataque, com 40 gols marcados e o segundo maior número de vitórias, 13 no total, no Campeonato Brasileiro, ao menos até o instante em que publico esta Avalanche, talvez também fosse razão de um bom bate-papo no boteco.

Todos são temas pertinentes! 

Eu me reservo o direito de falar do que mais me chamou atenção na partida dessa tarde de sábado: a performance de Geromel. Ver nosso zagueiro de volta com a faixa de capitão e, pela primeira vez no ano, disputando uma partida completa, após a cirurgia no joelho e o problema muscular, já seria motivo de alegria para mim. Vê-lo com a segurança e empenho que vi —  imagino que você, caro e cada vez mais raro leitor dessa Avalanche, também tenha visto — é mais do que motivo para minha satisfação.

Geromel está com 38 anos, completados há cerca de uma semana — aos crentes nas coisas alheias, ele é virginiano como o Grêmio. Resiliente e paciencioso, nosso zagueiro superou a distância dos gramados e a dureza do período de reabilitação. Para quem foi atleta e passou por isso, sabe o drama que é cada dia de fisioterapia, exercícios doloridos e avanços limitados, expectativas para voltar aos treinos e medos de que a lesão volte a incomodar.

Enquanto alguns reclamariam da falta de ritmo de jogo, na volta ao time, Geromel  demonstrou estar em plena forma física e técnica. Em campo, mostrou que mantém o reflexo que o fez dos maiores zagueiros que já vestiram nossa camisa. Deu o bote na hora certa e impediu o drible do atacante. Antecipou-se às jogadas e abortou as tentativas do adversário. Dentro da área manifestou seu gigantismo despachando a bola pelo alto e por baixo. Independentemente de como ela viesse.. 

Nos deu ainda a satisfação de assisti-lo novamente ao lado de Kannemann com quem forma a dupla de zaga mais vitoriosa dos últimos tempos. Geromel traz tanta segurança à defesa que seu colega de área pode se expor menos e completou uma partida sem tomar cartão amarelo, coisa rara nesta temporada. 

Ao fim ainda expressou a humildade que marca sua trajetória. Ao repórter de campo que o elogiou, respondeu que não poderia ser diferente depois de tanto tempo que teve para treinar. Como se voltar a campo após meses recuperando-se de lesão e jogar da forma como jogou fosse a coisa mais natural do mundo. Não o é! Geromel é simplesmente sobrenatural !

Dez Por Cento Mais: câmera de celular influencia novas cirurgias faciais e rinoplastia

Foto de Polina Tankilevitch

No mundo da cirurgia plástica, o Brasil e seus profissionais ocupam uma posição de destaque, sendo reconhecidos internacionalmente. Dado esse reconhecimento, é esperado que, nas clínicas, os pacientes encontrem algumas das técnicas mais avançadas para melhorias estéticas e correções de deformidades. O programa Dez Por Cento Mais entrevistou o Dr. Lessandro Martins, especialista em cirurgia facial e rinoplastia, que destacou o impacto das redes sociais na percepção das pessoas sobre seus próprios corpos.

Com a propagação de imagens e a exposição das pessoas nos meios digitais, a autopercepção tornou-se um ponto de debate constante. Dr. Lessandro esclareceu essa complexidade, indicando que, enquanto muitos enxergam a perfeição nos outros, a autocrítica prevalece quando se olha para si mesmo, fenômeno intensificado pelas redes sociais.

De acordo com o médico, a estética masculina também tem ganhado destaque, principalmente nos últimos 10 anos, e ele acredita que a presença mais numerosa de homens nas clínicas de cirurgia plástica é impulsionada pela sua maior visibilidade nas mídias digitais.

Inovações no campo da rinoplastia

Foi o Dr. Lessandro Martins quem desenvolveu uma técnica de rinoplastia conhecida como Fishbone, um método de fratura do nariz que utiliza um instrumento de corte e modelagem com precisão milimétrica. A intenção é aprimorar o efeito de luz e sombra no nariz do paciente, levando em consideração a distorção causada pelas câmeras frontais dos smartphones.

Recuperação pós-Rinoplastia

Ao ser questionado sobre a recuperação após a rinoplastia, Dr. Alessandro destacou que os avanços na anestesia, aliados às técnicas de rinoplastia preservadora, reduziram significativamente o tempo de recuperação dos pacientes. No passado, era comum os pacientes apresentarem extensos hematomas e inchaços após a cirurgia. Com as técnicas modernas, esses efeitos são bem menos evidentes. Ele também sublinhou a evolução na qualidade dos anestésicos e dos novos equipamentos que auxiliam na precisão dos procedimentos.

Queloides e cirurgia facial: desafios e soluções

Durante a entrevista, conduzida pela jornalista Abigail Costa e pela psicóloga Simone Domingues, uma das questões levantadas foi sobre o tratamento de queloides em cirurgias faciais. Com os avanços tecnológicos e a aplicação estratégica de corticoides, hoje é possível minimizar e prevenir a formação de queloides, tornando o procedimento mais seguro e eficaz.

Tratamento de Rugas

Em relação ao tratamento de rugas, Dr. Alessandro fez uma distinção entre rugas (linhas finas) e sulcos (linhas mais profundas). Enquanto as primeiras podem ser tratadas com técnicas menos invasivas, como o botox, as últimas podem demandar procedimentos mais complexos. Ele ressaltou a importância de se evitar tratamentos exagerados que possam alterar as características faciais naturais e destacou a eficácia da técnica Morpheus 8 no rejuvenescimento da pele.

Reversão de procedimentos

Por fim, foi discutida a possibilidade de reversão de procedimentos. Dr. Alessandro salientou que, enquanto algumas cirurgias podem ser revertidas, outras podem ser mais desafiantes. Ele citou, especificamente, o desafio de restaurar narizes que foram reduzidos em excesso. Mesmo nesses casos, com paciência e uma abordagem correta, é possível alcançar melhorias significativas.

Dica Dez Por Cento Mais

Ao encerrar a entrevista, Dr. Lessandro compartilhou sua dica Dez Por Cento Mais:

“Minha dica Dez Por Cento Mais se aplica a todas as áreas. São nove da noite, e vocês estão aqui com um sorriso, empenhadas, com uma energia imensa. Por quê? Tudo que fazemos com amor gera resultados positivos. Somos responsáveis por nossos atos. Se plantamos arroz, colhemos arroz. Se plantamos amor, colhemos amor. Portanto, digo: faça tudo com amor. Nunca se acomode e, sempre que possível, busque ser melhor amanhã. Isso vale para sua área e para a minha. Em tudo que fazemos, o amor gera bons frutos.”

Assista à entrevista completa no YouTube.

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Mundo Corporativo: Jacqueline Conrado, da United Airlines, acredita no poder de as mulheres voarem mais alto

Gravação do Mundo Corporativo com Jacqueline Conrado

“Nós mulheres, nós temos desafios muito parecidos. Se a gente pode ajudar uma a outra para eliminar essas barreiras ou torná-las mais suaves, por que não? Para a próxima geração?”

Jacqueline Conrado, United Airlines no Brasil

A crescente discussão sobre a inclusão feminina no mercado de trabalho, especialmente em posições de liderança, é um debate em constante evolução. Dentro deste contexto, Jacqueline Conrado, country manager da United Airlines no Brasil, foi entrevistada pelo programa Mundo Corporativo, da CBN. Suas palavras revelam um olhar profundo sobre o desafio de ser mulher em um setor historicamente masculino.

Jacqueline trouxe à tona sua jornada no mundo da aviação. A trajetória dela se inicia nesse setor por influência da irmã que trabalhava em uma companhia brasileira. Há sete anos, ela retornou ao setor, após experiências em áreas como energia e publicidade. Começou no marketing da United Airlines no Brasil até surgir, dois anos depois, a oportunidade para assumir o comando da empresa.

“Para ser sincera, [minha trajetória] não foi planejada. E eu sou muito feliz por ter assumido [o cargo de country manager], porque isso expandiu muito a minha visão da empresa”.

A paixão pelo aprendizado e pelo enfrentamento de desafios é evidente em suas palavras. Jacqueline percebe a aviação brasileira como um setor em constante evolução e se vê como parte integrante desse processo.

“Eu gosto muito de aprender e uma das coisas que me motiva é o desafio”.

A mudança de narrativa para as mulheres na aviação

O setor da aviação é notório por estereótipos. No entanto, Jacqueline busca desmistificar essa visão, enfatizando que as mulheres podem ocupar qualquer posição. Ela destaca que a maioria da liderança na United Airlines Brasil é feminina, inclusive em áreas técnicas. O projeto “Meninas na Aviação” é um dos esforços para mostrar às jovens as oportunidades disponíveis no setor. O programa busca destacar que as mulheres podem ocupar qualquer cargo na aviação, desde posições técnicas até lideranças. 

Voltado para meninas de 13 a 18 anos, o projeto proporciona a elas a oportunidade de conhecer os bastidores da aviação. Durante essa experiência, as participantes são apresentadas a diferentes áreas do setor, como manutenção, controle do aeroporto, sala VIP e área de segurança. Além disso, elas têm a chance de interagir com profissionais da área, recebendo orientações sobre as habilidades e formações necessárias para cada posição.

O poder das referências e das políticas proativas

Referências são vitais para qualquer profissional. Jacqueline lembra da importância de ter modelos a seguir e elogia a cultura da United Airlines, que promove um ambiente de crescimento. Ela lembra que  a gente não consegue ser o que a gente não vê.

Apesar de sua posição de liderança, Jacqueline reconhece que os desafios para as mulheres persistem. Desde preocupações sobre gravidez até a forma como elas  são percebidas no ambiente de trabalho, os obstáculos são muitos. No entanto, ela ressalta: 

“Temos desafios muito parecidos, [mas] a gente pode ajudar uma a outra”.

A liderança de Jacqueline Conrado serve como um farol para muitas mulheres que buscam alçar voos mais altos em suas carreiras. Através da união, mentorias e ações afirmativas, o setor da aviação, assim como muitos outros, pode se tornar mais inclusivo e diversificado.

“Quanto mais diversos são os nossos colaboradores melhor vai ser a entrega em tudo que a gente faz, porque são perspectivas ali diferentes, trabalhando juntas para um mesmo objetivo. Então esse mix é é maravilhoso”

Assista à entrevista completa de Jacqueline Conrado

A gravação do programa Mundo Corporativo se realiza todas as quartas-feiras, às 11 horas da manhã, e pode ser assistida, ao vivo, pelo canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar na edição de sábado do Jornal da CBN e, em horário alternativo, às dez da noite.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugem

Conte Sua História de São Paulo: a nobreza do jogo de bocha

Por Cibele Alvares Gardin

Ouvinte da CBN

Uma pista que dá pista sobre encontros semanais de outrora regados à amizades. Hoje, embrulhada pela vegetação do Parque da Aclimação está  a cancha do jogo da bocha a espera do desembrulho de suas memórias. 

Insisto em rodeá-la, Sra Dona Cancha, na tentativa de conquistar sua confiança a me confiar seus segredos…

Com essa licença poética faço aqui um convite ao jogo da memória, ou melhor, da bocha, ao qual faço lances com as bolas em tom de cor desbotada mas que segue com o peso da estratégia. 

Sigo pegadas e novas pistas me levaram ao bairro vizinho onde de perto revi lances na cancha do Clube Atlético do Ipiranga.  São animadas estas senhoras bem alinhadas, Donas Canchas.

Mais uma chance e, num lance mais ousado, encontrei Sr. Maurício no bairro do Cambuci pedindo cobertura ao seu jogo, sempre regado a uma velha e parceira garrafa térmica com café.  

E mais uma Sra Dona Cancha, aliada ao Balneário do Cambuci e muito bem distinta, me abriu gavetas de suas memórias para me mostrar medidas que deram vitórias por milímetros de diferença entre uma bola e outra. Ah, todas as bolas levam ao bolim!

E assim, entre um gole e outro de café, as Donas Canchas, estimadas imigrantes e nobres senhoras, nos alimentam com desembrulhos de memórias. São relatos silenciosos mas que se fazem ouvir quando lemos as marcas das bolas que seguem feito tatuagem na superfície de seus tapetes mágicos. 

O jogo da bocha não envelhece, ele  enobrece nossos percursos por resgates da história. Segue o jogo na cordialidade dos afetos intergeracion

Cibele Gardin, moradora do bairro do Cambuci, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Inteligência artificial, direito e ética

Por Rodolfo Estevam Correa Gibrail

Imagem criada no Dall-E

Entre a década de 1980 e o começo dos anos 2000, os filmes de ficção científica abordavam cada vez mais o tema das inteligências artificiais, geralmente como os vilões das histórias que se passavam anos no futuro, a exemplo “Exterminador do Futuro”, “Eu, Robô” e “Matrix”. Atualmente, podemos ver um rápido avanço nas tecnologias de inteligência artificial e, ao mesmo tempo, o aumento de debates a respeito de sua utilização, como no âmbito jurídico.

A “IA” que ganhou mais fama recentemente foi o ChatGPT, cuja empresa que o produz, a OpenAI, está sendo processada por autores americanos que alegam uso indevido de suas obras para o treinamento do chatbot, sem a devida compensação monetária, violando os direitos autorais. O ChatGPT é uma Inteligência Artificial Generativa, a qual se baseia em Large Language Models (LLMs) para seu aperfeiçoamento. 

Os romancistas Mona Awad e Paul Tremblay alegam que a plataforma estaria fazendo resumos precisos demais de suas obras, já a comediante e escritora Sarah Silverman argumenta, ainda, que foram utilizadas cópias piratas de seus livros para o treinamento da inteligência.

Outros autores, como Richard Kadrey e Christopher Golden, também estão processando a OpenAI, que respondeu às acusações e pediu ao tribunal que as rejeitasse, dizendo que o ChatGPT não fere os direitos autorais das obras dos escritores. No Brasil,  os direitos autorais são regidos pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

Além de inteligências artificiais como o ChatGPT, também surgiram ferramentas que utilizam de IA para criar imagens, vídeos e até recriar músicas, como foi o caso da propaganda em comemoração aos 70 anos da Volkswagen, na qual a falecida cantora Elis Regina aparece dirigindo, além disso, a trilha sonora do comercial é um dueto entre ela e Maria Rita, sua filha. 

O Conar abriu um processo contra a empresa por considerar que ela possivelmente ultrapassou os limites da ética ao usar a inteligência artificial para “reviver” a cantora, por haver desconhecimento da vontade da falecida, aliado ao fato de ter omitido o uso de inteligência artificial na peça publicitária, podendo gerar confusão ao público. A decisão do órgão foi de arquivar o processo, afirmando que a imagem da cantora foi consentida pelos herdeiros e o princípio de transparência foi respeitado, por estar evidente o uso de IA no comercial.

Devido a acontecimentos nunca vistos antes envolvendo tal tecnologia, tramita, no Senado Federal, a votação do Projeto de Lei 2338, de 2023, também chamado de Marco Legal da Inteligência Artificial, que visa regulamentar a implantação e funcionamento das inteligências artificiais no Brasil, de maneira que não viole os direitos fundamentais do cidadão. Sendo assim, o PL 2338/23 coloca a proteção da pessoa humana e suas garantias como fundamento do desenvolvimento de IAs.

O que sempre se questiona com o surgimento de uma nova tecnologia é se vai substituir o ser humano, porém a repercussão dos eventos dos últimos meses demonstra que as possibilidades de discussão no âmbito jurídico com relação às inteligências artificiais aumentam à medida que estas se desenvolvem, dando oportunidade para debates profundos sobre os impactos da inovação não apenas no Judiciário, mas em toda a sociedade.”.

 Rodolfo Estevam Correa Gibrail, estudante de Direito da FMU 

A antítese e a síntese de todas as coisas

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto de Life Of Pix

“Medir-se por seu menor feito é calcular o poder

 do oceano pela fragilidade de sua espuma”

Khalil Gibran

Na Grécia Antiga, a dialética era considerada um método de argumentação de ideias opostas com o objetivo de se alcançar a verdade. Atualmente, é considerada o modo de compreendermos a realidade como essencialmente contraditória e em permanente transformação. Sua ideia básica é que toda posição contém sua antítese, ou seja, sua posição oposta.

O filósofo alemão Friedrich Hegel, um dos criadores dos sistemas filosóficos do final do século XVIII e início do século XIX, indicava a importância de se reconhecer a inter-relação entre as partes e das partes com o todo, afirmando que a busca pela verdade seria possível se conseguíssemos ter uma visão do todo, caso contrário, poderíamos atribuir valores exagerados a verdades limitadas.

Outro dia, caminhando na beira da praia, aliás uma das coisas que mais gosto de fazer, fiquei pensando na dialética da natureza: o oceano, com toda a sua potência, vai mudando suas características ao se aproximar da costa, e chega à praia numa ondulação rasteira, num vai e vem constante que se assemelha à uma dança.

Talvez seja mais fácil compreender a dialética na natureza e nas coisas, como dia e noite, som e silêncio… Mais difícil, aceitar que ela também está presente em nós.

Aprendemos muito precocemente que não podemos evidenciar nossas fragilidades. Aprendemos que precisamos mostrar apenas as nossas conquistas, escondendo e mascarando os nossos erros, ou então, seremos vistos como incompetentes. 

Nessa busca polarizada, enfrentar um desafio e errar, ou não conseguir fazer algo, pode gerar um rótulo autoatribuído de que somos falhos, fracassados, inúteis. Isso não se refere apenas a ações, mas em nossa sociedade, parece se estender aos aspectos emocionais. 

Muitas pessoas se sentem inadequadas por experimentarem emoções, como a raiva ou a tristeza, como se existisse um padrão exato do que se pode ou não sentir. 

Como se olhássemos através de lentes de aumento, as situações difíceis parecem nos sequestrar para um olhar enviesado, unilateral, capaz de medir a nossa força justamente quando nos sentimos mais fragilizados. Assumindo uma posição estanque, recusamos o convite da vida para entrarmos em sua dança e nos recolhemos.

Por receio de ser isso ou aquilo? Pois somos isso e aquilo, antíteses somadas, inter-relacionadas, expressas em situações diversas que mudam, se atualizam, se renovam. 

Somos isso, aquilo e o que ainda está por vir!

Talvez em alguns dias você se sinta fraco, quase como uma marola, aquela onda pequena que está na beira da praia. Recorde-se sobre a dialética de todas as coisas. Feche os olhos. Respire fundo. Perceba a ação dos ventos que batem na superfície das águas e mudam as suas direções. Respire fundo novamente. Concentre-se no ir e vir das ondas e lembre-se: mesmo nesses dias, você continua sendo o oceano!

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung. 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que as marcas não querem falar sobre saúde mental?

Peça da campanha “Falar pode mudar tudo”, da Libbs

“As marcas têm uma entrada na vida das pessoas e podem usar esse prestígio para o bem da sociedade”

Cecília Russo

As marcas podem desempenhar um papel relevante na conscientização sobre saúde mental. Setembro, marcado pela cor amarela, é dedicado à conscientização e prevenção ao suicídio, e esta tem sido uma pauta crucial para a sociedade. Falamos desse tema, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo.

Psicóloga de formação e especialista em branding, Cecília destacou que, apesar da crescente consciência sobre a importância da saúde mental, muitas vezes o assunto é negligenciado em comparação com outras questões de saúde. 

“Ainda existe uma visão muito equivocada de que saúde mental não requer tanto cuidado” 

Cecília Russo

Farmacêutica incentiva a abertura do diálogo

Um exemplo inspirador de envolvimento de marca é da Libbs Farmacêutica, através de seu programa “Falar Pode Mudar Tudo”, que incentiva a abertura do diálogo sobre questões de saúde mental. A empresa quer estimular não apenas os que sofrem com patologias relacionadas à saúde mental, mas também seus amigos e familiares, a quebrar o silêncio e o estigma em torno do tema.

Marcas ainda temem falar de saúde mental

Jaime ponderou sobre a relativa falta de engajamento das marcas em comparação com outras campanhas de conscientização, como o Outubro Rosa, que trata do câncer de mama, e o Novembro Azul, que alerta para o câncer de próstata. Ele especula que a hesitação pode surgir do receio de associar a marca a temas sensíveis

“Isso por si só já diz alguma coisa. O que seria? Parece que as marcas não querem colocar seus nomes ligados a, por exemplo, o suicídio. Como se isso fosse algo que pudesse assustar as pessoas e colocar em risco os negócios da marca. Assusta mesmo, vamos falar a verdade!” 

Jaime Troiano

CVV é referência na atenção à saúde mental

Porém, há quem esteja fazendo a diferença. Jaime citou o trabalho notável do CVV (Centro de Valorização da Vida), uma instituição sem fins lucrativos que se dedica a apoiar e ajudar aqueles em crise. Com mais de 60 anos de serviço, o CVV se tornou uma marca reconhecida, superando preconceitos e servindo como uma linha de apoio crucial para muitos.

“A instituição faz mais de 3 milhões de atendimentos anualmente, tem 4 mil voluntários que estão trabalhando lá. Além disso, tem um hospital psiquiátrico,  em São José dos Campos, atendendo dependentes químicos”.

Jaime Troiano

Jaime se recorda de um anúncio do CVV que era veiculado antes de as transmissões das emissoras de televisão sairem do ar na madrugada, convidando as pessoas que se sentissem necessitadas de um auxílio a conversar com os voluntários. 

Marcas podem usar sua influência para ajudar pessoas

A experiência de algumas ações e a necessidade da sociedade de discutir o tema da saúde mental levam às marcas a responsabilidade de usarem sua influência para beneficiar às pessoas, não apenas para fins comerciais.

Conforme mais marcas reconhecem e abraçam seu papel na promoção da saúde mental, espera-se que mais pessoas se sintam apoiadas e compreendidas, e que o estigma em torno da questão continue a diminuir.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

Jaime Troiano e Cecília Russo apresentam o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso aos sábados, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN

Conte Sua História de São Paulo: minha disputa com a máquina de fliperama

Por Jose Vicente Martins

Ouvinte da CBN

Imagem criada pelo Dall-E

 – Ô Vicente! A Dona Dayse quer que você leve esse envelope lá na rua Boa Vista. Mas é pra voltar antes do almoço.

Respondi que tudo bem. Mas já eram dez horas, não daria tempo de voltar antes do almoço. O certo era almoçar no refeitório da rua Boa Vista e voltar na parte da tarde. 

Fui pro banheiro trocar de roupa. Não dava pra andar pela rua com aquele uniforme. Calça de tergal azul marinho, camisa branca com o logotipo do Banco Itaú bordado no bolso e a gravata azul marinho. Afinal, eu aceitava o trabalho pra poder comprar minhas roupas. Minha identidade Black Power era formada na calça Levi’s, tênis All Star, cinto de couro e a camiseta com o Bob Marley. Era a capa do disco Kaya estampada em Silk Screen. 

Isso era São Paulo, 1979. A camiseta achada numa das galerias da rua Augusta. Saindo da Paulista, cortando por dentro do Conjunto Nacional,  descendo sentido Alameda Lorena, do lado esquerdo. No mesmo corredor em que comprei a bolsa de couro que eu usava atravessada no peito. Um cara, com sotaque de gringo, lá no décimo quarto andar da avenida Paulista ,1948 me perguntou: 

— Quem é o habitante da sua camiseta? 

— Ô Vicente, não vai demorar! Esse menino só faz dois serviços por dia, um de manhã e outro a tarde! 

Era o Ulisses,  meu chefe. Ele não era bem um chefe, era contínuo como eu. Era mais velho e trabalhava na diretoria há muito tempo. Não queria envelhecer como Office Boy, mas adorava flanar pelas ruas da cidade. 

Desci o elevador maquinando a estratégia.

Naqueles tempos, eu andava numa disputa com uma máquina do fliperama, Space Invaders. Ficava de olho fixo na tela vendo aqueles monstrinhos descendo enquanto tentava eliminar a maioria deles. Movimento nas mãos.

Velocidade,  tempo e espaço. Eu era bom nisso… Mas aquela máquina sempre me vencia. Acho que era aquele gosto amargo que vinha na boca, o coração disparava e eu ficava perdido… game over!

Saí do prédio do Banco, desci a Frei Caneca, virei a esquerda na Luís Coelho e entrei na Augusta sentido centro. O trólebus vinha chegando no ponto, deixei passar. Apertei o passo e fui descendo a Augusta. A jogada era essa. Economizava no dinheiro da passagem e jogava Space Invaders. Eu estava melhorando meu jogo. Antônio Carlos, Peixoto Gomide e fui tocando pro centro. O envelope na pasta e a pasta bem segura na mão.  Sempre um risco. Um vacilo e algum trombadinha pode querer levar minha pasta.  

A malandragem de rua estava sempre do olho nas pastas dos Office Boys. Eu já vi um cara de terno e gravata, no apertado do trólebus mexendo e fuçando na bolsa de uma dona. Martins Fontes. Na Xavier de Toledo, olhei nas vitrines do Mappin e namorei um relógio. Era um Porsche,  preto. Eu olhava no Mappin e comprava na Galeria Pajé. Cortei o Largo do Paissandu, ganhei a rua Antonio de Godoy e atravessei o Viaduto Santa Efigênia. 

Primeiro entregar o envelope e almoçar na Boa Vista, na volta eu passava no fliperama da rua Cristóvão Colombo. Uma vez cheguei no fliperama, coloquei a pasta em cima da máquina e gastei umas quatro fichas. Um boy me cutucou nas costas e disse que enquanto eu jogava, um cara pegou minha pasta e mexeu. Como não tinha nada dentro colocou de volta e saiu. Cruzei o Largo São Bento e já estava na rua Boa Vista. Eu andava rápido. Dava tempo de entregar o envelope e jogar uma antes do almoço.   

José Vicente Martins é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite agora meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Kelly Lopes, do IOS, defende que a educação digital transforma a vida de jovens e pessoas com deficiência

Foto de fauxels

“É a capacitação técnica que abre a porta para esse jovem entrar na empresa, mas é a responsabilidade comportamental, o engajamento, a responsabilidade dele, que o faz brilhar, que abre para ele as oportunidades de carreira — inclusive para as pessoas com deficiência”.

Kelly Lopres, Instituto de Oportunidade Social

A necessidade de educação digital se tornou evidente ao longo dos anos, à medida que a sociedade avançou tecnologicamente. Estar mais bem preparado para atender a essa demanda pode ser o grande diferencial para jovens e pessoas com deficiência que buscam espaço nas empresas. De olho nessa oportunidade foi que surgiu o Instituto de Oportunidade Social que tem como superintendente Kelly Lopes, entrevistada do Mundo Corporativo da CBN.

Instituto promove formação profissional

Kelly diz que o IOS tem desempenhado um papel fundamental na formação profissional e na empregabilidade de jovens entre 15 e 29 anos e pessoas com deficiência, a partir de 16 anos. Um aspecto que ela destaca é a ênfase na formação tecnológica. O Instituto aborda esse desafio fornecendo formação profissional extracurricular em tecnologia, que pode ser realizada simultaneamente ou após a conclusão do ensino médio. O objetivo é capacitar os jovens a conquistarem seu primeiro emprego ou obterem uma recolocação profissional no mercado de trabalho formal.

O Instituto, que completa 25 anos de existência, teve sua origem em uma iniciativa da empresa Totvs, que segue sendo sua principal mantenedora. No entanto, ao longo dos anos, o IOS estabeleceu parcerias com outras empresas, como Dell e 3M no Brasil, além de colaborar com órgãos governamentais municipais e estaduais em São Paulo e Minas Gerais, por meio de projetos de incentivo fiscal e fundos de defesa das crianças e adolescentes.

O desafio de jovens e pessoas com deficiência

Um dos principais desafios enfrentados pelos jovens na busca por emprego é a falta de preparação do ambiente escolar para o mercado de trabalho. A educação básica não costuma abordar as habilidades técnicas e comportamentais necessárias no mundo corporativo, avalia Kelly . Além disso, a maioria dos jovens não recebe orientação sobre suas opções de carreira ou mentoria. Por outro lado, as empresas enfrentam desafios relacionados à digitalização do processo seletivo, que pode tornar difícil identificar os verdadeiros talentos entre os candidatos. 

“O nosso jovem brasileiro, ele é o jovem do corre, ele é o jovem que faz as coisas acontecer. Está faltando para ele referência, mentoria, cuidado e acolhimento. Principalmente, agora no pós-pandemia. No Instituto, a gente faz esse complemento, esse atendimento niversal do indivíduo. E aí é quase uma mágica”. 

Taxa de desemprego entre jovens é enorme

Kelly enfatiza que o IOS se preocupa em promover a educação digital, preparando os jovens para lidar com as ferramentas tecnológicas usadas no ambiente corporativo. Muitos jovens estão conectados digitalmente, mas não possuem as habilidades necessárias para se destacarem no mercado de trabalho.

O público-alvo do IOS são jovens de 15 a 29 anos, com a maioria situada na faixa etária de 15 a 21 anos. Esses jovens frequentemente enfrentam altas taxas de desemprego, mesmo com incentivos existentes. Kelly destaca a importância de proporcionar oportunidades de capacitação e emprego para essa faixa etária.

Desafio é maior entre pessoas com deficiência

Quando se trata de pessoas com deficiência, a situação é ainda mais desafiadora. Muitas vezes, elas enfrentam dificuldades não apenas na educação formal, mas também no acesso à tecnologia e no entendimento do mundo corporativo. A falta de acesso à educação inclusiva e a falta de apoio adequado contribuem para a exclusão dessas pessoas do mercado de trabalho formal.

No entanto, o IOS está fazendo a diferença na vida dessas pessoas, oferecendo formação profissional e apoio psicossocial sob demanda, diz Kelly. Os resultados são impressionantes, com uma média de 65% de empregabilidade bem-sucedida para os jovens formados pelo Instituto e até 80% para pessoas com deficiência.

O IOS não se limita apenas à capacitação. Também trabalha com empresas para sensibilizá-las sobre a importância da diversidade e inclusão, ajudando a criar oportunidades para jovens e pessoas com deficiência. Além disso, o Instituto auxilia na preparação das empresas para receberem esses profissionais e promove a conscientização e o treinamento de lideranças sobre como apoiar e incluir esses colaboradores. 

“É importante a gente também mostrar para as empresas que a gente pode apoiá-las na questão da diversidade, porque o nosso jovem é diverso. Estou atendendo jovem da escola pública, muitos em situação de vulnerabilidade, pessoas negras, pessoas com deficiência, o público LGBTQIA+. É um público diverso que a gente está atendendo e isso também traz valor para a empresa”. 

Uma história inspiradora

Kelly compartilha uma história inspiradora de uma jovem chamada Beatriz, que superou desafios e encontrou sucesso profissional após participar dos cursos do IOS. Beatriz, uma jovem negra da periferia de Diadema, ingressou no Instituto, fez cursos de tecnologia e gestão empresarial e conseguiu se destacar em um processo seletivo em uma grande multinacional de tecnologia. Sua jornada de superação demonstra o potencial dos jovens quando recebem oportunidades adequadas.

No Brasil, a educação técnica de nível médio ainda é subutilizada, com apenas 11% dos jovens tendo acesso a esse tipo de formação. Kelly enfatiza a importância de levar a capacitação técnica para dentro das escolas, capacitando professores e promovendo o voluntariado corporativo para ampliar as oportunidades para os jovens.

Ao final da entrevista, Kelly destacou que a tecnologia não deve ser apenas uma ferramenta, mas também um meio para empoderar jovens e pessoas com deficiência. A capacitação e o desenvolvimento de habilidades comportamentais são essenciais para abrir portas para esses indivíduos no mercado de trabalho.

Assista à entrevista completa com Kelly Lopes no Mundo Corporativo

O  Mundo Corporativo da CBN pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no canal da CBN No You Tube. O programa tem a colaboração de Renato Barcellos, Larissa Machado, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.