Chegou a hora: adote um vereador

 

 

São Paulo já conhece quem serão os 55 vereadores responsáveis por discutir políticas públicas, criar leis e fiscalizar a prefeitura, com a posse dos parlamentares, no dia 1º do ano, e dos suplentes que assumiram nessa quarta-feira. Seis deles substituíram vereadores que, apesar de terem tido voto suficientes para exercer o mandato, entenderam ser mais útil trabalhar no Executivo ou ocupar cargo no Senado, caso de Antonio Carlos Rodrigues. Os demais, que preferiram assumir o posto de secretário municipal do prefeito Fernando Haddad, foram Celso Jatene (Esporte), Donato (Secretário de Governo), Eliseu Gabriel (Desenvolvimento Econômico e Trabalho), Netinho de Paula (Promoção da Igualdade Racial) e Ricardo Teixeira (Verde).

 

Publico a seguir a lista completa com link para a página oficial do site da Câmara Municipal de São Paulo onde é possível encontrar um perfil de parte dos vereadores. Apesar de a maioria dos novos parlamentares não ter ainda um endereço de contato, a relação é para incentivar o cidadão a escolher um deles e passar a acompanhar o mandato, participando da rede Adote um Vereador. Nesta semana, por exemplo, o ouvinte-internauta Marcelo Souza informou que adotou a vereadora Juliana Cardoso PT e vai divulgar as informações sobre o mandato dela no blog Jornal dos Falsários.

 

Se você estiver disposto a encarar este desafio, não deixe de nos informar para que possamos divulgar seu trabalho. Vamos à lista completa dos vereadores:

 

DEMOCRATAS

Milton Leite
Sandra Tadeu

 

PC DO B
Orlando Silva

 

PHS
Laércio Benko

 

PMDB
Dr. Calvo
George Hato
Nelo Rodolfo
Ricardo Nunes

 

PP
Pastor Edemilson Chaves
Wadih Mutran

 

PPS
Ari Friedenbach
Ricardo Young

 

PR
Aurelio Miguel
Toninho Paiva

 

PRB
Atílio Francisco
Jean Madeira

 

PSB
Noemi Nonato

 

PSD
Coronel Camilo
David Soares
Edir Sales
Goulart
José Police Neto
Marco Aurélio Cunha
Marta Costa
Ota
Souza Santos

 

PSDB
Andrea Matarazzo
Aurélio Nomura
Claudinho de Souza
Coronel Telhada
Eduardo Tuma
Floriano Pesaro
Gilson Barreto
Mario Covas Neto
Patrícia Bezerra

 

PSOL
Toninho Vespoli

 

PT
Alessandro Guedes
Alfredinho
Arselino Tatto
Jair Tatto
José Américo
Juliana Cardoso
Nabil Bonduki
Paulo Fiorilo
Reis
Senival Moura
Vavá dos Transportes

 

PTB
Adilson Amadeu
Conte Lopes
Marquito
Paulo Frange

 

PV
Abou Anni
Dalton Silvano
Natalini
Roberto Tripoli

 

VEREADORES LICENCIADOS
Antonio Carlos Rodrigues (PR. Licenciado) – Supl. em exercício: Alvaro Batista Camilo (PSD)
Celso Jatene (PTB. Licenciado) – Supl. em exercício: Marquito (PTB)
Donato (PT. Licenciado) – Supl. em exercício: Wadih Mutran (PP)
Eliseu Gabriel (PSB. Licenciado) – Supl. em exercício: Alessandro Guedes (PT)
Netinho de Paula (PC do B. Licenciado) – Supl. em exercício: Orlando Silva (PC do B)
Ricardo Teixeira (PV. Licenciado) – Supl. em exercício: Abou Anni (PV)

Bicicletada marca o Dia Internacional de Combate à Corrupção

 

Bicicletada Não aceito corrupção

 

Com a promoção do Movimento do Ministério Público Democrático, cerca de 50 pessoas realizaram um passeio pela ciclofaixa de lazer, no centro de São Paulo, para marcar o Dia Internacional de Combate à Corrupção. O Adote um Vereador, o Nas Ruas e o Revoltados On Line foram alguns dos grupos que estiveram representados no encontro, na manhã de domingo. Todos os ciclistas vestiram a camisa da campanha Eu Não Aceito Corrupção. Nesta segunda-feira, o MPD realiza o Seminário Transparência e Controle da Corrupção, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

 

Ouça a reportagem de Maria Eugênia Flores, da CBN:

 

São Paulo pedala contra a corrupção, neste domingo

 

 

Domingo, 9 de dezembro, é o Dia Internacional de Combate à Corrupção, e os paulistanos estão convidados a participar da 1a. Bicicletada Não Aceito Corrupção, promovida pelo Movimento do Ministério Público Democrático. Mesmo aqueles que não pedalam podem participar do evento, a partir das 9 e meia da manhã, quando haverá concentração em frente ao prédio do Ministério Público de São Paulo, na avenida Brigadeiro Luis Antonio, 35 – próximo da estação Sé do Metrô. O passeio ciclístico se inicia às 10 e meia da manhã e haverá distribuição da camiseta da campanha.

 

Ao chamarmos atenção para a necessidade de se combater à corrupção, o pensamento da maior parte das pessoas se volta para os governos, mas o tema tem de ser combatido em todas as instâncias, instituições e setores. Autoridades públicas não devem usar do cargo para benefícios próprios e de seus grupos de apoio, sem dúvida. Mas o cidadão comum tem de estar atento as inúmeras oportunidades que surgem no seu cotidiano que podem levá-lo a um ato de corrupção. A nota de R$ 50 na carteira de motorista para que o policial alivie a multa pela irregularidade cometida. O “cafezinho” do fiscal da prefeitura que identificou a falta de documentação para a obra na sua casa. E mesmo o agrado deixado no bolso da camisa do garçom para lhe dar prioridade no atendimento no restaurante. Todos parecem ser atos pequenos e de menor relevância diante do desvio de milhões de reais em obras e ações do serviço público. Mas ajudam a construir a cultura do corrupção que precisa ser enfrentada.

 

Na segunda-feira, dia 10, se realiza o Seminário Transparência e Controle da Corrupção – A Lei de Acesso à Informação, a partir das 7h30, no Memorial da América Latina. Para conhecer a programação completa e se inscrever, visite o site do Movimento do Ministério Público Democrático.

 

REUNIÃO DO ADOTE UM VEREADOR SERÁ NA BICICLETADA

 

O encontro mensal da rede Adote um Vereador, em São Paulo, será neste domingo, durante a manifestação do Dia Internacional de Combate à Corrupção, em lugar da reunião que costumamos fazer aos sábados, no Pátio do Colégio.

Os senadores que não deixaram a conta do IR para nós

 

Dos 165 senadores, ex-senadores e suplentes, apenas 47 vão pagar os valores do imposto de renda sobre os 14º e 15º salários. O senado bancou mais de R$ 5 milhões de imposto dos parlamentares que não manifestaram interesse em pagar o débito com recursos próprios.

 

Confira abaixo a lista dos senadores que pagaram a conta por iniciativa própria (atualizada às 15h36):

 

Aécio Neves (PSDB-MG)
Alfredo Nascimento (PR-AM)
Aloizio Mercadante (PT-SP, atual ministro da Educação)
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
Ana Amélia (PP-RS)
Ana Rita Esgario (PT-ES)
Armando Monteiro (PTB-PE)
Blairo Maggi (PR-MT)
Casildo Maldaner (PMDB-SC)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Cícero Lucena (PSDB-PB)
Clésio Andrade (PMDB-MG)
Cyro Miranda (PSDB-GO)
Edison Lobão (PMDB-MA, atual ministro de Minas e Energia)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Eunício Oliveira (PMDB-CE)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Gim Argello (PTB-DF)
Gleisi Hoffmann (PT-PR, atual ministra-chefe da Casa Civil)
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)
João Tenório (ex-senador pelo PSDB alagoano)
José Agripino (DEM-RN)
José Pimentel (PT-CE)
José Sarney (PMDB-AP)
Kátia Abreu (PSD-TO)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC)
Marco Antonio Costa (PSD-TO, suplente de Kátia Abreu)
Marco Maciel (ex-senador pelo DEM de Pernambuco)
Marina Silva (ex-senadora pelo PV do Acre)
Marta Suplicy (PT-SP, atual ministra da Cultura)
Paulo Bauer (PSDB-SC)
Pedro Simon (PMDB-RS)
Pedro Taques (PDT-MT)
Randolfe Rodrigues (Psol-AP)
Regis Fichtner (PMDB-RJ, atual secretário da Casa Civil do Estado do Rio de Janeiro)
Ricardo Ferraço (PMDB-ES)
Rodrigo Rollemberg (PSB-DF)
Sérgio Souza (PMDB-PR, suplente da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
Vital do Rêgo (PMDB-PB)
Waldemir Moka (PMDB-MS)
Walter Pinheiro (PT-BA)
Wellington Dias (PT-PI)

 

(Com informações do Congresso Em Foco e do Jornal da CBN)

Adote um Vereador se reúne neste sábado, em São Paulo

 

 

As pessoas foram chegando aos poucos e na troca de olhar desconfiaram que estavam por lá pelo mesmo motivo. Era um sábado, o primeiro desde o resultado da eleição municipal que definiu os 55 vereadores que assumirão o cargo no ano que vem. O café do Pátio do Colégio estava com as mesas quase todas ocupadas, mas conseguimos arrumar um espaço entre elas para que todos pudessem sentar e conversar. Foi assim que se iniciou o primeiro encontro do Adote um Vereador, edição 2013-2018, no segundo sábado de outubro, e não deve ser diferente neste sábado (10.11) quando voltaremos a nos encontrar por lá, após às duas da tarde.

 

No mês passado havia muita gente nova em volta da mesa, eram eleitores paulistanos que se entusiasmaram pela ideia de fiscalizar o trabalho dos vereadores e aceitaram o convite que fiz durante o Jornal da CBN – ninguém ao menos assumiu que só passou lá porque prometi pagar o cafezinho. Alguns vieram de longe, outros moravam no centro, havia os descrentes nos recém-eleitos assim como os confiantes nos candidatos que elegeram, e todos se apresentaram dispostos a assumir o compromisso de controlar a ação do legislativo nos próximos quatro anos. Por experiência, sabemos que nestes primeiros meses, incentivados pelo debate eleitoral que contamina parcela da sociedade, o interesse no assunto cresce. O desafio mesmo é fazer com que esta ação seja permanente e se consiga ampliar a rede que surgiu em 2008, em São Paulo, e chegou a outras cidades e estados brasileiros.

 

O Adote um Vereador convida o cidadão a escolher um dos vereadores eleitos da sua cidade. A partir desta escolha, assume-se o compromisso de controlar, fiscalizar, monitorar e espalhar as informações levantadas sobre ele. Pode-se fazer buscas na internet, acompanhar o noticiário no rádio, jornal e TV, mandar e-mail para o gabinete do vereador, telefonar para ele ou mesmo ir até a Câmara. No contato com o vereador ou seus assessores é importante pedir explicações sobre os compromissos que pretende assumir, os projetos de lei que vai apresentar e, também, como vai se posicionar em relação a temas que considerarmos importantes para o desenvolvimento da cidade. Todas as informações podem ser publicadas em um blog, site ou nas redes sociais, tais como Facebook e Twitter.

 

É comum o cidadão perder o ânimo quando não consegue contato com o vereador ou não recebe retorno de suas demandas. Se não houver respostas, conte para as outras pessoas. Se ele não apareceu mais no seu bairro, depois da eleição, faça uma contagem progressiva. Se ele não apresentou projetos de lei, chame atenção. Se ele está apenas gastando nosso dinheiro denuncie. Mesmo que o vereador não atenda a população muitas das suas informações estão no próprio site da Câmara Municipal. Levante tudo isso e espalhe.

 

Para conhecer um pouco mais o Adote um Vereador vá até o café do Pátio do Colégio, no centro da cidade de São Paulo. O encontro acontece todo segundo sábado do mês, a partir das duas da tarde. Para saber quem somos, pergunte ao garçom ou preste atenção no olhar das pessoas que estão sentadas por ali. Aquela turma que tem um brilho especial nos olhos, somos nós.

Oposição erra ao pedir fim da taxa da inspeção veicular em SP

 

O vereador Gilberto Natalini do PSDB apresentou projeto de lei que elimina a cobrança da taxa de inspeção veicular na cidade de São Paulo, três dias após sair de uma campanha eleitoral na qual criticava esta mesma proposta defendida pelo então candidato Fernando Haddad do PT. Nestes oito anos em que sempre esteve na base de apoio das administrações de José Serra (PSDB) e de Gilberto Kassab (PSD), Natalini jamais questionou a cobrança e nunca fez gestão na tentativa de mudar o contrato mantido pela prefeitura com a empresa Controlar que explora o serviço. Por isto e por declarações de seus colegas de partido fica claro que a medida foi tomada apenas como provocação ao prefeito eleito que, em sua primeira entrevista coletiva, disse que para derrubar a taxa precisaria ter a aprovação dos vereadores o que, provalvemente, levaria ao fim da cobrança apenas em 2014.

 

Natalini não agiu sozinho, teve o apoio do líder do PSDB Floriano Pesaro, que justificou a iniciativa do colega em entrevista à rádio CBN. Lamentavelmente, erraram os dois vereadores que, registre-se, são bem avaliados pelo trabalho na Câmara e foram reeleitos. Pelo erro foram cobrados publicamente. O secretário municipal do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge, que implantou a inspeção veicular, pediu para que os parlamentares retirem o projeto de lei e aguardem as soluções que Haddad pretende dar a este aspecto do programa de inspeção. Explicou, também, que o reembolso de até 100% da tarifa aos proprietários já está previsto na lei atual, cabendo apenas uma decisão administrativa da prefeitura – como ocorreu, aliás, nos primeiros anos da inspeção veicular. Eduardo Jorge, ligado ao PV, aproveitou para ressaltar algo que diz ter aprendido na vida de militante político e parlamentar: “nós não devemos mudar a nossa opinião frente a uma política pública simplesmente porque somos governo ou oposição. O que é correto é correto, seja o governo liderado pelo PSDB, PT, PV, PSD, etc…”

 

O que os eleitores devem esperar de seu representante é que eles atuem de acordo com os compromissos que assumiram durante a campanha e vida pública. Tanto quanto se espera que Fernando Haddad acelere o processo para cancelar a cobrança da taxa da inspeção veicular, tem-se a expectativa de que os vereadores que estarão na oposição, de forma lógica e com argumentos consistentes, combatam esta ideia. Imagino que parcela dos que escolheram Natalini acredita que o mais justo é que os donos de automóveis paguem pela inspeção em vez de se manter o programa com o dinheiro de todos os paulistanos – inclusive daqueles que não têm carro, usam ônibus, metrô, trem ou andam a pé. Foi isso que o vereador defendeu no seu mandato e na campanha. E por isso votaram nele. Agir de forma diferente não engrandece seu currículo e frustra quem gostaria de ver a oposição atuando de forma inteligente e dando oportunidade para que a cidade debata os temas importantes para o crescimento de São Paulo.

 

Que este primeiro ato tenha sido apenas reflexo de indigestão gerada pela derrota nas urnas.

#Drummond110

 

Em homenagem aos 110 anos de Carlos Drummond de Andrade, comemorados neste 31 de outubro de 2012, uma série de eventos será realizada em ao menos quatro cidades brasileiras: São Paulo, Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte (acompanhe a programação aqui). Nas redes sociais, o “Dia D”, como vem sendo, simpaticamente, chamada a data, trechos de texto do poeta serão lembrados nas redes sociais com a hastag #Drummond110. No Jornal da CBN não ficaremos para trás, vamos conversar, também, sobre Drummond, seu talento e suas lembranças.

 

Reproduzo aqui o poema Câmara Municipal, escolha, evidentemente, provocada por influência dos amigos do Adote um Vereador:

 

Prefeito, governe de portas abertas à sociedade

 

Das boas coisas dos domingos de eleição, uma delas, com certeza, é encontrar o arquiteto Chico Whitaker na sessão em que voto, em escola do bairro de Pinheiros, na zona Oeste de São Paulo. Mesmo sem combinarmos horário por mais de uma vez já nos cruzamos por lá o que rende boas conversas sobre cidadania. Ontem, peguei-o saindo da sala, estava se despedindo dos mesários com a mesma simpatia de sempre. Votei rapidamente para não perder a aula que, sabia, viria na sequência quando Whitaker passeia até em casa com longas paradas para me explicar alguns pontos que considera fundamentais na política. No bate-papo desse domingo, falamos, entre outros pontos, sobre a necessidade de se incentivar canais de participação da sociedade no Executivo e Legislativo. Também sobre a dificuldade que partidos e políticos têm de entender as demandas do cidadão e representá-los.

 

Vamos pegar o caso de São Paulo para a qual Fernando Haddad do PT foi eleito com mais de 3,3 milhões de votos, neste segundo turno – isto significa cerca de 39% de todos os paulistanos aptos a votar. O restante preferiu Serra do PSDB, votou em branco, anulou ou sequer foi às urnas – somente estes foram 19,99%. Apesar de apenas uma parcela do eleitorado ter escolhido o candidato petista, ele assumirá o cargo para administrar toda a cidade e ofercer soluções para todos os cidadãos. Portanto, se o prefeito eleito pretende governar para São Paulo – e acredito nesta intenção – precisa ampliar sua atuação para além da fronteira do seu eleitorado e perceber que as demandas da sociedade são muito mais amplas do que aquelas que surgiram e foram discutidas durante a campanha eleitoral. Os problemas reais estarão a desafiá-lo no dia a dia e as soluções não estarão restritas a seu ideário e de seus colegas de partido.

 

Escrevo sobre São Paulo pois é o cenário que mais domino, e se assim considero é menos pela minha capacidade de análise e muito mais pela vivência na capital paulista, desde 1991, e a convivência com os temas que trato no cotidiano do jornalismo (aprendi com meu pai que o Diabo sabe mais por velho do que por Diabo). O que digo aqui, porém, se aplica a todas as cidades brasileiras, onde assistimos às eleições ocorrerem, mesmo naquelas em que a decisão foi no primeiro turno. Um exemplo: Rio de Janeiro. Mais da metade do eleitorado não votou em Eduardo Paes (PSDB), prefeito consagrado com 64,60% dos votos válidos (2.097.733).

 

Que todos estes prefeitos que assumirão (ou reassumirão) em 1º de janeiro de 2013 entendam que a saída para o desenvolvimento das cidades está em escutar as pessoas, e debater constantemtente com a sociedade. Chico Whitaker, meu companheiro de votação, em texto atualizado às vésperas do 2º turno, com o título “Se me permitem sonhar”, ensina, com a competência que seu conhecimento experiência concedem:

 

“Esse tipo de Prefeito pedirá aos cidadãos que ‘controlem’ sua administração e convidará a cidade a conversar com ele, a refletir com ele sobre as prioridades das ações da Prefeitura, descentralizando-a ao máximo para que todos tenham condições de se exprimir frente aos problemas que vivem concretamente e que eles conhecem muito mais do que ninguém; ele dará ouvidos de forma sistemática e continuar a quem se organizar em associações e em movimentos de luta por direitos, ajudando toda a cidade a assumir a superação das desigualdades em suas condições de vida; consultará a população com os plebiscitos e referendos previstos na Lei Orgânica do Município, sempre que decisões com grande impacto na vida da cidade tenham que ser tomadas; fará dessas consultas vastos processos de discussão dos problemas e das soluções propostas, como se fossem campanhas eleitorais centradas em conteúdos e não pessoas; discutirá com toda a sociedade a Lei de Diretrizes Orçamentárias, para decidir sobre as opções do orçamento a ser elaborado para o ano seguinte, antes de levá-la à Câmara para votação, em vez de chamar a população – e os próprios vereadores – para uma discussão limitada de orçamentos já engessados; apresentará para a discussão de todos, nas associações de bairro, nas escolas, o Plano Diretor que deve orientar a ocupação do espaço urbano e a implantação dos equipamentos coletivos de que temos necessidade. Essas e muitas outras iniciativas serão possíveis, pela criatividade de uma cidadania ativa que sabe que detém um poder político”.

 

Sem me alongar, depois dos exemplos acima, concluo dizendo que o prefeito eleito deve derrubar as paredes de seus gabinetes e escancarar as portas da prefeitura. Aliás, fiz esta proposta, pessoalmente, aos três principais candidatos da cidade da Serra, na Grande Vitória (ES), quando convidado para realizar palestra, durante a campanha eleitoral, no 1º turno. Recebi sorrisos e um compromisso envergonhado deles, entre os quais o agora eleito Audifax Barcelos (PSB). Os novos prefeitos (e vereadores, também) não podem ter medo da voz dos cidadãos e do poder que a sociedade detém quando atua de forma organizada. Devem se valer deles.

Apenas 3 vereadores se elegeram por conta própria, em SP

 

A maior parte dos vereadores costuma comportar-se na Câmara como representante de apenas uma parcela da cidade. Fazem projetos de lei e brigam para garantir dinheiro no Orçamento que beneficie seu reduto eleitoral. Sabem que isto vai garantir a eles um bom bocado de votos daquele distrito ou do segmento profissional que ajudaram. Deveriam prestar mais atenção nos números desta última eleição e perceber que ao assumir o cargo de vereador têm o dever de agir como representante de todos os paulistanos. Dos 55 que estarão no legislativo municipal, a partir do ano que vem, apenas três conseguiram votos suficientes para se eleger sozinhos. Todos os demais precisaram dos votos que foram dados para os outros vereadores da coligação ou para a legenda.

 

Para entender melhor: a eleição para vereador é proporcional e o número de cadeiras que cada partido ou coligação conquista depende do quociente eleitoral que é o número de votos válidos dividido pelo número de vereadores eleitos. Com 5.711.166 votos válidos para vereador na capital, o quociente eleitoral ficou em 103.843 votos. Ou seja, para ter uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo era preciso no mínimo 103.843 votos. Somente os vereadores Tripoli (PV), Andrea Matarazzo (PSDB) e Goulart (PSD) superaram esta marca. Os demais 52 tiveram que contar com os votos de eleitores de outros vereadores, partidos ou coligação.

 

Um exemplo: Milton Leite (DEM), quarto mais bem votado na cidade, que investe todo seu cacife em bairros da zona sul de São Paulo e se dedica a conseguir dinheiro público para colocar grama sintética em campo de várzea na região, precisou pegar emprestado pouco mais de 2 mil votos de colegas de partido ou coligação, caso contrário ficaria de fora da Câmara.

 

Os números que uso são apenas para ilustrar um cenário que deveria ser respeitado pelos vereadore independentemente do quociente eleitoral. Pois, no momento em que assume o cargo na Câmara Municipal de São Paulo deixa de ser o vereador de seus eleitores, passa a ser o vereador da cidade.

 

De marcas e identidades políticas

 

Nei Alberto Pies
professor e ativista de direitos humanos.

 

“A política é a arte do possível. Toda a vida é política”. (Cesare Pavese)

 

Depois das eleições, é comum que diferentes pontos de vista sejam empenhados para justificar os resultados e o suposto recado da população através das urnas. Para além destes elementos, é importante destacar como os políticos, agora eleitos, foram conquistando para si a confiança dos outros e como foram capazes de mobilizar mentes e corações que os acompanharam durante o período eleitoral. Nas eleições municipais, a proximidade, o conhecimento e reconhecimento dos candidatos somam-se para a definição e tem certo peso na definição das escolhas.

 

Cada um de nós compõe a sua história social. Somos o que somos e o que representamos. Em torno da gente, construímos um ideário que se compõe a partir das nossas ideias e atitudes, das nossas relações pessoais e interpessoais e dos nossos posicionamentos em relação à vida, à sociedade e o mundo. Todos somos seres políticos e “toda a vida é política” porque viver em sociedade exige posicionamentos, opções e virtudes, permanentemente. Quem se dispõe à vida pública deve saber que todos estes elementos serão avaliados e confrontados com aquilo que propõe como soluções coletivas. Daí que não é possível separar a pessoa da função ou do cargo e vice-versa.

 

A política, para além da busca do bem-comum, é uma grande paixão que alimenta horizontes utópicos pessoais e coletivos. Cada candidato, ao longo de sua vida, foi construindo um capital social que, nas eleições, colabora para criar uma identidade com o seu eleitor. Este capital é social porque construído na relação com a comunidade, com o partido e com seus pares (apoiadores). Muitos chamam este capital de carisma, de marca, de imagem, de identidade própria, de peculiaridade.

 

Quando o marketing e a propaganda política traduzem e afirmam a identidade dos candidatos, cumprem papel preponderante para subsidiar a escolha dos eleitores (ao ler esta reflexão você pode estar avaliando o quanto foi influenciado pela propaganda e mídia na decisão de seu voto). Do contrário, a propaganda soa falsa, não cola na imagem do candidato e passa ao eleitor uma ideia de falsidade ou inverdade.

 

Contexto político e econômico favorável, apoio político, fala boa e bem articulada, boa comunicação, marketing e argumentos bem construídos nem sempre são suficientes para ganhar uma eleição. Ao analisar boa parte dos prefeitos eleitos em nosso país, inclusive os muito bem votados, podemos constatar que, em grande medida, a maioria elegeu-se também por conta de sua marca e identidade pessoal na vida pública. Daí a imaginar que, se não preponderante, a marca e a identidade pessoal são um grande “plus” para quem deseja ganhar uma eleição.