Renunciar a prescrição do crime, quem aceita esta ideia?

 

Uma reunião sem pauta e uma conversa descontraída costumam fazer parte dos encontros da rede Adote um Vereador, todo segundo sábado do mês, em torno de uma mesa de bar do Pateo do Collegio, no centro de São Paulo. Ao contrário do que ocorre em muitas organizações, a informalidade é nossa marca pois nossas ideias não exigem CNPJ para se tornar realidade. A fiscalização do trabalho dos vereadores é um dos papéis do cidadão, enquanto eleitor – ops, me desculpe pelo sindicalês. Somos responsáveis por nossas escolhas e, portanto, nos cabe ficar de olho naqueles que nos representam. A intenção desta rede, prestes a completar quatro anos, não chega a ser tão pretensiosa, por isso sugerimos que cada pessoa cuide do seu vereador, aquele que ajudou a eleger, apesar de que com o tempo criamos um grupo que praticamente adotou toda a Câmara Municipal de São Paulo. E, sem exagero, há os que adotaram a política como tema. Portanto, sem ata nem registros, usamos os intervalos entre um prato de quiche, umas garrafas de água mineral e muitas xícaras de café para bater papo sobre o que fizemos, deixamos de fazer e adoraríamos fazer para controlar os políticos – às vezes, para controlar nossa vida, também, pois assuntos caseiros surgem a todo momento.

 

Nesse sábado à tarde, enquanto o temporal se armava para estragar a vida dos paulistanos, conversamos sobre vários temas, muitos dos quais em diálogos simultâneos, o que torna impossível a tarefa de querer registrar tudo em documentos oficiais, assim como de lembrar de todos para publicar neste post. Pelo que pude perceber, a Consocial_SP teve destaque especial, pois no conselho integrado pela sociedade, no qual o Adote um Vereador tem representantes (sem direito a verba, diga-se), criou-se a oportunidade de se apresentar todo tipo de projeto para aumentar a transparência no serviço público e o controle sobre a corrupção. Há um mês, inclusive, em parceria com o Movimento Voto Consciente, e participação de representantes do Nas Ruas – grupo que mobilizou a sociedade pelas redes sociais para se manifestar contra os “malfeitos” e “malfeitores” – fizemos uma espécie de assembleia livre de onde tiramos 10 propostas para a organização nacional da Consocial.

 

Não é que quando a chuva já despencava na cidade, no sábado, e estávamos quase prontos para pagar a conta, surgiu mais uma ideia que deverá ser levada ao próximo encontro da Consocial ? Tudo porque lembrei de comentário do meu colega Walter Maierovitch, no Justiça e Cidadania, que vai ao ar às segundas-feiras, no Jornal da CBN, no qual ele falou de um mecanismo que existe na Europa, esquecido pelo legislador brasileiro. Lá, diferentemente daqui, é um direito do réu renunciar à prescrição do crime. Sabe-se que a prescrição, ao contrário do que alguns costumam dizer, nem condena nem absolve ninguém. Sob a imagem do réu fica a dúvida da sociedade, portanto ele pode pedir que o julgamento vá em frente para provar que é inocente. Imagine o caso, apenas como exemplo, de um dos réus do Mensalão, crime que corre o risco de prescrever. Ao perceber que o tempo passa sem que a Justiça decida sobre a acusação de que ele teria se beneficiado de dinheiro sujo, poderia pedir pela continuidade do processo, afinal quem mais estaria interessado em provar que suas mãos estão limpas se não o próprio inocente.

 

Aproveito este espaço para convidar integrantes de outros grupos envolvidos no Consocial, em qualquer cidade brasileira, que leve em frente a proposta da renúncia à prescrição, quem sabe assim possamos ser contemplados com um avanço na lei brasileira que tornará inútil, ao menos em parte, a prorrogação dos processos judiciais, como costumam fazer bandidos famosos.

Presidente da Câmara nega informação pública, em Bertioga

 

Próximo de entrar em vigor a lei de acesso à informação pública, é impressionante que Câmaras Municipais ainda tenham a capacidade de produzir ofício como o que ilustra este post. A história começa com o interesse legítimo de um grupo de eleitores da cidade de Bertioga, litoral paulista, em saber como está o andamento de um projeto de lei, apresentado há quase um ano, que pretende implantar a Ficha Limpa na nomeação para cargos em comissão do município, nos mesmos moldes como já se discute em algumas cidades brasileiras. O pedido foi feito por escrito pela coordenadora do Movimento Voto Consciente Kátia Hidalgo Daia ao “Exmo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Bertioga Vereador Marcelo Heleno Vilares”, autor da pérola legislativa que se segue:

 

 

Puxando o traço: para o Exmo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Bertioga Vereador Marcelo Heleno Vilares a informação, que é um direito de qualquer cidadão ou entidade, somente será repassada se a autora do pedido comprovar a legitimidade da organização através de documentos – talvez a ata de constituição, assinada e autenticada em cartório. O mais irônico é ler ao fim do ofício que o vereador tem “estima e apreço”. Só se for pela burocracia e obscuridade no serviço público. (E não se entusiasme, não; é bem provável que na sua cidade o comportamento dos vereadores seja o mesmo).

Número de Vereadores para 2012

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

 

O número de cadeiras da Câmara de Vereadores de todas as cidades brasileiras deve constar na Lei Orgânica do Município como expressão de sua autonomia. Trata-se de uma exigência que visa organizar o Poder. De outra parte, em vista da limitação contida no texto da Constituição Federal, dúvida não há de que a Casa goza de absoluta discricionariedade para fixar a sua composição mediante os critérios e elementos que entender convenientes.

 

Sabe-se que foi o aumento da população anotado pelo Censo de 2010 combinado ao novo permissivo da Constituição que estimulou inúmeras Câmaras Municipais do país a propor emendas às Leis Orgânicas objetivando o aumento do número de seus Vereadores. Fique claro, porém, que o Legislativo não precisa estabelecer o número máximo permitido para poder funcionar.

 

A Constituição Federal conferiu às Câmaras a prerrogativa de dispor sobre a última palavra em relação aos Vereadores diante das 24 (vinte e quatro) faixas populacionais que introduziu, desde que observado o número máximo estabelecido neste mesmo dispositivo constitucional. Contudo, vale ponderar especialmente em vista daquelas comunidades onde a alteração poderá acrescentar ao invés de reduzir o número de cadeiras, que a manifestação popular merece valorização. Afinal, o tema é sensível e a política é uma atividade que tem sido alvo de críticas severas e freqüentes.

 

Alguns fatores podem subsidiar esta definição. Primeiro, que a população pode invocar considerações de ordem social, econômica ou orçamentária para sustentar que tanto o número vigente quanto outro, inferior ao máximo constitucionalmente permitido, é o que melhor se ajusta à sua realidade. Depois, em vista de que Câmara Municipal é formada por Vereadores eleitos pelo povo, é no mínimo sensato que ela avalie as considerações da própria sociedade sobre o tema. Por fim, os partidos políticos constituídos no Município devem se engajar em torno de objetivos comuns tais como paz social e representatividade. Quanto mais não fosse, nunca é demais frisar que a publicidade é um dos princípios que rege todos os atos praticados pelos poderes públicos.

 

Questões relacionadas à ampliação ou redução territorial, ao surgimento de fatos econômicos e sociais relevantes e mesmo a delimitação de novos bairros no Município são elementos objetivos que justificam a alteração da composição do número de Vereadores.

 

Para fixar o seu número de integrantes em vista da legislatura seguinte, a Câmara deve obedecer o prazo legal que precede o início das convenções partidárias previsto ao art. 8º da Lei nº 9.504/97, ou seja, junho/2012.

 

Em resumo: o número de vereadores não é nem nunca foi matéria de natureza eleitoral. A sua fixação não está e jamais esteve subordinada ao prazo de “um ano antes” da eleição. Se entre o ano de 2004 – data da alteração fixada pelo Supremo Tribunal Federal – e 2012 não ocorreu (ou ocorrer) nenhuma alteração na Lei Orgânica, para 2013 valerá o número de Vereadores que constava previsto (ou escrito) antes de 2004, ou seja, aquele que determinou o número de componentes para a eleição municipal de 2000, ainda que para os pleitos de 2004 e 2008 a composição tenha sido diversa, a maior ou a menor.

 

Porém, de tudo isso, mais importante que o número de Vereadores de uma Câmara Municipal, o essencial mesmo é a participação e colaboração dos cidadãos. Que outros blogs, a partir do sucesso desta liderança do Milton Jung, adotem os seus vereadores, inclusive como forma de subsidiá-los.

 


Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age) e “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Vereador, apóie o Candidato Cidadão para o TCM

 

A Câmara Municipal de São Paulo tem a oportunidade de mostrar que está disposta, realmente, a mudar a forma de se fazer política e a dar credibilidade ao trabalho do legislativo. Pela primeira vez, os vereadores poderão escolher um conselheiro para o Tribunal de Contas do Município que não seja indicado apenas por interesses políticos-partidários e em negociações de bastidor, permitindo a inscrição de uma candidatura independente e abrindo espaço para o debate público no plenário da Casa. Para tanto é preciso que, no mínimo, 1/3 dos vereadores assinem decreto legislativo apoiando o nome de Luiz Camargo, servidor efetivo do TCM e ex-Subsecretário de Fiscalização e Controle.

 

A candidatura de Camargo saiu de um processo democrático, com eleição de dois turnos e realização de debates, promovido pelo Sindicato dos Servidores da Câmara Municipal e do Tribunal de Contas do Município de São Paulo. A intenção é acabar com prática comum na qual o conselheiro é sempre um político prestes a se aposentar das disputas eleitorais, decidido a partir de conchavos que acabam prejudicando o desempenho dos tribunais de conta, responsáveis por fiscalizar negócios e contas do Executivo. O sindicato e mais uma série de entidades querem que o cargo passe a ser ocupado por técnicos qualificados sem comprometimento partidário.

 

O TCM de São Paulo tem cinco cargos de conselheiro – três indicados pela Câmara e dois pelo prefeito -, um deles está vago desde a saída de Antonio Carlos Caruso, que se aposentou em dezembro. Este cargo é da cota da Câmara que, consta, pretende indicar o vereador Domingos Dissei (PSD) que, assim, não disputaria a próxima eleição municipal. Se 18 vereadores aceitarem a proposta de apresentar a candidatura do Conselheiro Cidadão se teria, ao menos, a oportunidade de um debate com participação popular e divulgação da importância do papel do Tribunal de Contas do Município.

 

Para ajudar nesta campanha, minha sugestão é que o paulistano mande um e-mail para seu vereador com a seguinte mensagem:

 

“Vereador, por favor, assine o decreto legislativo indicando o nome de Luiz Carrgo para conselheiro do Tribunal de Contas do Município”

 

Para saber qual o e-mail do seu vereador, entre aqui.

 

Para conhecer a proposta de Luiz Camargo, o Candidato Cidadão, acesse aqui.

 

Uma nova vaga deve ser aberta, em breve, no TCM, com a saída, ainda não confirmada, de Eurípedes Sales, permitindo que o prefeito Gilberto Kassab indique seu substituto. O nome mais provável para substituí-lo é o do Vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR), ex-presidente da Câmara.

Você sabe quanto o vereador gastou do seu dinheiro?

 

Os vereadores de São Paulo têm direito de usar até R$ 15.393,75 por mês para manter seu gabinete e parte de seu mandato. Este valor é cumulativo, portanto se não for gasto em um mês poderá ser somado às despesas dos meses seguintes. Ano passado, os 55 gabinetes desembolsaram R$7.546.787,33 para pagar correio, material gráfico, locação de veículos, combustível e material de escritório, entre outros itens permitidos por lei. Tradicionalmente, os valores mais altos são gastos com material gráfico e correio, e não foi diferente em 2011 quando 41,89% da verba de gabinete foram registrados nestes dois itens. O fornecedor privado que mais se beneficiou com este dinheiro, não por acaso, foi a Gráfica Palomar Ltda, que embolsou (no bom sentido) R$ 156.544,83. Já o parlamentar que mais fez uso da verba de gabinete foi Toninho Paiva (PR) com gastos de R$ 196.129,02 – mais de um terço deste dinheiro foi para ressarcir as despesas que teve enviando material pelo correio.

 

O serviço “Prestação de Contas da Câmara Municipal de São Paulo” criado pelo cidadão e programador Maurício Maia tem todos estes dados à disposição e organiza a busca das informações que estão publicadas no site do legislativo municipal. O projeto dele foi apresentado no ano passado e atualizado nesta semana e tem se tornado importante fonte de consulta para quem pretende entender melhor para onde vai o dinheiro público. Toda vez que me deparo com este trabalho, me questiono porque o site da Câmara, que custa tão caro para o bolso do contribuinte, não agrega este serviço, e passa a publicar as informações em códigos que permitam o cruzamento de dados. Registre-se que a renovação do site feita há dois anos foi um avanço em relação ao que se tinha até então.

 

A propósito: você tem ideia de quanto seu vereador usou do seu dinheiro para sustentar o gabinete dele?

 

Acesse “Prestação de Contas” e saiba onde ele gastou a verba de gabinete.

A falta de lógica eleitoral em São Paulo

 

A eleição municipal vai dar um nó na cabeça do eleitor paulistano, haja vista a negociação que os partidos fazem nos bastidores. Imagine os vereadores do PT defendendo a gestão Gilberto Kassab, algo bastante possível a medida que o prefeito e chefe-mor do PSD quer fazer dobradinha na chapa de Fernando Haddad. O ex-ministro da Educação disputaria vaga de prefeito e um kassabista surgiria como vice: Alexandre Schneider, Guilherme Afif Domingos ou outro qualquer, desde que não seja Henrique Meirelles. O ex do Banco Central e BankBoston jamais aceitaria disputar eleição nestas condições, mesmo com as declarações conciliadoras que aparecem entre aspas nos jornais. Gente próxima de Meirelles dá risada quando ouve a proposta.

 

O PSDB, com o nome que aparecer da prévia, terá de atacar Kassab, prefeito que foi levado ao cargo pelas mãos de José Serra, um dos principais comandantes do partido. Até hoje, tucanos integram o governo dele e até pouco tempo Andrea Matarazzo – um dos favoritos na disputa interna do PSDB – era uma espécie de xerife de Kassab no papel de coordenador das subprefeituras. O partido segue votando com os governistas na Câmara Municipal de São Paulo.

 

Serra poderia por ordem nesta lógica eleitoral, pois saindo candidato levaria Kassab ao seu lado, manteria a parceria que venceu em 2004, o PSDB não precisaria atacar a atual gestão e o PT ficaria livre para bater. O problema é que as pesquisas eleitorais com o tucano aparecendo apenas com 18% das intenções de votos – dados da última Datafolha – , depois ter sido prefeito, governador e disputado o segundo turno para presidente, revelam que o risco de uma derrota fatal é enorme. Sem contar a alta rejeição que tem no eleitorado paulistano, cerca de 30%.

 

Com esta confusão, não é de se espantar que uma eleitora que teve seu nome indevidamente inscrito no PSDB, ao ser perguntada pelo repórter do jornal o Estado de São Paulo se era filiada ao partido, respondeu: “Não entendo o que é”.

A cara da política brasileira: falsa filiação e emendas parlamentares

 

Três reportagens que li neste fim de semana, na revista Época e no Estadão, mostram um pouco de como se faz política no Brasil. Na primeira, o jornal mostra que muitos filiados do PSDB sequer sabem que têm ficha no partido, aliás há quem nem saiba que partido é esse. Pior do que um sinal de desorganização do principal partido de oposição no País, é se identificar que algumas pessoas foram levadas a se filiar quando tentavam participar do programa Leve Leite, do Governo do Estado de São Paulo, que está sob comando da legenda há seis gestões. A irregularidade apareceu durante organização das prévias para escolher o candidato do partido à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

 

A troca de favores também está por trás de outra situação descrita em reportagem de duas páginas do Estadão, desta vez incluindo todos os partidos paulistanos. O Orçamento da cidade de São Paulo para 2012 tem R$ 4,6 milhões em emendas parlamentares destinadas a custear competições esportivas em redutos eleitorais dos vereadores. Somado o dinheiro destinado as obras de instalações como gramado sintético, iluminação, alambrado, entre outros, o valor chega a R$ 21 mi ou 20% dos R$ 123,9 mi previstos em todas as emendas apresentadas no fim do ano passado. Os vereadores fazem favores com o dinheiro público e depois são retribuídos com seus nomes propagandeados pelas instituições de bairro, sem levar em consideração as prioridades de cada região. No Morro do Sabão, extremo sul da cidade, conta o jornal, até hoje não se conseguiu ampliar o número de creches, deixando centenas de crianças sem atendimento. Em compensação, o vereador Arselino Tato do PT não abriu mão de separar dinheiro do Orçamento para o campinho de futebol no bairro.

 

As emendas parlamentares ganham capítulo especial na reportagem de capa da edição nacional da revista Época. Em “Anatomia da corrupção”, a grana separado pelos deputados no Orçamento aparece como uma das sete fontes usadas por “corruptos para meter a mão no nosso dinheiro”. O esquema é bastante conhecido: depois de incluir no Orçamento a verba para a prestação de serviço ou realização de uma obra em seu reduto eleitoral, o parlamente negocia com o Governo a liberação do dinheiro, influencia na empresa que será contratada e, a partir de notas frias, desvia parte do dinheiro.

 

Em todos os casos, as velhas promessas de que as irregularidades serão investigadas, os culpados serão punidos e as regras modificadas para impedir falcatruas. As soluções são de conhecimento público e passam pela transparência nas negociações e pelo monitoramento eletrônico de toda movimentação do dinheiro, o problema é que estas ferramentas para serem acionadas na maior parte das vezes depende desses mesmos políticos.

Voto pela internet

 

O texto foi escrito pelo bacharel em direito Pedro Cardoso da Costa, ouvinte-internauta do Jornal da CBN:

A Justiça Eleitoral em alguns aspectos supervaloriza-se em nome da segurança no processo de votação e prejudica alguns avanços em seus serviços por meio da utilização da informática.

 

Em 1996 foi instituída a primeira votação eletrônica no Brasil. Iniciou-se nos municípios com mais de duzentos mil eleitores. Em 2000 já havia votação eletrônica em todos os municípios. Em quatro anos generalizou-se o voto eletrônico. O ganho foi incontestável. As longas horas nas filas para votar diminuíram. As fraudes, caso existam, são tão pequenas, que a rapidez da população na hora de votar suplanta. O resultado das eleições é apresentado quase instantaneamente. Permanecem algumas pendências em função de problemas com algumas urnas, compreensíveis e inevitáveis.

 

Só que o avanço ficou estagnado. Algumas mudanças se fazem necessárias e urgentes. Continuam as Juntas Eleitorais. Seria um órgão da Justiça Eleitoral, criado para organizar e efetuar a apuração. Só que a maioria dessas pessoas não entende de urna e apenas colam os boletins de votação numa folha de papel para ser afixada e esquecida num local. O problema é que são pagas para isso. E essa despesa e esse órgão são totalmente desnecessários, sem trazer nenhum prejuízo operacional para a eleição.

 

Os requerimentos de alistamento, transferência e revisão dos títulos deveriam ser formulados pela internet. Com a tecnologia de hoje, torna-se apenas perda de tempo uma pessoa se dirigir a um cartório eleitoral para requerer uma dessas operações. Serviria também para toda regularização do título. Se a Receita Federal passou a processar a declaração do imposto de renda somente pela internet, a Justiça Eleitoral deveria fazer o mesmo com todas as sua operações. Inclusive poderia firmar convênio com as instituições financeiras para que as multas fossem quitadas no momento do pagamento. Depois, apurar-se-iam os eventuais problemas, caso a caso.

 

Porém, o mais importante seria a viabilização da eleição pela internet. Alguns alegam impedimentos legais. No Brasil sempre se colocam empecilhos na legalidade para justificar resistência a alguns avanços. Traria uma economia muito grande, pois não haveria necessidade de enviar milhões de correspondências para convocar mesários, nem de lanches para esse pessoal, dois ou quatro dias que as empresas não perderiam na compensação dos dias trabalhados. Manutenção das urnas não existiria mais; evitaria despesa com gasolina pelo deslocamento das urnas, abertura de escolas. Além de tantas outras despesas relacionadas às eleições pelo processo tradicional, algumas delas até mais altas do que as citadas.

 

Deveria ser criado um código de segurança que vinculasse obrigatoriamente um voto apenas a cada título eleitoral. Os apressados alegariam logo que alguém poderia usar o título e votar pelo outro. O absolutamente capaz é responsável pelos seus documentos. Hoje os estelionatários clonam cartão de crédito e tiram dinheiro; usam o registro geral – RG e o cadastro de pessoa física – CPF de outras pessoas; nem por isso se cogita a extinção do cartão de crédito em nome da segurança. Portanto, a instituição do voto pela internet virá, mas atrasada, forçada naturalmente pela evolução tecnológica. A instituição voluntária seria no mínimo mais inteligente.

 

Morador de Taubaté cria Adote um Vereador

 

Mensagem que recebemos do morador da cidade de Taubaté, interior de São Paulo, Dênis Buselli G. Fonseca:

Boa noite. Sou cidadão de Taubaté/SP, mas por motivo de trabalho passo a semana na cidade de São Paulo, onde, através da CBN, conheci o projeto Adote um Vereador. Achei muito interessante e resolvi adotar um vereador de Taubaté. Coloquei o blog hoje no ar (acesse aqui). Gostaria de contar com sua ajuda, com critas, sugestões e dicas, de como posso desempenhar bem o trabalho de “Adoção” e divulgação no blog.

STF tem voto pra manter poderes do CNJ

 

Em fevereiro, assim que o Supremo Tribunal Federal encerrar o período de recesso, seus ministros terão tarefa importante de decidir se o Conselho Nacional de Justiça tem poderes para investigar juízes e apurar valores recebidos pelos magistrados. No fim do ano passado, duas liminares, assinadas pelos ministros Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski, suspenderam investigações da corregedora do CNJ, Eliana Calmon, gerando uma crise interna no Poder Judiciário. Com as medidas preliminares o Conselho está impedido de abrir processos disciplinares contra juízes antes da atuação das corregedorias dos tribunais de origem de magistrados – fato que tem impedido, historicamente, o avanço de investigações contra integrantes do judiciário.

A boa notícia é que, a partir de informações levantadas nesta semana, sabe-se que seis dos 11 ministros do Supremo são a favor da manutenção dos poderes do CNJ. É possível, inclusive, que mais um ministro apoie a ideia, ampliando a vitória sobre aqueles que têm a intenção de desmontar o Conselho Nacional de Justiça – um órgão que em pouco tempo de atuação demonstrou competência e causou alvoroço entre os togados.