Cidadãos de Lages tentam barrar aumento de vereadores

 

Os moradores de Lages, interior de Santa Catarina, se mobilizam para barrar o aumento de 12 para 19 vereadores, aprovado em março deste ano pela Câmara Municipal com base em Emenda Constitucional nº 58/2009. Com a campanha “Diga não para o aumento de vereadores”, pretendem arrecadar cerca de 6.800 assinaturas de apoio a projeto de lei de iniciativa popular que propõe a manutenção do atual número de parlamentares.

Panfletos distribuídos na cidade estampam a frase: “Não precisamos de mais vereadores, precisamos que os vereadores façam mais”. Em 2010, os 12 parlamentares aprovaram 92 leis. Considerando o valor total gasto pela Câmara no ano, de R$ 5,75 milhões, cada lei aprovada custou aos cofres públicos cerca de R$ 62,5 mil, informa o jornal Correio Lageano.

Hoje, o salário de um vereador, sem encargos, é de R$ 7.019,00 além da verba de gabinete de R$ 1.200,00. De acordo com cálculo feito pelos organizadores do movimento, mais sete vereadores representariam gastos de mais de R$ 690 mil por ano ao município. Nesta conta devem ser acrescidos o valor do salário pago aos assessores, além de gastos com encargos empregatícios, e os custos para ampliar o número de gabinetes e adaptar o plenário.

Os vereadores de Lages, assim como da maioria das Câmaras que aprovaram o aumento no número de vagas, tentam convencer o cidadão de que os custos da casa não aumentarão pois o repasse de 6% do Orçamento municipal será mantido. O que eles não contam é que parte deste dinheiro costuma ser devolvido aos cofres públicos e pode ser investido no ano seguinte em áreas prioritárias. Com o aumento no número de vereadores, o custo da Câmara atingirá o teto ou, em um cenário ainda pior, haverá um esforço para aumentar a arrecadação da cidade, o que significa aprovar o aumento do ISS e IPTU.

Eleição de 2012 sem mudanças

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

No dia 7 de outubro último expirou o prazo de anualidade para que alguma “lei nova” entrasse em vigor em relação ao pleito municipal de 2012 cujos prazos já estão na praça. Com isto, salvo alguma pendência de interpretação acerca da Lei das Fichas, nada foi ou será alterado, muito menos para 2014 (ou você imagina que os congressistas que trocaram de partido ficarão sem horário de rádio e TV?).

Contudo, é essencial, é necessário, é preciso repetir e refletir que não há mais possibilidade de contornar temas aflitivos que despertam indignação tanto na sociedade quanto na própria classe política. Sim, na classe política. Afinal, os políticos não são todos iguais. Há exceções muito nítidas na causa pública. Ocorre que a sucessão de Comissões e adiamentos, legislatura após legislatura, a par do desperdício, impulsiona a sensação de que o desfecho pretendido jamais será alcançado. Se a um ângulo a constante exposição da matéria converteu a Reforma Política numa espécie de redenção ética de cunho salvacionista, a outro é leviano supor que a sua aprovação funcionará como um antídoto capaz de eliminar todas as mazelas vigentes.

No início do século XX, o dramaturgo alemão Bertold Brecht cunhou uma manifestação que se tornou célebre:“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não sabe o custo de vida, preço do feijão, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, depende de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.

Reforma Política no Brasil do Fundo Partidário, da Coligação para eleger deputado e vereador, da votação secreta por decoro parlamentar, não significa somente a necessidade de alteração mas de uma nítida evolução nos mecanismos de acesso e desempenho de mandatos.

A sistemática atual, defasada e desacreditada ética e instrumentalmente, exige recomposição para viabilizar o resgate da Política como atividade digna e respeitável mas hoje em desalento. Esta necessidade é inadiável pois, infelizmente, as relações entre candidatos, partidos e mandatos estão num processo de saturamento que beira a hipertrofia.

No entanto, conforme apontam estudos e análises, nenhuma das alterações preconizadas, especialmente aquelas mais divulgadas, encerra uma solução definitiva. Há um regime de interdependência. Até porque, uma modificação integral jamais será executada, seja porque as resistências são sólidas, seja porque algumas propostas são incompatíveis à realidade brasileira.

Prova disso foi novamente em 2011 a ausência de consenso para colocar o tema ao menos em discussão.

No tocante à corrupção, não há como divinizar o eleitor quando decisões da Justiça Eleitoral comprovam que a corrupção passiva é tão praticada quanto a ativa.

É certo que a cada legislatura um contingente de respeitáveis e respeitados parlamentares se mobiliza visando reação. Contudo, eles expressam minoria. Nem mesmo os anêmicos índices de credibilidade que as pesquisas de opinião conferem à maioria dos Congressistas e Legislativos tem sido suficientes para substituir a semântica pela atitude. Esta engrenagem frustra a cidadania pois a sensação dominante é de que não há respaldo às demandas sociais, especialmente aquelas mais eloquentes e sobre as quais existe um clamor quase diário exigindo aperfeiçoamentos.

O saneamento do sistema – triste sistema – exige o fim da inércia. Somente a participação ativa e direta da sociedade opinando e sugerindo através de eventos, fóruns e similares é que determinará alguma mudança positiva. Opções existem e o momento é este. A geografia dos debates confinou a Reforma Política à Brasília e isto – a inacessibilidade ao debate – sempre foi um poderoso e eficiente fator impeditivo à transparência e às reivindicações.

O eleitor, destinatário final desta situação, deve despertar e ser protagonista. Já dizia o político e jurista Assis Brasil, pioneiro da legislação eleitoral no Brasil: “O voto deve ser a voz, não o eco”.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age) e “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Desistir de fiscalizar é entregar o ouro para o bandido

 

A aparição de movimentos instigados pelas redes sociais, a cobrança por transparência nas ações públicas e a necessidade de dialogar com a sociedade são realidades muito distantes de parcela da classe política no Brasil. Tentativas frustradas de cidadãos no contato com seus representantes no parlamento são os sinais mais claros desta realidade. Nestes dias, recebi ao menos duas mensagens de ouvintes-internautas descrevendo o descaso como foram atendidos.

Um deles é Marino Verardi que decidiu consultar os 513 deputados federais sobre qual havia sido o voto deles e a justificativa no pedido de cassação de Jaqueline Roriz, aquela moça que “tem a política no DNA” e entende que não há problema em ser corrupto, desde que tenha sido antes de eleita. Pesquisou no site da Câmara o e-mail de um por um e enviou mensagem a cada um deles, individualmente. Na primeira leva de mensagens fez a pergunta para 150 parlamentares, recebeu resposta de apenas três deles: Dr Rosinha (PT), Edinho Araújo (PMDB) e Eduardo Barbosa (PSDB). Todos disseram terem votado a favor da cassação. Desistiu de continuar o trabalho pois logo percebeu que seria malsucedido em sua iniciativa.

No outro caso, Fernanda de Andrade, moradora de Nova Lima, em Minas Gerais, se entusiasmou com a ideia do Adote um Vereador. Ela enviou mensagem para o vereador Marcelino Antonio Edwirges (PT) nos dias 10 e 22 de setembro. Se na primeira, não obteve resposta, na segunda o e-mail retornou, ou seja, sequer deve ter entrado na caixa de correio dele. Estava lotada ou inoperante – o que no fim das contas vai dar no mesmo. A tentativa dela agora será pelo site do vereador.

O cidadão, nos dois casos, não reivindica nada além de uma resposta, uma atenção, um respeito que seja. Mas os parlamentares parecem não estar dispostos – ao menos parte deles – a incentivar esta conversa. Este comportamento, contudo, não deve tirar o eleitor do seu propósito, é um direito dele cobrar, fiscalizar e monitorar seu representante. É obrigação do vereador, deputado ou senador justificar seu comportamento, ideia e voto. O cargo não o torna imune a críticas e cobranças, menos ainda ao diálogo.

Mesmo que as respostas não apareçam, aos dispostos a encarar a ideia do Adote um Vereador, minha sugestão é que pesquisem sobre o adotado por outros caminhos. No site da Câmara costuma ter os projetos apresentados por ele, uma boa oportunidade para desenvolver o olhar crítico sobre as ideias que o vereador defende. Dê um Google para ver o que está publicado na internet, o que os outros estão falando dele. Procure informações nos jornais da cidade, preste atenção no noticiário de rádio. Todo dado levantado pode virar um post no blog, de preferência agregando sua opinião sobre o tema ou um simples curti ou não curti, ao estilo Facebook.

Desistir de fiscalizá-los é entregar o ouro para o bandido – me perdoem, isto é apenas forma de falar, não tem nenhuma outra conotação a realidade política no Brasil.

Emendas parlamentares têm de ser públicas

 

A denúncia de que deputados estaduais vendem emendas parlamentares na Assembleia paulista expôs outra faceta da falta de transparência, no Estado de São Paulo. De repente se descobre que as informações sobre liberação de dinheiro público para atender os pedidos dos deputados não são públicas. Foi necessário surgir o interesse dos jornalistas em identificar para onde seguia o dinheiro das emendas para o Governo reagir, mesmo assim de forma parcial.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) alegou, durante feriado de Nossa Senhora Aparecida, que já liberou parte das emendas e, em breve, pretende divulgar todos os dados. Não é nenhum milagre nem favor ao cidadão, pois é um direito da sociedade ter acesso a estas informações. O absurdo é até hoje isto não ter sido apresentado com nome e sobrenome na internet.

Não surpreende, porém, as restrições. A própria Assembleia Legislativa esconde até agora a lista com o nome e o salários de seus funcionários. A Associação de Defesa da Harmonia da Ordem Constitucional teve de entrar com ação na Justiça para pedir que a relação dos funcionários nomeados nos últimos cinco anos fosse publicada no Diário Oficial.

A democracia digital se faz necessária em estados que se querem modernos. Esta prática torna possível o controle de cada medida e passos dados pelos funcionários públicos, tornando a fiscalização mais eficiente pela sociedade. O livre acesso à informação pública, discutido no Congresso Nacional e emperrado pelo ex-presidente Fernando Collor, impõe que os sites tenham dados sobre despesas das instituições, contratos e negócios fechados.

Infelizmente, os Governos e seus servidores ainda entendem, na maior parte das vezes, de que tornar públicas estas informações fragiliza o sistema. Começa que não cabe aqui discutir se há risco à segurança – mesmo que eu considere que não -, o que se quer é apenas que se a coisa é publica tem de estar publicada. Ao mesmo tempo, sabe-se por experiência em outros países que a divulgação de todos os dados de maneira aberta, democrática e com linguagem acessível a máquinas e pessoas tende a trazer benefícios econômicos para o Estado, pois possibilita planejamento apropriado e construção de gestões de pessoal e negócio mais competentes.

Aqui, aliás, temos mais um caso daqueles de que a aprovação de legislação específica sobre o tema seria apenas uma redundância, pois bastaria aplicar a Lei do Bom Senso – aparentemente revogada há alguns anos pelo poder público.

PSD é segunda maior bancada e PMDB some da Câmara

 

O prefeito Gilberto Kassab e o PSD fizeram um estrago nas bancadas dos partidos que disputaram a eleição de 2008 para a Câmara Municipal. Encerrado o prazo de filiação para quem pretende concorrer ano que vem e com as trocas confirmadas, o PMDB e o PSC foram extintos da casa; o PSDB sofreu um corte drástico com a saída de seis vereadores, o DEM diminui pela metade e o PPS, que já não era grande, ficou com apenas um.

No caso dos Tucanos, mais do que o efeito Kassab, a perda se deu por problemas internos do partido, haja vista que somente dois dos dissidentes migraram para o PDS, entre eles o presidente da Casa, José Police Neto. Três foram para o PV, partido que mais engordou ao conseguir dobrar sua bancada para seis vereadores com a chegada de Gilberto Natalini, Dalton Silvano e Ricardo Teixeira. E um, Juscelino Gadelha, se abrigou no PSB.

Kassab levou do DEM, seu partido de origem, Marco Aurélio Cunha, Domingos Dissei, Edir Sales, Ushitaro Kamia e Marta Costa. Esta última ainda tem o nome listado como sendo do Democratas, no site da Câmara, mas o líder do PDS Marco Aurélio Cunha garante que ela é democrata-socialista de carteirinha. Confirmar a informação com a vereadora é tarefa inglória, pois a parlamentar entra muda e sai calada da Câmara, e seus assessores parecem rezar na mesma bíblia (política, lógico). A bancada do PSD recebeu também adesão de Goulart do PMDB, Milton Ferreira do PPS, David Soares do PSC, além dos tucanos Police Neto e Souza Santos.

O PT segue com a maior bancada com 11 vereadores, seguido do recém-formado PSD com 10, PSDB com 7 e PV com 6. Nada, porém, parece ameaçar o poder de Gilberto Kassab dentro da casa, pois os partidos e vereadores têm um forte hábito de aderir ao Executivo em todas as principais causas levadas para o parlamento.

Veja como ficaram as bancadas na Câmara Municipal de São Paulo. E não deixe de perguntar ao seu vereador por que ele mudou de partido. Tem obrigação de explicar, pois quando foi eleito defendia outra cor e ideologia (?)

DEMOCRATAS
Carlos Apolinario
Milton Leite
Sandra Tadeu

PC DO B
Jamil Murad
Netinho de Paula

PDT
Claudio Prado

PP
Attila Russomanno
Wadih Mutran

PPS
Claudio Fonseca

PR
Agnaldo Timóteo
Antonio Carlos Rodrigues
Aurelio Miguel
Quito Formiga
Toninho Paiva

PRB
Atílio Francisco

PSB
Eliseu Gabriel
Juscelino Gadelha
Noemi Nonato

PSD
Marta Costa
David Soares
Domingos Dissei
Edir Sales
Goulart
José Police Neto
Marco Aurélio Cunha
Milton Ferreira
Souza Santos
Ushitaro Kamia

PSDB
Adolfo Quintas
Anibal de Freitas
Claudinho
Floriano Pesaro
Gilson Barreto
José Rolim
Tião Farias

PT
Alfredinho
Arselino Tatto
Carlos Neder
Chico Macena
Donato
Francisco Chagas
Ítalo Cardoso
José Américo
José Ferreira (Zelão)
Juliana Cardoso
Senival Moura

PTB
Adilson Amadeu
Celso Jatene
Paulo Frange

PV
Abou Anni
Aurélio Nomura
Dalton Silvano
Natalini
Ricardo Teixeira
Roberto Tripoli

Acompanhe o calendário de protestos contra a corrupção

 

Feriado tem se transformado em dia de manifestação de rua. Foi assim no Sete de Setembro e vai se repetir amanhã, feriado de Nossa Senhora Aparecida. Sob as bençãos da Padroeira do Brasil e da indignação dos brasileiros, diferentes grupos prometem se reunir em várias cidades brasileiras para protestar contra a corrupção, segundo informação encontrada em páginas do Facebook. Dois temas mais serão levados ao encontro: a manutenção da Lei do Ficha Limpa e o fim do voto secreto no Congresso Nacional. Reportagem da Folha, na segunda, apontou menor adesão ao movimento nas redes sociais, o que seria o esboço de que o protesto será menos intenso a medida que apenas pequena parcela dos apoiadores virtuais aparecem nas ruas. De qualquer forma, será preciso esperar até amanhã para realmente identificar o tamanho do protesto e quanto este pode ser significativo para sensibilizar o poder público.

Conversei com algumas pessoas dispostas a engrossar a manifestação em São Paulo. Há gente disposta a defender o voto distrital, há quem prefira o proporcional e, ainda, os que apostam em novos formatos. Tem, também, aqueles que querem mais dinheiro para educação. Porém, alguns desses reclamam de que há restrições para as palavras de ordem. Sei que o cuidado dos organizadores é não contaminar as manifestações com a presença de partidos políticos nem dar espaço apenas para reivindicações individuais. Deve-se, contudo, ter atenção para não se afastar grupos organizados em torno de ideais políticos que possam suscitar um bom debate.

Seja como for, a política segue mobilizando as pessoas nas redes sociais , de acordo com informação que encontrei. A seguir, reproduzo texto que está na página do Movimento Nas Ruas, no Facebook.

Veja onde será o protesto na sua cidade, organize-se e participe:

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Número de Vereadores e representatividade

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Temas relacionados às Câmaras Municipais vem despertando questionamentos e repercussões em todo o país. A importância da matéria permite algumas breves considerações.

Através da Emenda Constitucional nº 58/2009, o Congresso Nacional definiu a composição das Câmaras Municipais a partir de uma substancial alteração no texto do art. 29 da Constituição Federal ao introduzir um limite máximo de Vereadores por faixas populacionais. Esta possibilidade de ajustes se revela condizente pois impede que os Parlamentos sejam formados por um número par de integrantes. Também houve a ampliação da representatividade nos Municípios inseridos na faixa compreendida entre 80-300 mil habitantes.

Contudo, fique claro – muito claro – que o Legislativo não precisa estabelecer o número máximo permitido pela Carta Magna para funcionar. Alguns fatores subsidiam esta definição. Primeiro, que a população tem o direito-dever de participar e invocar elementos de ordem social, econômica ou orçamentária para sustentar que tanto o número vigente quanto outro, inferior ao máximo constitucionalmente permitido, é o que melhor se ajusta à sua realidade. Depois que, sendo a Câmara Municipal formada por Vereadores eleitos pelo povo, é no mínimo sensato que esta avalie as considerações da sociedade sobre o tema. Além disso, os partidos políticos organizados no Município devem se engajar em torno de objetivos comuns como paz social e eficiência. Quanto mais não fosse, não é demais frisar que a publicidade é um princípio constitucional que rege os atos praticados pelos poderes públicos (CF/88, art. 37, caput).

Por fim, a tese de que o aumento do número de Vereadores das cidades traduzirá maior representatividade política ao Município é no mínimo superficial. Para ampliá-la, os partidos devem selecionar mais e melhor os seus candidatos pois no regime vigente, que é de amplas garantias e direitos, a representatividade não está relacionada a uma expressão numérica e sim qualitativa.

Mais do mesmo não resolve, não convence e o que é pior: não representa.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age) e “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Vereador usa campo público para promoção pessoal

 

Política e futebol

Os clubes da comunidade (CDC) e os clubes da Cidade de São Paulo têm se transformado em reduto de vereadores que se utilizam destes equipamentos para se aproximar do eleitor e oferecer benefícios em troca de apoio na eleição seguinte. Por isso, não surpreende que uma das famílias mais poderosas na política paulistana use 14 CDCs para promover um torneio de futebol que, lógico, leva seu nome: 2a. Copa Família Milton Leite. Curioso é ver nos banners que, coincidência, se parecem com os usados nas campanhas eleitorais – aliás, outra coincidência, ano que vem haverá uma -, a frase “futebol arte em campos de qualidade”. Ao ler a mensagem fiquei pensando se os campos de qualidade são obras do vereador Milton Leite e seus dois filhos, Milton Fº e Alexandre, deputados estadual e federal, respectivamente, ou da prefeitura, feitos com dinheiro público – o nosso dinheiro. A imagem que você vê neste post é no Clube Escola Maria Felizarda, na avenida Salim Antônio Curiati, no Campo Grande (Santo Amaro, base eleitoral da família, uma das sedes do campeonato que distribui carros para os três primeiros colocados.

Adote um Vereador para fiscalizar conselheiros do Grêmio

 

Clubes de futebol tendem a ser pouco fiscalizados por seus torcedores, muitos mais propensos a chorar e vibrar com os resultados em campo do que em caixa. Esquecem-se, porém, que as contas em dia, o dinheiro bem aplicado, a compra e venda de jogadores baseadas na sustentabilidade financeira são fundamentais para a construção de um time qualificado e tranquilidade da comissão técnica e seu elenco. Os conselhos deliberativos, com as exceções de praxe, reproduzem este comportamento e, na maioria das vezes, tendem a se transformar em clubes de amigos, com gente muito mais interessada nas benesses do cargo, ingressos de graça para distribuir aos conhecidos e a proximidade com o poder. Algo muito parecido com o que ocorre com o Congresso Nacional e as demais casas legislativas no país.

Faço este paralelo, depois de ler post publicado no Blog Grêmio 1903 (que, lamentavelmente, aparecerá em vermelho neste link), escrito por um coletivo de gremistas, no qual denunciam que o clube não está cumprindo ao menos uma das regras do Conselho Deliberativo: afastar do órgão os conselheiros que se ausentam por três sessões seguidas ou cinco intercaladas, no período de um ano (art 66, parágrafo 1º). Dentre os conselheiros que perderiam a vaga, está o prefeito de Porto Alegre José Fortunatti que apareceu em apenas uma das reuniões de 15 realizadas neste ano, sem dar qualquer justificativa. Até acredito que o prefeito tenha coisas mais importantes para fazer na cidade, desafios não lhe faltam na capital gaúcha, mas se não pode cumprir com suas obrigações com o clube, deveria abrir mão do cargo, assim como todos os demais conselheiros que têm se omitido do papel de poder fiscalizador.

A sugestão de Bruno Coelho, autor do post citado acima, e desde já agradeço pela lembrança, é que os torcedores levem para o Grêmio a ideia do Adote um Vereador, que lançamos em 2008, aqui em São Paulo, com o objetivo de incentivar os sócios a fiscalizarem a atuação dos conselheiros, exigindo que eles exerçam a função para a qual foram eleitos. Assim como os vereadores, deputados e senadores, os conselheiros são os nossos representantes no clube.

Um conselho deliberativo atento e fiscalizador teria impedido que o Grêmio entrasse na aventura da ISL que destruiu com o patrimônio tricolor, corroendo os cofres do clube, o que o levou para a Segunda Divisão. Antes que novos aventureiros cometam os mesmos erros Adote um Conselheiro.

Como o Adote um Vereador não tem partido nem time de futebol, que a ideia se espalhe nos demais clubes, promovendo a transparência da gestão do esporte.

A farra dos vereadores: serão 6.300 na eleição de 2012

 

Metade das cidades brasileiras aumentou o número de vereadores com base na Emenda Constitucional 58/2008, que altera limites de vagas nos legislativos municipais. Com isso, provavelmente, haverá cerca de 6.300 cargos sendo disputados na eleição do ano que vem, calcula a Confederação Nacional de Municípios com base no levantamento que fez no último mês.

A CMN 1.857 cidades, das quais 930 (50,08%) aceitaram ampliar o número de vagas. Mas a farra não para por aí. Afinal, entre as cidades que ainda não aumentaram o número de vereadores, mais de 60% dizem que aprovarão a mudança até o prazo final, junho de 2012.

A mudança, conforme já falamos neste blog, vai encarecer a vida nas cidades brasileiras, apesar das promessas de que não haverá aumento de verbas destinadas às Câmaras Municipais. Primeiro, nem todas as Câmaras conseguem gastar o dinheiro previsto no Orçamento; mas o farão a partir de agora a medida que será preciso pagar além do salários dos vereadores, os custos com o gabinete e funcionários. Segundo, as Câmaras que já gastam no limite previsto em lei, farão esforço para aumentar a arrecadação do município, pois recebem um percentual variável do Orçamento. E este esforço vai bater no seu bolso: haverá aumento de IPTU e ISS, com certeza.

Por curiosidade: apenas a cidade de Conchal, interior de São Paulo, diminuiu a quantidade de representantes na Câmara, de 13 para 11.