Adote um dos novos vereadores de São Paulo

 

Com a volta do trabalho legislativo, haverá mudanças na formação da Câmara Municipal de São Paulo. Nove vereadores da atual gestão conseguiram se eleger para cargos na Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Assim, os suplentes estão prontos para assumir seu posto de representante do cidadão paulistano.

Você bem que poderia aproveitar a oportunidade para encarar o papel de ‘vigilante’ da cidadania e participar da campanha Adote um Vereador (veja aqui como é fácil e importante este trabalho).

Como o calendário dessas casas não combinam, os que se elegeram deputado estadual somente deixam a Câmara Municipal no dia 15 de março, os demais saem no início deste mês.

Hoje, o CBN SP começou a conversar com cada um dos suplentes que assumirão a partir da semana que vem para conhecer um pouco estes parlamentares. Veja quem entra e quem sai e faça a sua escolha:

PT:
Carlos Neder assume no lugar do vereador João Antonio. (em 15 de março)
Ouça a entrevista com Carlos Neder, no CBN SP

PR:
Marcus Vinicius de Almeida Ferreira (Quito Formiga) assume no lugar do vereador Jooji Hato. (em 15 de março)

DEM:
Edir Sales passa a ser suplente de Marcos Cintra. (em 1º de fevereiro)

PSC:
David Bezerra Ribeiro Soares entra no lugar do vereador Marcelo Aguiar. (assume em 1º de fevereiro)

PSDB:

Aníbal de Freitas Filho assume no lugar da vereadora Mara Gabrilli . (em 1º de fevereiro) Ouça a entrevista com Anibal de Freitas, no CBN SP

Sebastião Soares de Farias (Tião Farias) assume no lugar do vereador Gabriel Chalita. (em 1º de fevereiro)

José Rolim assume no lugar do vereador Carlos Bezerra Júnior. (em 15 de março) Ouça a entrevista com José Rolim, no CBN SP

PP:
Attila Russomano assume no lugar do vereador José Olímpio. (em 1º de fevereiro)

PV:
Aurélio Nomura assume no lugar do vereador Penna. (em 1º de fevereiro)
Ouça a entrevista com o vereador Aurélio Nomura, no CBN SP

Presidente da Câmara explica reajuste de vereadores

 

Dez da noite no Jornal da Cultura, oito da manhã no telefone. Noite e dia nas redações, o novo presidente da Câmara Municipal de São Paulo Jose Police Neto (PSDB) tem se dedicado a uma tarefa inglória desde o anúncio do reajuste de salário em 61,08%: convencer a população de que um vereador vale os cerca de R$ 15 mil mensais que receberá a partir de março.

O presidente da casa explica que este será o único aumento em todo os quatros anos de mandato dos vereadores paulistanos e, mesmo assim, aplicado apenas nos últimos 23 meses de trabalho, o que representaria pouco mais de 30%. Até aqui, os parlamentares vinham recebendo o salário decidido em 2006, algo como R$ 9 mil.

O impacto deste reajuste no Orçamento da Câmara é de aproximadamente R$ 850 mil por ano, o que representaria cerca de 1% do quanto um vereador gasta por ano pelo seu mandato, considerando aí custo de gabinete e outros serviços realizados.

Explica, também, que ao contrário do que se diz, o aumento para os vereadores, levando em consideração o prazo que será pago, seria inferior ao recebido pelos professores municipais desde 2006.

Minha dúvida, exposta em post neste blog, era se o aumento neste percentual era moralmente justificável, já que legalmente há respaldo. José Police Neto entende que sim e se dispõe a debater com a sociedade quanto vale um vereador. Lembra que ao aprovar o “IPTU progressivo” que pode conter a especulação imobiliária, o fundo de saneamento ambiental e a política de mudança climática que podem ajudar a combater enchentes, a Câmara Municipal de São Paulo mostra seu valor.

Outra questão era a possibilidade de os vereadores aplicarem um redutor no gatilho salarial. “Não sei se é possível criar um gatilho inverso seria necessário consultar o setor jurídico da casa”, disse por telefone. Mesmo assim, alerta que qualquer mudança só poderia entrar em vigor no próximo mandato.

A ideia era que a lei que vincula o reajuste dos salários dos deputados federais com os vereadores de todas as Câmaras Municipais sirva apenas como um teto de aumento salarial, tema que pode ser debatido na cidade de São Paulo.

Netinho, como ainda é chamado pela maioria, nega veementemente que o aumento fez parte da negociação para se eleger presidente da Câmara: “A regra que aplica o índice de reajuste dos deputados federais aos vereadores existe desde 1992”. Neste caso tem razão o parlamentar, afinal prometer o que já estava acertado não faz sentido.

Vereadores de SP têm de dizer não a gatilho salarial

 

Os vereadores de São Paulo vão receber, a partir de março, R$ 15.013,00, um aumento de 61,8% em relação ao que ganham atualmente (R$ 9.288,00). Um decreto legislativo de 1992 garante a eles o mesmo reajuste determinado para os salários dos deputados federais.

Com esta regra, os vereadores paulistanos mostram estar a frente do seu tempo. Afinal, artigo 29 da Constituição prevê que o aumento decidido no Congresso Nacional atinja o bolso de todos os vereadores brasileiros somente a partir de 2003. Em São Paulo, isto ocorre desde o século passado. Nada como dar o bom exemplo.

O “gatilho salarial” foi imposto para impedir abusos de vereadores em cidades nas quais o controle da sociedade e dos meios de comunicação é frágil. Levava em consideração, porém, que os deputados federais tivessem respeito com o dinheiro público. Quando se tem um Congresso que dá as costas ao cidadão, o resultado é uma avalanche de aumentos que varre as casas legislativas e os cofres públicos.

Além disso, os vereadores não sofrem o desgaste da discussão do reajuste salarial e deixam para seus colegas em Brasília o peso da decisão.

Uma curiosidade é ver que todos os 55 vereadores paulistanos apoiam o reajuste em uníssono, mesmo aqueles que há menos de um mês chegaram a ir as vias de fato na disputa pela presidência da Câmara andam agora de mãos dadas.

“É legal”, defende-se o novo presidente da Casa, José Police Neto (PSDB). Tem razão, todos os procuradores da Câmara respaldam o reajuste. Mas alguém que chega com o ar da renovação deve oferecer aos seus pares a oportunidade de rever a regra diante da insensatez dos deputados federais, sob a justificativa da moralidade. E não lavar as mãos diante da legalidade.

A Câmara de São Paulo ainda tem a chance de ao se reunir em março, quando se encerra o recesso parlamentar, mostrar que realmente (sem ironia) está a frente de seu tempo. Abrir mão do reajuste salarial seria um sinal de respeito à opinião pública. E mostraria o quanto eles realmente valem para a cidade.

Deputado do DF será fiscalizado pelo #AdoteUmDistrital

 

A Câmara Legislativa do Distrito Federal foi palco de maracutais que chamaram atenção do País, no ano passado, quando estourou o escândalo que enterrou de vez a vida pública do Governador José Roberto Arruda. Neste início de ano se deparam com decisão judicial que impede a contratação de funcionários porque extrapolou o limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Casa tão agitada assim não pode mesmo navegar sozinha e precisa ter atenção redobrada do cidadão. Nesta semana, começa a ser discutida a criação do#AdoteUmDistrital aos moldes do #AdoteUmVereador, lançado em 2008, em São Paulo.

Fui informado sobre a iniciativa através do jornalista Rodrigo Fernandes (@rodrigo_fnandes) e soube que por lá o programa será coordenado pelo Comitê Ficha Limpa-DF, uma das entidades que integram o Movimento de Combate à Corrupção. Quem também está mobilizando os moradores do Distrito Federal é Diego Ramalho (@diegorf), presidente do NIC – Núcleo de Incentivo à Comunidade do Distrito Federal.

A reunião que vai discutir a criação do #AdoteumDistrital vai ocorrer na quinta-feira (13), a partir das 19h, no Edifício da OAB (SAS, Qd 05, Bl “N” 1º Andar, Brasília-DF).

Considerações sobre a eleição na Câmara de Vereadores

 

Vi de longe a reta final da disputa pelo comando da Câmara Municipal de São Paulo, um distanciamento provocado pelas férias neste mês de dezembro que também me afastou do blog. Faço a ressalva assim que começo a escrever este post, pois isto me impediu de assistir às cenas dos últimos capítulos da novela que se transformou a briga pela presidência da Casa e posso ter perdido alguns momentos significativos.

A vitória de José Police Neto (PSDB) não surpreende, pois foi resultado de projeto construído pelo vereador nos últimos quatro anos. Pode-se dizer até mesmo que a carreira política dele o levou até o posto. Neste segundo semestre, a postura incisiva do prefeito Gilberto Kassab (DEM), porém, foi fundamental – uma ação que não se resumiu às conversas em conjunto com Police e Milton Leite, seu adversário, como o vereador deu a entender em entrevista.

A interferência de Kassab impõe ao novo presidente da Câmara seu primeiro desafio. Provar de que não será um mero despachante de projetos do Executivo. Tem capacidade para isso, mas precisará se impor aos interesses políticos do prefeito que desde antes mesmo da eleição presidencial já se movimenta com astúcia no sentido de preparar seu futuro político visando a disputa para o Governo do Estado de São Paulo.

Police Neto conhece como poucos os bastidores da Câmara Municipal e por isso não deve ter dificuldades para conversar com o PT e o que resta do Centrão na montagem de uma pauta que interesse ao cidadão, apesar da promessa da oposição de jogar pesado no próximo ano, afinal tem seus próprios interesses eleitorais, em 2012.

Outro desafio, será o de oferecer à população um espaço para debate há muito reclamado pelas entidades organizadas que acompanham o trabalho legislativo. Precisa tornar realidade a esperança depositada nele por alguns desses grupos que acreditam na possibilidade de que os atos na Câmara sejam transparentes e os critérios que definem sua pauta, claros. Muitos desses desejos expostos em série de entrevista feita pelo CBNSP disponível neste blog.

Uma mudança pouco comentada – levando em consideração meu acesso restrito às informaçōes nestes últimos dias – mas que pode ter importância na grandeza que se deseja ao legislativo municipal: a corregedoria da Câmara, após cinco anos, sai das mãos de Wadih Mutran (PP) e passa para as de Marco Aurélio Cunha (DEM). O primeiro exerceu em seu mandato aquilo que seus pares desejavam, engavetou toda e qualquer possibilidade de investigação. Que Marco Aurélio faça aquilo que o cidadão e a cidade necessitam, apuração e punição de toda e qualquer irregularidade.

Vereador apela ao “bom humor” em eleição na Câmara

 

Em campanha de pouca graça e muita ameaça – algumas concretizadas -, o vereador Adilson Amadeu (PTB) decidiu apelar para o bom humor e sugeriu ao cartunista Eklisleno a charge em que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) caça votos em favor do candidato dele à presidência da Câmara Municipal de São Paulo, José Police Neto (PSDB). Com uma certa dose de sarcasmo, destacou galhos de planta que lembra o ex-colega de partido do Democrata, o governador-fugido do Distrito Federal José Roberto Arruda.

Em nota divulgada por sua assessoria, Amadeu justificou a brincadeira:

O disse-me-disse, as denúncias infundadas são mais desgastantes do que produtivas. Como diria o colega Police Neto, nesse cenário é impossível promover “um debate saudável ou construir qualquer aliança positiva”. Para tentar afastar o baixo astral, decidi colocar um pouco de humor nessa história.  De voto, todos precisamos, inclusive o prefeito Kassab que vem empreendendo  à sua maneira uma verdadeira caçada nessa reta final.  Por via das dúvidas tem até um galho de arruda por perto.

Fora das “quatro linhas”, Amadeu diz que o papel que os governistas estão fazendo de vítimas neste processo eleitoral para a presidência da Câmara Municipal de São Paulo é uma fábula, pois a disputa seria desigual. Enquanto a prefeitura estaria oferecendo cargos, secretarias e demais facilidades aos seus apoiadores, o Centrão não teria o que dar em troca para atrair o apoio dos partidos.

O bom humor que sobra ao vereador Adílson Amadeu para inspirar a charge faltou na “conversa” que ele teve com Marcelo Aguiar (PSC), há alguma semanas, quando em lugar dos pincéis foram usados os punhos.

Centrão e Governo sem acordo na Câmara de Vereadores

 

Plenário da Câmara de Vereadores

Amizade, diálogo e negociação política foram palavras usadas pelo vereador José Police Neto (PSDB) durante entrevista ao CBN SP sobre a eleição para a presidência da Câmara Municipal, na qual ele é um dos candidatos. Estas palavras, porém, não combinam em nada com aquilo que ocorre nos bastidores desta disputa que tem do outro lado o Centrão, grupo de parlamentares de diferentes partidos que apoiam o nome de Milton Leite (DEM).

Na reunião que ele, Leite e o atual presidente Antonio Carlos Rodrigues (PR) tiveram na manhã de quarta-feira na casa do prefeito Gilberto Kassab (DEM), o tom da conversa foi bem mais próximo da realidade do atual cenário político na Câmara: ameaça, blefe e ânimos exaltados.

Kassab, que anunciou apoio a Police Neto – seu líder na Câmara desde o início do Governo -, só falou quando as vozes se alteravam além do que se pode considerar normal em uma disputa de poder dentro do legislativo. Em boa parte do encontro apenas assistiu ao embate entre as partes.

Mesmo assim não se viu livre de ameaças. Foi alvo da pressão feita por Antonio Carlos Rodrigues e Milton Leite que chegaram a dizer que abandonariam a disputa, acabariam com o grupo político que se auto-denominou Centrão e deixariam na conta do prefeito a responsabilidade pelo racha na Câmara que inviabilizaria seu governo no próximo ano, a começar pela dificuldade para aprovar o Orçamento da prefeitura em 2011.

O Centrão está incomodado com a interferência do prefeito na discussão do Legislativo, como o próprio presidente da Câmara disse em entrevista ao CBN SP, na segunda-feira. E, mais ainda, com os que chama de “traidores”- vereadores que teriam assinado compromisso de apoiar a candidatura apresentada pelo grupo político, mas que estariam disposto a votar em Police Neto.

Compromisso Centrão Os vereadores Aurélio Miguel (PR) e Adílson Amadeu (PTB) enviaram ao CBN SP a cópia do documento registrado em cartório com a assinatura de 17 parlamentares, entre eles Marcelo Aguiar (PSC), que chegou a ser agredido na semana passada durante jantar em apoio ao candidato governista. Amadeu negou que tenha desferido um soco no peito de Aguiar, conforme testemunharam alguns dos seus colegas: “O discurso áspero é natural diante da surpresa da traição. Há quem prefira se  transformar em vítima  para esconder as falhas de caráter. Eu assumo minhas posições e pago o preço da transparência”.

A dificuldade, porém, de o Centrão ganhar a eleição no próximo dia 15 pode ser medida por uma das propostas apresentadas durante o café da manhã com o prefeito. Leite e Rodrigues admitiram a possibilidade de dividir o poder na Casa, com os governistas assumindo a presidência em 2011 e o Centrão em 2012 ou vice-versa.
José Police Neto (PSDB) durante entrevista, ao vivo, no CBN SP, não demonstrou disposição de ceder nem mesmo que apareça um terceiro nome para conciliar as duas alas. Fez questão de levar ao estúdio dois líderes, Claudio Fonseca do PPS e Eliseu Gabriel do PSB, para mostrar que a candidatura dele é partidária, ou seja, tem o respaldo das principais legendas na casa – com exceção do PT. O Centrão, no entender de Police Neto, está acima dos partidos.

A entrevista do líder do Governo e candidato à presidência José Police Neto você acompanha aqui.

O CBN SP, há duas semanas, propôs ao candidato do Centrão Milton Leite um debate com José Police Neto. Ele, porém, insiste em dizer que não é candidato contra todas as evidências. “Só darei entrevista quando for candidato”, disse por telefone à produção do CBN SP e isto somente acontecerá, oficialmente, no dia 14 de dezembro, véspera da eleição, especula-se Como todas as evidências mostram que ele é o nome que representa o Centrão nesta disputa para a presidência da Câmara, o CBN SP e este jornalista continuarão chamando-o de candidato até que prove o contrário.

Está superado, diz presidente da Câmara após agressões

 

O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues (PR), negou ter assistido ao vereador Adilson Amadeu (PTB) agredir com um soco no peito Marcelo Aguiar (PSC). Em entrevista ao CBN SP, ele disse que chegou depois do encontro entre os parlamentares, no saguão do prédio de Aguiar, e definiu o ocorrido apenas como um desentendimento sem importância já superado.

Ouça aqui a entrevista de Antonio Carlos Rodrigues, do PR, ao CBN SP

Rodrigues não tem o mesmo comedimento ao comentar a possibilidade de Marcelo Aguiar estar apoiando o candidato à presidência da Câmara José Police Neto (PSDB) em vez do candidato do Centrão Milton Leite (DEM). “Não é direito de ninguém fazer a gente de palhaço”, falou ao lembrar que Aguiar assinou documento, registrado em cartório, de que apoiaria o Centrão, em março deste ano, e agora estar organizando jantar com o grupo que defende a candidatura governista.

Durante toda a entrevista, o vereador oscilou entre bater e assoprar.

Informou que haverá uma segunda reunião com o prefeito Gilberto Kassab (DEM), nessa quarta-feira, para que haja um consenso entre os dois lados que disputam o poder na Casa. Mas foi duro ao responder sobre o apoio que o prefeito anunciou para o candidato José Police Neto: “Nós não nos metemos no Executivo e gostaríamos que ele não se metesse no Legislativo”.

O líder do PC do B na Câmara Jamil Murad também foi alvo das críticas de Rodrigues: “O Jamil sentou (com a gente), partiu para um leilão e, agora, deve ter tido mais vantagens com o Police Neto … levou mais vantagem do lado de lá”. Murad havia dito que faltava democracia nas discussões dentro da Câmara Municipal.

Ouça aqui a entrevista de Jamil Murad, do PC do B, ao CBN SP

Depois de tantas acusações de traição que têm marcado esta briga na Câmara de São Paulo, sem querer (ou não) o vereador Antonio Carlos Rodrigues confidenciou mais uma durante a entrevista. Ao comentar sobre o motivo da ida dele com mais dois colegas de Centrão até o apartamento de Aguiar disse que “um tucano ligou avisando”. Não citou o nome.

Sobre a sucessão na Câmara leia e ouça, também:

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A Guerra dos Vereadores pelo comando da Casa

Líder do PT José Américo protesta contra interferência de Kassab na Câmara

Câmara de Vereadores precisa de UPP, em São Paulo

 

A guerra pela presidência da Câmara Municipal de São Paulo está sem controle. O boicote às votações há mais de 40 dias é, talvez, das poucas manifestações que tenha legitimidade política. A maioria se equivale a atuação de facções criminosas ou, em menor grau, a um teatro de ópera bufa, tais os absurdos que tem sido cometidos. O confronto se acirrou desde que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciou apoio a José Police Neto (PSDB) em detrimento do vereador Milton Leite (DEM), o preferido do Centrão.

O soco desferido pelo vereador Adilson Amadeu (PTB) – que apoia Milton – contra o peito de Marcelo Aguiar (PSC) – que apoia Police -, diante de colegas da casa, no saguão do prédio em que mora, no bairro do Ipiranga, quinta-feira à noite, é apenas a parte mais visível desta batalha, sobre a qual tratamos recentemente no Blog e temos tentado discutir do ponto de vista do interesse do cidadão, no CBN SP.

Ele estava acompanhado de Aurélio Miguel (PR) e sendo assistido à distância pelo presidente da Câmara, Antonio Carlos Rodrigues (PR), que aguardava dentro de um carro preto com placa oficial. Foi Miguel quem pediu ao porteiro do edifício na rua Cipriano Barata para chamar o dono do apartamento, onde 23 vereadores saboreavam uma paella enquanto articulavam em favor do candidato governista.

O porteiro estava assustado com os chutes que ouviu no portão de ferro.

Miguel, Rodrigues e Amadeu não aceitaram subir até o apartamento. Marcelo Aguiar, então, desceu, com o vereador Penna (PV). Logo receberam a escolta de Domingos Dissei (DEM). Assim que o portão abriu, o grito de traidor soou mais alto que o soco no peito. Confusão generalizada. Os deixa-disso entraram em cena. Mesmo assim, Aguiar era carregado pelo braço de um lado ao outro.

O porteiro preferiu não se meter em briga de cachorro grande. Seria difícil mesmo entender o que estava acontecendo naquele momento. As câmeras de segurança e o síndico, coronel da PM que dá expediente na Assembleia Legislativa, também testemunharam.

Mais dois personagens iriam surgir naquela noite por telefone.

O prefeito Gilberto Kassab recomendou que a decisão sobre o que fazer contra o ato de agressão fosse de responsabilidade de Marcelo Aguiar, afinal ele sabia com quem estava tratando. O cantor-vereador sempre esteve ao lado do Centrão e teria se beneficiado disso até decidir mudar de posição, sabe-se lá por qual motivo.

E Milton Leite que, com voz alterada e ameaçadora, pediu explicações a Police Neto pelo fato dele estar seduzindo vereadores da ala contrária. “Você vai ver o que eu vou fazer no Orçamento do Kassab”, deu para ouvir a distância.

Em tempo: Milton é quem comanda a discussão de onde o dinheiro dos nossos impostos será aplicado ano que vem na cidade.

Na sexta-feira, mais uma cena, desta vez presenciada pelos motoristas da Câmara. Adilson Amadeu deixou na vaga de estacionamento de Marcelo Aguiar um cartaz escrito “TRAIDOR”. Estuda-se a necessidade dele passar a andar com escolta, aliás prática que tem sido indicada a todos os parlamentares dentro do próprio Palácio Anchieta. Os vereadores tem preferido sempre que precisam sair dos gabinetes levar algum assessor ou colega ao lado.

Não é para menos. Nesta disputa, teve vereador que foi encostado na parede de um dos corredores com acesso ao elevador; outro foi constrangido dentro de uma sala anexa ao plenário; há quem esteja com a sensação de que foi seguido por um carro sem identificação; os que tem sido avisados de que receberão fotos constrangedoras em casa; e os que morrem de medo dos esqueletos que estão nos armários – denúncias feitas no passado mas que não foram levadas a sério.

O ambiente tende a ficar ainda mais tenso nos próximos dias, pois o placar extra-oficial da eleição estaria 28 a 27 para os governistas. Basta um vir para cá ou outro para lá, e um dos dois grupos leva o comando da casa que move quase R$ 400 milhões e uma centena de contratos interessantes.

Com a onda de violência desencadeada nos últimos dias, devemos levar em consideração a possibilidade de importar a experiência que tem recebido aplausos no Rio de Janeiro. Pois me parece que o cidadão de bem somente terá segurança e tranquilidade para passar pelo Palácio Anchieta se, em ação emergencial, for implantada uma UPP – Unidade Parlamentar Pacificadora.

Chama o Bope !

A guerra dos vereadores pelo comando da Câmara

 

“Vida de vereador é uma guerra” disse Sônia Barbosa do Voto Consciente ao comentar a disputa pela presidência da Câmara Municipal de São Paulo. Se é assim, podemos dizer que eles se enfrentaram em mais uma batalha nessa quarta-feira quando, novamente, abriram mão de debater temas de interesse da cidade para seguir se digladiando pelo poder da Casa.

Ouça a entrevista de Sônia Barboza, ao CBN São Paulo

Apenas 22 parlamentares compareceram ao plenário para votação, número insuficiente para que os trabalhos fossem em frente. Teoricamente, seriam os vereadores que apoiam a candidatura de José Police Neto (PSDB). Os integrantes do Centrão, mais a bancada do PT, querem Milton Leite (DEM) no comando e se rebelam porque o prefeito Gilberto Kassab (DEM, também) faz campanha pelo tucano.

Nesta semana, fomos saber por que a luta pela presidência da Câmara é tão acirrada. Rafael Cortez, professor de Ciência Política da PUC-SP e analista da Tendências Consultoria, lembrou que dentro do parlamento o regime é presidencialista. É o presidente quem dá a palavra final, por exemplo, sobre projetos de lei que devem ser colocados em votação.

Ouça a entrevista de Rafael Cortez, ao CBN São Paulo

Uma das propostas para o novo chefe do poder é que torne esta discussão mais transparente e os critérios sejam debatidos com participação popular nas reuniões dos líderes. A ideia defendida por Sônia Barbosa, do Voto Consciente, é compartilhada por Gilberto de Palma, do Instituto Ágora: “o novo presidente teria de facilitar os canais de comunicação com os cidadãos”.

Ouça a entrevista de Gilberto de Palma, ao CBN São Paulo

A disputa passa, também, pela distribuição dos cargos na mesa diretora. Além da presidência tem mais funções em jogo, algumas com atrativos inquestionáveis, como registra Cláudio Vieira, do Blog Adotei Marco Aurélio Cunha, que integra o Adote um Vereador: “além de ter 18 funcionários no gabinete de vereador, o presidente da Câmara pode contratar mais 14 funcionários e o primeiro secretário, mais nove, por exemplo”.

Por isso, nas estratégias de ação de cada um dos blocos que disputam o poder, vale até mesmo oferecer cargo na mesa para a turma do outro lado. Claudinho do PSDB teria sido assediado pelo Centrão que pediu o apoio dele a Milton Leite (DEM) em troca de uma posição com mais destaque na mesa diretora. Nesta legislatura, ele é apenas o segundo suplente.

Por sua vez, Netinho de Paula (PC do B) foi ‘cantado’ pelo prefeito Kassab para ficar ao lado de Police Neto. Ainda não se sabe ao certo a qual exército ele se apresentará na hora da briga final. Conforme mostra o Blog Cuidando da Cidadania, de Alecir Macedo, do Adote um Vereadores, Netinho de Paula definiu, assim, o momento político: “a Câmara está em ebulição”,

José Américo (PT) confirmou, por telefone, que o partido está fechado com Leite, mesmo que este negue sua candidatura. Além da possibilidade de ocupar uma vice-presidência, o partido teve o apoio de Leite e Carlos Apolinário, ambos do DEM, na eleição presidencial.

Uma estratégia usada pelo Centrão foi adiar a data final para a entrega das emendas parlamentares ao Orçamento da cidade. Os vereadores ganharam duas semanas e poderão dizer até o dia 29 onde gostariam de ‘investir’ o dinheiro público. É Milton Leite o relator do Orçamento.

A guerra continua.