Avalanche Tricolor: o risco de jogar o bebê fora junto com a água do banho

Cruzeiro 2×0 Grêmio
Brasileiro – Mineirão, Belo Horizonte (MG)

Gremio x Cruzeiro
Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Mal a partida havia se encerrado, nesta noite de sábado, e os grupos de WhatsApp e as redes sociais já vociferavam verdades absolutas e julgamentos definitivos. Eu sequer havia conseguido absorver mais uma derrota fora de casa e já era assediado por soluções mágicas e críticas desconectadas da realidade nas plataformas virtuais.

Pedir a cabeça de Luis Castro é o mais comum. Até porque o Grêmio tem se transformado em uma máquina de moer treinadores. O próprio Renato, com tudo o que representa para o clube, não foi poupado. O argentino Gustavo Quinteros durou 20 partidas. Mano Menezes ficou no comando por 39 jogos e se sustentou muito mais pela persistência da direção do clube do que pela simpatia de parte dos torcedores.

Nem mesmo o título gaúcho, com vitória contundente sobre o arquirrival, fez com que Castro diminuísse a pressão sobre o seu trabalho. A dificuldade da equipe em vencer fora de casa e os resultados sofríveis na Arena do Grêmio fazem com que o torcedor não dê trégua ao treinador português. A ausência de jogadores para posições fundamentais e os problemas físicos de atletas que poderiam ser solução viável raramente entram na conta dos críticos de plantão.

Como disse, ouvir o pedido de demissão de treinador não me surpreende. O que me assusta é perceber torcedores usando as redes sociais — financiados ou não por grupos de interesse — para criticar figuras como Arthur.

Sim, foi o primeiro nome que vi sob julgamento em um dos grupos de WhatsApp de que participo, logo após a derrota de hoje. Depois de mais uma atuação ruim do time, houve quem enxergasse no nosso capitão e camisa 8 o defeito a ser corrigido. Arthur é um dos poucos jogadores que exibem talento em campo. Domina a bola e a conduz como poucos. Passa os 90 minutos à espera de um companheiro mais bem posicionado para receber o passe.

Carlos Vinícius, que passou mais uma partida sem marcar, também foi alvo de críticas. É o artilheiro do Campeonato Brasileiro jogando em um time de pouco poder ofensivo. Passa boa parte do tempo lutando sozinho contra os zagueiros e à espera de uma única bola em condições de finalizar.

Aliás, como de costume, vieram do nosso atacante as palavras mais lúcidas ao fim da partida. Provocado pelos repórteres, Carlos Vinícius chamou a atenção para o risco de crucificarem Luis Castro, como fizeram com os técnicos anteriores. Assumiu a responsabilidade e apontou para o elenco, que precisa reagir e dar a resposta que o torcedor exige dentro de campo.

O pior que o Grêmio pode fazer nesta jornada de reconstrução é jogar fora o bebê com a água do banho. Desperdiçar talentos, abrir mão de jogadores essenciais e interromper um projeto que exige tempo. No futebol, a pressa costuma custar caro — e quase nunca resolve o problema que diz combater.

Deixe um comentário