Avalanche Tricolor: Tá na história

 

Juventude 1 x 2 Grêmio
Gaúcho – Olímpico Monumental


Foi a décima-quinta vitória consecutiva na temporada, marca jamais alcançada por nenhum outro time que vestiu a camisa do Grêmio. O Imortal 2010 faz sua própria história sob a desconfiança dos adversários e mesmo de muitos torcedores que ainda temem a próxima partida – seja esta qual for. É talvez este olhar receoso que desafia os jogadores tricolores e os fazem superar as expectativas, a registrarem ao fim deste feriado de Páscoa a melhor campanha do futebol brasileiro com 88% de aproveitamento.

A quem lembrar que boa parte destes jogos foi válida pelo Campeonato Gaúcho, bom não esquecer que mesmo equipes respeitadas pela crítica não foram capazes de alcançar esta sequência vitoriosa em temporadas anteriores. Não custa citar que o “Queridinho da Crônica” enfrentando os mesmos adversários não somou 15 vitórias em toda a competição. Classificou-se na bacia das almas para esta próxima fase, na qual o Grêmio chega como líder absoluto.

O Grêmio tem decidido suas partidas nos primeiros 15 minutos, foi assim nas quatro últimas. Jonas, mesmo sozinho no ataque, é o goleador do ano (13 gols) e merece todos nossos aplausos. Não vejo hora dele se reencontrar com Borges, fora há mais de um mês por lesão.

Douglas, o 10, é o Tcheco com mais saúde. Forte para dividir, mais ainda para manter a bola em seus pés. É capaz de encontrar companheiros em lugares que a televisão não mostra (tudo bem que os diretores de TV, no PPV, não têm se esmerado muito no corte das imagens). Tem um passe preciso e lança com açúcar e afeto como fez no primeiro gol.

É preciso, porém, que se abra um parágrafo nesta Avalanche para destacar um jogador que tem sido fundamental nesta campanha. Experiente, firme e talentoso, o zagueiro Rodrigo, que chegou neste ano, joga com pinta de quem logo se transformará em “Cherifão do Tricolor”. A presença dele no time fechou espaços que permitiam o assédio constante dos adversários, no início do ano (lembra quantas vezes tivemos de virar o placar ?). Hoje foi forte quando preciso, tranquilo na medida certa e ainda se deu ao luxo de despachar uma bola da nossa área, aos 40 e tantos minutos do segundo tempo, de calcanhar (só não precisa exagerar, prefiro bem mais uns carrinhos de vez em quando).

Jonas, Douglas e Rodrigo ainda precisam fazer mais, muito mais, para merecerem o título de Imortal, necessitam confirmar este título Gaúcho, seguir em frente na Copa do Brasil, abrir caminho na Libertadores e azarar os “Queridinhos da Crônica˜. Mas já podem dizer por aí que após mais esta vitória, a décima-quinta seguida, entraram para a história. E eu me orgulho disto.

Em tempo: Recebo informação de Arigatô que a marca de 15 vitórias consecutivas é sul-americana. Confira no Blog Imortal Tricolor.

Avalanche Tricolor: A rotina

 

Grêmio 3 x 0 Votoraty
Copa do Brasil – Olímpico Monumental

Deva Pascovicci, tenor do futebol da CBN, santista e provocador, há três semanas ameaça a classificação do Grêmio na Copa do Brasil com a história de ascensão do recém-nascido adversário dessa quinta-feira. Quatro anos de vida, quatro níveis a mais no futebol e a presença entre os 64 clubes com esperanças de chegar a Libertadores.

Histórias comparadas, a do Grêmio é mais rica e vitoriosa. Seja pelos mais de 100 anos, seja pelas muitas conquistas, algumas impossíveis e impressionantes, seja porque o diabo sabe mais por velho do que por diabo. Em qualquer ponto de vista o Imortal levaria vantagem.

Sabemos, porém, que a Copa é traiçoeira. Nesta Sexta-feira Santa tem gente grande que já está fora da disputa, sem contar os que se mantiveram em pé por muito pouco. Hoje, são apenas 16 os que seguem almejando o título.

O Grêmio está entre estes. Sem nenhuma pretensão, não é novidade. Primeiro campeão da Copa, em 1989, maior finalista com sete disputas, tendo vencido quatro delas, chega as etapas mais decisivas da competição com o respeito que merece – ao menos o nosso respeito, já que os adversários teimam em desdenhar qualidades evidentes.

Em campo seguimos nossa trajetória. Mais uma vez foram necessários apenas 15 minutos para confirmar a classificação. Mais uma vez Jonas e Maylson marcaram e, agora, com o apoio de Rodrigo. Mais uma vez fizemos história com a 14.a vitória consecutiva, somente alcançada em 1979. Mais uma vez vencemos no Olímpico Monumental.

A rotina de sempre.

Avalanche Tricolor: Um time cinquentão

 

Grêmio 2 x 0 Esportivo
Gaúcho – Olímpico Monumental

Têm sido arrasadores os inícios de partidas do Grêmio. Bolas alçadas na área, chutes de fora, troca de passe em velocidade, tudo isso antecedido de uma marcação forte que não deixa o adversário pensar. E gol, gol, gooooool !

Foi assim no meio da semana, com a vitória conquistada em 15 minutos. Repetiu-se neste domingo com 10 minutos de partida. E quando o resultado não sai logo, em algum momento aparece. Nos últimos 13 jogos foi o que se viu. Uma sequência de vitórias prestes a dar ao Grêmio mais uma marca histórica, como lembrei na Avalanche Tricolor de quinta-feira. Mas para esta ainda precisamos esperar o Votoraty (SP) pela Copa do Brasil.

Hoje, é momento de comemorarmos outro feito. O Grêmio completou 50 partidas invicto no Olímpico Monumental. Jogos de Campeonato Gaúcho, sim. Mas, também, de Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil e todo tipo de competição em que estivemos envolvidos. Jogos que valiam três pontos, com adversários dispostos a se superar para acabar com esta história, provar que não somos invencíveis ou Imortais. Não foram capazes.

Já há quem sonhe em manter esta escrita até os últimos dias do Olímpico, quando fecharemos as portas para a troca de endereço, a caminho da Arena que se inicia na metade deste ano e deve ser entregue em dezembro de 2012. Nesta semana, aliás, estreou o site do novo estádio, visite e deixe seu recado.

É um sonho alucinado, sem dúvida. Uma invencibilidade de quatro anos é para se transformar em feito mundial. Leve em consideração, porém, que também poucos acreditavam que completaríamos 18 meses sem uma só derrota em casa. Afinal, quando o Grêmio está é campo não é apenas para jogar futebol, como vimos nestes últimos jogos, é para escrever sua história.

Avalanche Tricolor: Grêmio, o líder e o melhor

 

Grêmio 2 x 1 Novo Hamburgo
Gaúcho – Olímpico Monumental


Campeão do 1o. turno, líder isolado do 2o, líder geral do Campeonato, 49 vitórias em casa, 13 partidas invicto e as 12 últimas com vitória. Nem sempre os números mostram a realidade, mas estes são incontestáveis. Põem o Grêmio, não a frente dos adversários no Rio Grande do Sul,  a frente de todos os demais no Brasil, mesmo daqueles aplaudidos como fantásticos. O Imortal tem aproveitamento de 82% na temporada.

Há quem ainda assim olhe de revesgueio, como diriam os patrícios lá no Sul.

Para estes, temos mais do que números, temos jogadores. No gol, Vítor é o melhor goleiro do Brasil, que não bastasse fazer com perfeição seu trabalho, ainda se dá ao luxo de defender pênaltis, como nesta noite. Na defesa, Mário Fernandes dá gosto de assistir pela forma como marca e se desmarca. Poderia incluir Rodrigo pela eficiência, mas este parece preferir o anonimato de uma marcação bem feita e um carrinho certeiro em lugar de qualquer elogio festeiro.

No meio, me permitam elogiar alguém esquecido pela crítica: Douglas. Por mais que admire Tcheco, o atual camisa 10 gremista está a frente dele neste momento. Joga com segurança, recupera-se com rapidez, limpa o lance com uma tranquilidade irritante (para o adversário), tem visão do que ocorre dentro de campo e lança com precisão. Soma-se aquele cabelo a lhe oferecer uma cara de vingador, cara de quem sabe vestir a camisa tricolor.

Lá na frente, mesmo sem o goleador Borges, surgem duas figuras curiosas, Maylson e Jonas. Desengonçados para correr e driblar, passam seus adversários e poucas vezes deixam de marcar gols. Quando não é um, é outro. Às vezes, são os dois.

No lado do campo, Silas dá sinais de que encontra o time ideal, e sabe que logo terá todos os demais titulares prontos para entrar. Mesmo os mais exigentes torcedores cansaram de vaiá-lo, reconhecendo os avanços de uma equipe que, hoje, marcou de forma incansável até resolver o placar em pouco mais de 15 minutos de partida.

O Grêmio supera marcas a cada rodada. Faltam apenas dois jogos, Esportivo e Votoraty, para alcançar a sequência recorde de 14 vitórias do Campeão Gaúcho de 1979, treinado por Orlando Fantoni, time de Manga, Anchieta, Paulo César Caju, Tarciso e Éder. Lembra-me, em alguns lances, o Grêmio-Show, Tetracampeão com Mazarópi, Bonamigo, Cuca, Cristovão, Lima e Valdo, de 1988.

Você deve estar me achando otimista de mais a esta altura do campeonato. Talvez esteja mesmo e, em breve, veremos que este time que está em campo não é o Grêmio de 79 nem de 88, menos ainda o de 81, Campeão Brasileiro, ou o de 83, Campeão da Libertadores e Mundial. É apenas o Grêmio de 2010. E isso não é pouca coisa.

Avalanche Tricolor: Obrigado, Serginho !

 

Ypiranga 1 x 3 Grêmio
Gaúcho – Erechim


Seu Getúlio estava lá, garboso. Ao lado dele havia mais dois ex-presidentes, dos quais não me orgulho pelo que fizeram. Érico parecia bem acompanhado. Pude ver no entorno dele Capitão Rodrigo, Vasco Bruno, Quitéria e Ana Terra. Ou seria imaginação minha ? Eduardo Bueno diante de tantos personagens tinha muita história para contar. E não parou de falar (nunca para). Neste quesito tinha Nico Nicolaiewsky como parceiro.

Por falar em músico, Elis Regina cantarolava o hino com Kleiton Ramil fazendo a segunda voz, eles seguiam o ritmo de uma banda eclética que tinha da guitarra de Humberto Gessinger a sanfona de Renato Borghetti na formação. Pra descrever este momento único da história do Imortal Tricolor não faltavam jornalistas: Lenyr Martins , Mário Marcos e Paulo Sant’Ana – com o Vasquez ‘chargeando’ todo feito.

Até agora não entendi bem o que eu fazia nesta festa de ilustres gremistas que acometeu meus sonhos na tarde deste domingo. Sei, porém, quem foi responsável por este delírio: Serginho Xavier, jornalista de mão cheia, editor da Placar, gaúcho e, acima de tudo, gremista fanático – mesmo que tente me convencer de que “o tempo foi passando, o fanatismo foi diminuindo ano a ano, até por exigências profissionais. Virar jornalista me ensionou a ver o mundo por diversos pontos de vista”.

Esse amigo de arquibancada acaba de escrever “O dia em que me tornei … GREMISTA”, pela Panda Books. Livro desses que cabe no bolso e não sai da memória da gente principalmente quando somos surpreendidos ao ver nosso nome na lista de “Torcedores Ilustres”.

Não merecia tanto, Serginho. Não estou a altura desta turma toda que você nominou. Mas agradeço. Sua gentileza me fez sonhar um sonho quase impossível. Sonho tão bom que quando acordei, o Grêmio já estava vencendo a 11a. partida seguida na temporada. E de virada, se superando, como sempre foi na nossa história.

Avalanche Tricolor: Tem de rebolar

 

Votoraty 0 x 1 Grêmio
Copa do Brasil – Votorantim (SP)

Jonas é dos mais desengonçados atacantes que conheço. Ensaia belos dribles que nem sempre se completam, inventa chutes que na maioria das vezes acaba atrás da goleira e em campo carrega um olhar que me causa estranheza. Quando sofre falta joga-se no chão agarrado ao tornozelo e rola como artista de baixa qualidade, tenha sido atingido ou não. Chega a ser engraçado.

Mais graça ainda tem quando alcança seu objetivo: o gol. Nem tanto pelo gol em si – o que, convenhamos, já seria suficiente para me levar as gargalhadas -, mas pela dança desajeitada diante das câmeras. Hoje, acompanhado por alguns colegas, saracoteou na linha de fundo após fulminar a rede adversária com uma cabeçada, aos seis minutos do segundo tempo. Rebolou, mexeu as pernas, balançou os braços. Ao fim, confessou que a ideia foi de Douglas que ensaiou com ele no vestiário, antes da partida.

As coreografias de Jonas são conhecidas no estádio Olímpico desde que voltou a jogar pelo Grêmio. Faz a coisa tão mal que a mãe dele pediu para que deixasse a dança de lado, no ano passado. Foi atender o desejo materno, se machucou e ficou fora do time na parte final da temporada. Por isso, prefiro vê-lo faceiro a comemorar gols em vitórias necessárias como a desta tarde na pequena Votorantim, pela Copa do Brasil.

Necessárias porque a diferença entre os dois times é evidente e vai muito além do placar conquistado. Porém, dadas as condições impostas ao Grêmio para a prática do futebol foi de bom tamanho. O campo de jogo não merecia este nome. Era um enorme retalho de grama e buraco colocando em risco a integridade de jogadores profissionais. Aqui em São Paulo, encontra-se na várzea gramados melhores e dimensões maiores, inclusive com iluminação o que não ocorre no Domênico Paolo Metidieri, assim batizado em homenagem ao ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, comendador Alfredo Metidieri – será motivo de orgulho para a família ?

Vítor, nosso goleiro e capitão, sério de mais para comemorar os gols com remelexos, comentou de maneira precisa, como suas defesas: – Ganhamos de dois adversários, o Votoraty e o gramado. E o Grêmio teve de rebolar muito para esta dupla conquista.

Avalanche Tricolor: Futebol de guri

 


Grêmio 3 x 0 Inter SM
Gaúcho – Olímpico Monumental

O Grêmio não convence. Mithyuê, 21, começa a jogada do lado direito e com um passe bonito na bola aciona Jonas, 26, que de primeira recua para Maylson, 21, que enfia a bola entre os zagueiros para que esta chegue mais uma vez a Jonas já na área. O atacante chama atenção da defesa que o segue para a direita e com um só toque deixa o gol vazio diante de Maysol que faz o seu segundo na partida.

Mas o Grêmio não convence. Então Mithyuê, 21, aparece do lado esquerdo, já dentro da área. Tem categoria para driblar e com mais um passe sutil dar a oportunidade de Fernando, 18, fazer o primeiro gol dele entre os profissionais.

E o Grêmio segue sem convencer. Ganhou a Copa Fernando Carvalho, é a melhor campanha da Copa Fábio Koff, tem nove vitórias seguidas e uma invencibilidade histórica em seu estádio e fez 3 a 0 no Inter de Santa Maria – resultado que em alguns manuais esportivos é chamado de goleada.

Nada disso cala os comentaristas esportivos que fazem das críticas ao Grêmio sua ladainha preferida. Esquecem que seis dos jogadores considerados titulares estão afastados por problemas médicos. Dão de ombros à dificuldade de Silas repetir o time dois jogos seguidos. São incapazes de enxergar o que se constrói no estádio Olímpico.

Além dos meninos que participaram diretamente dos três gols desta noite, em Porto Alegre, estavam em campo o indiscutível Mário Fernandes, 19, o atacante Bergson, 19, e o volante Adílson, 23. Gente nova, criada em casa, preparada para jogar futebol de verdade, no qual o toque de calcanhar é regalia dispensável se o bico da chuteira for mais apropriado para o momento. Que nem por isso deixam de tratar a bola com o respeito e o carinho (ou o carrinho) que esta exigir. Jogam um futebol de guri, não de moleque

O Grêmio não convence – repetirão eles amanhã nos jornais. O Grêmio vence !

Avalanche Tricolor: A invencibilidade é nossa

 

Nova camisa

Grêmio 1 x 0 Porto Alegre
Gaúcho – Olímpico Monumental

A cada jogo um desafio. Em um é preciso da vitória para ser líder. Em outro, busca-se a vaga para a etapa seguinte nem que para isso signifique perder por apenas um gol de diferença. Tem aquele em que o que interessa é o resultado capaz de nos dar o título mesmo que se tenha de decidir no último dos pênaltis. Nesta noite de sábado, tínhamos uma marca a alcançar e ao fim dos mais de 90 minutos de partida disputada esta marca é nossa: a maior invencibilidade em casa já alcançada por um time gaúcho – a consagração da Imortalidade.

Foi necessário apenas um gol – o primeiro de William – e logo no início da partida para ter a certeza de que sairíamos de campo com mais uma conquista. Nenhum outro clube no Rio Grande do Sul foi capaz de permanecer 47 jogos seguidos sem nenhuma derrota em seu estádio. Um ano e cinco meses jogando no Olímpico Monumental e superando seus adversários pela Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil e Campeonato Gaúcho.

Gosto pouco da numeralha que atrapalha as transmissões do futebol na televisão, mas desta vez os números tem importância, pois são históricos: desde 4 de outubro de 2008 quando fizemos 2 a 1 no Botafogo, foram 34 vitórias e 12 empates, 112 gols a favor e apenas 34 sofridos. Uma marca e tanto. Antes de considerar irrelevante tudo isso, lembre-se o que aconteceu com seu timinho a última vez que nos encarou no Monumental.

O futebol apresentado hoje não foi empolgante, mesmo sabendo que o time está em construção e poupou alguns titulares – poderá reclamar o gremista mais exigente. Mas não vou perder tempo com críticas neste espaço (já tem muita gente na crônica esportiva gaúcha para fazer isto – parece até ser o esporte preferido de alguns). Mesmo porque nossa desafio foi alcançado. E de camisa nova, apresentado pelas mais belas torcedoras do Brasil.

Avalanche Tricolor: Bem cedinho

 

Avenida 1 x 3 Grêmio
Gaúcho – Santa Cruz (RS)

Tenho de acordar às seis da manhã e mesmo que me acostume a dormir tarde, assistir aos jogos que encerram a rodada da noite de quarta é sempre um esforço a mais. Principalmente por este compromisso de publicar a Avalanche Tricolor imediatamente após a partida. Minha jornada esportiva particular se encerra no começo da madrugada. Sem contar que com o jogo em andamento, não consigo fazer outras tarefas que precisam ser concluídas antes de dormir.

Se você é daqueles que apoiam o fim dos jogos que se iniciam às nove e 50 da noite, esqueça. Apesar de saber que o ideal é que os jogos se iniciassem mais cedo, não farei coro a ideia. O futebol está em um regime profissional e vem da televisão parcela importante do dinheiro que permite a compra dos jogadores que tanto reclamo. Alguma concessão os clubes tem de fazer.

Lembro, ainda, que apenas uma das partidas e somente da rodada de quarta-feira é que leva o torcedor a este sacrifício. Todas as demais são mais cedo nem por isso o público é maior. Nesta noite, por exemplo, o estádio dos Eucaliptos – de arquibancadas acanhadas e gramado esburacado – estava lotado, em Santa Cruz do Sul. Sei que não era preciso muito. Mas o que quero dizer é que não é o horário que afasta o torcedor, é a falta de infra-estrutura e segurança.

O vereador petista Enio Tatto está com projeto de lei que pede o encerramento das partidas no máximo às 11 da noite. Que me desculpe o parlamentar – torcedor do Grêmio assim como eu, mesmo morando há muitos anos em São Paulo -, mas esta questão me parece perfumaria. Muito mais significativa será a discussão em torno de outros ítens da proposta dele que prevê a identificação do comprador dos ingressos, bilhetes nominais, obrigações para os cartolas que doam entradas às organizadas e punição aos baderneiros com o afastamento dos estádios.

Você deve se perguntar por que falo deste assunto se poderia mais uma vez “rasgar seda” para o Imortal Tricolor. Primeiro, porque para escrever sobre este tema não precisava esperar até o fim da partida; segundo, porque com 59 segundos de jogo o Grêmio já vencia e começava o segundo turno como encerrou o primeiro: vencendo e na liderança.

Avalanche Tricolor: A Taça é nossa

 

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Grêmio 1 x 0 Novo Hamburgo
Gaúcho – Olímpico Monumental

Minutos antes de confirmar o título, havia apenas um atacante no time. Assim mesmo, foi ele quem estava disputando a bola na intermediária. Tínhamos cinco defensores, entre zagueiros e alas; seis com Vitor, o melhor goleiro do Brasil, que é nosso ponto de equilíbrio. Diante deles, três volantes em campo – e foi dos pés de um, Ferdinando, que surgiu o único gol da partida, feito lá no primeiro tempo e de bola parada como gostam de desmerecer os comentaristas esportivos.

A falta era distante da goleira, mas de frente para ela. Tinha uma barreira enorme para atrapalhar o ataque gremista. Foi então que Ferdinando fez aquilo que a gente costuma fazer em campo de várzea: dá uma bica na bola, daquelas de espalhar jogador adversário pra todo lado. Foi um chutão, também, nas muitas críticas que se voltam contra ele.

É que Ferdinando caiu na antipatia do torcedor no primeiro minuto de jogo. Não deste, mas o da sua estreia na temporada. A bronca mais amena: é o “queridinho” do Silas – como destacou em manchete o portal Terra agora há pouco -, só porque esteve com ele por dois anos no Avaí (SC). Mesmo sendo um destruidor de jogadas (do adversário, lógico) é vaiado quase sempre. Talvez pela dificuldade em resolver o que vai fazer com a bola depois que a tira dos pés inimigos.

Tinha de ser dele o gol nesta decisão em que as jogadas mais emocionantes foram carrinhos com dois pés no alto, um deles cometido por Rochemback, corridas intermináveis de Hugo e Fábio Santos para evitar que a bola saísse pela lateral e uma despachada de Maylson para jogá-la bem além da lateral. Talvez seja um pouco de exagero meu: houve dribles do Mário Fernandes, também, e poucos chutes em direção ao gol, mas gostei mesmo foram dos carrinhos e chutões – até porque embalados pelo canto do hino rio-grandense que ecoava nas arquibancadas do Olímpico Monumental.

Você que lê esta Avalanche deve imaginar que a partida que decidiu a Taça Fernando Carvalho (sim, é o nome do ex-presidente do co-irmão), que vale o 1o. turno do Campeonato Gaúcho, com tantos jogadores para destruir e quase nenhum para criar, foi feia e mal-jogada. Tem toda razão, foi mesmo. E quem disse que para ser campeão tem de jogar bonito ? Pra ser campeão tem de chegar à frente do adversário, seja em pontos, em gols ou na divida da bola.

E o Grêmio cumpriu seu papel e por isso é campeão.