Avalanche Tricolor: O esquema não é tudo, a vitória é

Fluminense 0 x 0 Grêmio

Brasileiro – Maracanã


Foi a campo finalmente o esquema 4-4-2. Talvez tenha sido imaginação minha ou problema no áudio da televisão, mas juro que ouvi ecoar nas arquibancadas do Maracanã o grito da torcida tricolor (o gaúcho, é lógico): “1, 2, 3  o 4-4-2 é no Rei”. Se não foi isso, foi algo parecido.

Minha incapacidade de enxergar os tais posicionamentos, já confessada nove dias atrás, quando escrevi a última “Avalanche”, só me permitiu identificar que o time jogava de maneira diferente quando ouvi o locutor do PPV anunciar que o Atlético Mineiro de Celso Roth fazia o primeiro gol contra o Náutico e assumia a liderança do Campeonato Brasileiro naquele momento.

Foi ali que lembrei que Roth formava o Grêmio com um tal de 5-3-2 que por algum motivo era odiado pela crônica esportiva e por torcedores. Corri para ver como o ex-técnico gremista havia montado o seu Atlético. Não é que o Galo dava show no Mineirão jogando em um 4-4-2.

Fiquei sem entender. Lá com esse posicionamento o Galo já fazia 3 a 0 no Náutico e no Maracanã, Grêmio e Fluminense empatavam. Qual a diferença ? Simples, os gols. Aqueles mesmos que Parreira, por coincidência no comando do nosso adversário de hoje, um dia disse que era apenas um detalhe.

Seja qual for o esquema se não resultar em gols, o futebol perde a graça. E eu ainda sou dos torcedores que vou a campo para me divertir. Com a vitória do meu time, é claro. Que esta venha no meio da semana quando estaremos em campo pelo que realmente nos interessa: o tri da Libertadores.

Avalanche Tricolor: Mais talento, menos números

Maxi tem talento e faz gol

Grêmio 3 x 0 Náutico
Brasileiro – Olímpico Monumental

Sempre tive dificuldade para enxergar em campo se o time jogava no 4-3-3, 4-4-2,  3-5-2, 3-6-1 ou qualquer outra formação que somada resultaria em 10 jogadores. Ao olhar para eles, nunca estavam no mesmo lugar. Por isso fico curioso quando ouço comentaristas e mesmo torcedores de futebol falando desta combinação de números.

Time bom para mim é aquele que quando ataca sempre tem um monte de gente para chutar, quando é atacado não dá espaço para o adversário e, de preferência, o 1 – aquele que nunca aparece na formação tática – segure tudo lá atrás.

O 1 do Grêmio é tão bom que Dunga resolveu tirá-lo do time em momento decisivo da Libertadores para deixá-lo no banco do banco da seleção brasileira. Ainda bem que Marcelo Grohe, pelo menos hoje, deu sinais de que está mais seguro. E que assim continue para o resto dos tempos.

Como Paulo Autuori pretende formar o Grêmio para os próximos desafios não sei bem. Falam que vai enterrar o tal 3-5-2 do Celso Roth e substituir pelo 4-4-2. Entre um esquema e outro, fico com o 3 a 0 construído em campo, nesta noite fria em Porto Alegre – e aqui em São Paulo, também. Resultado da troca de passe veloz, tabelas pela direita e esquerda, movimentação rápida pelo meio e marcação desde a entrada da área do inimigo. 

Evidentemente, tudo que se vê ainda é um esboço do que Autuori deve estar imaginando como time ideal para conquistar a América e chegar ao topo do Mundial. Uma equipe mais técnica do que de costume, sem perder a garra tricolor que sempre foi nosso diferencial. Futebol suficiente para colocar o Grêmio entre os 10 melhores do mundo, segundo a IFFHS.

E por falar em números, o que mais me agradou, com todo o respeito ao Souza e seus dois gols, foi o 16 vestido por Máxi Lopez, atacante diferenciado pelo talento com que toca a bola, se movimenta, abre espaço e dá presentes aos colegas. Além de marcar gols de cabeça como fez na Libertadores e na vitória desta noite.

Somente o comentarista da SPORTV, Batista, que em campo jogava muita bola,  ainda não enxergou isso. Encerrou seu comentário na jornada de hoje dizendo que Máxi é um lutador – no que tem razão – mas que não contem com ele para tabelar. Meu Deus do seu, o Batista devia estar muito preocupado em decifrar se o melhor era o 3-5-2 ou o  4-4-2 e esqueceu de prestar atenção no que mais interessa: o talento do jogador. E Máxi tem muito.

Avalanche Tricolor: Meus ídolos no cinema

Vitória 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Salvador, Bahia

Acessei o Portal do Imortal Tricolor pouco antes do início da partida desta tarde pelo Campeonato Brasileiro. Fui surpreendido com o trailer  do documentário que conta a conquista do título mundial de 1983. Começa com o incrível gol de César após Renato Gaúcho ter colocado sua loucura a funcionar e dado um chutão para o alto em direção da área, mesmo não sendo a jogada mais lógica naquele momento, no jogo final em que o Grêmio venceu o Penarol, do Uruguai, por 2 a 1, pela Libertadores, no estádio Olímpico.

No vídeo promocional, além do próprio Renato, aparecem ídolos como o goleiro Mazaropi, o zagueiro Baideck, o volante China, os meias Osvaldo e Mário Sérgio e o imortal atacante Tarciso. Falam também Espinosa, que comandou o time naquela temporada memorável, e o presidente da época Fábio Koff que destaca o fato de o Grêmio ser o primeiro campeão do mundo a nascer no Rio Grande do Sul. O resto …  Bem, o resto veio depois.

O rosto de meus ídolos não mudou muito. São facilmente identificáveis. Lembram aquelas caras alegres que corriam alopradamente ao apito final do árbitro Michel Vautrot, da França, no estádio Nacional, de Tóquio. Envelheceram, é claro. Estão mais rechonchudos. Alguns com os cabelos bem mais claros. Outros com poucos cabelos. Mas todos ainda falam com orgulho do que conquistaram. E me emocionam.

O documentário é lançado no ano em que o Grêmio tem o mundo como meta, precisando antes conquistar o continente. Para alcançar esta façanha faltam apenas cinco jogos, sendo o próximo dia 17.06, quarta, contra o Caracas com quem já empatamos na primeira partida, na Venezuela. Com tantos compromissos importantes pela frente não é de se estranhar a ausência do Imortal no estádio do Barradão, em Salvador, nesta tarde.

Avalanche Tricolor: O velho Grêmio em campo. E na torcida

Teve de encarar até a chuva artificial

Caracas 1 x 1 Grêmio

Libertadores – Caracas, Venezuela


Invicto e a um passo da semi-final. Assim o Grêmio deixa a Venezuela, após enfrentar um adversário poderoso, capaz de desarmar mesmo os mais talentosos jogadores, de impedir a troca de passe veloz ou de eliminar a possibilidade de um drible mais habilidoso: o gramado.

O gramado do estádio Olímpico de Caracas deve ter sido usado para provas de hipismo poucos antes dos dois times entrarem em campo. A quantidade de buraco na grama não permitia que o toque de bola se completasse. Jogadas rasteiras acabavam no peito do companheiro. Ao quicar era impossível saber para que lado a bola iria correr, normalmente costumava seguir para o menos provável. A encrenca era tal que bastou o empate sair para o sistema de irrigação ligar “sozinho”, esfriar a reação do Imortal e encharcar o gramado.

Mesmo assim, e principalmente no segundo tempo, o Grêmio colocou a bola no chão, a cabeça no lugar e com calma chegou ao gol que nos põe em vantagem para a partida de volta que somente se realizará na segunda quinzena de julho. Tempo para Paulo Autuori moldar o time conforme sua visão de futebol.

Foi no segundo tempo, aliás, que o Grêmio esboçou um estilo de jogo que o novo técnico deve estar imaginando ser o ideal para nos levar ao tricampeonato da Libertadores. Ao trocar Jonas, nosso goleador, por Alex Mineiro, Autuori conseguiu fazer com que a bola voltasse a passar de pé em pé e o talento prevalecesse, apesar do gramado. Um futebol que quase lembra aquele que levou o Barcelona ao título da Copa dos Campeões.

A Coligay está de voltaOk, retire a última frase, foi apenas uma brincadeira de quem terminou o jogo feliz pelo resultado. Satisfeito por ver que o velho Grêmio, aquele que sai atrás e chega na frente; que não sabe ganhar jogo fácil, mas é capaz de driblar os buracos do campo; que joga fora de casa sempre dando a impressão de que as coisas não vão dar certo, mas elas acontecem; está de volta.

A propósito, quem também parece estar de volta, pelo menos foi o que li em uma faixa presa no alambrado, é a Coligay, a primeira torcida organizada assumidamente gay do Brasil. E com orgulho.

Avalanche Tricolor: De camisa nova e técnico também

Jonas, o goleador, e a nova camisa do Grêmio

Grêmio 2 x 0 Botafogo – RJ
Brasileiro – Olímpico Monumental

A camisa nova tem desenho diferente sobre os ombros, dá a impressão que tem um capote pendurado atrás a espera para cobrir a cabeça dos jogadores, mas não perde a tradição das listras que fazem parte da história do tricolor. Ao lado do campo, o técnico novo é mais comedido do que os anteriores, grita pouco, não gesticula como muitos, parece preferir o cochicho tático ao grito estérico, mas não abre mão da escalação que fez do Grêmio a melhor campanha da Libertadores.

Do uniforme vou falar pouco, ressalto apenas ser mais bonito do que aquele que nos vestiu no vice-campeonato brasileiro do ano passado. Deixo o resto para que você dê a sua opinião.

Do time, apesar de estar com os mesmos jogadores, exceção a presença de Tulio que substituiu Adílson, suspenso, havia um comportamento diferente em campo. A defesa esteve mais consistente e só levou susto quando o ataque veio de longe, na cobrança de falta. E que cobrança !?

No meio, Souza segue o melhor e Douglas Costa é serelepe quando entra, mas a boa notícia é que Tcheco está de volta ao jogo. Nosso capitão recebeu autorização para criar, driblar, passar e chutar de vez em quando, e de preferência fazer tudo isso próximo da área do adversário.

No ataque, Maxi demonstra talento (você viu o passe para que Fábio Santos marcasse o segundo gol ?) e Jonas  parece que vai resistir a todos os preconceitos que sofrem os jogadores baratos e pouco badalados pela mídia marcando um gol atrás do outro. Já foram 11 ou 12 neste ano. Ele é o goleador. Que assim continue !

Autuori precisou apenas de cinco dias de treino para deixar sua digital no time. Na quarta-feira, contra o Caracas, na Venezuela, é a vez do Grêmio mostrar a ele que seja qual for o desenho da camisa, seja qual for a escalação em campo, este clube quando disputa vaga na Libertadores não pode abrir mão da alma dos Imortais que construíram nossa história.

Avalanche Tricolor: Seleção ? Que droga !

Everaldo, lateral do Grêmio na seleção de 70 (Imagem: Gremio.Net)Está no estatuto. A bandeira do Grêmio tem uma estrela dourada. E passou a brilhar ao lado do distintivo muito antes de os clubes brasileiros vulgarizarem este símbolo colando na camisa uma estrela para qualquer título que tenham conquistado. A do Grêmio é homenagem a Everaldo, titular da lateral esquerda da seleção brasileira de futebol tri-campeã em 1970, que viria a morrer em acidente de automóvel alguns anos depois.

Lembro pouco dele jogando, mas tenho na memória o dia em que chegou a Porto Alegre e foi recebido com as honras de um campeão mundial. Havia até um apartamento que foi pintado de verde e amarelo para comemorar a conquista. Um orgulho para os gremistas. Não o apartamento. O Everaldo, lógico.

Lembrei dele e da estrela que o representa na tarde dessa quinta, assim que a repórter reproduzia na TV a lista dos jogadores convocados para a seleção brasileira que disputará duas partidas pelas Eliminatórias e participará da Copa das Confederações. Muitos anos depois de Everaldo, e muito tempo após o último jogador gremista ter sido chamado para representar o Brasil, Victor “o melhor goleiro do País” está convocado.

Meu filho, o de 12 anos, não pensou duas vezes: “O Victor vai para a seleção ? Que droga !”. No primeiro raciocínio dele, o Grêmio ficaria sem um dos seus principais jogadores na Libertadores. Para concluir: “Ele vai ser vendido lá pra fora e não volta mais”.

Do orgulho que senti ao ver Everaldo na seleção à “droga !” gritada por meu filho contra a convocação de Victor há uma enorme distância que não se justifica pela diferença de gerações, mas pelo que fizeram com o futebol brasileiro.

Hoje, ninguém mais se entusiasma com o escrete canarinho, apenas para usar expressão dos tempos em que era um orgulho ver os ídolos do seu time serem convocados.  Principalmente, se o seu time está em meio a competição importante como a Libertadores da América. Mais ainda quando se sabe que você perde alguém considerado fundamental para a segurança da sua equipe em troca deste ser apenas mais um no grupo da seleção.

No futebol brasileiro, o torcedor tem mais satisfação de ostentar a estrela de um título nacional ou sul-americano na sua camisa do que aumentar a constelação da CBF.

Avalanche Tricolor: “Vencedor é …”

“…  aquele que tem a capacidade de arriscar”

Paulo Autuori

Paulo Autuori, nosso comandante chegou

A principal contratação do Grêmio, neste ano, não estará em campo, mas ao lado dele orientando o Imortal Tricolor. Paulo Autuori chegou nesta segunda-feira, se apresentou e falou sobre seus desafios que tem como principal meta chegar a final do Mundial Interclubes. Reproduzo algumas das frases do técnico durante entrevista coletiva e demais informações publicadas no site Grêmio.net tão imparcial quanto pretende ser esta coluna que escrevo hoje em edição extraordinária:

Paulo Autuori foi apresentado oficialmente, na Sala de Conferência do Estádio Olímpico, no começo da tarde desta segunda-feira. Ele estava no Catar, dirigindo o Al-Rayyan, e assume o grupo em meio à disputa do Campeonato Brasileiro e da Libertadores.

O treinador chega com o histórico de campeão do torneio continental em duas oportunidades, comandando Cruzeiro (1997) e São Paulo (2005). Além disso, ainda conquistou o Mundial de Clubes com o time paulista.

Ficha Técnica:

Nome: Paulo Autuori de Melo
Nascimento: 25/08/1956
Local: Rio de Janeiro (RJ)
Clubes: Portuguesa-RJ, América-RJ, São Bento-SP, Marília-SP, Bonsucesso-RJ, Botafogo-RJ, Vitória-POR, Nacional-POR, Marítimo-POR, Benfica-POR, Cruzeiro, Flamengo, Internacional, Santos, Alianza Lima-PER, Sporting Cristal-PER, Seleção Peruana, São Paulo, Kashima Antlers-JAP e Al-Rayyan-CAT.
Títulos: Campeonato Brasileiro (1995), Campeonato Mineiro e Libertadores (1997), Campeonato Peruano (2001, 2002), Libertadores e Mundial de Clubes (2005).

Confira algumas frases do novo comandante gremista:

Motivo pelo qual aceitou vir para o Grêmio:
“Após o primeiro contato, eu me fiz as perguntas que sempre faço antes de qualquer decisão. Aonde? Quando? Com quem? Respondidos esses questionamentos, me decidi. É o clube certo, com uma história grandiosa. São as pessoas certas, no momento certo”.

Desafio de estar no Grêmio?
“Não quero ser melhor que ninguém. Eu pretendo lutar contra mim mesmo e ser mais do que aquilo que já sou. É um desafio grande voltar ao Brasil, deixar a qualidade de vida que deixei no Catar. Estou pronto para voltar, de ser questionado, chamado de burro. Eu quero provar a mim mesmo que estou pronto para esta volta”.

Negociação com o Grêmio?
“Foi um processo atípico, de rara convicção. A direção teve a capacidade de correr riscos. Isso é uma mensagem para mim e para os jogadores. Só é vencedor aquele que tem a capacidade de se arriscar”.

Categorias de Base:
“Eu sempre falo de conceitos e não de pessoas. O futebol não pode mais fechar os olhos para as Categorias de Base. E, como tenho convicção nisso, acredito em um trabalho de integração e interação entre a equipe principal e as Categorias de Base” 

Avalanche Tricolor: Que vá apitar …

Atlético – MG 2 x 1 Grêmio

Brasileiro – Belo Horizonte


Houve quem duvidasse da primeira frase da última edição da Avalanche quando me referi a camisa 13 que vesti na época em que joguei basquete. Mas joguei, sim. Quem sabe um dia me entusiasmo e publico alguma imagem daquele tempo. Hoje não tem clima para tal. Nem tanto pela derrota. Estas fazem parte do esporte e quando raras, causam poucos estragos.

Prefiro dedicar este espaço para falar daqueles com quem briguei boa parte dos 13 anos em que estive em uma quadra: os juízes. Hoje preferem chamá-los de árbitros, apesar de entender que juiz é mais apropriado, pois são responsáveis por garantir a justiça dentro de campo no que se refere as regras do esporte.

Pavio curto e estilo de jogo aguerrido me levavam ao transtorno sempre que a injustiça sinalizada por estes atingia a mim e ao meu clube. Várias vezes tive de ir embora mais cedo, me envolvi em discussões e bate bocas que revertiam em expulsão. Tinha muita dificuldade para compreender por que eles erravam tanto. E por que pareciam sempre errar contra mim.

Talvez nem errassem tanto nem erravam sempre contra mim, mas era a impressão que eu tinha.

Poucas coisas me tiravam do sério tanto quanto o erro cometido por má-fé ou desrespeito. O juiz que assinalava uma falta com a clara intenção de me prejudicar.  Ou que, abusando de sua autoridade, me agredia com palavras. Incomodava-me o poder dele. Sem direito de resposta e sem a permissão para argumentar e provar minha razão.

Por isso, compreendo a indignação de Souza contra o juiz Wilson Luiz Seneme quando foi punido com cartão amarelo. A falta foi dura, o cartão foi justo. A reação de Seneme, não. Foi desrespeitosa, o levou a perder autoridade dentro de campo. A dar razão ao reclamante.

“O que se pede de um juiz é educação. Eu não fui contestar a falta, só fui dizer que não foi intencional, até pedi desculpas para o cara. Mas ele começou a falar que ia me expulsar, e tive que empurrar ele senão o juiz ia me beijar”, foi a explicação de Souza, irônico, no intervalo do jogo.

Seneme não iria parar por aí. Foi injusto em dois momentos decisivos da partida. E nos dois prejudicou o Grêmio. Não deu um penâlti de um lado, alegando bola na mão, e deu do outro, alegando mão na bola. Expulsou o volante Adílson quando o jogo estava empatado. Deu um escanteio contra o Grêmio contrariando a sinalização do seu auxiliar na jogada que antecipou o gol de desempate. Decidiu a partida em favor do Atlético, o time da casa.  E antes de sair de campo ouviu Souza perguntar: “É este o melhor árbitro de São Paulo?“.

No meu tempo de jogador de basquete não seria capaz de usar desta ironia em uma momento de injustiça como o proporcionado por Seneme. Que vá apitar jogos de futebol …

Avalanche Tricolor: Minha camisa 13

Camisa 13

Grêmio 2 x 0 San Martin (Peru)
Libertadores – Olímpico Monumental

Foram 13 anos jogando basquete, boa parte vestindo a camisa 13 do Grêmio. Tempo em que aprendi muitas das coisas que me ajudam hoje a trabalhar em grupo, construir uma família e me relacionar com diferentes pessoas. Guardo com orgulho, a camisa branca com o símbolo do tricolor no lado esquerdo e o número costurado no direito. É a marca de uma época importante na minha vida.

Quando chegou em casa a camisa oficial da campanha do Grêmio na Libertadores com o número 13 nas costas não tive como não me emocionar. Olhei cada detalhe da manga à parte interna da gola. Os símbolos do time e da competição, as informações que lembram as vitórias do Imortal na copa sul-americana gravadas na etiqueta interna. E, claro, vesti a camisa como se estivesse me preparando para entrar em campo e mais uma vez defender as cores do tricolor.

Imagino ter sido a mesma sensação que o ala direita Jadílson teve hoje quando foi chamado pelo Marcelo Rospide para entrar no segundo tempo. Era dele a camisa que ganhei. Havia usado na penúltima rodada da fase de grupos, na vitória por 3 a 0 contra o Universidad, no Chile. O jogador que tem tido poucas chances entre os titulares foi muito bem, aproveitando o espaço que havia para chegar ao ataque. Torci muita para que a camisa 13 fizesse o seu gol, também.

Quem marcou foi a 7 de Jonas – melhor em campo – e a 20 de Herrera – que está de volta. Poderia ter sido a 16 de Maxi – de um talento que satisfaz -, a 8 de Souza – impedido de jogar pela água e pelo pontapé adversário -, a 10 de Tcheco – nosso capitão – até mesmo a 15 de Thiego – zagueiro que apareceu a frente duas ou três vezes. Quando falamos no manto do tricolor o número às costas é o que menos interessa.

Ao vestir esta camisa, nossos jogadores incorporam a história de um time forjado pela crítica ácida dos comentaristas e a desconfiança das demais torcidas mas que impõe respeito e, por isso, faz a melhor campanha desta Libertadores a despeito de considerarem fracos aqueles que derrotamos até aqui. Sim, foram fracos diante da grandeza do Grêmio e sua camisa tricolor.

Avalanche Tricolor: Te espero na Quarta !

Souza é o craque do momento

Grêmio 1 x 1 Santos
Brasileiro – Olímpico

Ver o Grêmio disputar o Campeonato Brasileiro era um orgulho para a torcida que na época se satisfazia com os títulos regionais. Cruzar com os times do centro do País, leia-se Rio e São Paulo, era sempre uma façanha. Os craques do futebol nacional jogavam por lá. Lembro que ganhei a camisa de um jogador que fazia sucesso no Fluminense, antes mesmo de ter uma oficial do Grêmio. E naquele tempo, camisa oficial não se vendia na loja, tinha de se ganhar na lábia.

Apesar desta suposta diferença entre os que atuavam no que a imprensa nacional considerava grandes times, o Grêmio sempre fez bonito nos torneios brasileiros de futebol. Em 59, na primeira Taça Brasil, ficou em terceiro lugar. Em 67, ficou entre os quatro melhores na edição inicial do Torneiro Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão. Em 71, quando a competição se transformou em Campeonato Brasileiro, ficou para a história o gol do argentino Scotta, em 7.08, o primeiro da competição. Foi na vitória por 3 a 0 contra o São Paulo, no estádio do Morumbi (sempre foi um salão de festas do tricolor gaúcho).

Nada supera, porém, os títulos de 1981 e 1996, Dá para colocar nesta lista, a subida para a primeira divisão, em 2005. Tudo isso deu ao Grêmio o primeiro lugar no ranking da CBF que calcula as vitórias, também, nas Copas do Brasil da qual somos os maiores campeões.

Os tempos são outros. O Brasil ficou pequeno após as conquistas das Libertadores e do Mundial. E por mais importante que seja estrear em uma edição de Campeonato Brasileiro como neste domingo, no estádio Olímpico, não se pode esquecer que o que vale mesmo é quarta 13.05, no mesmo local, contra o San Martin.

É lá que a bola cabeceada pelo Maxi Lopez não pode acertar no poste como hoje. É lá que a cobrança de falta do Souza tem de escorregar para dentro da rede e não ser espalmada pelo goleiro. Que o passe do Tcheco tem de chegar no pé de seus colegas. Que as jogadas de fundo do Ruy tem de alcançar a cabeça de nossos grandalhões. Que o Fábio Santos tem de saber porque vai ao ataque.

É lá, na disputa por uma vaga nas quartas-de-final da Libertadores da América, que o técnico interino Marcelo Rospide – que recebeu hoje sua primeira vaia – tem de aprender que o Grêmio precisa jogar sempre no campo do adversário e o esquema com um só atacante já custou a cabeça de um treinador.

Se tudo isso for feito, o empate contra o Santos nesta abertura de Campeonato Brasileiro nem será lembrado pelos torcedores.