Avalanche Tricolor: Anarquistas, graças a Deus !

 

Festa dos Imortais (imagens reproduzidas da SporTV)

U.San Martín 1 x 3 Grêmio

Libertadores – Lima/Peru

 

Há quatro jogos sem treinador, o Grêmio alcança sua quarta vitória consecutiva e volta para Porto Alegre com a classificação às quartas-de-final praticamente garantida. Uma conquista que se iniciou na perna direita de Souza que com o lado de fora do pé driblou a violência e com o peito do pé esquerdo fechou a bela jogada.

 

A confirmação do bom resultado surgiu nas cabeçadas certeiras de Maxi Lopez, atacante que redescobriu o caminho do gol ao vestir a camisa do Imortal. Já está contaminado.

 

Com o jogo resolvido, a TV peruana decide fechar a imagem no banco do Grêmio e mira em Mauro Galvão, dos grandes zagueiros que o País teve, gesticulando para o time que tocava bola no gramado. Alguém deve pensar que errou o diretor de TV pois supostamente o técnico é Marcelo Rospide que já havia aparecido gritando alguma coisa qualquer, um pouco antes.

 

Verdade é que o Grêmio talvez esteja implantando um novo sistema de gestão esportiva, o Anarquismo. Ideia política que surge lá por meados do século 19 desvirtuada mais à frente. Hoje, há quem tenha no anarquismo sinônimo da falta de ordem. Ledo engano. Prega-se é a falta de coerção, a eliminação total de governos compulsórios. A união dos jogadores, o abraço na comemoração de cada gol, a vibração do grupo dá sinais de que não se deve descartar esta possibilidade.

 

Estarei delirando ? Bem provável, mas por que não acreditar.

 

Sem a mão pesada do técnico, o Imortal Tricolor supera seus adversários um atrás do outro, consagra-se com a melhor campanha da Libertadores, faz mais gols do que todos os demais, leva muito menos e se classifica com antecedência. Chega a enganar os críticos que até aqui subestimaram nossas vitórias.

 

Enquanto todos disputam jogos de Libertadores, “e sabemos que Libertadores é diferente” (dizem os fanáticos pelo lugar-comum), os adversários do Grêmio “não tem expressão, são fracos, de pouca qualidade”. É o que ouço. Pelo menos, é o que mais ouço.

 

Que continuem a olhar com desdém este time que me faz dormir esta noite um pouquinho mais próximo do seu terceiro título sul-americano.

Avalanche Tricolor: O Melhor

Souza marcou dois e um foi um golaço

Grêmio 3 x 0 Boyacá Chicó

Libertadores – Olímpico

De três dedos, com a bola em velocidade, na entrada da área, cabeça erguida, olhos em busca dos companheiros e atento no movimento dos adversários. Souza marcou um dos mais belos gols desta Libertadores ao encobrir o goleiro do Boyacá aos 12 minutos do primeiro tempo. Lance que completava um série fulminante de ataques iniciados assim que o árbitro deu o apito inicial.

Em campo, estava o Grêmio da Libertadores. E o sobrenome se faz necessário, porque o Imortal quando entra para disputar a competição que realmente nos interessa é o Tricolor que queremos e conhecemos. É o time que leva e é levado pela sua torcida. Que mesmo sem ter, ainda, seu técnico-titular , mantém a personalidade.

Foi assim durante toda esta primeira fase. Mesmo quando as bolas não entraram, lá estava o Grêmio defendendo como sempre, atacando como nunca. Levando o goleiro adversário ao seu esforço máximo para evitar a goleada, exagerando nos chutes que encontravam o poste ou o travessão, no caminho do gol.

A goleada desta noite apenas confirmou esta personalidade. Fez do Grêmio a melhor campanha da Libertadores até aqui com 16 pontos ganhos.

Com apenas um gol tem a  defesa menos vazada. E a defesa de um pênalti por Vítor, comemorado pelos companheiros como poucas vezes vi, simboliza este desempenho lá atrás.

Com 11, tem o ataque mais eficiente. Ainda haverá alguém a nos chamar de retranqueiro ? Limitado ? Que nosso ataque é mediano para não chamá-lo de medíocre ? Com certeza.

Nunca disputamos a Libertadores como favoritos. Não será diferente neste ano. Por isso, é hora de descansar, treinar, concentrar e se preparar para a etapa mais difícil desta caminhada rumo ao terceiro título sul-americano.

E claro, festejar (com comedimento), pois contra todos os prognósticos o Grêmio é o Melhor.

Avalanche Tricolor: Paciência e caráter

Paulo Autuori, futuro técnico do GrêmioForam duas semanas das mais perigosas para o Grêmio. Nem tanto pelos adversários em campo, superados um após o outro, a ponto de estarmos hoje com uma das melhores campanhas do futebol sul-americano. Mas corremos sérios riscos. E não digo isso devido a ausência do técnico, não. Rospide se comportou bem para a função de interino. Seu rosto tímido ao lado do gramado estava a altura do seu papel.
Os nomes que surgiram na mídia para substituir Celso Roth é que não ofereciam segurança nenhuma. Diga-se a bem da verdade que dos diretores do Grêmio, os que decidem mesmo, jamais ouvi que pretendiam contratar este ou aquele treinador – exceção a Paulo Autuori, por quem iremos esperar mais 30 dias . Mesmo os pedidos insistentes por Renato Gaúcho, inclusive com aval de Fábio Koff, foram elegantemente negados. Desde o fim de semana, leio também que Vanderlei Luxemburgo estava cotado. Ninguém confirmou. Mas confesso que temi o pior.

A cobrança por uma decisão rápida, apressada, no afogadilho, conspirava contra o Grêmio, após o erro na forma e momento com que Celso Roth foi afastado. Para atender a pressão, Duda Kroeff e companheiros poderiam falhar como nossos atacantes o fizeram nas primeiras partidas da Libertadores ou os homens do meio de campo ao não serem precisos no passe ou nossos defensores quando dão o bote errado para desarmar o adversário.

Paciência é um mérito. Não sei se foi esta a virtude exercitada pelo presidente do Grêmio no evento da contratação de Paulo Autuori.  Um contratação acertada, mesmo com a presença apenas após as oitavas-de-finais da Libertadores e a estreia do Campeonato Brasileiro. Melhor a espera do que o erro da precipitação.

Seja o que tenha sido, o destino nos ajudou, afastou os perigos e vai colocar no comando da equipe gremista alguém que conquistou duas Libertadores e o respeito de clubes no mundo inteiro. Alguém a altura do Grêmio, pelo conhecimento e pelo caráter. Por que para mim, caráter é fundamental.

Avalanche Tricolor: Gracias a internet !

Maxi faz 2 a 0 na tela do computador

U. do Chile 0 x 2 Grêmio
Libertadores – Santiago

Mal terminava a apresentação do jornal da noite e deixava a redação da TV Cultura, rapidamente, para entrar no carro e ligar o rádio. Corria o dedo pelo dial em busca da emissora que ficasse mais a esquerda do painel. Era lá que conseguiria, em meio a chiados, ouvir uma das rádios do Rio Grande do Sul que transmitia a partida do Grêmio. Fazia um caminho mais longo para casa, pois sabia que ao cruzar a Marginal Tietê em direção a Pinheiros  o barulho diminuiria e a voz do locutor ficaria mais clara. No bairro em que morava, o som desaparecia.

Nem sempre o trajeto ajudava, mas o esforço valia a pena quando ouvia ao fim de um extenso grito que o gol era do Grêmio. Confesso que uma ou outra vez me confundi e tive de recolher a comemoração. Era o preço a pagar em troca do direito de ouvir o meu time em campo. As emissoras de São Paulo, claro, preferiam transmitir as partidas dos clubes da cidade. Não poderia ser diferente. Mas teimavam em não atualizar o placar dos jogos mais importantes do País. Erro cometido até hoje, mesmo pela turma aqui da casa.

A estratégia se fez necessária em boa parte da década de 90. Até que as rádios passaram a ser transmitidas pela internet. Não havia mais razão para comemoração na hora errada, apenas com dois ou três minutos de atraso, dependendo da conexão. É claro que precisava chegar em casa, mas naquela altura do calendário já estava na CBN e meu expediente terminava mais cedo.

A demanda, porém, passava a ser outra: ver – e não apenas ouvir – o jogo do Grêmio. Tarefa que se tornou possível com o pay-per-view. É só assinar o pacote do Campeonato Brasileiro e Gaúcho, preparar o sofá e vibrar. Descontando as rodadas que PFC e NET decidem me deixar na mão.

Foi com esta tranquilidade que liguei a televisão na noite desta quarta-feira. Na Globo, tinha o Corinthians; na Sport TV, tinha o São Paulo; na outra Sport TV, acredite, o Vasco; e no Fx, de novo o São Paulo; na ESPN, sei lá quem jogava pela Copa do Brasil. Ninguém, em meio a 500 canais, transmitiria para São Paulo a partida do brasileiro mais bem classificado na Libertadores. Azar da televisão.

Fui ao computador, procurei o canal Justin.TV e lá estava o meu Grêmio, em três telas, me aguardando. Em parte do jogo ouvi Galvão Bueno repetir que “O Grêmio é Brasil na Libertadores”. Fosse mesmo, o Imortal Tricolor não seria alijado de São Paulo. Por sorte uma queda de sinal me levou para outra tela e a transmissão era da Fox  internacional com narração em espanhol. E foi ali, na língua que o Grêmio sabe jogar, que curti mais uma vitória maiúscula, como diriam os antigos locutores de rádio.

Com gols de Léo e Maxi Lopes, que ressurge no papel de matador, a firmeza de Adílson na marcação, a maestria de Tcheco e a personalidade de Souza, o Grêmio não apenas venceu mais uma. Com duas rodadas de antecedência garantiu-se líder da chave, tem a melhor campanha entre os brasileiros e a segunda melhor contando com os gringos.

Que continuem a desdenhar da importância gremista, assim como o fazem com a capacidade deste time. A internet não nós abandonará, jamais !

Avalanche Tricolor: Quer saber, é Libertadores !

Grêmio x Aurora (Foto: Gremio.net)

Grêmio 3 x 0 Aurora

Libertadores – Olímpico Monumental


Da série, você não me perguntou mas eu vou contar.

A Libertadores é a nossa cara. É a nossa casa. É lá que nos sentimos à vontade. É por ela que colocamos a cabeça na ponta da chuteira adversária. Que sustentamos a sola do marcador no joelho. Que vibramos como se cada jogada fosse um gol. Cada gol um troféu. Cada título uma vida.

Vou dizer mais.

Pode não ter sido uma partida excepcional.. Não vimos jogadas para ficar na história. Bem que alguns tentaram, mas não conseguiram. O cabeceio do Rafael Costa e  o voleio de Rever que acabaram em gols foram bonitos. O Souza exagerou na tentativa de marcar o seu. Adílson cada vez mais se afirma como volante, forte na marcação, preciso no passe.

E continuo.

Houve instantes brilhantes como a bola trocada de um pé para o outro de Tcheco que foi encontrar Herrera do lado direito. Ele olhou para a área e lá dentro estava Máxi Lopez. Vai que é sua, gringo ! O argentino subiu como devem subir os atacantes. Girou a cabeça enquanto a bola se aproximava e a golpeou na hora certa. O rabo de cavalo se espalhou na entrada da pequena área. Goleiro e zagueiros do time boliviano só puderam assistir a tudo. A bola foi parar no ângulo oposto, rolou encostada na rede e antes mesmo de chegar a grama, no fundo do poço, Máxi corria em direção a torcida com o dedo indicador apontado para cima. Era o primeiro gol dele na Libertadores. De muitos.

E prá terminar.

Teve passe errado, claro que teve. Teve furada na bola, também. Drible mal dado. Chutão prá ninguém ver. Falta violenta. Reclamação exagerada contra o juiz. Jogador que pouco apareceu em campo. Um monte de coisa que a gente não gosta. Mas, acima de tudo, havia o Grêmio em campo disputando a Libertadores. Líder isolado e invicto.

E Libertadores, caro ouvinte – que amanhã, certamente, não me enviará um e-mail sequer para perguntar, ironicamente, “como foi o Grêmio, ontem ?” – é para poucos. E dentro os poucos, está o Imortal Tricolor.

Avalanche Tricolor: A César o que é de César

Grêmio, teu negócio é Libertadores

Inter 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio

Comemorar 100 anos de história é momento marcante. Tem de se planejar bem a festa. Convidar as pessoas certas. Deixar a casa bonita. Aproveitar cada instante para relembrar seus feitos. Dar o que se tem de melhor. Fazer de conta que todas as vitórias foram conquistadas sem ajuda externa, um apito amigo ou coisa que o valha (ou não valha). Dar um colorido especial mesmo para aquelas lembranças nem tão felizes assim como o primeiro clássico, a goleada imperdoável, o título jogado fora no último jogo, ou o pênalti desperdiçado. As datas são para serem celebradas, mesmo.

Por tanto, é muito justo que, neste domingo – mesmo com um injusto resultado -, os colorados tenham deixado o Beira Rio cantando “Parabéns a você”. Merecem, neste centenário, ser campeões do Campeonato Gaúcho. É o que merecem.

Ao Grêmio, a Libertadores, que disputou 12 vezes, foi campeão em duas e vice em mais duas. Da qual é líder invicto e tem das melhores campanhas até aqui nesta temporada.

Aliás, quando entrar no gramado do estádio Olímpico, já nesta terça-feira (sim, apenas 48 horas após o Gre-Nal, pois os torneios estaduais ainda são considerados importantes por alguns), o Imortal Tricolor terá  a oportunidade de olho no olho, respirar fundo e dizer: Libertadores, enfim sós !

Avalanche Tricolor: Prá comemorar o centenário

Camisa em comemoração ao centenário do primeiro Gre-Nal

Caxias 4 x 0 Grêmio do B
Gaúcho – Estádio do Centenário

Caprichoso o destino que programou para o próximo domingo um Gre-Nal quando na véspera o Inter completa 100 anos de fundação. A lógica colocaria os dois grandes do futebol gaúcho frente à frente daqui uma semana, provavelmente. Mas o inesperado resultado desta quinta-feira à tarde – que, convenhamos, não é dia de jogar bola -, em um estádio que leva o nome de “Centenário”,  nos propiciou a oportunidade de participarmos desta festa, e na casa do aniversariante.

Teremos a possibilidade de reviver as emoções do primeiro confronto entre as duas equipes que fizeram o futebol do Rio Grande do Sul destaque mundial. Foi a 100 anos, também, que o torcedor experimentou pela primeira vez o sabor desta disputa.

No dia 18 de julho de 1909, no estádio da Baixada, com cinco gols de Booth, quatro de Grünewald e um de Moreira, o Grêmio aplicou uma goleada histórica no tradicional adversário: 10 a 0. Resultado marcante que os gremistas decidiram lembrar com uma camisa comemorativa, neste 2009. A minha já está em casa pronta para ser vestida mais uma vez com o orgulho que tenho do meu time.

E se mais uma vez as linhas tortas nos empurraram para este caminho, precisamos agora convencer aqueles que forem escalados a vestir o Manto do Imortal, no domingo, que há uma história a ser honrada. A nossa história

Avalanche Tricolor: Noves fora

Entra de uma vez, deve pensar Makelele (Foto: Grêmio.net)

Grêmio 2 x 0 São Luis
Olímpico – Gaúcho

Segunda-feira, 7 e meia da noite. Arquibancada quase vazia, via-se muito mais faixas e bandeiras do que torcedores. O barulho que sempre toma conta do Olímpico era quase um ruído por trás da transmissão do PFC – que voltou a apresentar problemas no sinal, por três ou quatro vezes. Os loucos da Geral estavam lá porque sempre estão. O Grêmio também estava porque é obrigado a dividir a saga da Libertadores com jogos pelo Campeonato Gaúcho.

Foi, aliás, o primeiro jogo de uma série de quatro que serão disputados em apenas nove dias. Desses, um para garantir presença entre os classificados à próxima fase (já foi), outro para se manter em primeiro lugar no grupo (será quinta à tarde), o terceiro válido pelas quartas-de-final do Estadual (no domingo). Para fechar a sequência, dois dias depois da disputa de uma das partidas eliminatórias do Gaúcho, pega o Aurora pela Libertadores (na terça).

Mal tratado pelos cartolas, ao Grêmio resta encarar este desafio e provar a todo jogo que é capaz. Hoje, foi com os titulares e mostrou o que os comentaristas gostam de chamar de “volume de jogo” excepcional. Pouco deixou o adversário fazer em campo. Vitor, sério, praticamente não sujou o uniforme. Mesmo assim, a bola parece ainda ser um obstáculo a ser vencido. Apesar de bem cuidada, tocada com carinho, deslocada para que se apresente diante do gol, teima em não entrar.

É certo que entrou duas vezes, hoje, pelos pés de Makelele, o simpático coringa, e de Reinaldo, talvez o último dos atacantes na lista de preferência do torcedor (a propósito, bonito gol fez Reinaldo).  Assim como também é certo que a bola entrou no gol adversário sempre que mais precisamos: na Libertadores. Mas bem que poderia ser um pouco mais generosa nem que fosse por gratidão ao time que tantas vezes estará em campo na semana que apenas começa.

Avalanche Tricolor: Por linhas tortas

Aurora 1 x 2 Grêmio
Libertadores – Bolívia

Foi Ele quem empurrou esta bola

Começamos com uma bola no travessão que explodiu na grama, antes da linha do gol; seguimos com um chute cruzado no poste; na mesma jogada os pés  do zagueiro salvaram os bolivianos. Teve ainda o ataque parado pelos braços longos do goleiro adversário. O Grêmio e seus incríveis gols perdidos estavam de volta aos campos da Libertadores, nesta noite de quarta-feira.

Dominou na defesa, avançou pelas laterais, foi criativo no meio-campo e se movimentou  muito no ataque. As chances de gols apareciam a todo momento, fruto do bom futebol. O comentarista chegou a dizer que o Grêmio jogava como se estivesse em casa, mas a bola não entrava. Na cabeça do torcedor a imagem do drama das últimas partidas se reproduzia.

“Papai do céu, olhai por nós”, ouvi minha fé cristã sussurar quase que envergonhada pela heresia de misturar futebol e religião. Não é que ele olhou e deu a Jonas, o nosso “pior e idolatrado atacante do mundo”, a oportunidade de apagar a distorcida imagem forjada pela imprensa estrangeira desde sua última aparição na Libertadores. Com o dedão, a ponta da chuteira, ele fez seu oitavo gol desde que voltou a vestir o manto tricolor. Ele merecia.

Já tendo desperdiçado alguns gols a mais e com o segundo tempo se iniciado, Alex Mineiro foi displicente ao usar o calcanhar quando deveria dar preferência ao dedão de Jonas, e permitiu o contra-ataque que resultou – com toda justiça posso dizer isso – no  injusto empate boliviano.

Não dá para querer justiça divina dentro das quatro linhas. E, afinal, por que facilitar se podemos sofrer ?

A camisa com o espírito do RenatoA  camisa sete, que já vestiu Renato Gaúcho, parece ter transferido a Jonas as múltiplas facetas do atacante que nos levou a conquista do Mundial. Quando mais precisávamos de seus gols perdidos, foi expulso. A bola não nos queria mais, o adversário passou a acreditar na vitória, nossa linha de impedimento quase matava o torcedor do coração, e nosso ataque deixou de existir.

Na televisão, o locutor já falava em tom de consolo que “empate fora de casa não é tão ruim assim” ou “dá prá garantir a classificação no Olímpico”. Devia ter torcedor falando mal do Celso Roth.  Havia um, em Porto Alegre, que pediu as bençãos de Padre Reus.

Mas, você sabe, era o Grêmio que estava em campo. E quando o Grêmio joga não podemos esperar que as coisas se resolvam de maneira lógica. Damos preferência as linhas tortas que, desta vez, confundiram as mãos do bom goleiro adversário.

Gol de Tcheco, disse a televisão. Gol do padroeiro, disse o fiel lá no Rio Grande do Sul. Gol do Papai do Céu que estava vendo tudo lá de cima e com os dedos a coçar o queixo pensava com seus anjos: este time merece ser líder da Libertadores.