Avalanche Tricolor: o Campeonato Gaúcho não me faltará!

Grêmio 1×0 Caxias

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Nos últimos dois anos, só o torcedor gremista é capaz de descrever como foi difícil acompanhar o futebol. A cada partida um sofrimento em particular. Mesmo quando o resultado chegava, o futebol não agradava. Pior ainda quando nem a bola entrava. Não bastava ser maltratada, conspirava contra nós. 

O curioso é que a despeito de tudo que pudesse ter dado errado, nas temporadas de 2021 e 2022, o Campeonato Gaúcho nunca nos decepcionou. Sempre esteve ali a nossa espera, de braços abertos para nos permitir um sorriso em meio a tantos sofrimentos.  Aliás, desde 2018, faça sol ou faça chuva, tenha grama ou buraco no meio do campo, nos capacitamos a disputar as finais estaduais e fizemos prevalecer o peso de nossa camisa. 

Neste 2023 que ainda se inicia para o futebol, lá estava o Grêmio mais uma vez na final, depois de fazer a melhor campanha entre todos os adversários. Diante de nós, um time bem treinado e organizado, tanto quanto aguerrido e tradicional, que se capacitou a decidir o título após derrubar quase todos que encontrou pela frente. Digo quase todos porque nem na primeira nem na última rodada do campeonato nos venceu — foram as únicas duas derrotas que sofreu na competição, demonstrando porque é, atualmente, a segunda melhor equipe  do  Rio Grande do Sul. A terceira, se não me engano, é o Ypiranga de Erechim (por favor, se eu estiver errado me corrija).

O hexacampeonato comemorado, neste início de noite de sábado, sem não antes algumas doses de sofrimento, foi ainda mais especial do que todos os títulos desta sequência. Nossa vitória agora chegou sob o signo da reconstrução e abençoada pelo grito de torcedores que resgataram o prazer de vibrar por um time que preza pela qualidade no futebol. — hoje havia ao menos 51 mil deles na Arena. Não que tenhamos tido uma apresentação de excelência. Houve alguns erros, passes precipitados e desejo de decidir antes da hora — justificável diante da vontade que esses jogadores estavam de atender a paixão do seu torcedor.

De Adriel, jovem goleiro com potencial de oferecer tudo aquilo que o futebol moderno espera de alguém que veste a camisa número 1, a Luiz Suárez, quinto maior goleador do futebol mundial em atividade, admirado em todos os continentes pelos quais passou e motivo de orgulho dos torcedores gremistas, o Grêmio montou uma equipe que tem condições de nos levar muito além das fronteiras gaúchas. 

Temos zagueiros que jogam com personalidade e segurança, um meio de campo bem qualificado, que tem esboçado um toque de bola que tende a melhorar a medida que a temporada avance e um ataque que se ajusta a qualificação de nosso goleador. Talvez sintamos falta de um ou outro jogador para compor o elenco, a medida que as fases decisivas se aproximem. Independentemente do que tenhamos de agregar ao grupo, temos consciência dos nossos predicados.

O que vai acontecer com ao Grêmio neste ano e o quanto a equipe atenderá as expectativas que não são apenas dos torcedores —- muitos dos analistas aqui no centro do país, de onde escrevo, têm se entusiasmado com as nossas possibilidades — somente saberemos mais à frente. De verdade, de verdade, o que posso garantir é que, como nos últimos cinco anos, o Campeonato Gaúcho não nos faltará! E isso me faz muito feliz e desejoso de sair por aí a cantarolar:

Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe Tricolor!

Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe Tricolor!

E Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe,

Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe Êôô!

Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe, 

Avalanche Tricolor: com dentadura em campo, Grêmio empata e decide o Hexa na Arena

Caxias 1×1 Grêmio

Gaúcho – Centenário, Caxias do Sul RS

Tinha torcedor no alto do prédio vizinho ao estádio. Cheiro estranho de churrasquinho na porta. Alambrado no entorno do gramado. E se tinha alambrado, claro, tinha gente gente pendurada nele, se não para que serviria o alambrado. Tinha até dentadura arremessada para dentro do campo — só não ficou ainda muito claro se propositalmente ou por descuido na emoção do grito de gol. Mais do que a ‘chapa’ – nome próprio da dentadura para os gaúchos —, que aterrissou próximo da linha lateral depois de se chocar com o braço do repórter, havia buracos no meio do caminho por onde o futebol deveria passar, o que sempre faz a bola desviar ou ajuda a prender o jogo. Foi nesse cenário que o Grêmio deu início a mais uma final que pode lhe garantir o sexto título Gaúcho consecutivo. 

Jogando no Centenário e diante do time da casa que está invicto desde a segunda rodada da competição — perdeu na estreia para o Grêmio —, encontramos todas as dificuldades que se pode querer em um campeonato estadual. A começar pelo próprio adversário, bem treinado, disciplinado e consciente de seu potencial, que cresce frente a sua torcida e não tem medo de cara feia como comprovou ao despachar o Inter na semifinal.

Sem contar que fomos a campo, pela segunda partida seguida, com um time meia boca. Titulares lesionados e com elenco sem muitas escolhas, recorremos até a jogador que estava praticamente descartado, caso de Lucas Silva, que, registre-se, esteve longe de comprometer e quase marcou o seu de fora da área. Claramente, porém, o entrosamento é diferente.

Tomamos o gol muito cedo, aos 8 minutos, após tropeço na bola e descuido do setor defensivo, o que faria tudo ficar ainda mais difícil. Por curioso, foi quando passamos a jogar melhor, colocando a bola no chão, trocando passes e pressionando a defesa adversária. Algumas tentativas de ataque e uma sequência de escanteios foram premiadas com o gol de Vina, nos acréscimos. O empate que levamos para o intervalo permaneceu até o fim da partida, mesmo tendo jogado a maior parte do segundo tempo com um jogador a mais. O time da casa teve uma expulsão, justa expulsão, aos oito minutos do segundo tempo.

Se sobrou paciência em alguns momentos para fazer a bola rodar de lá para cá, faltou repertório e sintonia nos movimentos, especialmente no tempo complementar quando tivemos de encarar uma forte e bem ajeitada retranca. Suárez bem que se esforçou, saiu da área, deu passes preciosos, chutou a gol mas não conseguiu marcar o seu. Bitello e Cristaldo também apareceram com frequência dentro da área, sem sucesso. 

Ao fim e ao cabo, levamos a decisão para a Arena, onde temos 100% de aproveitamento nesta temporada, com arquibancada cheia, sem alambrado e, espero, nenhuma dentadura solta no gramado — a não ser a de Luis Suárez.

O Grêmio está um jogo do Hexa! 

Avalanche Tricolor: Adriel “Lara” é Gigante!

Grêmio 2 (5)x(4) 1 Ypiranga

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Adriel defendeu dois pênaltis. Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Há exatos cinco anos, assistimos a uma das mais incríveis e decisivas defesas protagonizadas por um goleiro. Foi em Guayaquil, contra o Barcelona equatoriano, em uma semifinal de Libertadores da América. Não fosse a intervenção antológica de Marcelo Grohe teríamos colocado em risco a classificação. Estava dois a zero para nós quando o goleiro — que se sagraria campeão da Libertadores naquele 2017 — impediu, aos três minutos do segundo tempo, o gol de Ariel que traria o adversário para o jogo novamente.

Por coincidências do calendário, neste 25 de março, coube a um outro goleiro gremista ser protagonista da partida que nos manteve na disputa do hexacampeonato gaúcho. Adriel, com apenas 22 anos e do alto de seu 1,95 metro, fez um jogo seguro, a despeito do adversário ter exigido pouco dele. Sempre que precisou, porém, estava na posição correta e ainda ajudou o time a chegar mais rapidamente ao ataque com reposições preciosas. No gol que sofreu no início do segundo tempo, Adriel foi vítima de uma bola que maliciosamente desviou na coxa de um dos zagueiros gremistas. Tinha pouco a fazer naquela circunstância, além de lamentar a falta de sorte. 

O Grêmio encontrou forças para virar a partida impondo-se com qualidade e força frente a um adversário que já demonstrava desgaste na marcação e dificuldade para manter a bola em seu domínio. O gol de empate veio dos pés de Bitello que lançou a bola para dentro da área e encontrou Thaciano. Nosso polivalente jogador já atuo na lateral direita e na ponta direita. Saiu como titular na tarde deste sábado ocupando a posição de volante. E no segundo tempo foi colocado a jogar mais à frente. E foi lá na frente que de cabeça recebeu o lançamento e concluiu de cabeça, devolvendo ao torcedor a esperança da classificação à final (por favor, não deixem Thaciano ir embora).

O gol da virada veio depois de uma série de tentativas frustradas. E ninguém mais frustrado do que Luís Suárez que na partida anterior desperdiçou um pênalti e não conseguiu concluir a gol as várias oportunidades criadas nesse sábado. Coube a Bruno Alves, que havia falhado no gol adversário, completar de cabeça às redes e levar a decisão para os pênaltis.

Foi, então, que Adriel se impôs. Imenso embaixo das traves amedrontou o primeiro marcador e o induziu ao erro — a cobrança foi parar no pé do poste esquerdo do nosso goleiro. Tentou desestabilizar os demais batedores, mas teve dificuldade de encontrar o canto certo da cobrança. Nas duas vezes em que acertou o lado em que a bola vinha, não permitiu que ela alcançasse as redes. 

Adriel foi imenso embaixo dos paus e sua habilidade garantiu a presença na sexta final consecutiva do Campeonato Gaúcho. Confesso, estava com saudades de goleiros pegadores de pênaltis — tais como Marcelo Grohe que segue fazendo das suas no futebol saudita. Não que essa seja obrigação deles. Antes das cobranças decisivas é necessário que demonstrem segurança nos 90 minutos de partida. Nosso goleiro que até pouco tempo sequer completava o banco de reservas e, recentemente, assumiu a posição de titular, tem oferecido ao torcedor a devida tranquilidade. Sai bem do gol, está bem posicionado, sabe jogar com os pés e distribui a bola com tranquilidade Porém, a diferença entre os goleiros e os grandes goleiros se expressa nos momentos mais decisivos. Adriel foi apresentado pela primeira vez a um desses momentos desde que assumiu a posição no time principal. E dele saiu como herói da classificação. 

Esse baiano, nascido em Ilhéus, que começou jogando no Sparta do Tocantins — clube que por coincidência tem as cores azul, preto e branco — e surgiu na base gremista deve saber —- como todos nós torcedores sabemos — que somos o único time do mundo que tem o nome de um goleiro no hino: Eurico Lara.

Um time que faz homenagem a um goleiro no seu hino precisa ter um grande goleiro no seu time. Adriel “Lara” é Gigante!

Avalanche Tricolor: invicto, classificado e cada vez melhor

Grêmio 3×0 Ferroviário CE

Copa do Brasil – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Bruno Alves comemora o primeiro gol da vitória gremista

Foram três gols e poderiam ter sido muitos outros. O volume de jogo foi intenso do início ao fim da partida com sequências de jogadas de ataque, trocas de passes rápidas, deslocamento de jogadores e chegadas fortes na área. Uma partida gostosa de assistir na noite desta quinta-feira pela segunda fase da Copa do Brasil. Só não foi mais agradável porque desperdiçou-se muitas finalizações — inclusive um pênalti — e oportunidades demais foram oferecidas ao adversário. 

Das muitas boas noticias, começo por Cristaldo, meia que se destaca pelas assistências que colocam seus companheiros em condições de gol. Já nos acréscimos do primeiro tempo, foi dele a cobrança de falta, sutil e bem colocada, que permitiu Bruno Alves marcar de cabeça. Dos pés do argentino também partiu o chute forte que fez o goleiro oferecer rebote para Ferreirinha estufar a rede, no segundo tempo.

Pepê, Vina e Bitello completaram o meio de campo com vitalidade e qualidade no passe — um fundamento que vem sendo aprimorado pelo time desde o início desta temporada. A própria movimentação com Luis Suárez está mais bem sintonizada. É evidente a evolução no entrosamento dele com os demais colegas de equipe. 

Hoje, Luisito sofreu seu primeiro revés, desde que chegou ao Grêmio, ao ter sua cobrança de pênalti defendida pelo goleiro adversário. Como experiência e resiliência não faltam ao nosso atacante, insistiu de um lado, tabelou pelo outro e chutou a gol o quanto pode. Seu esforço foi premiado no segundo tempo quando aproveitou o vacilo de um dos defensores, driblou seu marcador e colocou a bola distante do goleiro.

A partida que nos levou à terceira fase da Copa do Brasil foi importante, também, porque sinalizou que temos a cada jogo um time mais bem entrosado e demonstrando características que nos permitem sonhar com um desempenho ainda melhor a medida que a temporada coloque no nosso caminho equipes mais fortes. Até aqui, o Grêmio foi superior a todos os seus adversários e se mantém invicto no ano.

Avalanche Tricolor: ainda bem que tinha o Coldplay na preliminar

Ypiranga 0x0 Grêmio

Gaúcho – Colosso da Lagoa, Erechim, RS

Foto:  Liamara Polli/GREMIO FBPA

Aqui perto de casa, onde moro desde 1993, começará daqui a pouco mais uma das seis apresentações que a banda britânica de rock Coldplay programou para São Paulo. A turma comandada pelo vocalista e pianista Chris Martin, depois do espetáculo que fez no Rock In Rio 2022, volta ao Brasil para repetir a fórmula que a transformou em um fenômeno de público por onde passa. Acabaram-se os ingressos para os shows no estádio do Morumbi assim como para Curitiba e Rio, onde encerrará a turnê brasileira. Um sucesso!

Após ter sido conquistado pelo desempenho de Chris no palco e pela performance digital que a produção preparou para “Music of the Spheres” — nome que marca o giro que a banda está dando no mundo —, assisti à apresentação que fizeram no Chile, em vídeo disponível no YouTube, na tarde deste sábado, à espera da partida do Grêmio, pelo Campeonato Gaúcho.

Os caras são incríveis — os do Coldplay, é claro! Ao lado de Chris, Jonny Buckland, Guy Berryman e Will Champion criam uma conexão com o público absurda. Exploram as possibilidades que a tecnologia oferece para engajar o público, tornando-o parte do espetáculo. Dá gosto de assisti-los. E eu já estou arrependido de não ter feito o mínimo de esforço para comprar ingresso para um dia que seja das apresentações aqui na cidade. Vou ter de me contentar com o”Ooh, ooh, ooh, ooh” de Viva La Vida ecoando na janela de casa.

Sem o prazer que o Coldplay poderia me proporcionar, restou-me assistir ao Grêmio, neste sábado. Fomos com o time reserva para uma partida que nada mais valia para a competição, a não ser manter a invencibilidade no campeonato, o que, convenhamos, só valerá mesmo se conquistarmos o título. Campeão invicto é título que soa bem. 

O futebol jogado foi a altura da importância da partida – se é que você me entende. Pouco acima apenas da qualidade do gramado do Colosso da Lagoa, o terceiro maior estádio do Rio Grande do Sul, construído sob o patrocínio do ditador gaúcho Emílio Garrastazu Médici e inaugurado em 1970. 

De tão maltratada, a bola negou-se a estufar a rede e serviu apenas para destacar as qualidades do goleiro gremista Brenno que perdeu, recentemente, a posição de titular para Andrey. Por curioso que pareça, Breno — com um ene só — era o nome do goleiro do Grêmio que enfrentou e foi derrotado pelo Santos de Pelé, no festival de abertura do estádio.

Outro nome que chamou atenção em meio a mediocridade da partida foi Zinho, um guri da base que entrou no segundo tempo para jogar pelo lado esquerdo. Foi atrevido, arriscou dribles, enfrentou os marcadores e foi autor do único, isso mesmo que você leu, o único chute no gol do adversário.

Nem dá para dizer que  o time frustrou as expectativas a medida que estas estavam ausentes diante da proposta gremista de apenas cumprir a tabela, já que a classificação em primeiro lugar havia sido garantida há algumas rodadas. Porém, é preciso que os “donos”do futebol pensem um pouco mais sobre o que têm a oferecer para o seu cliente, os torcedores. Quem foi ao Colosso neste sábado deve ter voltado para a casa com a certeza de que perdeu dinheiro. Pagou por um espetáculo que não foi entregue.

O futebol brasileiro ainda tem muito a aprender com os espetáculos que se realizam pelo mundo,  seja nas atividades esportivas seja nas musicais. Precisa entregar ao torcedor um mínimo de qualidade nem que seja do palco em que o espetáculo vai ser apresentado. Manter um estádio para mais de 20 mil pessoas e com um gramado em péssimo estado é um desperdício e um desrespeito ao torcedor e aos profissionais que se apresentarão. 

Avalanche Tricolor: valia um Gre-Nal e nós vencemos!

Grêmio 2×1 Inter

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Vina comemora o primeiro gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Quiseram saber o que eu fazia domingo à noite. Neste domingo à noite. Respondi que assistia ao Gre-Nal. Tá valendo título? Foi a pergunta seguinte. Tá valendo Gre-Nal, meu amigo! E se você não sabe o que isso significa, talvez nunca saberá, porque você nunca viveu as emoções que me marcaram desde o começo da vida — ao menos desde que me conheço por gente na vida, que se iniciou lá no Rio Grande do Sul, na vizinhança do velho Olímpico Monumental.

O Grêmio entrou em campo com seis pontos à frente do seu adversário, e o primeiro lugar e a classificação à semifinal garantidos. Houve até quem acreditasse na escalação de um time reserva. Jamais me passou pela cabeça essa possibilidade. Esse seria o primeiro Gre-Nal desde a volta à primeira divisão, disputado com a Arena praticamente lotada, tendo Luis Suárez no comando do ataque e jogado praticamente um ano após o último clássico. Ninguém queria perder! Porque estava em jogo um Gre-Nal.

Vencer o clássico arruma a casa, salva emprego de técnico e dá novos rumos à temporada — não que o Grêmio estivesse precisando disso, após a excelente campanha invicta que faz até aqui no Campeonato Gaúcho. Mas seu efeito no destino de um time e de seus jogadores pode ser devastador. Você já pensou o que aconteceria com Thiago Santos e Thaciano que mal tinham entrado em campo quando o Grêmio levou o gol de empate? Tem ideia do que será a semana para Mano Menezes e seus comandados?

Mais do que os efeitos sobre o time, a vitória no Gre-Nal tem um poder extraordinário no ânimo do torcedor. Só você, amigo que queria saber o que estava em jogo na partida deste domingo à noite, não tem ideia do que significará a segunda-feira na vida dos gremistas. E o terror que será sair da cama para os colorados. A gente acorda feliz e, obrigatoriamente, veste a Tricolor. Amanhã seremos muitos também vestindo a Celeste que ganhou destaque na nossa coleção desde a chegada de Luisito. 

A camiseta do time é roupa de gala no dia seguinte à vitória no Gre-Nal. Desfila-se pelas ruas de Porto Alegre com o peito cheio. Olhar confiante. Passada firme. E aquele sorrisinho maroto de quem espera o amigo que torce para o adversário chegar na padaria. O amigo costuma não aparecer nesses dias. Inventa uma desculpa. Diz que vai chegar atrasado. Se estiver a seu alcance providencia um atestado. Diagnóstico: Gre-Nal 438 – sim o clássico gaúcho é tão importante que nós numeramos um por um desde o primeiro, aquele que ganhamos por 10 a 0. Vai dizer que você não sabe disso, amigo?!?

O Gre-Nal deste domingo começou com o Grêmio jogando um bolão. Tava bonito de ver a troca de passes. A movimentação de seus jogadores. Nem mesmo a saída de Villasanti por lesão ainda no primeiro tempo, impediu o bom futebol que nos colocou na cara do gol ao menos duas vezes. Ambas desperdiçadas por Bitello. Logo ele que tem se consagrado em gols neste campeonato.

Foi em uma dessas trocas de passes com qualidade que Vina — já nos acréscimos do primeiro tempo — bateu firme e bateu forte para às redes fazendo justiça a quem era superior em campo. O empate veio no pior momento da partida, pois acabávamos de fazer aquelas substituições para deixar o time mais consistente — o que no nosso caso era sinal de um time menos talentoso. 

Foi novamente nos acréscimos, do segundo tempo, que o Grêmio arrancou a vitória, após boa jogada de João Pedro, que entrara no lugar de Fabio, na lateral direita, que passou para Carballo completar nas redes.  O uruguaio — ainda jovem — havia substituído Villasanti lá no primeiro tempo e fez uma excelente partida que culminou com o gol no Gre-Nal.

Luisito ao fim do jogo foi perguntado pela jornalista sobre o fato dele não ter marcado gol no clássico. Nosso atacante respondeu quase do mesmo jeito que respondi ao meu amigo que conversava comigo assim que a partida tinha começado: ‘importante era ganhar. Não importa quem fez os gols. Clássico se vence, não importa como’. Luis Suárez está há pouco tempo no Rio Grande do Sul mas sabe muito bem o que vale vencer um clássico. Vale muito! Nesse caso, vale um Gre-Nal! E nós vencemos.

Avalanche Tricolor: o necessário!

Campinense PB 0x2 Grêmio

Copa do Brasil — Mané Garrincha DF

Ferreirinha ajeita o copo para marcar o segundo gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Um gol no primeiro tempo, um no segundo e a classificação à próxima fase da Copa do Brasil foi conquistada com a tranquilidade que esperávamos, considerando o adversário e os devidos cuidados a serem adotados para a sequência da temporada. De minha parte não havia nenhuma expectativa de goleada, como imaginavam os mais deslumbrados torcedores. Diante do que sofremos no ano passado, me bastava a passagem à segunda fase. 

De verdade, para meus desejos se completarem faltou apenas o gol de Luis Suárez. Sim, porque hoje, para mim e imagino para um número considerável de gremistas, vamos a campo sempre a espera da vitória do Grêmio e do gol de nosso atacante. Queremos a alegria de vê-lo balançar as redes.

Nesta noite de quarta, Suárez não marcou, mas se fez necessário no gramado do Mané Garrincha. Sem contar a forma como se entrega e luta insistentemente para alcançar o gol, naturalmente ele chama atenção dos zagueiros, o que abre espaço para os companheiros que se aproximam da área. 

Bom exemplo da importância da presença dele  foi como abrimos o placar com quase meia hora de jogo. Suárez recebeu a bola de Cristaldo, foi seguido por dois marcadores e de calcanhar devolveu para o argentino, que estava livre para marcar. Poderia ter tentando o gol por conta própria, afinal é o centroavante de ofício. Mas atua com inteligência e tem uma capacidade acima da média para enxergar as jogadas.

O segundo gol veio quando a partida estava chegando ao fim e foi mérito de Ferreirinha. Nosso atacante pela esquerda se deslocou para receber na entrada da área, dominou a bola, driblou o marcador e colocou no canto do goleiro adversário. Um gol para dar confiança ao ponteiro que está retornando ao time após uma lesão no início deste ano.

O Grêmio fez o necessário e o que se esperava dele nesta etapa da competição. Que siga cumprindo o seu papel até alcançar os hexas que têm para conquistar neste ano: o da Copa do Brasil e o do Campeonato Gaúcho.

Avalanche Tricolor: sextou!

Grêmio 6×1 Novo Hamburgo

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre

Foto de Lucas Uebel/GremioFBPA

Juro que não foi proposital. Foi ocasional. Estou longe desta Avalanche há quatro jogos — coisa tão rara quanto os leitores dessa coluna — por uma série de fatores extra-campo. Férias, lançamento de livro e compromisso inadiável com amigos coincidiram com as últimas partidas disputadas pelo Grêmio. Nessa sexta, que era para ter sido sábado, tudo conspirou a favor e me permitiu voltar a assistir aos nossos jogos. E que jogo, amigos!

Desde os dois minutos, o Grêmio apresentava suas credenciais. Com jogada veloz, passes rápidos, cruzamento na área e Vina chegando forte para marcar, fizemos o primeiro de seis gols. Em sete minutos já estava três a zero fora o show. Tive até a felicidade de comemorar um gol de Kannemann, zagueiro que poucas vezes balançou a rede, mas merecia essa alegria por tudo que representa na história gremista. O quarto e o quinto vieram antes do encerramento do primeiro tempo.

Há muito não assistia a um jogo do Grêmio com tamanha tranquilidade e diante de futebol tão vistoso. O gol de Bitello, o terceiro gol gremista, resume bem o que foi esse jogo e o nosso desempenho de luxo. Foram seis toques na bola em uma jogada que se iniciou com Reinaldo passou por Bitello, Carballo, Suarez e de novo Bitello. Quase tudo de primeira, com muita movimentação e a conclusão precisa daquele que foi o melhor jogador dessa partida.

Por curioso que seja, mesmo com os cinco gols e a classificação em primeiro lugar garantida com antecedência, os torcedores gremistas ainda estavam a espera de um último presente para a sexta-feira ser completa: o gol de Suarez. Ultimamente tem sido assim. Não basta vencer, queremos gol de Suarez, também! E ele estufou a rede, aos 38 minutos, batendo de primeira uma bola cruzada rasteira dentro da área.

Com um ótimo futebol às vésperas das duas mais importantes partidas até aqui disputadas na temporada — estreia na Copa do Brasil e o clássico Gre-nal —, o Grêmio sextou!

Avalanche Tricolor: “o bicho é bom!”

Grêmio 1×0 Brasil de Pelotas

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Suárez cercado pelos marcadores em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Um jogo inteiro jogado se fez necessário para que os quase 30 mil torcedores que foram à Arena, no fim da noite de quarta-feira, tivessem a oportunidade de explodir em festa com o gol de Luis Suárez. Até aquele instante de felicidade, assistíamos à uma partida truncada, catimbada e violenta. Enquanto o adversário tinha como única intenção impedir que o futebol se realizasse, o Grêmio tentava, com paciência e pouco repertório, impor a sua superioridade. 

Ao longo dos 90 minutos —- usar o tempo de jogo é apenas força do hábito, porque com tantas paralisações, sequer os 12 minutos de acréscimo no segundo tempo devem ter sido suficientes para completar a hora e meia regulamentar —-, o Grêmio era mais esforço do que entrosamento, o que se justifica diante da necessidade de o técnico reconstruir a equipe. Nem todo o esforço, porém, tornava o gol mais próximo.

Aos torcedores restava-nos, mais uma vez, esperar pela bola fatal, aquela que seria entregue a Suárez para que ele resolvesse, como já havia feito no fim de semana, em Caxias do Sul. Mas como fazer a bola chegar até ele, se o atacante uruguaio estava cercado por marcadores? Tentou-se de diversas formas e sem muito sucesso. 

Às vezes, Suárez deixava a área em busca dos companheiros, mas por enquanto, ele dança milonga e os colegas vanerão. Os passos não estão suficientemente coordenados. A tabela não sai com a precisão que a retranca adversária exige. Restava ao atacante lamentar a falta de entrosamento. Para ter ideia da dificuldade gremista de chegar ao gol, até o gol propriamente feito, Kannemann era quem mais havia finalizado, graças a cabeceios sem muita direção, em lances de escanteio.

O primeiro tempo já havia ido embora —- em meio a um entrevero envolvendo Suárez e Piton, o goleiro adversário —, e o segundo recém estava de volta, quando uma falta dura ainda na nossa defesa, resultou em cartão vermelho e expulsão, deixando o Grêmio com vantagem numérica em campo. Nem isso foi suficiente para mudar a cara da partida.

Das muitas tentativas de trocas na equipe — as cinco substituições foram feitas —, a presença do estreante argentino Franco Cristaldo foi a que mais fez diferença, dando um outro ritmo para o nosso ataque. O meio de campo ganhou talento, o passe melhorou e a velocidade aumentou. Mas nada de o gol sair.

Nas arquibancadas, o incômodo se expressava em reclamações e vaias ensaiadas contra um ou outro jogador. A maioria de nós, porém, ainda estávamos a espera do lance genial. O problema é que o cronômetro seguia correndo contra nossas pretensões e o jogo parando diante da nossa indignação. Temíamos que o prazo de validade de Suárez fosse expirar antes do fim. 

Com as dificuldades impostas, o atacante que demonstra um comprometimento contagiante com o time, desta vez, seria mantido até o apito final. E com isso nossa esperança se estendia mesmo com a partida quase se encerrando. 

Os acréscimos começariam a ser contados no relógio do árbitro quando Bruno Alves, nosso zagueiro, fazendo às vezes de meio-campo, lançou para Ferreirinha que entrava pelo lado esquerdo da área. O ponteiro foi um dos jogadores mais acionados na partida e quase havia marcado um gol um pouco antes. Desta vez, em lugar de chutar direto, depois de vencer com velocidade o marcador, passou para Suárez.

O tempo, então, parou!

E fomos recompensados àquela hora da noite. Tivemos o privilégio de  apreciar o que estaria por vir. O que aconteceu naquele pequeno espaço de grama, dentro da pequena área adversária, com marcadores por todos os lados e o goleiro quase aos pés de Suárez, foi esplêndido. Ele dominou a bola e tabelou com ele próprio, trocando a bola de pés, duas vezes, e impedindo com o corpo o assédio dos adversários. Com uma barreira de homens à sua frente, ele recorreu ao bico da chuteira para elevar a bola o mínimo possível para escapar das mãos do goleiro, o máximo necessário para não se chocar contra o travessão. 

O estufar da rede acionou o botão euforia na Arena — aqui onde eu estava, também — e ofereceu aos torcedores o prazer que somente os craques são capazes de saciar. Uma alegria muito além da importância do jogo, do resultado e da competição. Que se expressava como êxtase pela presença de um dos gigantes do futebol mundial que agora é o dono da camisa 9 do Grêmio.

Adjetivos não faltariam para definir o que representa Suárez para os gremistas. Poderíamos explorar as hipérboles da língua portuguesa para descrever o sentimento de assistir à Suárez em campo. Quis, porém, a ironia que o destino oferecesse a uma das vítimas do atacante e protagonista do antijogo que imperava na Arena a oportunidade de melhor descrever, naquele instante, o fenômeno Suárez: : “o bicho é bom mesmo!”, disse o goleiro Marcelo Pitol, do Brasil de Pelotas.

É muito bom! E é do Grêmio!!!

Avalanche Tricolor: a qualidade de Suárez!

Caxias 1×2 Grêmio

Gaúcho – Centenário, Caxias do Sul/RS

Suárez comemora o fol da virada em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O Centenário estava lotado. Ao menos a parte reservada aos torcedores do Grêmio. Havia gremistas de Caxias, de Farroupilha, de Bento Gonçalves e de Gramado. Claro tinha a turma de Porto Alegre e, também, muitos de outras cidades pelo interior. A contratação de Luis Suárez pelo Grêmio promete se transformar em uma fenômeno no Rio Grande do Sul. Não é fenômeno pronto e acabado, ainda. Mas, será. E a medida que o atacante uruguaio entregue tudo o que se espera dele a cada partida, esta obra fenomenal se realizará mais cedo do que se imagina.

As camisas celestes vendidas até sumirem das lojas e o público no aeroporto, na apresentação e na partida de estreia sinalizavam a representatividade de Suárez para o nosso torcedor. A necessidade de a diretoria do Caxias ampliar o espaço destinado aos gremistas no Centenário, em pleno sábado à tarde de verão —- quando os gaúchos preferem os prazeres de Capão, Torres, Tramandaí e Rainha do Mar —, reforçou essa ideia. E estamos apenas no início do campeonato. 

Ontem, a desorganização do sistema defensivo do Grêmio bem que ensaiou uma frustração nos animados torcedores que pulavam na arquibancada e cantavam músicas em homenagem a Luisito. Nos fez sofrer revés logo no início da partida, e colocar à prova a capacidade de  recuperação do time que ainda está em formação, especialmente com seus novos laterais e meio campistas. 

Ao contrário de um previsível desacerto, o gol do adversário parece ter servido de choque de realidade aos jogadores gremistas. A facilidade da Recopa era passado. Agora é Copa do Mundo! Ops, Campeonato Gaúcho! E camisa apenas não é suficiente para vencer e chegar à final.

Cabeça no lugar, marcação mais dura — com Kannemann em destaque —, bola no chão e tentativas de passes mais rápidos, o time começou a se aproximar do gol adversário.  Todos jogavam visando Suárez, na esperança de que se conseguisse entregar a bola no pé dele, o resto ele resolve. Claro que as coisas não são bem assim, a tal ponto que o atacante percebeu que não adiantava esperar lá dentro da área, precisava sair e tabelar com os companheiros. A falta de entrosamento impedia a sequência das jogadas. Em um surpreendente lance de humildade, após o jogo, Suárez disse aos jornalistas que “às vezes, são erros meus, que me apresso a jogar rápido, acho que passando os jogos, vamos nos entender melhor. A qualidade eu tenho, tenho que acertar os movimentos com meus companheiros”.

Alguém duvida da qualidade dele? Eu, jamais! 

Foi em um desses lances em que o talento de Suárez se expressa que a bola chegou até ele pelo lado esquerdo, dentro da área. Sem esconder a fome por gols, mesmo sem estar com o corpo enquadrado para matar, chutou forte, provocando o rebote do goleiro, muito bem aproveitado por Bitello. Em tempo: que prazer ver esse guri jogando! E não é de hoje!.

Aquele lance que culminou com o gol de empate foi um dos poucos em que o Grêmio e Suárez se entenderam plenamente. No segundo tempo, houve uma série de tentativas sem muito sucesso. O passe nunca chegava em condições do arremate, sempre exigia uma tabela ou o deixava refém da marcação dos zagueiros. 

Foi quando muitos já lamentavam a necessidade dele deixar o gramado — afinal, precisa ter seu físico preservado — que Luis Suárez demonstrou todo seu talento. Em uma rara bola que chegou com ele de frente para o gol, o atacante matou com o pé direito, ajeitou com o esquerdo, deu mais um toque  com o direito, o suficiente para tirar o zagueiro da frente, e bateu forte. Nem alto nem baixo; nem muito a direita nem muito a esquerda. No ponto certo. Ali, onde o goleiro não alcança e a rede estufa.

Suárez fez o gol da virada, o gol da vitória e em um dos raros momentos em que lhe deram a chance de chutar.  Entregou o pacote completo aos torcedores do Centenário e aos gremistas espalhados pelo mundo que assistiam ao seu segundo jogo com a camisa tricolor. Com sua voracidade, mostrou que não veio encerrar carreira, quer seguir sendo o gigante respeitado em todos os clubes pelos quais passou, independentemente do tamanho do jogo ou da importância da competição.

A persistirem os sintomas, Suárez será um fenômeno de renda e público e, em breve, faltarão arquibancadas para o público disposto a se deslocar pelo Brasil afim de acompanhar esse craque mundial.