Avalanche Tricolor: o ciclo natural das coisas

 

Juventude 0x2 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi/Caxias do Sul-RS

 

IMG_0950

 

Espantados com o baixo rendimento nas primeiras rodadas do Campeonato, justificado pela escolha que se fez de preservar o time principal – registre-se, escolha correta -, muitos se iludiram com o desempenho gremista.

 

Falou-se de tudo um pouco, inclusive da possibilidade de rebaixamento na competição. Fez-se, também, um murmurinho na tentativa de colocar crise onde não havia espaço para tanto.

 

Quando parte dos titulares foi a campo e alguns pontos deixaram de ser conquistados, tentou-se mostrar que havia ali um padrão negativo em ciclo. Esqueceu-se que aquele time estava apenas voltando ao futebol depois da temporada vitoriosa e difícil do ano passado.

 

Vieram, então, a Recopa, com direito a mais um título sul-americano na lista, e a estreia da Libertadores. Foi quando lembraram que tínhamos diante de nós desafios muito maiores do que o Gaúcho e a esta competição daríamos a devida atenção quando necessário. Demoraram para entender isso.

 

Assim que os primeiros compromissos importantes do ano foram despachados, levamos nosso melhor futebol ao estadual. Já havíamos vencido bem em casa e agora voltamos a vencer fora dela. Nesse domingo, com toque de bola – mesmo com alguns passes errados – e muita disposição superamos o adversário que disputava diretamente com a gente a vaga na zona de classificação.

 

O Grêmio mais uma vez foi o dono da bola, dominou a partida, movimentou-se com paciência, pressionou a defesa e aproveitou-se dos erros provocados por esta pressão.

 

O gol de Jael valeu pela insistência de nosso atacante. Pela crença que demonstra em cada disputa de bola. Foi graças a esse esforço constante que conseguiu roubar a bola dos pés do goleiro adversário e chutar a gol. Seu segundo gol no Gaúcho e seu segundo cartão amarelo. Que venham outros!

 

A lição de Jael foi aprendida por Madson. O ala sabe que somente a sequência de bons jogos o colocará nos braços do torcedor. Hoje usou da velocidade para chegar a linha de fundo e cruzar; e abusou quando na troca de passes, no segundo tempo, chegou no meio da área para marcar seu primeiro gol com a camisa do Grêmio. Que venham outros!

 

Ao fim e ao cabo, o Grêmio já está entre os finalistas e ainda faltam duas rodadas para serem disputadas.

 

O ciclo natural das coisas começa a se revelar.

 

Azar de quem vem pela frente!

Avalanche Tricolor: e assim será a Libertadores!

 

Defensor(URU) 1×1 Grêmio
Libertadores – Montevidéu URU

 

IMG_0918

A festa do gol  (reprodução SportTV)

 

Era Libertadores, mas tinha cara de estadual.

 

Estádio de bairro, arquibancadas baixas, campo acanhado, estruturas mínimas e quase nada a oferecer para os times e torcedores além de um gramado aparentemente bem cuidado.

 

O adversário parecia ter bebido da fonte dos times do interior do Rio Grande do Sul: postou-se atrás e criou uma barreira de jogadores diante da sua área, se dispôs a segurar a partida até onde fosse possível e deixar o tempo passar. Estava feliz em não perder.

 

Nessas condições, o Grêmio jogou bola pra lá e pra cá, movimentou-se de um lado para o outro, trocou jogadores de lado e cultivou a paciência. Arriscou alguns chutes de fora da área e quando conseguiu acelerar o passe chegou ao seu gol.

 

Foi um gol marcado pela insistência, pois além de ficar com a bola nos pés a maior parte do jogo, na jogada que foi concluída por Maicon, já aos 37 do segundo tempo, tanto Jael como Everton já tinham aparecido com chances. No empurra daqui e chuta dali, sobrou para o nosso capitão estufar a rede.

 

Por descuido, fomos punidos, três minutos depois. Punição muito maior do que a que merecíamos dadas as circunstâncias da partida. Parecia mesmo alguns dos jogos que disputamos no estadual.

 

Parecia estadual, mas era Libertadores.

 

Injusto ou não e independentemente das condições oferecidas pelo adversário, teremos de nos acostumar com essa situação ao longo da competição. O Grêmio é o campeão a ser batido.

 

Sendo assim, o esforço será encontrar soluções para furar esse bloqueio e encarar todas as demais dificuldades comuns a Libertadores. O que convenhamos não será nenhuma novidade na caminhada gremista: se tem um time sempre disposto a superar adversidades, este time é o Grêmio, é o Rei de Copas!

Avalanche Tricolor: a alegria de um gol

 

Grêmio 3×0 Nova Hamburgo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Era importante a vitória na noite desse sábado, em Porto Alegre. Os três pontos tiram o Grêmio da zona de rebaixamento tanto quanto o aproxima da faixa de classificação, que está logo ali.

 

Valeram, também, porque deixa o time mais confortável para as competições que realmente interessam, especialmente a Libertadores, que começa na terça-feira. E, por tabela, afasta os muxoxos em meio a festa do título da Recopa Sul-Americana.

 

Três pontos que vieram depois de três importantes gols.

 

Um muito rápido. De tão rápido, virou recorde: 23, 24 ou 25 segundos dependendo de quem registrou no cronômetro (conta que o juiz roubou um ou dois segundos, rsrsrs). É o mais rápido já feito na Arena. E nos ajudou a descobrir Thonny Anderson, 20 anos, que atuou a altura do número que estampou sua camisa: o 10. Dribla curto, dribla bem e chuta a gol. Tem destino. Que seja no Grêmio.

 

O segundo gol, ainda no primeiro tempo, foi importante porque deu tranquilidade a um time que vinha se deixando surpreender nos últimos jogos do Gaúcho. Thonny não marcou mas brilhou dentro da área ao se desvencilhar dos adversários com mais um drible e encontrar Jael correndo por trás da defesa para dar assistência a Michel. Nosso volante chegou livre para marcar, como costumam aparecer nossos defensores neste futebol moderno que nos tem dado tantas alegrias.

 

O terceiro seria apenas para as estatísticas. Foi de pênalti e aos 39 do segundo tempo quando o adversário sinalizava estar abatido e os três importantes pontos na tabela estavam garantidos. Mas esse foi para mim e tenho certeza que para boa parte da torcida gremista o mais importante de todos.

 

Foi o gol do sorriso, da alegria, da satisfação de jogar futebol.

 

Foi gol de Jael que havia ouvido a torcida gritar seu nome mesmo quando perdeu um gol de cabeça, já no segundo tempo. Torcida que o aplaudiu apesar das cobranças de falta terem parado nas mãos do goleiro ou distante de seu destino. Que entendeu seu esforço apesar de os chutes a gol terem ido para a linha de fundo. E se fez tudo isso é porque enxerga nele o desejo de ser um vencedor. Um atacante que teima em não aceitar suas limitações e veste 110% a camisa do Grêmio.

 

Foi Jael quem deu o passe para sermos campeões da Libertadores e foi ele quem brigou pela bola que foi parar nos pés de Everton para o gol que nos levou à final do Mundial.

 

Foi Jael quem deu carrinho sempre que necessário para impedir o avanço de nossos adversários.

 

E não esqueça, foi Jael quem bateu com perfeição um dos pênaltis que nos garantiram a Recopa Sul-americana. Como foi perfeita a cobrança para o terceiro e definito gol do Grêmio na vitória desse sábado.

 

Jael comemorou seu gol, aos 29 anos, como o menino que disputa uma pelada na calçada perto de casa ou no campinho de areia lá do bairro. Alegria que contaminou todos em campo e fora dele como se viu nas imagens captadas pela televisão e na bela foto registrada por Lucas Uebel que estampa este post.

 

A alegria de Jael foi a nossa alegria. De quando conseguimos no trabalho, na família ou na vida um grande feito. A alegria de saber que independentemente daqueles que atravancam o nosso caminho estaremos sempre dispostos a lutar e acreditando que seremos maiores. A alegria de quem sabe que por mais que nos cerquem intempéries, injustiças e ignorância um dia nós faremos o nosso gol, o gol de Jael.

 

Pela alegria do gol, obrigado, Jael!

Avalanche Tricolor: boa noite, Campeão!

 

Grêmio 0 (5)x(4) 0 Independiente ARG
Recopa – Arena Grêmio

 

 

 

Lá se foram muitas horas desde a cena final da nossa saga na Recopa Sul-Americana. Somente agora à noite, consigo sentar diante do computador para registrar meu sentimento diante de mais uma conquista do Grêmio. Foi um dia intenso de trabalho, discussões e emoções, regados ao pouco tempo de sono que tive. Foi pouco mais foi feliz. Muito feliz!

 

Era início da madrugada desta quinta-feira quando o time comemorou, sob chuva de papel picado, o título conquistado na defesa de Marcelo Grohe. A imagem de nosso goleiro com os dedos apontados para o alto e um sorriso no rosto, ainda deitado na grama em que se atirou para impedir que a última das cinco cobranças de pênaltis dos argentinos fosse convertida, permanece na memória.

 

Guardo também a frase de Renato ainda em êxtase e comemorando com a torcida, diante de um insistente repórter, como aliás devem ser os repórteres: “o Grêmio aprendeu a ganhar”. Mais uma vez nosso técnico tem razão. E aprendemos a ganhar, perdendo, empatando, sofrendo, sendo injustiçado, sangrando. Aprendemos a ganhar, lutando, se superando, fazendo o impossível e trabalhando unido como aqueles jogadores abraçados ao lado do campo à espera do pênalti decisivo.

 

Muitas cenas ainda guardo da memória, a esta altura embaralhadas pela emoção e cansaço. As tentativas de Everton, o esforço do capitão Michael em sacudir seus colegas, a bola sendo carregada pelos pés de Luan e as bolas despachadas por Geromel e Kannemann, essa incrível dupla de zaga, que já merecem um capítulo só para eles na história do Imortal.

 

De todas, porém, nenhuma imagem está tão viva e me tocou tanto quanto o abraço que recebi de meu filho mais velho, o Gregório, ao fim da sequência de pênaltis. Muito mais alto do que eu, saltei sobre ele como se tivesse sido o autor de um gol e nos seus braços fiquei preso por algum tempo, enquanto compartilhávamos a alegria de mais um título que comemoramos juntos.

 

Nosso abraço foi o último ato de um fim de noite e início de madrugada que vivenciamos lado a lado. Eu, calejado pelo passado, tentei conter minha ansiedade até onde pude. Ele, sem vergonha de ser jovem, pulava sobre o sofá; praguejava nossos atacantes e suas bolas jogadas para fora do gol; descrevia em voz alta como deveria ser o chute que desperdiçamos; e clamava por Deus toda vez que nossos jogadores corriam para a bola para cobrar o penalti.

 

Sofremos juntos, como sofrem os gremistas. Vibramos juntos, como vibram os campeões. E nos abraços e nos beijamos como só pais e filhos, que se unem em torno de uma paixão, são capazes de fazer.

 

No último instante da festa, enquanto Michael dividia o troféu da Recopa com Geromel, em mais um momento que revela a dimensão do grupo formado por Renato, eu e meu filho dividimos o prazer de desejar um ao outro: boa noite, Campeão!

Avalanche Tricolor: vítima da falta de respeito do futebol brasileiro (e gaúcho)

 

Veranópolis 2×1 Grêmio
Gaúcho – Veranópolis/RS

 

IMG_0862

 

Escrever sobre o jogo um dia depois de disputado nos oferece algumas boas oportunidades de reflexão. Mais tempo para pensar costuma resultar em palavras mais equilibradas menos influenciadas pela emoção do resultado. E, mais uma vez, o resultado não foi bom. E não o foi pelos motivos que conhecemos muito bem, mas parece que alguns preferem deixar em segundo plano.

 

Sem ter tido tempo de preparação, planejando a temporada sul-americana e às vésperas de mais uma disputa de título, o da Recopa, abriu-se mão do Campeonato Gaúcho ao colocar times de transição, reservas, alternativos ou seja lá o nome queiram dar. Paga-se o preço por tal decisão, talvez mais alto do que merecêssemos: houve partidas em que seria justo termos pontuado mas bolas desviadas, árbitros atrapalhados e algumas pataquadas da nossa defesa nos levaram a somar revés atrás de revés.

 

De volta às vantagens de escrever uma dia após o jogo: dá tempo de ler o que dizem seus protagonistas, como é o caso de Renato, que durante toda a partida de ontem revelou insatisfação com o desempenho do time, entre caras e bocas registradas pela televisão. Na entrevista, admitiu erros e desentrosamento, mas fez questão também de criticar a Federação Gaúcha de Futebol. Pediu que os organizadores do campeonato “pensem um pouquinho” em relação ao sacrifício que obrigam alguns clubes a assumirem para atender o capricho do calendário da competição. E reclamou: “preferem quantidade e não qualidade”.

 

Foi na leitura dominical que encontrei na mesma página de site, naquele espaço em que destacam as mais lidas, duas manchetes que dizem muito sobre o que acontece com o Grêmio nesta altura do campeonato. Na primeira, um colunista fez o cálculo: temos quatro jogos para encerrar essa fase da competição, precisamos de três vitórias para se classificar e duas para não cair. Na segunda, estava a informação que o Grêmio é o quinto clube com mais títulos internacionais.

 

Não há como não relacionar esses fatos, mesmo que estejam escritos de maneira isolada. Somos grandes e nos comportamos como tal; e no futebol brasileiro ser grande é pecado, porque confederação e federações sobrevivem com os votos dos pequenos. E para beneficiá-los criam competições maiores do que nossa capacidade e espremem o calendário sacrificando os melhores times, aqueles que vão mais longe, que disputam títulos aqui dentro e se capacitam a jogar lá fora, como é o caso do Grêmio.

 

O Grêmio é o time gaúcho com mais presença em competições no exterior e disputou 17 vezes a Libertadores. Só nos anos 2000 participou nove vezes do principal torneio sul-americano. A lembrar: 2002, 2003, 2007, 2009, 2011, 2013, 2014, 2016 e 2017. Uma sequência de anos que o fez focar, por óbvio, na competição maior, deixando o Gaúcho para o que desse e viesse.

 

O Grêmio não é vítima de seu sucesso, como eu mesmo já devo ter escrito algumas vez nesta Avalanche. O Grêmio é vítima da falta de respeito do futebol brasileiro (e gaúcho) com seus grandes clubes.

Avalanche Tricolor: que saudades de um jogo de futebol de verdade!

 

Independiente ARG 1×1 Grêmio
Recopa – Estádio Libertadores da América/Avellaneda

 

 

 

Gremio x Independiente

Kanneman leva a melhor na disputa da bola em foto de LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

O grito de guerra estava no ar. O estádio, transformado em caldeirão. A torcida pressionava, vaiava e – em alguns casos – desrespeitava. O time da casa era dos melhores representantes do futebol argentino. E em jogo havia mais um título sul-americano.

 

Que saudades que eu estava de assistir a um jogo de futebol de verdade!

 

Rever o Grêmio desfilando suas qualidades neste cenário foi um grande prazer.

 

Verdade que nosso time ainda está em reconstrução. Renato precisa encaixar algumas peças nos devidos lugares e reposicionar outras. E vem testando essas possibilidades. Além disso, a perna segue presa pela atividade física intensa do início de temporada. Os efeitos disso se percebe em alguns espaços que surgem na defesa e na dificuldade para encontrá-los no ataque.

 

Nessas condições, às vezes a força que se imprime na bola não é suficiente para chegar ao seu destino. Pode ir um pouco mais à frente ou um pouco mais atrás, atrapalhando o desenvolvimento do jogo.

 

Temos de considerar que corríamos contra um time em meio de temporada, na ponta dos cascos e em ritmo de decisão, que tinha condição física superior para pressionar em cima e embaixo, mesmo com um a menos no ataque. Quando os físicos se igualaram, no segundo tempo, a bola ficou no nosso pé e dominamos a partida. Porque talento a gente não esquece.

 

A troca de passe que faz o adversário correr para marcar reapareceu. O deslocamento dos jogadores de uma posição para outra foi mais evidente. Talvez tenhamos sido acanhados nos chutes a gol. Um pouco mais de agressividade neste quesito poderia ter nos oferecido resultado ainda melhor.

 

O importante é que, diante das condições oferecidas, soubemos entender as características da partida com inteligência, e reduzimos os riscos conscientes que a decisão será em casa, quando, então, o nosso grito de guerra estará no ar, a Arena será transformada em caldeirão e a torcida pressionará e vaiará (com todo o respeito).

 

Estava mesmo com saudades de assistir a um jogo de futebol de verdade!

Avalanche Tricolor: tudo está no seu lugar (ou quase)

 

 

Grêmio 2×1 Brasil de Pelotas/RS
Gaúcho – Arena Grêmio 

 

 

IMG_0808

Alisson prestes a marcar seu primeiro gol (Reprodução Canal Premier)

 

Haveria de chegar o dia de nossa vitória. Enquanto os meninos iam para o sacrifício e tropeçavam na juventude e inexperiência, os “veteranos” se preparavam fisicamente para uma temporada que será extensa e competitiva. Voltaram a campo no fim de semana e apesar de amargarem uma derrota já sinalizavam que as coisas voltariam ao seu devido lugar.

 

O caro e raro leitor desta Avalanche haverá de lembrar que o título do texto que escrevi sobre a estreia dos titulares no Campeonato Gaúcho era “vai dar samba”, o que poderia parecer alucinação carnavalesca diante da sequência ruim que marcou o início da competição. Não era. Enquanto alguns ouviam os muxoxos das arquibancadas e bastidores, eu preferia prestar mais atenção no samba que ecoava lá pelas bandas da Arena. O toque de bola estava de volta, assim como a velocidade de alguns jogadores de frente e a intensa movimentação nos demais setores. Faltava ritmo e entrosamento, é claro. E pagamos caro demais por isso naquele jogo.

 

Na partida da noite dessa quarta-feira, em rodada que antecipamos devido aos compromissos sulamericanos que temos, parte daquelas características que nos levaram a ser o melhor time da América, em 2017, entrou em campo. Luan já parecia mais solto e disposto. Everton superava a velocidade de seus marcadores. A bola vinha mais redonda de trás e o domínio da partida era nosso. O deslocamento de posição de alguns jogadores e a inclusão de novos nomes impactaram o desempenho como já era de se esperar. É normal, o time está em construção para a temporada.

 

Havia dificuldade para furar o ferrolho montado pelo adversário e a falta de paciência às vezes nos levava a precipitar a jogada. Já era de se esperar, afinal a pressão por resultado é evidente. Um pênalti não foi sinalizado a nosso favor e isso também podemos considerar normal. Já virou padrão dos árbitros. E levamos um gol em jogada isolada de ataque do adversário. Acontece. E deu nova dramaticidade à partida.

 

Quando o segundo tempo chegou, Renato mexeu no time, apostou em Alisson e Jael e os espaços surgiram; e com um pouco mais de espaço ninguém foi capaz de segurar o ataque gremista. A virada com gols do próprio Alisson e de Luan, completando cruzamento de Everton, deu justiça ao resultado e, imagino, acalmou os mais ansiosos. Assim como Renato no intervalo da partida, a vitória do Grêmio também colocou as coisas no seu devido lugar e reduziu a pressão sobre os jogadores que se voltam para a primeira decisão do ano, semana que vem.

 

Neste pré-Carnaval já deu para ouvir torcedores deixando a Arena cantarolando antigo samba de Benito de Paula: “tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus!”. Quase tudo. Ainda faltam ajustar algumas peças no time e ocuparmos o espaço na tabela de classificação que merecemos. Chegaremos lá!

Avalanche Tricolor: vai dar samba!

 

Grêmio 0x1 Cruzeiro
Gaúcho – Arena Grêmio

Gremio x Cruzeiro

Everton ganha chance no time titular (Foto LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA)

 

Impressão minha ou o único chute no nosso gol foi no pênalti? Parece-me que sim. No primeiro tempo a única tentativa séria do adversário foi-se embora pela linha de fundo. O resto do jogo fomos nós tocando bola, trocando passes e posição, dando cavadinha, procurando o espaço livre, cabeceando no poste, para fora e para o lado, chutando de um lado e o goleiro deles despachando pelo outro.

 

O time titular do Grêmio – ou quase – esteve de volta aos gramados depois de uma curta pré-temporada. Retorno que se precipitou devido aos resultados abaixo das expectativas do time de transição. A vitória virou obrigação para uma equipe ainda com a perna presa pelos trabalhos de musculação e fora do tempo para dar o passe, acertar a passada e se deslocar. Sem direito à adaptação pagou caro diante do futebol apresentado. Merecia resultado melhor.

 

O DNA do futebol gremista que nos encantou e conquistou o tri da Libertadores em 2017, porém, apareceu em muitos momentos da partida, apesar do resultado negativo. Houve boas tentativas de deslocamento, passes colocando o colega mais próximo do gol, dribles capazes de limpar a jogada e pressão o tempo todo.

 

Renato ensaiou um time, testou mudanças de posição e deu chances a novos jogadores. Sabe que precisa de tempo para que os velhos conhecidos voltem a atuar com harmonia e muito mais tempo para que os recém-chegados se encontrem dentro de campo. Precisa também da volta de Artur, que se transformou no maestro desta equipe com a posse de bola segura e a armação de jogo precisa.

 

Quarta-feira, o Grêmio volta a campo em busca da primeira vitória no Campeonato Gaúcho, novamente na Arena. Não tem como garantir que os pênaltis a seu favor sejam marcados – o do jogo de hoje não foi -, mas vai se esforçar para não depender deles.

 

Sabe que os três pontos o aproximará da zona de classificação e colocarão as coisas no seu devido lugar. Serão importantes, também, na preparação para a primeira decisão do ano: a Recopa, que começa a ser disputada na semana seguinte. Sim, o Grêmio mal começa o ano e já tem título a disputar. E pelo que assisti hoje, mesmo com a falta de gols e a derrota, acredito que na final contra os argentinos, vai dar samba! 

Avalanche Tricolor: que a exceção não se transforme em regra

 

 

São Jose 2×0 Grêmio
Gaúcho – Passo da Areia

 

 

IMG_0794
 

 

Bola para frente. Percalços fazem parte da vida de todos nós. Perder uma aqui, empatar outra ali, acontece. Voltar a perder, acontece também. A boa notícia é que isso não é regra. É exceção. Verdade que neste domingo, tive de encarar exceções de mais. E em duas frentes: no futebol e no esporte eletrônico.
 

 

Comecei a maratona esportiva na torcida pelo time de League of Legends do qual meu filho mais novo é treinador. Os cinco jogadores que formam a equipe dele não tinham perdido uma só série nos dois anos em que estiveram juntos. Se separaram e agora estão reunidos novamente. Estrearam com uma vitória acachapante, fim de semana passado. A aposta de todos era que a série invicta se estenderia por mais algum tempo. Porém, como para qualquer um dos mortais, o dia de perder haveria de chegar: foi hoje. Por curiosidade para um adversário que veste azul, preto e branco, mas não é o Grêmio.
 

 

Diante do insucesso no campo digital apostei minhas fichas no Grêmio que teria de encarar um gramado artificial. O piso, o vento e a chuva frustraram meus planos de, ao menos no fim do domingo, comemorar uma vitória. Sejamos justos: o piso, o vento, a chuva e a bola … pois que dificuldade para dominá-la e entregá-la ao colega mais próximo em condições de fazer o jogo fluir. Estava tão difícil quanto chutá-la no gol. E você sabe bem o ditado futebolístico: quem não faz, leva.
 

 

Os resultados alcançados pelos meninos, que foram levados ao sacrifício neste início de temporada, ficaram aquém do esperado. Imaginava-se que eles entregariam o bastão aos titulares com alguns pontos a mais na tabela de classificação. Não conseguiram! E, excepcionalmente, assistimos a uma sequência de quatro partidas sem vitória. Que se saiba trabalhar a cabeça (e o pé) de cada um deles para que essa série ruim não os influencie no restante da temporada.
 

 

Nem tudo foi tempo perdido, porém. Do time de transição, algumas figuras esboçaram potencial e vão merecer oportunidade no time principal quando, mais entrosados e com gente madura ao lado, tendem a subir de produção. Já no próximo sábado, os titulares voltam a campo (com grama de verdade) e trazem com eles a expectativa de uma retomada das vitórias, para que não permitam que a exceção se transforme em regra.

Avalanche Tricolor: ainda tem muita bola pra rolar neste ano!

 

Avenida 3×2 Grêmio
Gaúcho – Estádio dos Eucaliptos/Santa Cruz-RS

 

39170751904_ca651e6a4e_z

Um jovem torcedor assiste ao Grêmio, em Santa Cruz (Foto de LUCAS UEBEL/Grêmio FBPA)

 

Esta quinta-feira é feriado aqui em São Paulo. Aniversário da cidade. Falso feriado para mim que trabalhei logo cedo no programa de rádio, que é nacional. Ainda mais com o noticiário pegando fogo e com a obrigação de explicar ao ouvinte o que acontecerá no Brasil após a condenação de Lula em segunda instância. Vale Ficha Limpa? Se vale por que se candidata? Se se candidata, o que vale? E cadeia? Só em segunda instância? Mas já foi em segunda! Mas tem recurso. Vá entender!

 

O futebol também é tema por aqui, neste feriado. Dia 25 de janeiro é a data da final da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Tradicional decisão que ocorre no estádio do Pacaembu. Foi meu primeiro programa esportivo quando cheguei à cidade, em 1991. Mal sabia o que me aguardava. O Grêmio decidiu o título contra a Portuguesa. E perdeu. Derrota acachapante diante de um adversário espetacular: 4 a 0. Nunca assisti a um jogo em que apesar de meu time sair derrotado e goleado, aplaudi. Para ter ideia: aquele time da Portuguesa tinha no comando do ataque um gênio da bola: Dener.

 

Certamente, você ouviu falar deste menino. Veloz, driblador, talentoso. Fantástico! Tanto quanto precoce. Dener foi campeão da Copa São Paulo aos 19 anos, convocado para a seleção brasileira aos 20, vestiu por três meses a camisa do Grêmio aos 22 e morreu em acidente automobilístico aos 23, quando ainda jogava pelo Vasco. Curiosamente, o único título que conquistou na vida profissional foi pelo Grêmio, campeão Gaúcho de 1993.

 

Naquele time do Grêmio que perdeu a final da Copa São Paulo – e de goleada – o goleiro era Danrlei, que dispensa apresentações. Enquanto escrevo essa Avalanche, olho para a camisa número 1 que está emoldurada e pendurada na parede de casa e ostenta o autógrafo do ídolo. Foi o mesmo goleiro que tive o prazer de assistir de perto caminhando com uma medalha na mão e um sorriso no rosto, no corredor do estádio do Morumbi, logo após o Grêmio conquistar o título de campeão da Copa do Brasil, em 2001.

 

O futebol é assim mesmo. Como a vida. Prega peças. Nos desvia do curso. Nos coloca em outro rumo. Nada do que acontece aqui – ou quase nada – é definitivo. O ídolo para o qual se projeta o paraíso, desaparece. O goleiro, envergonhado pela goleada, renasce.

 

Diante desses fatos, parece-me precipitado e perigoso tirar conclusões nesta altura do campeonato e acreditar que o que aconteceu nestes três primeiros jogos do Gaúcho – incluindo o da noite de ontem – sejam determinantes para o destino da maioria dos jogadores jovens ou estreantes que nos representam. Portanto, antes de opiniões definitivas e decisões intempestivas, tenha a certeza de que muita bola ainda vai rolar neste ano.

 

No futebol, na política e na sua vida!