Avalanche Tricolor: tio Ernesto visitou o vestiário do Grêmio

 

Passo Fundo 1×5 Grêmio
Gaúcho/ Vermelhão da Serra-Passo Fundo

 

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Festa gremista na foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA 

 

Em toda família tem gente rabugenta. Às vezes é um tio distante; em outras, um cunhado mal resolvido. A coisa complica mesmo quando o mau humorado dorme na mesma casa (o que não é o meu caso, registre-se) . Venha de onde vier, tem situações que chegam a ser cômicas de tanto que a figura reclama. Se perdeu o emprego, reclama (com razão). Se foi contratado, fala mal do chefe. Se tem feriado, vai cair a produtividade. Se tiver plantão, está muito cansado. Nada satisfaz o cara. 

 

Lembrei, ontem,de um velho tio, o Ernesto, que me fazia rir nos almoços de domingo. Foi durante a partida em Passo Fundo. Mal havia começado o jogo, fizemos um. Em seguida, dois, três, quatro, cinco… Até o gol adversário ajudamos a fazer. Wallace fez dois, enquanto Bobô, Lincoln e Pedro Rocha voltaram a fazer os seus, aproveitando muito bem as chances oferecidas.

 

Da defesa ao ataque, o time funcionou muito bem. Não apenas na movimentação, aproximação e marcação, mas também no talento individual com chutes bem colocados, sutilezas no passe e dribles desconcertantes.

 

Foi um show que estava muito acima da qualidade do palco oferecido, com todo respeito ao tradicional Vermelhão da Serra, em Passo Fundo.

 

Você deve estar querendo saber onde meu tio rabugento entra diante do espetáculo que assistimos, ontem à noite. Afinal, por que lembrei dele em momento tão exuberante do futebol gremista? Porque é nesta hora que a rabugice do tio Ernesto tinha seu valor.

 

Quando todos comemoravam bons resultados, o casamento da prima ou o nascimento da filho, tio Ernesto cerrava os olhos e tascava um “sei não … sei não!”, para em seguida  discorrer sobre as responsabilidades que aqueles atos nos remetiam: a dificuldade que é criar uma criança, o custo em se construir uma família ou seja lá qual fosse o senão por ele elencado.

 

O tio podia ser chato, mas de alguma maneira a chatice dele nos trazia de volta a realidade, controlava o oba-oba e nos levava a pensar sobre nossos atos e planejar como encarar as dificuldades que por ventura pudessem surgir na caminhada.

 

Entendeu agora?

 

Tio Ernesto, ao ver o Grêmio goleando e brilhando em Passo Fundo, diria depois do “sei não … sei não!”: é gol de mais para um jogo só, vai faltar para os próximos, já estão se achando e nem ganharam nada…

 

Pelas declarações dos jogadores e do técnico Roger, logo após a partida, o Tio Ernesto “baixou” no vestiário gremista e fez com que todos, apesar da justificada euforia, deixassem claro que estão com os pés bem postados no chão.

 

Melhor assim!

 

Avalanche Tricolor: Pedro Rocha estava lá mais uma vez; e o Grêmio, também.

 

Grêmio 3×0 Lajeadense
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Pedro Rocha a caminho do gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

Convidado pela ESPN, tive o prazer de entrevistar o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, no programa Bola da Vez, gravado na quinta-feira passada e ainda sem data para ir ao ar. Meus colegas de bancada queriam saber se com o dinheiro que entrará no cofre gremista, a partir da assinatura do contrato do clube com a TV Globo, seria possível fazer grandes contratações para as próximas temporadas. Eu disse que, por mim, não precisava contratar muita gente, não. Já ficaria feliz em ver quatro dos nossos jovens craques mantidos no elenco: Luan, Lincoln, Walace e Everton.

 

“Cinco”, corrigiu-me Bolzan, “tem o Pedro Rocha, também”. Cheguei a ponderar que Rocha costuma ser alvo de críticas do torcedor por seus altos e baixos, seus gols perdidos e tropeções durante a partida. “Mas ele está sempre lá”, retrucou o presidente, demonstrando sua confiança e admiração por esse garoto de apenas 21 anos, que surgiu no time ano passado, chegou a ser titular e depois foi perdendo espaço na equipe principal.

 

Bolzan tem razão ao fazer a ressalva. Seria uma injustiça não colocar Pedro Rocha na lista dos valores a serem preservados. Com a retomada da temporada e as disputas de três competições simultâneas, Roger obrigou-se a aproveitar maior número de jogadores e Pedro Rocha voltou a aparecer com mais frequência no ataque gremista. Ainda perde alguns gols que consideramos fáceis, dá uma tropicada aqui e outra ali, mas, como diz o presidente do Grêmio: “está sempre lá”.

 

Neste domingo de Páscoa, Pedro Rocha esteve lá, novamente. Tentou uma, tentou duas, passou a terceira, tropeçou na quarta, mas em uma “tabela” com o zagueiro adversário apareceu com velocidade diante do goleiro e foi precioso no toque que deu para desviar a bola para dentro do gol. Com esse quarto gol, é um dos goleadores gremistas no Campeonato Gaúcho, ao lado de Luan e Bobô.

 

Ao fim e ao cabo, o que se espera de um atacante é que marque gols. Ao menos que os busque de maneira insaciável. Pedro Rocha é assim, incansável. Só não aumentou (ou teria perdido?) a goleada desta tarde porque seu colega de ataque, Lincoln, acreditou que seria capaz de fazer o dele, também, e, em lugar de passar para quem estava mais bem posicionado, no caso Pedro Rocha, preferiu chutar a gol, quase no fim da partida.

 

Bobô abriu o placar e Batista, outro menino que chega ao grupo, com apenas 20 anos, completou a vitória tranquila do Grêmio, que nos mantém líder a duas rodadas do fim da fase de classificação. Ou seja, não é só Pedro Rocha que “está lá”. O Grêmio, também.

 

Aliás, de volta a entrevista na ESPN, Bolzan disse que acredita que ganharemos ao menos uma das quatro competições importantes que disputaremos esse ano. Sendo assim, é bom que sejamos líder agora, pois esta meta ficará mais próxima de ser alcançada se decidirmos na Arena as partidas da etapa seguinte do Campeonato Gaúcho.

 

E se queremos manter nossos jovens craques no time, nas próximas temporadas, é importante que os títulos comecem a chegar logo. É isso o que mais desejamos.

Avalanche Tricolor: simplesmente sofisticado

 

Ypiranga 1×2 Grêmio
Gaúcho – Estádio Colosso da Lagoa/Erechim

 

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Lincoln comemora golaço, em foto de Diogo Zanaga/Gremio.net

 

O gol de Lincoln foi belíssimo. Há muito não se assistia a algo semelhante. O guri atrevido descobriu-se dentro da área, não bastasse todo o talento que tem demonstrado quando fora dela domina a bola, levanta a cabeça e coloca seus companheiros em condições de gol ou apavora seus marcadores com dribles rápidos e precisos.

 

A mando de Roger, Lincoln tem jogado mais próximo do gol e gols tem feito, como o que nos manteve na disputa da Libertadores no meio da semana, no minuto final da partida, e esse que nos ofereceu a liderança do Campeonato Gaúcho, ainda no primeiro tempo.

 

Dessa vez, o guri caprichou. Pelo alto, girando e de calcanhar colocou a bola longe do alcance do goleiro. Primeiro disseram que era de letra, depois chamaram o lance de chaleira, quiseram até compará-lo a Ibrahimovic, enquanto todos nós comemorávamos como sendo genial.

 

Foi preciso, porém, o guri deixar o gramado no intervalo de jogo para entendermos bem o que significava aquele gol para ele: uma ordem cumprida; função exercida a pedido do “professor”; aproveitar alguma bola que sobre por ali; nada de mais, até porque, disse com a mesma simplicidade com que dribla seus adversários, já marcou outros de calcanhar.

 

Visto o lance a partir da descrição de seu protagonista, confesso, tudo pareceu mesmo muito simples, sem ostentação, nada de excepcional, apenas o recurso que a jogada exigia pela maneira como a bola chegou nele e pela forma como ele chegou na bola.

 

Se com os pés, Lincoln fez os narradores lembrarem-se de craques do futebol, suas palavras me remeteram a um gênio da humanidade. Leonardo da Vinci já ensinou que “a simplicidade é o último grau da sofisticação”.

 

Lincoln foi simplesmente sofisticado.

Avalanche Tricolor: salve, Imortal!

 

San Lorenzo 1×1 Grêmio
Libertadores – Buenos Aires

 

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Lincoln voa em foto de Lucas Uebel/Gremio FBPA

 

Um gol quando o jogo mal havia se iniciado. Um gol bem quando o jogo estava terminando. E entre um mal-feito e um bem-feito, havia Marcelo Grohe.

 

Nosso goleiro foi heróico aos 19 do primeiro tempo quando limpou a barra do nosso esquema defensivo.

 

Foi elástico, aos 42, ao despachar o chute traiçoeiro do adversário.

 

Como a sorte ajuda aos homens de boa vontade, aos 43, Grohe foi salvo pelo travessão, uma vez; pelo pé alheio, na segunda; e por seu fiel escudeiro Geromel, na terceira.

 

E ainda havia todo o segundo tempo para Grohe operar milagres.

 

Verdade que o time da casa não repetiu a artilharia dos primeiros 45 minutos, mas quando só Grohe poderia nos salvar, como naquele lance nos acréscimos, foi ele quem nos salvou.

 

Salve, Grohe!

 

Grohe, porém, não pode fazer tudo. É preciso que alguém faça gol. E Lincoln fez justo quando os descrentes já haviam abandonado a causa.

 

Salve, Lincoln!

 

O guri entrou desajeitado em meio a um time que jogava desajustado. A bola quase não chegava ao pé dele, pois não havia ninguém mais em condições de carregá-la com a precisão necessária.

 

Após um cruzamento mascado e uma bola prensada, Lincoln acertou o único chute a gol do nosso time, naqueles últimos 45 minutos de partida. A bola passou rente e entre as pernas do zagueiro deles (que não era assim um Geromel) e foi parar dentro do gol.

 

Um gol que talvez não tenha feito jus ao futebol que apresentamos. Mas que fez à história que construímos: a de Imortal Tricolor. E só por acreditar sempre nesta história, fiquei atento, ligado, sofrendo e torcendo até o apito final do árbitro, sem perceber que me restariam pouco minutos para descansar e iniciar maratona de trabalho, nesta quarta-feira.

 

Quem se importa com isso, depois de ter tido o prazer de assistir a mais um grande feito da nossa imortalidade.

 

Salve, Gremio!

Avalanche Tricolor: que o DNA de Roger prevaleça sempre

 

Cruzeiro-RS 1×3 Grêmio
Gaúcho – Estádio do Vale/Novo Hamburgo

 

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Bobô e Lincoln comemoram mais um gol Foto: Lucas Lebel/Grêmio FBPA

 

Jogadores titulares preservados para a próxima batalha logo ali na esquina, não se esperava muito da equipe escalada por Roger para a partida do fim de tarde de sábado, em Novo Hamburgo. Eram atletas que costumam treinar do mesmo lado, no time reserva, mas para os quais o técnico não dedica toda atenção tática. Treinam juntos, mas não coletivamente.

 

Verdade que alguns dos que entraram em campo a todo momento aparecem no time principal, muitas vezes sacados do banco como solução encontrada por Roger para resolver qualquer problema que por ventura ocorra no decorrer do jogo, casos de Fernandinho, Bobô e Henrique Almeida.

 

Dar oportunidade para Bruno Grassi no gol é sempre bom, pois ele demonstra segurança e personalidade no que faz. E a seleção está aí de olho em Marcelo Grohe.

 

As duas laterais apresentaram guris em ascensão: Kaio, que me pareceu mais disposto a ir ao ataque do que os próprios titulares, e Marcelo Hermes.

 

Ver Ramiro de volta ao time também me alegra, pois é daqueles jogadores que o grupo sempre precisa ter: se não deslumbra o torcedor pelo talento, o faz pela eficiência na função cumprida. Soube até que temporadas passadas foi dos que mais passes acertaram. Se não o que mais acertou. Informação a ser confirmada, mas que não me surpreenderia se verdadeira fosse.

 

Havia, também, Pedro Rocha, que inclusive já esteve entre os titulares e de quem sempre se está a espera de uma arrancada em direção ao gol, papel que cumpriu bem aos 26 minutos do primeiro tempo, ao empatar a partida.

 

Contra um adversário que disputava “copa do mundo”, a adversidade inicial, com mais um gol tomado de cabeça, não me assustou como deveria. Pois, mesmo diante de todas as fragilidades que pudéssemos ter, havia algo que me agradava: o DNA de Roger.

 

Sim, apesar de ser a equipe reserva, percebia-se a tentativa de tocar a bola com rapidez, se deslocar com agilidade, aproximar-se para receber e passar, e reduzir o espaço para o adversário jogar. Nem sempre com a habilidade necessária para que se protagonizasse em campo o ensaiado no treino, mas do jeito que Roger quer que o Grêmio jogue.

 

A satisfação de ver o esforço de a equipe reserva colocar em campo o que Roger pensa e gosta se deve ao fato de me sinalizar de que estamos criando uma cultura diferente no futebol gremista, que o tempo ainda reconhecerá com títulos.

 

Na partida desse sábado, porém, nada me agradou mais do que assistir ao futebol jogado por Lincoln.

 

Talentoso e aguerrido, nosso guri se agiganta no meio de campo. Técnico e destemido, torna nosso ataque melhor, pelo perigo que leva aos adversários ou pela qualidade em servir aos colegas mais bem posicionados na área – como no segundo gol, marcado por Bobô, aos 42 do primeiro tempo. Foi premiado com gol de pênalti provocado por seu domínio de bola, aos 11 do segundo tempo.

 

Talvez ainda seja muito novo para assumir a responsabilidade da camisa titular, especialmente diante dos compromissos mais sérios que temos pela frente, a começar pelo de terça-feira, quando teremos de ser maior do que fomos até aqui. Porém, Lincoln se transforma em esperança (e opção) de que o futebol qualificado, que tanto defendemos, terá vida longa.

 

Que chegue logo a terça-feira e o DNA de Roger prevaleça!

Avalanche Tricolor: disposto a sofrer até o fim!

 

Grêmio 1×1 San Lorenzo
Libertadores – Arena Grêmio

 

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O ataque não funciona. Então, temos Fred. 

 

A marcação falha. Fred, de novo. E Geromel, como sempre.

 

E Marcelo Grohe faz mais uma incrível defesa.

 

O passe perde a precisão. Que a sorte nos ajude, se precisar!

 

Quando as coisas não dão certo, segure-se quem puder. E como pudermos.

 

Se o empate não era o melhor resultado, que assim seja na Libertadores!

 

Ou alguém aí imaginou que a vida seria fácil?

 

Vamos recuperar estes pontos fora de casa, por que não!?

 

Pra almejarmos o TRI, vai ter de ser assim: lutado, suado, às vezes (e que seja somente às vezes) sofrível.

 

Tem horas em que nada parece que vai dar certo … 

 

É para isso que temos Fred, temos Geromel, temos Marcelo.

 

E temos um baita coração tricolor, disposto a sofrer até o fim.

 

Até o TRI!

Avalanche Tricolor: vamos ao que realmente importa

 

Grêmio 0x0 Inter
Gaúcho/Copa Sul-Minas-RJ – Arena Grêmio

 

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Miller em mais um ataque gremista FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

O Gre-nal deste domingo era um Gre-nal estranho. Valia por duas competições ao mesmo tempo (ambas sem muito valor), e estava intrometido entre dois jogos da única competição que realmente vale alguma coisa: a Libertadores.

 

Depois daquela atuação exuberante em busca do título sul-americano, com goleada em casa e o melhor desempenho até aqui na temporada, no meio da semana, o Grêmio foi apenas um esboço daquilo que o diferencia dos demais.

 

Nos primeiros minutos, bem que ensaiou o futebol de velocidade, precisão no passe e qualificado com o qual já estamos acostumados. E quase decidiu o jogo logo no seu início. Não teve sucesso.

 

Por mais motivados que pareciam estar nossos jogadores, lutando pelos espaços em campo (e alguns lutaram muito), disputando cada bola como se fosse a última, parece-me que se ressentiu da ressaca da Libertadores. Esteve mais lento do que o normal, mais distante do que de costume.

 

A retranca armada pelo adversário, típica dos times que enfrentamos no Campeonato Gaúcho, também nos fez sair das nossas características e nos levou a exagerar naquilo que mais nos faltava até aqui: chutes de fora da área.

 

De todos em campo, destaque para Geromel, o Senhor da Área. Ganhou todas as disputas que encarou e não deu chances aos atacantes que se atreviam a se aproximar de nosso gol. Nem precisou ser violento para isso.

 

Por cima, nosso zagueiro saltava mais alto do que qualquer outro e afastava o perigo de cabeça; por baixo, despachava para longe quando necessário ou buscava um companheiro mais bem colocado, se seguro fosse. E em baixo das traves impediu a consumação de uma injustiça com uma defesa incrível, no segundo tempo.

 

Por mais que a torcida, que fez belo espetáculo lotando a Arena, desejasse a vitória, porque vencer queremos sempre, do ponto de vista da competição estadual temos pouco a lamentar pelo empate, mesmo depois de assistir ao Luan desperdiçar o gol mais feito do jogo.

 

O que me preocupa é que este Gre-nal, em meio a dois jogos realmente importantes, causou baixa significativa para o Grêmio, com a perda de Miller (ex-Bolaños) por cerca de 30 dias, agredido no início da partida, sem que seu algoz fosse punido.

 

Temos elenco suficiente para superar a ausência dele no ataque, mas quando se está em uma competição de alto nível, privilégio de poucos no Rio Grande do Sul, é sempre bom contar com força máxima.

 

Que Miller volte logo.

 

Até quarta-feira, pela Libertadores, que, afinal, é o que realmente importa!

Avalanche Tricolor: Grêmio dá show na Libertadores

 

Grêmio 4×0 LDU

Libertadores – Arena Grêmio

 

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Miller marca na estreia com a camisa do Grêmio Foto: Lucas Lebel/Grêmio Oficial

 

Bola no chão, correndo rente ao gramado e em velocidade. Jogadores próximos uns dos outros, formando triângulos e losangos. Marcação intensa, sem dar espaço para o adversário respirar. E um desejo impressionante de chegar ao gol – algumas vezes até confundido com pressa ou precipitação.

 

Foi assim que o Grêmio de Roger apresentou-se nesta noite de Libertadores, impondo um ritmo alucinante na partida.

 

Ainda antes dos 15 minutos, era possível perceber que a troca de passes, que marcou o belo desempenho da temporada passada, estava de volta. E foi assim que Maicon marcou o primeiro gol, após assistência de Luan.

 

A velocidade nos permitiu ampliar a diferença com pouco mais de meia hora de partida: Miller (ex-Bolaños), em sua estreia, desviou para o gol outra bola bem servida por Luan.

 

A vantagem se tornou possível, também, devido a expulsão de um adversário, logo na retomada do jogo no segundo tempo. Registre-se: expulso por não conseguir acompanhar a velocidade do ataque gremista.

 

Henrique Almeida e Everton, dois dos que saíram do banco para brilhar, completaram a goleada, com chutes precisos, oferecendo ao torcedor uma tranquilidade inesperada, levando-se em consideração ser esta partida de Libertadores.

 

Goleadas assim estamos mais acostumados nos clássicos gaúchos, não é verdade?

 

Miller jogou como um velho conhecido de seus colegas, apesar de estar apenas estreando na equipe. E mostrou que está pronto para dar nova dinâmica ao ataque.

 

Henrique Almeida chutou uma só bola no gol, de fora da área e depois de se livrar da marcação. Mostrou, assim como no fim de semana, qual é o seu papel no time.

 

Douglas, Giuliano e Luan formaram o trio que nos ensinou, no ano passado, que é possível fazer do futebol uma arte.

 

O Grêmio de Roger voltou a se apresentar.

 

Seja bem-vindo e eterno!

Avalanche Tricolor: gols, pipoca e rock and roll

 

Grêmio 3×2 Glória

Gaúcho – Arena do Grêmio

 

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Foi um fim de sábado intenso, que começou ali pelas cinco horas da tarde com a partida do Grêmio, na televisão, e se encerrou depois da meia-noite quando voltei a pé do Morumbi, após assistir ao show dos Rolling Stones.

 

Cheguei a titubear: ver o jogo do Grêmio até o fim e chegar em cima da hora para o show, arriscando ficar distante do palco? Não ver o jogo do Grêmio e garantir espaço nas primeiras filas da pista?

 

Não sei porque ainda encaro esses dilemas quando sei de antemão a resposta: assisto ao jogo do Grêmio, sempre (ou na maioria das vezes). Foi o que fiz e por pouco não me arrependi. Não que lá no estádio, pela hora que cheguei, não tenha conseguido uma boa visão do palco, muito beneficiada pelos incríveis telões que integravam a paisagem eletrônica.

 

O arrependimento bateu forte quando vi, já no segundo tempo, aquela escapada pelo corredor que havia no lado direito da nossa defesa, a bola cruzando toda a área para encontrar o atacante que entrava livre pelo nosso lado esquerdo.

 

Este show já havia assistido, nesta temporada. O Grêmio com muito mais futebol, chegando à defesa alheia com velocidade, chutando e desperdiçando oportunidade atrás de oportunidade. Consagrando o goleiro adversário. De repente, uma bobeada e tomamos o gol. Outra, e gol novamente. Ontem, corremos riscos mais duas ou três vezes. Ainda bem que nosso goleiro é sagrado.

 

Para ver espetáculo com o mesmo enredo, tivesse seguido mais cedo para o Morumbi, pensei cá com as listras tricolores da minha camisa. Lá estava com encontro marcado com velhos conhecidos: no palco estariam os mesmos astros e seus clássicos que curti em janeiro de 1995, no Pacaembu, e em abril de 1998, na pista de atletismo do Ibirapuera, apenas com uma roupagem diferente. Sim, eu estive com eles nas duas vezes anteriores e só não me meti entre os 1 milhão e 200 mil pessoas que assistiram à apresentação, em 2006, em Copacabana, porque casamento e filhos nos dão um certo senso de responsabilidade.

 

Gosto dos Stones e poucos são capazes de me emocionar como eles, especialmente quando somos milhares no mesmo espaço comungando o som que tocou minha geração. E, pela juventude que pulava ao meu lado, a de muitos outros, também.

 

Assim como das outras vezes, a expectativa era ouvi-los em “Jumpin’ jack flash”, “You can’t always get what you want” e “Satisfaction” – os sucessos de sempre. Já sabia que Mick Jagger conversaria com a gente em um esforçado português britânico, iria saracotear de uma lado para o outro e brincaria com a turma do palco.

 

Apesar da impressão de que tudo aquilo já havia sido visto anos atrás, mais uma vez assistir aos Stones seria único, grandioso e emocionante. Um espetáculo que queria ver de novo, e de novo, e mais uma vez se possível. Diferentemente daquele que o Grêmio apresentava na Arena, em Porto Alegre, e eu insistia em assistir até o fim, mesmo que isso pudesse atrapalhar meu compromisso mais tarde.

 

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Luan marca mais uma vez Foto Grêmio Oficial/Lucas Lebel

 

Quando o Grêmio joga, mesmo nos piores de seus dias, sempre quero acreditar que algo surpreendente possa acontecer. E estamos bem distante destes maus dias. O que ocorre hoje é apenas a necessidade de afinar melhor nossos instrumentos: o passe, a aproximação, o deslocamento, a marcação, o chute a gol e a confiança. Roger, que comanda a nossa banda, tem se esforçado neste sentido, pois conhece bem o potencial de cada um dos seus integrantes. Sabe que somos capazes de oferecer um espetáculo vitorioso. E que faremos isso, em breve.

 

A surpresa veio quando já havia trocado minha camisa tricolor pela que estampa a cara envelhecida dos Stones: minha insistência, e muito mais a de Roger e dos jogadores, foram premiadas com dois gols no fim da partida, com Henrique Almeida (que seja o primeiro de muitos) e Luan (mais um de muitos que já marcou) completando o que Giuliano e Geromel haviam iniciado. Uma goleada construída de maneira estranha, mas que foi muito mais realista ao que havia acontecido em campo.

 

Mesmo com o adiantado da hora, cheguei em tempo de entrar no gramado do Morumbi e me intrometer no meio da massa que ocupava quase todo o espaço disponível. Fiquei no centro do campo, diante do palco e com milhares de pessoas embevecidas pelo espetáculo que assistíamos desde o primeiro acorde. Emocionei-me de novo com Mick, Keith, Ron e Charlie. E fui surpreendido com algumas performances no palco, além da beleza de “She’s a rainbow” e o ineditismo de “All down the line”(ao menos nesta turnê). Assim como o Grêmio, os Stones sempre me surpreendem.

 

Na volta para casa, ainda entorpecido pelo som dos Stones, cruzei por um pipoqueiro na saída do estádio: “doce ou salgado?”, perguntou-me. Quero um grande com o sabor da alegria (e uma pitada de ironia, por favor).

Avalanche Tricolor: a imagem não estava boa

 

São Paulo-RS 3×2 Grêmio
Gaúcho – Aldo Dapuzzo/Rio Grande

 

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Everton tenta chegar ao ataque em foto do Grêmio/Lucas Uebe

 

Já havia ao menos 12 minutos de bola rolando, em Rio Grande, e a televisão insistia em mostrar outro jogo. Não que o que eu via me desagradasse (aquilo-que-você-sabe-o-que-é), mas preferia muito mais assistir ao jogo do Grêmio, afinal paguei pra ver.

 

Quando as imagens de Rio Grande surgiram na tela da minha TV não duraram muito tempo.Um contra-ataque gremista congelou. E a responsabilidade não era da defesa adversária. Era na transmissão mesmo. Problema no sinal.

 

Em seguida, com jogo em andamento, para tudo (mais uma vez): entra comercial, sei lá o que estavam anunciando. Meu interesse era o jogo, mas tive de pacientemente assistir à toda propaganda.

 

Comercial feito, vamos para a bola rolando. Mais ou menos. Alguns ataques deixaram de ser destacados, porque o diretor de TV (aquele que escolhe as imagens que vão ao ar) preferia cortar para a cena dos torcedores, dos treinadores, reproduzir o lance anterior e outros salamaleques.

 

Insisti. Continue a assistir ao jogo, apesar da imagem precária devido a iluminação ruim do estádio Aldo Dapuzzo.

 

Fui até o fim e não gostei nada do que vi … dentro de campo (e neste caso a televisão não tinha nada a ver com isso)