Avalanche Tricolor: vitória nos pênaltis e sofrimento em família

 

Grêmio 1 (6) x 1 (5) Novo Hamburgo
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Foi um momento raro em família. Mulher e filhos costumam ficar distantes da televisão quando assisto aos jogos do Grêmio. Talvez tenham vergonha de me ver sofrer por causa de um time de futebol. Talvez tenham dó de me ver sofrer por causa de um time de futebol. Talvez tenham piedade de me ver sofrer por causa de um time de futebol.

 

Confesso que nunca tive coragem de perguntar para eles o que sentem quando me veem angustiado por causa de um time de futebol. Provavelmente porque ficaria constrangido em ouvir a resposta. Como pode alguém sofrer por causa de um time de futebol? Só você que torce por um time de futebol, como eu, saberia explicar. Só você que torce por um time de futebol, como eu, saberia me entender. Eu sofro. Sofro muito. E nesta noite sofri mais ainda.

 

A diferença do sofrimento de hoje é que eles estavam próximos de mim. Os meninos mais do que minha mulher. Ela suportou apenas até o fim do tempo normal. Os meninos ficaram até a cobrança de pênaltis, mesmo porque tinham os computadores para se distrair. Mas estavam mais atentos à televisão do que as atrações da internet. Torciam por Douglas e não entendiam como um cara com a técnica dele era capaz de cobrar um pênalti em um poste e uma falta no outro com tanta precisão. Curtiram o sorriso de Mamute que em meio tempo fez mais do que qualquer dos gringos que vestem nossa camisa, apanhou como sempre, provocou um pênalti, dois cartões amarelos e uma expulsão, além de colocar em risco o gol adversário por mais de uma vez.

 

Eles, até mais do que este casca dura, que já nos viu desperdiçar títulos nas cobranças de pênaltis com muito mais frequência do que gostaria, jamais deixaram de acreditar que o ídolo Marcelo Grohe resolveria tudo no fim das contas. Eu, com coração sofrido e tentando amenizar a dor de uma frustração, me contive o máximo possível. Fazer vexame na frente dos filhos não é legal. A pressão diante da bola na marca fatal – como diriam os locutores de antigamente -, porém me fez perder qualquer escrúpulo (nem sei se esta é a melhor palavra, mas foi a primeira que pensei neste momento). Esfreguei as mãos no rosto, rocei as unhas no couro cabeludo, soquei o sofá, disse palavras impronunciáveis e sofri desesperadamente diante da decisão da vaga às semifinais.

 

Claro que de nada valeriam as duas defesas incríveis de Marcelo Grohe se cada um dos nossos cobradores não tivessem feito o seu papel, inclusive Douglas que se redimiu ao marcar quando mais precisávamos. Mas que as duas defesas incríveis de Marcelo Grohe me levaram a vibrar como poucas vezes, não tenha dúvida. Vibrei na mesma dimensão que sofri. E após pular e comemorar a classificação à próxima fase do Campeonato Gaúcho – que convenhamos é conquista nenhuma – olhei para os meninos e fiquei envergonhado. Mas eles, solidários, souberam como sempre me mostrar que entendem muito bem minha paixão por um time de futebol, até porque este time é o Grêmio, o Imortal Tricolor.

 

Aos meninos (e a toda a família) que me compreendem e a Marcelo Grohe que nos salvou, agradeço pela noite de hoje.

 

A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: a homenagem do futebol a Antônio Augusto, o Plantão Esportivo

 

São José 1 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – São Leopoldo(RS)

 

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Havia oito jogos sendo disputados simultaneamente e cada resultado poderia determinar o destino de um dos times do Campeonato Gaúcho, nesta última rodada da fase de classificação. Alguns já estavam garantidos, mas poderiam ficar mais acima na tabela, o que daria vantagem no mata-mata que se inicia esta semana. Outros ainda tinham chances de estar entre os oito classificados. E uns poucos lutavam desesperadamente para escapar da segunda divisão estadual. Na tela da televisão, enquanto assistia ao Grêmio cumprir tabela, pois como estava garantido na próxima etapa entrou em campo com time misto, a vinheta eletrônica surgia a todo instante sinalizando a marcação de gol nas demais partidas. Surgiram com frequência bem maior do que nas rodadas anteriores: 23 no total, 2,8 por jogo, acima da média da competição que é de apenas dois gols por partida. Os gols se sucediam, a vinheta piscava e a todo instante, vindo de algum lugar qualquer, uma voz parecia ressoar na memória:

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Era como se estivesse de volta aos meus tempos de guri, em Porto Alegre. Uma época em que o rádio reinava quase sozinho no futebol. À televisão era reservada apenas uma partida e mesmo assim tirávamos o som para acompanhar a transmissão eletrizante dos narradores do Rio Grande do Sul, uma escola que fez época na radiodifusão brasileira. Por motivos óbvios, cresci ouvindo a Rádio Guaíba, mas é importante lembrar que este hábito não era apenas meu e por familiaridade com a emissora, era de boa parte dos gaúchos. Vibrávamos com a precisão das descrições feitas de cada lance por vozes que aprendemos a admirar. Havia comentaristas capazes de analisar taticamente a disposição dos times e repórteres que não deixavam escapar qualquer cena dentro e fora de campo.

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Este rápido diálogo, que se repetia todas as vezes que algum gol havia sido marcado no planeta bola era uma espécie de marca registrada daquelas transmissões. O bordão era reproduzido por mim e por muitos da minha geração nas peladas de rua ou nas acirradas disputas de jogo de botão para tripudiar sobre o time adversário. Por trás da brincadeira, havia o reconhecimento a uma das figuras mais importantes do rádio esportivo brasileiro: Antônio Augusto dos Santos, o Plantão Esportivo. Era uma figura misteriosa para a maioria dos ouvintes. Não ia aos estádios, não aparecia em público e não se sabia para quem torcia (alguns de nós sabíamos). No entanto, era capaz de nos contar cada gol feito em qualquer parte do mundo segundos após a bola estufar a rede. Tive a oportunidade de vê-lo trabalhando sentando à mesa do estúdio da Guaíba, na rua Caldas Junior, centro de Porto Alegre. Em torno dele, uma quantidade enorme de aparelhos de rádio Transglobe, fabricados pela Philco brasileira, que permitiam a sintonia de emissoras à longa distância. Todos ficavam com o som relativamente baixo até que um grito de gol surgisse. Antônio Augusto, com a rapidez que o veículo exigia e a precisão que só os craques oferecem, logo identificava o autor do gol e seus dados:

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Nos lugares em que os aparelhos de rádio não alcançavam ou as emissoras não transmitiam, até onde lembro – e quem lembrar mais, por favor, me conte – ele montava uma complexa rede de informantes ou contava com precárias linhas telefônicas. Qualquer esforço era válido para nos manter bem informados. Com esse apuro, nos apresentou jogadores desconhecidos e equipes em ascensão, em um tempo no qual o acesso a internet era inimaginável. Nos ensinou muita mais: sem as tabelas eletrônicas da atualidade à disposição, colecionava gols, placares, resultados e a participação individual dos jogadores. Com seus arquivos implacáveis construiu a estatística do futebol mundial, pois seus dados iam muito além de Grêmio e Inter, os times da redondeza. Além de contar o gol, Antônio Augusto nos contava quantos gols o artilheiro já havia marcado, em quantos jogos esteve presente, o desempenho do nosso time na competição e na temporada, e mais uma série de informações complementares e significativas. Era capaz de manipular uma quantidade incrível de fichas e dados graças a sua organização e inteligência aplicadas na função que desempenhava. Ninguém foi capaz de fazer igual.

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Depois de admirá-lo no rádio e no estúdio, tive o privilégio de participar de jornadas nas quais Antônio Augusto foi plantão esportivo. Era um profissional correto e exigente. Com toda sua firmeza, porém, nunca deixou de me tratar com um carinho especial que, tenho certeza, tinha muito a ver com o respeito e companheirismo que mantinha com meu pai. Os dois sempre foram muito amigos. Foi meu pai quem me informou, por telefone, que Antônio Augusto morreu na madrugada deste domingo, aos 77 anos, vítima de um AVC. Imediatamente, liguei para um dos filhos dele, Antônio Augusto Mayer dos Santos, que conheci já advogado e especialista em direito eleitoral, em 2010. Desde aquela época, tenho o prazer de publicar alguns de seus textos neste blog. Antônio Augusto, o filho, mesmo diante do momento difícil para a família, fez questão de me contar, hoje, algo que me deixou ainda mais emocionado: disse que o pai dele era meu torcedor, pois vibrava quando me via na televisão logo que me transferi para São Paulo. Sei que ele torcia mesmo era pelo Grêmio, paixão declarada publicamente em 2007. Mas pelo que conheço da maneira sincera como ele sempre tratou os amigos do peito, guardarei esta história no coração, assim como guardo na memória aquela voz:

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

À esposa e aos filhos nossa solidariedade. E o desejo de que, neste Domingo de Páscoa, os gols marcados acima da média, na rodada do Campeonato Gaúcho, e os outros tantos assinalados mundo a fora, sejam registrados nas estatísticas como uma homenagem do futebol a este grande nome do rádio esportivo brasileiro. Porque onde tem gol, sempre haverá a marca de Antônio Augusto.

Avalanche Tricolor: Yuri é Mamute e basta!

 

Campinense 1 x 2 Grêmio
Copa do Brasil – Paraíba

 

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Leitores atentos perceberam o atraso desta coluna. Mais atentos ainda devem ter percebido, também, que os atrasos têm se tornado frequentes. Se no início o esforço era publicar a Avalanche com o apito final do árbitro, hoje faço assim que dá. E nem sempre dá no tempo que desejaria. Combinar o calendário do futebol e minha agenda tem se transformado em tarefa hercúlea, como diriam os mais antigos, que costumavam usar a expressão sempre diante de uma tarefa difícil de ser encarada e a usavam porque sabiam a origem desta expressão. Sem querer me escalar entre os antigos, relembro aqui o que aprendi na escola: Hércules ou Héracles foi herói grego que, após assassinar a esposa e a filha, viu-se obrigado a atender ordens do oráculo de Delfos para recuperar sua honra. Como penitência deveria executar uma sequência de 12 trabalhos estipulada pelo homem que mais odiava, seu primo Euristeu. De matar o leão de Nemeia a capturar o touro selvagem de Minos, de caçar a corça de Ceineia a trazer do mundo dos mortos o cão Cérbero, Hércules superou cada um dos obstáculos considerados até então impossíveis de serem vencidos. Diante das conquistas, foi elevado por Zeus à condição de Imortal. Imortal? Opa! Agora, sim, o caro e raro leitor deste blog começa a ver algum nexo neste texto, alguma relação entre a história que conto e o tema que nos traz a este blog, jogo após jogo: o Grêmio.

 

Hércules, porém, é aqui lembrado não apenas pela imortalidade, mas pela força e determinação impressionantes que tinha. Força e determinação que me remetem a imagem de um dos nossos valentes jogadores que têm aparecido com frequência neste início de temporada. Refiro-me a Yuri Mamute que, apesar de sempre bem falado, até agora há pouco não rendia conforme a fama. Chegou a ser emprestado para retornar neste ano ao time e, pouco a pouco, ganhar o reconhecimento de Luis Felipe Scolari e da torcida. Nem sempre sai de titular, mas sempre que está em campo luta bravamente contra adversários impiedosos que, talvez amedrontados pela força física de nosso atacante, tendem a ser mais violentos do que normalmente já o são. Batem muito. Nem sempre ele cai. Quando resiste à violência, dá o troco com velocidade, dribles e chutes a gol. Nem sempre marca gols como deveriam fazer os atacantes, mas sempre está presente na disputa da bola que pode chegar ao gol.

 

Na estreia do Grêmio na Copa do Brasil, esta competição que tem nossa cara e coragem, Mamute voltou a demonstrar sua importância e valentia. Entrou no segundo tempo, fez forte investida pela esquerda, pedalou e deu origem ao primeiro gol da partida, o de Douglas. Chamou atenção dos zagueiros e permitiu a liberdade para que Giuliano, mais uma vez bem em campo, encontrasse Luan livre na área, para mais uma vez marcar seu gol. Yuri lembra Hércules na mitologia, mas lembra, principalmente, a história de centroavantes rompedores que tantas alegrias nos ofereceram. Há quem o compare a Juarez, a Alcindo e, os mais entusiasmados, a Mário Balotelli. Sem comparações. Ele já é Mamute e basta!

 

Em tempo: é impressão minha ou Braian Rodríguez não leva sorte com os árbitros. Há dois jogos, teve dois gols anulados; no último foi impedido pelo auxiliar de marcar um; e ontem sofreu pênalti não sinalizado.

Avalanche Tricolor: paciência, Luan é do Grêmio!

 

Grêmio 2 x 0 São Paulo (RS)
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Luan é craque por definição: joga de cabeça em pé, toca de forma refinada na bola, movimenta-se com elegância em campo e sempre está disposto a arriscar a melhor jogada, mesmo que seja a mais difícil de ser executada. Não tem medo de errar.

 

É, também, craque em formação. Às vezes, parece sumido do jogo e quando menos se espera aparece em um lance excepcional. Outras, parece distante da partida, o olhar corre perdido pelo gramado e a expressão some de seu rosto como se as emoções daquela disputa não o afetassem. Tem-se a impressão de que ele não faz parte daquele mundo. Talvez não faça mesmo. Foi feito para viver entre craques.

 

Luan tem um jeito diferente de jogar, pois não é espalhafatoso na disputa pela bola e quando a tem no pé dá a sensação de que é lento. Ledo engano. Tem passadas largas e por isso consegue superar a marcação quase sempre dura e violenta, faz a bola colar no seu pé e a manipula com extrema facilidade. Avança, chega perto do gol, chuta!

 

Por ser jovem, ser diferente e craque, é preciso paciência com Luan. E o torcedor, mais acostumado com aqueles que se sujam na grama para alcançar a bola perdida, não vinha demonstrando muita paciência com ele. Talvez por não entender seu jeito de ser em campo. Por não compreender sua personalidade. Por isso, os dois gols deste fim de domingo ganham importância ainda mais especial, além, é lógico, de nos manter no primeiro lugar do Campeonato, garantir a sexta vitória consecutiva e a nona partida invicta.

 

Gols de craque, registre-se. O primeiro foi uma aula, tinha todos os elementos necessários para uma cabeceada. Com um passo, tomou a frente do marcador, e subiu alto; antes da bola chegar já olhava para onde pretendia jogá-la, e assim que ela chegou, com os olhos abertos e mirando seu destino, em um movimento certeiro com a cabeça, colocou-a distante do goleiro. O segundo, ganhou dos marcadores na corrida, matou a bola com o pé direito, cortou para o lado esquerdo, com um só drible deixou o goleiro estatelado na área e deslocou os zagueiros. Teve tranquilidade para ajeitar o corpo e finalizar a jogada nas redes. Luan, que nos últimos jogos foi garçom, desta vez se serviu do bom momento de seus companheiros, pois foram primorosos o cruzamento de Everton no primeiro e o lançamento de Giuliano no segundo gol.

 

Marcando gols e jogando com o talento que lhe é natural, quem precisará de muita paciência são os adversários do Grêmio.

 


A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: vitória justa apesar das injustiças

 

Novo Hamburgo 0 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Estádio do Vale

 

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Foram necessários três para valer um gol. Os dois anulados, a imagem é clara, foram mal anulados e quase estragaram a trajetória vitoriosa que implantamos nas última semanas. Só não conseguiram …. e longe de mim com esta frase insinuar que foi tentativa deliberada, creio mesmo que foram erros técnicos, ou seja de competência e não de caráter, os que levaram a anular os gols gremistas … seguindo no que escrevia: só não conseguiram estragar nossa trajetória porque mais uma vez o sistema defensivo foi forte o suficiente para suportar a pressão, especialmente no segundo tempo. Mesmo com Tiago no lugar de Grohe e ainda refém da pouca idade, o que pode ser cruel para os goleiros, e Geromel em ritmo de quem joga a primeira partida da temporada, conseguiu-se anular boa parte das tentativas adversárias. Nem se pode dizer que fomos ameaçados, realmente. Houve alguns suspiros por um lado ou outro, mas nada que se concretizasse em chances de gol. Quando apareceram, pararam na nossa defesa ou na linha de fundo.

 

Seria uma tremenda injustiça imaginar, porém, que somente chegamos a oito partida sem derrota e a quinta vitória seguida por causa da forma como temos nos defendido. Nada seria possível se o conjunto da obra não estivesse funcionando com os laterais descendo com personalidade pelos lados, o meio de campo tocando a bola e o ataque se mexendo no espaço que sobra lá na frente. Foi assim que fizemos o único gol que o juiz assinalou: Giuliano, mais uma vez bem, se livrou dos adversários para entregar a bola a Luan. Luan avançou e quando se esperava um passe lógico para Giuliano que entrava na área, fez o improvável. E, a partir do improvável, permitiu que Ramiro arriscasse de fora da área e com sucesso. Verdade que, ontem, houve momentos em que as coisas não funcionaram bem assim, até porque o adversário partiu para o desespero, mas aí o pessoal lá de trás garantiu o resultado fazendo justiça à nossa campanha e corrigindo a injustiça que estava sendo provocada pelos erros do árbitro e seus auxiliares.

 

Para ser sincero, lamento muito mais a anulação dos gols porque ao tomar esta atitude o juiz tirou, duas vezes, o pão da boca de Braian Rodríguez. Sabemos bem que centroavantes (ainda os chamam assim?) se alimentam de gols e só sobrevivem com uma sequência deles. Se ficam um ou dois jogos sem comemorar começam a ser cobrados, passam a ter que dar explicações para jornalista e torcedor, se sentem mal … caem em depressão. Amanhã, após mais alguns minutos sem marcar, ninguém vai lembrar que ele até fez gol, aliás, fez dois gols, mas o juiz o roubou o direito dele celebrar.

 


A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: com a tranquilidade que só as vitórias oferecem

 

Grêmio 2 x 0 Lajeadense
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Foi Marcelo Oliveira quem disse, ao fim do jogo desta noite, que a vitória traz tranquilidade para a semana que se segue. Tranquilidade que, aliás, o time mostrou em campo antes mesmo de conquistar a vitória. Pois teve calma para trocar bola na busca do espaço que lhe permitiria chegar ao gol. E o fez com a bola de pé em pé, especialmente pelos pés do próprio Marcelo, que aproveitou muito bem as descidas pelo lado esquerdo, como tem feito sempre que é escalado na lateral. Maior aproveitamento ainda teve Giuliano que marcou os dois gols da vitória gremista. Nosso camisa 11 tem se destacado a cada partida, movimentando-se à frente da área e decidindo sempre que entra nela. Queria apenas que alguém mais entendido no assunto me explicasse o que significa aquela comemoração com o dedo indicador movimentando-se como se dissesse “não”… para depois apontar ao céu em mensagem que, aí sim, consigo entender plenamente. Coadjuvante nos dois gols, o primeiro ao se antecipar ao goleiro e o segundo ao fazer o passe de cabeça, Braian Rodríguez cavou mais um pênalti e recebeu várias faltas. Mesmo que eu prefira vê-lo fazendo os gols, deve-se levar em consideração que ainda é um recém-chegado e precisa acertar o tempo da bola com seus colegas. Está de bom tamanho, por enquanto.

 

A tranquilidade das vitórias (assim como a da liderança do Campeonato) também me permite falar um pouco mais sobre assunto que tem me chamado atenção no time desde o início deste ano, mas que os resultados ruins das primeiras rodadas não nos davam espaço para tratar. Ao contrário de temporadas anteriores, é evidente a orientação de Luis Felipe Scolari para se eliminar os chutões para o ataque, ligações diretas que me irritavam profundamente e tornavam nossos atacantes em espécies de pescadores solitários de bola. Barcos foi um dos que mais sofreram com aquele tipo de jogo. Hoje, poucas vezes se vê alguém despachando a bola para frente. Prefere-se o passe para o companheiro mais bem colocado ou até mesmo o recuo, se mais seguro, privilegiando-se o controle da bola. Bem verdade que ainda tem gente errando passes de mais, fato que precisa ser consertado em tempo, mas isso também é fruto desta tentativa de trocar a bola em vez de apenas rifá-la.

 

Para nos deixar ainda mais tranquilos, temos um defesa segura, que levou apenas um gol nas últimas sete partidas, outra mudança considerável depois da fragilidade dos primeiros jogos. Resultado do sistema defensivo que se contrói a partir da pressão dos atacantes e dos jogadores mais avançados que atrapalham a saída de bola e dificultam as jogadas ofensivas do adversário. Ver Douglas dando carrinho para impedir o contra-ataque inimigo é símbolo deste compromisso do time. Registre-se: mais um mérito de Luis Felipe Scolari.

 

Diante de tantos fatos tranquilizadores, quem sabe dá tempo até para aprimorar as cobranças de falta? Aliás, de falta e de pênalti, também! Perder dois seguidos como aconteceu nas últimas rodadas deve servir de alerta, pois estamos nos aproximando das fases decisivas e da Copa do Brasil, e o preço por estes desperdícios pode ser muito alto.

 

Que a semana continue tranquila para todos nós!

 


A foto que ilustra este post é da página oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: no passo certo

 

Grêmio 1 x 0 Cruzeiro
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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A troca de passe tem se tornado nos últimos tempos quase uma obsessão para mim. Poucas jogadas em uma partida têm me chamado mais atenção. Fico prestando atenção na movimentação do jogador que entrega a bola para o companheiro e se desloca para receber mais à frente. Gosto quando é tocada de uma só vez de pé em pé, às vezes em triangulação e outras em profundidade. Incomoda-me quando o ‘passador’ prefere jogar para trás em lugar de entregar a bola para um companheiro que esteja mais avançado. Temos de ganhar terreno, por que, então, decidiu recuar? Futebol exige dos jogadores um poder incrível de tomada de decisão. Toca para lá? Toca para cá? Arrisca o drible? Quem sabe lança para dentro da área? Tudo tem de ser decidido com muita rapidez. Não há tempo a perder. O adversário marca firme. Tenta fechar todos os espaços. Para roubar a bola, usa de todos os recursos. Legais ou não. Quando a decisão é certa e o passe preciso, desmancha-se a marcação e a possibilidade de gol aumenta.

 

Em meio a forte defesa enfrentada no jogo de sábado à noite, ver Douglas puxar a bola para a esquerda e, com alguns leves toques, conseguir espaço para fazê-la correr pela grama entre cinco adversários e alcançar Marcelo Olivera, já dentro da área, como aconteceu no segundo tempo, me faz vibrar. Melhor se fosse gol, mas não foi daquela vez. Bem antes desse passe, ainda no primeiro tempo, gostei também da jogada em que Giuliano, pela direita, tocou a bola à frente, em profundidade, para Matias Rodríguez surgir por trás da defesa, chegar a linha de fundo e cruzar. Braian Rodríguez se esticou todo. Foi quase, mas não seria ainda daquela vez. Tivemos outras chances de chegar ao gol que resultaram de passes certos ou de chutes à distância.

 

Mesmo sem entrosamento, Cristian Rodríguez, o estreante, mostrou que além de passar bem, não tem medo de driblar. Quando precisou, também arriscou de fora da área. Pode fazer muita diferença em campo. Para não esquecer a outra estreia: Maicon também foi forte em campo, distribuiu a bola, desarmou e chutou quando possível. Luis Felipe fez mudanças, trocou jogadores de lado e de posição, mas apesar de todo esforço, não conseguíamos furar a defesa. Até que drible e passe combinados fizeram a diferença. A começar por Everton que costuma entrar no segundo tempo mais endiabrado do que quando sai jogando. Teve personalidade ao carregar a bola da lateral em direção à intermediária, e precisão ao enxergar Giuliano se deslocando para a área. Nosso outro meio-campo, Giuliano, também. Foi preciso no drible e solidário no passe. Escapou da marcação e deixou Braian Rodríguez livre para fazer o gol que nos daria a vitória e a liderança do Campeonato Gaúcho. Braian fez o que se espera: seja com presença na área, seja ao provocar o pênalti, seja no momento de decidir. É só isso que precisamos de um centroavante (como se fosse pouca coisa!).

 

Com paciência para esperar o momento certo, a confiança que os novos reforços trazem e a melhora de desempenho de alguns que já estavam no grupo, como é o caso do Giuliano, estamos construindo a caminhada para o título. Já somos líderes!

Avalanche Tricolor: a efemeridade dos fatos e das vitórias

 

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Campeonato Gaúcho – Colosso da Lagoa/Erechim

 

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Está tarde para escrever esta Avalanche. Quando digo tarde, não se deve ao fato de o jogo ter terminado quase meia-noite. É tarde, porque não escrevi após a partida como costumo fazer. Sequer tive tempo de fazê-la pela manhã após o programa que apresento na rádio CBN. A tarde veio com mais uma sequência de compromissos. E a noite chegou. E somente agora há pouco consegui parar para pensar melhor sobre o que aconteceu ontem, na cidade de Erechim. Assim que começava a escrever, surge um alerta na tela do meu celular com o aviso de que o Guia da Partida já estava à disposição no aplicativo oficial do Grêmio. O guia se refere ao próximo compromisso do tricolor, no sábado, às seis e meia da tarde, contra o Cruzeiro, na Arena. O jogo de ontem já é passado. Por isso é tarde para escrever esta Avalanche que sempre se dedica a falar sobre o desempenho gremista.

 

É curiosa esta sensação: nossas vitórias são efêmeras diante da velocidade dos fatos. Um jogo termina, mal se comemora a conquista e no dia seguinte temos de começar a pensar no próximo jogo. Não há tempo a perder. Se demorar muito, já era. É assim no futebol, é assim na vida. Estamos sempre correndo para superar o desafio seguinte. Se perder hoje, a vitória de ontem é esquecida. Se não alcançar sua meta de agora, os resultados do passado provavelmente não serão suficientes para sustentar seu status. É do jogo, é da vida.

 

No futebol – afinal este é o nosso foco – as vitórias apenas têm significado se nos levarem ao título, esta sim uma conquista que fica na história. E é isto que estamos construindo jogo a jogo neste Campeonato Gaúcho. Apesar dos reveses nas primeiras rodadas e dos tropeços preocupantes na Arena, tem sido evidente a melhora de desempenho. De ontem, apesar de ser passado, ficou a impressão de que as peças começaram a se encaixar; no mínimo, os passes começaram a entrar. O gol de Giuliano, resultado de uma enfiada de bola precisa de Luan, no meio da defesa adversária, deixou isso muito claro. Esse foi apenas um dos bons lances construídos pelo time que ainda ganhou um novo atacante, Braian Rodrigues, algo que vinha nos fazendo falta. O cabeceio no primeiro cruzamento pelo alto na área foi o cartão de visita dele. E ainda tem Cristian Rodríguez e Maicon credenciados, pela burocracia e pelo futebol, a aturem entre os titulares.

 

É tarde para escrever sobre o jogo de ontem. Nem tive tempo para lembrar que jogamos com um a menos boa parte do segundo tempo e fomos fortes para resistir a pressão. Muita coisa já aconteceu. Felipão pegou suspensão e não estará na estreia da Copa do Brasil. Nossos cartolas já chiaram contra o juiz, também, e depois recuaram. Quem não jogou, já treinou. Não dá mesmo para parar: é hora de se concentrar para o próximo jogo e mostrar que o que vimos ontem foi apenas mais um passo para um futuro vitorioso.

Avalanche Tricolor: a alegria do gol

 

Grêmio 3 x 1 Caxias
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Foram quatro gols na partida do fim deste sábado. Claro que vou me dedicar aos três que tiveram nossa marca – apesar de o deles também ter tido, mas, convenhamos, hoje não é dia de choradeira. Vamos ao que interessa e nos dá alegria.

 

O primeiro foi especial não apenas pela maneira como ocorreu: gol Olímpico para marcar a retomada das vitória na Arena. Mais do que um jogo de palavras, a importância do gol de Douglas se dá por ter acontecido quando a impaciência já tomava conta de parte das arquibancadas. E do time, também, pois, diante de mais um ferrolho, encontrava dificuldade até mesmo para chutar. Alegra-me saber que voltamos a ter a possibilidade de marcarmos do que, erradamente, batizou-se no futebol como sendo “gol de bola parada”. É jogada que precisa ser treinada e bem aproveitada, especialmente porque retrancas serão encaradas no Campeonato Gaúcho e nas primeiras rodadas da Copa do Brasil. Estávamos precisando incluir estes lances em nosso cardápio. Ainda estamos devendo na cobrança de falta.

 

O segundo resultou da marcação forte que vem se tentando fazer ainda no campo do adversário. No clássico da semana passada foi o que nos deu vantagem em parte do jogo, e hoje foi o que levou Marcelo Oliveira a roubar a bola e permitir o contra-ataque. A velocidade até a área e o chute forte de Everaldo, que havia entrado fazia pouco tempo, permitiram que Marcelo Oliveira concluísse em gol. O sorriso no rosto do polivalente volante foi a imagem mais marcante da partida na minha opinião. Andava cansado de ver aquelas caras fechadas e testas franzidas de preocupação; ou a indiferença nas comemorações, resumidas a algumas trocas de abraços e nenhum afago para a torcida. A felicidade de Oliveira mostra bem o quanto ele está engajado na ideia de dar a nós gremistas novas alegrias.

 

O terceiro veio na hora certa (se é que existe hora errada para marcar gol)! E nos pés do cara certo, também. Yuri Mamute é promessa já faz algum tempo. Faz gols com a camisa da seleção e gols nas categorias de base. No time principal, porém, ficávamos apenas na expectativa de vê-lo explodir em campo um dia. Domingo passado, se saiu bem, mas não foi além disso. Hoje, explodiu mesmo e com aquela massa muscular que se destaca saiu em disparada para o ataque sendo caçado pelo marcador. Por mais que fosse empurrado e chutado, não perdeu o controle da bola nem mesmo diante do goleiro. Teve calma para driblar e encontrar o espaço preciso. Foi comemorar nos braços da torcida e nos deu o direito de sorrir mais uma vez no Campeonato Gaúcho.

 

Se Mamute merecia este gol pelo esforço que faz em campo sempre que veste a camisa tricolor, nós, também merecíamos a alegria desta vitória. A alegria que só a repetição de gols como os deste sábado à noite é capaz de nos oferecer.

 

As fotos deste post são do álbum do Grêmio Oficial no Flickr

Avalanche Tricolor: ganhamos deles de goleada!

 

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Campeonato Gaúcho – Beira Rio/POA-RS

 

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Tenho orgulho de ser gremista. Talvez fosse até dispensável dizer isso, afinal quem lê esta Avalanche ou, minimamente, acompanha minha carreira no rádio sabe bem de quanto torço para o Grêmio. Cresci próximo do estádio, aprendi a jogar futebol no campo de terra nos fundos do Olímpico e, por mais de dez anos, vesti a camisa 13 do time de basquete, treinando no ginásio sem teto que ficava ao lado. Nas arquibancadas do Monumental chorei por títulos conquistados e perdidos. Costumava chorar muito até porque sempre fui passional e me emocionava com facilidade. Ao começar minha vida como jornalista, em 1984, fui repórter de esportes da Rádio Guaíba e, como tal, fui escalado várias vezes para trabalhar como setorista do Internacional. Lembro de uma vez ter chegado ao velho Beira-Rio e uma foto minha com a camisa de basquete tricolor estar estampada no quadro de avisos da sala de imprensa. Havia sido recortada de reportagem que registrava meus dez anos de basquete, publicada no jornal editado pelo departamento de imprensa do Grêmio. Era brincadeira de colegas, no Inter. Talvez pelo meu profissionalismo, espero que seja isso, sempre fui muito respeitado, apesar de todos saberem da minha paixão.

 

Meu fanatismo pelo Grêmio nunca influenciou a relação com meu círculo de amigos, também. Um dos poucos que mantenho até hoje, desde os tempos de infância, é o Paulinho, que, aliás, jogou ao meu lado no time de basquete. Ele era colorado. Perdão! Ele é colorado, muito colorado! Filho do seu Valdemar e da dona Terezinha e irmão da Verinha, tudo gente muito boa e de um carinho contagiante. Preservamos a amizade mesmo eu tendo vindo para São Paulo, em 1991, e ele permanecido em Porto Alegre. Nas vezes em que visita à capital paulista a trabalho costumamos dividir uma garrafa de vinho para lembrar alguns momentos que vivenciamos em parceria no Sul. O futebol, apesar de nossas diferenças evidentes, sempre nos uniu, pois era motivo de gozação mútua. Se não me falha a memória, neste tempo todo, tirei mais sarro da cara dele do que ele da minha. Ou teria sido ao contrário? Coisa ruim a gente não lembra!

 

Cheguei a ver com o Paulinho algumas partidas de futebol juntos lá no Olímpico. Jamais um Gre-Nal. Nunca tivemos oportunidade de dividir arquibancada em um clássico por motivos mais do que óbvios. Gostaria de ter estado ao lado dele hoje à tarde no Beira-Rio e participado deste fato que chamou atenção de todos, em um momento de reação à estupidez que domina os estádios brasileiros. Tomara que esteja em Porto Alegre no próximo Gre-Nal e tenha a chance de convidá-lo a ver o jogo comigo na Arena. Ver gremistas e colorados lado a lado vibrando a cada chute a gol, sofrendo a cada risco de gol e xingando o juiz que impediu o gol foi, sem dúvida, marcante. Apesar do comportamento violento de uma minoria que se traveste de torcedor para revelar suas frustrações, fiquei feliz em saber que existem pessoas capazes de compartilhar suas paixões clubísticas sem enxergar nisso uma ofensa ao adversário. E mais feliz ainda em ver que este exemplo surgiu na minha terra natal. Espero que a ideia avance e vença a intolerância. Que não seja ato isolado, mas o início de uma transformação nos estádios.

 

O empate em 0 a 0 talvez tenha sido providencial, pois nada em campo poderia ser mais importante do que a vitória da civilidade. Desta vez, ganhamos deles de goleada, Paulinho!