Avalanche Tricolor: Yuri é Mamute e basta!

 

Campinense 1 x 2 Grêmio
Copa do Brasil – Paraíba

 

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Leitores atentos perceberam o atraso desta coluna. Mais atentos ainda devem ter percebido, também, que os atrasos têm se tornado frequentes. Se no início o esforço era publicar a Avalanche com o apito final do árbitro, hoje faço assim que dá. E nem sempre dá no tempo que desejaria. Combinar o calendário do futebol e minha agenda tem se transformado em tarefa hercúlea, como diriam os mais antigos, que costumavam usar a expressão sempre diante de uma tarefa difícil de ser encarada e a usavam porque sabiam a origem desta expressão. Sem querer me escalar entre os antigos, relembro aqui o que aprendi na escola: Hércules ou Héracles foi herói grego que, após assassinar a esposa e a filha, viu-se obrigado a atender ordens do oráculo de Delfos para recuperar sua honra. Como penitência deveria executar uma sequência de 12 trabalhos estipulada pelo homem que mais odiava, seu primo Euristeu. De matar o leão de Nemeia a capturar o touro selvagem de Minos, de caçar a corça de Ceineia a trazer do mundo dos mortos o cão Cérbero, Hércules superou cada um dos obstáculos considerados até então impossíveis de serem vencidos. Diante das conquistas, foi elevado por Zeus à condição de Imortal. Imortal? Opa! Agora, sim, o caro e raro leitor deste blog começa a ver algum nexo neste texto, alguma relação entre a história que conto e o tema que nos traz a este blog, jogo após jogo: o Grêmio.

 

Hércules, porém, é aqui lembrado não apenas pela imortalidade, mas pela força e determinação impressionantes que tinha. Força e determinação que me remetem a imagem de um dos nossos valentes jogadores que têm aparecido com frequência neste início de temporada. Refiro-me a Yuri Mamute que, apesar de sempre bem falado, até agora há pouco não rendia conforme a fama. Chegou a ser emprestado para retornar neste ano ao time e, pouco a pouco, ganhar o reconhecimento de Luis Felipe Scolari e da torcida. Nem sempre sai de titular, mas sempre que está em campo luta bravamente contra adversários impiedosos que, talvez amedrontados pela força física de nosso atacante, tendem a ser mais violentos do que normalmente já o são. Batem muito. Nem sempre ele cai. Quando resiste à violência, dá o troco com velocidade, dribles e chutes a gol. Nem sempre marca gols como deveriam fazer os atacantes, mas sempre está presente na disputa da bola que pode chegar ao gol.

 

Na estreia do Grêmio na Copa do Brasil, esta competição que tem nossa cara e coragem, Mamute voltou a demonstrar sua importância e valentia. Entrou no segundo tempo, fez forte investida pela esquerda, pedalou e deu origem ao primeiro gol da partida, o de Douglas. Chamou atenção dos zagueiros e permitiu a liberdade para que Giuliano, mais uma vez bem em campo, encontrasse Luan livre na área, para mais uma vez marcar seu gol. Yuri lembra Hércules na mitologia, mas lembra, principalmente, a história de centroavantes rompedores que tantas alegrias nos ofereceram. Há quem o compare a Juarez, a Alcindo e, os mais entusiasmados, a Mário Balotelli. Sem comparações. Ele já é Mamute e basta!

 

Em tempo: é impressão minha ou Braian Rodríguez não leva sorte com os árbitros. Há dois jogos, teve dois gols anulados; no último foi impedido pelo auxiliar de marcar um; e ontem sofreu pênalti não sinalizado.

4 comentários sobre “Avalanche Tricolor: Yuri é Mamute e basta!

  1. Eu tinha pensado em comparar Yuri Mamute com Juarez. O Mílton prefere não o comparar a nenhum atacante. Ele não viu Juarez. Permito-me achá-lo,no mínimo,muito parecido e,como o futebol mudou muito,obrigado a se mexer com mais velocidade do que o nosso antigo e,inesquecível centroavante.Yuri não enfrenta apenas os zagueiros. Faz bem mais do que isso. Deixa os três ou dois da zaga enlouquecidos e doidos para fazê-lo parar de se movimentar de um lado para o outro do ataque. Não adianta usar tal expediente com Yuri. Ele é forte como uma rocha. E como sou antigo,considero-o – com licença do Mílton – um jogador hercúleo. Para mim,tem de jogar 90 minutos,Felipão..

    • Pai, você está sempre autorizado a me desautorizar. E a desrespeitar minhas regras. Se não quero compará-lo agora é por desconhecer muitos do passado, mas, principalmente, por entender que um cara que já nasce Mamute não precisa de outras referências para explicá-lo.

  2. Não vejo problema com os atrasos na coluna. São mais do que razoáveis, Principalmente porque o resultado apresentado, o conteúdo da coluna pronta, sempre justifica a espera. Não é apenas um texto para preencher espaço: tem conteúdo, demonstra afeto pelo trabalho de escrever e pelo objeto da escrita, e sempre revela visões otimistas, a despeito da situação analisada.
    Quanto ao Mamute, fico feliz pela sua evolução e conquista de espaço. Particularmente, gosto muito dele pelo fato de estar sempre sorridente (às vezes é apenas um esgar pelo esforço, mas parece um sorriso), e não me parece que seja de desdém ou deboche, mas pura satisfação pelo que faz.
    Um abraço.

    • Nelson: “gosto muito dele pelo fato de estar sempre sorridente (às vezes é apenas um esgar pelo esforço, mas parece um sorriso), e não me parece que seja de desdém ou deboche, mas pura satisfação pelo que faz” Genial esta sua definição. Atento ao potencial físico de Mamute, esqueci-me de citar algo que você brilhantemente chamou atenção. Ele tem ainda este mérito, sabe sorrir. Mesmo que esteja sorrindo de seu próprio esforço. Pela alegria de saber que pode fazer isso.

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