Avalanche Tricolor: calma, o domingo vem aí!

 

Grêmio 0 x 0 Juventude
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Três jogos seguidos na Arena e nenhuma vitória (pior, duas derrotas). Sete jogos jogados no Campeonato Gaúcho e apenas um oitavo lugar na competição, o que mal-e-mal nos assegura entre os classificados à próxima fase. Todos esses malogros são resultado de coisas ruins que têm marcado nosso desempenho dentro de campo. Defesa desarrumada, risco de gol a todo ataque adversário, falta de objetividade no avanço do time e produção pífia no ataque é o que assistimos à cada partida, independentemente do time escalado. E tentativas do técnico para encontrar o time certo não faltaram: é lateral de zagueiro e meio-campo na lateral; volante mais à frente, um dia com mais um ao seu lado na função e no outro com mais dois. Sem contar a turma do nosso ataque que muda para direita, muda para esquerda, muda a dupla, vende a dupla e, tanto faz uma dupla ou outra, nada acontece. Tem ainda as cobranças de escanteio que não encontram a cabeça dos nossos homens na área e as de falta que não encontram destino algum.

 

Justiça seja feita, mesmo diante dessa lista de horrores, ontem à noite, ainda se ensaiou um futebol um pouquinho melhor, especialmente no segundo tempo. Troca de bola mais curta e mais rápida e um razoável esforço para que as coisas deem certo, o que sempre gera esperança. Houve momentos em que até acreditei que a bola entraria, mesmo que empurrada, por insistência nossa ou falha deles. Passou perto uma, duas vezes. E nada de gol. Jogaram a bola para dentro da área e na falta de alguém melhor para colocar para dentro acabava sempre nas mãos do goleiro adversário. Na última bola, mais uma esperança. Agora vai! Alguém mete o pé e desvia para a gente comemorar uma sofrida vitória? Bem que se tentou, mas, os pés se atrapalharam. Bola para fora, de novo.

 

O futebol não dá certo, as mudanças não dão certo, os chutes e o cruzamento também não. Nada está dando certo! Quando parece que vai dar certo, lá vem a China! E cadê o diabo da nossa Imortalidade? Foi então que encontrei o fio de esperança que sempre me move mesmo nos piores momentos do Grêmio: domingo tem Gre-Nal.É isso! Se nada está dando certo até aqui é por que algo melhor estão nos reservando. Só pode ser isso. É a nossa penitência na busca da felicidade suprema. Eu sempre tenho no que acreditar. E é nisso que resolvi acreditar.

 

E você? Vamos acreditar juntos e até domingo!

 

A foto que ilustra este post é do álbum do Grêmio Oficial no Flickr

Avalanche Tricolor: solidariedade e meu fusca cor de vinho

 

Passo Fundo 0 x 2 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Vermelhão da Serra/RS

 

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Vermelhão da Serra era o apelido de um fusca que comprei depois que Fernando Collor roubou meu dinheiro da poupança. Acabara de vender um carro e a grana desapareceu. O que restou só dava pra comprar aquele que acabou sendo meu primeiro e único fusquinha na vida, apesar de intergrar uma família de fusqueiros. Meu pai sempre curtiu um e agora se atualizou com o Novo Fusca e meu irmão, o Christian, é o autor do mais famoso blog sobre o tema no Rio Grande do Sul, o MacFuca. O fusca era vermelho, mas por motivos que você, caro e raro leitor desta Avalanche, já pode imaginar, eu o apresentava como sendo cor de vinho. Era fusca, era vermelho manchado e era velhinho, mas resolveu bem meu problema. Conseguia ir e voltar para o trabalho, passeava com as namoradas e dava carona para os amigos. Nada que tenha gerado cenas memoráveis. Deu para o gasto, como costumam dizer por aí. Mais ou menos como nossa vitória ontem à noite, no estádio Vermelhão da Serra.

 

Ganhar por 2 a 0 do Passo Fundo, pelo Campeonato Gaúcho não chega a ser nada de especial, apesar da urgência do resultado. A posição na tabela era apavorante tanto quanto a atuação do time na maior parte das partidas. Diferentemente do que havíamos assistido até aqui, ontem o time, mesmo tendo sido pressionado pelo adversário, resistiu na defesa – Marcelo Grohe, voltou! – e acabou com o sufoco no ataque ao marcar logo cedo, com 15 minutos de jogo. E marcou após cobrança de escanteio. E marcou de cabeça, com Erazo! Coisas raras nestes tempos magros. O segundo gol também veio em excelente hora, pois aos 5 do segundo tempo se derruba a motivação que o adversário trouxe do vestiário e se mata as chances de reação. Trouxe ainda outra boa surpresa, Pedro Rocha que saiu jogando, mostrou personalidade e estava no lugar certo para fazer o gol.

 

Como disse, uma vitória que ajuda neste momento em que o time precisa se reencontrar, mas ainda é preciso melhorar muito para conquistar confiança e o título, que afinal de contas é o que queremos. Por isso, o que mais gostei mesmo na partida de ontem foram as duas demonstrações de solidariedade: do time com o técnico (ele merece); e da torcida com o time (nós merecemos). Mesmo com o desempenho frágil na competição, muitos gremistas estiveram no estádio e fizeram a festa no Vermelhão da Serra, que não é o meu fusca, mas deu para o gasto!

Avalanche Tricolor: só um pouco de esperança, pode ser?

 

Grêmio 0 x 1 Veranópolis
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Lá se foram algumas horas, uma noite inteira e a manhã de domingo já se iniciou antes de começar a escrever este texto que costumo entregar após as partidas do Grêmio. O jogo foi ontem ao fim da tarde, em pleno Sábado de Carnaval, o que, ainda bem, motivou apenas 9 mil torcedores a ir ao estádio. Ninguém merecia passar pelo que eles passaram. Alguns, como eu, interromperam suas atividades, para sentar diante da televisão e acompanhar a mais uma partida pelo Campeonato Gaúcho. Além de torcer, por razões que não preciso explicar neste espaço, vejo os jogos na busca de um bom gancho – como os jornalistas se referem aos assuntos que os inspiram em um texto – para a Avalanche que teimo em escrever. Pode ser uma jogada bacana cometida por alguns dos nossos. Pode ser uma bela defesa que impediu o gol matador. A abnegação dos que suam a camisa e se entregam como eu faria se estivesse dentro de campo. No meu caso, me entregaria de corpo e alma, mesmo porque futebol não teria muito para entregar. Gosto também de encontrar na reação do torcedor o tema para o texto. Os closes que a câmera flagra durante a transmissão às vezes são simbólicos: a mão no rosto demonstrando sofreguidão, o casal de namorados que nos revela que tem coisa mais importante na vida do que a bola rolando, ou a criança entusiasmada de estar em um estádio de futebol, apesar de os jogadores terem esquecido de levar o futebol para o estádio.

 

Começo a me preocupar mesmo é quando a partida está chegando ao fim e quase nada encontro que valha a pena uma escrita. Pior ainda: quando o que assisto dá raiva e me leva a praguejar contra Deus e todo mundo (leia isso apenas como uma expressão, por favor!). Será que terei de fazer uma Avalanche cheia de ódio neste coração tricolor? E quem será o alvo deste ódio? Os jogadores que estão ali tentando se entender um com o outro? O veterano que, com a bola no pé, tenta encontrar alguém solto para recebê-la? Os guris que mal saíram de casa e já se exige personalidade de líder e decisão de gente grande? Coitados, são todos promessas de um bom futebol, mas que podem desaparecer no emaranhado da mediocridade. Quem sabe falo mal do técnico que escalou a todos? Mas ele escalou o que tinha para escalar, pois mais não encontrou no elenco. Poderia começar, então, pelos diretores que fizeram do clube uma feira livre, onde quem chegar com dinheiro no bolso leva. Mas eles, pelo que parece até aqui, também são vítimas deste cenário triste que estamos passando, pois tentam acertar as contas que foram corroídas nas gestões anteriores. Eu digo a você que não sei bem quem as corroeu, pois se tem coisa que detesto no futebol é prestar atenção no jogo da cartolagem que, pelo que já percebi, está cheio de torcedor envolvido.

 

Confesso que se desgosto do desempenho do time que está em campo, gosto menos ainda de ficar esculachando todo mundo. Sempre tento acreditar que alguma coisa acontecerá para reverter a situação. Quem sabe um desses jogadores que são sempre apresentados como esperança de bom futebol, deixem de ser apenas uma esperança e passem a jogar futebol de verdade? Ou o atacante que está há alguns anos no banco de reserva a espera de sua chance, sem nunca ter mostrado nada que lhe fizesse merecê-la, de repente desembesta, acerta o pé e todas a bolas que costumam ir para fora tomem a direção do gol? Fico a espera que o cobrador de faltas, aquele que, é o que dizem, fazia gol nos times em que jogou antes de vestir a camisa do Grêmio, consiga concluir em gol as cobranças de falta. E que o zagueiro que disputou a Copa do Mundo como titular consiga ao menos não tropeçar na bola. Minha torcida, como você percebe, sequer é por performances arrebatadoras. Resultados brilhantes. E vitórias heróicas. Quero pouco, muito pouco. Só um pouco de esperança! E se vier com futebol, melhor!

 

Em tempo: quando vejo que até o redator do ClicRBS tropeça feio na língua portuguesa ao flexionar o verbo haver para dizer que não existiram cartões vermelhos no jogo, percebo que a vida não está fácil para ninguém ….

 

Estatistica

 

A foto do alto deste post é do álbum do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: paciência, muita paciência!

 

Grêmio 0 x 1 Brasil de Pelotas
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Ganha uma, perde outra, ganha uma, perda outra …! Paciência! Assim será por algum tempo e enquanto estivermos em construção. No time, muitos jogadores novos e muitos novos jogadores. Alguns apesar de recém-chegados, estão apenas voltando. Há os velhos conhecidos, também. Essa mistura impõe tremendo desafio em um início de temporada. Especialmente, em uma temporada como esta na qual o Grêmio além de acertar a equipe em campo terá de acertar as contas no banco. Com essa receita, esportiva e financeira, não é possível esperar resultados extraordinários.

 

Verdade que eu esperava bem mais do que assistimos na noite de hoje, principalmente por estarmos jogando em casa. Mas, convenhamos, parece que o tal fator casa tem pesado muito pouco a nosso favor desde que nos mudamos para o Humaitá. Não que eu não goste do novo estádio, não! Nada disso. É um orgulho saber que aquela é a nossa nova casa. Apenas ainda não conseguimos criar um clima favorável, que impactasse o adversário – exceção a alguns raros momentos. Parece que os times vão jogar na Arena como se estivessem em campo neutro, mesmo com o grito forte da torcida no ouvido. Nos últimos dois jogos que fizemos em Porto Alegre, por exemplo, até as torcidas adversárias se motivaram a ocupar seu espaço. A impressão é de que todos se sentem confortáveis por lá. Conforto para os torcedores nas arquibancadas eu entendo e concordo, mas dentro de campo …!?

 

Hoje, vimos mais uma vez alguns ensaios de boas jogadas, uma ou outra iniciativa individual e raríssimas chances de gol. E se não as criarmos, teremos que contar com a sorte. Esta, porém, costuma estar do lado dos que mais acertam passes, jogam pelos flancos, se movimentam com velocidade e lutam incessantemente. Por enquanto, a luta da maioria dos nossos é com a bola e para se manter entre os titulares. E enquanto isso não mudar, será este ganha uma, perde outra, ganha uma, perde outra …! Paciência, muita paciência!

 


A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: a maldição dos goleadores

 

 

Avenida 1 x 3 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Santa Cruz do Sul

 

 

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Foi-se o tempo em que partidas pelo interior do Rio Grande do Sul me provocavam grandes emoções. Já falei aqui que o acanhamento dos estádios e a precariedade da infraestrutura oferecida para se jogar bola são desanimadores. O dos Eucaliptos, em Santa Cruz, não é muito diferente do que estamos acostumados a ver por aí no Campeonato Gaúcho. Nada, porém, que me tire o desejo de assistir ao Grêmio em campo e, claro, vencendo. Por isso, não faltaria ao compromisso desse fim de tarde de domingo. Com os minutos contados no relógio, interrompi o trabalho que tem tomado todo meu tempo neste começo de ano, sobre o qual já conversamos na Avalanche que marcou o início da temporada 2015, para me postar, animadamente, diante da televisão.

 

 

Para minha surpresa e, imagino, para muitos dos torcedores gremistas, logo ficamos sabendo que Marcelo Moreno estaria no banco de reservas, preservado pelo fato de fazer parte de mais um negócio com a China, mesmo destino de Barcos, nosso goleador nas temporadas 2013 e 2014. A história parecia se repetir, pois quando o argentino entrou em campo em seu último jogo, os jornalistas diziam que seria seu último jogo, mas ninguém confirmava a informação oficialmente. Naquela oportunidade, estreia no Gaúcho, deixaram com que nos deliciássemos mais alguns minutos com o talento de Barcos e comemorássemos com ele os dois gols marcados para depois entregá-lo ao futebol chinês.

 

 

Desta vez, parece que Felipão resolveu pensar em testar soluções para os problemas que terá no resto da temporada do que apostar em mais um jogador que está de saída. Como vimos, teve de mudar de ideia, pois apesar de ver seu meio campo se movimentando bem, com dribles e trocas de passes mais precisos do que nos jogos iniciais, além de algumas enfiadas de bola dentro da área, pouco se produziu no ataque. Chutes a gol foram raros no primeiro tempo de partida, mesmo quando já tínhamos um jogador a mais em campo. No momento em que o juiz decidiu equilibrar as forças usando de forma indevida os cartões amarelo e vermelho a situação ficou ainda mais complicada.

 

 

O jeito foi chamar Moreno que entrou ao lado de Everton que, aliás, está merecendo um lugar entre os titulares. Assistimos à outra partida de futebol, com a bola chegando dentro da área e encontrando um atacante de ofício, daqueles que sentem o cheiro do gol. Moreno tentou uma, tentou duas, tentou três vezes até que na quarta o zagueiro adversário se assustou e fez contra. De tanto tentar conseguiu fazer o seu gol ao concluir de cabeça cruzamento dentro da área. Fez do jeito que se espera que os atacantes façam. Correu para a torcida, beijou o distintivo e agradeceu os gritos de “Fica!”. Ao fim do jogo disse que tudo vai depender da diretoria. Talvez me engane e tomara que realmente esteja enganado, mas creio que assistimos ao último jogo de Moreno com a camisa do Grêmio, também.

 

 

Entendo as dificuldades financeiras que nos levaram a desconstruir a equipe do ano passado e contratar jogadores modestos para as posições que necessitavam algum reforço. Entendo que se deva investir nos talentos que surgem nas categorias de base; e temos visto alguns jogadores ensaiando bons desempenhos como foi o caso de Lincoln na partida de hoje. Minha dúvida apenas é a quem vamos recorrer no próximo jogo para finalizar em gols as jogadas criadas no meio de campo? Talvez seja melhor mesmo que não apareça nenhum goleador típico. E nos contentemos com vitórias enxutas baseadas em gols aleatórios de um zagueiro, de um chute à distância do volante ou quem sabe das trapalhadas dos adversários. Pois corremos o sério risco de nos animarmos com um novo goleador um dia e nos despedirmos dele no outro.

 

A foto deste post é do álbum do Grêmio Oficial no Flickr
 

Avalanche Tricolor: confesso, eu insisti!

 

Aimoré 2 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – São Leopoldo/RS

 

 

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Confesso que insisti. Era tarde demais para quem, como eu, acorda cedo demais. E, convenhamos, não era nada muito instigante a programação na TV. Partida na simpática cidade de São Leopoldo e no acanhado estádio do Cristo Rei, onde lembro ter visitado algumas vezes como torcedor e repórter. O morro atrás de um dos gols no qual os torcedores assistem à partida em pé, lembrando a velha (nem sempre tão boa) várzea, segue por lá. O alambrado frágil separando os torcedores, também. Mais simples ainda são os espaços destinados aos jogadores reservas feitos de cimento, pouco confortáveis, que devem deixá-los ainda mais deprimidos pela posição que ocupam no time. Vi várias vezes, ontem à noite, Felipão sentado na mureta à frente do banco com um olhar um pouco desolado – nem tanto pela infraestrutua oferecida a dois times profissionais, muito mais pelo desempenho do seu time em campo.

 

 

Mesmo diante de tudo isso, confesso, eu insisti. Fiquei diante da TV a espera de motivação para me manter acordado e justificar o sacrifício na manhã seguinte. Não precisei de muito tempo para enfrentar o choque de realidade. Assim como o estádio e a importância do espetáculo (se é que você me entende), a perfomance era medíocre. Passes errados, iniciativas individuais, cobranças de falta que iam parar lá no barranco atrás do gol e uma certa dose de azar, que geralmente acompanha os mais frágeis – o primeiro gol deles foi um exemplo, pois a bola bater nas pernas do zagueiro para encobrir o goleiro, é azar; dar um passe errado permitindo o contra-ataque, não é.

 

 

Mesmo assim, confesso, eu insisti. Imaginei que com dois atacantes em campo, as chances de gol aumentariam com uma disputa particular entre os dois para saber quem é mais capacitado para ocupar o cargo. O problema é que a bola precisava chegar até eles. E isto aconteceu pouco. E quando aconteceu … Bem! Uma bela jogada do adversário antes de se encerrar o primeiro tempo e um chute de causar inveja, ampliou nossa desvantagem. E invejoso, confesso, desisti. Fui dormir, pois lembrei do que me ensinou Enio Andrade: tem dia do sim e tem dia do não. Ontem à noite, era o dia do não. Que sejam raros!

Aos Patriots, o Super Bowl e a Tom Brady, Gisele Bündchen

 

Por Gregório Costa
Enviado especial do blog

 

Patriots

 

Amarrar as chuteiras, arrumar as caneleiras, ajeitar-se nas ombreiras e pintar logo embaixo dos olhos para se preparar para os sessenta minutos mais importantes enfrentados por um jogador de futebol … futebol americano, claro! Foi por esse ritual que os 92 jogadores do New England Patriots e do Seattle Seahawks passaram antes de entrar no campo do University of Phoenix Stadium para disputar o Super Bowl XLIX (49), ontem, dia primeiro de fevereiro. Para a maioria dos brasileiros isso seria apenas outro jogo de um futebol esquisito que os americanos inventaram, pois estavam cansados de perder do nosso futebol de verdade. Para aqueles que realmente entendem: é o mundial do futebol americano, apesar de apenas incluir times dos Estados Unidos. Um evento que cobra US$ 4milhões para que um comercial passe durante as paradas do jogo, e tem um show de intervalo semelhante a abertura olímpica.

 

Este ano, os Patriots e seu jogador principal, Tom Brady, ou marido da Gisele Bündchen, talvez seja mais familiar intitulá-lo assim, estavam rodeados de um “escândalo”: o “Deflate-Gate”, o time foi acusado de murchar algumas das bolas (se é que podem ser chamadas assim com aquele formato) em um dos jogos dos play-offs, semanas antes da grande decisão. Bola murcha facilitaria a pegada. O fato foi coberto por inúmeras emissoras de televisão e outros veículos de comunicação por muitos dias, com direito a break news e todo tipo de análise e estatística que os americanos adoram. Quem dera o principal problema noticiado em São Paulo fosse falta de ar dentro de bolas, e não falta de água dentro das casas. Apesar de tudo, o marido da Gisele entrou em campo focado para enfrentar o Seattle Seahawks e sua defesa, a melhor da temporada.

 

Até para um iniciante era possível distinguir a maneira de ambos os times jogarem, quando no ataque os Patriots usavam passes curtos para chegar a marca do touchdown, enquanto o Seahawks honrou seu nome (hawk=águia) e ganhou jardas com passes longos que tomavam os ceús, sem deixar de usar seu running back Marshawn “Beast Mode” Lynch para furar a defesa, sempre que possível. A primeira metade do jogo não deixou pistas de um favorito, terminando empatada, 14 a 14, placar humilde já que um touchdown vale, efetivamente, 6 pontos.

 

Um curto show de Katy Perry no intervalo, que não chegou aos pés do espetáculo que Beyoncé deu dois anos antes no Super Bowl, foi o que antecedeu os 30 minutos finais que decidiriam o dono da taça.

 

Os Seahawks abriram uma vantagem de 10 pontos logo no terceiro quarto e a maneira como a defesa se movimentava não dava muito espaço para o avanço dos Patriots. Foram os passes do marido da Gisele sempre achando um alvo livre que deixou a diferença do placar menor, até os Patriots tomarem a liderança: estava 28 a 24 com dois minutos restantes. Longe de ser um jogo decidido, o ataque dos Seahawks era a última chance de mostrarem por que mereciam a vitória. Cena digna de filme: uma jarda (menos de 1 metro), a bola da endzone, a defesa era apertada, mas nada que Lynch não pudesse tomar conta. Ele é famoso por levar a bola junto com mais dois ou três defensores: “A Besta” era como os comentaristas se referiam a ele. Mas para a surpresa de todos, a bola não foi para o running back, foi um passe curto, que caiu nas mãos do cornerback dos Patriots, Malcolm Butler – um herói de 24 anos que sequer havia sido recrutado no draft (a maior seleção de jogadores que os times da NFL participam). Faltando 20 segundos no cronômetro, Butler interceptou o passe e garantiu o Super Bowl para os Patriots.

 

O time de Tom Brady venceu pela quarta vez o Super Bowl; e ele voltou feliz aos braços de Gisele.

 

Qualquer informação correta deste texto dou crédito ao guia do iniciante da NFL que pode ser acessado neste link

Avalanche Tricolor: uma questão de foco, pé no chão e de querer um pouco mais

 

Grêmio 3 x 0 União Frederiquense
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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As férias e a o início deste ano têm sido dedicados a escrita de um novo livro, tarefa que me tem tomado boa parte do tempo e me limitado a apenas algumas tarefas. O programa na rádio, claro, é prioridade, mas o restante do tempo está voltando às pesquisas e textos que constróem cada capítulo. Sou exigente demais com as palavras e isso me faz voltar atrás, reescrever e rever para, normalmente, voltar a escrever. O pior é que sempre tenho a impressão de que não ficou bom. Nas adaptações necessárias abdiquei de acompanhar com mais proximidade o noticiário gremista, fiquei apenas com as manchetes que apareciam nos sites, já que os jornais aqui de São Paulo, por motivos mais do que óbvios, não abrem espaço para os clubes do Sul. Troquei informações também com meu pai, por telefone, mas nada além do básico: contrataram esse, venderam aquele outro. Esse desprendimento, que espero seja justificável para você, caro e raro leitor deste blog, me levou, inclusive, a não atender o pedido prestigioso do editor do Imortal Tricolor, blog que costuma reproduzir os textos da Avalanche. Não foi desfeita, foi respeito: faltavam-me tempo e informação para escrever algo que estivesse à altura de seus leitores.

 

Do pouco que li, das despedidas que acompanhei e das chegadas que quase não soube fiquei com a mensagem principal: o Grêmio vai focar o Campeonato Gaúcho. Deste assunto entendo um pouco mais, pois faz parte de uma das pesquisas que realizei para o livro. Alguns autores dizem que nossa capacidade de atenção determina o nível de competência com que realizamos algumas tarefas. É por meio do foco que direcionamos nossa atenção, energia e temos mais chances de conquistar melhores resultados. Contudo, para se ter foco é importante saber o que se quer e definir prioridades, organizar o tempo de modo realista e saber dizer não às fugas de atenção.

 

Hoje, o Grêmio parecia mesmo bastante focado na tarefa de vencer seu adversário na estreia do Campeonato Gaúcho. E o fez com rapidez ao decidir o jogo logo no início com dois gols. Voltou para o segundo tempo já sem a mesma atenção, provavelmente pelo cansaço físico e mental que os desafios nos oferecem. Mesmo assim voltou a marcar quase no fim do segundo tempo quando já estava com um a menos em campo. Eu também tive de prestar muito atenção em cada jogador que tocava na bola, pois muitos eram novidades para mim, para torcida e para o próprio time que vai ter de se acostumar com a nova formação. Fazer previsões a partir do que assistimos nesta tarde na Arena que, por sinal, recebeu excelente público para um sábado de verão no Rio Grande do Sul, é precipitado. Todos estavam se conhecendo. E alguns ainda vão chegar. É o que espero. Afinal, por mais focado que estejamos no Campeonato Gaúcho, minha torcida tem pretensões bem maiores este ano.

 

Gostei muito de ver que Marcelo Grohe segue em forma; é interessante saber que podemos contar com jogadores jovens e promissores; e fiquei feliz em ver que Barcos voltou com a corda toda. A lamentar, a possibilidade de termos assistido ao último jogo dele com a camisa do Grêmio. E saber que nosso destino, no futebol brasileiro, é esse mesmo: perder nossos craques e ficarmos apenas na torcida de que um novo surja muito por acaso

Avalanche Tricolor: não é nada, não é nada, ao menos goleamos no Gre-Nal

 

Grêmio 1 x 1 Flamengo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Valia pouco, mas valia alguma coisa a partida de encerramento da temporada 2014. A vitória faria com que o Grêmio colocasse R$ 1milhão a mais no bolso -não é nada não é nada, dá pra fazer pouco mais do que nada com este dinheiro. A Copa do Brasil no ano que vem também seria mais curta, pularíamos três fases, em especial aquelas em que se costuma jogar nos Cafundós do Judas contra times semi-amadores, o que sempre é um risco de vexame prematuro. Entraria-se nas oitavas-de-final, ou seja, a oito jogos do título, uma vantagem que não chega a ser decisiva, mas que é sempre bem-vinda, especialmente para quem tem alguma pretensão e muitas obrigações no ano que vem.

 

O bônus que a vitória nos ofereceria não foi suficiente para nos fazer melhor em campo. Houve até momentos interessantes: um drible por aqui, outra jogada por ali; a bola continuou insistindo em bater no travessão quando não, desviada para fora; e, finalmente, um gol de falta muito bem cobrada – aliás, foi a coisa mais bonita que se viu na Arena, neste fim de tarde de muito calor em Porto Alegre. Luan, que voltou a marcar, segue oferecendo sinais contraditórios, pois aparenta ser lento na maneira de jogar, às vezes parece apagado e fora do ritmo, para de repente driblar o adversário com uma facilidade constrangedora e fazer gols. Será importante no ano que vem quando estará mais maduro.

 

Por falar em meninos, um dos que chamam mais atenção é Everton, sempre disposto a atacar, meter a bola entre as pernas do adversário, trocar passes com os companheiros e, se derem algum espaço, chutar a gol. Talvez com mais tempo de jogo entre os titulares consiga ter rendimento capaz de desequilibrar as partidas a nosso favor na próxima temporada. Quem melhorou bastante ao permanecer entre os titulares foi Walace, volante grandalhão mas bem ajeitado com a bola no pé. Também um garoto prestes a se revelar no futebol.

 

Comemorar o surgimento dessa gurizada e torcer para que, ao lado de jogadores mais maduros, formem um time vencedor em 2015 é o que nos resta neste fim de ano. Apesar de que mesmo tendo sido uma temporada de poucos momentos de emoção, apenas alguns ensaios de satisfação e muitos tropeços, nunca vou cansar de lembrar que, em 2014, nossa maior vitória foi golear no Gre-nal: não é nada, não é nada, foram 4 a 1 de lavar a alma, não é mesmo!?

 

A foto que ilustra este post é do site oficial do Grêmio

Avalanche Tricolor: porque eu sou gremista

 

Bahia 1 x 0 Grêmio

Campeonato Brasileiro – Fonte Nova (BA)

 

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Estive em Porto Alegre neste fim de semana. Oportunidade para conviver e relembrar, pois mesmo com poucos dias de estada visitei lugares marcantes para minha vida, a começar pelo fato de que sempre reencontro-me com a casa na qual cresci e amadureci (ou nem tanto), na Saldanha Marinho, no bairro Menino Deus, onde moram meu irmão, Christian, e minha cunhada, Lucia, bem próximo do saudoso estádio Olímpico, que, aliás, permanece lá, sem o anel superior e com estrutura cicatrizada pelo tempo, sofrimentos e conquistas. Convidado por meu sobrinho mais novo, o Fernando, irmão da Vitória (de belo e significativo nome, não?), fui assistir a atividade de encerramento de ano escolar no Colégio Marista Rosário, o mesmo onde estudei quando ainda levava o nome de Nossa Senhora do Rosário. Por lá joguei bola, fui campeão de basquete, namorei muito, me esborrachei no chão, presidi o grêmio estudantil e participei de intensos debates clubísticos com os colegas que teimavam em torcer para times adversários – lembro que alguns eram SER Caxias, outros São José, Cruzeiro ou times de menor expressão. Apesar de não ter citado na frase anterior, também estudei, mas não era muito fanático por esta prática.

 

Curiosamente, a atividade desse sábado pela manhã era no teatro da escola, onde frustrei minha carreira de cantor, depois de ser afastado do coral pelo irmão Alduino. Registre-se, ele tinha toda razão. No palco do teatro, porém, tive algumas passagens artísticas nas encenações de fim de ano organizadas pela professora Tânia. Assim com o teatro mantém muitas das lembranças daquela época, apesar de renovado, encontrei-as também passeando nos corredores do prédio original da escola, com os azulejos verdes na parede e o piso quadriculado em preto e branco. A cantina ocupa o mesmo espaço, assim como a sala do professores e a do GER – Grêmio Estudantil Rosariense. Lembrei de algumas salas de aula, provavelmente devo ter confundido outras, e as achei muito parecidas, exceção à lousa que não é mais de giz. O pátio tem mobiliário novo mas sofreu poucas mudanças. Caminhar dentro do Rosário, ver a sala de troféus e algumas fotos do passado me emocionaram.

 

Fiz questão de visitar a Arena Grêmio, no bairro Humaitá, na zona norte de Porto Alegre. Por incrível que seja, até hoje não assisti a partidas de futebol na nova casa gremista e apenas havia apreciado a bela arquitetura nas vezes que aterrisei no aeroporto Salgado Filho. Se do alto, a Arena chama atenção, é de perto que se tem noção clara das suas dimensões e do que pode representar quando tomada de torcedores. Havia alguns visitantes como eu percorrendo o entorno e parte de suas dependências, tirando fotografia, guardando recordações e sonhando com os títulos que virão. Havia os que se preparavam para a competição esportiva mais importante no fim de semana, em Porto Alegre: a Corrida do Grêmio que, soube há pouco, reuniu 5 mil pessoas, no domingo pela manhã. Consta que outra atividade estaria marcada para sábado à noite, na avenida Padre Cacique, mas de menor relevância; não sei bem o que se sucedeu por lá.

 

Prestei muita atenção no movimento daqueles gremistas que encararam o forte calor deste fim de semana porto-alegrense, na forma carinhosa com que apreciavam os paineis com ilustrações do tricolor, no interesse pelos souveniers oferecidos na loja GremioMania e nas conversas paralelas entre amigos, casais e famílias. Havia orgulho e alegria entre os muitos que vestiam nossa camisa. Nenhum parecia se importar com as dificuldades e falta de resultado que se avizinharam. Afinal, não somos gremistas porque ganhamos a vaga sejá lá pra qual for a competição, ou porque vencemos mais um título; nem deixaremos de sê-lo apenas por uma ou outra temporada sem conquistas, ou por um elenco que não nos agrade por completo. Somos gremistas porque o destino nos colocou neste caminho; alguém muito especial, uma luz qualquer ou um momento incrível – de dor ou de alegria – fez explodir esta paixão.

 

Diante de tudo isso, a partida desta noite em Salvador e a possibilidade de ainda termos um lugar na Libertadores do ano que vem ficaram menores, quase irrelevantes. Mas que eu queria ter visto nosso time brigando e acreditando até o fim, não tenha dúvida, eu queria. Porque eu sou gremista!