Avalanche Tricolor: não perdemos nada, ou quase

 

São Paulo 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Morumbi (SP)

 

 

Há certas amizades que conservamos para a vida e quando estes amigos querem estar ao nosso lado jamais devemos rejeitar o convite. Foi o que aconteceu neste fim de semana no qual um casal de amigos nos proporcionou momentos bastante agradáveis distante da capital paulista, o que nos impediu de estar no Morumbi, na noite de sábado. Eles não tinham obrigação de olhar a tabela do Campeonato Brasileiro nem nós de usá-la como desculpa e desperdiçar o convite que nos fizeram. Existem chances que não podemos perder de jeito nenhum na vida. E nós não a perdemos por completo. Até porque tive a oportunidade de assistir ao jogo pela televisão e acompanhado por bons copos de vinho, fator que deve ter amenizado o impacto do resultado final.

 

Tivemos a chance, e agora me refiro ao Grêmio, não mais ao prazer da companhia dos amigos, de terminar a sétima rodada do Campeonato Brasileiro como líder absoluto. No mínimo, como gostam de escrever alguns colegas do jornalismo esportivo, nós tivemos a oportunidade de dormir na liderança, expressão com a qual não concordo, pois quem dorme no ponto acaba sendo surpreendido, portanto o melhor é estar sempre à frente e atento, especialmente em competição tão equilibrada. Logo no começo, sabendo da parada que teremos na nona rodada, devido aos jogos da Copa do Mundo, cheguei a expressar aos mais próximos que o ideal era terminar esta etapa como líder ou, sem muita pretensão, no grupo dos quatro melhores. Isto certamente daria tranquilidade para Enderson Moreira encaixar melhor as peças no time, testar alternativas táticas e retomar o bom desempenho do início do ano quando arrasamos na primeira fase da Libertadores e passamos fácil até as finais do Campeonato Gaúcho. Houve uma queda de produção evidente e alguns jogadores que estavam se sobressaindo naqueles momentos quase desapareceram, incluo na lista nossa maior esperança de talento, Luan, que, parece, voltou a jogar bem ao vestir a camisa da seleção brasileira. Que seu bom futebol esteja na bagagem quando retornar ao Grêmio.

 

Ainda não jogamos fora a oportunidade de chegar à parada do Mundial em boa posição na tabela, independentemente da derrota de sábado e dos resultados paralelos deste domingo. Com seis pontos nas duas próximas partidas, quarta-feira à noite, contra o Sport, em Recife, e no domingo seguinte, contra o Palmeiras, no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, ficaríamos em lugar privilegiado, com certeza. E o tempo necessário para ajeitar o time, voltar a atacar mais, chutar mais e marcar (gols) mais seria mais bem aproveitado. Ou seja, se não levarmos em consideração a atuação de alguns dos nossos na noite de sábado, o placar não chega a ser uma desgraça, pois muita gente grande vai deixar pontos no Morumbi e o próprio São Paulo desperdiçará os seus pelo caminho.

 

Não perdemos nada neste sábado; nem o Grêmio por tudo que ainda vem pela frente; nem eu que tive o resultado consolado por excelentes amigos e bom vinho. Agora, como escrevi no primeiro parágrafo desta Avalanche: existem chances que não podemos perder de jeito nenhum na vida. Não é mesmo, Barcos!?

 

(Atualizado na segunda, 6h45)

 

PS1: e após a rodada completa vê-se que o estrago foi pequeno mesmo e lá estamos nós no G4.

 

PS2: hoje, gravo Bola da Vez, na ESPN, com nosso atacante Barcos. O que você acha que eu vou perguntar para ele?

 

A foto desta Avalanche é do site Gremio.net

Avalanche Tricolor: até a pé nós iremos a caminho da liderança

 

Grêmio 2 x 1 Botafogo
Brasileiro – Alfredo Jaconi/Caxias (RS)

 

 

Chegamos ao terceiro dia de turbulência em São Paulo provocada por desentendimento entre sindicalistas que pararam boa parte do transporte de ônibus na capital e, de forma brutal, abandonaram os passageiros no meio do caminho. Aparentemente, os grevistas perderam força nesta quinta-feira e o sistema talvez volte a funcionar no restante do dia. Como da cabeça desta turma não se sabe o que pode sair, é bom ficar alerta no noticiário para que não sejamos surpreendidos mais uma vez. Foi triste acompanhar pessoas humildes sendo obrigadas a caminhar por horas para chegar no trabalho ou voltar para casa devido a falta de ônibus. Em alguns bairros os pedestres pareciam estar em procissão, todos seguindo o mesmo passo em busca de um destino. Imagino que não tenha sido esta cena que motivou o desproposital comentário do ex-presidente Lula de que o brasileiro está acostumado a andar a pé e este negócio de metrô na porta do estádio é babaquice, expressão usada em conversa pública com amigos. Ninguém pede estação na porta do estádio, consta que nem é recomendável, mas é prudente que se tenha meio de transporte capaz de atender a grande demanda de torcedores que costumam assistir aos jogos de futebol.

 

É provável que você já tenha lido a história que vem a seguir, mas a reproduzo aqui na Avalanche porque é o gancho que precisava para desviar este texto para as coisas do meu Grêmio. Foi no restaurante Copacabana, no bairro da Cidade Baixa, e inspirado na devoção dos torcedores que não se intimidaram com a greve de bondes, em 1953, e seguiram a pé ao estádio da Baixada do Moinhos de Vento para assistir ao jogo de seu time do coração que Lupicínio Rodrigues compôs o mais conhecido verso do hino gremista: “até a pé nós iremos, como o Grêmio onde o Grêmio estiver”. Desde aquela época, nossos torcedores não mediam esforços para apoiar a equipe e têm se consagrado por estar ao seu lado em qualquer situação. Diante desses fatos, o cansaço causado por dias de trabalho exaustivo e a obrigação de acordar ainda de madrugada para dar início à minha jornada, não seriam suficientes para justificar a ausência na partida da noite de ontem, em Caxias do Sul. Evidentemente que meus compromissos profissionais me impediriam de viajar até a cidade serrana, mas às 10 da noite lá estava eu, firme e forte (apesar de que com sono), diante da televisão. E não foram necessários mais de cinco minutos para perceber que o Grêmio me manteria acordado e sofrendo até a meia-noite. Esse foi o tempo para tomarmos o primeiro gol em jogada que até agora não entendi porque não foi interrompida com falta na intermediária, talvez respeito excessivo ao fato de seu protagonista ter jogado com a camisa do tricolor gaúcho.

 

Demoramos um pouco para entender que a virada no placar exigiria no mínimo chutes a gol. Durante parte do primeiro tempo nosso time não era capaz de encontrar espaço para tal e quando o encontrava desperdiçávamos com passes errados ou chutes desviados. De repente, com a torcida gritando no cangote, já que as arquibancadas do Alfredo Jaconi nos deixam próximos dos jogadores, de tanto insistir por um lado e pelo outro, na maioria das vezes no congestionado caminho do meio, a bola chegou a Barcos que a escorou para Rodriguinho chutar rente a grama e distante o suficiente para o goleiro adversário não alcançar. O gol de empate tirou a sonolência, minha e do jogo, e abriu a perspectiva de encerrarmos a rodada do Brasileiro muito próximo da liderança, meta que foi alcançada quando faltavam pouco mais de dez minutos para o fim da partida. As duas mudanças feitas pelo técnico Enderson Moreira deram resultado quase que imediato, pois Zé Roberto, que substituiu Ramiro, entregou a bola para Maxi Rodriguez, que entrara no lugar de Rodriguinho, marcar o gol da virada. O uruguaio chegou com velocidade, tirou os dois marcadores com um só drible e ajeitou a bola quase no ângulo. O gesto de comemoração deixou claro que ele estava incomodado com o burburinho da torcida devido ao baixo desempenho das últimas partidas. Que sempre responda jogando deste jeito.

 

Quanto a nós, torcedores: até a pé iremos a caminho da liderança.

Avalanche Tricolor: vitória em meio a chuva e o granizo

 

Grêmio 1 x 0 Fluminense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

As dificuldades que a cidade de São Paulo tem enfrentado com a falta de água já são conhecidas nacionalmente. Choveu pouco durante os últimos meses e o governo do Estado não soube administrar a crise que provoca cortes no abastecimento – apesar de as autoridades jurarem de pés juntos que não existe racionamento -, deixa as torneiras secas e as pessoas preocupadas. Pois não é que depois de 32 dias sem chover com intensidade, alguns bairros da capital foram surpreendidos com um temporal, neste domingo? Não era apenas água e vento forte. Era granizo em quantidade suficiente para assustar a turma aqui de casa, de filhos a bichos de estimação. O asfalto foi tomado pelo branco, pedras enormes de gelo cobriram as ruas e o pátio das casas. Bastaram alguns minutos de chuva para perceber que os pedaços que despencavam do céu deixariam prejuízos aqui embaixo. Pelo que vi na vizinhança: vidraças quebradas, árvores e folhagens depenadas e placas de coletor solar destruídas. Aqui em casa espero que a perda se restrinja a uma pequena janela e muita sujeira, pois só amanhã pela manhã poderei conferir se houve estragos no telhado.

 

A energia elétrica despencou a medida que o granizo caía e, enquanto o Grêmio se esforçava para chegar ao gol adversário lá em Porto Alegre, houve pelo menos três cortes seguidos de luz, derrubando o sinal da TV a cabo, aqui em São Paulo. Não cheguei a perder nada muito significativo. Da mesma forma que Marcelo Grohe segurava tudo lá atrás, os dois aparelhos de no-break mantiveram alguns equipamentos firmes e fortes para a alegria dos meninos que preferem os jogos de computador aos da televisão. Estava preocupado com a preservação do patrimônio, mas não abri mão de assistir às trocas de passe sem muito sucesso do nosso time. A defesa deles parecia bem postada e conseguia congestionar o caminho até a área. Fazíamos o mesmo quando éramos atacado. E se nossa marcação vacilava, Marcelo era Grande para calar as bocas tortas que insistem em tê-lo como responsável pelas derrotas no início da temporada. Em meio ao mau tempo, um raio de luz surgiu no gramado com o passe preciso do zagueiro Werley e a velocidade de Rodriguinho que chegou à frente do zagueiro e desviou para dentro do gol. Fizemos pouco mais do que isso durante toda a partida, mesmo diante de um adversário que teve seu principal jogador expulso, mas fizemos o suficiente para novamente estarmos entre os grandes do Campeonato Brasileiro.

 

Que venham mais vitórias e mais chuva, mas com menos transtornos.

Avalanche Tricolor: amor de mãe é Imortal

 

Chapecoense 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá (SC)

 

 

O Domingo do Dia das Mães começou onde sempre começam meus domingos, na capela da Imaculada Conceição, tão próximo de onde moro que deixo para sair de casa quando o sino chama. Pequena para a quantidade de famílias que a procuram especialmente em datas importantes como essa, assisti ao início da cerimônia em pé e do lado de fora. Somente quando o padre José Bertoloni já iniciava sua dinâmica de conversar com os fiéis, exercício que faz para agregar e tornar mais confortável a presença de tantas pessoas no interior da capela, consegui um pequeno lugar para sentar e me proteger do frio que começa a tomar conta de São Paulo neste meio de Outono. Vê-lo no altar foi uma satisfação especial, pois soube que esteve incapacitado de rezar a missa devido a forte gripe que o deixou na cama, semana passada. Pela idade que apresenta e os sinas de uma doença incômoda, fico sempre torcendo, ou melhor, fico sempre rezando pela saúde dele e para que no domingo seguinte volte a encontrá-lo. Bertoloni, que já foi personagem desta coluna, é conterrâneo e gremista, mas nesta manhã, em nossa conversa de despedida, quando costumamos trocar rápidas palavras entre um cumprimento e outro, nosso coração estava muito mais voltado para a lembrança de nossas mães que já se foram do que do time que jogaria logo mais à tarde, no interior de Santa Catarina. Foi um cumprimento silencioso e cúmplice. Eu perdi minha mãe, a Ruth, muito cedo, morta por um câncer fulminante, mas convivi com ela tempo suficiente para muitas lições e ótimas memórias. Eu e meus irmãos, tenho dois, o Christian e a Jacque, e uma prima irmã, a Anelise, soubemos tocar a vida em frente, sempre contando com o apoio do nosso pai, o Milton, que você costuma ler às quintas-feiras aqui no Blog e se aproveitando das muitas coisas que ela nos ensinou. Dia desses, quase sem querer, encontrei sua última carteira de identidade, entre várias fotos dos meus tempos de atleta e alguns recortes de jornal, curiosamente na véspera do aniversário dela que é comemorado no dia 25 de março. Se viva, estaria hoje com 77 anos e, com certeza, orgulhosa do caminho que cada um dos filhos tomou e disposta a nos embalar no primeiro sinal de fraqueza, como sempre fez quando precisamos. Entre nós e conosco, realizou alguns desejos como oferecer à filha e à sobrinha/filha uma linda festa de debutantes; conseguiu nos manter em uma das melhores escolas da cidade, mesmo diante de dificuldades financeiras que enfrentamos; viu todos os filhos se formarem na faculdade, pois sabia como a educação era fundamental; e, pouco antes de morrer, abriu uma creche onde exerceu o sonhado papel de professora. Não preciso dizer que minha mãe também torcia pelo Grêmio, apenas não lembro se era fanática como o pai e seus filhos. Lembro, porém, que era capaz de entender o meu sofrimento diante de alguns resultados negativos e permitir que eu ficasse até mais tarde na cama em troca de atividades externas onde, certamente, iria me deparar com torcedores adversários.

 

Pode parecer curioso que dedico este espaço, por costume preenchido com os feitos gremistas e do futebol, a falar de minha mãe em lugar de exaltar os dois gols de Barcos nesta tarde, em Santa Catarina. O primeiro saiu após uma virada rápida quase na área pequena em bola que sobrou de cobrança de escanteio e o segundo foi com drible e conclusão precisa, após troca de passes entre ele, Dudu e Luan, que entrou apenas no segundo tempo. A vitória em um estádio lotado – que o pessoal teima em chamar de Arena – e campo acanhado já coloca o Grêmio em seu devido lugar, na disputa do título e de vaga na Libertadores. Ou seja, havia bons motivos para escrever sobre o Grêmio, mesmo considerando que este campeonato ainda não me empolgou como deveria, talvez pela interrupção que teremos devido a Copa do Mundo e as desclassificações recentes. Mas, convenhamos, o dia ficou mesmo tomado pela força da data comemorativa, já que depois da missa era momento de se preparar para o almoço com as mães que estão em nosso entorno: mulher, sogra e cunhada. Sem contar que no instante em que parei para assistir ao jogo, o locutor da televisão informou que a última partida entre Grêmio e Chapecoense havia se realizado em 1978 e lá fui em buscar na minha memória os bons momentos que vivia com a Dona Ruth, há 36 anos.

Avalanche Tricolor: em busca de inspiração

 

Santos 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro (SP)

 

 

Falta de inspiração é o que justifica a ausência desta Avalanche logo após a partida disputada no início da noite de sábado. Não minha. Eu estava muito bem inspirado neste fim de semana. Encarei dose dupla de super-heróis da Marvel no cinema a pedido dos meninos que curtem Capitão América e Homem Aranha. Ambos fizeram parte da minha infância, também. Eu os curtia nos gibis; eles os acompanham na internet e no cinema, onde, aliás, estão fantástico. Nos filmes que estão em cartaz, preferi o bom humor de Peter Clark ao bom-mocismo de Steve Rogers. Divertimo-nos esperando a cena em que Stan Lee, um dos criadores, apareceria na tela. E aguardamos os créditos finais para descobrir se haveria cena extra à disposição. Claro que a simples companhia dos garotos seria suficiente para tornar o programa agradável e inspirador. Assim como o foi o jantar oferecido por uma amiga nossa de longa data que comemorava seu aniversário na noite de sábado. Com a família ao lado, encontramos por lá ótima conversa acompanhada de boas comida e bebida. Sempre excelente oportunidade para relembrar algumas histórias e saber novidades de pessoas que estiveram distante por um tempo.

 

Havia tantas coisas agradáveis que sequer me importei com a necessidade de abrir mão de boa parte do segundo tempo da partida do Grêmio, no litoral paulista. Convenhamos que o que havia assistido até então não era nada motivador, exceção a jogada nos primeiros minutos proporcionada por Dudu que terminou com um chute desviado, como foram desviados muitos passes, tentativas de ataque e o desempenho de alguns dos nossos recentes ídolos do tricolor. Aliás, por falar em ídolos, bem que Luan poderia ser convidado para ir ao cinema um dia desses, talvez ele encontrasse alguma motivação nesses heróis que têm super-poderes mas sabem que para se beneficiarem de todo potencial e superar os inimigos precisam vestir a fantasia. Luan está precisando de inspiração. E com ele boa parte da nossa equipe. Eles precisam entender que para seus poderes se revelarem em campo terão de revestir-se da alma que sempre marcou o Imortal Tricolor. Caso contrário, transformarão nossos jogos em um filme sem graça.

Avalanche Tricolor: emoções que forjam minha paixão Imortal

 

Grêmio 1 (2) x (4) 0 San Lorenzo
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Somos todos sofredores desde o momento em que nos permitimos nos apaixonarmos por uma causa. No futebol, a minha é o Grêmio. Não escondo isso. Nunca tentei fazê-lo, mesmo na época em que, repórter esportivo, cobria o tradicional adversário em Porto Alegre. Por lá, sabiam todos da minha preferência e respeitavam minha escolha tanto quanto eu me esforçava para impedir que a paixão influenciasse a postura profissional. Acredito que tenha conseguido separar as coisas. Hoje, atuando em área e cidade distantes posso tratar do tema com muito mais tranquilidade a ponto de escrachar minha paixão sempre que escrevo esta Avalanche. É aqui que compartilho com você, caro e raro leitor, as emoções que o futebol gremista me proporciona. E quando falo de emoções não estou me atendo apenas as alegrias da conquista. Refiro-me ao coração apertado diante da bola que bate no travessão, do grito rouco no gol anulado e, principalmente, da angústia em perceber que nossa crença vai além das forças do próprio time. As mãos esfregam o rosto repetidas vezes, os dedos se entrelaçam enquanto recebem mordidas que deixam marcas, os braços se abraçam sobre a cabeça, com os pés chuto bolas imaginárias e, às vezes, me envergonho de tanto murmurar palavras impronunciáveis como se estivesse sozinho diante da televisão. Nesta noite que ainda será longa, vivi muitos desses momentos. Acreditei sempre que seríamos premiados com ao menos um gol, mesmo que atropelássemos a lógica do futebol para chegar até lá. Haveríamos de marcar se não pela técnica, pela insistência; se não pela tática, pelo canto da torcida. Eu reivindicava o direito a esta alegria e fui atendido na bola que explodiu no rosto de Dudu e se esparramou na rede. Eu explodi junto com aquela bola disparada por Rodriguinho, arranquei os óculos, cerrei os punhos, soquei o ar e as almofadas próximas de mim. Comemorei como se fosse o último gol que comemoraria em minha vida, mesmo sabendo que ainda não seria o suficiente para alcançarmos a vitória que precisávamos. Azar! Decidi que merecia aquele prazer fugaz, pois em todos os demais minutos da partida a mim só haveria de ser oferecido o sofrimento. Independentemente do que tenha havido e do que haverá de acontecer daqui pra frente, das línguas afiadas dispostas a encontrar um culpado, como se apenas um houvesse, das bocas tortas que vão babar de prazer enquanto atacam nossos ídolos, das mudanças e confirmações, estou aqui para agradecer ao Grêmio (e ao futebol, também) por me proporcionar todos estes sentimentos. Um turbilhão de emoções que forja minha paixão Imortal.

Avalanche Tricolor: esta gurizada é espaçosa mesmo

 

Grêmio 2 x 1 Atlético MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

As cores na camisa nova são mais fortes e o tricolor das faixas verticais é mais equilibrado em suas dimensões. A primeira impressão que tive ao ver o time entrar na Arena no fim da tarde deste domingo era de que a camisa parecia mais intensa do que o time escalado com apenas três jogadores considerados titulares ao lado de muitos jovens. A cabeça, a minha, a sua e da própria equipe, está mais concentrada, com toda razão, na partida de quarta-feira quando decidiremos vaga à próxima fase da Libertadores e precisaremos vencer de qualquer maneira. Ao mesmo tempo sabíamos que vencer hoje seria importante para dar tranquilidade ao técnico e seus comandados, além de impedir uma escapada dos líderes desta maratona de pontos corrridos que é o Campeonato Brasileiro.

 

Bastou a bola rolar para percebermos que algo mais além da camisa tinha intensidade no gramado da Arena. A gurizada não permitia que o adversário respirasse e, atrevida, partia para o ataque driblando o marcador, passando com velocidade e precisão, se deslocando com rapidez, pedindo a bola e chutando sempre que um espaço aparecia. Às vezes, como na falta que resultou no primeiro gol, se não havia espaço, a força do chute e a velocidade abriam este espaço. E se você prestou atenção na cobrança de Alan Ruiz, a bola buscou o seu próprio espaço com um movimento rápido momentos antes de se aproximar do goleiro desviando-se para as redes. No segundo gol, apesar de os críticos destacarem a falha na defesa, foi o Grêmio quem fechou os espaços, obrigou o recuo da bola e permitiu que Lucas Coelho chegasse tão rapidamente para driblar o goleiro e encontrar o gol livre para marcar.

 

Fomos muito superiores aos titulares que formavam o time adversário que, por sinal, também quer ter espaço na próxima fase da Libertadores. No segundo tempo, não conseguimos ser tão intenso, mas fomos seguros e proporcionamos alguns belos dribles que deixaram os veteranos do lado de lá de boca aberta (alguns pareciam incomodados por não conseguirem espaço para jogar). Até mesmo o não-jogo necessário dos minutos finais para impedir a injustiça de um empate refletiu uma maturidade que estava acima da idade dos nossos jovens.

 

Os titulares que voltam a campo na quarta-feira decisiva têm muito a agradecer a esta gurizada que ajudou a aumentar a autoestima do time, trouxe um pouco de paz para o vestiário e, certamente, motivou o torcedor. Aliás, torcedor, faça sua parte: vamos tomar todos os espaços da Arena.

Avalanche Tricolor: alguém aí não acredita? vai …

 

San Lorenzo 1 x 0 Grêmio
Libertadores – Buenos Aires (ARG)

 

 

Era apenas uma brincadeira o comentário de Juca Kfouri, na manhã de quarta-feira, quando conversamos no Momento do Esporte, no Jornal da CBN. Ele disse que estava ali, ao vivo, quando normalmente grava o quadro, preocupado com meu comportamento diante dos últimos resultados gremistas. Chegou a dizer que soube nos bastidores de um mau humor que estaria influenciando meu relacionamento com os colegas de trabalho. Claro que não gosto de derrotas, mas o futebol não chega a me influenciar a ponto de estragar a boa relação com os amigos (ao menos é o que eu imagino). Sou adepto da tese de que rir de si mesmo nos aproxima mais daquilo que somos e, baseado nisso, achei engraçada a “pegadinha” dos colegas de Jornal que, hoje cedo, reproduziram o gol do San Lorenzo na narração de um histérico locutor argentino. Adoraria ouvi-lo na semana que vem no jogo de volta. O que não gostei muito foi de ler minha timeline no Twitter, durante a partida de ontem à noite, pela qual sigo vários torcedores do Grêmio. Entendo que algumas coisas que vemos são de tirar do sério: chutar a bandeirinha em lugar da bola ou despachá-la por cima do travessão na cobrança de falta técnica dentro da pequena área chega a ser bizarro. Mas tive a impressão de que o pessimismo do pessoal não estava a altura do jogo jogado e do resultado final. Mais incômodo do que isso: a descrença não condiz com nossa história. Sempre defendi a ideia, e falei isso para o Juca na conversa de ontem, que até 3 gols contra viramos em casa. Sou otimista, com certeza. Mas meu otimismo está pautado por nossas conquistas. O placar de ontem à noite, em Buenos Aires, está dentro do roteiro, especialmente porque percebemos que somos capazes de superar a marcação argentina, teremos o retorno de Wendell e Luan, e estaremos jogando ao lado de nossa torcida. E espero que estejam na Arena apenas os torcedores que, como eu, acreditam na nossa força. Aqueles que invadem hotel para ameaçar em lugar de incentivar jogadores, aqueles que duvidam do poder do Grêmio, aqueles que antes mesmo de iniciada a fase final apostavam na nossa desclassificação … estes todos tirem suas camisas e fiquem em casa vendo novela.

 

Eu acredito! Sempre!

Avalanche Tricolor: carta de um ouvinte gremista

 

Uma Avalanche, escrita ainda durante o Campeonato Gaúcho, motivou a carta/e-mail do ouvinte Danier Boucinha Viana, gremista como nós que costumamos ler este espaço no Blog. A mensagem chega em semana decisiva para o Grêmio, seja por estarmos diante da fase final da Libertadores seja pelos últimos acontecimentos do time. Por isso, torno pública as palavras e a esperança de Danier para que nos inspirem na partida dessa quarta-feira, contra o San Lorenzo:

 

Prezado Mílton,

 

Faz muito tempo que estou para lhe escrever e aproveito o feriadão para fazê-lo. Espero não incomodá-lo com a extensão do texto mas necessário por misturar vários assuntos represados. A ocasião é propicia face o que temos vivido nesses últimos dias com o nosso Grêmio bem como os dias que antecedem ao jogo de quarta-feira próxima na Argentina.

 

Sou Gaúcho, Gremista de “Quatro Costados”, nascido na fronteira (Dom Pedrito) em 1958. Seu fã incondicional de todos os dias na rádio CBN mas mais ainda do seu querido pai. Coincidentemente no ano em que nasci o seu pai, A Voz do Rádio, iniciou as transmissões na antiga Rádio Guaíba. Atualmente estou com 55 anos. Saí da minha querida Dom Pedrito aos 17. Trabalho no BB e moro em Campinas-SP há 15 anos. Mais Gremista do que nunca!

 

Menino cresci escutando a Guaíba lá no interior, juntamente com meus irmãos mais velhos todos Gremistas, naqueles tempos áureos do nosso Heptacampeonato. No meu imaginário infantil somente existiam Alberto, Airton Pavilhão , Sérgio Lopes , Everaldo, Joãozinho, Flecha , Alcindo, Volmir Massaroca, entre tantos outros. O Meu Grêmio era Imbatível! Adolescente cresci e sofri com o esplendor do tradicional adversário na década de 70 (campanha do octa e bi-brasileiro). Ironicamente naquela época forjei-me como verdadeiro Gremista vindo a entender mais tarde que foi necessário todo aquele crescimento do Inter para impulsionar e tornar-nos a potencia futebolística mais tarde. Meus heróis, embora não vencedores, já eram outros. Mas eram igualmente heróis! Ao ler a sua crônica de 26/03/2014 na CBN intitulada “Pelo Direito de ser Aquele Guri mais uma vez” a emoção foi muito grande. Ali estavam exatamente meus heróis daquela época: Loivo (minha mãe hoje com 95 anos chama-se Loiva) e o maior de todos e que deve ser pronunciado em toda a sua extensão: Atílio Genaro ANCHETA Weigel. Sim o maior de todos os tempos pois tenho uma teoria: Ele foi infinitamente superior ao Figueroa. Por quê? O Figueroa jogou em uma timaço tendo a sua frente nada menos do que Falcão, Carpeggiani, Batista, Caçapava, etc… e o Ancheta ? Bom é melhor não lembrar. E mesmo assim havia a comparação de quem era o melhor. Não há dúvidas. Tivesse o Ancheta jogado no outro lado (sacrilégio) não haveria termos de comparação! Pois bem você teve o privilégio de estar ao lado deles, algo que eu ficava imaginando a minha vida toda poder ter tido a oportunidade naqueles tempos de guri lá no Sul.

 

Essa crônica sua me fez lembrar de tudo o que já vivemos com o Imortal tricolor e que somente quem é Gremista sabe da emoção que é ser Gremista! Da nossa redenção em 77 com a raça Gremista dos inesquecíveis Iura, Ancheta, Tarciso, passando pela categoria de Tadeu Ricci , Éder e culminando lá na frente com o nosso Redentor André Catimba, comandados pelo saudoso Mestre Telê Santana. Como não lembrar do primeiro Brasileiro em 03/05/81 em cima do poderoso São Paulo em pleno Morumbi lotado? E da noite fria de 28/08/83 com o cruzamento mágico do Renato e o gol de peixinho do César em cima do não menos poderoso Penharol? Adentramos ali madrugada adentro comemorando na certeza de que com a conquista da América pela primeira vez no Sul nada poderia ser maior. Mas poderia sim: vieram o Mundial, outra Libertadores, as incontáveis Copas do Brasil, novamente o Brasileirão.

 

Como é bom ser Gremista! Poderia escrever um livro para descrever todo o meu sentimento e emoção ao falar do Grêmio mas em consideração ao seu tempo vou terminar por aqui mas não sem antes fazer uma referência toda especial ao seu pai, o grande Milton Ferretti Jung. Do seu inicio na antiga Guaíba em 58 até abandonar as narrações em 88, voltando a narrar em 98 desde que fosse somente em jogos do Grêmio (isso é demais Cara!). Acompanhar então sua preparação para narrar o último Gre-Nal do Olímpico em 02/12/2012 foi emocionante. Você é um privilegiado por ter um pai como esse. Parabéns!

 

Apesar dos últimos acontecimentos e mesmo lendo a coluna de hoje do Wianey Carlet na Zero Hora “O Grêmio não vai longe” que apontam exatamente ao contrário, continuo acreditando que o Tri virá com o espírito e a garra de sempre do Imortal Tricolor.

 

Grande abraço e ótimo trabalho.

 

Danier Boucinha Viana

Avalanche Tricolor: bote o disco a rodar

 

Atlético PR 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Orlando Scarpelli (SC)

 

 

“Quando estiver desanimado e a ponto de desistir da luta, rode este disco, reviva através dele as emoções que sentiu com o seu time durante o campeonato nacional de 81 e aproveite-o como uma lição de vida, persevere, seja humilde, trabalhe e vença. Como o Grêmio”. Essas linhas fazem parte do texto que está na contracapa do disco que conta a história do primeiro título brasileiro conquistado pelo Grêmio, produzido pela rádio Guaíba de Porto Alegre, e assinado por Milton Ferretti Jung (o pai), que você, caro e raro leitor deste blog, conhece muito bem. Ele também faz a locução dessa vitória memorável. Hoje cedo, rodei o disco na minha eletrola recém recuperada, como já lhe contei dia desses em post neste mesmo blog, muito mais para ouvir essas preciosidades que estavam guardadas na casa do meu irmão, Christian, a quem visitei no feriado de Páscoa, do que para buscar ânimo para os próximos desafios. Trouxe comigo, além desse long play, nome que dávamos ao que hoje você conhece por vinil, os que contam as glórias do Campeonato Gaúcho de 1979 e a Libertadores de 1981. O Mundial Interclubes está registrado em um compacto que também botei na mala e, em breve, vai ecoar na sala que reservei para ouvir meus velhos discos de coleção.

 

Como escrevi no parágrafo anterior, escutar o disco de 1981 e ler o texto que está na contracapa têm muito pouco a ver com o momento pelo qual estamos passando. As duas derrotas seguidas e em competições diferentes, a perda do título regional de maneira catastrófica, a lesão dos jogadores de melhor desempenho da defesa, Rhodolfo e Wendel, além da precariedade física de Marcelo Grohe e Luan, no momento em que entramos na etapa decisiva da Libertadores e para enfrentar o forte San Lorenzo, no estádio em que tem se consagrado imbatível, talvez fossem justificativas suficientes para começarmos a pensar na evocação da Imortalidade. Não podemos esquecer, contudo, que bem depois desses vinis, já na era dos discos de acrílico, CDs e DVDs, tivemos instantes imortalizados na história do futebol e aprendemos que não desistimos nem desanimamos facilmente diante dos mais complicados desafios. Sendo assim, que venham os novos percalços, os chutes desperdiçados, as falhas na defesa, os erros de escalação e as lesões previsíveis, pois estaremos aqui prontos e dispostos a acreditar sempre. Como gremistas que somos.

 

Vou ali trocar o disco e volto já!