Da inauguração à despedida do estádio Olímpico

 

Por Milton Ferretti Jung

 

 

Conheci quando criança – nem me lembro que idade tinha – a primeira praça de futebol do Grêmio: o Estádio da Baixada ou, se preferirem os mais velhos, o Fortim da Baixada, situado na Rua Dona Laura, no bairro Moinhos de Vento. Meus amigos e eu, deixamos Higienópolis, onde morávamos, caminhando até a Baixada. Era um domingo e pretendíamos dar um jeito de entrar no Estádio. Queríamos ver o Grêmio jogar. O máximo que conseguimos foi espiar a partida por uma fresta. Eu, pelo menos, não voltei mais a ver o Grêmio atuar naquele local, cujo pavilhão de madeira foi cedido ao Força e Luz, dono do Estádio da Timbaúva, em troca do zagueiro Airton, de saudosa memória para os gremistas.

 

Minha carreira radiofônica começou em 1954,na Rádio Canoas, um pequena emissora, por coincidência, no mesmo ano em que o Presidente tricolor, Saturnino Vanzelotti via realizar-se o seu sonho de dar ao seu Clube um moderno Estádio, o Olímpico Esse, mais tarde, foi ampliado por outro dirigente: o Dr.Hélio Dourado. Uma das minhas primeiras tarefas, na Canoas, foi a de fazer a cobertura jornalística da inauguração do Estádio Olímpico. Há quem imagine que eu tivesse narrado o Gre-Nal, que havia sido o jogo escolhido para a festa inaugural, de má memória para o Grêmio. Eu era solteiro e ainda morava no bairro de Higienópolis. Casei e nos mudamos para bem bem perto do Olímpico, onde o Christian, meu caçula,ainda reside, isto é, na Rua Saldanha Marinho. O Mílton Jr., que jogou na escolinha de futebol do Grêmio e depois, passou 12 anos no basquete gremista, atuando do time infantil ao adulto, hoje âncora do Jornal da CBN, em São Paulo, no blog dele, sempre que o Grêmio joga, não deixa de escrever a “Avalanche Tricolor”. Nessa, não faz muito, lembrou, que considerava o pátio do Olímpico, uma extensão do quintal da nossa casa.

 

Neste domingo, Mílton e Lorenzo, um dos meus netos, mais Christian e Fernando, o filho dele, ambos que seguem morando na Saldanha Marinho, vão tentar acostumar-se a viver longe do novo e moderníssimo estádio gremista: a fabulosa Arena. Ficamos com dois corações, um deles triste, com a despedida do passado; o outro, alegre com o a praça de esportes do presente, que se inicia daqui a alguns dias.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: A nossa seleção em campo

 

Figueirense 2 x 4 Grêmio
Brasileiro – Florianópolis (SC)

 

 

Para ser o vice-campeão e ter o direito de chegar a Libertadores sem disputar nenhuma prévia, o Grêmio ainda precisa do resultado da última rodada do Campeonato Brasileiro, no clássico que marcará a despedida de todos nós do Olímpico Monumental. Independentemente do que acontecer, é inegável a bela campanha realizada nesta temporada, ao menos na competição nacional, com uma ascensão incrível desde as rodadas finais do primeiro turno quando aceleramos o passo, entramos na ‘zona de Libertadores’, nos mantivemos nesta posição privilegiada o restante da competição, a ponto de garantirmos a classificação para o torneio sul-americano com três rodadas de antecedência, e atropelamos os adversários que nos separavam da vice-liderança.

 

A vitória deste fim de tarde, em Florianópolis, apenas ratificou o desempenho invejável do tricolor que garantiu a vitória no primeiro tempo com excelentes participações de Zé Roberto e Elano. Souza, prestes a assinar a permanência dele ano que vem, também marcou. No segundo tempo, o Grêmio fez o que os comentaristas costumam chamar de ‘administrar o resultado’, mas eu prefiro chamar de ‘viver perigosamente’. Apesar de termos tomado dois gols parecíamos mesmo ter o domínio da partida, a ponto de, em seguida, ampliar nossa vantagem com Leandro.

 

Merecemos o que conquistamos até aqui e mereceremos muito mais se a vaga direta para a Libertadores vier com um vitória contra o co-irmão, nem tanto pelo adversário, mas porque concluiríamos com uma conquista a história mágica que vivemos juntos no estádio Olímpico. O curioso é que apesar de tudo, continuamos não tendo nossos méritos reconhecidos, haja vista a seleção da CBF anunciada semana passada. Não encontraram lugar para nenhum dos jogadores gremistas, menos ainda para seu treinador, ao contrário do que aconteceu com todos os demais times que estão nas primeiras colocações. Fato que, ao contrário do que imaginam, nos engrandece. Pois se não temos craques com capacidade para compor a lista dos melhores do campeonato, não temos um técnico com habilidade suficiente para ser o comandante deste escrete de talentos, o que nos teria levado à vice-liderança do Brasileiro?

 

‘É o Grêmio, idiota!’ sussurrou uma voz no meu ouvido que veio sei lá de onde, talvez da minha própria consciência. E com razão. Pois o que nos levou a esta condição no Brasileiro, foi nossa história, o espírito que sempre nos moveu para as grandes conquistas e o desejo de oferecer ao Olímpico o melhor de cada um de nós e mostrar o quanto seremos gratos a este estádio. Com todos os méritos, Luxemburgo, Zé Roberto, Elano, Marcelo, Fernando e os demais que vestiram orgulhosamente a camisa tricolor podem ter a certeza de que fazem parte de uma seleção muito especial. Da seleção do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

Avalanche Tricolor: quando o juiz é protagonista do jogo

 

Portuguesa 2 x 2 Grêmio
Brasileiro – Canindé/SP

 

 

Ao mesmo tempo em que o Grêmio fazia de conta que estava em campo contra a Portuguesa, jogo que assistia em um dos canais do ‘pagou-pra-ver’, ia ao ar, na HBO, o último capítulo de FDP, série que conta a história de um juiz de futebol, sobre a qual conversei com você nesta Avalanche domingos passados. Na ficção, o juiz Juarez Gomes da Silva é assediado por investidor russo para favorecer o clube argentino, do qual é dono, que disputa a final da Copa Libertadores. No campo da realidade, o árbitro Marcelo de Lima Henrique, até onde se sabe e seria injusto pensar diferente, sofreu apenas as pressões normais de uma partida de futebol. Isto não o impediu de interferir no placar do jogo desta noite de domingo ao anular um gol do Grêmio ainda no primeiro tempo quando estava 0 a 0. Foi levado ao erro por um dos seus auxiliares que, sem o recurso eletrônico, enxergou impedimento inexistente. No seriado, Juarez quase foi prejudicado por um bandeirinha que estava incomodado por não ter sido escalado para apitar a decisão sul-americana e por outro que estava na gaveta – o que na minha terra, talvez na sua também, é sinônimo de vendido, subornado, ladrão. O fim do seriado foi inusitado, pois o time da casa saiu em desvantagem, empatou e virou com um gol do juiz – cena inspirada, imagino, no lance que levou o Palmeiras a empatar em 2 a 2 com o Santos, em 1983. A bola sairia pela linha de fundo, mas bateu nas pernas do árbitro José Luis de Aragão e foi para as redes. Em FDP, desviou na cabeça de Juarez e entrou, dando o título para os argentinos com uma ajuda involuntária dele.

 

A propósito, o placar desta noite também surpreendeu, principalmente após o fraco desempenho do Grêmio que parecia apagado em campo até levar dois gols – o primeiro deles de pênalti (o juiz acertou?). As três substituições feitas por Luxemburgo e o belo desempenho de Zé Roberto, que era assistido pela mãe de 71 anos, presente no estádio, foram fundamentais para a reação e para mantermos a vice-liderança isolada do Brasileiro, o que nos dá vaga direta à Libertadores. Não fosse o árbitro, teríamos, quem sabe, aumentado esta vantagem na classificação.

 

E o Palmeiras teria sobrevivido ao menos mais uma rodada no campeonato. Mas cada um com os seus problemas. E o Juarez, com os dele.

Avalanche Tricolor: A Imortalidade contamina

 

Millionarios 3 x 1 Grêmio
Sul-Americana – Bogotá (COL)

 

Há um espírito que cerca nossa camisa, que nos capacita a superar os mais incríveis desafios e nos fez entrar para a história. Vencemos partidas inimagináveis e conquistamos campeonatos que poucos acreditavam ser possível. Muitas vezes, entramos em campo desacreditados e fomos avaliados com desprezo. Nossa garra era confundida com violência, nosso desejo de ser campeão visto com maus olhos. No entanto, fomos muito maior do que todos estes e fomos além. Foi assim nos campeonatos estaduais, nas Copas do Brasil, no Brasileiro. Em todas as competições internacionais das quais participamos. Muitos lembrarão aqui a inacreditável Batalha dos Aflitos e eu não esqueço a forma como chegamos ao título Mundial.

 

Esta força que consagrou nossa Imortalidade, às vezes, emana de nossa alma para contaminar clubes e seleções em outros rincões. Nosso autor preferido, por gremista alucinado que é, Eduardo Bueno, lembra bem da façanha tricolor travestida de Uruguai, na final da Copa de 50, entre tantas outras descritas no livro “Nada Pode Ser Maior”, que deveria ser leitura obrigatória para cada atleta que se atrevesse vestir nossa camisa. Nesta noite de quinta-feira não foi diferente. A Imortalidade estava em campo, de azul, também, lutando pelo impossível. Pena que do outro lado.

Avalanche Triciolor: Em família, feliz e na Libertadores

 

Grêmio 2 x 1 São Paulo
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

11NOV12_GremioxSP_225

 

Sozinho, sofredor e sempre acreditando, começo a assistir à decisão deste domingo emocionado com o estádio Olímpico tomado de gremistas. É das últimas vezes que veremos estas imagens do Monumental sacudindo com o pulo e grito dos torcedores, que, por merececimento, teriam de vir acompanhadas de uma excelente apresentação e a vitória, lógico. Como esperar tudo isso, porém, com quatro dos principais jogadores afastados, dois deles fundamentais para o time, casos de Elano e Kleber, e contra uma equipe que, foi o que ouvi durante toda a semana dos entendidos em futebol, tem feito atuações fabulosas? O revés no primeiro tempo, no instante em que o time apresentava-se melhor, resultado de dupla falha de Saimon, um dos que deixaram o estaleiro para formar a defesa, reforçava o ceticismo, sem apagar a esperança.

 

Aos poucos meu isolamento no sofá foi sendo substituído pela companhia da mulher, a primeira a se aproximar. Fez para me ver feliz, pois, mesmo tendo trabalhado com futebol por muitos anos, nunca admirou muito as partidas. Os meninos, como sempre, começaram o jogo diante do computador, apesar de que, com a habilidade que desenvolveram desde pequeno, são capazes de compartilhar a diversão digital com as emoções do jogo na TV. O resultado ruim em campo os fez se aproximar, talvez pelo mesmo sentimento que moveu a mãe, solidariedade. Sabiam quanto uma derrota naquelas condições, com aquela expectativa, com a chance desperdiçada de alcançar a passagem direta para a Libertadores iria calar fundo.

 

O menor se espremeu entre os pais. O mais velho chegou em seguida e se sentou no chão a frente do sofá. Para todos estarem ali em volta era porque percebiam que o momento exigia concentração total. Eram necessários mais do que os 45 mil torcedores que estavam no Olímpico. As tentativas de gol eram festejadas e as excelentes jogadas de Zé Roberto aplaudidas. Olhavam-me com piedade nas bolas perdidas e tentavam entender minha reclamação contra o árbitro mesmo quando ele acertava. O apoio deles me trouxe força e preocupação. Não gostaria de tê-los ali para compartilhar uma derrota. Seria marcante comemorarmos juntos uma virada que começou a se desenhar com a excelente – ou seria fabulosa? – apresentação do segundo tempo. Era outro time, outros jogadores, um futebol com mais personalidade.

 

Veio o primeiro gol do Guerreiro e a certeza de que o segundo se avizinhava. Veio o segundo com Moreno e a garantia de que nada mais poderia nos deter. Os torcedores gritaram “Fica Luxemburgo” e tive de explicar o por quê. Pediram “Fica Zé Roberto”e eu expliquei, também. Deram olé, foram superiores e comemoraram a vitória como se tivessem levado o título. E eu não precisei dizer mais nada. Apenas nos abraçamos, pois estávamos de volta à Libertadores no melhor estilo do Imortal Tricolor.

Avalanche Tricolor: o Campeonato Brasileiro do G4

 

O Fluminense é campeão virtual do Brasileiro 2012, estando nove pontos distante do Atlético Mineiro e dez pontos à frente do Grêmio, a apenas quatro rodadas do fim da competição. O aproveitamento do time carioca é de 72% até aqui e seus números são invejáveis. No entanto, se disputasse um campeonato paralelo com os demais três times que estão no G4, a equipe treinada por Abel Braga seria a terceira ou quarta força apenas. Se olharmos o confronto direto dos quatro primeiros colocados veremos que o Fluminense apenas conseguiu ganhar uma das seis partidas que disputou, contra o São Paulo, no primeiro turno, por 2 a 1, no Rio. Perdeu uma e empatou outra com o Atlético Mineiro; perdeu uma e empatou outra com o Grêmio. E empatou nesse domingo com o tricolor paulista, no Morumbi.

 

O time de melhor desempenho neste quadrangular fictício é o Atlético que venceu três de seus jogos e perdeu apenas para o São Paulo, por 1 a 0, no segundo turno. O Grêmio pode até passar dos mineiros, pois ganhou duas, empatou duas e perdeu uma. Para tanto, precisa vencer por dois gols de diferença do São Paulo no fim de semana, no Olímpico Monumental. Na primeira partida entre os dois clubes, fez 2 a 1, no Morumbi. O São Paulo venceu apenas uma partida e empatou outra no confronto direto com os adversário do G4. Se ganhar no fim de semana (deixe-me bater três vezes na madeira), empurra o Fluminense para a lanterna desta competição paralela.

 

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CAMPEONATO BRASILEIRO DO G4
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Atlético MG 3 x 2 Fluminense
Fluminense 0 x 0 Atlético MG

Atlético MG 1 x 0 São Paulo
São Paulo 1 x 0 Atlético MG

Atlético MG 0 x 0 Grêmio
Grêmio 0 x 1 Atlético MG

Grêmio 1 x 0 Fluminense
Fluminense 2 x 2 Grêmio

São Paulo 1 x 2 Grêmio
Grêmio – x – São Paulo

Fluminense 2 x 1 São Paulo
São Paulo 0 x 0 Fluminense

 

Este torneio que inventei não tem o menor valor a medida que o Brasileiro é disputado entre 20 equipes e o campeão é aquele que conquistar o maior número de pontos ao fim de 38 rodadas. Mas serve para mostrar que em uma competição com o tamanho do Brasileiro todas as partidas são decisivas, pois ganha-se o título com os três pontos tirados do laterna em uma rodada aparentemente sem importância e se desperdiça a temporada com derrotas e empates bobos em jogos considerados fáceis dentro de casa. Caso do Grêmio que botou fora seis pontos contra Portuguesa e Palmeiras, e mais alguns empates em jogos que estavam praticamente ganhos como contra o Santos e o Botafogo – todos no Olímpico.

 

Há muitos anos, ainda era um guri, ouvi de um dos nomes que fizeram história com a camisa do Grêmio, Paulo Lumumba, na época já atuando como técnico, que o Campeonato Gaúcho se perdia contra os times do interior e não contra o Inter. No Brasileiro, o cenário é muito semelhante. O jogo contra o líder não é uma final antecipada, como costumam dizer por aí. Todos os jogos são partes de um final que podem nos dar o título Brasileiro – ou nos tirar.

Avalanche Tricolor: gol de guerreiro, de torcedores guerreiros

 

Grêmio 1 x 0 Ponte Preta
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Futebol é como uma batalha, para vencer o adversário é preciso conquistar terreno. Na luta pela ocupação de espaço, vencem não apenas os mais valentes ou durões, mas os persistentes. É preciso explorar o talento e usar as melhores estratégias para se sobrepor ao inimigo. Foi esta conjução que levou o Grêmio a conquista dos três pontos neste início de noite de sábado. A cobrança de escanteio de Zé Roberto foi o traço de talento que faltou em quase toda a partida, em especial nos cruzamentos que eram feitos de um lado ou de outro. Mas para que aquela bola alcaçasse seu destino antes precisava ser desviada por alguém. Foi quando entrou em cena o desbravador André Lima, a quem falta muito daquilo que o futebol técnico exige, mas que jamais poderá ser acusado por desistir de lutar. Estava em desvantagem dentro da pequena área, fato que não o impediu de se jogar em direção a bola que havia sido caprichosamente enviada a ele. Com a determinação que se espera de um lutador, tomou o pequeno espaço que havia entre o goleiro e o zagueiro adversários. Os dois estão até agora reclamando de uma falta que jamais existiu. Não entenderam que eram apenas vítimas do espírito guerreiro que André leva para campo sempre que é sacado do banco para tarefas quase impossíveis. O atacante, ciente de suas limitações, abre veias e coração para incorporar o desejo dos torcedores que das arquibancadas (ou diante da televisão) têm apenas o grito e a fé como armas. Foram estes torcedores que fizeram o Grêmio ser melhor quando tinha um a menos em campo, aliás foram eles que deram o carrinho que causou a expulsão de Julio César (e o aplaudiram por isso), pois sabiam que era a única forma de salvar o Grêmio, depois da injustiça cometida pelo árbitro que não marcou falta em Elano. Assim como foram estes torcedores que empurraram aquela bola de André Lima para dentro do gol, aos 45 minutos do segundo tempo. Uma torcida que ainda pode nos levar muito longe. E aí daqueles que duvidarem.

Avalanche Tricolor: frio e calculista

 

Grêmio 1 x 0 Millionários
Sul-Americana – Olímpico Monumental

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A bola para entrar no gol foi ajeitada com a cabeça pelo meio campo Marco Antonio que precisou se agachar para garantir que o caminho dela seria o fundo do poço (como diria o locutor esportivo lá de casa). Fez um movimento que mais parecia cumprimentá-la respeitosamente. Na volta do intervalo, a fala do volante Fernando deixava claro o objetivo tricolor na partida da noite de terça-feira pela Copa Sul-Americana. Com o regulamento embaixo do braço (como dizem outros locutores esportivos que não têm o mesmo cuidado com a originalidade), o Grêmio cadenciou o toque de bola, não deixou de tentar o segundo gol, mas cuidou-se muito mais para não levar um do adversário, até porque, como dizem erroneamente, este valeria dois. O comentarista do Canal Fox Mário Sérgio, campeão Mundial e da Libertadores pelo Grêmio, insistiu, durante todo o segundo tempo, que o placar estava de bom tamanho e o desastre seria o Millionários marcar; e, apesar de alguns pequenos sustos, foram raras as oportunidades de isto acontecer. Aliás, deixemos registrado, que bela partida fez o zagueiro Naldo, tomando a frente em todas as jogadas – qualidade que, a propósito, foi ressaltada antes de começar o jogo pelo próprio Mário Sérgio. Com tantos cuidados em campo e ressalvas fora dele, e depois de sequência de empates no Brasileiro, convenhamos, o 1 a 0 até pareceu goleada. Para este que lhe escreve, que sempre entendeu que em casa é que matamos o jogo e ganhamos a classificação, resta avaliar que o time ontem foi “frio e calculista”. Frio e calculista de mais para o meu gosto.

Avalanche Tricolor: está na hora de decidir o que queremos

 

Bahia 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Salvador (BA)

 

As eleições fatiaram a rodada do Campeonato Brasileiro, anteciparam jogos para quinta-feira, empurraram outro para semana que vem, enfiaram alguns no sábado à tarde e deixaram os demais para o início desta noite – o do Grêmio foi um destes. Nesse domingo, dia sempre dedicado ao futebol, teremos o segundo turno das eleições em 50 cidades brasileiras, dentre as quais São Paulo, momento em que decidiremos quem será o prefeito da nossa cidade nos próximos quatro anos. Será a hora de fazermos nossas escolhas. Em alguns municípios, o cidadão pode manter o mesmo governante dando-lhe o prazer da reeleição, escolher um novo nome entre os candidatos que se capacitaram para disputar esta etapa ou mesmo levar de volta para a administração alguém que já tenha exercido a função. Levando em consideração os resultados do primeiro turno quando a abstenção passou dos 16%, é de se prever, nesse domingo, um grande número de não-eleitores, gente que prefere ficar em casa. Assim como também muitos eleitores devem optar por votar em branco ou anular. É comum disto acontecer no segundo turno pois parcela do eleitorado não simpatiza com nenhum dos candidatos. Ou sai da campanha sem ser convencido por nenhum deles.

 

Dou preferência às eleições nesta Avalanche porque de futebol tenho pouco a escrever. O desempenho do Grêmio, tanto quanto de seu adversário, no estádio do Pituaçu, em Salvador, se equiparou ao nível daquelas disputas eleitorais nas quais os candidatos se esforçaram muito mais em destruir o concorrente do que revelar seus talentos e potencial. A quantidade de erros cometidos e lances desperdiçados fez com que poucos se safassem nesta campanha (refiro-me agora ao futebol, lógico). De todos que estiveram em campo talvez apenas Marcelo Grohe levasse meu voto.

 

Agora é a hora de decidir se queremos sair desta disputa como vencedores, lutando até o fim, acreditando sempre, suando e sangrando se necessário, dando orgulho a seus torcedores ou se aceitamos o papel de coadjuvantes. E, entenda, não estou aqui a pedir o título (que está cada vez mais distante). Falo do espírito de conquistador que sempre prezamos em nossa história. Apesar do desânimo que o quarto empate seguido nos sugere, estou sempre disposto a rever minhas posições e a acreditar na força de recuperação desta agremiação. Por isso e pela campanha feita na maior parte deste campeonato que nos deixa na privilegiada zona da Libertadores desde o primeiro turno é que deposito meu voto de confiança nestes que aí estão a nos representar em campo. Que não nos decepcionem.

Avalanche Tricolor: um jogo cheio de supresas

 

Grêmio 2 x 1 Barcelona
Sul-Americana – Olímpico Monumental

 

Desculpe-me pelas poucas palavras, caro e raro leitor desta Avalanche, mas pouco tenho a dizer porque pouco assisti da vitória de ontem, tarde da noite, em Porto Alegre. Uma inflamação na garganta – minha ferramenta de trabalho – somada a uma série de outros fatores – dor de cabeça, primeira semana de horário de verão e obrigação de acordar às quatro da matina – conspiraram contra meu desejo de vibrar com mais uma virada gremista. Confesso, porém, que fui surpreendido, não imaginava que teríamos tantas emoções nesta partida de volta depois daquela importante vitória na casa do adversário. Pensei que passaríamos com mais tranquilidade. Parece que não aprendo, nossa vida nunca é tranquila. Quem mandou gostar tanto de viver estas emoções? Seja como for, conto com os seus comentários para entender um pouco mais o que nos levou a este resultado. E deixo as imagens dos gols para comemorarmos juntos a classificação às quartas-de-final, especialmente com a cobrança de falta de Zé Roberto, o Imortal Zé (a propósito: o diretor de TV da FoxSport também foi surpreendido, mas com a cobrança de falta)