Avalanche Tricolor: Na física e no esporte tem de ter esforço e inteligência

 

Pelotas 1 x 0 Grêmio
Gaúcho – Pelotas (RS)

 

 

Fui um aluno mediano, pouco disposto a afundar os olhos nos cadernos escolares e lamento não ter aproveitado melhor o que os professores teimavam em me ensinar na sala de aula, na época do Rosário, escola católica, muito bem estruturada e na qual passei ótimos momentos da minha adolescência, boa parte deles nas quadras de esporte e na praça ao lado, onde os amigos se encontravam sobre as coisas que mais interessavam na nossa vida – futebol, basquete, baladas e namoradas, não necessariamente nesta ordem. Apesar de tudo e devido a tudo, tenho boas lembranças daquela época e tenho certeza de que alguns professores, também. Era melhor nas matérias de humanas do que de exatas (o que já sinalizava um caminho para a comunicação), por isso foi um enorme desafio sentar a mesa com meu filho mais velho, o Gregório, que pediu ajuda para a prova de física, neste domingo à tarde. Tive dificuldade para entender algumas fórmulas, mesmo prestando atenção no enunciado dos exercícios. Mas conversamos bastante, conferimos com os resultados oficiais e, após algum esforço, ouvi dele que estava pronto – disse, na verdade, “quase pronto”, pois sempre foi muito exigente com seu desempenho e talvez tenha sido isso que o levou a receber honra ao mérito em todos os anos até aqui. Isto e, lógico, sua capacidade intelectual.

 

Ao terminar os estudos, liguei a televisão e a partida já havia se iniciado. Logo percebi que à tarde não seria das melhores, pois antes de nossos méritos aparecerem, o adversário tinha se aproveitado de nossas carências. Houve algumas tentativas, muita bola jogada para dentro da área e uma quantidade enorme de escanteios, a maioria concluída com um cabeceio sem sentido. Estava evidente que a fórmula usada para chegar ao gol não era a correta, haja vista os poucos momentos em que, realmente, as chances de empate foram claras. No fim da partida ainda ouvi Léo Gago reclamar da falta de esforço do time e estaria totalmente certo se completasse a fala chamando atenção para a ausência de criatividade. Para que se tenha a melhor avaliação possível e o resultado seja alcançado é preciso equilibrar raça e inteligência, suor e talento, esforço e criatividade. O bom de toda esta história é que o desempenho final não depende de apenas uma prova, mas do conjunto da obra. Espero que o Professor tenha habilidade para cuidar disso.

Avalanche Tricolor: dá para ter bons sonhos

 

Grêmio 4 x 0 Avenida
Gaúcho – Olímpico Monumental

 

 

Abrir a Avalanche chorando minhas pitangas não é o ideal após uma noite em que o Grêmio confirma a classificação a fase final da Taça Farroupilha, com bom desempenho em campo e vantagem sobre os demais adversários, além de ser o ÚNICO time com 100% de aproveitamento neste segundo turno. Mas você, caro e raro leitor deste blog, sabe bem do meu drama matinal, pois antes mesmo do sabiá cantar já estou em pé, na mesa do café, lendo meu jornal e me preparando para mais uma jornada. Portanto, dormir cedo é quase obrigação e, confesso, poucas coisas conseguem mudar este meu compromisso com a cama e o sono. O Grêmio é uma delas, mesmo quando o jogo tem pouca importância – se é que possível falar isso de uma partida em que o meu time do coração esteja em campo. Por isso, mesmo depois de um dia tão cheio de tarefas profissionais e familiares, me dispus a esticar à noite e acompanhar o Imortal Tricolor em mais um desafio pelo sempre disputado – com facas, dentes e travas da chuteira – Campeonato Gaúcho. Sabia bem o esforço que seria encarar a sexta-feira diante desta situação. E não é que em um minuto de jogo, nossa equipe já dava sinais de que eu poderia dormir tranquilo com um golaço de Marcelo Moreno? Aliás, não havia transcorrido os primeiros 15 minutos e o placar marcava 2 a 0, graças a mais um gol de Moreno, desta vez de pênalti cavado por Bertoglio. O curioso é que o time estava tão solto em campo, trocando passes, se movimentando bem, chutando a gol e sem muitos riscos que acabei ficando até o final diante da televisão. Até porque você sabe que meu time gosta de provocar muitas emoções, mesmo quando tira vantagem logo cedo. No fim fui premiado com uma boa partida e também vi os gols de Léo Gago e Bertoglio (aliás, companheiro ideal para Moreno). E fui dormir com a certeza de que posso sonhar com bons desempenhos na temporada. Boa noite !

Avalanche Tricolor: Os guris são gremistas, assim como Fernando

 

Cruzeiro 1 x 2 Grêmio
Gaúcho – Novo Hamburgo (RS)


 

Falei nesta Avalanche muitas vezes sobre o desafio de criar em seus filhos a mesma paixão que você tem pelo time de coração, principalmente quando eles nascem tão distante. Aqui em São Paulo, todo o corintiano torce para que não coloque no mundo um palmeirense, enquanto são-paulinos perdem os cabelos em pensar que o menino pode se transformar em corintiano – e vice-versa. De onde vim, o risco é ainda maior, imagine o garoto ou a garota ser um vira casaca, terá seu nome riscado da partilha. Apesar de não cultivarem a mesma admiração que tenho pelo futebol – descobriram coisas mais interessantes para se divertir – e serem paulistanos de certidão, não tenho dúvida de que meus guris são gremistas (e não só pelo fato deles terem boas notas na escola), desde que choraram abraçados comigo nos minutos finais da Batalha dos Aflitos, em 2005. De qualquer forma, é sempre bom receber alguns sinais como neste domingo em que, por compromissos pessoais e companhias legais, fiquei sem condições de assistir a parte do jogo contra o Cruzeiro. No momento em que compartilhava um paella com amigos, o Grêmio entrava em campo para mais um compromisso pelo Campeonato Gaúcho, e seria muito antipático consultar o resultado da partida a todo momento na tela do celular – gosto muito pouco dessas pessoas que são incapazes de conversar com você sem estar com um olho no telefone, parece que dali virá coisa mais importante que a sua companhia.

 

Com o sabor catalão ainda nos lábios e a garganta regada por um vinho maravilhoso deixei o apartamento dos amigos quando a partida ainda estava no primeiro tempo, e como sempre faço liguei para casa para saber como estavam os meninos, se precisavam de alguma coisa e avisar que deveria chegar em meia hora ou um pouco mais. Foi quando tive a surpresa de saber que o mais moço, Lorenzo, craque do League of Legends e fanático por Call of Duty: Moder Warfare III – jogos eletrônicos que rodam no computador e no XBox, respectivamente – estava de olho no PPV assistindo à partida do Grêmio. Claro que assistia de um jeito que só esta garotada é capaz, com os dedos no teclado, fone no ouvido, movimentação intensa na tela do PC e, mesmo assim, ciente de tudo que acontecia em campo. “Pai, o Grêmio está vencendo por 1 a 0”, disse ele em uma frase de significado enorme para mim; não pelo resultado em si, mas pela demonstração de que o Grêmio, sim, faz parte do cotidiano deles. Se estava ansioso para ver mais um desempenho do tricolor, naquele momento suspirei aliviado: não só havia recebido mais um sinal de quanto eles gostam do meu time (do nosso time), como, também, sabia que o Grêmio estaria em boa companhia até a minha chegada.

 

Tive tempo de ver todo o segundo tempo, me irritar com a falta de finalização do ataque e os vacilos da defesa, lamentar o gol adversário, agradecer pela marcação correta do pênalti, me indignar com o comportamento da Brigada Militar e vibrar com a vitória aos 53 minutos. Ainda consegui ver a reprodução da bela cobrança de falta de Fernando, este gremista de nascença. Todos esses momentos curti e sofri  sentado no sofá ao lado dos meninos que, defintivamente, aprenderam a ser gremista.

Avalanche Tricolor: De virada, de novo e sempre

 

Grêmio 3 x 1 River Plate
Copa do Brasil – Olímpico Monumental

 

Marcelo Moreno comemora o primeiro gol (Gremio.net)

 

Tropeçou na bola, embolou as pernas, mas não desistiu. Marcelo Moreno fez o primeiro “empurrando” o adversário para dentro do gol. E foi assim em toda a partida, com o Grêmio promovendo uma sequência de jogadas de ataque e troca de passes que se chocavam diante de um paredão. A goleira deles parecia ter uma barreira invisível tanto que a bola insistia em não entrar, mas não era uma barreira impossível, tanto que conseguimos marcar mais duas vezes: em forte cabeçada de um zagueiro, Werley, e em um potente chute de um volante, Léo Gago. E não adianta reclamar de falta de criatividade ou erros que impressionaram, afinal já sabíamos que a caminhada até a Libertadores nos exigiria sacrifícios. Os inimigos estarão sempre disputando Copa do Mundo, enquanto nós … pensando bem, também. Afinal precisamos deste título. E tropeçaremos, escorregaremos e pisaremos na bola quantas vezes forem necessárias, mas saíremos vencedores como na estreia, de virada, e nos acréscimos, contra o River Plate; e como na noite desta quarta, de virada, de novo, contra o River do Sergipe. Que venha a próxima seleção.

Avalanche Tricolor: Sai da frente que lá vem o Grêmio

 

Veranópolis 1 x 4 Grêmio
Gaúcho – Veranópois (RS)

 

Time comemora com Gilberto Silva primeira gol da goleada (Gremio.net)

 

O adversário era líder na chave, segunda melhor campanha de todo campeonato, invicto jogando em casa e se transformou em nada diante do poder de ataque gremista. Ataque que passa pela cabeçada de um zagueiro, o pé direito de um ala e o chute de fora da área de um volante – de onde saíram três dos quatros gols desta tarde de domingo. Nossos atacantes não deixam por menos e fragilizam os defensores com uma sequência de jogadas fulminantes, acompanhados da chegada de jogadores do meio de campo, especialmente quando Bertoglio entra (a propósito, porque ele ainda precisa entrar no segundo tempo e não é escalado desde o início?). Para o conjunto ficar completo, lembro da melhora incrível de nosso goleiro que se reafirma e oferece segurança a toda a equipe, com ótima colocação e defesas corajosas.

 

Há quem entenda que o futebol que apresentamos esteja ligado a presença do novo técnico. Sem tirar-lhe o mérito, acredito muito mais na evolução natural de um time que havia sido desconstruído, precisava de tempo para se ajeitar, fazer com que seus jogadores passassem a encontrar seu espaço em campo, ganhassem personalidade e, claro, retomassem a forma física. Resultado deste conjunto: em março, marcamos 14 gols em quatro partidas.

 

Ainda faltam algumas peças, mas começamos a entrar nos trilhos. E aí de quem estiver no nosso caminho.

Avalanche Tricolor: Guerreiro, gladiador, craque e goleador

 

Grêmio 5 x 0 Novo Hamburgo
Gaúcho – Olímpico Monumental

 


 

Um guerreiro não desiste nunca, ao menos é o que dizia a publicidade, e no caso de André Lima não deixa de ser uma realidade. O atacante já esteve fora do Grêmio por duas vezes, voltou e, mesmo com um futebol questionável, entra no time quase sempre. Neste domingo marcou o primeiro gol e mesmo quando não o faz sempre se esforça para mostrar a torcida que tem alguma relação de amor com o clube. É entusiasmante o quanto ele guerreia contra suas próprias limitações.

 

Em campo, poucos jogadores apanham tanto como Kleber, e parece que todos estão sempre a espera de uma reação violenta por parte dele. Quem sabe para dizerem: viu, só podia ser o Kleber, este cara não presta, não tem cabeça. Desde que está no Grêmio, incorporou nosso estilo e espírito, brigou apenas pela bola e já é nosso goleador. Do Gauchão, também. Os dois primeiros que marcamos passaram pelo pé dele, no estilo Gladiador. Aos trancos e barrancos manteve-se com a bola e entregou a Gabriel antes desta chegar a André Lima, no primeiro. E assim também a manteve mesmo com o assédio do zagueiro antes de empurrá-la para dentro do gol, no segundo.

 

Facundo Bertoglio é genial. Driblou, recebeu falta e marcamos um. Ludibriou a defesa inteira, disparou, recebeu, passou e fizemos outro. Ignorou os marcadores, limpou a jogada, chutou e marcou mais outro. Ao fim da partida, após ouvir seu nome gritado pelos torcedores, confessou: “vai ser difícil dormir nesta noite”. Pelo jeito, o menino ainda vai jogar muita bola daqui pra frente, portanto seria legal se os locutores, repórteres e comentaristas ao menos aprendessem a dizer o nome dele corretamente: Bertolio (sem o som do “g”), por ser italiano, é a pronúncia certa. Quanto a mim e a torcida gremista não haverá problema algum, vamos chamá-lo apenas de craque.

 

De craque, de guerreiros, de gladiadores e de goleadores começamos a construir nossa história nesta temporada. Que sejam bem-vindos.

Avalanche Tricolor: Facundo Bertoglio, surpreendente

 

River Plate 2 x 3 Grêmio

 

Copa do Brasil – Aracaju (SE)

Vitória gremista em Aracaju

 

Desde cedo ouço comentários jocosos sobre a virada gremista na partida de estreia da Copa do Brasil. Uma extensão das brincadeiras que vem sendo feitas desde que a tabela da competição mais “democrática” do futebol brasileiro foi divulgada, pois este time acostumado a Libertadores, por ter seu sonho frustrado ano passado, ironicamente abriria a competição contra o homônimo do River Plate argentino. Hoje, ao chegar na rádio houve quem zombasse da nossa conquista já depois da hora, pois fomos surpreendidos com um 2 a 0 que não estava no cardápio e precisamos nos redobrar em campo para chegar ao 3 a 2 com dois gols nos minutos finais. Em uma quarta-feira na qual o futebol foi agraciado com espetáculos proporcionados por Messi e Neymar – contra quem mesmo? -, as dificuldades que tivemos no Sergipe não são de causar orgulho, mas foram importantes, pois demonstraram uma capacidade de superação que pode nos render frutos – ou títulos, em 2012.

 

Às piadas destes amigos, alguns da crônica esportiva, respondo com uma pergunta, quase um alerta: “Você já ouviu falar de Facundo Bertoglio?”. Nenhum daqueles com quem conversei soube me dizer quem era, em uma demonstração clara de que teremos muito a surpreender nossos adversários com este argentino de 21 anos em campo. O que ele havia feito na sua partida de estreia, no Campeonato Gaúcho, ganhou maior dimensão na noite de ontem, pois seu comportamento transformou o time do Grêmio e nos permitiu os dois gols finais. O drible no fundo do campo pelo lado esquerdo com um cruzamento inesperado de pé direito, revelou habilidade e inteligência. O chute forte no rebote dentro da área, oportunismo. Enquanto eles se divertem com bobagens, prevejo muitas alegrias com este craque da camisa 7, que não pesa, apenas reforça sua imagem e estilo de jogo.

Avalanche Tricolor: Surge uma luz no meio de campo

 

Cerâmica 1 x 2 Grêmio 

 

Gaúcho – Gravataí (RS)

Marco Antonio e Marquinhos comemoram segundo gol (Gremio.net)

 

Fiquei sem luz em casa no início da tarde de domingo, um corte não explicado pela concessionária, que durou poucas horas, mas foi suficiente para me deixar sem telefone, internet e televisão – o portão automático também não funcionava. Incrível como boa parte dos nossos equipamentos ainda depende de energia elétrica, não bastasse a quantidade de fios que somos obrigados a usar para ligá-los e interligá-los. O celular e o Ipad, com o que restava de sua bateria, eram minha conexão limitada, e foi com o primeiro que soube que o fornecimento poderia voltar até às sete da noite. Lá se foi meu jogo do Grêmio, logo pensei. Com o Ipad, tentei assistir a um dos canais “alternativos” na rede, mas por não rodar vídeos em flash, fiquei a ver navios, ou melhor, nem os navios eu podia ver. Mas consegui saber pelo Twitter que o Grêmio havia aberto o placar aos 13 minutos em pênalti cobrado por Kleber – pênalti bem marcado pelo árbitro, diziam os gremistas; mal marcado, retuítavam os colorados (a propósito: o que faziam diante da TV?).

 

Bem antes do previsto, a luz voltou, os equipamentos todos ligaram, bips soaram, o som voltou a tocar, a televisão e o computador deram sinal de vida e a impressora saiu a riscar papel para mostrar que funcionava. Imediatamente, sintonizei-me na partida a espera de uma grande apresentação no acanhado e lotado estádio Antônio Vieira Ramos, em Gravataí, cidade da região metropolitana de Porto Alegre, mais uma no circuito do Campeonato Gaúcho. A energia elétrica poderia ter voltado mais tarde, teria perdido muito pouco, pois as duas coisas mais interessantes aconteceram mesmo no segundo tempo do jogo. Uma delas a belíssima jogada que resultou no segundo gol que se iniciou com a roubada de bola de Kléber – o Batalhador – que estava ajudando na marcação, e o passe para Marquinhos que fez lançamento precioso para Marcelo Moreno, quase dentro da área. Na sequência, a bola é cruzada e quem aparece no meio da área, como se fosse centro-avante, é o ala Gabriel, em uma troca de posição interessante. O gol foi de Marco Antonio que recebeu a bola ao surgir no lado esquerdo e em condições legais. A mecânica do gol é de dar esperança a qualquer torcedor.

 

Por falar em esperança, a outra coisa boa que aconteceu em campo foi a entrada de Facundo Bertoglio que demonstrou autoridade com bons passes e drible produtivo, mesmo sem ter entrosamento. Havia lido semana passada que a diretoria pedia ajuda do elenco para evitar o efeito Escudero, que ficou isolado e teve dificuldade para se adaptar ao clube. Não me pareceu tímido o argentino de 21 anos que entrou em campo com a histórica camisa 7 e muita personalidade. Jogou pouco tempo, pois entrou quando faltavam apenas 15 minutos, mas a persistirem os sintomas, permanecerá titular e se transformará em um diferencial na temporada de 2012.

Avalanche Tricolor: Criatividade em lugar de clichê

 

Caxias 1 (5) x 1 (4) Grêmio
Gaúcho – Centenário, Caxias (RS)

 

 

O futebol, ao contrário do que costumam dizer por aí, não é uma caixinha de surpresa. Este é apenas mais um lugar-comum dos muitos que invadem os campos e o noticiário. Ainda hoje cedo ao abrir o jornal, li outras dessas frases ditas à exaustão que acabam perdendo o efeito: o Grêmio vai resgatar sua identidade, será um time forte e raçudo, disse Vanderlei Luxemburgo cumprindo o ritual de chegada. Você, caro e raro leitor deste blog, já deve ter percebido minha má vontade com o treinador, não a nego, e esta interferiu, com certeza, na primeira impressão que tive ao ler a nota de rodapé do Estadão. Exceção à diretoria que não teve coragem de manter Caio Junior, não me parece que faltava valentia ao time gremista neste início de temporada. Aliás, houve de sobra no Gre-Nal do meio da semana, na vitória sobre o colorado por 2 a 1. Revelou-se a cada esforço, passe ou chute de nossos jogadores, e na forma como Roger, interinamente, comandou a equipe no vestiário e ao lado do gramado, quando não precisou espernear ou sacudir os braços para demonstrar sua relação com o tricolor. Ao Grêmio eram necessários reforços e tempo para reestruturar o time do desmonte que enfrentou do ano passado para cá. Não deram isto Caio.

 

Do discurso de Luxemburgo não espero mesmo muita coisa, usa palavreado complicado para dizer mais do mesmo, mas pelo que cobra tem de oferecer mais, a começar pela criatividade para resolver as carências que temos, neste momento. Hoje, não foi além do lugar-comum ao escalar e comandar o Grêmio na partida válida pelas quartas-de-final da Taça Piratini, apelido do primeiro turno do Campeonato Gaúcho. A propósito, o Grêmio voltou a tomar gol de cabeça e perder decisão nos penâltis. E isto já está se transformando um clichê.

 

Que o Luxemburgo acrescente qualidade ao time, na formação e na estratégia. Quanto a coragem, fique tranquilo, está no nosso DNA.

Avalanche Tricolor: Eles passarão

 

Inter 1 x 2 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio

 

 

Foi uma quarta-feira curiosa esta de Cinza, pois acordei com a notícia da confirmação de que Vanderlei Luxemburgo seria o técnico do Grêmio e os que tiveram oportunidade de ler minha última Avalanche sabem de que discordo da avaliação feita pelos diretores, que não tiveram convicção, coerência e, o mais grave, coragem ao demitir Caio Júnior. A escolha de seu substituto apenas confirmou o que penso, pois seguiram o caminho mais fácil, olhando apenas o passado de Luxemburgo em lugar de avaliarem suas atitudes e histórias nem sempre bem explicadas e o seu retrospecto nos últimos anos pouco recomendáveis. Incrível foi a sequência de mensagens que recebi durante o dia demonstrando total desconfiança em relação a possibilidade de Luxemburgo ter sucesso no comando do Grêmio. A maior parte das pessoas apostando em vida curta e catastrófica, em Porto Alegre. Confesso que me incomodou demais esta contratação, e pensei muito sobre as contradições entre torcer pelo Grêmio e ter que contar com o sucesso de Luxemburgo.

 

No fim da tarde, alheio a polêmica e conversa de torcedores, um dos meus filhos, o Gregório, porém, me surpreendeu e com um só gesto mudou meu espírito. Antes de sairmos para passear, foi ao guarda-roupa tirou uma camisa azul, comprada durante o Carnaval em Porto Alegre, que leva no peito o distintivo do tricolor e o lema “Grêmio Manda”. Fomos para o shopping, assistimos ao filme “Reis e ratos”, com Selton Mello, fizemos um lanche, visitamos a livraria e o supermercado e a todos os momentos eu ficava observando o passeio dele com a camisa gremista. Não importava o que poderia acontecer com o seu time logo à noite ou durante a gestão Luxemburgo, tinha orgulho em vesti-la e tinha certeza da atitude que havia tomado.

 

Ele tinha razão. O Grêmio é muito mais importante do que qualquer um dos seus dirigentes, vai além da história de seus técnicos e do que possam aprontar no comando da equipe. É com este espírito que encaro este momento, a começar por esta noite, em que escrevo a Avalanche antes mesmo do fim da partida (estamos no intervalo agora). Aconteça o que acontecer, sempre serei gremista, por que eles passarão.

 

Em tempo: a vitória no Gre-Nal é mais um motivo para agradecer ao meu filho que mudou com minha disposição, nesta quarta-feira de Cinzas. Dá-lhe, Grêmio, sempre, Grêmio.