No Conte Sua História de São Paulo, as muitas lembranças da ouvinte-internauta Lêda Vianna, nascida na capital, no ano do 4o centenário da cidade, 1954:
Ouça aqui o Conte Sua História de São Paulo de Lêda Vianna, sonorizado pelo Cláudio Antônio
Nasci na Maternidade Matarazzo, ou Umberto Primo, no Bixiga, que não existe mais. Os prédios ainda estão lá, são lindos. A arquitetura, quartos amplos, tudo lindo. Pena que, como tantas coisas lindas da minha cidade, foi deixado de lado. Dizem que vai ser mais um shopping center, ou mais um sei-lá-o-quê. Até hoje não foi dado um destino decente àquele lugar, símbolo de uma época, de uma cidade mais tranquila e confortável, da amplidão dos espaços.
Morávamos na então Rua Iguatemi, a original, onde hoje é a av. Faria Lima – “aquela” rua também não existe mais, e hoje passa por mais uma reestruturação e alteração da paisagem. Pelo que me lembro, rua estreita, casinhas geminadas, gostosas, com quintal pequeno, jardim. Nos fundos da casa, muro com o Clube Pinheiros, de onde já nasci sócia. No meio da tarde minha mãe passava nosso lanche, recém preparado, por cima do muro, onde era o parquinho. Do outro lado da rua, em frente de casa, a Oficina Mecânica do Kirita. A família toda da minha mãe levava o carro pra consertar lá.
Vizinho ao Clube Pinheiros uma grande mata, parte da Mata Atlântica, segundo me disseram. Linda, árvores grandes, muito bonitas. Anos depois ali foi construído o Shopping Center Iguatemi, o 1º centro de compras do país, um novo conceito, uma pequena revolução nos nossos costumes. Foi o começo do abandono das lojas de rua. Com a construção do Shopping quase todas as árvores foram retiradas, mas sobraram várias ainda – na frente do Shopping um estacionamento igual ao que ainda existe nos fundos, com 4 ou 5 ruas de estacionamento, com muitas árvores e sombras. Mas isso foi bem depois.
Em 1957, 1958 talvez, mudamos para Santo Amaro, um bairro com ar do campo, cara de cidade do interior – na Chácara Flora ou Chácara Santo Antônio, não sei. Rua Água Vermelha, esquina com Vitorino de Morais. Rua de terra, água de poço, sem luz na rua. Casas só de um lado da rua, do outro, mato. Ou mata. E barulho de passarinhos, grilos à noite. Outro mundo.
Tinha ainda um sub-prefeito, resquícios de quando aquela área era outro município. Nas placas estava escrito “Av. Santo Amaro – Subprefeitura de Santo amaro”. Nossa rua era travessa da av. Santo Amaro, um pouco depois de onde viria a ter a escultura do Borba Gato. Mas isso foi depois.
Também por ter sido outro município existem lá muitas ruas importantes com o mesmo nome de ruas da “cidade de São Paulo”.
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