Conte Sua História de SP: Os passeios no cinema

 

No Conte Sua História de São Paulo, Arnaldo Leff, nascido na capital paulista em 1940. Filho de poloneses foi criado no bairro do Bom Retiro, no centro de São Paulo. Seu Arnaldo lembra que o cinema era o único meio de diversão na São Paulo dos anos 1950:

 

Ouça o depoimento de Arnaldo Leff sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Este depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa

Conte Sua História de SP: Aquela rua também não existe mais

 

No Conte Sua História de São Paulo, as muitas lembranças da ouvinte-internauta Lêda Vianna, nascida na capital, no ano do 4o centenário da cidade, 1954:

 


Ouça aqui o Conte Sua História de São Paulo de Lêda Vianna, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

Nasci na Maternidade Matarazzo, ou Umberto Primo, no Bixiga, que não existe mais. Os prédios ainda estão lá, são lindos. A arquitetura, quartos amplos, tudo lindo. Pena que, como tantas coisas lindas da minha cidade, foi deixado de lado. Dizem que vai ser mais um shopping center, ou mais um sei-lá-o-quê. Até hoje não foi dado um destino decente àquele lugar, símbolo de uma época, de uma cidade mais tranquila e confortável, da amplidão dos espaços.

 

Morávamos na então Rua Iguatemi, a original, onde hoje é a av. Faria Lima – “aquela” rua também não existe mais, e hoje passa por mais uma reestruturação e alteração da paisagem. Pelo que me lembro,  rua estreita, casinhas geminadas, gostosas, com quintal pequeno, jardim. Nos fundos da casa, muro com o Clube Pinheiros, de onde já nasci sócia. No meio da tarde minha mãe passava nosso lanche, recém preparado, por cima do muro, onde era o parquinho. Do outro lado da rua, em frente de casa, a Oficina Mecânica do Kirita. A família toda da minha mãe levava o carro pra consertar lá.

 

Vizinho ao Clube Pinheiros uma grande mata, parte da Mata Atlântica, segundo me disseram. Linda, árvores grandes, muito bonitas. Anos depois ali foi construído o Shopping Center Iguatemi, o 1º centro de compras do país, um novo conceito, uma pequena revolução nos nossos costumes. Foi o começo do abandono das lojas de rua. Com a construção do Shopping quase todas as árvores foram retiradas, mas sobraram várias ainda – na frente do Shopping um estacionamento igual ao que ainda existe nos fundos, com 4 ou 5 ruas de estacionamento, com muitas árvores e sombras. Mas isso foi bem depois.

 

Em 1957, 1958 talvez, mudamos para Santo Amaro, um bairro com ar do campo, cara de cidade do interior – na Chácara Flora ou Chácara Santo Antônio, não sei.  Rua Água Vermelha, esquina com Vitorino de Morais. Rua de terra, água de poço, sem luz na rua. Casas só de um lado da rua, do outro, mato. Ou mata. E barulho de passarinhos, grilos à noite. Outro mundo.

 

 
Tinha ainda um sub-prefeito, resquícios de quando aquela área era outro município. Nas placas estava escrito “Av. Santo Amaro – Subprefeitura de Santo amaro”.  Nossa rua era travessa da av. Santo Amaro, um pouco depois de onde viria a ter a escultura do Borba Gato. Mas isso foi depois.

 

Também por ter sido outro município existem lá muitas ruas importantes com o mesmo nome de ruas da “cidade de São Paulo”.

 

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Conte Sua História: A noite em que a Mooca entrou na guerra

 

Filha de um imigrante espanhol e uma imigrante italiana, Maria Meneses nasceu em 1939, em um cortiço da Mooca, na rua Tamarataca. Lá moravam nove famílias e no quintal do cortiço se uniam turcos, iugoslavos, russos, romenos, espanhóis, portugueses e italianos. No texto publicado no livro Conte Sua História de São Paulo (editora Globo), ela escreve sobre um fato curioso ocorrido no bairro na época da Segunda Guerra Mundial:

 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo escrito por Maria Meneses e sonorizado pelo Cláudio Antônio.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às dez e meia da manhã. Você pode participar do programa escrevendo seu texto para milton@cbn.com.br ou marcando uma entrevista, em aúdio e vídeo, no Museu da Pessoa.

História para contar: o médium de Pelotas

 

Uma vez um tio meu faleceu, e estava sendo velado na sala lá de casa. Eu estava na cozinha. Daí a pouco chamei a mãe e disse: “O tio não tá morto”. “Como não tá morto?” “Ele passou aqui agora, tava brincando. Inclusive, olha lá onde ele tá, ele tá na volta do caixão, olha ele lá.” Ela: “Tu tá enxergando?!” E eu: “Tô enxergando!”

 

Não era a raça, porém, que mais causava transtornos para Neives. Mesmo porque, Pelotas é uma das cidades com maior concentração de negros do Brasil, muitos dos quais nasceram de famílias de escravos levadas para a região no período das charqueadas. Ele sofria mesmo devido a uma capacidade que percebeu quando ainda era menino: a de falar com os espíritos. O mínimo que diziam dele é que estava com o diabo no corpo.

 

O primeiro trecho é escrito e contado por Mestre Baptista e o segundo de crônica que escrevi com base na história dele. Os textos na íntegra estarão no livro Todo mundo tem uma história pra contar, do qual você pode ser autor e ganhar exemplares por meio do Concurso Cultural Você Escritor – Saiba como participar, visitando o Blog da Olhares, de onde copiei post acima. O projeto é uma parceria com o Museu da Pessoa, que também está ao nosso lado no programa Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de SP: Nem o gato é mais o mesmo

 

Um dia no tradicional colégio Caetano de Campos, no ano de 1968, é o ponto de partida de mais um capítulo do Conte Sua História de São Paulo, enviado pela ouvinte-internauta Suzana de Mello. Ela era uma menina de visão romântica a assistir ao enfrentamento das tropas militares com jovens revolucionários. E a partir deste olhar, percebe o quando São Paulo mudou e muitos dos protagonistas daquela história, também:

 

Ouça o texto “Nem o gato é mais o mesmo”, de Suzana de Mello, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

Este texto foi publicado no livro Conte Sua História de São Paulo (Editora Globo). Você também pode contar outras capítulos da nossa cidade, enviando um texto para milton@cbn.com.br ou marcando uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa. O Conte Sua História vai ao ar, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no programa CBN SP.

Conte Sua História de SP: Os bailinhos santos de Santana

 

Uma única sala – a Hollywood -, o preço do ingresso e a exigência do uso de terno e gravata afastaram seu Walter Macedo do cinema durante a infância dele em Santana, bairro na zona norte de São Paulo. Por isso, as diversões que marcaram suas lembranças foram o circo e os bailes de Carnaval, que ele define como “muito mais santos do que os de hoje”. Nascido em 1934, na capital, Walter é personagem do Conte Sua História de São Paulo:

 

Ouça aqui o depoimento de Walter Macedo, sonorizado pelo João do Amaral

 

O Conte Sua História de São Paulo é uma parceria com o Museu da Pessoa e vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN São Paulo. Se você quiser contar mais um capítulo da nossa cidade, marque uma entrevista, em áudio e vídeo, no Museu da Pessoa. Ou envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: O primeiro supermercado

 

Mineiro, nascido em 1930, Seu Antonio Perez começou a trabalhar cedo com o pai. Chegou em São Paulo quando estava com 21 anos e conheceu uma grande novidade da metrópole: o supermercado. Um capítulo que ele descreveu em depoimento gravado pelo Museu da Pessoa e se transformou em mais um Conte Sua História de São Paulo:

 

Ouça a história de Antonio Perez, sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. O programa é uma parceira com o Museu da Pessoa. Clique no link do Museu e saiba como agendar uma entrevista em áudio e vídeo. Se quiser, mande sua história por escrito para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: Dos tempos da rádio-patrulha

 

Nascido em 1933 na cidade de São Paulo, Domingos Sérgio Barone, morou na rua Fortunato, no bairro de Santa Cecília, região central. No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa e reproduzido no Conte Sua História de São Paulo, seu Domingos lembra dos tempos em que fugia da rádio-patrulha. Seu crime, quebrar as vidraças das casas vizinhas.

 

Ouça Domingos Barone, em gravação sonorizada pelo Cláudio Antônio e editada pela Juliana Paiva

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, dentro do programa CBN SP. É resultado de parceria da rádio com o Museu da Pessoa que coleta depoimentos a partir de gravações em áudio e vídeo. Para você contar mais um capítulo da história da nossa cidade, agende uma entrevista no site do Museu da Pessoa. Ou envie um texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: Alagoano na Água Fria

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto enviado pelo ouvinte-internauta José Carlos da Silva:

 

Ouça este texto que foi sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Como todos sabem sou Alagoano e vim a São Paulo, como milhares de migrantes nordestinos, em busca de uma vida melhor. Foi nessa grande metrópole que consegui vencer na vida, criar meus filhos e conheci minha atual esposa.

 

No inicio não foi nada fácil! Da Zona Sul a Zona Norte, batalhei e encontrei paulistanos maravilhosos e que me ajudaram, mas foi no bairro da Água Fria que minha vida deu uma guinada. Recebi ajuda de um delegado da região e hoje posso dizer que minha permanência em São Paulo se deve a esse homem extraordinário e também a zona norte que me proporcionou estabilidade.

 

São Paulo é a cidade de várias etnias que recebe todas as culturas e crenças. Lugar dos grandes encontros e de grandes negócios. Capital da gastronomia, de muitas faces, São Paulo não é apenas um mundo, mas vários mundos e parafraseando o cineasta Ugo Giorgetti, sua função é ligar o Brasil ao resto do planeta.

 

É aqui que encontramos o lar de tribos e nacionalidades variadas que descobrem o seu espaço e juntas convivem em harmonia. A sua grandiosidade inspira e renova cidadãos.

 

Agradeço por tudo que conquistei nessa cidade e reconheço sua importância. É por isso que quero trabalhar cada vez mais por ela, poder retribuir tudo o que São Paulo fez por mim e fazer por São Paulo tudo o que essa metrópole merece!

 

O Conte Sua Historia de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN São Paulo. Você pode participar enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou marcando entrevista em vídeo e áudio no Museu da Pessoa.

Conte Sua História: Dona Maria do Carmo, uma mulher de verdade

 

No Conte Sua História de São Paulo você acompanha o texto da ouvinte-internauta Meg Guida, no qual fala da Dona Maria do Carmo, a mãe dela que tinha uma enorme capacidade de começar de novo:

 


Ouça este texto que foi ao ar, sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

No bairro da Vila Romana, nos idos de 1970, muitas famílias ainda incorporavam expressões em italiano em frases do dia-a-dia. Eu me lembro que minha avó fumava sem culpa porque, na lavoura, quando emigrou da Sicília para cá, pitava para espantar os mosquitos.” Va via”, repetia a minha mãe quando eu ia roubar a massa do crostole estendido sobre a mesa, me repelindo da cozinha, imitando o que a nonna fazia com os mosquitos. Trabalhar pesado era tão natural quanto acordar todas as manhãs, comer e dormir. “Al lavoro”, como palavra de ordem, sempre foi um mantra para mim. E minha mãe, Maria do Carmo, a Carminha, como ninguém fez valer a prática da lida com suor e recompensa. O nosso verbo era começar.

 

Embora o dicionário descreva como a mesma coisa, recomeçar é diferente de começar de novo. Recomeçar, na minha conta, significa iniciar de onde você parou. E de onde você parou pode ser uma parada nada bacana. Você pode ter parado na mesmice, no ostracismo, na concordata e na falência de si mesmo, de suas ideias e perspectivas. No começar de novo, estão atitude e ação. Você sai do estado de paradeira. Olha o cenário da quilometragem que percorreu e se guia por esse espelho retrovisor para acelerar e chegar inteiro, cuidando para não fazer bobagens no meio do caminho. Quem apenas recomeça, sem entender porque parou ou foi parado, corre o risco de repetir o padrão do erro, inconscientemente. Aliás o prefixo “re” sugere mesmo algo a ser reparado, consertado, remendado para fazer o papel de que voltará a ser e ter o efeito de inteiro. Já viu se algum artista que se relança? Uma empresa que se relança? É a mesma coisa que falar do último lançamento de um cantor. Quer dizer que depois desse, não haverá outro?

 

Bem, mas voltemos ao começar de novo. Minha mãe, Maria do Carmo, a Maria, a Carminha batizada assim pelos amigos nos últimos 30 anos, comemorou os seus 80 no dia 25 deste mês, março. E viveu a vida começando de novo, usando um vigor que eu sei lá de onde ela tirava para cada fase, para cada projeto. Minha mãe olhava pelo retrovisor do passado apenas para estar segura de andar para a frente sem bater em ninguém nas ultrapassagens, nas curvas. E ela chegava com sucesso ao destino, sempre. Lembro que na minha infância eu convivia com muita gente em casa, mais de 15 pessoas no usual. E família de verdade éramos eu, minhas duas irmãs e meus pais. Vocês podem acreditar que ao se casar, minha mãe herdou a sogra viúva doente, velhinha, com mais seis pessoas, marido e filhos de uma cunhada recém-adquirida e falecida? E ainda acham que a Amélia era mulher de verdade….Durante anos eu vi minha mãe na ativa, mirando adiante e para o alto. Fazia tudo em casa, sem empregada, cozinhava para um batalhão e sem sal para a minha avó, cuidava de todas nós, acompanhava o dever de casa e ainda por cima costurava como ninguém. Tirava os modelos das revistas e nos vestia como princesas, sem repetir na criação. Até para os nossos cabelos ela inventava moda, colocando cerveja para fixar os cachos, os rabos de cavalo e coques no alto da cabeça. Não tinha tempo ruim pra dona Maria do Carmo. Desemprego do meu pai? Falta de grana? Com essa agenda absurda, ela ainda costurava para a vizinhança para sustentar a casa e os nossos sonhos. Começou de novo quando saímos do ninho, quando voltamos. Quando passamos apertos de alma e de bolso. Quando o marido pensou ir para o andar de cima, mas os amigos do além e o pai de todos o mandaram de volta. Hoje, aos 80 anos e alguma coisa, minha mãe começa de novo todo dia. Nasce nas manhãs irradiando alegria, louca para testar o prato novo que aprendeu na televisão, a roupa que customizou, contar do bazar que participará, da criança que vai vestir. Ela só esquece de começar de verdade – e aí, recomeça sempre- a briga com a balança. Mas é tão linda a figura que minha mãe mostra ao mundo, esculpida com os excessos que a sua culinária impecável insistiu em destacar!