Medo da Covid-19 e comunicação malfeita agravam transtornos na pandemia

 

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Foto Pixabay

 

Era cedo ainda. Estava escuro lá fora. A segunda nem havia começado direito e duas reportagens publicadas, em O Globo, já se destacavam na tela do meu celular. Dizem que somos mais suscetíveis aos temas que tocam nosso coração (neste caso, nossa mente). E talvez isso justifique meu olhar ainda marcado pelo sono e pela noite nem sempre bem dormida. Falavam de saúde mental e como estamos impactados nesta pandemia.

 

Os links para as duas reportagens estão na sequência deste post. Como o acesso é para assinantes, dada a importância do assunto, tomo a liberdade de reproduzir alguns trechos do trabalho das repórteres Evelin Azevedo e Gabriela Oliva.

 

Uma das reportagens dava nome e sobrenome para um transtorno que se agravou com o risco de contágio pelo coronavírus: ‘Fear of Going Out’ (‘Fogo’), associado a eventos estressantes fora de casa.

 

Entenda o que é Fogo, a síndrome do medo de sair às ruas, agora agravada pela pandemia.

 

Diz Daniel Mograbi, pós-doutor em psicologia e neurociências pelo Instituto de Psiquiatria do King’s College London:

“O medo de sair de casa é uma sequela da ansiedade, que está agravada durante a pandemia. Esse medo ocorre quando a pessoa tem algum evento estressante na rua, como um ataque de pânico. Agora, com a pandemia, a rua se tornou um espaço potencialmente perigoso. Ou seja, foi acrescentado aos medos existentes o novo medo, que é a infecção pela Covid-19”.

E qual caminho seguir? Mograbi responde:

“De uma forma geral, a pandemia fez explodirem os casos de ansiedade pelo medo de contágio e também pelas limitações relacionadas ao lazer. Por isso, se a pessoa está com um pânico, a recomendação é começar devagar. Em um quadro mais leve, exercícios de respiração e práticas contemplativas ajudam. Já em cenário mais grave, recorrente na rotina, aconselho acompanhamento médico — diz o psicólogo”.

A outra reportagem, que também está na versão impressa de O Globo, mostra como a falta de uma comunicação assertiva por parte das autoridades tem impacto na saúde mental das pessoas.

 

Incerteza sobre isolamento social traz impactos para a saúde mental

 

Leia o que diz Ronaldo Pilati, professor de Psicologia Social da UnB:

“Informações conflitantes podem gerar um estado de desamparo nas pessoas, fazendo com que não confiem mais nas notícias oficiais. Isso é algo que prejudica muito a orientação da população. Se existisse um processo mais ordenado de comunicação do governo, provavelmente as pessoas teriam mais segurança ao buscar informações para orientar seus próprios comportamentos e suas medidas de proteção. Essa descoordenação pode ter impacto no aumento eventual de ansiedade, principalmente por conta da incerteza em relação ao enfrentamento da doença no retorno às atividades normais”

E como amenizar essa dor? Quem responde é Deborah Suchecki, professora do departamento de Psicobiologia da Unifesp:

“Quando recebemos um abraço, o corpo libera um hormônio chamado ocitocina, que atua reduzindo a atividade de uma estrutura no cérebro que é reativa a emoções negativas, chamada de amígdala cerebelosa. A ocitocina é liberada com o toque, então, a automassagem pode ajudar muito no controle da ansiedade”

Dito isso, eu sigo por aqui, sem sair de casa.

 

Boa segunda-feira! E aquele abraço!

Conte Sua História de São Paulo: meu dia de artista na TV

 

Por Eduardo Ráscio
Ouvinte da CBN

 

 

Em nove de fevereiro de 1969, portanto já se passaram mais de  50 anos, minha mãe nos levou a participar do programa infantil mais popular da época: o “Pullman Jr”, da TV Record de São Paulo.

 

Fomos de táxi —- eu, meus irmãos, Raymundo e Ronald, e meus primos-irmãos, Renzo e Telma. Logo que chegamos, ainda na portaria da emissora, nos chamou atenção a presença de Jô Soares —- passou correndo pela gente, atravessou a rua e entrou em uma padaria, sumindo das nossas vistas.

 

O programa era apresentado de um estúdio no antigo bairro Aeroporto, hoje Moema. As crianças ficavam sentadas em várias mesas redondas. E eram entrevistadas pelo ator Durval de Souza. Para umas, pedia apenas o nome e a idade. Para outras, fazia várias perguntas. Serviam guaraná e bolo da marca Pulmann, o patrocinador do programa. As conversar ocorriam entre desenhos animados e brincadeiras comandadas pelo apresentador.

 

Durante o programa, chamou atenção de Durval de Souza o porte físico do meu irmão Raymundo, que não quis sentar-se a mesa e ficou em pé, recostado em uma das paredes do estúdio. Durval aproximou-se dele e perguntou: “você é o Apollo?” — comparando a altura dele ao foguete Apollo que levou o homem à Lua. Constrangido, meu irmão respondeu apenas com uma risadinha.

 

No fim do programa, outra surpresa: foi sorteada uma corbelha de flores que por obra do acaso, ou de Deus, quem ganhou foi meu primo Renzo — por coincidência era o dia em que a mãe dele, a Dadá, minha tia e madrinha de batismo, completava 39 anos de vida. Na entrega do prêmio, instruído pela minha mãe, Durval de Souza, mencionou a data de aniversário da Tia Dadá,

 

No dia seguinte, na portaria da escola, outro motivo de orgulho para mim: fui abordado por um colega de classe, o Wilson Carbone, que disse ter me visto no programa “Pullman Jr”.

 

O tempo passou e para mim esse episódio —- o meu dia de artista — permanece claro, como água cristalina, em minha lembrança.

 

A saudade sepulta o coração em vida!

 

Eduardo Ráscio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

O improviso quando o locutor esquece os óculos e o editor, as notícias

 

 

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Foto de Milton Ferretti Jung


 

 

Gosto de rádio ao vivo. Gravar entrevistas, me incomoda. Tira o foco. Provavelmente é a resposta do corpo e da mente a uma dose menor de cortisol, que é um dos hormônios do estresse. Quando acende a luz da placa “No Ar”, coloco-me em posição de alerta. O texto improvisado flui melhor, a pergunta é mais direta e o ponto de corte na resposta do entrevistado tende a ser mais preciso. O erro faz parte do jogo que é jogado ao vivo. Conserta-se a frase. Refaz-se a pergunta. Pede-se desculpa quando a palavra não era a mais apropriada e quando se troca o nome ou cargo do entrevistado —- hoje mesmo isso aconteceu comigo.
 

 

O certo é que ao vivo tudo pode acontecer. E acontece com os melhores, tenha certeza.
 

 

Semana passada, enquanto escrevia sobre uma das gafes que cometi, lá no início da carreira, descobri nos meus arquivos textos escritos por meu pai. É bem provável que estejam publicados no livro em que a jornalista Katia Hoffman conta a história dos 60 anos que ele dedicou ao rádio: “Milton Ferretti Jung; gol, gol, gol, um grito inesquecível na voz do rádio”. Mesmo assim, compartilho duas delas com você — caro e raro leitor deste blog. Ambas ocorridas durante a apresentação do Correspondente Renner, na época a mais importante síntese noticiosa do rádio gaúcho.
 

 

As esquecidas “Últimas Notícias”

O Correspondente, que apresento, na Guaíba, há 39 anos, ao contrário do que os ouvintes imaginam, só me é entregue em cima da hora de ir para o ar e, às vezes ,ainda sem as “últimas notícias”. Alguns erros cometidos pelos redatores e que escapam da revisão, ainda consigo corrigir no ar. Já enfrentei, porém, problema mais sério. Não foi uma nem duas vezes que, depois de ler a ficha anunciando a parte mais importante da síntese, descobri que o editor havia esquecido de encaixar as “últimas notícias”. Sempre que isso ocorreu, não me restou outra alternativa: fiz de conta que a rádio tinha saído do ar e, quando o editor, apavorado, apareceu com as notícias, depois de desculpar-me dizendo que a transmissão fora interrompida por “problema técnico”, dei  seqüência à leitura.

Óculos Errados



Quando usamos óculos apenas para enxergar de perto, é comum esquecermos deles. Sempre que isso ocorria comigo, algum companheiro, cujas lentes tinham grau semelhante às usadas por mim, me socorria, possibilitando-me apresentar o Correspondente Renner. Certa vez ,no entanto, pedi emprestado os óculos do Idalino, um dos editores do noticiário. Testei-os lendo o texto de abertura do Renner ,redigido em negrito e com tipos maiores dos que eram utilizados na confecção das notícias. Só no momento em que entrei no ar, me dei conta de que os óculos não serviam para que eu enxergasse com a necessária clareza. Li a primeira notícia aos trancos e barrancos, tentei fazer o mesmo com a seguinte, mas fui obrigado a parar e gesticular para que o locutor de plantão me substituísse. Muitos ouvintes, percebendo a troca súbita de apresentador, telefonaram para a Guaíba a fim de saber o que havia acontecido. Houve até quem pensasse que eu tivesse sofrido um mal súbito.

Nosso limite na capacidade de absorver notícias ajuda na disseminação de informações falsas

 

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Foto: Pixabay

 

Uma das formas tradicionais de ataques a páginas, sites ou servidores de internet é a transmissão em massa de mensagens e dados congestionando seus canais e derrubando o sistema —- o que em tecnologia de informação chamam de “ataque de negação de serviço” ou DDoS, um acrônimo em inglês para Distributed Denial of Service.

 

O cérebro humano corre o risco de estar sendo vítima de algo semelhante —- e este foi tema de artigo publicado pelo escritor Eric Ravenscraft, especialista em tecnologia, mídia e cultura nerd.

 

Para Eric, diante do que assistimos nesta pandemia, mas não apenas por isso, o volume de informação e notícia que circula pelos diversos meios prejudica a nossa saúde mental, permite que mensagens falsas se disseminem e torna ainda mais complexo o trabalho dos desenvolvedores de conteúdo:

“o resultado parece um ataque DDoS mental” — Eric Ravenscraft

Da análise, das entrevistas, dos dados e das pesquisas publicados no artigo “Our Ability to Process Information Is Reaching a Critical Limit”, escrito por Eric no canal OneZero, no Medium, chamo atenção para um efeito em especial.

 

Com o bombardeio de informações, o tempo dedicado a cada uma delas diminui; e quanto menos tempo se tem para uma informação, maior é probabilidade de acreditarmos nela —- mesmo que seja falsa, revelou pesquisa publicada no Journal of Experimental Psychology.

 

Um estudo de pesquisadores da Universidade Macquarie e do MIT vai além. Diz que é mais provável que a falta de tempo para que a pessoa se dedique a notícia seja o motivo dela acreditar em informações falsas do que o próprio viés político.

“De tempo suficiente para processar o que está lendo é é mais provável que acredite na verdade, mesmo que isso vá contra suas crenças políticas. Mas o tempo é uma mercadoria cada vez mais rara e afeta mais do que apenas os consumidores de notícias” — Eric Ravenscraft

O artigo completo, em inglês, traz outras abordagens e pode lhe ajudar muito a refletir sobre como estamos produzindo e consumindo informações. E não vai tomar mais do que 5 minutos do seu tempo.

Podcast: comunicação como fator de liderança

 

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No BaruCast, podcast da especialista em comunicação corporativa Erika Barusco, tive oportunidade de falar sobre a importância da comunicação como fator de liderança, baseado no que escrevi no livro “Comunicar para liderar”, ao lado da amiga e fonoaudióloga Leny Kyrillos:

 

…..

 

Mílton, para ir direto ao assunto, comunicar é um fator decisivo para liderar?

 

De todas as competências necessárias para liderar uma empresa, um grupo de trabalho ou a sua própria carreira, considero a comunicação a mais importante, porque sem esta corre-se o risco de as demais não se expressarem em todo o seu potencial. Sabe-se que ter equilíbrio e flexibilidade, por exemplo, são fundamentais para quem assume posto de comando — especialmente diante do cenário crítico que estamos vivendo hoje. Agilidade e empatia colaboram, sem dúvida. No entanto, estarão restritas em suas dimensões se o líder não souber como se expressar. Apenas para ilustrar o que digo: como querer que a minha equipe atue com a velocidade de adaptação que o momento atual nos exige, se eu não estiver capacitando a transmitir ao meu time nossas possibilidades, de maneira simples, direta e objetiva — o que defendo há bastante tempo ser o mantra da boa comunicação? Ser simples, direto e objetivo me ajudará a guiar a equipe ou a demonstrar para o meu time até onde podemos chegar.

 

E o que envolve exatamente as competências de uma comunicação de liderança?

 

Consciência do desafio que enfrenta; conhecimento sobre o tema que vai tratar; compreensão sobre seus próprios limites — humildade para saber que eles existem; é preciso ainda exercitar a escuta, abrindo não apenas seu ouvido mas a sua mente para absorver o pensamento do outro e identificar suas necessidades ou restrições; somente assim será possível encontrar pontos em comuns que façam da comunicação uma ponte de aproximação de interesses e desejos. O líder comunicador sabe criar vínculos para fortalecer uma relação.

 

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O bate-papo completo você ouve, no Barucast, clicando aqui

 

 

“A tempestade passa, pode nos encharcar, mas passa”

 

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Foto: Pixabay

 

Chegou em minhas mãos, nesse fim de semana, presente de uma amiga querida, o livro “Dentro de mim — reflexões sobre autoconhecimento, amorosidade e transformação interior” (Intervidas). Foi escrito por José Carlos de Lucca, juiz de direito, dedicado a prática do espiritismo e um dos fundadores do Grupo Espírita Esperança.

 

Com texto claro, escrito de forma direta e iluminado, não precisei de muitas horas para avançar de um capítulo ao outro. Ainda não cheguei ao fim. O farei, com certeza, nos próximos dias. Faço, agora, um intervalo na leitura, porém, para dividir com você o que encontrei logo no início de “Dentro de mim”. De Lucca escreve texto com o título “Vai Passar’. É de 2019 e traz ensinamentos para todos nós que atravessamos com tristeza este 2020.

 

No artigo, há a reprodução do trecho de um texto de outro autor, Caio Fernando Abreu—- este bem mais próximo de mim, por jornalista e conterrâneo que é, e por ter marcado toda nossa geração com seus artigos que tratavam de temas até então não-convencionais, tais como sexo, medo e solitude. Caio morreu jovem, com 47 anos, em 1996.

 

Atrevo-me a publicar a seguir parte do primeiro capítulo de “Dentro de mim”, sem pedir licença ao autor, mas por desconfiar de que se pedisse a licença seria concedida, por útil que sua mensagem pode ser a todos que estão compartilhando das mesmas dores:

 

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Tudo passa!

 

Não há mal que perdure para sempre. Não há dor que se eternize. Não há treva que resista à luz. Todo mal é passageiro, toda dor é temporária. Por essa razão, o suicídio é uma “solução” definitiva para um problema temporário: uma dose excessiva e inócua para uma dor que, com o passar do tempo, encontraria naturalmente o seu fim. O suicídio, porém, não soluciona a dificuldade que nos sufoca: ao contrário, agrava-a.

 

Melhor pensar que o problema de hoje está de passagem. Mais dia, menos dia, ele será apenas uma lembrança na história de sua vida, assim como hoje você se recorda de outras tantas adversidades já superadas.

 

Quantas vezes você imaginou que não teria forças para seguir adiante, e as forças brotaram das suas entranhas mais secretas e o conduziram à vitória? Quantas vezes você pensou que era chegado o fim, mas tudo não passou de um recomeço que o levou a situações melhores? Quantas vezes você acreditou que seu problema não tinha mais solução, e, inesperadamente, a solução surgiu de onde menos se esperava?

 

Maria de Nazaré, a Mãe Espiritual de todos nós, afirma que todo mal é passageiro, e somente o Reino de Deus tem força suficiente para nunca passar. Então, no momento da aflição, não devemos olhar para o abismo nos chamando para a derrota. É hora de olharmos para o céu, de onde viemos, e abrirmos a nossa mente e o coração para a poderosa força da vida que Deus soprou em cada um de nós no momento que nos criou!

 

À medida que nos entregamos à experiência de sentir a força da vida em nós, somos preenchidos de paz, serenidade e confiança em nossas possibilidades de superarmos as adversidades. A força divina dentro da gente começa a mudar o cenário da vida lá fora! O poeta Caio Fernando Abreu chamou essa força divina de “impulso vital”e mostrou, com rara sensibilidade, como ela pode fazer nossa vida seguir adiante, apesar das nuvens sombrias que pairam sobre nós.

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim — nós, não. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”

Todo mal um dia passará, indiscutivelmente. Deixemos que esse impulso vital nos leve adiante e nos tire do abismo da derrota, das águas fundas da nossa tristeza, da janela de um edifício…

 

Aguente firme, a tempestade passa, pode nos encharcar, mas passa. Depois, o sol seca a nossa alma enregelada. O Reino de Deus, de onde brota o impulso vital, está pronto para crescer em cada um de nós, e o Reino não está longe nem fora, está dentro de mim, está dentro de você! Pacientemente, permita-me esse movimento de Deus em sua vida, a partir do seu coração.

 

Vai passar!

 

Compre aqui o livro “Dentro de Mim”, de José Carlos de Lucca

Mundo Corporativo: se capotar é preciso, aprenda como com Amyr Klink e Armando Oliveira

 

“…. nos projetos que a gente faz não tem espaço para desorganização, a gente morre, então quando eu estou montando um projeto, eu mudo completamente”, Amyr Klink

 

“… é justamente neste momento de crise que a gente começa a perceber o quão vulnerável é o seu projeto”, Armando Oliveira

Prática e teoria. Jornadas e processos. Experiência e conhecimento. Um pouco de cada um e tudo isso reunido, resultou em um encontro que até então parecia impossível: o mestre em projetos de TI Armando Oliveira, que na sala de aula motiva seus alunos ilustrando os ensinamentos de sua área com situações do cotidiano, e o navegador Amyr Klink, que não esconde o constrangimento em usar sua história como referência para a vida dos outros —- não que não tenha noção da dimensão de seus feitos, mas a timidez o impede de pensar que possa ser um guia para quem pretende superar desafios nas mais diversas áreas.

 

Armando e Amyr foram os convidados do programa Mundo Corporativo para falar, entre outros temas, de como enfrentar este momento no qual as restrições impostas pela pandemia têm deixado muitas pessoas isoladas e negócios paralisados. Recentemente, Armando lançou o livro “Capotar é preciso” (Companhia das Letras), escrito a partir de longas conversar que manteve com o navegador. Eles não se conheciam, e quando Amyr foi procurado pelo professor de projetos de TI, imaginava que seria um bate-papo rápido com alguém curioso por suas histórias. Surpreendeu-se com o que ouviu e também aprendeu.

“Eu acho engraçado ser convidado para palestras sobre, por exemplo, planejamento, organização e gestão de negócios, porque eu sou muito desorganizado, mas nos projetos que a gente faz não tem espaço para desorganização, a gente morre, então quando eu estou montando um projeto, eu mudo completamente. Eu vou as raias da loucura pra tentar cercar todos os problemas, mitigar falhas, essas coisas” Amyr Klink

Curiosidade pelas histórias do navegador, é claro que Armando Oliveira tinha, mas com um objetivo bem claro: conhecer a experiência de Amyr Klink era a oportunidade de ganhar mais repertório para as aulas de projeto, na faculdade:

“Eu usava exemplos e analogias de como seria o mundo dos projetos a partir de cases acadêmicos, e passava a impressão de que estivesse querendo ensinar a profissão aos alunos: não vou ensinar o engenheiro a erguer um prédio ou o Amyr Klink a navegar. Quando busquei o exemplo dele, os alunos ficavam muito mais abertos de ouvir essas experiências E isso começou a facilitar os ensinamentos que a gente queria que eles entendessem: a parte de gestão dos projetos e não a parte técnica. E quando a gente conversa sobre os projetos do Amyr, que lida com as emoções extremas, isso facilita o aprendizado”.

O título do livro, Capotar é preciso, é baseado no conhecimento que Amyr Klink obteve no primeiro projeto de travessia do Atlântico Sul, em 1984, quando estudava formas de superar o desafio em um barco a remo e acreditava que a chave do sucesso seria criar uma embarcação que não capotasse. Graças a intervenção do engenheiro José Carlos Belfort Furia, da USP, descobriu que sua visão estava errada. O professor  recomendou que “ele abraçasse esse problema, dormisse com esse problema, em busca de uma solução”.  Mudou o projeto e o restante da história se conhecesse muito bem.

“Eu nunca esqueci esta historia de abraçar os problemas: Tem gente que acha uma espécie de pessimismo ficar estudando as razões do fracasso. Em vez de acreditar que o universo conspira a seu favor, essas coisas, eu penso totalmente diferente. Eu penso que o universo conspira contra, e eu gosto de descobrir os problemas e construir uma solução”.

Uma das preocupações de Amyr Klink durante essa pandemia é que devido as restrições para navegação, teve de deixar o “paratiizinho” — como chama carinhosamente a embarcação  que já realizou 25 travessia em 30 anos, atracado nas Ilhas Falkland —- ele teme encontrar dificuldades para negociar a retirada do barco do território que está sob domínio britânico, já que “o Brasil não está bem na foto”.

 

Sobre a travessia que enfrentamos com as crises provocadas pela pandemia, Amyr diz que o mais difícil neste momento é a falta de rumo. Lembra que nas suas jornadas em alto mar, ele tem noção de quando será a partida e qual é o seu destino. Tem um ponto chegada. Nesta pandemia, diz, ninguém sabe qual é.

 

Já Armando busca forças para superar as dificuldades do momento com uma lição que aprendeu com o próprio navegador:

“O Amyr em uma conversa até recente, comentou que o tempo que ele cometeu as maiores burradas de projeto foi o tempo em que ele tinha excesso de patrocínio, condições propícia à vontade. Foi o tempo que eles mais desperdiçaram os recursos e acharam as soluções piores possíveis. E, ao contrário, quando ele foi forçado a passar por algumas situações em que ele tinha poucos recursos e poucos apoios foi quando ele tinha as soluções mais interessantes. Eu fui pego em cheio por essa questão da pandemia e é justamente quando temos de ter equilíbrio emocional para saber como sair disso aí. Nesse momento é preciso se planejar rápido, e a gente começa a perceber o quão vulnerável é o seu projeto. Não vejo fórmula mágica: só muito trabalho e pensando em alternativas”

PS: em virtude de problemas de áudio na gravação em vídeo pela internet, algumas respostas de Amyr Klink foram regravadas, portanto, é possível que ao assistir ao vídeo você encontra respostas diferentes daqueles que foram reproduzidas no programa em áudio. O conteúdo é bom das duas maneiras, portanto minha recomendação: ouça os dois e aprenda duplamente.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Preconceito com idoso começa pelo nome 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No início dos anos 80 nos Estados Unidos, pelo Stanford Research Institute, e na França, pela Rhodia, surgiram os primeiros trabalhos científicos segmentando as pessoas do mercado de consumo pelo comportamento. Surgiram tipologias denominadas de perfis psicográficos, conectando psicologia e demografia.  

 

O significado era que as pessoas não agiam apenas de acordo com a idade ou pelo poder aquisitivo que possuíam. O comportamento individual é que determinava o estilo de vida de cada uma. O significante era que o potencial de estilos de vida diferentes abria novas perspectivas na segmentação do mercado.

 

As empresas passaram a considerar o estilo de vida das pessoas para orientar serviços e produtos a serem ofertados. A idade não mais representava critério único para segmentação de mercado.

 

Entretanto, esse conceito de forma geral ficou claro apenas na relação de consumo, e até mesmo empresas cujos produtos respeitavam e respeitam esta segmentação, não seguiam e não seguem o mesmo conceito para o quadro de colaboradores.

 

Os critérios nas relações de trabalho levam em conta apenas a idade cronológica, e desconsideram a idade comportamental. Essa dissonância traz complicações evidentes para este grupo. 

 

Por isso, o preconceito com a idade ultrapassa a teoria comportamental, e coloca a idade no universo dos preconceitos com uma incomoda peculiaridade, pois a cor, a religião, a raça, a pobreza, etc. são definidas por si, enquanto a idade precisa ser relativizada com o estilo de vida para ser definida.

 

Precisa, mas não é.  

 

A começar pelo preconceito explicitado pelos próprios integrantes do grupo de idade cronológica avançada, que escondem a idade para evitar o preconceito. É o que Alexandre Kalache, em entrevista a Claudia Colucci na Folha, chama de idadismo.

 

Kalache, 74, graduado em medicina, doutor em saúde pública pela Universidade de Oxford, ex-diretor do Programa Global de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), é presidente da Centro Internacional da Longevidade Brasil, membro do conselho consultivo na OMS, no Fórum Econômico Mundial e na Associação Mundial de Demografia e Envelhecimento, adverte para o gerontocídio aos que na Covid-19, ao decidir pelo mais jovem no momento do recurso escasso optam pelo:

‘Deixa morrer! Já viveu muito! E daí? ’  

Certamente,  o tema dos “idosos” deverá ser mais um dentre aqueles que na onda do coronavírus terá mudanças acentuadas e aceleradas.

 

Mesmo porque não há como desconsiderar o novo mapa demográfico que se aproxima, quando o bônus se extinguirá; ao mesmo tempo em que comportamento deverá ser incluído e aposentadoria ser aposentada, junto com a palavra idoso.

 

Por que não?  

 

Michael Skapinker em artigo no Financial Times é o autor da ideia.

 

A aposentadoria precisa considerar a longevidade real junto com a relação vital para o homem com o trabalho.

 

A palavra idoso é mal definidora, pois restringe à idade um ser mais amplo. No esporte, temos:

 

SENIOR ou MASTER. 

 

Que tal?    

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung. 

 

 

Da Nau dos Loucos ao tanque de roupa suja: “soluções” para os transtornos mentais

 

Por Simone Domingues
@simonedominguespsicologa

 

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Foto: Pixabay

 

Na obra o Alienista, de Machado de Assis, o médico Simão Bacamarte retorna à sua terra natal e constrói um manicômio, chamado Casa Verde, para abrigar os loucos da cidade e região. No início, as internações eram apoiadas pela sociedade, mas com os avanços de sua teoria, o médico chega a internar 75% da população, que se revolta. Então, Bacamarte revê seus estudos, liberta essas pessoas que estavam internadas e confina a outra parcela da população, invertendo seu conceito sobre a loucura: louco seria quem se mantinha estável em suas ações.

 

A busca por explicações sobre comportamentos estranhos ou anormais sempre esteve presente na história da humanidade. Documentos mostram que em 3.500 a.C., na Babilônia, já havia relatos do que hoje chamamos de transtornos mentais. Para os povos primitivos, a “loucura” não era vista como doença, mas como espíritos do mal que dominavam a pessoa e deveriam ser expulsos em rituais espirituais. Na cultura greco-romana, a loucura era decorrente do desequilíbrio de fluídos corporais. Na Idade Média, a ideia de que a doença mental era algo místico e religioso é retomada. Nessa época, a Igreja criou duas formas de controlar e isolar aqueles que apresentavam opiniões contrárias às doutrinas estabelecidas, chamados hereges: a inquisição, na qual o herege era cruelmente morto para que suas ideias não fossem difundidas; e a Nau dos Loucos, embarcações nas quais os loucos eram colocados, vagando pelos rios europeus.

 

No renascimento, a loucura passou a ser explicada de forma filosófica e o louco passa a ser visto como uma pessoa desadaptada e insignificante. Após a Revolução Industrial, o conceito de normalidade foi vinculado ao trabalho e a produtividade. O louco era visto como ocioso e improdutivo. Na tentativa de recuperação, o louco era internado, para aprender um ofício e torturado. No final do século XVIII, Pinel, médico francês, se deteve ao estudo da anormalidade, vinculando a loucura com cuidados médicos. A loucura passou a ser vista como doença mental, passível de tratamento, mas ainda reclusa aos manicômios. Após a II Guerra Mundial, o desenvolvimento da indústria farmacêutica e a descoberta de medicações permitiram o tratamento ambulatorial, ou seja, fora das instituições.

 

Se por um lado o interesse com a doença mental, especialmente na última metade do século passado, despertou o avanço de estudos científicos, como o desenvolvimento das neurociências; por outro lado, os estigmas associados aos doentes mentais sofreram mudanças menos acentuadas. Explicações reducionistas sobre as causas, mitos sobre a doença e soluções de tratamento pouco embasadas em métodos científicos, continuam a exigir das pessoas que sofrem com esses transtornos ter que lidar com o sofrimento e incapacidades decorrentes da própria condição e ainda ter que lidar com o preconceito e a discriminação.

 

Apesar dos transtornos mentais atingirem pessoas de diferentes idades, gênero ou nível socioeconômico, as representações sobre a doença e o doente ainda são permeadas de estigmas. Além das associações inadequadas às causas, o mesmo acontece em relação ao tratamento. Concepções sem embasamento científico ou mesmo preconceituosas, como aquelas que sugerem que ter uma doença mental é “falta de um tanque de roupa suja para lavar”, reforçam as crenças de que ter um transtorno mental é uma escolha e permanecer nele, uma decisão.

 

Ter um transtorno mental não é escolha, mas também não é punição ou castigo. Punição é não termos um sistema que permita o diagnóstico adequado e um tratamento eficaz que possa trazer menos sofrimento à vida de tantas pessoas. Estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que, no mundo todo, menos de 10% das pessoas com transtorno mental têm acesso a tratamento.

 

Enquanto não mudamos esse cenário, compreender a doença mental pode nos aproximar do exercício da nossa humanidade, aceitando as diferenças, imperfeições, anormalidades de cada um de nós mesmos. Dr. Bacamarte tinha o propósito de encontrar, definitivamente, a diferença entre o normal e o patológico. Acabou descobrindo apenas em si características de perfeito equilíbrio mental e moral. Diante disso, liberou todo mundo do manicômio e lá se internou. “Fechando a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e a cura de si mesmo”. Dr Bacamarte deixou um legado: ensinou que de médico e louco, todos nós temos, de fato, nem que seja um pouco!

 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

A Web está na Moda e poderá surpreender as previsões do FMI

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Foto: Pixabay

 

O FMI prevê que o PIB dos países avançados apresente, em 2020, uma queda de 8%, e os emergentes de 3%, com exceção da China crescendo 1%. Para o Brasil a queda deverá ser histórica: 9,1%.

 

Em 2021, haverá aumento de 4,8% e 5,9% entre desenvolvidos e emergentes, enquanto o Brasil irá apresentar acréscimo de 3,6% e a China 8,2%.

 

Esse cenário reflete, de acordo com o relatório do FMI, o modo como o evento covid-19 foi tratado pelos países:

“Pela primeira vez, projeta-se que todas as regiões experimentem um desempenho negativo (do PIB) em 2020. No entanto, existem diferenças substanciais entre as economias, refletindo a evolução da pandemia e a eficácia das estratégias de contenção”.

Um olhar recente para a China e identificamos que lá foi realizada uma SEMANA DE MODA pela web, e os resultados superaram juntas as SEMANAS DE MODA DE PARIS, MILÃO E NOVA YORK.

 

Assim como ontem se encerrou a FEIRA de Negócios virtual MADE IN CHINA, com 3 milhões de expositores e 2,8 bilhões de produtos.

 

Enquanto isso, aqui, no mundo físico, estávamos em abril com 1.212 eventos realizados, número 30% a mais do que o previsto, e tivemos que adiar 900, dos quais 380 foram reprogramados para os próximos meses.

 

Neste contexto, é evidente a oportunidade que surgirá a partir da abertura do comércio e serviços no mundo físico para operações via web, diante da nova realidade pós-Covid-19 em função de protocolos e receios decorrentes para ações que gerem presença de público.

 

Dentro deste quadro os agentes deste setor começam a se preparar, e se movimentam para construir sistemas virtuais e híbridos.

 

É o caso do empreendedor Antonio Mesquita, da SÖKS tsr, experiente em inovação, tendo sido um dos pioneiros nas plataformas virtuais para Shopping Centers, quando teve a possibilidade de efetivar alguns Market Places. Hoje, está direcionando a SÖKS para a elaboração de Projetos de Feiras e Congressos através da web. Produto que será edificado com a Bossa Nova Productions, da Cristina Lages, especializada em comercialização de Feiras e Congressos. A tecnologia será fornecida pela INTEGRA GLOBAL BUSINESS NETWORK, através da plataforma da EXPO BUSINESS, dirigida por Aquiles Gonzalez.

 

A INTEGRA, fundada em 2007, é uma empresa com foco em criar startups inovadoras como a EXPO BUSINESS. Aquiles, um dos sócios, atesta o crescimento do setor de feiras digitais a partir da Covid.

 

Ressalta também as vantagens comparativas quando é registrado um movimento de visitação de 3 a 5 vezes maior nas feiras digitais do que nas realizadas de forma convencional.

 

Lembra também que a possibilidade de gameficação e de realidade aumentada são pontos diferenciais atraentes e modernos.

 

Para a EXPO BUSINESS os negócios aumentaram 200% com a pandemia, o que é um bom sinal para a expectativa econômica futura. E indica que os chineses são um bom exemplo a seguir neste caso de absorção ao digital.

 

A Economia, como se sabe, é em parte definida pela expectativa, e também pelas práticas que podem propiciar eficácia no uso dos recursos escassos. Aqui cabe ressaltar que a despesa para realizar um evento digital é infinitamente menor. Ao mesmo tempo a velocidade de execução é infinitamente maior.

 

Se a digitalização se disseminar para outros setores da Economia, e temos uma cultura propícia a essa ligação sinalizada pela preferência aos celulares, poderemos surpreender a recuperação econômica, na medida em que custos se reduzam e operações se acelerem.

 

Vamos torcer para que o FMI esteja errado.

 

Bem-vindos Söks, Bossa Nova e Expo Business.

 

Que venham muitos outros.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.