Conte Sua História de São Paulo: o “Buracão” era o nosso parquinho

 

Lauro Vieira de Oliveira
Ouvinte da CBN

 

 

Minhas memórias começam na época em que morava no bairro do Jardim São Paulo, Zona Norte. A casa na avenida Cabuçu, hoje avenida Marechal Eurico Gaspar Dutra, com dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro, portão e quintal com poço, permanece a mesma daquela época, em 1960 — feliz e, corajosamente, não alteraram as suas características de fachada.

 

Nela moravam meus pais —- mãe baiana e pai alagoano, descendente dos índios caetés —-, meus quatro irmãos —- o mais velho dos homens trabalhava em uma fábrica de instrumentos de percussão, ali bem próximo —- avó, tio, o filho mais novo da avó materna e um primo. Comigo, éramos 11. Nos arredores está a Igreja de Nossa Senhora Aparecida, que minha avó era devota fervorosa. Hoje, sob a casa, passa a linha Azul do Metrô. A estação Ayrton Senna/Jardim São Paulo, também está por ali.

 

Tinha uns 5 anos com uma infância muito dinâmica. Brincava-se com tudo o que tínhamos direito; e sem direito também, como descer ladeira dentro de um pneu de caminhão.

 

Um vizinho criava cavalos. E a diversão era roubar um para dar umas voltas até ter levado um tombo e quebrado a cabeça.

 

Quando chovia, ou quando minha mãe lavava o quintal, ensaboávamos o peito e escorregávamos, no corredor do quintal, dos fundos para a frente da casa, uns 8 metros de pura adrenalina.

 

De quando em quando jogávamos bola no campo de futebol, ao lado do hoje Clube Escola do Jardim São Paulo, administrado pela prefeitura. Era de terra, a grama ainda não cresceu. Em parte do campo tinha poças d’água que não secavam nunca, quando você pisava afundava até o joelho. Dalí tínhamos uma perspectiva maravilhosa, avistávamos a passagem do Trem da Cantareira, com destino ao Jaçanã e Guarulhos.

 

Em um dos lados do campo, na rua Professor Fábio Fanucchi estava a escola Professor Antonio Lisboa, onde estudei o primeiro ano primário. Lembra-se da cartilha “Caminho Suave?“ Graças a ela, e, lógico, a minha professora que não lembro o nome, aprendia a juntar letrar e formar palavras. Incrível é que uns 35 anos depois minha mulher foi concluir o seu segundo grau nesta mesma escola! Coisas do destino.

 

Em frente a minha casa havia um espaço imenso, com uma grande depressão. Era o “Buracão”, com uns 200 a 300 metros de comprimento, partindo da rua Almirante Noronha, 10 metros de largura e sete de profundidade. Em uma ocasião, estávamos com uns trocados e fui com os amigos fazer um piquenique em um caverna —- um buraco encrostado em um dos lados do Buracão. Comemos muita coisa boa até que o Seu Antonio, um vizinho que costumava tomar umas cangibrinas começou a bater com os pés na parte superior da caverna. Foi um corre-corre só, todos descendo, escorregando para o fundo do Buracão.

 

Quando iniciaram o aterro do “Buracão“, houve muita tristeza da molecada, pois era um ambiente que, além de estarmos acostumados, fazia parte do nosso parque de diversão. Como vimos que não teria jeito, fomos assistir às máquinas e caminhões trabalharem. Naquela movimentação de terra, descobrimos umas raízes, que delícia, parecia cana-de-açúcar de tão doce que eram!

 

Depois dessa época, fomos morar no Parque Edu Chaves. Mas está é uma outra história.

 

Lauro Vieira de Oliveira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.

Sua Marca: é preciso entender as dificuldades e medos dos clientes

 

“De tudo fica um pouco, fica um pouco do teu queixo no queixo de sua filha…” Carlos Drummond de Andrade

 

Como na mensagem de Drummond, extraída do poema Resíduos, empresas e marcas deixam lembranças em seus consumidores, que são o resultado da forma como se relacionam, se comunicam e prestam serviço. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo falaram dos efeitos dessas ações, especialmente em momentos de dificuldades como as impostas pela pandemia.

“Das tantas memórias e resíduos, talvez a gente tenha exemplos ruins, mas quem fez a lição de casa, de forma legítima, verdadeira e autêntica deixou um saldo bem positivo”, disse Cecília Russo

Do pequeno mercado que passou a entregar produtos na casa do consumidor ao serviço de aplicativo que cria programas para premiar o seu usuário, cada um de sua maneira e dentro de suas possibilidades está fortalecendo sua marca — e essas ações não serão esquecidas pelos clientes. Vão se destacar, nesta pandemia, as marcas que entenderam as dificuldades e os medos que as pessoas têm vivenciado

“O resíduo que vai ficar para muitas marcas é um crescimento da fidelidade do consumidor. Como um sinal de retribuição a quem nos tem ajudado a atravessar esses momentos de tristeza”, comentou Jaime Troiano

Para Jaime e Cecília, as boas marcas são aquelas que, testadas, em situações difíceis, como estas, ficam ainda mais fortes e respeitadas.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Mílton Jung e vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Lojistas de Shopping pedem mais técnica e menos discriminação

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Escada rolante de shopping com alerta de distância (Reprodução TV Globo)

 

Uma jornada de trabalho de quatro horas numa cidade como São Paulo, onde a caminhada ao posto de trabalho exige tempo considerável, em conduções e condições extremas, não condiz com as boas práticas operacionais.

 

É o que o protocolo da Prefeitura a ser cumprido pelos Shopping Centers da cidade de São Paulo pelo covid19, incorre, segundo os lojistas que operam nestes locais. É uma falha técnica. Além de certa discriminação, em comparação com o tratamento dado a outros segmentos.

 

Nabil Sayuon, presidente da ALSHOP Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping, entrevistado no Bom Dia SP da TV Globo, ressaltou que ao espremer a jornada em tão pouco tempo, haverá congestionamento e o resultado será inverso ao que se procurou.

 

Um outro aspecto abordado por Sayuon foi a questão dos custos e dos cuidados sanitários envolvidos no cumprimento das minúcias de higienização, comparáveis a instalações hospitalares, enquanto outros setores, como o da construção civil, não teve o mesmo detalhamento nas exigências.

 

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Rodrido Bocardi entrevista Nail Sayoun (repordução TV Globo

 

Rodrigo Bocardi, o âncora do programa, usou a figura da ilha isolada para a metáfora com o Shopping Center para chamar a atenção pelo fato de os funcionários para chegarem a local de trabalho tão preciosamente higienizado terem que se subordinar a transportes congestionados.

 

Assista à reportagem completa do Bom Dia São Paulo

 

Até certo ponto poder-se-ia entender como consequência do maior aprimoramento dos equipamentos de Shopping Centers e respectivas lojas que se exigisse mais de ambos. Afinal, os Shoppings são formatos bem resolvidos e competentes, como peças comerciais e de lazer.

 

Entretanto, só pode estar havendo um especifico exagero no protocolo de um lado, e de outro; um descaso com a técnica na abordagem operacional. Não é admissível escapar à análise que não compensa economicamente incidir em todos os custos de um equipamento de Shopping Center para manter a operação disponível em apenas 1/3 do padrão de abertura.

 

É uma opção que insatisfaz o lojista, o shopping, o trabalhador e o consumidor. Ou seja, pior que isso é isso.

 

Esperemos que a reunião citada por Nabil Sayuon, já agendada com a Prefeitura, resulte em decisão técnica como boa prática operacional.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Podcast: de sutilezas

 

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A conversa foi pré-Pandemia. E foi generosa. Recebi Paula Caubianco sem ter ideia até onde iria o nosso papo. Que assunto a interessava. E o que dizer sobre esses assuntos. O resultado está no MOMENTOCAST, que foi assim apresentado pela Paula a quem tive o prazer de conhecer:

Só de lembrar o dia que gravei esse episódio eu já fico emocionada… agitada. Eu fui muito ousada! Era manhã do dia foi 20 de fevereiro de 2020, quando eu saí da Mooca ( bairro na zona leste – onde eu moro) seguindo em direção à Marginal Pinheiros: eu tinha um grande encontro!… já era costume ouvir a rádio CBN no carro … mas aquele dia guardava um motivo especial. Eu fui ouvindo o Milton Jung, a Cássia Godoy e até o Dan Stubach noticiarem, com grande pesar, a morte ocorrida no dia anterior, do genial José Mojica Marins, conhecido como Zé do Caixão… o pai do terror brasileiro. Ele partiu aos 83 anos de idade… que perda irreparável…

 

Eu estava super ansiosa, mas ouvir as homenagens contando a trajetória e o estilo próprio do Zé do Caixão… foi me trazendo um alento… a sua irreverência me deu um ânimo extra: de certa forma, ele me dizia… Paula é preciso ter coragem para se conquistar o que se quer… vá e faça. Depois de 50 minutos lá estava eu… no saguão daquele edifício moderno… pegando minha credencial para subir até o andar da CBN… eu tinha uma hora marcada com o Milton Jung – e ele já me aguardava.

 

A maior satisfação que tenho em conceber e produzir o MOMENTOCAST é poder conversar sobre sutilezas com pessoas que admiro, respeito, e que sinto, que de alguma forma estão dispostas a compartilhar algum conteúdo de valor.

 

Convidei o Milton com minha cara e coragem, e recebi um saudoso sim! Nesse dia, minha palavra era ousadia. E a do Milton, sem dúvida alguma, generosidade! Espero que você goste desse episódio, nele eu compartilho com você o que ouvi e aprendi com esse grande ser humano que é o Milton Jung… e você, qual é a tua palavra?

 

Me conta sua experiência com o momentocast enviando um audio pelo link disponível no descritivo desse episódio. Assine o momentocast gratuitamente pelo seu spotify, deezer, apple podcasts, google podcasts e nos principais agregadores de áudio. Ou se preferir acesse anchor.fm/momentocast. Depois compartilhe esse episódio com seus amigos e familiAres, quanto mais gente escutar… melhor.

 

Interaja com o MOMENTOCAST nas redes sociais utilizando a hashtag #momentocasters e vamos acompanhar que palavras andam te definindo nesses tempos. Quando eu agradeci o MIlton por toda a generosidade em aceitar meu convite e me receber mesmo sem me conhecer… ele me disse: eu sei exatamente o que é estar no seu lugar… não se preocupe, só faça sempre um bom trabalho. E assim… eu venho seguindo… Obrigada por seu tempo, e até.


Ouça outros episódios e coloque o MOMENTOCAST entre os seus favoritos

Conte Sua História de São Paulo: com uma mala de sonhos, cheguei à cidade

 


Por Italo Cassoli
Ouvinte da CBN

 

 

Imagine nos anos de 1970, eu, egresso de Pirassununga, com seus pouco mais de 20 mil moradores, aportava em São Paulo. Até então vivendo em uma cidade onde a paquera se dava ao redor do nosso jardim, com as moças caminhando em um sentido e os rapazes em outro, em torno de um jardim retangular. Para rever aquele broto que me interessava, demorava um bom tempo. Não bastava trocar um olhar na primeira vez, precisava torcer para que ela não fosse embora para sua casa, sempre ao lado de uma fiel escudeira ou de seu “temido” irmão, meu pretenso cunhado.

 

Eu, filho de alfaiate e costureira, sempre estava muito bem trajado… pois como dizia meu pai: ”um homem bem trajado tem meio caminho andado”.  Ele infelizmente nos deixou cedo e muita coisa mudou. Surgiu uma guerreira, visionária, minha mãe: uma mulher que ainda hoje com seus 98 anos nos mostra o caminho a ser seguido — e ainda tem forças para estrelar um comercial dos 100 anos do azeite Gallo.

 

Como visionária que sempre foi, queria apenas duas coisas na vida: comprar nossa casa própria e nos ver formados — eu e minha irmã.  Minha intenção, a única, era cursar uma faculdade pública, em São Paulo: educação física na USP. Sonhava todas as noites com isso. Em 1970, parti em busca de meu sonho. Faria o CESCEM — Centro de Seleção de Candidatos às Escolas Médicas e Biológicas, afinal Educação Física era e ainda é considerada carreira médica — existem controvérsias, infelizmente.

 

Desembarcar na antiga rodoviária, na Capital, foi um susto — um misto de medo e desafio.

 

Agora, encontrar a pensão na Rua Tutóia. Que ônibus tomar? Eu com essa mega mala em mãos, que tinha muito mais sonhos do que roupas —- apenas duas calças e algumas camisas.

 

Caetano já disse que “quando eu cheguei por aqui eu nada entendi”. Que eu nada entendia é verdade — mas essa até então desconhecida e temida cidade, me mostrou tudo. Como acolher um jovem sonhador, a xepa da feira; o comercial do Bar Praça XI, do Sr. Manoel, que como eu aportou nessa cidade —- ele vindo de Portugal deve ter sido mais difícil se adaptar.

 

Os anos se passaram, muitos aprendizados, vitórias, empates, algumas derrotas que só me fortaleceram. E ainda hoje com meus 70 anos, mesmo às vezes não entendendo minha ex-Terra da Garoa, respeito-a e muito, afinal, São Paulo tem mais pessoas a recepcionar, compartilhar seus conhecimentos, abraçar e mostrar que a diversidade deve ser propagada em prosa e verso.

 

Italo Cassoli é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br 

A “linha certa” para o setor do vestuário pós-Covid-19

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Imagem Pixabay

Ao lado de inúmeras projeções e sugestões para enfrentar os desafios pós-Covid-19, destacamos a preocupação em criar empregos.

 

A empregabilidade nacional que já vinha com taxas desconcertantes teve acentuada queda; e a priorização na criação de empregos é absolutamente essencial para a volta à normalidade econômica e social do país.

 

Nesse contexto, há uma combinação de fatores que levam necessariamente ao setor de vestuário como um dos segmentos mais estratégicos para o processo de melhoria da taxa de emprego.

 

Primeiramente, é obrigatório registrar que a indústria do vestuário é intensiva de mão de obra. Depois da indústria da construção civil é a que mais absorve trabalhadores. E, mais importante, é a primeira no capital investido para cada posto de trabalho. Ou seja, o capital empregado para criar um emprego no vestuário é o menor entre todos os outros.

 

A indústria brasileira de confecção de roupas perdeu competitividade para a Ásia. Sofremos eliminações em todos os parques industriais de produção de roupas. Das costureiras externas individuais, das costureiras externas de grupos, dos grandes confeccionistas até as grandes corporações industriais.

 

O cenário negativo para a indústria nacional ainda se acentuou pela moda ter enveredado para o fast fashion, tão propício ao produto descartável — com prejuízo da qualidade de mão de obra e com o estrago feito no meio ambiente, pelas características da execução e do uso.

 

Entretanto, no cenário de hoje, o fast fashion perdeu o protagonismo, assim como a Ásia começou a gerar incerteza para o negócio da moda brasileira, pela convulsão política, sanitária e econômica — afinal, o dólar com instabilidade de picos de até 50% é inadministrável.

 

Coincidentemente, a Manancial Sustentabilidade Ambiental, que tinha nos procurado em dezembro para apresentar trabalhos na área de habilitação de empresas aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Social da ONU, através da CEO, bióloga Angela Garcia, veio agora demonstrar um Projeto denominado de “Projeto Linha Certa”.

 

O “Linha Certa” objetiva criar soluções de mão de obra feminina para a indústria de confecção nos presídios femininos, cumprindo vários dos Princípios e Objetivos da ONU.

 

A meta da Manancial é entregar para as confecções uma alternativa para exercer uma relação de ganha-ganha com todos os envolvidos no processo.

 

Resolverá a produção das peças, dará uma profissão e uma remuneração para as presidiárias, além da redução das penas.

 

No rol das especulações sobre as resultantes do vírus, há uma tendência a esperar o aumento da humanização nas relações sociais, e talvez uma empatia mais presente.

 

Esse é um Projeto que acolhe perfeitamente esta melhora nas relações humanas.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de São Paulo: refaço meus caminhos na cidade

Por Emília Gonçalves
Ouvinte da CBN

 

“Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e Av. São João […]

 

Foi com o poema do Caetano na cabeça que eu comecei a conhecer a minha São Paulo querida. Eu morava em Guarulhos e fazia estágio no Hospital das Clínicas, na década de 1980. E foi amor à primeira vista. Não só por seus arranha-céus, as grandes avenidas, o ir e vir das pessoas apressadas para o trabalho ou estudo. São Paulo sempre teve algo especial que contradiz a crença de que as pessoas são frias e só se importam com o trabalho.

 

Existe o trabalho que move a cidade, existe a correria, e existe a gentileza de quem desacelera o passo para lhe dar uma informação com um sorriso no rosto. Existe um músico na esquina, uma avó com sua neta, um beijo roubado e uma estudante, como eu, a espreitar a vida pulsante dessa linda cidade. São Paulo é o encontro do antigo, do moderno, do contemporâneo e, quiçá, do pós-contemporâneo. São Paulo é uma cidadã do mundo, uma cosmopolita que abraça todos, que acolhe…

 

Como toda grande cidade em que se espera tudo dela, São Paulo também tem suas mazelas que nos chocam e nos confundem, e também a solidariedade de quem oferece um pão, um abrigo, uma palavra.

 

Eu hoje vivo na Bahia, mas nunca perdi esse amor.

 

Agora vou a São Paulo todo ano e refaço meus caminhos. Faço novos trajetos, descubro a nova cidade. Vivo o presente que a cidade é, ponho o pé no passado e a cabeça no futuro.

 

” […] Aprende depressa a chamar-te de realidade/ Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso […]”.

 

A Profª Maria Emília dos S. Gonçalves é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br

A necessidade de se analisar a Covid-19 através de número relativos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Quarta-feira, 20 de maio de 2020  —  as mídias tradicionais e sociais informaram que o Brasil atingiu mais de 1.000 mortes em 24 horas pela primeira vez, perfazendo um total de 18.859 óbitos, dos quais  5.147 em São Paulo, o epicentro da Covid-19

 

Esses números absolutos não expressam a relatividade necessária para situar a posição do Brasil no Mundo; e a de São Paulo na correlação com os demais estados brasileiros.

 

Minimamente a correlação serve para posicionar no contexto geral o que se está analisando, e também para a tomada de decisões.

 

Pelo Google, encontramos a fonte da Wikipédia que contém a tabela com os dados a que nos referimos, onde no contexto mundial podemos observar que o número absoluto de “casos confirmados” nos dá apenas o ranking de países sem a comparação entre eles de forma qualitativa.

 

A correlação dos “casos confirmados” com os “casos confirmados a cada 1 milhão de pessoas” faz sentido muito maior ao introduzir a correlação com a população. Verifica-se que no ranking dos números absolutos o Brasil é o terceiro, enquanto na correlação com um milhão de pessoas a posição é bem diferente.

 

Fonte Wikipedia (20/05)

 

No universo Brasil, vemos que o Estado de São Paulo tem o maior número de “confirmados”, mas quando olhamos para os “confirmados” correlacionados com a população, a posição fica bem distante do primeiro lugar, ocupado pelo Amapá.

 

Observamos também que as “mortes”, como não estão correlacionadas com a população, perdem o efeito comparativo e qualificativo.

 


Fonte Wikipedia (20/05)

 

Hoje (21/05), coincidentemente no Portal G1 da GLOBO foi publicada uma reportagem em que este índice de mortalidade foi correlacionado com 100 mil habitantes, comparação que tirou São Paulo do grupo de 20 cidades mais afetadas. Bem diferente da posição no ranking de números absolutos. 

Esperamos que a informação do G1 expondo correlações seja um cuidado a ser continuado, pois como vimos há muitas interações que podem mudar o entendimento. 

 

Por exemplo, a Europa está de olho na Suécia, que optou por deixar a cargo da responsabilidade da população o controle da Covid-19, e estão acompanhando utilizando vários fatores como expostos no gráfico abaixo, reproduzido do jornal Folha de São Paulo, edição de 20/05:

 

 

Podemos notar que todos os itens apresentados, e que podem ajudar na análise estão expressos em porcentagens e taxas.

 

Bem, o resultado final para a Suécia virá apenas depois que a Covid-19 for controlada. Por ora, a Itália chama a atenção pela gastronomia. São os menos obesos e há concentração de idosos.

 

Gostaríamos que até a saída do vírus os economistas e demógrafos entrassem em campo para ajudar os editores. 

 

Enquanto isso, de acordo com o UOL, poderemos ter novidades vindas do Rio Grande do Sul, através da cientista política Leany Lemos, Secretária de Planejamento, que tem feito análises de cenários para a Covid-19 focando diferentes regiões gaúchas.  Conhecimento, experiência, dados e planejamento: ela acredita que poderá em breve apresentar resultados.

 

Até lá, para manter-se atualizado sobre a Covid-19 vale acessar o site Our World in Data:

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Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Conheça três projetos que ajudam profissionais de saúde, empreendedores e pequenos negócios

 

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Imaginar o que haverá pós-pandemia é difícil. Há quem veja um mundo mais solidário. E os que enxergam as fronteiras mais fechadas. Há os que pensam em uma vida mais simples. E os que creem no aumento das desigualdades. Talvez saíamos todos iguais ao que éramos assim que a crise amenizar, a vacina aparecer e o novo coronavírus se transformar em velho conhecido. O que enfrentamos vira memória — história para ser contada. E bola frente. Quem jogava bonito, segue fazendo belezuras. Quem jogava feio, feiúras. Os adeptos do jogo sujo, sujeiras.

 

Melhor, então, olhar para o que acontece agora e identificar quem sabe se comportar diante da regra do jogo e usa de sua criatividade para melhorar o mínimo que seja a vida do outro. Nestes dias, encontrei algumas iniciativas que me chamaram atenção; gente disposta a ajudar gente, a apoiar empresas, manter empregos, acolher quem precisa.

 

 

Começo pelo Projeto Isolar que olha para os profissionais de saúde, muitos dos quais com dificuldade para encontrar um lugar onde possam ficar isolados. É o pessoal que atende nos postos e hospitais, recebe pacientes, trata, cuida, dá carinho, salva. E tem medo de voltar para a própria casa pelo risco de contaminar seus familiares. O Isolar é uma plataforma na qual o médico, o enfermeiro, a recepcionista do hospital, o motorista da ambulância, ou seja, qualquer um desses profissionais que estão no “campo de batalha” se candidatam a um imóvel, próximo ao local do trabalho, que será financiado pelo próprio projeto que se sustenta a partir de doações.

 

A Camila Putignani, uma das idealizadoras do Isolar, conta que ao menos 250 pessoas estão cadastradas e foi possível, até este momento, acomodar 17 profissionais que podem ficar em um apartamento ou em um quarto de hotel, de hostel ou de pousada. O prazo inicial é de 14 dias podendo ser renovado conforme a necessidade do profissional. Além da moradia, as doações servem para comprar produtos de higiene pessoal, limpeza e alimentação.

 

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O outro projeto que também depende da doação é o “Adote um Pequeno Negócio”, criado pelo Claudio Tieghi e o Fabio Fiorini. Na plataforma, o doador escolhe a quem se destina o dinheiro. Os empreendedores escolhidos receberão consultoria para organizar a empresa e terão acesso a uma plataforma que permite controlar as tarefas diárias do seu negócio.

“Para adotar uma empresa, sendo pessoa física, é necessário inicialmente investir R$9,90 ou mais. Em seguida, o investidor recebe um livro (“Manual do micro e pequeno negócio em tempos de pandemia”) para presentear um outro empreendedor, além de ter acesso à plataforma para acompanhar o dia a dia da empresa que adotou. O nome da cada pessoa que fizer a adoção irá aparecer na página dos doadores, além de receber um certificado” Fabio Fiorini.

O terceiro projeto que destaco reúne gente graúda e está sob o comando do César Souza, do Grupo Empreenda, e do Alexandro Barsi, da Verity Group. Com o Movimento #VamosVirarOJogo, eles estão reunindo empresários e gestores dispostos a compartilhar práticas e ideias capazes de ajudar as empresas a superarem os obstáculos impostos pela crise atual. Mais de 300 empresas já assumiram o compromisso de atuar no movimento:

“A frase “Há vida após o Covid-19” nos inspirou a estruturar o movimento. As lideranças empresariais devem compreender que virar o jogo passa, necessariamente, por assumir um verdadeiro compromisso, com muita inovação e criatividade para a reinvenção dos negócios, considerando oportunidades ainda não percebidas. Levando em conta o ecossistema de toda a cadeia de valor das empresas, é necessário que todos deem o melhor de si, com foco em soluções para o futuro e superando medos e angústias naturais em meio às turbulências que vivenciamos. Reinventar á a palavra de ordem”. César Souza.

Todas essas iniciativas nos revelam que existe gente interessada em espalhar o bem. Talvez sejam as mesmas pessoas que sempre atuaram assim, antes da pandemia se apresentar. E sejam as mesmas que continuarão acreditando nestas práticas após a crise passar.

 

A esperança que sempre deposito é que essas ações ao estenderem a ajuda a outras tantas pessoas façam dessas outras pessoas e de todos os que foram impactados, direta ou indiretamente, embaixadores do bem, criando um ciclo virtuoso. É a minha esperança; se esta vai se tornar realidade somente saberemos ao longo do tempo. Prefiro acreditar que sim. Fica mais fácil atravessar o drama que estamos assistindo neste momento.

#Barucast: a comunicação como fator de liderança

 

BARUCAST

De todas as competências necessárias para liderar uma empresa, um grupo de trabalho ou a sua própria carreira, considero a comunicação a mais importante, porque sem esta corre-se o risco de as demais não se expressarem em todo o seu potencial. Sabe-se que ter equilíbrio e flexibilidade, por exemplo, são fundamentais para quem assume posto de comando — especialmente diante do cenário crítico que estamos vivendo hoje. Agilidade e empatia colaboram, sem dúvida. No entanto, estarão restritas em suas dimensões se o líder não souber como se expressar. Apenas para ilustrar o que digo: como querer que a minha equipe atue com a velocidade de adaptação que o momento atual nos exige, se eu não estiver capacitando a transmitir ao meu time nossas possibilidades, de maneira simples, direta e objetiva — o que defendo há bastante tempo ser o mantra da boa comunicação. Ser simples, direto e objetivo me ajudará a guiar a equipe ou a demonstrar para o meu time até onde podemos chegar.

Assim comecei a conversa com Erika Baruco, colega jornalista, especializada em comunicação empresarial, que comanda a agência de RP Baruco Comunicação Estratégica. Ela produz o BARUCAST, um podcast destinado a falar do poder da comunicação, e me deu a oportunidade de expressar mais uma vez a paixão que tenho pelo tema.

 

A base de nosso bate-papo foi o livro “Comunicar para liderar”, escrito com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, e publicado pela Editora Contexto, em 2015.

 

No podcast fui provocado a tratar sobre liderança feminina, reputação e a presença dos gestores de empresas nas redes sociais.

 

Ouça aqui o podcast BARUCAST: COMUNICAÇÃO COMO FATOR DE LIDERANÇA