Empresa de ônibus de São Paulo ostentou até o final dos anos de 1970 como nome uma das datas cívicas símbolos do País.
Por Adamo Bazani
Foi no sete de setembro de 1822 que Dom Pedro II, às margens do Rio Ypiranga em São Paulo, bradou: “Independência ou Morte” (é o que dizem). A partir desta data, depois de vários movimentos políticos, o Brasil teve uma administração autônoma de Portugal. A data é um dos símbolos brasileiros adotada em diversos negócios, logradouros, clubes, enfim.
Como os transportes participam e influenciam em diversos aspectos da sociedade, desde os econômicos e urbanos até os sociais e comportamentais, a “marca” 7 de setembro fez parte da história de muitas empresas de ônibus. Uma das mais marcantes na Capital Paulista foi a Viação Sete de Setembro Ltda, que entre o início dos anos de 1960 e 1979 serviu a zona Sul da Capital Paulista.
Tão polêmica quanto a independência do Brasil, que para muitos historiadores, se deu de uma maneira unilateral, e até mesmo passiva, foi a atuação da Viação Sete de Setembro e são várias as histórias que envolvem a empresa.
Para começar, os seus serviços nem sempre considerados de boa referência e a operação de veículos velhos. Os historiadores Paulo Sérgio Vidal e Carlos Coelho, especializados em transportes nos contam como era a realidade da empresa:
“Eu conheci a Viação 7 de Setembro em 1976, os carros tinham uma aparência bem desgastada, no português claro eram uns pau-velhos. Tempos depois vi na TV uma manifestação contra os péssimos estados de conservação dos carros desta empresa e o excesso de lotação que andavam.” – afirma Carlos Coelho
“Realmente a 7 de Setembro só tinha pau velho e era uma verdadeira alça de caixão de defunto. Um largava , outro pegava e às vezes ninguém queria” – relembra Paulo Sérgio Vidal.
Vidal conta que a empresa surgiu na primeira metade dos anos de 1960, fundada por um empreendedor conhecido como João Vermelho. Mas com o tempo, diversas pessoas entravam e saíam da sociedade da empresa. A historiadora Maria Vanessa Norberto da Cruz fez um levantamento no Diário Oficial do Estado de quantos sócios entraram e saíram da empresa.
Na edição de 23 de julho de 1963, é publicada a saída de Hamilton Dias e a permanência de Nilda Siervo Ferreira e Moysés dos Santos Ferreira. O Capital da empresa era de 1 milhão de cruzeiro
Já na edição de 16 de julho de 1969 consta que saíram Euclides de Carvalho e Nestor Carvalho se retiravam ficando na empresa Joaquim de Almeida Saraiva e Manuel Augusto Ferreira (ambos portugueses), entrando Mário Jorge Pires da Foncesa.
Em 03 de julho de 1973, o Diário Oficial publica algo que melhoraria a situação da empresa : a entrada de famílias que já tinham grandes negócios na área dos transportes do ABC Paulista – Danilo Adelelmo Setti (com metade das ações) e Rubens Fogli com Antônio Said, que detinham juntos a outra metade. A partir daí começou haver uma renovação na frota.
Um detalhe curioso lembrado por Paulo Vidal é que os ônibus da empresa eram de cor predominantemente vermelha. Os Militares, que impunham a Ditadura no Brasil, obrigaram, em meados dos anos de 1960, os donos da empresa a pintarem sob as letras BR, da palavra SETEMBRO, uma faixa verde e outra amarela para que os ônibus vermelhos não transparecessem nenhuma conotação comunista. “Coisa da Ditadura” – diz.
A empresa também teve uma linha intermunicipal ligando Itapecerica da Serra a Santo Amaro, que segundo o Diário Oficial de 12 de fevereiro de 1966, foi transferida para a Viação Rio Bonito.
Mesmo com os problemas, a empresa inegavelmente ajudou no desenvolvimento de Santo Amaro, Grajaú e região, que a partir dos anos 60 tiveram a população aumentada.
Na reformulação do sistema em 1978, a empresa deixara de existir.
A imagem é ilustrativa de um dos modelos que operou na viação, já que não encontramos uma imagem da 7 de setembro.
Adamo Bazani é jornalista da CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung – às vezes em dose dupla, como neste feriado.






