Foto-ouvinte: Arte e rabisco na porta do Teatro

 

Tapumes, antes e depois

Os grafites que ilustravam os tapumes que estão em torno do Teatro Municipal de São Paulo foram “atacados” por cartazes mal-colados, conforme registrou o colaborador do Blog Marcos Paulo Dias. As duas imagens que você vê acima foram feitas por ele. A primeira há alguns meses quando as cores e traços chamaram a atenção dele, pois quebravam a monotonia da obra de reforma do teatro mais importante da capital. A segunda, dia 5 de agosto, quando os papéis colados sobre os desenhos lhe causaram uma reação negativa.

De Fogo

 


Por Maria Lucia Solla

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Faz um frio danado, em São Paulo. Ajoelho na frente da lareira, pela terceira vez hoje; me esforço para acender a fogueira, e nada.

Fogo não pega assim fácil, não. Sei disso. Fogo chega no tempo dele. Tem vezes que é um zás-traz, e o fogaréu assobia para as labaredas dançarem; noutras, como hoje, exige rendição total para que a alquimia se processe; e eu, então, finalmente me rendo.

Deixo tudo de lado, me esvazio e me entrego. Examino o arranjo no braseiro e acho, numa acha aqui, noutra ali, marcas de tentativas anteriores; e cavouco para ajeitar os cavacos. Ponho álcool no copo, só que desta vez estou presente em cada gesto, em cada ação. De piloto automático desligado, ajoelho novamente aos pés da lareira e banho o feixe de lenha. Desta vez com reverência.

Fogo não costuma atender à primeira chamada. Exige paciência, e não aceita menos que atenção e dedicação, no tempo necessário para que se dê a simbiose. Só então a magia acontece. Aí é só beleza, força, e o fogo fala, o fogo grita, traz memórias de encontro, de esperança e da falta dela, de riso e choro, de real e do nem tanto.

Fogo é luz e revelação, na fogueira ou na chama da vela, e seus elementais, através da manifestação dele, podem se expressar; e se expressam.

O fogo só chegou a nós quando a Vida acreditou que estávamos prontos para interagir com ele. E a gente nem mesmo se dá conta da sua grandeza e do privilégio que é tê-lo como aliado. Somos crianças mimadas; queremos sempre um brinquedo novo e perdemos o interesse pelo conquistado. Só nos damos conta da força e da importância do fogo, quando ele se exalta e invade e toma o que está à sua volta, ou quando precisamos dele e não o temos.

Como sempre, fiquei fascinada pelo seu poder e fotografei, fotografei sem parar. E neste ponto, chego à conclusão de que é melhor que eu me cale para deixar que ele se expresse.

Escolha um ponto das imagens para fixar o olhar. Não procure nada, e deixe que as imagens se revelem para você.


Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Velhos e elegantes

 

Por Dora Estevam

Homens velhos e com estilo

Homens velhos e com estilo

É tão bom quando você anda pelas ruas ou passeia pelos corredores dos shoppings e encontra homens maduros bem vestidos. Não é por que envelheceram que vão vestir roupas ultrapassadas, surradas, chinelos com meias esgarçadas e blusas cheias de manchas do tempo, que se confundem com as rugas da face.

A elegância do homem mais velho ao se vestir está acima do calor ou do frio. Ele tem obrigação em mostrar todo brilho da idade. Mesmo porque as senhoras mais velhas tendem a andar elegantes, bem vestidas e maquiadas. Não é tipo “mocinha” que me refeiro. É elegância, mesmo. Sobriedade.

Eu, particularmente, não gosto de ver mulheres mais velhas e fora do peso vestindo roupa de homem, ficam masculinizadas. Outro dia assisti à cena na qual a atriz Aracy Balabanian, na novela Passione, da TV Globo, vestia camisão, calça comprida e sapato sola grossa.

Gente! Ela já faz papel de dona nervosa, com aquele conjunto então… Corra!

Bem, voltando aos homens: ser um velho elegante é como aproveitar a vida sem cair em contradições. Conforto e simplicidade se bem aproveitados só levam alegria e divertimento para amigos e parentes.

Lyndall e Ginna, maturidade na elegância

Lyndall e Ginna, maturidade na elegância

Gitta Lee é uma senhora londrina que foi modelo há 50 anos e agora está voltando para a publicidade. Ela foi fotografada pela Time Out Magazine. No encontro entre Gitta e o repórter, a modelo se referiu à campanha como uma inspiração ao envelhecimento: ”Uma foto de uma senhora elegante e velha em uma campanha publicitária acrescenta qualidade e elementos atemporais na história”.

Outro destaque da moda avançada é Lyn Dell, proprietária de uma loja na Broadway. De acordo com o site Advanced Style, ela é uma fashionista tão querida e glamourosa que até a Vogue Itália fez editorial com a velhinha.

Realmente, não estamos acostumados a ver idosos em campanhas de publicidade de uma maneira mais elegante. É sempre aquela imagem de velhinho e tal.

Também por aqui são muito comuns homens mais velhos se vestirem como se fossem menininhos de 15 anos (ok, as mulheres também não fogem disso). É deselegante e desnecessária esta exposição. O mundo não precisa ver isso.

Basta ter estilo pessoal e roupas que se adaptem perfeitamente ao clima e ocasião. Não precisa sair gastando toda a aposentadoria nas marcas de cada estação, apenas que ter alguns modelos práticos. Os acessórios são complementos que podem ser trocados de acordo com a estação.

O retrato de um homem velho e elegante resulta da combinação de belos acessórios e cores, além da sutileza de saber envelhecer positivamente se adequando aos tempos.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung

Dura vida paulistana

 

Por Sérgio Mendes

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Clique aqui e ouça este som enquanto lê o texto a seguir

Ta cada dia mais difícil de se viver em São Paulo e, as vezes, o barulho impede a gente  até de trabalhar. Pois foi o que me aconteceu nesta última quinta feira, 29/07, quando cheguei no ”serviço” às 7 em ponto .

Como o zelador, podia resolver tudo no grito. E eu não tive a menor dúvida. Mudei de sala, pedi ao zelador que os deixasse em paz e observei um pouco enquanto eles invadiam o espaço com aquela algazarra.

A gritaria, encantadora, era de uns visitantes andarilhos (voarilhos?) que naquele dia elegeram a minha janela para papear… por pouco não mandei também o meu aluno embora!

Viver em São Paulo está ficando cada vez mais difícil, o que salva são estes encantamentos que de vez em quando nos acontecem e a gente aprende a ouvir. Mesmo quando tem por ofício ensinar a falar.

Sérgio Mendes é ouvinte-internauta, professor de inglês e integra o Adote um Vereador

Governo recua e anuncia reforço (?) no Rodoanel Sul

 

Foram necessários 20 dias para o Governo do Estado de São Paulo admitir que os transportadores de carga e seguradoras tinham razão ao reclamar da falta de segurança aos motoristas no trecho sul do Rodoanel. Em nota, divulgada nessa quarta-feira, a Secretaria Estadual de Segurança Pública anunciou o reforço do policiamento na área informando que “o efetivo foi praticamente dobrado para auxiliar no patrulhamento”.

Em junho, os donos das empresas de transporte de carga disseram que as seguradoras se negavam a pagar indenização caso os caminhões fossem alvos de bandidos no trecho sul do Rodoanel pois o policiamento não era suficiente e havia falhas no sinal de telefonia celular, o que prejudicava o monitoramento eletrônico. As seguradoras confirmaram a restrição, ao CBN SP. Na época, primeiro por nota, depois em entrevista, o Governo disse que “o discurso do Sindicato não se sustenta”.

A curiosidade entre as informações divulgadas pelo Governo de São Paulo em julho e hoje é quanto ao número de viaturas que rodam na região para dar segurança aos motoristas.

Na nota do dia 16 de julho, afirmava que “existem duas bases da Polícia Militar Rodoviária com 19 viaturas e motos disponíveis” (leia nota aqui)

Na nota de ontem, diz que as medidas para implementar a segurança prevêem o uso de 17 viaturas do 1º Batalhão de Polícia Militar Rodoviária, duas viaturas do Tático Ostensivo Rodoviário e o helicóptero Águia da Polícia Militar.

A persistirem as contas, o único reforço no trecho é o uso do helicóptero, pois o número de viaturas permanece o mesmo.

Sobre o tema:

Seguros ‘proíbem’ caminhões de rodas no Rodoanel Sul

Governo de Sp diz que não há roubo de carga no Rodoanel

Sem número, seguradoras insistem em restrição ao Rodoanel

Gerente do Rodoanel diz que seguradoras estão mal informadas

A nota da Secretaria de Segurança Pública, divulgada ontem:

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Foto-ouvinte: Foi-se o sofá, sobrou o lixo

 

Entulho no Capão

Recebi o seguinte recado, via Devanir Amâncio, do seu Antônio Ventura, que abrilhantou o blog ao discursar contra o despejo de entulho em uma das esquinas da Cohab Adventista, no Capão Redondo, zona sul:

Sabe aquele sofá que eu subi em cima pra falar umas verdades, a Prefeitura levou embora ,assim que falou na rádio. Levou só o sofá, o entulho ainda  tá lá … falei sobre isso até  com o pessoal de um vereador que  pinta  lâmpadas em muro, mas não adiantou nada.

O trauma de um ônibus queimado

 

Por Adamo Bazani

Ônibus queimado em São BernardoIndignação e trauma. Estes eram os sentimentos dos funcionários da Auto Viação ABC Ltda. Nessa terça-feira, 3 de agosto, o Caio Apache Vip II, prefixo 233, da empresa foi cercado por criminosos na rua dos Feltrins, bairro Demarchi, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Com truculência, o grupo obrigou motorista, cobrador e passageiros da linha 409 (Estação Santo André/ Jardim LasPalmas) a abandonarem o veículo. Todos tiveram de sair correndo. Em poucos segundos, após ser banhado de combustível, provavelmente gasolina, o ônibus virou uma enorme tocha de fogo. Felizmente ninguém se feriu, fisicamente.

A gerência da empresa falou ao ‘Ponto de ônibus” e foi possível constatar o sentimento de perda, não de um veículo apenas, mas de confiança, da sensação de segurança. Os funcionários ficaram traumatizados, muito assustados e precisaram ser amparados. Com os passageiros não foi diferente.

Mesmo se tratando de uma ação que dizem ser isolada e, provavelmente, não vai ocorrer todo o dia no mesmo local, a marca permanece. Enquanto estes criminosos ficam impunes, o motorista, cobrador e os demais passageiros vão ter de continuar a vida, trabalhar. E, como as vezes o País passa a sensação de que o trabalhador tem menos oportunidades e benefícios que o criminoso, voltar a Rua dos Feltrins não vai ser a mesma coisa. Talvez, enquanto estávamos conversando com a gerência da empresa ou escrevendo o post, os criminosos até tenham voltado ao local para ver os restos do ônibus, como se fosse um troféu.

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Um desastre com vista para a Guarapiranga

 

Guarapiranga, a represa

A represa de Guarapiranga é dos principais mananciais do estado de São Paulo e responsável pelo abastecimento de 3,8 milhões de pessoas. Uma área de beleza cobiçada que foi tomada de construções irregulares nas últimas décadas. Calcula-se que a população que vive no seu entorno chegue a 800 mil pessoas, ocupação que cresceu em 40% entre os anos de 1991 e 2000.

Houve uma série de medidas para coibir estas invasões, a partir de regras municipais como o Plando Diretor Estratégico e estaduais, porém um decreto do prefeito Gilberto Kassab (DEM) volta ameaçar a região. O texto publicado no Diário Oficial permite a construção de habitação popular em Zonas de Preservação Permanente desde que haja liberação da prefeitura. De acordo com informação levantada pelo jornal O Estado de São Paulo o objetivo do governo municipal é facilitar a construção de prédios populares nas áreas próximas das represas de Guarapiranga e Billings, onde ocorre processo de reurbanização de 64 favelas.

O promotor de Justiça do Meio Ambiente da Capital José Eduardo Lutti disse no CBN SP que vai abrir inquérito para investigar o caso pois considerou a medida “um desastre administrativo”. Ele comentou que a prefeitura é incompetente para administrar o problema das invasões e, por isso, adota ações como esta que causará prejuízos ambientais ainda maiores na região.

Ouça a entrevista do promotor de Justiça do Meio Ambiente da Capital José Eduardo Lutti ao CBN SP e do especialista em direito ambiental Virgilio Alcides de Farias, do Movimento em Defesa da Vida da Região do Grande ABC

A prefeitura de São Paulo foi convidada a falar sobre o tema, mas não se pronunciou.

Campanha “Quero casa, não quero estádio”

 

QUERO-QUERO 2

Indignado com o rumo da discussão sobre investimentos para a Copa do Mundo de 2014, o ouvinte-internauta Severino Ramos decidiu lançar por conta própria campanha para sensibilizar as autoridades públicas deste País. Criou o slogan, desenhou um selo e mandou a justificativa para o CBN São Paulo. Leia e se concordar deixe seu recado e mande o desenho pra frente. Se discordar, dê suas razões. E vamos discutir o tema juntos.

“O quero-quero é um bicho esquisito tem um corpo carnudo e um par de pernas finas e longas e um topete pra trás.
É comum vê-los nos campos de futebol, fazendo uma barulheira danada e vibrando uma das patas na grama como um drible de Robinho para confundir sua presas e capturá-las. Porém faz seu ninho no chão e sua casa é em qualquer lugar.

Em 2014 quero 1 estádio de 650 milhões ou 13.000 casas populares?

Um abraço,
Severino Ramos”

Conheça ônibus da nova empresa de Mauá

(Com atualização às 14:08)

 

Grupo de Curitiba deve começar a operar ainda em agosto e pretende transformar o transporte de passageiros de uma das cidades mais carentes de ônibus da Grande São Paulo.

Ônibus da Leblon

Por Adamo Bazani

O ônibus que você vê com exclusividade neste post passará a rodar em Mauá com o desafio de mudar o cenário de um dos sistemas de transportes mais complicados na região metropolitana de São Paulo. É de propriedade da Leblon Transporte, do Paraná, que ganhou a licitação do segundo lote operacional, em 2008, mas que ainda não presta serviço porque o Grupo TransMauá contesta na justiça o resultado do certame.

A TransMauá, atualmente, opera sozinha todas as linhas de ônibus do município. No lote 1, através da Viação Cidade de Mauá, antiga Barão de Mauá; e no lote 2, pela Viação Januária.

A prefeitura admitiu que a cidade tem um dos sistemas mais complexos e carentes da Grande São Paulo. Além de investimentos públicos em obras a partir de um cronograma de pavimentação e recapeamento de vias, reformas de terminais e mudança em algumas das principais linhas, a aposta é que a entrada de nova empresa no setor represente melhora significativa no serviço prestado.

Ao permitir que mais de um grupo opere na cidade, algo que há muito tempo não ocorria, Mauá estimulará a disputa pelo passageiro resultando avanços na qualidade do serviço.

Até aqui o que se vê é a troca de ônibus velhos por ônibus um pouco mais novos. Às vezes são colocados nas linhas carros “zero quilômetro”, mas apenas o mínimo exigido para atender as leis de acessibilidade e reduzir a idade média da frota, também uma demanda legal. A Leblon colocará em Mauá uma frota novinha em folha. Todos os ônibus serão “zero quilômetro” como este Torino, da foto exclusiva. Os ônibus serão carroceria Marcopolo, incluindo micros, midis (micrões) e articulados Volvo, modelo Gran Viale. Serão 75 em operação mais carros reservas, totalizando 86.

Outra boa expectativa em relação à entrada da Leblon é a tradição e o retrospecto do grupo empresarial de Curitiba. A capital paranaense que é referência mundial em transporte público, desde 1974, com a implantação do primeiro BRT (Bus Rapid Transit) do planeta, conta com os serviços da Leblon há várias décadas.

Em 1969, a empresa começou com serviços escolares e fretamento. Em 1982, entrou para o serviço urbano no Paraná, com a linha Fazenda Rio Grande. No ano de 1989, foi a primeira empresa a integrar o sistema integrado da Região Metropolitana de Curitiba.

ônibus da Leblon tem águiaHaroldo Isaak, proprietário do Grupo Leblon, falou sobre o que a empresa vai oferecer de diferente para os passageiros de Mauá:

“Além de seguir todas as normas de segurança, conforto e acessibilidade, vamos oferecer mais ainda para os passageiros e nossos funcionários em Mauá. Os ônibus serão dotados de câmeras internas e externas para inibir a violência, a evasão de receitas, o vandalismo e até mesmo elucidar acidentes de trânsito. Todos terão cofres temporizados, o que também inibe a ação de criminosos, proporcionando mais segurança a quem trabalha e viaja”.

Haroldo aproveita para lembrar das conquistas obtidas pelo Grupo Leblon Transporte no setor:

“Somos a empresa de ônibus urbanos mais antiga em operação a ter o ISO 9000, certificado de qualidade obtido em 1997, com o processo para a certificação iniciado em 1995. Fomos finalistas do Prêmio da ANTP – Associação Nacional dos Transportes Públicos, o que nos orgulha muito, mostra que nosso trabalho está no caminho certo. Mas sempre vamos partir para uma melhora constante.”

A águia pintada na lataria do ônibus com efeito formado por qautro rostos é símbolo da empresa e tem o intuito de evidenciar as principais características do animal: visão, força e agilidade.

“Esperamos trazer o melhor para Mauá e, logo de início, instruir nossos funcionários a valorizar quem usa ônibus, que não é apenas um usuário, mas um cliente” – diz Haroldo.

A estimativa é de a empresa começar a prestar serviços já neste mês de agosto

Adamo Bazani, repórter da CBN e busólogo, escreve no Blog do Mílton Jung