Por Maria Lucia Solla
Olá,
Pra falar de amor precisa ter coragem, porque amor é coisa séria, entremeada de muita bobagem.
Amor é feito de tudo, principalmente de cor, de alegria e de muito bom humor.
Amor é leve mas tido por pesado; é livre, corre solto, e sofre se acorrentado
Não importa. Se eu disser que sei de amor, estou mentindo; num dia disserto, no outro penso: será que enlouqueci? De certo!
Pensando no amor, suspiro, me viro, busco palavras e quase piro!
Faz três dias que me afino, buscando o termo certo, mas não encontro nem um por perto.
As letras brincam comigo; me espreitam e riem de mim, fugindo, se escondendo, quando eu acho que tô podendo.
Me dá as costas não é, palavra danada. Se me irrito, me calo e não digo mais nada. Você vai ver, eu paro de escrever.
Dito isso, penso: que doida esta situação! Eu querendo escrever e as palavras se pondo a correr.
Se vão então as palavras, aos saltos, aos centos e eu correndo atrás delas, tentando salvar aos menos os seus acentos.
Pensa que vão em procissão, cabeça baixa balbuciando uma oração?
Que é isso, que nada! Saem correndo de mão dada, rindo e pulando, em bando, uma alegre gurizada!
Então me faço menina pra surpreendê-las na esquina.
Não há estratégia que vingue, se a gente se põe muito sério. Amor quer flor, quer cor, mas aceita também um leve impropério.
Peço a Deus e a Nossa Senhora que me mostrem o rumo do amor e ouço claramente a resposta ao meu clamor:
E amor tem rumo certo? Amor é livre, é solto. Deixa teu coração escancarado de tão aberto que você vai encontrar, de certo!
Ainda teimando, palavras eu tento ajustar. O sujeito vai aqui, e um verbo não pode faltar. E o resultado e que minha mente também teima e continua a falhar.
E ouço ainda de longe a voz de um anjo que insiste. E amor tem regras, menina? Só se você quiser perdê-lo ali, na próxima esquina.
Que é isso? Insisto. palavra é palavra e eu sou gente! Sou o máximo da criação, penso toda imponente.
E é aí que apanho, levo um tombo tamanho que me deixa tonta, sem conseguir pensar, e é só então que consigo do amor começar a falar.
Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, escreve no Blog do Milton Jung.





