Por Maria Lucia Solla
Olá,
Mais uma semana passa voando. Zunindo. Nisso concordamos. Todos.
O tempo passa mais depressa, a cada segundo. Será que a velocidade duplicou? Triplicou? Não sei; só sei que não dá tempo de sentar para calcular. Ele passa chispando, e pronto. Perdeu a chance? Dançou. Ao menos na situação que passou.
O danado voa. E voa porque a gente pisa fundo no acelerador. A pressa é hoje um dos males que mais matam. Aleija, derruba, deforma, corrompe, elege, impede o olhar de ver, subjuga e acorrenta a liberdade. Que ironia.
Imagine você, eu, todos nós pisando fundo no acelerador. Querendo passar uns aos outros; querendo chegar. Mas,que tal sairmos do lugar?
Corremos e não saímos dali, cavando buracos fundos e mal mantendo o nariz para fora, para poder respirar. Carregamos corpos empanturrados, que definham. Sabemos muito sobre vitaminas, mas nossos corpos são cada vez menos nutridos. Todos os corpos. Físico, emocional, mental, e espiritual, para mencionar alguns.
Nossos corpos engordam, mortos de inanição. Doido isso, não é?
Artistas de todas as artes, costureiras, mecânicos, poetas, atores, garis, executivos de multi-nacionais, gerentes de loja de bairro, secretárias, professores, filósofos, escritores, jornalistas, contadores, manicures, meditantes, cabeleireiros, economistas, juristas, políticos, atletas, pais, mães, filhos, estudantes, crianças, jovens, velhos, brancos, negros, amarelos, marrons, pretos, branquelos, bronzeados, vermelhos, doutores da alegria, precisamos de vocês mais do que nunca.
A Era de Aquário chegou. Tocou a campainha da porta há pelo menos quarenta anos, e a gente ainda nem lavou o rosto e penteou os cabelos para recebê-la com a pompa merecida por uma Era.
É agora ou nunca. It’s now or never!
Andamos densos demais. Preocupados com o próprio umbigo, não percebemos a curva fechada à esquerda. Puff.
Desde o parto não temos percebido a beleza e a riqueza do nascer. Continuamos estacionados na dor da expulsão. Em vez de celebrarmos, lamentamos o tempo todo. Viciamos no chorinho do bebê, que deu tanto ibope na época.
Vamos combinar que não dá mais para adiar, ou vamos acabar fragmentando nossas vidas, como se fragmenta tudo à nossa volta. Os partidos políticos estão aí, e não me deixam mentir.
Minha intenção era falar, prosaicamente, da semana que passou voando. Viu só o que aconteceu? Fui me meter de pato a ganso com o tempo, e perdi a hora.
E você, o que tem perdido?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos escreve no Blog do Milton Jung sempre de olho no nosso tempo.